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Flávio Bolsonaro dificilmente controlará direita dos EUA, diz especialista

30 October 2026 at 07:28

A decisão de Flávio Bolsonaro (PL) de iniciar uma liderança política fora do Brasil gerou análises sobre os limites e os riscos dessa estratégia.

Para Leandro Gabiati, cientista político e diretor da Dominium, ao WW, a iniciativa é calculada, mas enfrenta obstáculos estruturais significativos.

Poder exige presença física, diz especialista

O principal obstáculo apontado por Gabiati é a dificuldade de exercer influência política à distância. Para ele, o poder se constrói a partir de vínculos de confiança, e esses vínculos dependem de contato presencial.

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“O poder se exerce a partir de vínculos de confiança, e a confiança só se constrói estando fisicamente e presencialmente para apertar uma mão e fechar um acordo”, declarou.

“Neste momento, eu duvido que o Flávio tenha essa capacidade”, completou.

Gabiati avalia que a movimentação não foi uma decisão isolada de Flávio, mas sim uma escolha negociada dentro do núcleo familiar.

“Isso aqui não foi só uma escolha do Flávio, foi uma escolha negociada com Jair e com Eduardo, talvez até com Carlos”, afirmou.

Segundo ele, esse grupo toma decisões em conjunto, ainda que nem sempre de forma plenamente racional.

O especialista também traçou um paralelo com a líder venezuelana María Corina Machado, que exerceu liderança política de fora de seu país.

No entanto, Gabiati fez questão de ressaltar que o Brasil está muito longe de ser uma Venezuela, apesar dos atritos institucionais existentes.

“A partir desse movimento dos Bolsonaro, o Brasil ganha sua Corina Machado versão brasileira”, disse.

PL sem liderança pode perder poder institucional

Outro ponto destacado por Gabiati diz respeito ao Partido Liberal.

Com 121 deputados, o partido detém a maior bancada da Câmara, superando até mesmo o PFL no auge de sua força, no governo Fernando Henrique Cardoso, quando contava com 105 deputados.

No entanto, o cientista político alerta que esse poder eleitoral pode se perder sem uma liderança capaz de coordená-lo. “O grande problema aqui é que o PL tem a maior bancada da Câmara, mas hoje não tem líder”, afirmou.

Segundo ele, sem capacidade de coordenação, todo esse poder eleitoral corre o risco de não se converter em poder institucional na Câmara e no Senado.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.

Aliados do PL veem incerteza em próximos passos com fuga de Flávio

30 October 2026 at 07:00

A fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para os Estados Unidos abriu uma frente de incertezas entre aliados. No PL, parlamentares tentam entender os próximos passos da família Bolsonaro, enquanto parte da sigla já dá sinais de tentar buscar maior moderação.

Em meio às dúvidas sobre o futuro político de Flávio a partir de solo americano, o partido também procura se reorganizar e fazer contas para outras disputas de peso: as presidências do Senado e da Câmara dos Deputados.

Aliados de Flávio no Brasil ainda buscam respostas para as várias interrogações sobre a estratégia da direita e sobre quem vai efetivamente conduzir as articulações do grupo daqui para frente.

Há um consenso de que a fuga do senador dificulta as interações e negociações com a própria bancada do PL. Para parte dos aliados, trata-se de um capital político de quase 60 milhões de votos que corre o risco de ficar subutilizado ou até esfacelado.

Embora apoiem a tese de perseguição política, correligionários de Flávio ainda esperam um sinal mais claro de como se posicionar, especialmente depois da visita do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, ao ex-presidente e pai de Flávio, Jair Bolsonaro (PL), em prisão domiciliar, nesta quinta-feira (29).

Uma reunião do PL na próxima semana deve servir para esclarecer melhor o cenário aos que permanecem no Brasil. Enquanto isso, Valdemar já deixou claro que considera necessário “tocar o partido para frente”.

