❌

Reading view

Quando esperar custa caro: como a falta de informação e de acesso agrava problemas de saúde bucal

Uma dor de dente pode começar pequena. Um incômodo ao beber algo gelado, uma sensibilidade durante a mastigação ou um sangramento na gengiva podem parecer problemas que podem esperar.

Para quem tem medo do dentista, não consegue uma consulta ou não sabe a gravidade do que está acontecendo, adiar o atendimento pode parecer a alternativa mais fácil. O problema é que a causa da dor continua presente e, dependendo da situação, pode evoluir.

Uma cárie pode se aprofundar, uma infecção pode se agravar e uma alteração identificada em uma consulta preventiva pode chegar ao consultório em estágio mais avançado. Em alguns casos, a demora resulta em procedimentos mais invasivos e recuperação mais difícil.

A dor de dente representa um problema de saúde pública no país. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde Bucal SB Brasil 2023, do Ministério da Saúde, 23,21% dos brasileiros entre 35 e 44 anos relataram ter sentido dor de dente nos seis meses anteriores à entrevista. Em Fortaleza, o percentual chegou a 40,72%.

Em Pernambuco, dados da Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) mostram o volume de atendimentos odontológicos realizados na rede pública. Entre 2022 e julho de 2026, as equipes de Saúde Bucal realizaram 4.049.152 primeiras consultas odontológicas e 5.430.521 consultas de retorno, além de 624.406 consultas de manutenção.

Na média e alta complexidade, foram 1.637.867 consultas eletivas realizadas por cirurgiões-dentistas entre 2022 e junho de 2026. No mesmo período, a rede estadual registrou 711.151 consultas de urgência em odontologia. Já na Atenção Primária, sob gestão municipal, foram 256.345 atendimentos de urgência por demanda espontânea entre 2022 e 2026.

Os números mostram a dimensão da assistência odontológica na rede pública e a presença da demanda por urgência. Para especialistas, evitar que problemas inicialmente simples cheguem a esse estágio depende de informação, prevenção e acesso oportuno ao tratamento.

Quando a dor deixa de ser apenas um incômodo

A cirurgiã-dentista Anna Beatriz Braga, especialista em Odontologia para Pacientes com Necessidades Especiais e profissional do Centro de Especialidades Odontológicas (CEO), explica que a dor na boca pode ter diferentes origens. Ela pode estar relacionada ao próprio dente, aos tecidos que o sustentam ou até a causas neurológicas.

Entre os problemas odontológicos que provocam dor estão cáries, doenças gengivais, abscessos periodontais e pericoronarite, uma inflamação que pode ocorrer durante o nascimento de um terceiro molar.

“Tudo que tem inflamação tem dor. São os sinais básicos da inflamação. Calor, rubor, tumor e dor”, explica.

O problema é que a dor pode ser o resultado de um processo que já avançou. Uma cárie inicialmente pequena, por exemplo, pode atingir a região interna do dente, onde estão os vasos sanguíneos e os nervos.

“Quanto antes você for (para o dentista), melhor, porque uma cavidade pequena é muito fácil de limpar e fechar. Muitas vezes, a pessoa não vem porque tem medo. E, quando ela vai adiando, começa a provocar dor. Só que ela começa a provocar uma dor suportável”, afirma Anna Beatriz.

Quando a inflamação chega à parte interna do dente, a dor pode se tornar intensa. Nesses casos, medicamentos podem ajudar no controle dos sintomas quando indicados, mas não substituem o tratamento da causa.

“Não vai ter remédio oral que vá conseguir amenizar essa dor”, diz a dentista.

A dentista Thamiris Vieira reforça que a dor não deve ser interpretada automaticamente como um problema específico.

“A dor de dente pode ter diversas causas. Assim que você sentir uma dor ou algum incômodo, qualquer primeiro sinal, o ideal é procurar o dentista”, orienta.

Segundo ela, uma dor pode estar relacionada a uma fratura, cárie ou infecção. Por isso, somente a avaliação profissional pode identificar a origem do problema.

O que pode acontecer quando o atendimento é adiado

Nem todo problema odontológico evolui para uma situação grave. A evolução depende da causa e das condições de cada paciente. Mas, quando o tratamento é adiado, a causa da dor pode continuar avançando.

“Muitas vezes você está com a cárie e começa a ter aquele incômodo quando come um doce, gelado e aí você não procura o dentista e pode evoluir para um canal, por exemplo”, explica Thamiris.

“O maior risco para essa situação é permitir a evolução desse problema, que muitas vezes começa com uma cárie simples que uma restauração pequena pode resolver. Mas quando a gente permite que o tempo passe, a cárie pode evoluir, chegar até a causar um canal, pode causar um problema maior na estrutura do dente, pode existir uma fratura e até mesmo precisar fazer uma extração”, afirma.

Para ela, o agravamento também pode mudar completamente a experiência do paciente. Ela explica que, quando uma inflamação atinge a parte interna do dente, o aumento da pressão naquela região pode provocar uma dor intensa. Em determinadas situações, o tratamento precisa envolver a abertura do dente para limpeza e medicação ou outros procedimentos, conforme a avaliação profissional.

A especialista também chama atenção para o risco de infecções se disseminarem. Segundo ela, uma infecção de origem odontológica pode, em determinadas circunstâncias, alcançar outras partes do organismo.

A vice-presidente do Conselho Regional de Odontologia de Pernambuco (CRO-PE), Dra. Fabiana Motta, também alerta para as consequências da demora no atendimento. Segundo ela, uma cárie não tratada pode evoluir para comprometimento da polpa dentária, infecção, abscesso e necessidade de tratamento de canal ou extração. As doenças periodontais, que afetam os tecidos de sustentação dos dentes, também podem progredir e comprometer a função mastigatória e a qualidade de vida.

Quando não consegue atendimento no momento adequado, o paciente pode deixar de procurar a Atenção Primária e chegar diretamente aos serviços de urgência, já com dor intensa, infecção ou perda de estrutura dentária.

Fabiana, que também é dentista e professora, ressalta que a demora no acesso também está relacionada a um problema histórico da assistência odontológica no país: a extração dentária como resposta a problemas que poderiam ter sido tratados anteriormente. A Política Nacional de Saúde Bucal busca superar esse modelo, ampliando o acesso à prevenção, ao tratamento e à recuperação da saúde bucal.

Foto: Aisha Vitória
Centro de Saúde Vereador Romildo José Ferreira Gomes, localizada na Imbiribeira - Foto: Aisha Vitória

O medo e as barreiras de acesso

A dificuldade para conseguir atendimento não depende apenas da existência de vagas. O medo do dentista, os custos e a incompatibilidade de horários também podem levar o paciente a adiar a consulta.

Anna Beatriz afirma que acompanha pacientes que chegam ao atendimento depois de conviver por algum tempo com sintomas que poderiam ter sido investigados anteriormente.

Para pacientes com necessidades especiais, as barreiras podem ser ainda maiores. Especialista em Odontologia para Pacientes com Necessidades Especiais (OPNE), Anna trabalha com pessoas que apresentam diferentes condições que podem exigir adaptações durante o atendimento, como dificuldades de locomoção ou limitações para colaborar com determinados procedimentos.

Nesses casos, a consulta pode demandar mais tempo, planejamento e estrutura. A dentista explica que, enquanto um atendimento convencional pode permitir uma quantidade maior de pacientes por turno, pacientes com necessidades especiais podem exigir um tempo maior de permanência no consultório.

Thamiris também identifica o medo como uma das barreiras que podem afastar uma pessoa do atendimento, mas ressalta que existem obstáculos concretos.

“A dificuldade de acesso é uma questão muito importante e pode ter diversos fatores, como custo de atendimento, a dificuldade de conseguir uma consulta, profissionais com disponibilidade para aquele horário ali, compatível por conta do trabalho, a distância, até mesmo o medo do dentista”, explica.

A avaliação do CRO-PE amplia a discussão para as desigualdades na oferta de serviços entre municípios e regiões do Estado. Para Fabiana, o acesso depende não apenas da presença de cirurgiões-dentistas na Atenção Primária, mas também de uma rede capaz de garantir a continuidade do cuidado.

Segundo a vice-presidente, dificuldades na oferta de atendimento especializado, fragilidades nos serviços de urgência e obstáculos à interiorização da assistência comprometem o acesso. A distribuição dos profissionais e o financiamento também influenciam a capacidade de atendimento.

Quando o remédio mascara o problema

Enquanto não consegue atendimento ou decide esperar, uma pessoa com dor pode recorrer à automedicação.

“Muitas pessoas quando encontram dificuldade para conseguir um atendimento acabam recorrendo à automedicação para conseguir trabalhar, dormir e aguentar essa dor de dente que realmente é bem incômoda”, diz Thamiris.

O medicamento pode aliviar temporariamente o sintoma, mas não necessariamente elimina a causa.

“Muitas vezes é um remédio que pode até passar aquela dor específica, mas como não vai existir o tratamento correto, aquela dor pode passar, mas o problema pode evoluir”, explica.

Anna Beatriz também alerta para o uso inadequado de medicamentos. Segundo ela, anti-inflamatórios podem apresentar riscos quando utilizados sem orientação e o uso de medicamentos não substitui o tratamento odontológico necessário.

A dentista destaca que o antibiótico, quando indicado, atua contra bactérias, mas não substitui procedimentos necessários para eliminar a origem de uma infecção dentro do dente.

Por isso, a melhora temporária não deve ser confundida com a resolução do problema.

Sinais que não devem ser ignorados

Nem toda alteração na boca provoca uma dor intensa. Por isso, esperar sentir uma dor insuportável para procurar atendimento pode fazer com que outros sinais importantes sejam ignorados. Um deles é o sangramento gengival.

“Eu digo até que ‘que bom que sangrou!’ Porque é uma forma da pessoa se tocar que tem que vir fazer a higiene dos dentes”, afirma Anna Beatriz.

Já Thamiris orienta que as pessoas observem a própria boca e procurem avaliação diante de alterações persistentes.

“Sangramento de gengiva, sensibilidade que não melhora, fratura, inchaço, alteração de cor ou feridas que não cicatrizam na nossa boca”, lista.

