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“Os sucessivos governos não souberam ler a realidade algarvia”: Máximos históricos do preço da Habitação levam o povo à rua

O Algarve é a segunda região mais cara do país para arrendar, com 20,8 euros por metro quadrado, apenas atrás da Área Metropolitana de Lisboa (22 euros/m2). Os preços subiram 15,2% em setembro, face ao mesmo mês de 2025, a maior subida regional em todo o país e Portimão mantém-se como o município algarvio mais caro, com um preço mediano de 20,3 euros/m2, seguido de Loulé (18,8 euros/m2), Silves (15,3 euros/m2), Faro (14,8 euros/m2) e Tavira (14,4 euros/m2).

Só entre julho e setembro deste ano, o aumento do preço no distrito foi de 24,5%. Se recuarmos uns anos até setembro de 2022, arrendar uma casa no Algarve custava 11 euros por metro quadrado, enquanto no mesmo mês de 2026 custa 20,8 euros.

No que toca à compra o cenário é semelhante: o preço era, em setembro de 2022, 2926 euros por metro quadrado, um valor que atingiu 4216 euros quatro anos depois e assinalou um novo máximo histórico segundo dados do Idealista. Os locais mais caros continuam a ser Loulé (5.194 euros/m2), Lagos (4.729 euros/m2) e Albufeira (4.194 euros/m2) e os mais baratos Alcoutim (1179 euros/m2), Monchique (3029 euros), Olhão (3383 euros) e Silves (3398 euros).

Já o site da Mareante Insights, que realiza estudos de mercado, publicou um «semáforo» de pressão no arrendamento. Entre os concelhos com 100 ou mais contratos por ano, arrendar uma casa de 70 m² pesaria, em São Brás de Alportel, cerca de 37% do rendimento mediano de um agregado. É o único município algarvio situado na cor intermédia, o amarelo. Com o vermelho de “esforço alto: acima de 40%” destaca-se Albufeira (77%), Lagos (76%), Loulé (72%) e Tavira (71%). Portimão (69%) e Silves (60%) apresentam uma percentagem acima de 60 e Vila Real de Santo António, Lagoa, Faro e Olhão acima de 50%. Também Vila do Bispo, Monchique, Castro Marim e Aljezur situam-se na zona vermelha, mas a plataforma sublinha uma “leitura frágil” devido ao número reduzido de contratos de arrendamento.

Mais de 200 pessoas manifestaram-se em Faro pelo direito à Habitação. Créditos: David José Marreiros

“Casas para morar, não para especular”

O paradigma atual da Habitação levou mais de 200 pessoas a uma manifestação, no dia 17 de outubro, junto ao Forum Algarve, em Faro, organizada por vários movimentos com o apoio do Movimento “Acampada Faro”. Cidadãos de todas as idades gritaram frases como “Algarve unido jamais será vendido”, “Queremos casa, chão, direito à Habitação” e “Casas para morar, não para especular”, enquanto as apitadelas dos carros mostravam apoio à causa e, de vez em quando, ouvia-se um crítico “vão trabalhar”.

Nos cartazes de protesto liam-se frases contra o Governo e a especulação, frases irónicas, piadas, sátira política e referências ao 25 de Abril. Todas convergiam numa mensagem final: “a Habitação é um direito”.

Ao Jornal do Algarve, Catarina Negrão, uma das manifestantes e membro do movimento “Algarve em Resistência”, defendeu que a Habitação é hoje “um ativo financeiro que perdeu a sua função social” e é necessário “reconquistar esse direito na rua” porque as mudanças “só se fizeram através do poder popular e de paralisações”, dando como exemplo “a luta pelas oito horas de trabalho e as férias pagas”.

A ativista considera que os sucessivos governos e as instituições estão “de mãos-dadas com interesses e com a especulação imobiliária” e que “as políticas atuais favorecem a lei do mercado e o interesse capital”.

“Virámo-nos demasiado para o Turismo e colocámos o residente de lado. Eu fui a primeira da minha família a tirar uma licenciatura, em Lisboa, e nunca me imaginei a voltar para o Algarve precisamente porque não quero trabalhar no Turismo”, conta, acrescentando que o que vê na maioria dos jovens é que “se não querem trabalhar para o Turismo, não há espaço para eles na região”. É por esses motivos que diz ser necessário “pensar o Algarve de forma mais criativa e diversificada”.

Como medidas essenciais – “porque existem casas, mas falta Habitação” – quer que acabem os contratos que terminam em maio, que o valor das rendas tenha tetos acessíveis, que se diminua a construção de hotéis e se combata a especulação imobiliária.

Viver na instabilidade e incerteza

Créditos: David José Marreiros

A manifestação em Faro teve também o propósito de dar voz a situações como a de Mariana. Com 26 anos, está no Algarve há cinco. Em 2024 vivia num quarto sem contrato de arrendamento, por 400 euros mensais, e foi avisada, com dois meses de antecedência, de que teria de sair porque o apartamento ia ser vendido. Durante esse tempo não conseguiu encontrar nada acessível em termos de custo, sendo que “um t1 por 1000 euros” fica fora das suas possibilidades, acrescentando o facto de ter um cão, algo que “dificulta a procura”. Além disso, garante, sentiu preconceito por ser imigrante e conta que várias vezes os senhorios deixaram de lhe responder assim que dizia ser brasileira, até porque “essa é uma das primeiras perguntas que fazem”.

Sem conseguir encontrar um quarto em Faro que a aceitasse, e ao seu cão, mudou-se para perto de Monte Gordo durante o inverno. Essa é outra “grande dificuldade” de viver no Algarve: o arrendamento de outubro a maio, visto que “a grande maioria dos senhorios prefere arrendar as casas a turistas durante o verão”, algo que leva Mariana a questionar onde fica a morar quem vive no Algarve durante todo o ano.

Depois desse inverno conseguiu regressar a Faro, onde está atualmente, num estúdio. No entanto, é novamente uma situação temporária e sem contrato, um contexto que domina o mercado do arrendamento algarvio. A partir de “maio ou junho” terá de sair e ainda não sabe para onde vai. Cenários destes criam “um ciclo de soluções temporárias que não trazem estabilidade”. “Para mim, a questão não é apenas ter um teto, mas poder viver sem a constante preocupação de não saber onde estarei daqui a alguns meses… Estou à procura da mesma coisa que qualquer pessoa: um lugar seguro onde possa viver em paz, com dignidade e sem estar sempre a viver com incertezas”, lamenta.

Apesar de tudo, ainda consegue ver um pouco de privilégio na sua situação, nomeadamente no facto de ter um trabalho remoto que lhe dá “liberdade” para poder encontrar diferentes casas em diferentes códigos postais. “Não tenho planos de sair de Faro, mas sinto que estou a ser empurrada para fora. É cada vez mais difícil.”

Manifesto do movimento “Acampada” de Faro, Lisboa e Porto

As reivindicações não se ficaram por aquele sábado, em Faro, nem por todas as outras acampadas pelo País. Nos dias 24 e 25 de outubro vai realizar-se uma concentração pacífica organizada pelo “Acampada Faro”, na Pontinha, na capital algarvia, a partir das 11h, que conta inclusive com uma Assembleia Popular logo a essa hora, bem como outras atividades ao longo do dia. O programa e mais informações podem ser obtidas na página de Instagram @acampada.faro.

Importante frisar que o “Acampada Faro” está de mãos dadas com as acampadas de Lisboa e Porto e, em união, escreveram um manifesto ao qual o Jornal do Algarve teve acesso.

