Quando esperar custa caro: como a falta de informação e de acesso agrava problemas de saúde bucal
Uma dor de dente pode começar pequena. Um incômodo ao beber algo gelado, uma sensibilidade durante a mastigação ou um sangramento na gengiva podem parecer problemas que podem esperar.
Para quem tem medo do dentista, não consegue uma consulta ou não sabe a gravidade do que está acontecendo, adiar o atendimento pode parecer a alternativa mais fácil. O problema é que a causa da dor continua presente e, dependendo da situação, pode evoluir.
Uma cárie pode se aprofundar, uma infecção pode se agravar e uma alteração identificada em uma consulta preventiva pode chegar ao consultório em estágio mais avançado. Em alguns casos, a demora resulta em procedimentos mais invasivos e recuperação mais difícil.
A dor de dente representa um problema de saúde pública no país. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde Bucal SB Brasil 2023, do Ministério da Saúde, 23,21% dos brasileiros entre 35 e 44 anos relataram ter sentido dor de dente nos seis meses anteriores à entrevista. Em Fortaleza, o percentual chegou a 40,72%.
Em Pernambuco, dados da Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) mostram o volume de atendimentos odontológicos realizados na rede pública. Entre 2022 e julho de 2026, as equipes de Saúde Bucal realizaram 4.049.152 primeiras consultas odontológicas e 5.430.521 consultas de retorno, além de 624.406 consultas de manutenção.
Na média e alta complexidade, foram 1.637.867 consultas eletivas realizadas por cirurgiões-dentistas entre 2022 e junho de 2026. No mesmo período, a rede estadual registrou 711.151 consultas de urgência em odontologia. Já na Atenção Primária, sob gestão municipal, foram 256.345 atendimentos de urgência por demanda espontânea entre 2022 e 2026.
Os números mostram a dimensão da assistência odontológica na rede pública e a presença da demanda por urgência. Para especialistas, evitar que problemas inicialmente simples cheguem a esse estágio depende de informação, prevenção e acesso oportuno ao tratamento.
Quando a dor deixa de ser apenas um incômodo
A cirurgiã-dentista Anna Beatriz Braga, especialista em Odontologia para Pacientes com Necessidades Especiais e profissional do Centro de Especialidades Odontológicas (CEO), explica que a dor na boca pode ter diferentes origens. Ela pode estar relacionada ao próprio dente, aos tecidos que o sustentam ou até a causas neurológicas.
Entre os problemas odontológicos que provocam dor estão cáries, doenças gengivais, abscessos periodontais e pericoronarite, uma inflamação que pode ocorrer durante o nascimento de um terceiro molar.
“Tudo que tem inflamação tem dor. São os sinais básicos da inflamação. Calor, rubor, tumor e dor”, explica.
O problema é que a dor pode ser o resultado de um processo que já avançou. Uma cárie inicialmente pequena, por exemplo, pode atingir a região interna do dente, onde estão os vasos sanguíneos e os nervos.
“Quanto antes você for (para o dentista), melhor, porque uma cavidade pequena é muito fácil de limpar e fechar. Muitas vezes, a pessoa não vem porque tem medo. E, quando ela vai adiando, começa a provocar dor. Só que ela começa a provocar uma dor suportável”, afirma Anna Beatriz.
Quando a inflamação chega à parte interna do dente, a dor pode se tornar intensa. Nesses casos, medicamentos podem ajudar no controle dos sintomas quando indicados, mas não substituem o tratamento da causa.
“Não vai ter remédio oral que vá conseguir amenizar essa dor”, diz a dentista.
A dentista Thamiris Vieira reforça que a dor não deve ser interpretada automaticamente como um problema específico.
“A dor de dente pode ter diversas causas. Assim que você sentir uma dor ou algum incômodo, qualquer primeiro sinal, o ideal é procurar o dentista”, orienta.
Segundo ela, uma dor pode estar relacionada a uma fratura, cárie ou infecção. Por isso, somente a avaliação profissional pode identificar a origem do problema.
O que pode acontecer quando o atendimento é adiado
Nem todo problema odontológico evolui para uma situação grave. A evolução depende da causa e das condições de cada paciente. Mas, quando o tratamento é adiado, a causa da dor pode continuar avançando.