Entre os sinais que merecem atenção estão feridas na boca que não cicatrizam. Segundo o Ministério da Saúde, lesões na cavidade oral ou nos lábios que permanecem por mais de 15 dias, manchas vermelhas ou brancas, caroços e outras alterações devem ser avaliados por um profissional de saúde.

O exame odontológico, portanto, não se limita à avaliação de dentes doloridos. O cirurgião-dentista também pode identificar alterações que precisam de investigação.

Fabiana reforça que a prevenção depende também de melhorar a comunicação com a população, para que as pessoas reconheçam sinais que precisam de avaliação profissional. Entre eles estão sangramentos gengivais, alterações de cor, feridas que não cicatrizam e sensibilidade persistente.

O acesso também depende da estrutura

A dificuldade para conseguir atendimento não está necessariamente ligada apenas ao número de profissionais disponíveis. O atendimento odontológico depende de uma estrutura específica para funcionar.

Anna Beatriz explica que equipamentos quebrados, falta de manutenção e problemas estruturais podem interromper o atendimento.

“Para o dentista atuar, ele precisa de toda a estrutura funcionando”, afirma.

Segundo ela, a consulta odontológica exige equipamentos específicos, como cadeira odontológica, compressor, sugador e, quando necessário, equipamentos de radiografia, além de materiais e condições adequadas de biossegurança.

A estrutura da rede pública também prevê diferentes níveis de atenção. A Atenção Primária à Saúde (APS) funciona como porta de entrada para o cuidado odontológico e pode encaminhar o paciente para serviços especializados quando o caso exige. Entre eles estão os Centros de Especialidades Odontológicas. Em situações que demandam cuidados ainda mais complexos, o fluxo pode chegar à atenção hospitalar.

Para Fabiana, a integração entre esses níveis é um dos principais desafios da assistência odontológica.

“A Atenção Primária deve ser a porta de entrada e responsável pelo acompanhamento longitudinal. Quando o paciente precisa de endodontia, periodontia especializada, cirurgia, estomatologia, atendimento a pessoas com deficiência ou reabilitação protética, ele precisa conseguir avançar para a atenção especializada sem enfrentar uma espera”, afirma.

Segundo ela, ainda existem diferenças importantes na oferta de serviços entre as regiões do Estado. O conselho defende a interiorização da assistência e o cofinanciamento estadual da saúde bucal para ampliar o atendimento e reduzir as desigualdades regionais.

Fabiana ressalta que a existência de unidades especializadas não significa necessariamente que a população consiga atendimento no tempo adequado ou perto de onde mora. A distância entre os serviços e a dificuldade de encaminhamento podem comprometer a continuidade do tratamento.

Para pacientes com necessidades especiais, esse percurso pode ser ainda mais complexo.

Anna Beatriz relata, por exemplo, o caso de uma paciente de 96 anos que chegou ao serviço em uma cadeira de rodas e apresentava restos radiculares que precisavam ser removidos. A condição física tornou necessário o encaminhamento para atendimento hospitalar.

“Não é fácil encaminhar (o paciente) para o hospital, para o nível terciário, o acesso é mais reduzido, mas a gente tem esse caminho ainda se construindo”, relata.

O Ministério da Saúde prevê atendimento especializado para pessoas com deficiência e outras necessidades específicas dentro da Rede de Atenção à Saúde Bucal, incluindo a possibilidade de atendimento hospitalar quando necessário.

O caminho do SUS para quem precisa de atendimento

Para quem depende da rede pública, a porta de entrada para o atendimento odontológico é a Atenção Primária, por meio das equipes de Saúde Bucal nas Unidades Básicas de Saúde e Unidades de Saúde da Família. Quando o caso exige atendimento especializado, o paciente pode ser encaminhado para um Centro de Especialidades Odontológicas ou outro serviço da rede.

Apesar dessa organização, a continuidade do cuidado depende da disponibilidade dos serviços e do funcionamento dos encaminhamentos. Na avaliação do CRO-PE, as diferenças na oferta de assistência entre os municípios e as regiões dificultam o acesso a tratamentos especializados, principalmente para quem mora no interior.

Entre as prioridades defendidas pelo conselho estão a ampliação e a regionalização dos serviços, para evitar que pacientes precisem percorrer grandes distâncias em busca de atendimento. A entidade também reivindica maior participação do Estado no financiamento da saúde bucal, reduzindo a sobrecarga dos municípios.

No atendimento odontológico regulado sob responsabilidade estadual, o Hospital Geral de Areias (HGA) tem uma projeção de três meses para atender a demanda atual e zerar a lista da unidade, segundo a SES-PE.

Já os indicadores de acesso utilizados pelo Ministério da Saúde consideram a primeira consulta odontológica programada como uma medida para avaliar o acesso da população ao atendimento realizado pelas equipes de Saúde Bucal na Atenção Primária.

No primeiro quadrimestre de 2026, a Macrorregião de Saúde I tinha 707 equipes de Saúde Bucal, ou 63,24%, classificadas com o conceito “Ótimo”. Na Macrorregião II, eram 360 equipes, equivalentes a 65,81%. Na III, 203 equipes, ou 67,66%. Já a Macrorregião IV apresentava o maior percentual, com 181 equipes, ou 73,28%, classificadas como “Ótimo”, segundo os dados fornecidos pela SES-PE.

Para Fabiana, os indicadores precisam ser acompanhados de medidas que garantam não apenas a realização de consultas, mas a conclusão dos tratamentos e o acesso a procedimentos preventivos. O objetivo, segundo ela, deve ser avaliar a capacidade de a rede oferecer atendimento resolutivo e contínuo.

Duas experiências com o atendimento

A experiência da estudante universitária Bianca Barroso Rodrigues, de 37 anos, mostra como um problema odontológico pode se agravar. Ela percebeu que havia algo errado quando um terceiro molar quebrou e deixou a raiz causando incômodo.

“Comecei a mastigar mal, sentindo dores, até que fiquei com um abscesso e não consegui nem me mexer de tanta dor”, conta.

Inicialmente, Bianca tentou aliviar os sintomas por conta própria. Depois que melhorou, procurou marcar atendimento odontológico no posto de saúde próximo de casa, por meio do Conecta Recife, mas não encontrou vaga.

Foi então que recebeu do agente comunitário de saúde a orientação de procurar o acolhimento odontológico.

“Foi ótimo o acolhimento. Ela me encaminhou para fazer um raio-X para poder extrair o dente”, relata.

Apesar da dificuldade para conseguir uma consulta programada, Bianca foi atendida no mesmo dia em que procurou o serviço por meio do acolhimento. Sua experiência mostra que o caminho até a assistência pode variar conforme a situação do paciente e o serviço procurado.

Já para a professora Maria da Conceição da Silva, de 51 anos, as consequências da perda de dentes apareceram na autoestima, na mastigação e no bem-estar.

“Senti muitas dores de cabeça, estalo na mandíbula e dificuldade para mastigar”, relata.

Conceição conta que procurou atendimento na rede pública, mas passou por diferentes unidades sem conseguir resolver o problema. Segundo ela, foram mais de três meses tentando conseguir atendimento. O receio de enfrentar filas durante a madrugada e continuar sem encaminhamento também contribuiu para que desistisse de procurar o serviço público.

“Conviver com uma dor de dente é triste, dolorido e desesperador”, afirma.

Quando não conseguiu mais esperar, procurou um dentista particular para evitar perder outro dente. Conceição também relaciona parte de sua história à falta de recursos financeiros. Segundo ela, a perda dentária aconteceu antes de se formar em Pedagogia e de adquirir, com os estudos, mais conhecimento sobre prevenção.

A experiência fez com que passasse a defender maior fiscalização dos serviços odontológicos públicos e mais estrutura para o atendimento.

Foto: Aisha Vitória
Entre os problemas odontológicos que provocam dor estão cáries, doenças gengivais, abscessos periodontais e pericoronarite - Foto: Aisha Vitória

A prevenção começa antes da dor

Para as profissionais entrevistadas, a melhor maneira de evitar que um problema chegue à urgência é não esperar a dor aparecer para procurar atendimento. Thamiris destaca que a prevenção começa nos hábitos cotidianos.

“É importante entender que a prevenção começa no dia a dia. Começa com a escovação, o fio dental. O uso de creme dental com flúor é muito importante. A alimentação é equilibrada e acompanhamento odontológico tem que ser feito a cada seis meses”, orienta.

Anna Beatriz também considera a educação em saúde uma ferramenta fundamental para prevenir problemas e incentivar a procura por atendimento.

“Para mim, a palavra-chave é educação em saúde oral, ensinar como fazer, por que fazer”, afirma.

Segundo ela, essa orientação deve começar na infância e explicar não apenas o que fazer, mas por que aquele cuidado é necessário.

“Eu sempre pego uma criança, eu faço o que tem que ser feito, eu digo: daqui a seis meses volte”, conta.

Fabiana também defende que a prevenção seja incorporada à rotina dos serviços de saúde. Entre as medidas apontadas por ela estão a presença mais efetiva da saúde bucal nas escolas, o acompanhamento odontológico regular, o fortalecimento do pré-natal odontológico e a integração da Odontologia com outras áreas da Atenção Primária.

Para a dentista, as ações educativas precisam alcançar diferentes grupos da população, especialmente crianças, gestantes, idosos e pessoas em situação de vulnerabilidade social.

A Política Nacional de Saúde Bucal prevê ações de promoção e prevenção, incluindo educação em higiene oral, escovação supervisionada e aplicação de flúor, além de tratamentos odontológicos na Atenção Primária.

O acompanhamento periódico também permite que alterações sejam identificadas antes que provoquem sintomas mais intensos.

“Sempre que uma criança chega aqui, eu faço o que tem que ser feito e digo: daqui a seis meses volte!”, conta Anna Beatriz.

Informação também é cuidado

A saúde bucal não deve ser tratada como uma questão isolada do restante do organismo. A própria Política Nacional de Saúde Bucal estabelece a saúde bucal como parte do direito à saúde e organiza ações de promoção, prevenção, recuperação e reabilitação.

“A boca faz parte do nosso corpo, faz parte da saúde”, afirma Anna Beatriz.

Por isso, o acompanhamento odontológico não serve apenas para tratar os dentes que já apresentam dor. Também permite identificar alterações que precisam de investigação e orientar o paciente sobre formas de prevenção.