No documento, o movimento sustenta que “estamos a presenciar o maior retrocesso social da democracia portuguesa. Pela primeira vez desde o 25 de Abril, uma geração sabe que viverá pior do que a geração que a antecedeu”, enumerando algumas preocupações como “o aumento do custo de vida, a degradação dos serviços públicos, a falta de professores nas escolas e de profissionais no SNS, o aumento das propinas e a falta de respostas para uma população cada vez mais pressionada pela inflação”, tudo isto enquanto “os salários ficam para trás e os preços da habitação atingem níveis históricos”.

No manifesto é frisado que estes problemas não afetam apenas os jovens, mas também as camadas mais vulnerabilizadas da população: “as pessoas com deficiência, as pessoas reformadas, quem vive nos bairros e nas periferias e as comunidades do interior do país”. Além disso, “as pessoas trabalhadoras são tratadas como meros instrumentos de produção e consumo ao serviço da acumulação cega do lucro e da valorização do capital”.

“Recusamo-nos a permanecer na passividade, mesmo no pouco conforto que algumas de nós ainda temos. Não nos deixamos enganar pelo dimorfismo de classe, a falsa identificação com os interesses do capital, que procura convencer as pessoas trabalhadoras de que os seus interesses são os do capital e não os da sua própria classe. Sabemos que a ofensiva do capital e do imperialismo internacional promete a degradação das condições de vida de todas aquelas que apenas possuem a sua força de trabalho para vencer”, pode ler-se na mesma nota.

Sebastião Florêncio, porta-voz da Acampada em Faro, adianta ao Jornal do Algarve que a ocupação do espaço público, diálogo e concentração de opinião e experiência do povo surge como “ferramenta de oposição à opressão sistémica e censura de informação que estrangula toda a mudança orgânica que poderia de outra forma fluir sem obstáculos”.

O “Acampada.Faro” nasce como “uma extensão imediata do movimento «Acampada pelo Direito da Habitação», que teve origem em Espanha, Madrid, com o caso Mari Carmen e que teve a sua repercussão em Portugal, no Porto”. Neste, é reforçado “o poder do diálogo, união e compreensão, restaurando a resposta do povo em utilidade ativa, com impacto direto na sociedade”.

Sebastião olha à sua volta e vê “uma atualidade em que a maior parte dos portugueses e imigrantes têm a estabilidade habitacional a escapar-lhes pelos dedos”. Nas suas palavras, existe “uma agenda clara do Estado e dos seus patrocinadores, difundindo informação falsa à população, numa tentativa falhada e descarada para esconder o real motivo que causa toda esta crise de habitação” e é “cada vez mais difícil fazer crer que a culpa disto tudo é da classe média ou classe baixa, de quem não tem dinheiro para investir em imóveis e muito menos para usufruir deste custo de vida altíssimo”.

“Será mais contribuitivo para a escassez de habitação cinco imigrantes que ocupam uma casa, sujeitando-se ao valor inflacionado da mesma, ou cinco investidores que compram cada um 10 imóveis como investimento e os removem do alcance do português comum com possibilidade de pagar uma renda acessível relativamente ao salário mínimo bruto (920 euros) e ao salário médio bruto (1,200 a 1,350 euros), que juntos correspondem a 73% da população portuguesa?”, questiona.

Nos dias 24 e 25 de outubro, o movimento Acampada.Faro vai às ruas da capital algarvia manifestar-se pelo direito à Habitação. Créditos: David José Marreiros

Sabendo que “os problemas sociais não podem ser resolvidos individualmente porque estão todos interligados”, é exigido no documento o cumprimento da Constituição da República Portuguesa, nomeadamente o Artigo 65.º, que consagra o direito de todas as pessoas a uma habitação de dimensão adequada, em condições de higiene e conforto, que preserve a intimidade pessoal e a privacidade familiar; e o Artigo 81.º, que estabelece como incumbências prioritárias do Estado: promover o aumento do bem-estar social e económico e da qualidade de vida das pessoas, em especial das mais desfavorecidas; e promover a justiça social, assegurar a igualdade de oportunidades e operar as necessárias correções das desigualdades na distribuição da riqueza e do rendimento.

Nesse sentido, o Manifesto propõe algumas medidas, entre as quais: o fim dos despejos; reversão imediata da nova Lei de Arrendamento Urbano e de todas as medidas que fragilizam os direitos das pessoas inquilinas; introdução efetiva do princípio da função social da propriedade no ordenamento jurídico português; expropriação de imóveis devolutos detidos por grandes proprietários para fins de habitação permanente e acessível; expropriação dos imóveis detidos por fundos imobiliários e de investimento que especulam com o direito à habitação; taxação de 100% da segunda habitação e de propriedades adicionais mantidas para fins especulativos; aumento substancial do parque habitacional público; mobilização imediata de edifícios públicos devolutos para habitação pública, social e estudantil; implementação de um programa público de reabilitação habitacional; criação de respostas habitacionais de emergência; e transparência e revisão dos critérios municipais de atribuição de habitação pública.

“Em matéria de território, não há democracia em Portugal”

Não foi só na rua que se ouviu protestos contra o estado da Habitação. Também Telmo Pinto, presidente da Câmara de Loulé, reforçou em comunicado que o Algarve vive hoje uma emergência habitacional que é, “sem eufemismos, uma emergência humana”.

O concelho passou de 70.266 residentes, em 2011, para 94.447 em 2025, um aumento de 24 mil pessoas; desde 2021 foram mais de 13 mil. A região ganhou mais de 70 mil residentes em apenas quatro anos, tendo sido a que mais cresceu no país. No mesmo período, o preço médio da habitação no concelho de Loulé subiu cerca de 75%. Mesmo com operações em curso que somam mais de uma centena de fogos e com uma aquisição constante de habitações para resposta pública, é “impossível responder a uma pressão desta escala quando os instrumentos de que dispomos foram desenhados para outra realidade”, diz o autarca.

É nesse sentido que Telmo Pinto fala no Plano Regional de Ordenamento do Território do Algarve (PROT), aprovado em 2007 “para um Algarve que já não existe”. Os instrumentos de gestão territorial continuam a responder a lógicas de contenção “pensadas há quase duas décadas”, enquanto a região mudou de “escala, população e necessidades”.

Outra crítica é que os Planos Diretores Municipais de cada concelho estão subordinados a pareceres de entidades regionais, “conduzidos por técnicos que ninguém elegeu, que não prestam contas aos cidadãos e que não conhecem o rosto de quem espera por uma casa”.

“Multiplicam-se as construções ilegais e as casas amovíveis instaladas à margem de qualquer enquadramento”, os trabalhadores da construção civil “vivem amontoados em contentores, em condições indignas”, os concursos públicos para construção de habitação “ficam desertos porque os valores de referência já não correspondem aos custos reais”. Tudo isto são problemas que levam Telmo Pinto a frisar que “em matéria de território, não há democracia em Portugal”.

Telmo Pinto afirma que os instrumentos de gestão territorial continuam a responder a lógicas de contenção “pensadas há quase duas décadas”, enquanto a região mudou de “escala, população e necessidades”. Créditos: CM de Loulé

“Hipotecar o seu próprio futuro”

O autarca critica ainda os sucessivos governos por não terem sabido “ler a realidade do Algarve”, uma região que apesar de “sustentar uma parte decisiva da economia do país, não consegue alojar quem nela trabalha”, estando por isso a “hipotecar o seu próprio futuro”.