“Muitas vezes você está com a cárie e começa a ter aquele incômodo quando come um doce, gelado e aí você não procura o dentista e pode evoluir para um canal, por exemplo”, explica Thamiris.
“O maior risco para essa situação é permitir a evolução desse problema, que muitas vezes começa com uma cárie simples que uma restauração pequena pode resolver. Mas quando a gente permite que o tempo passe, a cárie pode evoluir, chegar até a causar um canal, pode causar um problema maior na estrutura do dente, pode existir uma fratura e até mesmo precisar fazer uma extração”, afirma.
Para ela, o agravamento também pode mudar completamente a experiência do paciente. Ela explica que, quando uma inflamação atinge a parte interna do dente, o aumento da pressão naquela região pode provocar uma dor intensa. Em determinadas situações, o tratamento precisa envolver a abertura do dente para limpeza e medicação ou outros procedimentos, conforme a avaliação profissional.
A especialista também chama atenção para o risco de infecções se disseminarem. Segundo ela, uma infecção de origem odontológica pode, em determinadas circunstâncias, alcançar outras partes do organismo.
A vice-presidente do Conselho Regional de Odontologia de Pernambuco (CRO-PE), Dra. Fabiana Motta, também alerta para as consequências da demora no atendimento. Segundo ela, uma cárie não tratada pode evoluir para comprometimento da polpa dentária, infecção, abscesso e necessidade de tratamento de canal ou extração. As doenças periodontais, que afetam os tecidos de sustentação dos dentes, também podem progredir e comprometer a função mastigatória e a qualidade de vida.
Quando não consegue atendimento no momento adequado, o paciente pode deixar de procurar a Atenção Primária e chegar diretamente aos serviços de urgência, já com dor intensa, infecção ou perda de estrutura dentária.
Fabiana, que também é dentista e professora, ressalta que a demora no acesso também está relacionada a um problema histórico da assistência odontológica no país: a extração dentária como resposta a problemas que poderiam ter sido tratados anteriormente. A Política Nacional de Saúde Bucal busca superar esse modelo, ampliando o acesso à prevenção, ao tratamento e à recuperação da saúde bucal.

O medo e as barreiras de acesso
A dificuldade para conseguir atendimento não depende apenas da existência de vagas. O medo do dentista, os custos e a incompatibilidade de horários também podem levar o paciente a adiar a consulta.
Anna Beatriz afirma que acompanha pacientes que chegam ao atendimento depois de conviver por algum tempo com sintomas que poderiam ter sido investigados anteriormente.
Para pacientes com necessidades especiais, as barreiras podem ser ainda maiores. Especialista em Odontologia para Pacientes com Necessidades Especiais (OPNE), Anna trabalha com pessoas que apresentam diferentes condições que podem exigir adaptações durante o atendimento, como dificuldades de locomoção ou limitações para colaborar com determinados procedimentos.
Nesses casos, a consulta pode demandar mais tempo, planejamento e estrutura. A dentista explica que, enquanto um atendimento convencional pode permitir uma quantidade maior de pacientes por turno, pacientes com necessidades especiais podem exigir um tempo maior de permanência no consultório.
Thamiris também identifica o medo como uma das barreiras que podem afastar uma pessoa do atendimento, mas ressalta que existem obstáculos concretos.
“A dificuldade de acesso é uma questão muito importante e pode ter diversos fatores, como custo de atendimento, a dificuldade de conseguir uma consulta, profissionais com disponibilidade para aquele horário ali, compatível por conta do trabalho, a distância, até mesmo o medo do dentista”, explica.
A avaliação do CRO-PE amplia a discussão para as desigualdades na oferta de serviços entre municípios e regiões do Estado. Para Fabiana, o acesso depende não apenas da presença de cirurgiões-dentistas na Atenção Primária, mas também de uma rede capaz de garantir a continuidade do cuidado.
Segundo a vice-presidente, dificuldades na oferta de atendimento especializado, fragilidades nos serviços de urgência e obstáculos à interiorização da assistência comprometem o acesso. A distribuição dos profissionais e o financiamento também influenciam a capacidade de atendimento.
Quando o remédio mascara o problema
Enquanto não consegue atendimento ou decide esperar, uma pessoa com dor pode recorrer à automedicação.
“Muitas pessoas quando encontram dificuldade para conseguir um atendimento acabam recorrendo à automedicação para conseguir trabalhar, dormir e aguentar essa dor de dente que realmente é bem incômoda”, diz Thamiris.