Para Thamiris, conhecer a própria boca também ajuda a perceber quando algo mudou.

“Conheçam sua boca, olhem, se auto examine. Qualquer sinal, sintoma que você vai ter, você já vai perceber que algo não está normal”, orienta.

Além da educação em saúde, a redução da demora no atendimento depende de mudanças na organização e no financiamento da rede. Entre as prioridades apontadas pelo CRO-PE estão o fortalecimento das equipes de Saúde Bucal na Atenção Primária, a ampliação dos serviços especializados, a interiorização da assistência e a garantia de recursos para o funcionamento dos diferentes níveis de atendimento.

A prevenção, portanto, não começa quando a dor aparece. Quando a informação chega antes e a rede oferece atendimento no tempo adequado, o paciente tem mais condições de reconhecer os sinais, procurar ajuda e evitar que problemas inicialmente simples se tornem mais complexos.

Siga o Jornal do Commercio no Instagram e fique por dentro de tudo

© Foto: Aisha Vitória

A dor de dente representa um problema de saúde pública no país
  •  

Alckmin é cotado para assumir Ministério da Fazenda no quarto mandato de Lula

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) está entre os nomes cotados para assumir o Ministério da Fazenda no quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A possibilidade foi apontada pelo Estadão nesta segunda-feira (26), em reportagem que destaca a aproximação entre os dois políticos e o perfil econômico do vice-presidente.

Economistas ouvidos pelo jornal, sob condição de anonimato, avaliam que uma eventual indicação de Alckmin teria boa receptividade entre investidores. A preocupação com o controle dos gastos públicos e a defesa do ajuste fiscal estão entre os fatores que favorecem seu nome.

Desde 2023, Alckmin ampliou a relação de confiança com Lula e passou a ter maior destaque no governo. Após a vitória eleitoral, no domingo (25), o presidente elogiou publicamente o vice-presidente, ressaltando sua lealdade e sua conduta.

Além de ocupar a Vice-Presidência, Alckmin comandou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio no atual governo e foi governador de São Paulo por quatro mandatos. A reforma tributária é uma de suas principais pautas, e o vice também demonstra preocupação com o aumento da dívida pública.

Durante o período em que os Estados Unidos impuseram tarifas comerciais ao Brasil, Alckmin teve papel importante nas negociações com o governo norte-americano. Ele também manteve diálogo com representantes dos setores industriais afetados pelas medidas.

O ajuste fiscal foi tema de conversas entre Lula e Alckmin ao longo do mandato. Segundo interlocutores ouvidos na reportagem, o vice-presidente acompanha os indicadores econômicos e conhece o nível de superávit primário necessário para contribuir com o equilíbrio das contas públicas.

Siga o Jornal do Commercio no Instagram e fique por dentro de tudo

© Ricardo Stuckert

Geraldo Alckmin e Lula têm formado parceria e político do PSB pode assumir ministério vital
  •  

Especialistas analisam virada de Lula e fatores decisivos no segundo turno das eleições de 2026

Nesta segunda-feira (26), a Rádio Jornal recebeu os cientistas políticos Dr. André Réges, Dr. Antônio Fernandes e Prof. Eli Ferreira para um debate sobre os resultados e desdobramentos do segundo turno das eleições presidenciais de 2026.

Luís Inácio Lula da Silva foi reeleito presidente da República, neste domingo (25), com 51,79% dos votos válidos, superando Flávio Bolsonaro, que somou 48,21%. O momento marca a primeira eleição desde a redemocratização em que um candidato derrotado no primeiro turno conseguiu a virada no segundo turno.

A segunda fase das eleições apresentou uma queda histórica nas abstenções, sendo a menor desde 2006, além de redução nos votos brancos e nulos. De acordo com o doutor Antônio Fernandes, mestre em ciência política, esse movimento foi crucial para o resultado.

“Nós vimos muita mobilização para a redução de abstenção em alguns locais, em outros tivemos um padrão que não teve tanta mudança, mas isso foi fundamental para garantir essa virada entre o primeiro e o segundo turno”, relata.

Em Pernambuco, Lula teve um aumento de 5,7 pontos em relação ao primeiro turno e Flávio uma queda de 0,2 pontos, as abstenções caíram para 3% no segundo turno.

Fatores determinantes para o resultado

Segundo o jurista PhD em Ciência Política, André Réges, o impacto positivo da ampliação e antecipação do Bolsa Família, desoneração dos combustíveis, programas de renegociação de dívidas (Desenrola e MEI) e o debate sobre a jornada de trabalho 5x2 foram essenciais no crescimento da aprovação do atual governo.

“Eu destacaria como o principal elemento da vitória de Lula o amadurecimento das medidas tomadas pelo governo ao longo do primeiro para o segundo turno. Eu acredito que essas medidas foram muito importantes para a melhora da avaliação do governo e isso resulta no êxito”, explica.

Para o especialista, a reformulação da campanha do PT nas redes sociais e o engajamento popular espontâneo do primeiro para o segundo turno também foi uma movimentação que fez toda diferença na hora de virar votos.

Além disso, André aponta que as fragilidades da candidatura de Flávio e as pesquisas apontando medo de 44% do eleitorado em relação ao retorno do grupo bolsonarista ao governo foram cruciais nessa segunda fase da eleição.

"Quando você disputa uma eleição, você ganha porque acerta e também ganha porque o seu adversário erra. Eu tenho a convicção de que o que pesou no final, além da melhora da expectativa em relação ao governo, tem a ver também com a fragilidade da campanha da candidatura de Flávio Bolsonaro. Ou seja, era uma candidatura frágil desde o início.”

Prorrogação da votação

Os especialistas também analisaram a prorrogação que estendeu a votação por duas horas em locais com problemas de transporte ou chuvas.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aponta cerca de 35.000 votos depositados após as 17h, volume considerado inexpressivo perante a diferença de mais de 4,4 milhões de votos entre os candidatos.

"Se nós tivéssemos um resultado no qual a votação tivesse sido muito apertada com percentual com número de votos baixo de diferença entre os dois o cenário seria diferente. A diferença de 4 milhões de votos entre os dois candidatos de certa forma acaba diminuindo consideravelmente, pelo menos do ponto de vista de cenário, que uma anulação ocorra”, comenta Antônio Fernandes.

© Reprodução/Rádio Jornal

Debate aconteceu na Rádio Jornal
  •  

Festival do Cinema Brasileiro terá ingressos a R$ 12 entre 29 de outubro e 4 de novembro

Os ingressos para filmes brasileiros custarão R$ 12 entre os dias 29 de outubro e 4 de novembro, durante o Festival do Cinema Brasileiro. A iniciativa será realizada em todo o país, com participação das redes de cinema, e busca ampliar o acesso do público às produções nacionais.

A campanha é idealizada pela Federação Nacional das Empresas Exibidoras Cinematográficas (FENEEC), com apoio institucional da Associação Brasileira das Empresas Exibidoras Cinematográficas Operadoras de Multiplex (ABRAPLEX). As entidades também organizam a Semana do Cinema, que reuniu cerca de 5,6 milhões de pessoas em setembro deste ano.

Entre os filmes em destaque na programação estão “100 Dias”, sobre a história de Amyr Klink, “As Dez Vantagens de Morrer Depois de Você”, com Any Gabrielly e Giulia Be, “Se Eu Fosse Você 3” e “Minha Melhor Amiga”.

O valor promocional será válido exclusivamente para produções nacionais exibidas em salas convencionais. Os cinemas continuarão exibindo filmes internacionais, que não estão incluídos na promoção. Também haverá combos de alimentação com preços especiais.

A programação completa e os valores de pipoca e refrigerante poderão ser consultados nos sites das redes de cinema e das plataformas de venda de ingressos.

Siga o Jornal do Commercio no Instagram e fique por dentro de tudo

© Ingressos.com/Divulgação

Pôster de "100 Dias", sobre a história de Amyr Klink
  •  

Flávio Bolsonaro anuncia oposição a Lula após ser intimado a entregar passaportes

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou, nesta segunda-feira (26), que vai cumprir a determinação para entregar seus passaportes à Polícia Federal (PF), mas pretende contestar judicialmente a medida. A ordem partiu do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e também impede o parlamentar de deixar o país, segundo relato do próprio senador.

Flávio contou que recebeu a intimação quando se deslocava para visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar. Para o senador, a decisão tem motivação política e está relacionada a uma declaração feita pelo irmão, Eduardo Bolsonaro (PL-SP), antes da divulgação do resultado das eleições.

Confira mais em nosso Instagram:


Na ocasião, Eduardo defendeu que Flávio deixasse o Brasil caso não vencesse a disputa eleitoral. O senador, por sua vez, negou que tivesse planos de sair do país e criticou a justificativa para a medida.

Em manifestação divulgada após o episódio, Flávio afirmou que permanecerá no Brasil e que pretende continuar atuando politicamente. O parlamentar também anunciou que assumirá a liderança da oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Além disso, informou que pretende recorrer à Justiça Eleitoral para pedir a abertura de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE), alegando abuso de poder econômico. A iniciativa busca a cassação da chapa presidencial eleita, mas o anúncio, por si só, não confirma que a ação já tenha sido protocolada.

Siga o Jornal do Commercio no Instagram e fique por dentro de tudo

© Joédson Alves/Agência Brasil

O candidato à Presidência da República, senador Flávio Bolsonaro (PL), fala com jornalistas após ser derrotado no segundo turno
  •  

Trump ao comentar a reeleição de Lula: "Pareceu mais uma eleição fraudada"

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, questionou em coletiva, nesta segunda-feira (26) a regularidade das eleições brasileiras, sem apresentar provas de possíveis irregularidades. Apesar das críticas, o norte-americano afirmou que gosta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ao comentar o resultado, Trump disse que a votação lhe pareceu fraudada e avaliou negativamente o processo eleitoral. Questionado sobre possíveis medidas, declarou que sua responsabilidade é governar os Estados Unidos, e não o Brasil.

Lula venceu o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, realizado no domingo (25), com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do adversário. A vitória foi confirmada pela Justiça Eleitoral.

Após a derrota, Flávio afirmou que não reconheceria o resultado e que recorreria à Justiça para tentar anular a votação. Entre as críticas apresentadas pelo senador está a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin de estender o horário de votação até as 19h em seções que ainda estavam abertas.