Nesse sentido, a autarquia louletana exige a conclusão da revisão do PROT Algarve; um regime “excecional e temporário” que permita aos municípios libertar solo para habitação acessível; a fiscalização efetiva e a erradicação do alojamento em contentores; uma linha de financiamento específica para regiões sob pressão demográfica; e uma reforma da estrutura do Estado, que devolva aos eleitos locais o poder de decidir sobre o seu território, com “competências, meios e autonomia”.

O impacto do turismo e do Alojamento Local na Habitação

Ana Rita Cruz é socióloga e uma das autoras do estudo Rural touristification and short-term rentals reshaping tourism geographies: Algarve’s spatial transformations, publicado no primeiro trimestre do ano, que analisa as transformações causadas pelo turismo e pelo Alojamento Local nos territórios urbanos e rurais, no Algarve.

A também Professora na Faculdade de Economia da Universidade do Algarve esclarece que existem diferenças entre o Algarve, Lisboa e Porto, no sentido em que o primeiro já é um destino turístico consolidado há décadas, enquanto os outros dois tiveram uma “explosão” turística mais significativa a partir de 2008.

O Algarve, atualmente, concentra mais de 40% de todos os alojamentos locais do país. O dado traduz-se em 75 AL por 1000 habitantes, contrastando com, por exemplo, os 7,9 de Lisboa. Esse facto é relevante para a compreensão de que o problema da crise na habitação e a sua relação com o turismo é “muito mais antiga no Algarve do que no resto do país”. 

“Já acontecia desde os anos 80 e 90 uma grande especulação imobiliária nos preços de aquisição de casas para habitar por causa do turismo e por causa da procura por segundas residências”, explica, sublinhando que embora este contexto seja importante, a crise da Habitação tem múltiplas causas e é necessária uma análise multifatorial.

Decisão judicial pode deixar Alojamentos Locais pelas ruas da amargura
O Algarve, atualmente, concentra mais de 40% de todos os alojamentos locais do país.

Ana levanta ainda outra questão: o desconhecimento da procura de alojamentos locais com menos de 10 camas (95% do total de AL na região), que ao contrário dos alojamentos turísticos tradicionais e dos AL com mais de 10 camas, não existe a obrigação de registar informações sobre o perfil do cliente. “Quem procura, quanto tempo fica, quanto paga. Não sabemos nada sobre o Alojamento Local no Algarve”, esclarece.

A análise da docente continua. O Alojamento Local tem “coisas boas e coisas más”, mas há que perceber se as primeiras superam as segundas e de que forma é possível diminuir os impactos negativos e tornar a atividade sustentável a longo prazo. A revitalização urbana é apontada como um exemplo de um efeito positivo, mas “não significa que sejam habitantes locais a usufruir dessa revitalização”.

O que acontece é que o parque habitacional deixa de estar disponível para residentes e fica refém da atividade turística. Em Portugal, 1,8% do parque habitacional é ocupado por AL. No Algarve, este número ultrapassa os 10%, sendo que Albufeira lidera com aproximadamente 21,4%, seguida por Faro com 19% e Lagos com 18,9%. Lagoa apresenta 16,9% e Vila do Bispo 16,1%. A percentagem mais baixa é a de Alcoutim, com 1%, segundo dados de 2025.

Os efeitos negativos indiretos podem ser, para Ana Cruz, “a perda da identidade e de traços característicos das cidades” porque os residentes – possuidores de memória coletiva – deixam de ter espaço dentro delas. Além disso, a questão comercial também tem de ser considerada, visto que a turistificação afeta o tecido económico e pode também fazer com que pequenos negócios locais deixem de ser sustentáveis e de conseguir suportar os valores das rendas.

Uma área menos falada, mas não menos importante, são os territórios rurais. Visitas de campo realizadas por Ana Rita Cruz, na zona de Querença e São Marcos da Serra, levaram a socióloga a conhecer de perto pessoas que receiam que o modelo intensivo de turismo costeiro se prolongue para as suas terras, podendo afetar a sua sustentabilidade a longo prazo, até em questões relacionadas com a fauna e flora. Embora reconheçam os benefícios económicos do turismo, consideram que há a necessidade de uma “gestão rigorosa da escala da atividade turística” com uma “clara delimitação” das zonas para nova construção. “Existe também uma reivindicação por parte de moradores e donos de negócios locais, que é a de serem ouvidos e envolvidos no processo de definição da oferta turística em zonas rurais, uma oportunidade que dizem ainda não ter tido”, afirma a socióloga.

“A turistificação, portanto, opera não apenas como um motor de reorganização espacial urbana, mas também como um mecanismo de revalorização periférica, por meio da qual a habitação, a paisagem e o estilo de vida se tornam ativos para consumo temporário e investimento especulativo”, pode ler-se no estudo da Professora.

Enquanto a turistificação urbana transforma bairros em locais orientados para “o consumo”, a rural e de baixa densidade transforma aldeias e povoados “em espaços de habitação temporária e autenticidade experiencial”. No caso do Algarve, a deslocação não é necessariamente física, da população, mas antes a continuidade: perde-se “os ritmos quotidianos, os laços intergeracionais, os valores identitários e as práticas sociomateriais”.

Alcançar “um equilíbrio entre oportunidade económica, gestão ambiental e continuidade cultural” é “cada vez mais difícil”, visto que as economias do turismo expandem-se mais rapidamente do que as comunidades rurais.

A economia da partilha e a regulamentação

Quando surgiu, o Alojamento Local fazia parte da chamada “sharing economy” ou “economia da partilha” em que “alguém tinha uma casa ou um quarto a mais e podia rentabilizá-lo numa lógica de partilha”. Ana Cruz afirma que tal já não existe e que, inclusive, “muitos proprietários de AL nem sequer residem em Portugal, nem pagam imposto em Portugal, e exploram centenas de estabelecimentos”. “Se as pessoas querem ter 300 alojamentos locais que oferecem 500 camas ou mais, têm de construir um hotel. Não deveriam poder estar a utilizar casas para isso”, defende.

Para contextualizar o “boom” de AL, Ana recua até ao governo de António Costa, quando já havia “alguma pressão em relação aos efeitos negativos que o aumento explosivo do alojamento local estava a ter”, nomeadamente na questão da valorização financeira das casas para a especulação imobiliária. Nessa altura, a gestão do Alojamento Local era feita a nível municipal e Lisboa e Porto criaram zonas de contenção em determinadas freguesias mais afetadas, mas no Algarve “ainda não houve nenhum concelho que criasse algum tipo de limitação”.

O Governo de António Costa criou, inclusive, o pacote Mais Habitação que incluía medidas específicas como a impossibilidade de registar mais AL no litoral, que já estava saturado. Havia uma obrigatoriedade de os condomínios autorizarem, por unanimidade, a criação de alojamentos locais dentro de prédios. Foi criado também um limite temporal às licenças que eram dadas, com um máximo de cinco anos, sendo que também não podia haver a transmissão dos registos de propriedade dos AL.

“O Governo de Montenegro revogou todas estas medidas. Voltámos uns passos atrás e desde então nada mais foi feito em termos de regulação”, lamenta.

Portugal tem um défice de habitação social que não chega a 2%, quando a média dos países da OCDE é 7%

Falando em medidas, Ana realça que os registos de AL por pessoas particulares têm de ser limitados para recuperar “o espírito da economia da partilha como foi conceptualizada no início”; tem de existir um limite máximo de licenças por cada titular; e não podem ser permitidos registos a pessoas que não residam em Portugal e não paguem impostos em Portugal.