O medicamento pode aliviar temporariamente o sintoma, mas não necessariamente elimina a causa.
“Muitas vezes é um remédio que pode até passar aquela dor específica, mas como não vai existir o tratamento correto, aquela dor pode passar, mas o problema pode evoluir”, explica.
Anna Beatriz também alerta para o uso inadequado de medicamentos. Segundo ela, anti-inflamatórios podem apresentar riscos quando utilizados sem orientação e o uso de medicamentos não substitui o tratamento odontológico necessário.
A dentista destaca que o antibiótico, quando indicado, atua contra bactérias, mas não substitui procedimentos necessários para eliminar a origem de uma infecção dentro do dente.
Por isso, a melhora temporária não deve ser confundida com a resolução do problema.
Sinais que não devem ser ignorados
Nem toda alteração na boca provoca uma dor intensa. Por isso, esperar sentir uma dor insuportável para procurar atendimento pode fazer com que outros sinais importantes sejam ignorados. Um deles é o sangramento gengival.
“Eu digo até que ‘que bom que sangrou!’ Porque é uma forma da pessoa se tocar que tem que vir fazer a higiene dos dentes”, afirma Anna Beatriz.
Já Thamiris orienta que as pessoas observem a própria boca e procurem avaliação diante de alterações persistentes.
“Sangramento de gengiva, sensibilidade que não melhora, fratura, inchaço, alteração de cor ou feridas que não cicatrizam na nossa boca”, lista.
Entre os sinais que merecem atenção estão feridas na boca que não cicatrizam. Segundo o Ministério da Saúde, lesões na cavidade oral ou nos lábios que permanecem por mais de 15 dias, manchas vermelhas ou brancas, caroços e outras alterações devem ser avaliados por um profissional de saúde.
O exame odontológico, portanto, não se limita à avaliação de dentes doloridos. O cirurgião-dentista também pode identificar alterações que precisam de investigação.
Fabiana reforça que a prevenção depende também de melhorar a comunicação com a população, para que as pessoas reconheçam sinais que precisam de avaliação profissional. Entre eles estão sangramentos gengivais, alterações de cor, feridas que não cicatrizam e sensibilidade persistente.
O acesso também depende da estrutura
A dificuldade para conseguir atendimento não está necessariamente ligada apenas ao número de profissionais disponíveis. O atendimento odontológico depende de uma estrutura específica para funcionar.
Anna Beatriz explica que equipamentos quebrados, falta de manutenção e problemas estruturais podem interromper o atendimento.
“Para o dentista atuar, ele precisa de toda a estrutura funcionando”, afirma.
Segundo ela, a consulta odontológica exige equipamentos específicos, como cadeira odontológica, compressor, sugador e, quando necessário, equipamentos de radiografia, além de materiais e condições adequadas de biossegurança.
A estrutura da rede pública também prevê diferentes níveis de atenção. A Atenção Primária à Saúde (APS) funciona como porta de entrada para o cuidado odontológico e pode encaminhar o paciente para serviços especializados quando o caso exige. Entre eles estão os Centros de Especialidades Odontológicas. Em situações que demandam cuidados ainda mais complexos, o fluxo pode chegar à atenção hospitalar.
Para Fabiana, a integração entre esses níveis é um dos principais desafios da assistência odontológica.
“A Atenção Primária deve ser a porta de entrada e responsável pelo acompanhamento longitudinal. Quando o paciente precisa de endodontia, periodontia especializada, cirurgia, estomatologia, atendimento a pessoas com deficiência ou reabilitação protética, ele precisa conseguir avançar para a atenção especializada sem enfrentar uma espera”, afirma.
Segundo ela, ainda existem diferenças importantes na oferta de serviços entre as regiões do Estado. O conselho defende a interiorização da assistência e o cofinanciamento estadual da saúde bucal para ampliar o atendimento e reduzir as desigualdades regionais.
Fabiana ressalta que a existência de unidades especializadas não significa necessariamente que a população consiga atendimento no tempo adequado ou perto de onde mora. A distância entre os serviços e a dificuldade de encaminhamento podem comprometer a continuidade do tratamento.
Para pacientes com necessidades especiais, esse percurso pode ser ainda mais complexo.