A ampliação ocorreu após as campanhas relatarem dificuldades de deslocamento de eleitores em diferentes regiões do país, incluindo problemas no transporte público e impactos de fortes chuvas.

Siga o Jornal do Commercio no Instagram e fique por dentro de tudo

© Julia Demaree Nikhinson/Associated Press/Estadão Conteúdo

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, falou que a eleição de Lula 'pareceu fraudada'
  •  

Envelhecimento da população exige adaptações em hospitais e residências para garantir segurança e autonomia aos idosos

O envelhecimento da população brasileira exige mudanças na estrutura dos serviços de saúde e nos ambientes em que as pessoas vivem. Da arquitetura dos hospitais às adaptações dentro de casa, medidas voltadas à acessibilidade, à prevenção de quedas e à preservação da autonomia são fundamentais para garantir qualidade de vida à população idosa.

O tema foi discutido no episódio 93 do videocast Saúde e Bem-estar, exibido pelo JC Play durante a 14ª edição da feira HospitalMed. A conversa reuniu a arquiteta especialista em saúde Fernanda Ventura, à frente da HFacilities, e Arine Rodrigues, especialista em longevidade e CEO da Rede50mais e da Vida60+Expo.

Durante o programa, foi destacado que o envelhecimento precisa ser considerado no planejamento dos ambientes de saúde, desde a circulação interna até a disposição dos equipamentos e a estrutura dos quartos. As mudanças devem levar em conta não apenas as limitações físicas, mas também as necessidades sensoriais e cognitivas das pessoas mais velhas.

Acessibilidade e humanização nos hospitais

A adequação da infraestrutura é um dos desafios para os estabelecimentos de saúde. Segundo Fernanda Ventura, o planejamento arquitetônico precisa considerar as necessidades dos pacientes e dos profissionais, com espaços que favoreçam a circulação, a segurança e a autonomia.

Entre os problemas apontados estão rampas inadequadas, corredores estreitos e banheiros que não atendem às necessidades de pessoas com mobilidade reduzida. A especialista também defende a ampliação das medidas de acessibilidade nos ambientes hospitalares, incluindo os quartos de internação.

A humanização desses espaços também passa pela organização do ambiente. Durante a discussão, Fernanda chamou a atenção para a importância da iluminação natural e de rotinas adequadas durante a internação, especialmente em unidades de terapia intensiva (UTIs). A falta de referências ambientais e a desorientação podem prejudicar o bem-estar e o estado cognitivo dos pacientes idosos.

Prevenção de quedas começa em casa

As adaptações necessárias para um envelhecimento mais seguro não se restringem aos hospitais. A residência também precisa ser planejada para acompanhar as mudanças na mobilidade ao longo da vida.

Entre as medidas destacadas pelas especialistas estão a retirada de tapetes soltos, a adequação da altura de camas e mesas de cabeceira e a substituição de maçanetas convencionais por modelos de alavanca. Banheiros acessíveis e portas com largura suficiente para a passagem de cadeiras de rodas também devem ser considerados.

Para Fernanda, pensar nessas mudanças antecipadamente é uma forma de prevenir acidentes e preservar a segurança dentro de casa. O planejamento deve evitar que as adaptações sejam feitas apenas depois de uma queda, uma internação ou uma perda significativa de mobilidade.

A arquiteta também ressaltou a importância de compreender a diferença entre independência e autonomia. Enquanto a independência está relacionada à capacidade de realizar atividades sem ajuda, a autonomia diz respeito ao direito de fazer escolhas e decidir sobre a própria vida. Mesmo quando uma pessoa precisa de auxílio para determinadas tarefas, é importante preservar sua capacidade de decisão.

Desafios do envelhecimento no Brasil

Arine destacou que o envelhecimento da população brasileira precisa ser acompanhado por mudanças na forma como a sociedade organiza seus serviços e compreende a velhice. Para ela, o país ainda enfrenta dificuldades para se preparar para uma realidade em que cada vez mais pessoas chegam aos 60, 70, 80 anos ou mais.

A especialista também chamou a atenção para as diferenças sociais que influenciam a experiência de envelhecer. Enquanto parte da população idosa enfrenta dificuldades financeiras e acumula responsabilidades familiares, outra parcela tem maior poder de consumo, mas ainda encontra pouca representatividade nas campanhas publicitárias e nos produtos e serviços oferecidos pelo mercado.

Além da saúde física, o planejamento da longevidade envolve renda, trabalho, convivência social e acesso à tecnologia. Nesse contexto, a especialista ressaltou a importância das relações entre gerações para aproximar pessoas idosas dos mais jovens e ampliar a participação social.

Reabilitação após a internação

Outro ponto discutido foi a necessidade de ampliar a oferta de hospitais e clínicas de transição e reabilitação. Esses serviços auxiliam pacientes que receberam alta de uma internação hospitalar, mas ainda precisam recuperar parte da capacidade funcional antes de retornar para casa.

Segundo Fernanda, esse tipo de estrutura representa uma oportunidade para o setor de saúde, diante da necessidade de oferecer continuidade ao cuidado após a fase aguda de uma doença ou de um procedimento.

A recuperação funcional pode contribuir para que o paciente retome atividades cotidianas com mais segurança e preserve, na medida do possível, sua autonomia. Para isso, o planejamento dos espaços e a integração entre infraestrutura e assistência precisam acompanhar as necessidades de uma população que vive cada vez mais.

A discussão reforça que preparar os serviços de saúde para a longevidade envolve mais do que ampliar a capacidade de atendimento. É necessário repensar os ambientes, prevenir riscos e oferecer condições para que as pessoas envelheçam com segurança, dignidade e qualidade de vida.

Receba as principais notícias em tempo real no WhatsApp do Jornal do Commercio

© Foto: Magnific (antigo Freepik)

O envelhecimento precisa ser considerado no planejamento dos ambientes de saúde
  •  

Enem 2026: mulheres representam 64% das inscrições confirmadas; jovens de 17 e 18 anos somam metade

As mulheres representam 63,98% das inscrições confirmadas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026, enquanto os participantes de 17 e 18 anos correspondem a 50,7% do total. Os dados são do Painel Enem 2026, disponibilizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), vinculado ao Ministério da Educação (MEC).

Com dados consolidados em setembro de 2026, a ferramenta registra 5.051.345 inscrições confirmadas em todo o país, de um total de 5.655.423 inscrições realizadas. A plataforma permite consultar informações sobre o perfil dos participantes, considerando indicadores como faixa etária, sexo, cor/raça, escolaridade, gratuidade da inscrição e atendimentos especializados. Os dados podem ser filtrados por região, estado e município.

Mulheres são maioria entre os inscritos

Do total de inscrições confirmadas, 3.232.013 são de mulheres, o equivalente a 63,98%. Os homens somam 1.819.332 inscrições, correspondentes a 36,02%.

A distribuição por faixa etária também destaca a presença de jovens entre os participantes. O grupo de 17 anos concentra 1.292.082 inscrições confirmadas, enquanto o de 18 anos reúne 1.269.907. Juntos, os dois grupos somam 2.561.989 inscrições, o equivalente a 50,7% do total.

Outras 691.633 inscrições são de participantes com até 16 anos. Entre os inscritos com 19 anos, são 463.720; na faixa dos 20 anos, o número chega a 235.457.

O exame também reúne pessoas de outras faixas etárias. Os participantes de 21 a 30 anos representam 725.118 inscrições, enquanto aqueles com idades entre 31 e 59 anos somam 359.607. Já o grupo com mais de 60 anos registra 13.821 inscrições confirmadas.

Inscrições gratuitas somam 3,4 milhões

Entre as 5.051.345 inscrições confirmadas, 3.432.111 são gratuitas, enquanto 1.619.234 tiveram o pagamento confirmado. Os números permitem acompanhar a distribuição dos participantes conforme a modalidade de inscrição, com possibilidade de consulta por unidade da Federação.

O painel também apresenta dados sobre cor/raça, incluindo as categorias parda, branca, preta, amarela, indígena e não declarada. Entre as inscrições gratuitas, a categoria parda registra 1.530.186 participantes, seguida pela branca, com 932.181, e pela preta, com 424.540.

Outras 478.309 inscrições gratuitas estão na categoria não declarada. As categorias amarela e indígena registram, respectivamente, 35.088 e 31.807 inscrições gratuitas.

Mais de 2,3 milhões estão na última série do ensino médio

Em relação à escolaridade, 2.364.868 participantes estão cursando a última série ou ano do ensino médio. Outros 1.610.522 já concluíram essa etapa da educação básica.

O levantamento registra ainda 1.015.127 inscritos que estão cursando o ensino médio, mas não devem concluí-lo no ano letivo de 2026. Já 60.828 participantes não estão cursando nem concluíram essa etapa.

Tempo adicional é o recurso especializado mais solicitado

Entre os recursos de atendimento especializado apresentados no painel, o tempo adicional registra 77.956 solicitações. A correção diferenciada aparece em seguida, com 42.379, enquanto o auxílio para leitura soma 28.042 solicitações.

A ferramenta também reúne informações sobre outros recursos de acessibilidade, como salas acessíveis, auxílio para transcrição, prova ampliada e tradutor-intérprete de Língua Brasileira de Sinais (Libras).

Os dados permitem acompanhar os recursos solicitados pelos participantes e observar a distribuição das demandas de acessibilidade entre os inscritos no exame.

Enem

Criado em 1998, o Exame Nacional do Ensino Médio avalia o desempenho dos estudantes ao término da educação básica. Desde 2009, também é utilizado como mecanismo de acesso ao ensino superior.

Os resultados podem ser utilizados em processos seletivos como o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) e o Programa Universidade para Todos (Prouni), além de processos relacionados ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), conforme as regras de cada programa.

Em 2026, o exame também passa a integrar o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb), ampliando sua participação na avaliação do ensino médio brasileiro.

Receba as principais notícias em tempo real no WhatsApp do Jornal do Commercio

© Divulgação/Valentina Guimarães/UPE

Imagem ilustrativa de estudantes fazendo prova
  •  

Infra S.A. promete entregar até dezembro estudo que pode liberar a Transnordestina em Pernambuco

A Infra S.A. prevê concluir até o fim do ano o estudo que vai dizer se vale a pena investir dinheiro público no trecho pernambucano da Transnordestina. É a peça que falta para o Tribunal de Contas da União (TCU) autorizar o início das obras físicas entre Salgueiro e o Porto de Suape.