Aquilo que tem sido feito a nível nacional é “muito brando” face aos efeitos negativos que têm sido registados. Existe também muito a aprender pela Europa fora e Ana menciona alguns exemplos. Em Barcelona, acabaram com os registos de AL, e noutras cidades existem limitações a x dias por ano.

“Dependência de trajetória”

A socióloga argumenta ainda que “a falta de casas não existe” e que os últimos censos do Instituto Nacional de Estatística (INE) indicaram 700 mil casas vagas em Portugal, 12% do parque habitacional. “Construir mais casas não vai resultar porque nós temos uma oferta que é local, mas os conjuntos de procura a que estamos sujeitos são globais, do mundo inteiro, de fundos de financiamento que não conhecemos e que concorrem com o cidadão comum que não tem capacidade para lhes fazer frente”, descreve, sugerindo que o Estado deve intervir – “e com urgência” – na habitação social.

Portugal tem um défice de habitação social “gravíssimo”, que não chega a 2%, quando a média dos países da OCDE é 7%. Nesse sentido, existe a necessidade de “definir quadros legislativos para enfrentar o problema com medidas de longo prazo, e algumas de curto prazo que são urgentes, como o controlo de rendas e a abolição de todas as medidas legislativas para incentivos fiscais a residentes estrangeiros”.

De acordo com a CCDR, sete municípios do Algarve já apresentaram 11 candidaturas ao Programa Regional ALGARVE 2030 para reforçar e qualificar a oferta de habitação social, num investimento global superior a 105 milhões de euros, sendo estes Lagos, Vila do Bispo, Portimão, Tavira, São Brás de Alportel, Castro Marim e Alcoutim.

O investimento apresentado na primeira fase do Aviso ALGARVE-2026-13 – Habitação Social na Região do Algarve, que terminou a 15 de agosto, conta com uma dotação indicativa de 28 milhões de euros do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER). A segunda fase decorre até ao dia 30 de março de 2027. O aviso apoia a construção, reabilitação ou reconversão de edifícios destinados a habitação social, enquadrados nas respetivas Estratégias Locais de Habitação, com uma taxa de cofinanciamento entre 30% e 70%, sendo que as operações devem também cumprir os requisitos aplicáveis de sustentabilidade ambiental e eficiência energética.

Para além deste, estão previstos 32 milhões de euros adicionais em futuras oportunidades de financiamento no ALGARVE 2030 para habitação a custos acessíveis, alojamento para estudantes e casas de função. Vários municípios também já investiram em habitação a custos controlados através do PRR, como no caso de Vila Real de Santo António, que recentemente colocou 111 milhões em 314 novos fogos e na reabilitação de 372.

O Algarve sofre com o que os economistas chamam de “dependência de trajetória”. A sua economia vive muito do turismo e existe sempre medo de lhe “causar danos”. Para Ana Rita Cruz, o distrito de Faro, em relação ao resto do país, sente alguns impactos extra. “Temos o efeito direto, que é o cidadão comum que não consegue encontrar ou pagar casa, mas temos também uma dificuldade adicional que é atrair profissionais essenciais como professores ou médicos”.

Posto isto, no que toca à região, o objetivo global deve ser “garantir que a atividade turística se torne o mais sustentável possível”, até porque a sua economia depende do setor – “que tem de ser saudável -, e “abolir a desigualdade que está a ser criada no acesso à habitação”.

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X Milhas do Guadiana ligam Portugal e Espanha a correr

As X Milhas do Guadiana regressam a 8 de novembro, com partida na Praça Marquês de Pombal, em Vila Real de Santo António, e chegada à Plaza de la Ribera, em Ayamonte, Espanha. A 31.ª edição da prova terá um percurso de 16,09 quilómetros, que inclui a travessia da Ponte Internacional sobre o rio Guadiana, e contará ainda com uma corrida destinada aos mais jovens.

A partida da prova principal está marcada para as 10h00, hora portuguesa, seguindo-se, às 10h15, a X Milhas Kids, destinada a crianças nascidas entre 2016 e 2021.

Com um limite de mil participantes, a competição está aberta a atletas federados e populares nascidos em 2008 ou antes. A prova inclui classificações individuais masculinas e femininas, por escalões etários e por equipas, estando prevista a entrega de troféus aos três primeiros classificados da geral masculina e feminina, aos três primeiros de cada categoria e às cinco melhores equipas.

Ao longo do percurso, haverá postos de abastecimento de líquidos aos quilómetros 5, 10 e 13, bem como na zona de chegada. A organização garante também assistência médica na partida, durante a corrida e na meta.

As inscrições custam dez euros e devem ser efetuadas exclusivamente através do sítio www.10millasdelguadiana.com, até às 23h59 de 5 de novembro. As vagas são atribuídas por ordem de inscrição e não serão aceites inscrições fora do prazo nem no dia da prova.

Em Portugal, os dorsais podem ser levantados a 7 de novembro, entre as 15h00 e as 18h00, na sede do Grupo Desportivo Pic-Nic. No dia da corrida, a entrega decorre entre as 8h30 e as 9h30, na Praça Marquês de Pombal.

Organizada pela Comissão Desportiva Conjunta de Vila Real de Santo António, Castro Marim e Ayamonte, a prova envolve os três municípios, o Grupo Desportivo Pic-Nic e o Patronato Municipal de Desporto de Ayamonte.

As X Milhas do Guadiana integram a dinâmica de cooperação desportiva da Eurocidade do Guadiana e o calendário de iniciativas associado ao reconhecimento deste território como Comunidade Europeia do Desporto 2026, promovendo a atividade física e a ligação entre as comunidades dos dois lados da fronteira.

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São Brás de Alportel recebe corrida noturna com luzes fluorescentes e música

São Brás de Alportel recebe, a 24 de outubro, a partir das 19h00, a “Glow Night Run”, uma iniciativa que combina corrida, caminhada, música e animação. Apesar de as inscrições já estarem encerradas, a organização vai disponibilizar mais 50 vagas no próprio dia.

Organizado pela Free Challenge, com o apoio da Câmara Municipal de São Brás de Alportel, o evento convida participantes de todas as idades a percorrer as ruas num ambiente descontraído, marcado por luzes, adereços fluorescentes e música.

O programa inclui animação musical ao longo do percurso e, antes da partida, um espetáculo do “Super Dog Show”, dirigido ao público presente.

A iniciativa pretende promover a prática de atividade física, os hábitos de vida saudáveis e o convívio entre participantes, associando o desporto a uma experiência de entretenimento e participação comunitária.

A organização destaca ainda o apoio do município e o contributo dos parceiros e patrocinadores para a realização do evento.

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Vila Real de Santo António distingue alunos dos Quadros de Valor e Excelência

O Agrupamento de Escolas de Vila Real de Santo António (VRSA) distinguiu os alunos que integraram os Quadros de Valor e Excelência no ano letivo 2025/2026, numa cerimónia de entrega de diplomas realizada a 21 de outubro, na Escola Secundária de Vila Real de Santo António.

A iniciativa reconheceu o desempenho escolar, o empenho e a dedicação dos estudantes, bem como os valores demonstrados ao longo do ano letivo, reunindo elementos da comunidade educativa.

A cerimónia contou com a representação do executivo municipal e incluiu homenagens ao diretor do agrupamento, Rui Marques, e a outras seis pessoas ligadas à função pública e à educação: Isabel Gaspar, Maria de Fátima Trindade, Satiro da Costa Louseiro, Gilberta Guerreiro, Ana Cristina Rosa e Maria José Reis.

O Município de Vila Real de Santo António felicitou os alunos distinguidos e a comunidade escolar, sublinhando a importância de valorizar o mérito académico e reconhecer o contributo de quem marcou o percurso educativo do concelho.