Anna Beatriz relata, por exemplo, o caso de uma paciente de 96 anos que chegou ao serviço em uma cadeira de rodas e apresentava restos radiculares que precisavam ser removidos. A condição física tornou necessário o encaminhamento para atendimento hospitalar.
“Não é fácil encaminhar (o paciente) para o hospital, para o nível terciário, o acesso é mais reduzido, mas a gente tem esse caminho ainda se construindo”, relata.
O Ministério da Saúde prevê atendimento especializado para pessoas com deficiência e outras necessidades específicas dentro da Rede de Atenção à Saúde Bucal, incluindo a possibilidade de atendimento hospitalar quando necessário.
O caminho do SUS para quem precisa de atendimento
Para quem depende da rede pública, a porta de entrada para o atendimento odontológico é a Atenção Primária, por meio das equipes de Saúde Bucal nas Unidades Básicas de Saúde e Unidades de Saúde da Família. Quando o caso exige atendimento especializado, o paciente pode ser encaminhado para um Centro de Especialidades Odontológicas ou outro serviço da rede.
Apesar dessa organização, a continuidade do cuidado depende da disponibilidade dos serviços e do funcionamento dos encaminhamentos. Na avaliação do CRO-PE, as diferenças na oferta de assistência entre os municípios e as regiões dificultam o acesso a tratamentos especializados, principalmente para quem mora no interior.
Entre as prioridades defendidas pelo conselho estão a ampliação e a regionalização dos serviços, para evitar que pacientes precisem percorrer grandes distâncias em busca de atendimento. A entidade também reivindica maior participação do Estado no financiamento da saúde bucal, reduzindo a sobrecarga dos municípios.
No atendimento odontológico regulado sob responsabilidade estadual, o Hospital Geral de Areias (HGA) tem uma projeção de três meses para atender a demanda atual e zerar a lista da unidade, segundo a SES-PE.
Já os indicadores de acesso utilizados pelo Ministério da Saúde consideram a primeira consulta odontológica programada como uma medida para avaliar o acesso da população ao atendimento realizado pelas equipes de Saúde Bucal na Atenção Primária.
No primeiro quadrimestre de 2026, a Macrorregião de Saúde I tinha 707 equipes de Saúde Bucal, ou 63,24%, classificadas com o conceito “Ótimo”. Na Macrorregião II, eram 360 equipes, equivalentes a 65,81%. Na III, 203 equipes, ou 67,66%. Já a Macrorregião IV apresentava o maior percentual, com 181 equipes, ou 73,28%, classificadas como “Ótimo”, segundo os dados fornecidos pela SES-PE.
Para Fabiana, os indicadores precisam ser acompanhados de medidas que garantam não apenas a realização de consultas, mas a conclusão dos tratamentos e o acesso a procedimentos preventivos. O objetivo, segundo ela, deve ser avaliar a capacidade de a rede oferecer atendimento resolutivo e contínuo.
Duas experiências com o atendimento
A experiência da estudante universitária Bianca Barroso Rodrigues, de 37 anos, mostra como um problema odontológico pode se agravar. Ela percebeu que havia algo errado quando um terceiro molar quebrou e deixou a raiz causando incômodo.
“Comecei a mastigar mal, sentindo dores, até que fiquei com um abscesso e não consegui nem me mexer de tanta dor”, conta.
Inicialmente, Bianca tentou aliviar os sintomas por conta própria. Depois que melhorou, procurou marcar atendimento odontológico no posto de saúde próximo de casa, por meio do Conecta Recife, mas não encontrou vaga.
Foi então que recebeu do agente comunitário de saúde a orientação de procurar o acolhimento odontológico.
“Foi ótimo o acolhimento. Ela me encaminhou para fazer um raio-X para poder extrair o dente”, relata.
Apesar da dificuldade para conseguir uma consulta programada, Bianca foi atendida no mesmo dia em que procurou o serviço por meio do acolhimento. Sua experiência mostra que o caminho até a assistência pode variar conforme a situação do paciente e o serviço procurado.
Já para a professora Maria da Conceição da Silva, de 51 anos, as consequências da perda de dentes apareceram na autoestima, na mastigação e no bem-estar.
“Senti muitas dores de cabeça, estalo na mandíbula e dificuldade para mastigar”, relata.
