A Oncoclínicas anunciou nesta sexta-feira (30) que obteve adesão suficiente dos credores para dar continuidade ao pedido de homologação de plano de recuperação extrajudicial, segundo fato relevante.
A companhia afirmou que o plano conta com adesão de credores detentores de mais de R$ 3,5 bilhões em dívidas da companhia. O percentual de 61,6% supera a metade do valor total dos créditos abrangidos pelo processo, excluídos os créditos intercompany, o que equivale a cerca de R$ 5,7 bilhões.
Com o atingimento do quórum exigido pela Lei nº 11.101/2005, a companhia dará prosseguimento ao pedido de homologação do plano perante a 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível da Comarca de São Paulo.
Caberá ao juízo determinar a publicação do edital previsto no artigo 164 da Lei de Recuperação Judicial e Falências.
O plantio de soja em Mato Grosso atingiu nesta semana 89,05% da área projetada para o Estado, em ritmo mais acelerado em relação ao mesmo período do ano passado (76,13%) e também na comparação com a média de cinco anos para a época (78,47%), de acordo com dados publicados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).
Na comparação semanal, o avanço do plantio no maior produtor brasileiro foi de 13,24 pontos percentuais, segundo o instituto ligado aos produtores.
As taxas dos DIs voltaram a subir nesta sexta-feira (30) e encerraram a semana pós-eleição com altas acumuladas de mais de 250 pontos-base em alguns vencimentos, refletindo o ajuste de posições em meio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e às preocupações com a política fiscal do futuro governo.
No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 14,5%, em alta de 13 pontos-base ante o ajuste de 14,366% da véspera. Já a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 15,33%, com elevação de 10 pontos-base ante 15,234%.
No acumulado da semana pós-segundo turno, essas taxas subiram 164 e 259 pontos-base, respectivamente, refletindo a surpresa com a vitória no último domingo de Lula sobre o senador Flávio Bolsonaro – até então o favorito da Faria Lima.
Agora, ao mesmo tempo em que aguardam indicações sobre quem comandará em 2027 as principais pastas, como o Ministério da Fazenda, os investidores esperam por detalhes sobre como será a política fiscal no novo governo.
Durante a semana, a necessidade de ajuste nas contas públicas seguiu como um tema recorrente no mercado, que vê a questão como fundamental para o controle da inflação e, consequentemente, para a redução sustentável dos juros.
Dados do Banco Central mostraram na quinta-feira que o setor público consolidado registrou em setembro déficit nominal – que já inclui o pagamento dos juros da dívida pública – de R$113,0 bilhões. Em 12 meses até setembro, o déficit nominal está em R$ 1,275 trilhão, ou 9,51% do PIB (Produto Interno Bruto).
“O problema fiscal é muito grave e precisa ser enfrentado pelo governo sob pena de um grande desarranjo macroeconômico, nosso maior temor”, pontuou o diretor da consultoria Wagner Investimentos, José Faria Júnior, em relatório divulgado nesta sexta-feira.
“Além da dívida do governo, as famílias e as empresas estão muito endividadas”, alertou.
Pela manhã, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) informou que a taxa de desemprego no país recuou para 5,2% no terceiro trimestre do ano, a mais baixa para o período desde o início da série histórica, em 2012. O dado veio em linha com as expectativas dos economistas.
Já o rendimento real habitual do trabalhador ficou estável na comparação com o trimestre imediatamente anterior, em R$3.790, com alta de 3,6% na comparação anual.
“Esse resultado reforça que o desemprego e o mercado de trabalho devem desacelerar gradualmente conforme o ano for passando, que é sempre a nossa expectativa”, comentou António Ricciardi, economista do Banco Daycoval. “A gente tem expectativa de taxa terminal de desemprego em 5,2%.”
Na próxima quarta-feira, o Banco Central anunciará sua primeira decisão sobre juros após o segundo turno da eleição presidencial, levando em conta não apenas os dados mais recentes da economia real como as mudanças nas expectativas e no câmbio desde a vitória de Lula.
Nesta semana pós-segundo turno, o dólar saltou mais de 40 centavos de real.
As preocupações com o equilíbrio fiscal no governo Lula conduziram nesta semana boa parte das apostas do mercado para a manutenção da taxa básica Selic em 13,75% ao ano.
“Antes das eleições, existia uma probabilidade maior implícita nos preços de uma continuidade no ciclo de corte de juros. E o que passamos a ver pós-segundo turno, pós-reeleição do presidente Lula, foi uma probabilidade maior de uma manutenção na próxima reunião”, pontuou Rafael Sueishi, head de renda fixa da Manchester Investimentos.
“Não foi a eleição que mudou os fundamentos de inflação ou a atividade de um dia para o outro, o que mudou foi essa percepção de risco sobre a trajetória futura das contas públicas, continuidade da condução da política fiscal, e como isso pode impactar câmbio, curva de juros e expectativas de inflação”, acrescentou.
No exterior, com influência menor sobre as taxas nesta sexta-feira, os rendimentos dos Treasuries tiveram baixas firmes, em meio ao movimento global de venda de ações de empresas de tecnologia e compra de ativos mais seguros, como os títulos norte-americanos.
Às 16h42, o rendimento do Treasury de dez anos – referência global para decisões de investimento – caía 6 pontos-base, a 4,925%.
O Itaú Unibanco lançou nesta sexta-feira (30) um novo meio de pagamento para o checkout de comércio eletrônico, que permite aos clientes concluírem compras diretamente no aplicativo do banco.
O Itaú Pay envolve a infraestrutura da Rede, empresa de meio de pagamentos do Itaú, e a agência de viagens online Decolar, parte do grupo Prosus, é a primeira empresa a usar o serviço.
Do ponto de vista das empresas, o Itaú afirmou que o produto combina ganhos de conversão e eficiência ao longo de toda a jornada de pagamento.