O prazo foi dado pelo diretor-presidente da estatal, Jorge Bastos, em entrevista ao programa Conexão Infra. Ele conta que a empresa conversa com o relator do caso, ministro Jhonatan de Jesus, para tentar viabilizar a retomada. A análise do processo chegou a ser esperada para a semana passada, mas saiu da pauta do tribunal.

Impasse técnico

O freio do TCU veio em duas etapas. Em 13 de maio, o tribunal mandou o Ministério dos Transportes e a Infra S.A. suspenderem novos compromissos financeiros para a retomada do ramal Salgueiro-Suape. A Corte apontou falta de estudos atualizados que comprovem a vantagem econômica e social da obra, estimada em R$ 3,43 bilhões, além de pendências ambientais, fundiárias e operacionais.

A decisão também deu 30 dias para a estatal apresentar um plano de conclusão do Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA) da futura concessão do trecho. A mudança de estratégia do governo federal, que decidiu tocar as obras remanescentes com recursos públicos antes de tentar uma nova concessão, pesou na avaliação do tribunal.

Em 15 de julho, o plenário aceitou em parte os embargos da Advocacia-Geral da União e da Infra S.A. e esclareceu o alcance da restrição. Licitações, contratos e outros atos preparatórios podem seguir. A ordem de serviço para o início físico do canteiro continua proibida até que a viabilidade seja comprovada.

Na prática, o trecho de 73,32 quilômetros entre Custódia e Arcoverde já tem contrato de R$ 312,8 milhões com o Consórcio ACA Transnordestina. Só o projeto executivo pode andar por enquanto.

Peso estratégico

Para Pernambuco, destravar o ramal vale mais do que os trilhos. A obra começou em 2006 e foi interrompida em 2016. O traçado de cerca de 540 quilômetros ligaria o Sertão ao Porto de Suape, no Grande Recife, e abriria uma saída ferroviária para cadeias como o Polo Gesseiro do Araripe, a avicultura e a indústria de confecções.

O estado também corre contra o tempo diante dos vizinhos. No Ceará, o governo federal anunciou R$ 600 milhões do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste para acelerar o ramal local. O próprio relator registrou, no acórdão de julho, que o trecho cearense avança e já capta cargas pernambucanas, como o gesso.

Quanto mais o ramal de Pernambuco demora, maior o risco de o estado perder carga e investimento para quem já tem ferrovia em andamento.

Defesa social

Bastos defende que a ferrovia seja avaliada por mais do que o retorno financeiro. Na visão dele, o investimento público pode viabilizar um trecho que, de início, não atrairia a iniciativa privada.

“Qualquer ferrovia que se faça tem viabilidade. Talvez no primeiro momento, não econômica, mas social, não tenho a menor dúvida que isso é”, defende o presidente da Infra S.A.

Depois das obras prontas, a ferrovia tende a ficar mais atraente para uma futura concessão, com perspectiva de ampliar o transporte de cargas, avalia Bastos. A governadora Raquel Lyra tem argumento parecido, ao apostar que parceiros privados surgirão assim que o primeiro quilômetro for retomado.

A Sudene tenta reforçar essa tese. O estudo entregue ao TCU em 13 de julho estima retorno social de R$ 4,76 bilhões e taxa de retorno econômico de 15,53% para o trecho Salgueiro-Suape. O tribunal, porém, manteve a dúvida sobre a viabilidade e espera a comprovação da Infra S.A

© Ricardo Stuckert / PR

Na prática, o embargo físico permanece firme para o trecho Salgueiro-Suape e para o intervalo entre Custódia e Arcoverde, no Sertão pernambucano.
  •  

Temor fiscal com Lula 4 pode impulsionar reversão da queda de juros

O mercado financeiro reagiu com forte estresse ao resultado das eleições, registrando queda no Ibovespa, disparada do dólar e salto na curva de juros futuros. Diante da surpresa das urnas e do aumento do risco fiscal, a incerteza pressiona a inflação e ameaça o rumo da política monetária. Na entrevista a seguir, Diogo Almeida, economista-chefe da Pequod Investimentos, analisa a reação dos ativos, os impactos na renda variável e fixa, e como a falta de controle das contas públicas pode forçar o Banco Central a interromper a queda ou até voltar a subir os juros.

JC-  O mercado abriu em forte estresse pós-eleição. Essa reação já era esperada nessa proporção?

Diogo - É, o movimento de queda dos preços dos ativos, isso sim é esperado e é a visão inversa ao resultado da eleição, né? Acho que dá para falar que o resultado em si foi uma surpresa enorme, qualquer lado que você olhe. A partir das próprias pesquisas, um universo muito pequeno indicava a possibilidade de reeleição do presidente Lula. O mercado acompanha muito também os chamados mercados preditivos (Polymarket, etc.). E você chegou na véspera da eleição, até no dia mesmo, com uma probabilidade em torno de 80% ou até acima para a vitória da oposição, né? Então, à medida que estava muito consolidada essa perspectiva de um resultado eleitoral que não se confirmou, consequentemente os preços dos ativos reagiram expressando essa surpresa. Por outra ótica, já estava muito no preço dos ativos brasileiros a perspectiva de uma mudança de política econômica diante da não materialização desse cenário. Então os preços estão corrigindo.

JC - Na renda variável, quais setores estão menos expostos a esse movimento?

Diogo - A exportadora se beneficia na primeira linha, porque exporta em dólar e o dólar passa a valer mais reais. A Vale está subindo em torno de 6%, e a Suzano está subindo 10% (até a tarde de 26.10), justamente porque os resultados delas não estão atrelados à performance da economia do nosso PIB aqui na economia doméstica. Mas, passado esse movimento inicial, o que eu visualizo é que devemos voltar a viver mais ou menos o que víamos antes desse período eleitoral, ou desde o resultado do primeiro turno, que foi quando entrou mais nos preços a perspectiva de mudança. Antes, havia uma predileção por empresas que chamamos de utilities, voltadas para concessões de serviços e infraestrutura — como saneamento (Sabesp) e elétricas. São empresas menos cíclicas, que dependem menos do nosso crescimento. Por outro lado, o varejo depende muito da saúde do consumidor brasileiro e da saúde financeira das famílias. O mercado tende a voltar a direcionar para uma carteira mais defensiva, que envolve esses setores de utilities que prestam serviços básicos e essenciais para a população, que você vai continuar usando independentemente de o salário estar subindo ou descendo. Esse tipo de empresa tende a nos proteger um pouco mais em períodos mais incertos e de juros altos.

JC - Sem sinalizações de rigor fiscal até agora, o que o governo precisaria fazer de concreto para acalmar o mercado?

Diogo - A gente tem uma fragilidade enorme na nossa economia, que é exatamente a sustentabilidade das contas públicas, a perspectiva ou a ausência da perspectiva de estabilizar o endividamento público. Isso a gente carrega já há algum tempo e foi intensificado no período eleitoral, em particular entre o primeiro e segundo turno, quando foram anunciadas uma série de medidas expansionistas, de mais gastos. Cálculos preliminares apontam que, somente nas semanas entre os turnos, foram gastos da ordem de R$ 350 bilhões contratados. Olhando para frente, fica evidente que esse descompasso ou desequilíbrio nas contas públicas não tem sido resultado de uma arrecadação mais fraca. Do lado da receita, o que observamos nos últimos anos foi um crescimento bastante expressivo, mais rápido que a inflação, impulsionado por mudanças em tributos, aumentos ou criação de novos impostos. O desequilíbrio não é resultado de receita abaixo do esperado, pelo contrário, a receita está muito forte; o problema é que as despesas aceleraram de uma forma mais importante. Qualquer medida no sentido de controle das despesas de forma importante e transparente seria um pilar básico para reancorar as expectativas com relação à política econômica e fiscal.

JC - De forma prática, quais medidas de corte de gastos poderiam ser adotadas?

Diogo A  - Olhando para um período até mais longo, essa receita de que os governos de Lula entregaram foi baseada em acelerar o fiscal, gastando mais via transferência para as famílias e endividamento. Mas hoje você parte de uma posição em que os gastos e o endividamento público já estão muito altos, então ficamos sem muita margem de manobra para voltar a estimular o crescimento econômico usando o mesmo canal de antes. Tem sido ventiladas algumas possibilidades que favoreceriam um ajuste do lado do corte de despesa, e não somente de arrecadação. Uma coisa em particular que dificulta muito a execução do orçamento público no Brasil é que uma parte enorme dos gastos é obrigatória, com o Executivo sem margem de manobra, pois cresce junto com a receita. A necessidade de desvincular parte dos gastos, particularmente de saúde e educação, para ter mais discricionariedade (poder de gastar ou não) seria muito bem recebida pelo mercado.

Também se fala em corte de gasto tributário — como estabelecer tributação sobre o rendimento de ativos financeiros que hoje são isentos, por exemplo, a LCA —, que tecnicamente é um corte de gasto tributário, mas na prática seria um aumento de receita. Além disso, talvez olhar para a racionalização de benefícios sociais, eliminando sobreposições (como receber Bolsa Família e Auxílio Gás ao mesmo tempo). A dificuldade é que, diferentemente de 2022 quando Lula venceu com uma ampla coalizão de centro-esquerda, nesta eleição o primeiro turno gerou uma frustração enorme na votação do governo, e a vitória no segundo turno veio impulsionada por medidas de cunho mais populista, sem uma agenda estritamente afinada com o PT ideológico tradicional, o que pode gerar menos pressão para mudar a política.

JC-  A própria pressão do mercado e do dólar sobre a inflação pode forçar o governo a buscar um diálogo mais amplo?

Diogo - Exatamente. Eu acho que a própria reação do mercado serve como uma fonte de pressão teórica. Pega o câmbio: a desvalorização e depreciação que o Real está passando tem um efeito que paga todo mundo, que é a pressão inflacionária. A gente tem que lembrar do ambiente externo: no Oriente Médio, o petróleo está em níveis altíssimos, acima de 110 dólares, o que provoca pressão inflacionária. Com o Real perdendo preço, isso coloca mais pressão na inflação. Racionalmente, os políticos não gostam de inflação porque ela erode a popularidade deles. A bolsa caindo afeta uma parcela menor, mas os efeitos inflacionários da depreciação do Real afetam muita gente, em particular o eleitor que deu a vitória ao PT, então isso pode ser um fator de pressão.

