❌

Normal view

Fachin arquiva investigações e avança no fim do inquérito das fake news

30 October 2026 at 07:00

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, arquivou ou declarou encerradas ao menos oito investigações derivadas do inquérito das fake news em decisões divulgadas entre terça (27) e quinta-feira (29). Ele pretende analisar todos os casos pendentes antes de arquivar de vez a apuração, aberta em março de 2019 e conduzida por mais de sete anos pelo ministro Alexandre de Moraes.

Fachin assumiu a relatoria em 9 de setembro, ao retirar Moraes do caso, e identificou 104 procedimentos vinculados ao inquérito. Seu plano é separar os que podem ser encerrados daqueles que ainda dependem de diligências da Polícia Federal ou de manifestação da PGR (Procuradoria-Geral da República).

Só então deve determinar o arquivamento definitivo e liberar a íntegra dos autos. Não há prazo para concluir o trabalho.

Leia Mais:

Na segunda (26), o ministro arquivou, a pedido da PGR, a investigação contra o pastor Silas Malafaia por suspeita de coação no curso do processo, crime atribuído a Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo. Para a PGR, as mensagens mostram que o pastor deu sugestões de estratégia e ofereceu ajuda a Jair Bolsonaro, mas não que isso tenha influenciado a atuação da dupla nos Estados Unidos.

Com o arquivamento, caem as cautelares impostas a Malafaia, como a proibição de deixar o país e de contatar outros investigados. Fachin também mandou devolver os bens apreendidos, entre eles o passaporte, retido em agosto de 2025, quando ele voltava de Portugal.

Também na terça, Fachin encerrou o inquérito sobre a atuação de Eduardo Bolsonaro nos EUA para pressionar ministros do STF e articular sanções contra o Brasil. Para o ministro, a apuração já cumpriu sua finalidade.

A investigação originou a ação penal em que o ex-deputado foi condenado pela Primeira Turma, em 16 de junho, a quatro anos e dois meses de prisão em regime semiaberto, por coação no curso do processo. A pena passou a ser cumprida em outubro, após o trânsito em julgado. Eduardo vive nos EUA, onde obteve green card em julho.

Ainda na terça, o ministro reconheceu a prescrição do crime de incitação atribuído ao jornalista Guilherme Fiuza e arquivou outra frente contra ele, por suspeita de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

Nesta quinta, foram encerradas cinco investigações, por prescrição, falta de provas, impossibilidade de identificar os responsáveis ou duplicidade de apurações. Entre elas:

  • Rui Costa Pimenta (PCO): reconhecida a prescrição do crime de incitação, por publicações de 2022 com ataques ao Supremo;
  • Gilson Machado: a PGR não viu elementos mínimos para sustentar a suspeita de que ele tentou ajudar o tenente-coronel Mauro Cid a obter passaporte no Consulado de Portugal, em Recife;
  • Flávia Cordeiro Magalhães: a PGR apontou fragilidade das provas; Fachin revogou a prisão preventiva e as restrições migratórias impostas a ela;
  • Telegram: a investigação sobre mensagens antissemitas e ameaças a ministros foi arquivada porque a plataforma disse não ser possível identificar os administradores do grupo sem o número de telefone vinculado às contas;
  • Alex Brasil: o deputado estadual era investigado por publicações sobre o sigilo do voto em 2022, mas os mesmos fatos já haviam sido apurados em outro caso.

Nos arquivamentos por insuficiência de provas, Fachin ressalvou que as investigações podem ser reabertas se surgirem novos elementos.

Inquérito com os dias contados

Tramitando há sete anos e desde então sob sigilo, as investigações já miraram empresários, políticos, jornalistas, usuários das redes sociais e, agora, os próprios ministros do STF.

A abertura do processo ocorreu em 14 de março de 2019, por determinação do então presidente do STF, ministro Dias Toffoli. A relatoria foi atribuída diretamente a Moraes por escolha de Toffoli, sem a realização de sorteio prévio ou distribuição por livre concorrência entre os demais integrantes do tribunal. O modelo depois foi validado pelo plenário do STF.

Além disso, a investigação foi instaurada de ofício, dispensando a provocação inicial da PGR.

Conforme o despacho de abertura, o objetivo do inquérito das fake news é:

“A investigação de notícias fraudulentas (fake News), falsas comunicações de crimes, denunciações caluniosas, ameaças e demais infrações revestidas de animus caluniandi, diffamandi ou injuriandi, que atingem a honorabilidade e a segurança do Supremo Tribunal Federal, de seus membros, bem como de seus familiares, quando houver relação com a dignidade dos Ministros, inclusive o vazamento de informações e documentos sigilosos, com o intuito de atribuir e/ou insinuar a prática de atos ilícitos por membros da Suprema Corte, por parte daqueles que tem o dever legal de preservar o sigilo; e a verificação da existência de esquemas de financiamento e divulgação em massa nas redes sociais, com o intuito de lesar ou expor a perigo de lesão a independência do Poder Judiciário e ao Estado de Direito.”