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Quarteira celebra Halloween com concurso de disfarces

A Praça do Mar, em Quarteira, recebe, a 31 de outubro, entre as 18h00 e as 23h00, uma festa de Halloween com animação de rua, música, dança e um concurso de disfarces. A iniciativa é de entrada livre e prevê a atribuição de prémios aos três primeiros classificados de cada escalão da competição.

Sob o mote “Praça Assombrada”, o evento inclui pinturas faciais, atuações de grupos de dança locais, animação de rua e um DJ set, além de tasquinhas de comes e bebes.

O concurso de disfarces divide-se em três escalões, infantil, juvenil e adulto, com prémios para os três primeiros classificados de cada categoria. As inscrições são feitas no local, no próprio dia, entre as 19h00 e as 21h00.

A festa é organizada pela Junta de Freguesia de Quarteira, com o apoio da Câmara Municipal de Loulé e a colaboração do Centro de Apoio à Criança de Quarteira, do Colégio Origami, da Fundação António Aleixo e da Associação Talentos Unidos.

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Lagoa promove oficina de bonsai com espécies mediterrânicas no Sítio das Fontes

O Parque Municipal do Sítio das Fontes, em Lagoa, recebe, a 8 de novembro, pelas 10h00, a II Oficina e Exposição de Bonsai com Espécies Mediterrânicas. A participação é gratuita, mas está sujeita a inscrição obrigatória e limitada a dez participantes.

A iniciativa é promovida pelo Município de Lagoa, em parceria com o Clube Bonsai do Algarve (CBA), e pretende dar a conhecer a arte do bonsai e transmitir conhecimentos básicos sobre o cultivo e os cuidados a ter com estas árvores.

Ao longo da oficina, serão abordadas técnicas como a poda, a aramação, o transplante, a rega e a manutenção, bem como questões relacionadas com a propagação, os solos, a adubação, as pragas e as doenças. A atividade inclui ainda uma exposição de exemplares de bonsai, aberta ao público, e uma conversa sobre a história, os estilos e as características desta arte. No final, os participantes poderão levar uma árvore trabalhada durante a sessão.

O programa contempla também uma reflexão sobre os ecossistemas mediterrânicos, os seus valores naturais e culturais e a importância da sua preservação, com destaque para as vantagens da utilização de espécies autóctones ou naturalizadas e os riscos associados à introdução de espécies invasoras.

As inscrições devem ser efetuadas previamente e serão validadas por ordem de entrada, até ao limite de dez participantes.

Para mais informações, os interessados podem contactar o Clube Bonsai do Algarve através dos números 962 439 327, 914 760 222 e 964 040 668, ou do endereço de correio eletrónico clubebonsaidoalgarve@gmail.com.

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Tavira abre concurso para exploração de sete lojas em três mercados municipais

O Município de Tavira abriu concurso público para a concessão de sete lojas nos mercados municipais de Tavira, Cabanas de Tavira e Luz de Tavira. Os interessados podem apresentar propostas até às 17h00 de 19 de novembro, com valores mínimos de compensação entre 250 e cinco mil euros, consoante o espaço.

O concurso abrange três lojas no Mercado Municipal de Tavira, uma no Mercado de Cabanas de Tavira e três no Mercado da Luz de Tavira, destinadas ao desenvolvimento de atividades comerciais, de serviços ou de restauração.

Os valores mínimos de compensação são de cinco mil euros para cada uma das três lojas do mercado de Tavira e de mil euros para a loja designada “Padaria”, em Cabanas de Tavira. Na Luz de Tavira, os montantes fixados são de 500 euros para a loja “Verde” e de 250 euros para cada uma das lojas “Vermelha” e “Azul”.

As concessões podem ter uma duração máxima de dez anos, incluindo eventuais renovações.

Com este procedimento, a autarquia pretende atrair novos negócios, reforçar a atividade económica local e valorizar os mercados municipais enquanto espaços de comércio e de proximidade.

As peças do concurso e as restantes informações estão disponíveis nos serviços municipais e no sítio oficial do Município de Tavira.

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Vírus do Nilo detetado em ave na Costa Esuri, junto ao Guadiana, DGS esclarece situação em Portugal

A deteção do vírus do Nilo Ocidental numa ave na Costa Esuri, em Ayamonte, junto à fronteira algarvia, levou as autoridades espanholas a declarar a zona em alerta. Após contactos do Jornal do Algarve, a Direção-Geral da Saúde (DGS) garante que mantém a vigilância epidemiológica em Portugal e confirma que o último caso humano identificado no país foi registado no Algarve, em 2015.

A DGS assegura que mantém os mecanismos de vigilância e deteção precoce de eventuais infeções pelo vírus do Nilo Ocidental em humanos, através da rede do Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica (SINAVE).

“A DGS mantém a monitorização da situação epidemiológica, bem como os mecanismos adequados para a deteção precoce de casos suspeitos ou confirmados em humanos”, refere a autoridade de saúde, numa resposta enviada ao Jornal do Algarve.

A vigilância envolve serviços de saúde dos setores público, privado e social, autoridades de saúde, laboratórios e a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), entre outras entidades. Portugal integra ainda uma rede europeia de vigilância da qual Espanha também faz parte.

A nível regional, a avaliação do risco e a implementação de medidas de controlo de vetores são asseguradas pelas autoridades de saúde, no âmbito do programa REVIVE – Rede de Vigilância de Vetores. “A nível regional as Autoridades de Saúde, no âmbito do Programa REVIVE – Rede de Vigilância de Vetores -, efetuam a avaliação do risco e implementam, em articulação com os parceiros locais, medidas de controlo de vetores”, explica a DGS.

Algarve registou último caso humano em 2015

O último caso humano de infeção pelo vírus do Nilo Ocidental identificado em Portugal remonta a 2015 e foi registado no Algarve. A DGS informa que, desde então, não foram notificados novos casos da doença no país.

“Até à data, não foram notificados, mais casos de doença”, sublinha a DGS.

O vírus é transmitido sobretudo através da picada de mosquitos infetados do género “Culex spp”, presentes em todo o território nacional. As aves constituem o principal reservatório do vírus, enquanto os seres humanos e os equinos são considerados hospedeiros acidentais.

“As aves são o principal reservatório deste vírus”, sublinha a autoridade de saúde, que descreve o mosquito transmissor como uma espécie nativa e amplamente distribuída pelo território.

A maioria das infeções humanas não provoca sintomas. Segundo a DGS, cerca de 80% dos casos são assintomáticos. Nos restantes, podem surgir sintomas semelhantes aos de uma síndrome gripal, como febre, dores de cabeça e dores articulares. Cerca de 1% dos casos evolui para formas mais graves da doença.

A deteção do vírus numa ave em Espanha não significa, por si só, que exista transmissão em Portugal ou que esteja confirmado um risco acrescido para a população algarvia. A DGS refere a existência de mecanismos de vigilância e avaliação do risco, mas não anunciou medidas adicionais específicas na sequência deste caso.

Autoridades espanholas reforçam prevenção

Este é o primeiro caso detetado em aves na costa da província espanhola de Huelva e o décimo positivo confirmado na Andaluzia, segundo a Consejería de Presidencia, Sanidad y Emergencias, avançou o jornal espanhol Huelva Hoy. A deteção foi também incluída no registo nacional espanhol de doenças animais de declaração obrigatória.