O banco citou estimativas próprias que apontam aumento potencial de até 10 pontos percentuais na taxa de aprovação das transações e que as opções de parcelamento estendido também podem contribuir para um aumento de até 50% no valor médio das compras. Ainda segundo o Itaú, a plataforma torna o checkout até cinco vezes mais rápido.
Para os consumidores, o cliente pode escolher entre saldo em conta ou crédito, visualizando as condições e o valor total antes da confirmação. O Itaú Pay também oferece, aos clientes elegíveis, opções de parcelamento estendido, adicionais às disponibilizadas pela loja, e pagamento com pontos.
“O checkout é um dos momentos em que o e-commerce mais perde vendas: compras recusadas por suspeita de fraude ou falta de limite, dados digitados com erro e jornadas longas demais”, afirmou o diretor de Recebimentos e Adquirência do Itaú Unibanco, Angelo Russomanno, em nota à imprensa sobre a novidade.
O banco disse que o produto será expandido nas próximas semanas e, ao longo dos próximos meses, o Itaú Pay estará disponível em outras empresas do comércio eletrônico, incluindo Raia Drogasil, Localiza, Zig e EBANX.
O BNDES aprovou financiamento de R$ 879,4 milhões para a Green Energy adquirir 400 ônibus elétricos a bateria voltados para atender a população de São José dos Campos (SP), anunciou o banco de fomento nesta sexta-feira (30).
“Esse é o primeiro projeto aprovado pelo BNDES para renovação de 100% da frota de uma cidade com ônibus elétricos produzidos no país”, disse em nota o presidente do banco, Aloizio Mercadante.
“No país, a frota de ônibus elétricos a bateria já supera 2,2 mil veículos. A estimativa é que os ônibus elétricos representem 28% do total de licenciamentos de ônibus urbanos no Brasil até 2035“, adicionou ele.
A Green Energy venceu uma licitação da cidade de São José dos Campos (SP) para alugar a nova frota de transporte coletivo ao município.
Segundo o banco, os ônibus serão fornecidos pela Eletra Industrial, que atua no mercado ônibus elétrico no Brasil e utiliza motores e sistemas da WEG, e chassis e carrocerias produzidos no Brasil.
Os emplacamentos de ônibus elétricos no Brasil somaram em setembro 121 unidades em setembro, acumulando no ano 1.255 unidades, mesmo volume do ano completo de 2025, segundo dados da associação de montadoras, Anfavea.
A percepção do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, de que a economia dos EUA é capaz de suportar uma expansão robusta sem alimentar a inflação foi posta em xeque por dados recentes, com um importante índice de inflação apresentando um salto e fortes gastos do consumidor e investimentos empresariais impulsionando o crescimento da atividade para além do nível que a maioria das autoridades do banco central considera sustentável.
Warsh, em declarações na quarta-feira após a decisão do Fed de manter as taxas de juros inalteradas, afirmou que não achava que a economia estivesse “superaquecida” e que não queria “colocar areia na engrenagem” de uma expansão que vem ganhando força impulsionada por investimentos em inteligência artificial e pelos gastos do consumidor, que continuam a crescer apesar dos ganhos modestos na renda.
Os gastos do consumidor, por exemplo, cresceram mais rapidamente do que a renda no recente relatório do PIB, uma situação que, segundo alguns economistas, provavelmente não durará, e Warsh afirmou na quarta-feira que um recente aperto nos mercados de crédito mostrou que os investidores se tornaram “mais criteriosos em suas alocações de capital”, um possível indício de um crescimento mais lento dos investimentos.
Mas os dados disponíveis ainda mostram uma economia que, até o momento, não desacelerou, apesar das perspectivas de uma política monetária mais restritiva, com a forte demanda coincidindo agora com uma inflação generalizada.
Diferentes medidas da difusão da inflação mostram que entre cerca de 50% e quase 60% dos itens do PCE (Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal) — o indicador que o Fed utiliza para sua meta de inflação de 2% — registraram aumentos anuais de preços superiores a 3% em setembro — muito acima das normas pré-COVID-19 para uma medida que Warsh considera um bom indicador das tendências subjacentes da inflação.
Embora o número de itens acima desse nível de 3% tenha caído ligeiramente no mês passado, Diane Swonk, economista-chefe da KPMG, afirmou que os detalhes do relatório do PCE mostraram que a inflação se manteve amplamente persistente em toda a economia, particularmente nos setores de serviços, onde os aumentos das taxas de juros pelo Fed podem ter um impacto menor.
O Índice de Preços do PCE subiu 3,6% em setembro, após um aumento de 3,4% no mês anterior, afastando-se ainda mais da recente mínima de 2,3% registrada em março de 2025, perto do início do segundo mandato do presidente Donald Trump na Casa Branca.
Swonk disse que, embora ache que os formuladores de política monetária do Fed deveriam ter aumentado as taxas nesta semana, ela compreendia a motivação para serem pacientes, pois “eles não querem uma recessão por causa de uma inflação de 3% a 4%” se puderem lidar com o problema mais lentamente e manter a expansão atual em andamento — uma meta que o próprio Warsh expôs durante sua coletiva de imprensa.
“Dito isso, não está claro se é possível simplesmente moderar um pouco a situação, já que a inflação está se tornando muito persistente”, disse Swonk.
“O Fed está ficando para trás”, especialmente porque os mercados financeiros agora antecipam mais dois a três aumentos nas taxas e, com base nisso, estão endurecendo as condições financeiras.
Warsh observou na quarta-feira que o aperto do crédito está em linha com as expectativas do Fed e que, na sua opinião, isso ajudaria a trazer a inflação de volta à meta.
Mas “isso é areia na engrenagem”, disse Swonk. “Por que houve aperto? Eles esperam mais aumentos nas taxas… É preciso cumprir essa expectativa.”