Conceição conta que procurou atendimento na rede pública, mas passou por diferentes unidades sem conseguir resolver o problema. Segundo ela, foram mais de três meses tentando conseguir atendimento. O receio de enfrentar filas durante a madrugada e continuar sem encaminhamento também contribuiu para que desistisse de procurar o serviço público.
“Conviver com uma dor de dente é triste, dolorido e desesperador”, afirma.
Quando não conseguiu mais esperar, procurou um dentista particular para evitar perder outro dente. Conceição também relaciona parte de sua história à falta de recursos financeiros. Segundo ela, a perda dentária aconteceu antes de se formar em Pedagogia e de adquirir, com os estudos, mais conhecimento sobre prevenção.
A experiência fez com que passasse a defender maior fiscalização dos serviços odontológicos públicos e mais estrutura para o atendimento.

A prevenção começa antes da dor
Para as profissionais entrevistadas, a melhor maneira de evitar que um problema chegue à urgência é não esperar a dor aparecer para procurar atendimento. Thamiris destaca que a prevenção começa nos hábitos cotidianos.
“É importante entender que a prevenção começa no dia a dia. Começa com a escovação, o fio dental. O uso de creme dental com flúor é muito importante. A alimentação é equilibrada e acompanhamento odontológico tem que ser feito a cada seis meses”, orienta.
Anna Beatriz também considera a educação em saúde uma ferramenta fundamental para prevenir problemas e incentivar a procura por atendimento.
“Para mim, a palavra-chave é educação em saúde oral, ensinar como fazer, por que fazer”, afirma.
Segundo ela, essa orientação deve começar na infância e explicar não apenas o que fazer, mas por que aquele cuidado é necessário.
“Eu sempre pego uma criança, eu faço o que tem que ser feito, eu digo: daqui a seis meses volte”, conta.
Fabiana também defende que a prevenção seja incorporada à rotina dos serviços de saúde. Entre as medidas apontadas por ela estão a presença mais efetiva da saúde bucal nas escolas, o acompanhamento odontológico regular, o fortalecimento do pré-natal odontológico e a integração da Odontologia com outras áreas da Atenção Primária.
Para a dentista, as ações educativas precisam alcançar diferentes grupos da população, especialmente crianças, gestantes, idosos e pessoas em situação de vulnerabilidade social.
A Política Nacional de Saúde Bucal prevê ações de promoção e prevenção, incluindo educação em higiene oral, escovação supervisionada e aplicação de flúor, além de tratamentos odontológicos na Atenção Primária.
O acompanhamento periódico também permite que alterações sejam identificadas antes que provoquem sintomas mais intensos.
“Sempre que uma criança chega aqui, eu faço o que tem que ser feito e digo: daqui a seis meses volte!”, conta Anna Beatriz.
Informação também é cuidado
A saúde bucal não deve ser tratada como uma questão isolada do restante do organismo. A própria Política Nacional de Saúde Bucal estabelece a saúde bucal como parte do direito à saúde e organiza ações de promoção, prevenção, recuperação e reabilitação.
“A boca faz parte do nosso corpo, faz parte da saúde”, afirma Anna Beatriz.
Por isso, o acompanhamento odontológico não serve apenas para tratar os dentes que já apresentam dor. Também permite identificar alterações que precisam de investigação e orientar o paciente sobre formas de prevenção.
Para Thamiris, conhecer a própria boca também ajuda a perceber quando algo mudou.
“Conheçam sua boca, olhem, se auto examine. Qualquer sinal, sintoma que você vai ter, você já vai perceber que algo não está normal”, orienta.
Além da educação em saúde, a redução da demora no atendimento depende de mudanças na organização e no financiamento da rede. Entre as prioridades apontadas pelo CRO-PE estão o fortalecimento das equipes de Saúde Bucal na Atenção Primária, a ampliação dos serviços especializados, a interiorização da assistência e a garantia de recursos para o funcionamento dos diferentes níveis de atendimento.
A prevenção, portanto, não começa quando a dor aparece. Quando a informação chega antes e a rede oferece atendimento no tempo adequado, o paciente tem mais condições de reconhecer os sinais, procurar ajuda e evitar que problemas inicialmente simples se tornem mais complexos.
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© Foto: Aisha Vitória


