O contexto que levou à abertura do caso era um aumento de ataques ao Supremo, com incitamento ao fechamento da Corte, ameaças de morte ou de prisão de seus integrantes e defesa do descumprimento de suas decisões.

Pouco mais de um ano após sua abertura, em junho de 2020, o plenário do STF confirmou a validade do inquérito por 10 votos a 1.

O único a divergir foi o então ministro Marco Aurélio. Ele entendeu que houve violação do sistema penal acusatório, que separa as funções de acusação e julgamento.

Aliados veem Flávio radicalizado após fuga para os EUA; entenda

30 October 2026 at 02:48

Aliados próximos a Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o enxergam mais radicalizado após sua fuga para os Estados Unidos, executada na sequência do pedido de apreensão de seus passaportes pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes.

Segundo a apuração da analista de Política da CNN Jussara Soares ao CNN Prime Time, a fuga de Flávio Bolsonaro teria ocorrido sem que o núcleo duro da campanha fosse comunicado, o que agravou o desconforto entre aliados e lideranças do Partido Liberal (PL).

Na última quarta-feira (28), Flávio divulgou uma carta com teor golpista em que se intitulava “verdadeiro presidente eleito do Brasil” — documento que posteriormente foi reformulado, passando a referir-se a ele como “um líder do Brasil”.

Valdemar Costa Neto toma distância da postura radical

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto reprovou publicamente a carta divulgada por Flávio.

Segundo Jussara Soares, a postura de Valdemar reflete uma estratégia deliberada de se distanciar de posicionamentos que possam gerar novos problemas judiciais ao partido.

“Fica muito clara essa distância que ele toma dessa posição radical de Flávio Bolsonaro”, afirmou a jornalista.

Ao mesmo tempo, Valdemar busca preservar a imagem do ex- presidente Jair Bolsonaro como liderança da direita.

De acordo com Jussara Soares, trata-se de um equilíbrio calculado: afagar Jair Bolsonaro, figura ainda relevante para o PL mesmo estando preso por tentativa de golpe de Estado, enquanto se distancia dos filhos, especialmente de Flávio e Eduardo Bolsonaro.

Histórico de problemas judiciais pesa na decisão

A cautela de Valdemar tem raízes no passado recente.

Em 2022, o PL foi multado em 22 milhões de reais pelo ministro Alexandre de Moraes, então à frente do TSE, em razão da contestação do resultado das urnas.

O próprio Valdemar chegou a ser investigado no âmbito da trama golpista por endossar o questionamento ao sistema eleitoral.

“Quem já passou por isso está tomando toda a cautela para evitar qualquer tipo de problema de novo”, destacou Jussara Soares.

Há ainda uma contradição de fundo que Valdemar precisa administrar: o PL elegeu, nas últimas eleições, 121 deputados, 19 senadores — com perspectiva de bancada de 28 congressistas no Senado a partir de 2027 — e seis governadores.

Questionar as urnas que produziram esses resultados expressivos seria, no mínimo, contraditório para o partido.

É nesse contexto que Valdemar opta por se distanciar das posições mais radicais adotadas por Flávio Bolsonaro, ao mesmo tempo em que mantém Jair Bolsonaro como referência política central do PL.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.

Fachin devolve relatoria do caso do INSS a Mendonça e mantém Master

Logo Agência Brasil

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, decidiu nesta quinta-feira (29) devolver a relatoria das investigações sobre os descontos ilegais nos benefícios do INSS ao ministro André Mendonça.

Na decisão, Fachin entendeu que não há mais motivos para retenção das investigações na presidência do Supremo.

Notícias relacionadas:

Em setembro, o caso foi retirado de Mendonça após a guerra de liminares envolvendo o pedido de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, que é citado em mensagens obtidas pela Polícia Federal (PF) no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Caso Master

Fachin também decidiu que as investigações que envolvem o Banco Master vão continuam sob sua relatoria temporária pelo prazo de 90 dias, contatos a partir de 12 de setembro.

No entendimento do presidente, o caso ainda não pode ser distribuído entre os demais ministros porque envolve citações a membros da Corte.

Os processos do Master também foram retirados de Mendonça no auge da crise interna no Supremo.

A decisão de Fachin será submetida a referendo do plenário. A data do julgamento ainda não foi definida.

Enquanto o caso Master permanecer na presidência da Corte, Fachin será responsável por medidas urgentes que eventualmente foram solicitadas pela Polícia Federal (PF) ou a Procuradoria-Geral da República (PGR), como pedidos de revogação de prisões e autorizações de diligências.

❌