“O cenário mais otimista”
A votação de 10 a 2 sobre a política monetária do banco central dos EUA na quarta-feira incluiu votos dissidentes da diretora do Fed Lisa Cook e da presidente do Fed de Cleveland, Beth Hammack, que afirmaram ser a favor de um aumento dos juros naquele momento.
A próxima reunião do Fed está marcada para 8 e 9 de dezembro, com os mercados estimando cerca de 80% de probabilidade de um aumento de 0,25 ponto percentual nessa sessão, além de um aperto monetário adicional previsto para o próximo ano.
Warsh afirmou na quarta-feira que relutava em descrever a economia como “superaquecida”, em parte porque, segundo ele, é difícil estimar sua taxa de crescimento não inflacionária, especialmente em um momento em que os ganhos de produtividade — decorrentes da inteligência artificial ou de outras fontes — podem estar melhorando o lado da oferta da economia.
“Nunca sabemos qual é realmente o crescimento potencial”, disse Warsh aos repórteres. “Não podemos medi-lo com precisão. … O crescimento econômico está mais alto. Mas isso não me diz que o crescimento econômico esteja, de alguma forma, causando inflação e tornando nosso trabalho mais difícil.”
O crescimento anualizado de 3,4% registrado no terceiro trimestre, no entanto, se mantido, superaria em muito até mesmo a percepção mais otimista das autoridades do Fed sobre a tendência de crescimento de longo prazo — um número baseado na premissa de que a inflação se mantenha na meta de 2% do banco central.
Nas projeções econômicas dos formuladores de política monetária divulgadas em setembro, a estimativa mais alta para o crescimento de longo prazo foi de 2,5%, com a maioria dos formuladores de políticas na faixa de 2% a 2,2% e uma mediana de 2%.
“Ele (Warsh) está claramente tentando pintar o quadro mais otimista tanto para a expansão econômica quanto para a margem de manobra que o Fed possui” para reduzir a inflação — argumentos que, se verdadeiros, significariam que o Fed poderia se virar com menos aumentos nas taxas”, disse Vincent Reinhart, economista-chefe da BNY Investments e ex-chefe da divisão de assuntos monetários do banco central dos EUA.
Reinhart acredita que o Fed terá que aumentar as taxas mais duas vezes, mas com riscos “decididamente para o lado positivo”, especialmente se o preço de referência do petróleo mundial permanecer em torno do nível atual de quase US$ 115 por barril, forçando uma série contínua de ajustes em outros setores.
Mesmo que Warsh esteja certo ao afirmar que os investimentos em IA se mostram suscetíveis aos aumentos das taxas, o Fed ainda pode ter que moderar a demanda para atingir sua meta de inflação, disse Reinhart.
O grande setor de serviços dos EUA, por exemplo, está “apenas seguindo seu ritmo e se ajustará apenas lentamente”, disse ele. “Se você realmente quiser avançar mais rapidamente na questão da inflação, terá que trabalhar mais intensamente na demanda para que os setores que podem se ajustar o façam rapidamente.”
A Vamos teve lucro líquido ajustado de R$ 151 milhões no terceiro trimestre, saltando 199,1% em relação ao resultado apresentado um ano antes, segundo balanço divulgado nesta quinta-feira (29).
A companhia de aluguel e gestão de frotas de veículos pesados, que é parte da holding Simpar, teve um resultado operacional medido pelo Ebitda de R$ 1 bilhão no período, quantia 15,7% acima do apurado no terceiro trimestre de 2025.
Analistas, em média, esperavam lucro líquido de R$ 134 milhões para a Vamos no período, com Ebitda de R$ 1 bilhão, segundo dados compilados pela LSEG.
A receita líquida somou R$ 1,59 bilhão, alta de 4,3% na comparação anual.
A companhia terminou o período com uma alavancagem financeira de 2,93 vezes ante 3,27 vezes no final do terceiro trimestre de 2025.
Os preços do café no Vietnã continuaram a cair antes do pico da colheita, em meio à queda das cotações globais, enquanto os prêmios subiram na Indonésia, informaram os comerciantes nesta quinta-feira.
Os produtores das Terras Altas Centrais, o cinturão cafeeiro do Vietnã, venderam os grãos a preços entre 88.000 e 89.000 dongs (US$ 3,40 a US$ 3,44) por kg, abaixo dos 91.000 a 92.500 dongs da semana passada, marcando o menor nível desde meados de junho, de acordo com dados da LSEG.
Os contratos futuros de café robusta para janeiro fecharam em queda de US$ 21, ou 1%, a US$3.199 por tonelada métrica na quarta-feira.
“Os agricultores já começaram a colheita, mas os volumes continuam limitados. É provável que a oferta se torne mais abundante no próximo mês”, disse um corretor das Terras Altas Centrais.
“Alguns agricultores disseram que as condições climáticas adversas no início do ano fizeram com que uma pequena parte de sua safra produzisse grãos menores e mais escuros”, acrescentou o corretor.
O corretor ofereceu 83.000 dongs por kg para entrega em dezembro.
Os corretores ofereceram robusta grau 2, com 5% de grãos pretos e quebrados, com um prêmio de US$150 a US$200 por tonelada em relação ao contrato de janeiro da bolsa em Londres.
Na Indonésia, os grãos de café robusta de Sumatra foram oferecidos com um prêmio de US$220 em relação ao contrato de novembro, acima do prêmio de US$165 a US$200 da semana passada, disse um corretor.
Outro corretor citou um prêmio de US$300 em relação ao contrato de janeiro, superior ao prêmio de US$230 da semana passada.