No último balanço divulgado pelas autoridades sanitárias andaluzas, não tinham sido identificados novos casos humanos, mantendo-se o total anual em 74 infeções. Destas, 42 apresentaram sintomas ligeiros e 32 evoluíram para doença neuroinvasiva. Foram registadas 36 hospitalizações e cinco mortes, permanecendo uma pessoa internada à data do balanço.

O alerta abrange localidades das províncias de Almería, Cádiz, Córdoba, Huelva e Sevilha e implica o reforço da vigilância de mosquitos, animais e seres humanos, bem como das ações de informação à população e das medidas de controlo dos mosquitos transmissores.

O Ayuntamiento de Ayamonte mantém também os tratamentos de controlo e prevenção de mosquitos, em colaboração com a Diputación de Huelva, e divulgou recomendações para reduzir o risco de picadas e limitar os locais de reprodução destes insetos.

DGS recomenda eliminar água parada e usar repelente

Para prevenir a proliferação de mosquitos, a DGS recomenda a eliminação de águas estagnadas nas imediações das habitações, a utilização de repelentes autorizados e o uso de roupa clara que cubra a maior parte do corpo.

A autoridade de saúde aconselha ainda a instalação de redes mosquiteiras nas janelas e portas e a evitar a exposição no exterior ao amanhecer e ao entardecer, períodos de maior atividade do mosquito transmissor. Em caso de sintomas compatíveis com a infeção, deve ser procurada assistência médica.

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“Palavra, criação e participação” com a estreia de INCULTA em Tavira

A primeira edição da INCULTA – Iniciativa Cultural Álvaro de Campos, que decorreu de 15 a 17 de outubro na Biblioteca Municipal Álvaro de Campos, em Tavira, confirmou “a palavra como ponto de encontro entre escola, criação e comunidade”.

Na exposição “Os Campos de Álvaro de Campos”, inaugurada a 15 de outubro, os trabalhos plásticos dos jovens revelaram “leituras pessoais, sensíveis e criativas” da obra do poeta e de outros criadores.

Na oficina “Ritmo e Poesia — Do Beat ao Videoclipe”, os versos da Ode Triunfal de Campos ganharam “novo fôlego” através do hip-hop e da criação videográfica Rap Triunfal. Também foi apresentada a performance “O menino de sua mãe”, integrada no projeto CriarLab.

A organização considera que a contribuição ativa de alunos e professores foi um dos “traços mais marcantes desta edição”. O empenho dos docentes foi decisivo para integrar as artes no percurso educativo. Os Diálogos INCULTA, com Manuel Moya, Ana Cristina Matias, Adriana Nogueira, Pedro Prista e Lídia Jorge distinguiram-se pela “profundidade e originalidade” das intervenções. Os autores e investigadores convidados apresentaram propostas de reflexão sobre Álvaro de Campos e as relações entre “palavra, cultura, identidade, território, alteridade e lusofonia”.

Já o espetáculo “Mulheres” finalizou o programa e devolveu voz a autoras algarvias pouco conhecidas, cruzando poesia, performance e música.

A iniciativa foi organizada pela Casa Álvaro de Campos, em parceria com o Município e os Agrupamentos de Escolas Dr. Jorge Augusto Correia e D. Manuel I.

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Delegação regional da Ordem dos Engenheiros visita dessalinizadora do Algarve

No dia 17 de outubro, a Águas do Algarve promoveu uma visita à Estação de Dessalinização de Água do Mar (EDAM) do Algarve, com 50 participantes da delegação distrital de Faro da Ordem dos Engenheiros, provenientes de várias zonas do país.

Os visitantes conheceram de perto uma das respostas “estruturantes” para reforçar a segurança do abastecimento de água à região do Algarve, o que “contribui para uma discussão mais informada sobre os desafios da água e as respostas necessárias para o futuro”.

A comitiva foi recebida pela presidente do Conselho de Administração da Águas do Algarve, Helena Lucas, e por vários técnicos especializados da empresa: Teresa Fernandes, Pedro Ramos e Ricardo Estigarribia, bem como pelo responsáveis do consórcio da obra.

“Num território particularmente vulnerável à escassez hídrica, a dessalinização de água do mar para consumo humano, integra uma estratégia mais ampla de adaptação às alterações climáticas, em complemento com a eficiência no uso da água, a redução de perdas e a reutilização de água para fins compatíveis”, considera a Águas do Algarve em comunicado.

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Praia da Falésia é a quarta melhor da Europa

A Praia da Falésia, em Albufeira, conquistou o quarto lugar entre as melhores praias da Europa nos Readers’ Choice Awards 2026, promovidos pela edição britânica da revista “Condé Nast Traveller”. Com 94,70 pontos, é a praia portuguesa mais bem classificada numa seleção de 20 destinos europeus, baseada nas preferências dos leitores da publicação.

A praia algarvia surge atrás de Sperlonga, em Itália, da Lagoa Azul, em Malta, e de Patara, na Turquia. Portugal volta a estar representado na classificação com a Praia de Benagil, no concelho de Lagoa, que ocupa a 16.ª posição.

A edição deste ano dos prémios reuniu mais de 296 mil respostas de leitores do Reino Unido, refletindo as escolhas e experiências dos próprios viajantes.

Conhecida pelo extenso areal e pelas falésias de tons dourados e avermelhados, a Praia da Falésia é uma das paisagens mais emblemáticas de Albufeira e um dos destinos procurados por residentes e turistas ao longo do ano.

A Câmara Municipal de Albufeira considera a distinção “motivo de orgulho para o concelho” e destaca a importância de preservar o património natural que caracteriza a praia e contribui para a atratividade turística da região.

O reconhecimento surge numa altura em que o Algarve volta a destacar-se no panorama internacional. A região foi eleita Melhor Destino de Praia nos World Travel Awards 2026, distinção que conquistou pela 11.ª vez, e está também nomeada para Melhor Destino de Praia do Mundo.

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Almoço a 230 metros de profundidade vence prémio do concurso INOVA ALGARVE

O projeto “Almoço Mineiro Subterrâneo”, que propõe uma experiência gastronómica na Mina de Sal-Gema de Loulé, venceu a categoria “Turismo & Recursos Geológicos” do concurso INOVA ALGARVE + DIVERSIFICAR, promovido pelo NERA. A iniciativa, apresentada pela Tech Salt, S.A., foi distinguida a 20 de outubro, em Loulé, com um prémio monetário de 2.500 euros.

Desenvolvido em parceria com a Associação das Terras e das Gentes da Dieta Mediterrânea, o projeto combina uma visita guiada ao património geológico e mineiro com uma refeição inspirada na Dieta Mediterrânica, a cerca de 230 metros de profundidade.

A experiência pretende recriar os momentos de convívio dos antigos mineiros, aliando a gastronomia à valorização da história, das tradições e dos recursos locais. A proposta procura, assim, diversificar a oferta turística algarvia através de uma experiência que cruza património industrial, geologia e cultura gastronómica.

A distinção foi anunciada durante uma conferência dedicada à fileira dos recursos geológicos, realizada nas instalações do NERA, em Loulé. O encontro reuniu representantes de entidades regionais, académicas e empresariais para debater o contexto económico do setor e as oportunidades de inovação.

O primeiro painel contou com a participação de representantes da Região de Turismo do Algarve, da Universidade do Algarve e da Assimagra – Associação Portuguesa da Indústria dos Recursos Minerais. O programa incluiu ainda uma apresentação do designer Miguel Soeiro sobre a inovação na ligação da pedra natural a outros materiais.