“É lógico que ninguém concorda com isso. Nós queremos tocar o país para frente. Queremos tocar o partido para frente. Esse é o nosso objetivo e vamos tocar. Ninguém aprovou a carta”, afirmou Valdemar.

Nos bastidores, uma ala do PL defende um caminho de moderação, distante do teor golpista da carta de Flávio. A preocupação ocorre especialmente em um momento em que o partido precisa preservar a unidade, diante de suas bancadas recordes, e evitar que as incertezas sobre a família Bolsonaro contaminem outras articulações políticas.

Entre elas estão as negociações para as presidências da Câmara e do Senado. Partidos do centrão já discutem a definição dos comandos e a distribuição de espaços nas duas Casas para os próximos dois anos.

Uma das incógnitas é o quanto a crise vai afetar as ambições do senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, de assumir a Presidência do Senado. Ele segue demonstrando apoio ao senador ao sustentar a tese de perseguição política, mas está entre os aliados que desaprovam qualquer dúvida sobre a integridade da eleição.

O caminho até o comando do Senado, porém, já tem outros obstáculos. Marinho enfrenta a concorrência interna na direita da senadora Tereza Cristina (PP-MS), também interessada na cadeira hoje ocupada por Davi Alcolumbre (União-AP). O atual presidente da Casa, por sua vez, já se movimenta para permanecer no cargo, visando o apoio do centrão e de governistas.

Nesse cenário, ainda não está claro se o PL conseguirá unificar a direita em torno de Marinho e construir uma frente capaz de ameaçar a reeleição de Alcolumbre.

Enquanto tenta preservar espaço no jogo político em Brasília, o grupo de Flávio também precisa administrar a repercussão dos episódios envolvendo a carta de teor golpista.

Nesta quinta-feira, um aliado do senador nos Estados Unidos chegou a atribuir à inteligência artificial a inclusão do termo “presidente eleito” e o uso do antigo brasão do Brasil em uma das versões da carta divulgadas por Flávio. A explicação foi logo questionada nas redes sociais.

No cenário internacional, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a criticar as eleições brasileiras. Apesar das declarações, Trump tem adotado cautela em suas manifestações e não deve reconhecer Flávio como presidente legítimo.

Americano está menos suscetível a temas fora da economia, diz especialista

30 October 2026 at 06:21

O eleitor americano médio está cada vez menos receptivo a pautas que fujam do campo econômico, como questões morais, migração e conflitos internacionais. Essa é a avaliação de Vinícius Rodrigues Vieira, professor de Relações Internacionais da FAAP, FGV e IDP, em entrevista ao WW, sobre a disputa das midterms, eleições de meio de mandato nos Estados Unidos previstas para o dia 3 de novembro.

Para Vieira, o tema central da eleição deve ser o custo de vida crescente dos estadunidenses. Segundo o especialista, Trump tenta enfatizar que, antes de seu governo, as condições econômicas seriam ainda piores — mas quem vai arbitrar essa disputa é o eleitor comum, que hoje demonstra menor suscetibilidade a argumentos de cunho não econômico.

Foco no cotidiano e desgaste com pautas amplas

Vieira destacou uma tendência observada ao redor do mundo: a de trazer as disputas eleitorais para o foco do dia a dia das pessoas, em vez de abordar temas mais amplos. “O que Trump fez, de fato, que afeta a vida sua?”, exemplificou o especialista, reproduzindo o tipo de questionamento que figuras como Barack Obama estariam utilizando para convencer eleitores mais centristas a migrar para o lado democrata.

O conflito no Oriente Médio, por exemplo, tem impacto indireto na vida da população — principalmente pelo preço do petróleo —, mas não mobiliza o eleitorado da mesma forma que questões econômicas imediatas.

Latinos podem ser fator decisivo no Texas

Vieira também apontou que o voto latino pode representar uma grande barreira para Trump e seus aliados no Texas — não apenas na disputa para governador, mas também nas eleições para a Câmara e o Senado.