JC - Até onde a pressão do câmbio pode ir sem comprometer o controle da inflação?

Diogo -  Eu gosto de olhar para trás para responder essa pergunta. Não muito tempo atrás, no final de 2024, tivemos um período de bastante tensão pós-eleições municipais, com o anúncio de um pacote de corte de gastos que frustrou os agentes econômicos, e foi quando vimos o dólar chegar a R$ 6,20, com os juros subindo muito. E como o país acalmou isso? Não foi via redirecionamento da política fiscal, mas com atuação decisiva da política monetária. Em outras palavras, o Banco Central subiu muito os juros. A perspectiva de mercado era que a Selic terminasse aquele ano em torno de 9%, mas caminhamos para juros que atingiram 15% no início de 2025. Essa alta de juros foi vista como a âncora para estabilizar as condições financeiras do país, permanecendo alta por um período prolongado, e só no início deste ano o Banco Central começou a cortar 25 pontos básicos, estando ainda em 13,75% (bastante alta).

Isso para dizer que, caso de fato não venha uma sinalização mais crível de que será perseguido um ajuste fiscal mais importante, o Banco Central mais uma vez será forçado a tentar estabilizar os fluxos através de juros mais altos. Já começam as conversas e revisões de cenário considerando que, talvez já na próxima reunião do Copom na semana que vem, o Banco Central nem corte mais os juros.

JC - Você acredita que o Banco Central deve pausar os cortes já na próxima reunião ou podemos ver uma volta das altas?

Diogo - Uma variável importantíssima vai ser o anúncio de quem será o ministro da Fazenda/Economia. Em relação à política monetária, diante de um quadro inflacionário desafiador — e lembrando que globalmente os bancos centrais enfrentam muita pressão inflacionária pelo petróleo —, o Banco Central já havia sinalizado antes das eleições que talvez fosse necessário fazer pausas para observar o espaço de controle. Com a desaceleração evidente do ritmo de crescimento do PIB aqui no Brasil, ele continuou cortando, mas agora seria muito justificável ele parar enquanto se elucidam essas dúvidas sobre a política econômica. Na última reunião já estava telegrafado um novo corte, mas o que se fala agora é que, se ele não parar agora, quase com certeza parará na reunião de dezembro.

O Banco Central tem a variável do movimento do dólar: embora não tenha uma meta para o câmbio, o dólar gera uma pressão inflacionária importante que tecnicamente justificaria uma pausa. A discussão atual é se vamos pausar agora ou em dezembro; ainda não se fala de retomada de alta, mas eu acho que não dá para descartar essa possibilidade caso de fato não haja contribuição da agenda fiscal.

JC - Com a alta projetada para os juros, como o investidor deve se posicionar na renda fixa agora?

Diogo - Vou dar só um passo atrás. Há um risco: uma forma de controlar contas públicas, dada a fragilidade fiscal, é através de uma inflação um pouco mais alta, que corrói um pouco do endividamento público. É evidente que estamos numa situação em que a inflação pode ser um pouco mais alta nos próximos anos — não num cenário catastrófico de hiperinflação, mas acima da média sistematicamente. Quando você vai para títulos pré-fixados, você não se protege de um cenário de inflação rodando mais alto; você pode ter um ganho nominal, mas se o poder de compra não andar junto, você termina numa situação pior.

É muito difícil pensarmos que teremos um regime de juros baixos, ou seja, é difícil pensar numa Selic abaixo de 10%. Nesse cenário, a renda fixa sem dúvida permanece com uma atratividade importante, e dentre elas, o pós-fixado sem dúvida (que acompanha as variações da Selic) é um porto seguro importante para qualquer portfólio.

© DIVULGAÇÃO

Diogo Almeida, economista-chefe da Pequod Investimentos
  •  

Vivo anuncia parceria com a Starlink Mobile e Lança o "Vivo Satélite" no Brasil

A Vivo anunciou o lançamento do Vivo Satélite, tornando-se a primeira operadora do Brasil a oferecer conectividade em 100% do território nacional. A novidade é fruto de um acordo com a Starlink Mobile — maior constelação de satélite para device do mundo —, que atuará como uma extensão da rede celular terrestre da empresa.

Com a tecnologia, clientes que possuem aparelhos compatíveis podem enviar e receber mensagens, acessar mapas e realizar ligações por aplicativo em áreas que antes não contavam com cobertura de sinal de celular, bastando ter visibilidade do céu.

Atualmente, a rede terrestre da Vivo já cobre 98% da população brasileira. Com o novo serviço, a cobertura passa a acompanhar o cliente em qualquer local do país, como rodovias, zonas rurais, áreas remotas ou de difícil acesso.

Nesta primeira fase, o Vivo Satélite beneficia inicialmente cerca de 50 milhões de assinantes. Clientes consumidores finais e empresariais dos planos Pós-pago, Controle e Lite elegíveis, além de clientes Pré-pago com recargas superiores a R$ 30.

Os aparelhos compatíveis se conectam automaticamente à constelação satelital quando o usuário entra em uma área sem sinal de rede móvel terrestre. O acesso é gratuito por 12 meses para pessoas físicas e três meses para clientes empresariais (terminais M2M possuem pacotes específicos).

“Com o Vivo Satélite, os clientes da Vivo passam a ter sinal onde quer que estejam: em rodovias, áreas rurais, remotas ou regiões de difícil acesso ainda não atendidas por infraestrutura terrestre. Este é um anúncio histórico que reafirma o nosso propósito de Digitalizar para Aproximar e o nosso compromisso com a inovação e em oferecer a melhor experiência para nossos clientes. A Vivo é líder em 5G, líder em fibra, líder em roaming e agora é a única com tecnologia de satélite da Starlink”, afirma Alex Salgado, Chief Operation Officer da Vivo.

Aplicativos disponíveis no lançamento

Nesta etapa inicial, os usuários podem utilizar ferramentas selecionadas para comunicação e navegação: WhatsApp, RCS, SMS, iMessage e Google Mensagens; Google Maps e Apple Maps.

Além do App Vivo (onde também é possível consultar regras de uso, elegibilidade e compatibilidade de aparelhos, além do site oficial).

Para o futuro, a operadora projeta a chegada da próxima geração da rede de satélites da parceira, que trará conexão de alta velocidade e viabilizará novos recursos e serviços digitais.

“Oferecer conectividade resiliente ao maior número possível de pessoas está no centro de tudo o que fazemos. Estamos muito entusiasmados com a parceria com a Vivo e, juntos, estamos viabilizando o acesso a aplicativos e serviços de mensagens selecionados para milhões de pessoas em todo o Brasil. No futuro, o serviço oferecerá conectividade em alta velocidade, por meio da próxima geração da nossa tecnologia”, declara Stephanie Bednarek, vice-presidente de Vendas da SpaceX.

© Divulgação

Os aparelhos compatíveis se conectam automaticamente à constelação satelital quando o usuário entra em uma área sem sinal de rede móvel terrestre
  •  

Isenção do imposto de renda por doença grave ainda é desconhecida por muitos aposentados

Milhares de aposentados, pensionistas e militares da reserva podem ter direito à isenção do imposto de renda da pessoa física (IRPF) em razão de condições graves de saúde, mas desconhecem o benefício previsto na legislação brasileira. Para quem enfrenta despesas com medicamentos, consultas e tratamentos contínuos, a medida pode representar um alívio financeiro importante.

A isenção está prevista na Lei Federal nº 7.713/1988 e contempla determinadas doenças, desde que atendidos os requisitos legais. O benefício, porém, não se estende a todos os rendimentos do contribuinte: em regra, alcança os valores recebidos de aposentadoria, pensão ou reforma, inclusive em situações específicas previstas na legislação.

Segundo a advogada Ana Cristina Coutinho, especialista em direito previdenciário, a falta de informação ainda é um dos principais obstáculos para que os beneficiários busquem esse direito.

"É a falta de conhecimento sobre os próprios direitos. Muitas pessoas chegam ao escritório sem saber que podem ter direito à isenção", relata Ana Cristina. 

Em meio aos desafios impostos por uma condição grave de saúde, conhecer os direitos previstos em lei pode ajudar a reduzir despesas e preservar recursos para o cuidado com a saúde. A informação, nesse contexto, também é uma ferramenta de proteção financeira.

JAILTON JR./JC IMAGEM
"Apesar de a lei existir há quase quatro décadas, o benefício ainda é pouco difundido", destaca a advogada Ana Cristina Coutinho, especialista em direito previdenciário - JAILTON JR./JC IMAGEM

Desconhecimento pode gerar prejuízo financeiro

A especialista conta que já acompanhou casos de pessoas que permaneceram pagando o imposto por anos, mesmo após o diagnóstico de uma doença contemplada pela legislação.

Em um dos episódios relatados pela advogada, uma idosa com paralisia irreversível e incapacitante continuou pagando imposto de renda mensalmente durante 11 anos. Apesar de preencher, segundo a avaliação apresentada pela profissional, os requisitos para a isenção, a contribuinte não havia solicitado o benefício.

Como a recuperação dos valores pagos indevidamente está sujeita, em regra, ao prazo de cinco anos, parte do montante não pôde ser recuperada.

Em outro caso, uma defensora pública aposentada, diagnosticada com doença de Parkinson havia oito anos, conseguiu obter a restituição dos valores referentes aos últimos cinco anos de duas aposentadorias, segundo a advogada. O resultado representou um acréscimo líquido de R$ 18 mil mensais em sua renda.

"Foi um impacto financeiro muito significativo, que permitiu, inclusive, ajudar a custear um tratamento do próprio filho", afirma Ana Cristina.

Os exemplos mostram como a informação sobre os direitos tributários pode fazer diferença no planejamento financeiro de pessoas que convivem com doenças graves.

Quais doenças podem dar direito à isenção?