O segundo painel, centrado nas boas práticas de inovação empresarial, reuniu representantes do Geoparque Algarvensis, da TECH SALT, da Geowalks and Talks, da Pedramoca e da EDM – Empresa de Desenvolvimento Mineiro, proporcionando a partilha de experiências e abordagens inovadoras no setor.

O ciclo de conferências INOVA ALGARVE + DIVERSIFICAR prossegue a 5 de novembro, com uma sessão dedicada à fileira dos citrinos. Ao longo do mês, estão ainda previstas conferências centradas na Economia do Mar e nas Plantas e Flores.

A iniciativa é organizada pelo NERA, em parceria com a Algarve Evolution, a Associação KIPT, a CCDR Algarve, a Região de Turismo do Algarve, a Tertúlia Algarvia e a Universidade do Algarve, no âmbito do projeto INOVA ALGARVE 3.0, cofinanciado pelo programa regional Algarve 2030, integrado no Portugal 2030.

Mais informações sobre os projetos finalistas e o calendário das próximas sessões estão disponíveis em https://inova-algarve.pt/ciclo-de-conferencias.

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Raquel Tavares atua no Teatro Municipal António Pinheiro

No dia 31 de outubro, pelas 21h30, Raquel Tavares apresenta o seu mais recente trabalho no Teatro Municipal António Pinheiro, em Tavira.

Após uma pausa na carreira musical, durante a qual explorou “novos caminhos na comunicação e na representação”, Raquel Tavares está de volta e a preparar um novo álbum, retomando o fado.

A cantar desde os sete anos, Raquel lançou o seu álbum de estreia homónimo, em 2006, que lhe valeu o Prémio Amália Rodrigues para “Revelação Feminina”. Dois anos mais tarde, edita Bairro (2008).

Já em 2016 apresenta Raquel, do qual faz parte o sucesso “Meu Amor de Longe” e, logo no ano seguinte, lança Roberto Carlos por Raquel Tavares, que atingiu, em poucos meses, o galardão de platina e lhe deu um Globo de Ouro de “Melhor Intérprete”, em 2017.

Em 2023 aceitou o desafio do Festival Internacional de Fado, atuando em Madrid, Barcelona e Sevilha.

Toda a programação do Teatro pode ser consultada aqui.

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Praia do Porto de Mós, em Lagos, recebe ações de formação em salvamento

A Associação de Escolas de Surf de Portugal (AESP) e o Instituto de Socorros a Náufragos (ISN) promovem ações de formação de salvamento para iniciantes e avançados. A iniciativa acontece entre os meses de setembro e novembro e chega a Lagos, na Praia do Porto de Mós, nos dias 5 e 6 de novembro.

Segundo a Federação Portuguesa de Nadadores Salvadores, nos primeiros quatro meses da época balnear de 2026 (entre 1 de maio e 31 de agosto), a Autoridade Marítima Nacional (AMN) registou 1285 salvamentos, 2359 ações de primeiros-socorros e 22 vítimas mortais nas praias portuguesas.

Perante esta realidade, a AESP e o ISN formaram uma parceria que estabelece a ligação entre surfistas e nadadores salvadores em toda a costa nacional, para que estes possam “fazer a diferença em situações de afogamento”. Na edição de 2025, mais de 300 pessoas participaram em ações de formação e sensibilização do Surf & Rescue. Agora, na 7.ª edição e depois de Matosinhos, Sintra, Ovar, Portimão e Odemira, Lagos recebe uma formação avançada nos dias 5 e 6 de novembro.

Afonso Teixeira, coordenador do Surf & Rescue, acrescenta ainda às novidades um projeto piloto que capacita as escolas de surf como agentes de segurança e vigilância nas suas praias, garantido uma certificação. Estas escolas, com técnicos formados, vão ter desfibrilhadores instalados.

As inscrições podem ser feitas aqui.

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KlubeSol leva o Walking Football da Fuzeta ao torneio regional em Lagoa

A Associação KlubeSol, da Fuzeta, no concelho de Olhão, vai participar no I Torneio Walking Football Algarve, que se realiza amanhã, 23 de outubro, no Parque Desportivo Municipal de Estômbar, em Lagoa. A iniciativa reúne praticantes de uma modalidade que alia a atividade física à inclusão social, à promoção do envelhecimento ativo e ao combate ao isolamento.

A participação integra a segunda etapa do V Circuito Nacional de Walking Football e representa uma oportunidade para a associação dar visibilidade ao trabalho que desenvolve na comunidade através do desporto.

Na Fuzeta, a KlubeSol promove duas vertentes da modalidade: Walking Football Recreativo e Walking Football Adaptado. O objetivo é proporcionar oportunidades de prática desportiva, convívio e participação a pessoas de diferentes idades e capacidades físicas.

O Walking Football, ou futebol a caminhar, adapta as regras do futebol tradicional, privilegiando um ritmo de jogo mais acessível. Além de incentivar a atividade física, a modalidade promove o espírito de equipa, a autoestima e o bem-estar emocional, contribuindo também para combater a solidão e o isolamento social.

A associação destaca precisamente esta dimensão social do desporto, defendendo que a prática desportiva deve estar ao alcance de todos, independentemente da idade ou das capacidades físicas.

Treze jogadores representam a Fuzeta

A equipa da KlubeSol que vai participar no torneio é composta por 13 jogadores: Luís Corvo, António Picoito, Elídio Soares, Álvaro Serra, Raul Vicente, Rui Marto, José Carlos Lopes Pereira, Paulo Paulos, Joaquim Piedade, Ismael de Freitas Bruno, Francisco Mesquita, Nuno Oliveira e Luís Soares.

A presença em Estômbar constitui mais um passo na divulgação do projeto de Walking Football desenvolvido pela associação, que procura promover estilos de vida saudáveis e reforçar os laços entre os participantes e a comunidade.

Para além da vertente competitiva, a KlubeSol pretende sensibilizar para a importância do desporto enquanto instrumento de inclusão, envelhecimento ativo e promoção da saúde mental.

Uma associação dedicada à comunidade

A Associação Sócio-Cultural de Animação Clube do Sol – KlubeSol é uma entidade sem fins lucrativos sediada na Fuzeta, com intervenção nas áreas do desporto, da inclusão social, da saúde mental, do envelhecimento ativo, da cultura, da educação ambiental e da sustentabilidade.

Através das suas iniciativas, procura incentivar a participação comunitária, a igualdade de oportunidades e a melhoria da qualidade de vida da população.

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Conferência na UAlg reflete sobre como gerir de forma sustentável os resíduos

A CCDR Algarve, em parceria com o Município de Loulé, promove no dia 13 de novembro a conferência «Resíduos: Um Futuro Urgente», no Auditório Teresa Gamito da Universidade do Algarve, Campus de Gambelas.

A iniciativa reúne representantes da administração pública, dos municípios, das universidades, de entidades gestoras e de empresas e especialistas do setor com o objetivo de refletir sobre os desafios da gestão de resíduos e identificar abordagens e estratégias que
contribuam para a sustentabilidade ambiental e para a promoção da economia circular.

O programa organiza-se em torno de dois eixos temáticos. O primeiro, dedicado aos resíduos urbanos, destaca a apresentação de boas práticas nacionais e os desafios específicos no Algarve. O segundo, centrado nos resíduos não urbanos, aborda experiências inovadoras no domínio da economia circular, da valorização de resíduos e da promoção de práticas sustentáveis.

A participação é gratuita, mediante inscrição prévia aqui.

O programa completo pode ser consultado na imagem abaixo.