(Reportagem de Phuong Nguyen, em Hanói, e Mas Alina Arifin, em Bandar Lampung)
A Multiplan teve lucro líquido de R$ 383 milhões no terceiro trimestre, um salto de 73,3% em relação ao mesmo período de 2025, segundo balanço divulgado nesta quinta-feira (29).
A operadora de shopping centers e empreendimentos imobiliários apurou resultado operacional medido pelo Ebitda de R$ 598 milhões, valor 37,3% acima do obtido na base anual.
Analistas, em média, esperavam que a empresa reportasse lucro líquido de R$ 262 milhões e Ebitda de R$ 500 milhões, segundo dados da LSEG.
A empresa teve receita líquida de R$ 846 milhões, 37% acima do faturamento de um ano antes.
As ações nos EUA caíram nesta quinta-feira (29) com os investidores reavaliando os gastos maciços das grandes empresas de tecnologia em inteligência artificial, enquanto assimilavam resultados financeiros de grande repercussão e dados cruciais sobre a inflação, um dia após o Fed (Federal Reserve) manter as taxas de juros dos EUA inalteradas.
Todos os três principais índices acionários dos EUA perderam terreno, com o Nasdaq, de forte presença tecnológica, registrando a maior queda após a divulgação, na noite de quarta-feira, dos resultados trimestrais decepcionantes da Alphabet .
Em contrapartida, o Russell 2000, de pequenas capitalizações, registrou um sólido avanço.
As ações do setor de chips interromperam sua sequência de quatro dias de ganhos, à medida que os investidores procuravam distinguir entre empresas capazes de financiar suas altas ambições em IA e aquelas que queimam caixa e recorrem a empréstimos para alcançar seus objetivos.
De acordo com dados preliminares, o S&P 500 perdeu 0,31%, fechando em 7.721,02 pontos, enquanto o Nasdaq Composite recuou 1,36%, para 26.188,08 pontos. O Dow Jones Industrial Average caiu 0,25%, para 52.345,80 pontos.
A Suzano está comunicando clientes na Europa e América do Norte sobre novo aumento no preço da celulose da companhia a partir de novembro, segundo fonte do mercado.
O reajuste a ser aplicado será de US$50 dólares, com isso, na Europa, o preço de lista da celulose da companhia na Europa passará a ser de US$1.410 por tonelada. Procurada, a Suzano confirmou o reajuste.
A companhia, maior produtora de celulose de eucalipto do mundo, já havia elevado o preço do insumo neste mês em US$20 na Ásia, e em US$50 nas Américas.
A Volkswagen aprofundou ainda mais seu prejuízo no terceiro trimestre, registrando seu pior resultado em mais de uma década, enquanto a segunda maior montadora do mundo enfrenta desafios gigantescos em mercados-chave e inicia uma grande reestruturação.
A maior montadora da Europa registrou um prejuízo operacional de 5,9 bilhões de euros (US$ 6,59 bilhões) durante o trimestre, afetada por itens extraordinários que totalizaram cerca de 8 bilhões de euros, em grande parte relacionados a uma baixa contábil no valor de sua participação na subsidiária Porsche.
“Os resultados dos nove meses deixam uma coisa clara: não podemos nos dar ao luxo de perder tempo. Precisamos agir com rapidez e determinação”, afirmou o diretor financeiro Arno Antlitz em uma declaração em vídeo.
A receita de vendas também caiu 6% no terceiro trimestre, para 75,3 bilhões de euros.
As ações caíam 2% após a divulgação do relatório trimestral.
Os resultados ressaltam a pressão sobre a Volkswagen para reformular seu modelo de negócios diante da concorrência acirrada na China, bilhões em custos anuais com tarifas e uma expansão onerosa dos veículos elétricos na Europa, onde os rivais chineses também estão ganhando terreno.
O presidente-executivo Oliver Blume planeja cortar 100 mil empregos em toda a empresa, o que inclui as marcas Audi e Porsche.
Até quatro fábricas na Alemanha correm o risco de fechamento de acordo com seu plano, que tem enfrentado forte oposição dos sindicatos e possíveis greves a partir do início do próximo ano.
Antlitz afirmou que, mesmo antes dos itens extraordinários, a margem operacional da Volkswagen após nove meses era de apenas 3,8%.
“Isso não é suficiente a longo prazo”, acrescentou ele.
No mês passado, a Volkswagen sinalizou custos extraordinários de 10 bilhões de euros, ao mesmo tempo em que reduziu drasticamente sua previsão de margem de lucro para 2026 para um máximo de 1%.
A Shell divulgou nesta quinta-feira (29) seu maior lucro trimestral desde 2022 e aumentou o programa de recompra de ações, depois que os preços da energia impulsionados pela guerra e as margens de refino recordes ajudaram a empresa a superar as expectativas.
A gigante do petróleo registrou lucro líquido no terceiro trimestre de US$ 10,81 bilhões, acima da estimativa média dos analistas de US$ 10,33 bilhões e quase o dobro dos US$ 5,43 bilhões obtidos no mesmo período do ano anterior.
A guerra dos EUA e de Israel contra o Irã, agora em seu nono mês, interrompeu o abastecimento global de energia e ajudou a elevar a margem de refino da Shell para um recorde de US$ 42 por barril, em comparação com US$ 11,6 há um ano e US$ 24 no trimestre anterior.
A Shell aumentou seu programa trimestral de recompra de ações de US$ 3 bilhões para US$ 5 bilhões. Esse é o segundo maior programa de recompra da história da empresa, atrás apenas do programa de US$ 6 bilhões lançado no segundo trimestre de 2022.
As ações da empresa subiram 2,9% no início do pregão, superando o ganho de 0,7% registrado por um índice mais amplo de empresas europeias do setor de energia.
O negócio integrado de gás da Shell registrou lucro de US$ 3,04 bilhões, acima das expectativas de US$ 2,93 bilhões, enquanto os lucros da área de upstream, de US$ 3,19 bilhões, também superaram as previsões de US$ 3,10 bilhões.