A legislação prevê a isenção para pessoas diagnosticadas com determinadas condições graves de saúde. Entre elas, estão:

  • Câncer
  • Alienação mental
  • Doença de Parkinson
  • Esclerose múltipla
  • Paralisia irreversível e incapacitante
  • Nefropatia grave
  • Hepatopatia grave
  • Cardiopatia grave
  • Cegueira
  • Aids

A lista legal inclui outras enfermidades, e o enquadramento depende das condições previstas na legislação e das particularidades de cada caso.

Um ponto importante é que a isenção não exige necessariamente que o paciente esteja em estágio terminal ou apresente incapacidade para todas as atividades cotidianas. O que deve ser verificado é se a doença se enquadra nas hipóteses legais e se os demais requisitos para a concessão do benefício estão preenchidos.

Também é importante observar que o diagnóstico, por si só, não significa que todos os rendimentos da pessoa estarão isentos. A regra se aplica aos rendimentos abrangidos pela legislação, e não em geral a salários de quem continua trabalhando ou a outras fontes de renda.

Documentação médica exige atenção

O pedido de isenção precisa ser formalizado junto ao órgão responsável pelo pagamento do benefício ou, conforme o caso, pela via judicial. A documentação médica é um dos elementos centrais da análise.

Laudos, exames e prontuários podem ajudar a demonstrar o diagnóstico e a data em que a condição de saúde foi identificada. Por isso, é importante que os documentos sejam claros, detalhados e coerentes com o quadro clínico do paciente.

A advogada Ana Cristina Coutinho recomenda atenção especial à descrição médica da enfermidade e ao histórico da doença. "A documentação deve registrar, sempre que possível, informações sobre o diagnóstico, a evolução clínica e a data de início da condição", explica.

Esse histórico, de acordo com a advogada, também pode ser relevante para definir a partir de quando a isenção seria devida e avaliar a possibilidade de restituição de valores recolhidos anteriormente.

A terminologia utilizada nos documentos deve refletir a condição efetivamente diagnosticada pelo médico. Não se trata, segundo a especialista, de inserir expressões específicas apenas para obter o benefício, mas de garantir que o relatório descreva de maneira precisa o quadro clínico e permita sua análise à luz da lei.

Segundo explica Ana Cristina, entre os erros mais comuns que levam à negativa, estão falhas na documentação, ausência de laudos completos ou inconsistências na comprovação da data de início da doença. "Outro erro frequente é a falta de orientação adequada, que pode levar à concessão da isenção apenas a partir do pedido, sem retroação", frisa. 

É obrigatório apresentar laudo médico oficial?

Uma dúvida frequente diz respeito à necessidade de apresentar laudo emitido por serviço médico oficial.

De acordo com a Súmula 598 do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a apresentação de laudo médico oficial não é indispensável para o reconhecimento judicial da isenção do imposto de renda, desde que o magistrado considere suficientemente demonstrada a doença grave por outros meios de prova.

Na prática, relatórios do médico assistente, exames e prontuários particulares podem ser considerados na avaliação judicial. Isso não significa, entretanto, que qualquer documento garanta a concessão automática do benefício. A suficiência das provas depende da análise do caso concreto, e os procedimentos administrativos podem ter exigências próprias.

Como solicitar a restituição?

Quem pagou imposto de renda sobre rendimentos que deveriam estar isentos pode avaliar a possibilidade de pedir a restituição dos valores recolhidos indevidamente.

Em regra, o prazo para recuperar pagamentos indevidos é de cinco anos, observadas as particularidades de cada situação. A análise considera, entre outros fatores, a data de início da doença, os rendimentos recebidos e o período em que houve cobrança do imposto.

Os valores passíveis de restituição podem ser atualizados pela taxa Selic, conforme as regras tributárias aplicáveis.

A recomendação é reunir laudos médicos, exames, prontuários, comprovantes de aposentadoria ou pensão e declarações de imposto de renda. Com essa documentação, o contribuinte pode procurar o órgão pagador, consultar os canais oficiais da Receita Federal ou buscar orientação jurídica especializada para avaliar os próximos passos.

© MAGNIFIC/BANCO DE IMAGENS

Muitos aposentados e pensionistas desconhecem legislação e pagam imposto por anos, sem saber que poderiam estar isentos
  •  

Bolsas da Europa fecham majoritariamente em alta com petróleo; ações expostas a Brasil caem

As bolsas da Europa fecharam majoritariamente em alta nesta segunda-feira, 26, enquanto investidores ponderam a queda nos preços do petróleo diante dos esforços de países para evitar uma escalada nas tensões entre o Irã e os Estados Unidos e Israel. O mercado também aguarda as decisões de política monetária pelo Banco Central Europeu (BCE) nesta semana, além de manter a crise interna na França no radar.

Em Londres, o FTSE 100 fechou em alta de 0,72%, a 10.767,33 pontos. Em Frankfurt, o DAX subiu 1,03%, a 25.440,83 pontos. Em Paris, o CAC 40 ganhou 0,83%, a 7.847,32 pontos. Em Milão, o FTSE MIB avançou 1,29%, a 49.186,81 pontos. Em Madri, o Ibex 35 subiu 0,21%, a 19.030,10 pontos. Em Lisboa, o PSI 20 perdeu 0 75%, a 9.175,73 pontos. As cotações são preliminares.

Delegações da Arábia Saudita, do Paquistão e da Turquia se reuniram com autoridades do Irã em uma tentativa de evitar a retomada dos confrontos entre Teerã, de um lado, e Israel e os Estados Unidos, de outro, e os esforços diplomáticos exerceram pressão de baixa sobre o petróleo - o que alimentou o apetite por risco. O setor de energia, no entanto, avançou 2,9%.

As ações de empresas europeias que são expostas ao Brasil caíram após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições, no domingo. Em Madri, o Santander tombou 3,16%. O Brasil é o segundo maior mercado do banco espanhol, com 15% do lucro em 2025 e ganho antes de impostos de 3,22 bilhões de euros. A Telefonica fechou em queda de 6,58% e, em Lisboa, a Galp despencou 10,93%.

Entre outros destaques no mercado acionário, em Frankfurt, a Bayer avançou cerca de 3% após obter na China sua primeira aprovação global para medicamento de prevenção de acidente vascular cerebral (AVC).

Na ponta política europeia, as atenções se concentram nos desdobramentos da crise francesa. Hoje, o presidente Emmanuel Macron afirmou que o governo anunciará "medidas concretas" para atender às demandas dos estudantes após semanas de protestos.

Siga o Jornal do Commercio no Instagram e fique por dentro de tudo

© Divulgação

Exportação de petróleo
  •  

STF reconhece imunidade de ITBI para empresas imobiliárias na integralização de capital social

O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria para assegurar o direito à imunidade do Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) a empresas cuja atividade principal seja comprar, vender ou alugar imóveis, quando há transferência de propriedades para a integralização do capital social. A decisão, proferida no âmbito do Tema 1.348 da repercussão geral, busca pacificar o entendimento jurídico e reduzir custos tributários em operações societárias do setor.

Historicamente, a controvérsia girava em torno da aplicação da imunidade tributária prevista pela Constituição Federal para bens transferidos a empresas com o objetivo de compor seu patrimônio ou ampliar o negócio. Municípios frequentemente negavam o benefício a empresas com atuação predominante no mercado imobiliário, sob a interpretação de que tais operações não estariam cobertas pela regra constitucional, gerando um cenário de disputas judiciais e incerteza para o planejamento corporativo.

Com o novo entendimento da Corte, a atividade imobiliária da empresa deixa de ser um impedimento automático para a concessão da imunidade nessa modalidade de transferência. Para a advogada tributarista Renata Escobar, a deliberação é um marco relevante na delimitação de garantias constitucionais.

“A decisão reforça que a imunidade deve ser analisada considerando a finalidade da transferência do imóvel: a integralização do capital social. O fato de a empresa atuar no mercado imobiliário não deve, por si só, afastar essa proteção. Isso traz mais previsibilidade para o planejamento empresarial e patrimonial”, explica a especialista.

Apesar do avanço, a medida não significa que toda transferência de imóvel para uma empresa estará isenta do tributo. As operações precisam cumprir rigorosamente os requisitos legais, e os municípios mantêm a prerrogativa de fiscalizar eventuais fraudes. Além disso, o STF reiterou que a imunidade não alcança valores que ultrapassem o capital social efetivamente integralizado.

Diante do novo posicionamento, empresas que já realizaram o pagamento de ITBI em operações semelhantes poderão avaliar a possibilidade de solicitar a restituição dos valores pagos, embora o processo não seja automático e exija observância aos prazos legais e às particularidades de cada caso.

“Na prática, o julgamento tende a diminuir conflitos entre contribuintes e municípios e oferece maior segurança jurídica para decisões empresariais. Ainda assim, cada operação precisa ser analisada individualmente para verificar se atende às condições exigidas para a imunidade”, acrescenta a advogada.

Por ostentar repercussão geral, o entendimento consolidado pelo STF deverá orientar a análise de processos semelhantes nas demais instâncias do Poder Judiciário, fortalecendo a previsibilidade fiscal no mercado imobiliário e esclarecendo os limites da cobrança do imposto.

© PIXABAY

Historicamente, a controvérsia girava em torno da aplicação da imunidade tributária prevista pela Constituição Federal
  •  

GAV Hotéis e Resorts estreia no Ceará e lança Black Friday com descontos de até 50%

A GAV Hotéis e Resorts anunciou sua chegada ao Ceará, expandindo sua presença no setor de turismo e multipropriedade do país. O novo destino escolhido é o município de Cruz, localizado a cerca de 20 minutos de Jericoacoara e próximo a atrativos naturais como a Lagoa do Paraíso. Com a novidade, a companhia amplia um portfólio que já contempla operações em regiões como Salinópolis (Pará), Pirenópolis (Goiás), Porto de Galinhas e Gramado (Rio Grande do Sul).

A expansão coincide com o lançamento da campanha de Black Friday da empresa, que traz descontos de até 50% em hospedagens, condições especiais de pagamento e benefícios voltados para viagens em família. Entre os atrativos da ação está a ampliação da gratuidade para crianças, permitindo que até dois menores por apartamento duplo — com a idade-limite elevada de 12 para 14 anos — fiquem isentos de cobrança adicional.