De acordo com o especialista, os latinos foram fundamentais para o retorno de Trump à Casa Branca, especialmente nos chamados swing states (Estado-pêndulo). No entanto, mesmo em estados de maioria republicana consolidada nas últimas três décadas, observa-se um movimento de abertura ao voto democrata.

O especialista explicou que, no caso dos latinos especificamente, a questão econômica cede espaço a outro fator: a atuação do ICE (agência de imigração e controle de fronteiras dos EUA), cujas ações afetaram a comunidade de maneira que muitos não esperavam. “Era algo que a comunidade não esperava que iria afetá-los”, afirmou Vieira, sugerindo que esse descontentamento pode influenciar diretamente o comportamento eleitoral desse grupo nas midterms.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.

Agenda fiscal brasileira deve ser tratada como apartidária, diz economista

30 October 2026 at 06:02

A agenda fiscal brasileira deve ser tratada como um movimento apartidário, voltado a trazer a gestão das contas públicas para patamares civilizatórios. A avaliação é do economista Daniel Couri, especialista em contas públicas, ao WW.

Couri destacou que, embora um ajuste fiscal seja necessário, ele não é suficiente para resolver a questão do crescimento econômico no país.

“Isso é só para colocar o endividamento dentro de patamares civilizados”, afirmou o especialista, reforçando que o ajuste representa apenas uma parte de um processo mais amplo, e não a solução definitiva.

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Situação fiscal preocupante em perspectiva global

O economista apresentou dados que ilustram a gravidade da situação fiscal brasileira em comparação internacional.

Segundo Couri, em 2026, apenas 21 países de uma lista de 180 nações terão uma dívida maior do que a do Brasil — e quase todos eles são países avançados.

Em relação aos gastos com juros, a situação é ainda mais alarmante: somente Bahrein e Egito devem gastar mais do que o Brasil nessa rubrica.

Diante desse cenário, Couri manifestou surpresa com o fato de o debate público se concentrar tanto na necessidade do ajuste em si, quando esse movimento sequer é capaz de resolver a questão do crescimento.

“Eu acho que isso deveria ser suficientemente forte para convencer o Congresso de que essa agenda é apartidária”, declarou.

A mudança na composição do Congresso Nacional, mencionada no debate, foi apontada como um fator de incerteza adicional sobre as perspectivas de avanço das reformas necessárias.

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Waack: Trump mantém Flávio em segundo plano e mira Brasília

30 October 2026 at 01:03

Julgando-se pelos padrões de Donald Trump, o presidente americano está sendo discreto em relação as eleições brasileiras. Até aqui está críticando o resultado e a forma das eleições, mas não chegou ao ponto de dizer que não reconhece ou que não as considera válidas.

Ele mandou um assessor arrumar um avião na Argentina para ajudar Flávio a sair de lá e chegar aos Estados Unidos. Onde o aguardava um tratamento especial e um visto provisório de permanência.

É pouco para que o clã Bolsonaro esperava, mas é significativo para as relações entre Brasil e Estados Unidos.

Sugere que a Casa Branca encara essas relações de uma perspectiva estratégica que não necessariamente passa por “regime change”. No caso, obviamente, “change” do regime brasileiro.

Na doutrina de segurança nacional da Casa Branca, esta parte do mundo é quintal deles. O problema é o tamanho que a China tem nesse declarado quintal americano.

Mas também o papel relevante do Brasil em três setores de importância central na geopolítica das commodities: combustíveis fósseis, minerais raros e commodities agrícolas.

Washington quer Brasília longe de Pequim, coisa que não parece fácil de se conseguir. Quer recursos naturais do Brasil.

Mas também alinhamento numa ação conjunta de combate ao narcotráfico ou narcoterrorismo – cada um chama como quer – que é para os americanos uma questão de segurança nacional.

Não vai ser fácil conseguir adesão do Brasil, que se dispõe a cooperar mas não a ser parte da instituição criada para esse fim. Por enquanto Trump parece considerar Flávio Bolsonaro uma questão menor.

Diante do que é a grande briga com o Brasil.

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