O fluxo de caixa operacional, excluindo o capital de giro, subiu de US$ 12,24 bilhões no ano anterior para US$ 21,7 bilhões e superou as expectativas de US$ 18,18 bilhões.
A produção de petróleo e gás caiu 17% nos primeiros nove meses de 2026 em relação ao ano anterior, principalmente porque o conflito no Oriente Médio reduziu os volumes provenientes do Catar.
Os volumes de liquefação de GNL aumentaram 12%, impulsionados pela expansão da LNG Canada e parcialmente compensados pela interrupção no Catar.
Desde 30 de dezembro de 2022, a Shell proporcionou um retorno total aos acionistas de 120%, incluindo dividendos reinvestidos, superando os 78% da BP, os 84% da TotalEnergies, os 89% da ExxonMobil e os 51% da Chevron, de acordo com dados da Shell.
Os investidores têm acompanhado como as grandes petrolíferas estão utilizando os lucros extraordinários decorrentes do conflito e se conseguem resistir à tentação de aumentar os gastos.
O setor se comprometeu a manter a disciplina de capital durante um dos períodos mais lucrativos para os produtores globais de petróleo na história recente.
A Anheuser-Busch InBev atendeu às previsões de lucro para o terceiro trimestre nesta quinta-feira (29), mesmo com o aumento dos custos prejudicando seus ganhos; a maior cervejaria do mundo é a mais recente empresa do setor de bens de consumo a sinalizar crescentes pressões de custos nas últimas semanas.
As empresas de bens de consumo têm intensificado seus alertas sobre os custos à medida que a guerra no Irã e seu impacto na economia global se prolongam, com cervejarias como a AB InBev — a maior do mundo em volume global — sendo afetadas pelo aumento dos custos de energia, diesel, alumínio e outros insumos.
A fabricante da Stella Artois e da Budweiser informou que seu lucro operacional orgânico no trimestre cresceu 3,9%, com receitas superando as expectativas, embora os custos das commodities tenham compensado o crescimento da receita em alguns países.
A AB InBev destacou o aumento dos custos das matérias-primas, distribuição e transporte em mercados-chave como os Estados Unidos, a Europa e a África do Sul, onde os investimentos em vendas e marketing também corroeram os lucros.
A empresa informou que sua margem operacional recuou 34 pontos-base, para 36,1%, enquanto seu custo de vendas atingiu US$ 7,21 bilhões — o maior valor desde 2023.
Suas ações, que subiram cerca de 30% neste ano, caíram 2,7% no início do pregão.
A P&G , referência no setor de bens de consumo, afirmou na semana passada que os custos mais elevados causariam um impacto ainda maior no lucro anual.
A fabricante de tabaco Philip Morris International também afirmou que os conflitos globais estavam pesando sobre seus lucros. A Coca-Cola também alertou para a aceleração das pressões de custo.
Os preços do diesel dispararam para níveis recordes devido à guerra no Irã, elevando os custos de frete e transporte em todos os setores.
O conflito também encareceu a energia e pressionou o abastecimento de alumínio, cujos preços já estavam elevados para compradores norte-americanos como a AB InBev devido às tarifas do presidente Donald Trump.
A AB InBev informou que também registrou outra queda acentuada de 16,8% nas vendas na China no trimestre, prejudicando o crescimento geral na maior parte de sua área de atuação e os volumes recordes em 15 mercados.
A empresa ficou atrás dos concorrentes no mercado chinês de cerveja, que está em declínio, onde sua expansão geográfica e maior presença em locais como boates a deixaram mais exposta às intempéries e à tendência de consumo em casa.
“Os pontos positivos continuaram indo bem e os pontos negativos continuaram enfrentando dificuldades”, disse James Edwardes Jones, analista da RBC Capital Markets, sobre o desempenho da AB InBev.
As ações chinesas fecharam em baixa nesta quinta-feira (29), já que uma onda de vendas cada vez mais intensa no setor de tecnologia ofuscou a decisão do Federal Reserve de manter as taxas de juros inalteradas.
No fechamento, o índice de Xangai teve queda de 0,8%, enquanto o índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, recuou 1%.
As ações do setor de tecnologia estiveram entre os principais fatores de pressão, com o índice ChiNext Composite , que reúne startups, caindo 4,4% e registrando o fechamento mais baixo desde agosto de 2025, enquanto o índice STAR50 de Xangai , focado em tecnologia, despencou 4,3%, marcando o fechamento mais fraco desde setembro de 2025.
O CSI 5G Communications , que acompanha empresas de comunicações 5G, despencou 7,4%.
Em Hong Kong, o índice de referência Hang Seng registrou uma ligeira queda de 0,6%, enquanto as ações do setor de tecnologia da cidade caíram 2,8%.
A fabricante de robôs Yushu Technology, também conhecida como Unitree, , caiu 4,8% depois que seu lucro líquido no terceiro trimestre diminuiu, apesar do aumento de 70% na receita em relação ao ano anterior, em seu primeiro relatório de resultados desde a listagem na bolsa.
Em toda a região, as ações asiáticas perderam os ganhos anteriores, já que os resultados corporativos relacionados à IA geraram reações extremamente contraditórias, aumentando a expectativa em relação aos resultados da Amazon e da Intel , que serão divulgados ainda hoje.
O Fed manteve as taxas de juros inalteradas, como esperado, nesta quarta-feira, optando por adiar quaisquer mudanças nos custos dos empréstimos até depois das eleições de meio de mandato nos EUA na próxima semana, enquanto aguarda mais dados sobre a inflação, que, segundo o banco central, “continua elevada”.
Em Tóquio, o índice Nikkei avançou 1,10%, a 64.659 pontos.Já em Hong Kong, o índice HANG SENG caiu 0,59%, a 22.958 pontos.