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Olhão acolheu encontro transfronteiriço sobre inovação e economia social

Olhão recebeu, a 19 e 20 de outubro, o 3.º Encontro Transfronteiriço do projeto INNOVASOCIAL AAA, que juntou entidades portuguesas e espanholas para promover a cooperação, a partilha de experiências e a inovação no setor da economia social.

A iniciativa foi promovida pela Tertúlia Algarvia e pela Associação In Loco, com a colaboração do Município de Olhão, no âmbito de um projeto europeu que pretende reforçar a economia social e contribuir para a inclusão, a igualdade de oportunidades e o desenvolvimento sustentável nos territórios do Alentejo, Algarve e Andaluzia.

O projeto é cofinanciado pela União Europeia, através do Programa Interreg VI-A Espanha–Portugal (POCTEP) 2021-2027.

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Lagoa instala Conselho Municipal com foco em políticas públicas para os jovens

O Município de Lagoa instalou um Conselho Municipal de Juventude (CMJ), cuja primeira reunião decorreu no dia 19 de outubro, no Centro Cultural Convento de S. José. A sessão marcou o início de um mandato de dois anos, abrindo uma nova etapa de participação, diálogo e corresponsabilização dos jovens na definição de prioridades e medidas.

O Conselho Municipal de Juventude constitui uma plataforma de diálogo entre o Município, os jovens e as entidades locais, permitindo aproximar as decisões públicas das “necessidades, expectativas e ambições” das novas gerações.

Luís Encarnação, presidente da Câmara de Lagoa, sublinhou a intenção de que os jovens tenham um “papel ativo” na construção do futuro do concelho. “As políticas de juventude são tanto mais eficazes quanto melhor conseguirem responder às necessidades reais das novas gerações, valorizando as suas ideias, as suas preocupações e a sua capacidade de intervenção. O Conselho Municipal de Juventude é um instrumento fundamental para aproximar os jovens das decisões municipais”, considerou.

Durante a sessão foi igualmente apresentado o Plano Estratégico Municipal de Juventude de Lagoa, documento orientador da política municipal nesta área, desenvolvido em parceria com a DYPALL Network e construído com base nos contributos de cerca de 1000 jovens e 70 entidades.

Concluído o ciclo de intervenção centrado nas primeiras três áreas temáticas do Plano — Educação, Saúde Mental e Cultura, Desporto e Bem-Estar — o Município encontra-se a preparar o novo plano de ação para o biénio 2027/2028, que prevê o alargamento das medidas a áreas como o emprego, habitação, cidadania e participação cívica.

Em paralelo, está também em curso o intercâmbio Get Up Stand Up, Stand Up for Your Right, que levará três jovens lagoenses a Itália para participar num encontro dedicado ao funcionamento dos conselhos municipais de juventude. Além disso, realiza-se ainda o Encontro Transfronteiriço de Escolas Embaixadoras do Parlamento Europeu, que terá a vila de Ferragudo como palco de partilha de experiências entre jovens de Portugal, do Reino Unido e da Irlanda.

Por fim, o Sunset Jovem, agendado para 23 de outubro, no espaço O Convento, vai ao encontro da estratégia de aproximar as decisões municipais dos jovens do concelho.

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Casa do Colecionador abre em Moncarapacho e reforça oferta cultural de Olhão

A Casa do Colecionador, um novo museu dedicado a décadas de colecionismo, abriu portas na segunda-feira, 19 de outubro, em Moncarapacho, no concelho de Olhão. Instalado numa antiga igreja do século XVIII, o espaço reúne coleções de arte sacra, mais de 260 bengalas, pinturas em marfim e esculturas em pedra, num projeto que pretende valorizar a cultura e atrair visitantes à vila.

Propriedade da Fundação Calçada Correia, o museu nasceu da iniciativa de João Luís Calçada Correia, que decidiu investir na sua terra natal e transformar uma coleção privada num espaço aberto à comunidade. O edifício, que pertenceu à Ordem Terceira de São Francisco, foi alvo de um projeto de reabilitação premiado, que procurou preservar a identidade histórica e espiritual do local, conciliando-a com uma abordagem museográfica contemporânea.

“Escolhi Moncarapacho para concretizar este investimento porque acredito que vale a pena investir nos lugares a que pertencemos, contribuir para a sua valorização e criar condições para que a cultura seja, também, um fator de desenvolvimento local”, afirmou João Luís Calçada Correia durante a inauguração.

O responsável defendeu ainda que a vila merece “uma oferta cultural de qualidade”, capaz de atrair visitantes, despertar o interesse dos mais jovens e enriquecer a vida da comunidade.

Na cerimónia, o presidente da Câmara Municipal de Olhão, Ricardo Calé, considerou a abertura do museu “um dia de referência”, por representar mais um passo na afirmação cultural de Moncarapacho.

O autarca destacou o contributo do investimento público, associativo e privado para o desenvolvimento da vila e agradeceu a João Luís Calçada Correia por ter acreditado no potencial da terra onde nasceu. “Nas várias vertentes, conseguimos mostrar que numa vila com a dimensão de Moncarapacho é possível fazer muito mais do que aquilo que é o objetivo de cada um de nós”, afirmou.

Também presente na inauguração, a ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, elogiou a decisão de transformar uma coleção privada num espaço cultural acessível à comunidade, considerando que se trata de “um lugar que acrescenta à oferta cultural do concelho de Olhão e convida a descobrir um território que tem muito para oferecer além dos destinos mais conhecidos da região”.

Ricardo Calé salientou ainda o papel da cultura num contexto de crescente transformação tecnológica. “Num mundo em constante mudança, em que temos a tecnologia e a inteligência artificial a substituir o ser humano, será a cultura que fará a diferença no futuro”, afirmou. “É um orgulho enorme. Olhão valorizou-se muito hoje com a abertura desta Casa do Colecionador”, concluiu.

Na cerimónia marcaram presença vários autarcas e personalidades ligadas à cultura na região, entre elas a premiada escritora algarvia Lídia Jorge.

A Casa do Colecionador está aberta de terça-feira a sábado, das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 17h00. Os bilhetes custam entre 2,50 e cinco euros.

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Clube de Ferreiras vence prémio pela sua gestão e estratégia no futebol feminino

O Futebol Clube de Ferreiras conquistou o primeiro lugar na sessão nacional dos Prémios CLUBE TOP 2026, realizada no dia 17 de outubro, em Lisboa. A distinção reconheceu a qualidade do modelo de gestão aplicado ao futebol feminino do clube, que se destacou entre sete candidaturas.

Com a candidatura “SER ATLETA POR INTEIRO” – Modelo de Governação Estratégica dos 7 pilares no Futebol Feminino”, o clube do concelho de Albufeira apresentou uma visão estratégica que associa “a formação desportiva ao desenvolvimento pessoal e à igualdade de oportunidades”.

“O modelo demonstra como uma gestão estruturada pode contribuir para a sustentabilidade dos clubes e para o seu impacto social junto da comunidade”, explica a autarquia em comunicado.

Os sete clubes finalistas apresentaram e defenderam as suas boas práticas de gestão perante um júri nacional, sendo que o apuramento resultou de um processo de avaliação com várias etapas. Na primeira, cada direção regional selecionou cinco candidaturas. Na segunda, uma destas avançou para a final nacional.

A avaliação considerou “a qualidade, a originalidade e a inovação das propostas”, bem como “o seu impacto junto dos destinatários e a articulação com os parceiros, a sustentabilidade das práticas e a possibilidade de adaptação e aplicação noutros clubes”.

A sessão nacional decorreu no Auditório do Centro de Juventude de Lisboa do Instituto Português do Desporto e Juventude – IPDJ, no Parque das Nações.

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