Enquanto isso, em Xangai, o índice SSEC perdeu 0,82%, a 3.651 pontos. O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzen, retrocedeu 1,03%, a 4.041 pontos.
Em Seul, o índice Kospi teve desvalorização de 1,24%, a 5.937 pontos.. Em Taiwan, o índice Taiex registrou baixa de 1,42%, a 46.368 pontos.
Em Singapura, o índice Strait Times valorizou-se 0,05%, a 5.400 pontos. Em Sydney o índice S&P/ASX 200 avançou 0,50%, a 8.891 pontos.
A Ambev teve lucro líquido de R$ 4,37 bilhões no terceiro trimestre, de R$ 4,86 bilhões um ano antes, refletindo a ausência de efeitos tributários não recorrentes registrados em 2025, além de impactos relacionados ao desinvestimento em Barbados, divulgou a cervejaria nesta quinta-feira.
Em termos ajustados, o lucro líquido cresceu mais de 14% para R$ 4,4 bilhões. Estimativas de analistas compiladas pela LSEG apontavam resultado positivo de R$ 3,9 bilhões.
O balanço da dona de marcas como Budweiser e Skol mostrou também expansão orgânica de 8,9% no Ebitda ajustado, para R$7,27 bilhões.
A margem cresceu 0,4 ponto percentual nessa métrica, enquanto a receita líquida orgânica consolidada cresceu 7,6% em relação ao mesmo período do ano passado, com aumento de 6,8% da receita líquida por hectolitro (ROL/hl).
No Brasil, a Ambev destacou que o segmento Premium segue como um dos principais motores de crescimento.
“Sustentado por um portfólio cada vez mais forte e chegando em diferentes ocasiões de consumo, o segmento apresentou crescimento de 19% em volume no trimestre, contribuindo para a consolidação da liderança da companhia na categoria”, afirmou a cervejaria em documento com os números do resultado.
O portfólio “Wellness”, que reúne cervejas sem glúten, com menos calorias e com baixo ou zero teor alcoólico, apurou um salto de 157% em volume no trimestre, segundo a Ambev, impulsionado por marcas como Michelob Ultra (+478%) e Stella Pure Gold (+195%). O Zero Álcool cresceu 43% no trimestre.
Para 2026, a Ambev reiterou sua previsão de aumento anual entre 4,5% e 7,5% no custo dos produtos vendidos por hectolitro (CPV/hl) em cerveja.
O grupo destacou que já realizou o hedge de exposição ao real/dólar para todo o ano de 2027.
O conselho de administração da Ambev também aprovou um programa de recompra de até 190 milhões de ações com o objetivo principal de cancelamento das referidas ações. O programa se encerrará até 28 de abril de 2028.
As perspectivas para as exportações brasileiras de carne de frango seguem favoráveis apesar de um terceiro registro de Doença de Newcastle em Santa Catarina, considerando que os focos estão todos em uma mesma área e desde que o problema não se espalhe para outras regiões, avaliou um especialista do Rabobank nesta quarta-feira.
Na véspera, o Ministério da Agricultura reportou o terceiro caso da doença viral altamente contagiosa entre aves de Santa Catarina, segundo maior produtor de carne de frango do Brasil, maior exportador global do produto.
As três cidades com registro da doença — Nova Itaberaba, Coronel Freitas e Nova Erechim — em granjas de perus estão situadas dentro de um raio de aproximadamente 20 km, destacou o Rabobank, citando que importantes importadores declaram embargos a importações somente da região atingida, o que minimiza impactos para as exportações do país.
“Na minha avaliação, as perspectivas permanecem otimistas, uma vez que os acordos de regionalização devem evitar interrupções significativas nos embarques”, disse o especialista Wagner Yanaguizawa, em avaliação do banco compartilhada com a Reuters.
Ele comentou que os dados preliminares de exportação de outubro, referentes às quatro primeiras semanas, indicam que os embarques diários médios cresceram 15% em relação ao mesmo período do ano anterior, apesar de o setor estar lidando com a situação desde 18 de outubro, data de detecção do primeiro foco. Desde então, surgiram anúncios de embargos ao produto do país.
“As exportações podem enfrentar certa pressão inicial, mas é improvável que isso persista por muito tempo, desde que não surjam novos casos em áreas mais distantes do foco inicial”, acrescentou Yanaguizawa.
O especialista notou ainda que o sistema preventivo brasileiro dá mostras de que está funcionando bem, já que a detecção do vírus aconteceu antes do surgimento de sintomas nas aves, por meio de um monitoramento ativo.
“Após a confirmação do primeiro caso, em 18 de outubro, o segundo e o terceiro focos foram identificados por meio de uma vigilância intensificada, e não pelo surgimento de sinais clínicos evidentes da doença”, declarou.
Até o momento, apenas o México e a Malásia impuseram proibições em nível nacional ao frango do Brasil, enquanto China, Chile, Rússia restringiram as compras apenas do Estado de Santa Catarina, segundo Rabobank, com base em dados do governo.
Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Japão, Coreia do Sul, Filipinas, Reino Unido, Argentina, África do Sul, Egito, Canadá, Turquia e Vietnã estão entre os mercados mais relevantes que aceitaram a regionalização em nível municipal, destacou.
O setor normalmente utiliza a estratégia de redirecionar seus embarques a partir de áreas não incluídas nos embargos sanitários, o que minimiza perdas.
Após um início de sessão relativamente calmo, as taxas dos DIs de longo prazo ganharam força no fim da manhã desta quarta-feira (28) e se firmaram em alta, na esteira da aceleração dos rendimentos dos Treasuries no exterior e do noticiário político brasileiro.
Profissionais ouvidos pela Reuters afirmaram que a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seus desdobramentos, incluindo a fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL) para os EUA, mantiveram o mercado sensível e sujeito à volatilidade.
No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 14,385%, praticamente estável ante o ajuste de 14,381% da véspera. Já a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 15,12%, com alta de 21 pontos-base ante 14,907%.
Na segunda-feira as taxas dispararam mais de 250 pontos-base em alguns vencimentos, com os agentes reagindo negativamente à vitória de Lula sobre Flávio, o favorito da Faria Lima, na disputa eleitoral. Por trás do movimento está o receio de que, com Lula no Planalto, haja mais dificuldades para o equilíbrio das contas públicas.
Na terça-feira houve certo ajuste de baixa, com as taxas cedendo aproximadamente entre 30 e 40 pontos-base ao longo da curva.
Nesta quarta-feira as taxas alternaram altas e baixas mais cedo, mas no fim da manhã ganharam um impulso do avanço dos Treasuries antes da decisão sobre juros do Fed (Federal Reserve).
Operador ouvido pela Reuters afirmou que o mercado também pressionava para que o Tesouro Nacional promovesse nova operação de recompra de títulos, assim como ocorreu na segunda e na terça-feira, para segurar as taxas. No entanto, o Tesouro ficou fora dos negócios.
Ao mesmo tempo, as atenções seguiram voltadas para a fuga de Flávio para os EUA. O avião que transportava o senador e sua família chegou pela manhã em Miami.
Investigado em inquéritos no STF (Supremo Tribunal Federal), Flávio descumpriu a ordem para entregar seus passaportes e saiu do país dois dias depois de perder a eleição para Lula.
Profissionais ouvidos pela Reuters ao longo do dia citaram a preocupação de que a fuga de Flávio possa aprofundar os atritos entre Brasil e EUA, impactando a economia brasileira – incluindo o câmbio e as taxas de juros.
À tarde, o Federal Reserve anunciou a manutenção de sua taxa de juros na faixa de 3,75% a 4,00%, como era largamente esperado, com o Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto) dizendo que aguardará a coleta de mais informações para decidir o rumo da política monetária dos EUA.
Os rendimentos dos Treasuries demonstraram volatilidade após a decisão do Fed e durante a entrevista coletiva do chair da instituição, Kevin Warsh, enquanto no Brasil as taxas dos DIs se mantiveram em alta.
Após a máxima de 15,310% (+40 pontos-base) às 11h41, em meio ao noticiário sobre a fuga de Flávio, a taxa do DI para janeiro de 2035 fechou a sessão regular em 15,12%, já após a decisão do Fed.
No exterior, às 16h35 o rendimento do Treasury de dez anos – referência global para decisões de investimento – subia 5 pontos-base, a 5,04%.
O setor de soja do Brasil teme que as novas regulamentações da União Europeia contra o desmatamento (EUDR) possam reduzir as exportações de farelo de soja para o bloco, abrindo espaço para a Argentina, fornecedora concorrente, que afirma estar em melhor posição para cumprir as novas regras.
O Brasil é o maior fornecedor de farelo de soja para ração animal da UE, respondendo por cerca de metade das importações do bloco no ano passado, segundo dados da Federação Europeia de Fabricantes de Ração (FEFAC). O Brasil exportou um volume recorde de 23,3 milhões de toneladas métricas de farelo de soja em 2025.
A partir de 30 de dezembro, o EUDR exigirá que os importadores comprovem que seus produtos não estão vinculados a terras desmatadas, com penalidades significativas em caso de descumprimento.
No Brasil, extensas áreas agrícolas nos Estados do centro e do nordeste do país foram desenvolvidas em ecossistemas desmatados nas últimas décadas, enquanto as principais áreas agrícolas da Argentina estão espalhadas pelas vastas planícies dos Pampas, onde os agricultores produzem há mais de um século.
O EUDR está causando alarme no setor agrícola brasileiro, com a FEFAC alertando que os requisitos de rastreabilidade previstos nas regras poderiam excluir até 4 milhões de toneladas de farelo de soja, cerca de 17% do total das exportações.
De acordo com o último relatório da FEFAC sobre como as regras contra o desmatamento podem impactar as cadeias de abastecimento, o Brasil recebeu uma recomendação de risco “médio”, com o Estado do Mato Grosso, na região Centro-Oeste, e outros enfrentando “obstáculos estruturais e logísticos” que poderiam restringir a expansão de cadeias de abastecimento totalmente em conformidade com a EUDR.
Dante Romano, gerente de pesquisa da corretora de grãos Max Agro, com sede em Rosário, explicou que os agricultores da região central do Brasil estão a mais de 2.000 quilômetros de distância dos portos marítimos e, muitas vezes, precisam alternar entre caminhões, barcaças e trens para levar seus grãos até os terminais de exportação, o que dificulta o rastreamento das cadeias de abastecimento.
As principais áreas de produção de soja da Argentina ficam a não mais de 350 quilômetros do centro portuário de Rosário, o que torna a rastreabilidade consideravelmente mais fácil e mais barata.
Para o presidente da associação de produtores de soja do Brasil (Aprosoja), Maurício Buffon, a legislação afeta injustamente o Brasil. Ele afirmou que esforços de restauração ambiental estão em andamento em algumas regiões, mesmo enquanto novas áreas de cultivo estão sendo desenvolvidas.
“Os problemas ambientais do Brasil são muito menores do que a dimensão da nossa agricultura”, disse o presidente da Aprosoja.
A EUDR entrará em vigor poucos dias antes de Luiz Inácio Lula da Silva assumir um novo mandato como presidente do Brasil, após derrotar o candidato de direita Flávio Bolsonaro, que havia afirmado que liberaria a produção das “barreiras ambientais” e permitiria que os agricultores fizessem “o que bem entendessem” em suas terras.
“A ARGENTINA ESTÁ PRONTA”
Mais ao sul, a poderosa indústria argentina de processamento de soja está se posicionando para se beneficiar de qualquer dificuldade enfrentada pelos exportadores brasileiros no cumprimento das regras mais rígidas da UE.
“Podemos facilmente preencher essa lacuna”, disse Gustavo Idigoras, presidente da CIARA-CEC, câmara argentina de exportadores e processadores de grãos, referindo-se às possíveis perdas de exportação no Brasil, que ele estimou entre 5 milhões e 6 milhões de toneladas.
“A Argentina está pronta”, disse Idigoras, destacando o sistema de rastreabilidade VISEC do país, que acompanha a soja e a carne bovina desde a produção até a exportação e já está em pleno funcionamento.
Em sua mais recente avaliação de risco, a FEFAC atribuiu à Argentina uma recomendação de risco “baixa” para interrupções no abastecimento relacionadas ao EUDR, projetando que quase toda a safra de farelo de soja do país no primeiro semestre de 2027 atenderia aos requisitos.
Romano disse que a Argentina poderia aproveitar eventuais déficits nos embarques brasileiros. Ao mesmo tempo, afirmou ele, o Brasil pode buscar expandir as vendas para mercados alternativos, à medida que os exportadores argentinos desviam mais volumes para atender à demanda europeia.
A Argentina é a maior exportadora mundial de farelo de soja, tendo exportado cerca de 27 milhões de toneladas métricas no ano passado, das quais aproximadamente um quarto foi destinado ao Sudeste Asiático.
Os ajustes ocorrem em um momento delicado nas relações entre a UE e o Mercosul, depois que o bloco e o grupo comercial sul-americano chegaram a um acordo provisório de livre comércio em maio, após décadas de negociações.
A Argentina e o Brasil são membros do Mercosul, juntamente com o Uruguai e o Paraguai, outro importante fornecedor de soja para a indústria de esmagamento da Argentina.
A Câmara de Moagem de Grãos do Paraguai (CAPPRO) afirmou que o país possui “condições estruturais favoráveis” para atender aos requisitos europeus. Na região Oriental, onde é cultivada a maior parte da soja, uma lei aprovada em 2004 proíbe o desmatamento para uso agrícola.
Assim como a Argentina, o Paraguai recebeu uma recomendação de baixo risco da FEFAC.
(Reportagem de Maximilian Heath, em Buenos Aires, e Oliver Griffin, em São Paulo; reportagem adicional de Daniela Desantis, em Assunção)
A Rússia, maior exportadora mundial de trigo, recorreu pela primeira vez a uma rota marítima do Ártico, utilizada durante a Segunda Guerra Mundial, para exportar grãos, já que o conflito na Ucrânia paralisou o comércio no Mar Negro e as autoridades alertam para os riscos no Mar Báltico, controlado pela Otan.
A Rússia e a Ucrânia vêm atacando os portos e navios uma da outra desde o início da nova safra de grãos, em julho, paralisando o comércio agrícola do Mar Negro, outrora em franca expansão.
A Rússia, empenhada em manter seus principais clientes de grãos no Oriente Médio e na Ásia, buscou redirecionar as exportações para portos do Mar Báltico, subsidiando o transporte ferroviário a partir das férteis regiões do sul, mas também de olho nas oportunidades no Ártico.
O Porto Comercial de Murmansk e a Demetra Holding, uma das maiores empresas comerciais do país, informaram nesta quarta-feira que o primeiro carregamento de 3.400 toneladas métricas de grãos proveniente de “importantes regiões agrícolas” está sendo embarcado em um navio.
Murmansk, localizada a quase 2.000 km (1.240 milhas) ao norte de Moscou, perto da fronteira com a Noruega, pode ser acessada por águas neutras. Comboios aliados utilizaram o porto durante a Segunda Guerra Mundial para entregar mercadorias à União Soviética.
“Em um momento em que as rotas tradicionais de exportação enfrentam restrições, o Porto Comercial de Murmansk está abrindo rapidamente uma rota alternativa para os mercados externos para os agricultores russos”, afirmou o porto.
RISCOS NO MAR BÁLTICO
De acordo com dados de transporte marítimo e uma fonte do mercado, cerca de 28.000 toneladas métricas de trigo devem ser carregadas em Murmansk em um navio com destino ao porto de Casablanca, no Marrocos.
A Rússia redirecionou seu comércio principalmente para os portos do Mar Báltico, que movimentaram 1,2 milhão de toneladas em setembro, representando mais de 60% de todas as exportações marítimas de grãos. As empresas vêm adaptando terminais de fertilizantes e carvão para movimentar grãos.
Algumas autoridades do Kremlin alertaram para os riscos decorrentes de possíveis ações hostis por parte de países europeus membros da Otan na região. Todos os países com acesso ao Mar Báltico, exceto a Rússia, são membros da Otan.
As relações da Rússia com a Europa se deterioraram nos últimos meses, à medida que o Kremlin acusou os países europeus de envolvimento militar direto no conflito na Ucrânia.
Os governos europeus rejeitaram as acusações russas de que estariam diretamente envolvidos, afirmando que seu apoio militar e financeiro à Ucrânia tem como objetivo ajudar Kiev a se defender.
A Turquia, importadora de grãos da Rússia, liderou os esforços para estabelecer um cessar-fogo e retomar os embarques no Mar Negro, mas a Rússia afirmou que não está mais interessada em um novo acordo sobre grãos do Mar Negro.
A Turquia e as Nações Unidas ajudaram a mediar a Iniciativa dos Grãos do Mar Negro, que foi acordada em julho de 2022 para permitir a exportação segura de grãos ucranianos pelo Mar Negro.
A Rússia se retirou do acordo em 2023, alegando que suas próprias exportações de alimentos e fertilizantes enfrentavam obstáculos.