Para o diretor comercial da GAV Hotéis e Resorts, Diego Garcia, a consolidação em novos mercados é um passo fundamental para o crescimento da marca. “A chegada a uma nova região representa uma oportunidade de ampliar nossa atuação e nos aproximar de novos públicos. O Brasil tem uma diversidade de destinos com características próprias, e estar presente em diferentes mercados nos permite ampliar as possibilidades oferecidas aos nossos clientes”, afirma.

A nova campanha comercial ocorre na esteira do registro de quase R$ 8 milhões em vendas durante a última Semana do Cliente. Agora, com um portfólio ampliado, a empresa aposta na Black Friday para atrair consumidores de diferentes perfis. “A campanha é uma oportunidade de apresentar a diversidade dos nossos destinos e aproximar novos clientes das possibilidades de viagem que oferecemos. Com a ampliação do portfólio, conseguimos chegar a diferentes públicos e atender a interesses variados”, destaca Garcia.

Para garantir acesso antecipado às oportunidades da campanha, a empresa disponibilizou uma lista VIP de cadastro. Enquanto os multiproprietários da GAV já integram o grupo automaticamente, os demais interessados podem se inscrever por meio da página oficial da companhia na internet.

Fundada em 2014 no estado do Pará, a GAV Hotéis e Resorts especializou-se no desenvolvimento, construção, administração e operação de hotéis e resorts de férias. Adotando um modelo de atuação verticalizado que abrange desde a incorporação até a gestão hoteleira, a empresa conta atualmente com sete empreendimentos em operação nas regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sul, além de manter outros oito projetos lançados e em desenvolvimento pelo país.

© DIVULGAÇÃO

O Ceará é o mais novo destino no mapa da GAV Hotéis e Resorts
  •  

Congresso em Goiana debate relação entre espiritualidade e saúde

A relação entre saúde física, saúde mental e espiritualidade será tema do Congresso de Inovação, Prática e Integração em Saúde (Consaúde 2026), realizado nos dias 28 e 29 de outubro, na Faculdade Tiradentes (FITS), em Goiana, na Zona da Mata Norte de Pernambuco. Com o tema “Olhar Médico: Corpo, Mente e Espírito”, o evento reúne profissionais e estudantes para discutir diferentes perspectivas sobre o cuidado integral.

A programação é gratuita e aberta ao público, incluindo interessados na área da saúde. Organizado pela Coordenação de Pesquisa e Extensão (Copex) e pela Coordenação de Medicina da FITS Goiana, o congresso também busca incentivar a produção científica e a troca de conhecimentos.

Saúde mental e terapias integrativas

Na quarta-feira (28), a programação começa com a palestra “Saúde Mental na Atualidade”, das 9h às 10h, ministrada pela psicóloga Mônica Melo, especialista em Psicologia Hospitalar, mestre e doutora em Saúde Materno Infantil pelo Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (IMIP).

Das 10h30 às 12h, a roda de conversa “Desvendando as Terapias Alternativas” reunirá Daiane Rose, engenheira civil e professora de musicalização infantil e instrumentos de sopro, e Kyara Leite, cosmetóloga, terapeuta capilar integrativa e professora do Centro Universitário Tiradentes (Unit).

O debate abordará práticas como aromaterapia e massoterapia e suas possibilidades no contexto do cuidado integral à saúde.

Espiritualidade e evidências científicas

Na quinta-feira (29), das 9h às 10h30, o médico Arturo Jordán, doutor em Saúde Integral pelo IMIP, ministra a palestra “Espiritualidade e Saúde: Há Evidências?”.

Em seguida, das 10h30 às 12h, uma mesa-redonda discutirá a relação entre saúde mental e espiritualidade, ampliando o debate sobre as diferentes dimensões do cuidado.

Serviço

Consaúde 2026 – Olhar Médico: Corpo, Mente e Espírito

  • Data: 28 e 29 de outubro de 2026
  • Horário geral: das 8h às 17h
  • Local: Faculdade Tiradentes (FITS), Rua 7, nº 12, Quadra 12, Loteamento Novo Horizonte, bairro Boa Vista, Goiana (PE)
  • Entrada: gratuita
  • Inscrições e programação: acesse o site do evento 

Siga o Jornal do Commercio no Instagram e fique por dentro de tudo

© Foto: Divulgação

Congresso de Inovação, Prática e Integração em Saúde (CONSAÚDE 2026), será promovido pela Faculdade Tiradentes (FITS), em Goiana
  •  

Prefeitura do Paulista remove entulho e cercas de obras irregulares na reserva da Mata do Frio

Uma operação de fiscalização da prefeitura do Paulista resultou na remoção de materiais de construção e cercamentos irregulares na reserva ambiental da Mata do Frio, na quinta-feira (22).

A ação, coordenada pelas secretarias municipais de Meio Ambiente, Serviços Públicos e Desenvolvimento Urbano com apoio do 17º Batalhão da Polícia Militar, retirou cerca de três caçambas de entulho do local.

Remoção de materiais e monitoramento

Durante a vistoria, as equipes identificaram e desmontaram cercas recentes e recolheram restos de imóveis previamente demolidos que vinham sendo reutilizados em novas edificações não autorizadas dentro do perímetro protegido.

Segundo os técnicos envolvidos na operação, ainda restam resíduos no local que deverão ser recolhidos em etapas posteriores. A gestão municipal informou que não foram emitidos termos de notificação nem autos de infração durante o procedimento.

Orientação ambiental aos moradores

Além da limpeza e da desobstrução da área, a fiscalização atuou na orientação dos moradores do entorno sobre o manejo e os cuidados com a reserva.

Entre as adequações explicadas pelos agentes esteve a restrição ao plantio de cercas vivas com plantas exóticas, vegetação não recomendada para a manutenção das características nativas do ecossistema local. As vistorias na Mata do Frio são realizadas periodicamente para identificar e conter novas intervenções não licenciadas.

© Juan Marvin / SEI

Remoção de materiais de construções irregulares na Mata do Frio, no município do Paulista
  •  

Na cultura, acesso gratuito é prioridade para brasileiros nos próximos governos, aponta pesquisa

Ampliar o acesso gratuito a atividades culturais é a principal demanda dos brasileiros em relação às políticas públicas para o setor nos próximos governos.

Mais de 40% da população afirma que criar ou ampliar programas gratuitos de acesso a cinema, teatro, música e museus deveria estar entre as principais prioridades dos candidatos eleitos para presidente e governadores.

Os dados fazem parte da 7ª edição da pesquisa Hábitos Culturais, levantamento realizado pelo Observatório Fundação Itaú, com apoio técnico do Datafolha.

Além da gratuidade, 32% dos entrevistados apontam a criação de equipamentos ou instituições públicas de cultura como prioridade. Outros 28% defendem a melhoria, reforma, ampliação ou modernização dos espaços existentes.

O financiamento e o incentivo à produção cultural independente são citados por 26% dos participantes, enquanto 22% destacam o apoio a iniciativas culturais em favelas, periferias e comunidades tradicionais.

“A população associa a ampliação do acesso à cultura não apenas à gratuidade, mas à existência e qualidade da infraestrutura e ao estímulo à produção cultural. O direito cultural é uma pauta urgente para a transformação do indivíduo e da sociedade, para a qual precisamos democratizar o acesso e estimular participação cultural”, afirma Jader Rosa, superintendente do Itaú Cultural.

Acesso à cultura gratuita

Guga Matos/JC Imagem
Realização de atividades culturais gratuitas é mais frequente entre pessoas com maior escolaridade e das classes A/B - Guga Matos/JC Imagem

A pesquisa Hábitos Culturais reuniu, ainda, dados sobre o acesso dos brasileiros a atividades culturais gratuitas.

De acordo com as respostas dos entrevistados, a realização de atividades culturais gratuitas é mais frequente entre moradores de regiões metropolitanas, pessoas com maior escolaridade e integrantes das classes A/B.

Em todo o país, o acesso somou 69% dos entrevistados, com a região Nordeste abaixo da média nacional – 67%.

Direito garantido pela Constituição

O levantamento também avaliou o conhecimento da população sobre os direitos culturais. Sete em cada dez brasileiros sabem que o acesso à cultura é um direito garantido pela Constituição Federal, enquanto os outros três desconhecem essa garantia.

Além disso, o levantamento pediu para que os entrevistados dissessem espontaneamente o que significa ter direito à cultura e o que esse direito deveria assegurar à população.

Entre as principais respostas, apareceram o incentivo à cultura, a ampliação e a facilitação do acesso, a divulgação de eventos e ações culturais e a gratuidade para todos.

Sobre a pesquisa

A 7ª edição da Pesquisa Hábitos Culturais ouviu homens e mulheres de 16 a 65 anos, das classes A, B, C e D/E, residentes em todas as regiões brasileiras. Foram realizadas 2.448 entrevistas presenciais e individuais em 137 municípios, entre 7 e 20 de julho de 2026.

A margem de erro para o total da amostra é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

© ANDRÉA REGO BARROS/PCR

Para os brasileiros entrevistados, ampliar acesso gratuito a atividades culturais é principal demanda do setor
  •  

Leilão dos Correios tem 12 imóveis em sete estados, com financiamento e uso do FGTS

Os Correios anunciaram a realização de duas licitações para a venda de 12 imóveis, entre prédios comerciais e terrenos, distribuídos em sete estados brasileiros. Os certames estão agendados para os dias 29 de outubro, às 14h, e 5 de novembro, às 15h, e serão conduzidos por meio da plataforma VIP Leilões. Os ativos encontram-se livres de débitos tributários, oferecendo aos compradores facilidades como opções de pagamento à vista, financiamento bancário, uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) ou parcelamento em até 12 vezes.

O primeiro leilão ocorrerá em 29 de outubro e abrangerá propriedades localizadas em Alagoas, Paraná, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e São Paulo. Entre os principais destaques dessa data estão um terreno de mais de 47 mil metros quadrados em São José do Rio Preto (SP), avaliado em R$ 37.112.093,03, e uma área de 40 mil metros quadrados no bairro Tabuleiro dos Martins, em Maceió (AL), com valor inicial de R$ 28.020.460,40. O certame também inclui um prédio comercial no município gaúcho de Três de Maio, avaliado em R$ 925.783,65. Para esses e outros lotes, o edital prevê faixas de ofertas subsequentes na ausência de lances pelo valor inicial.

Já o segundo leilão, marcado para o dia 5 de novembro, envolverá imóveis em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Norte e São Paulo, com lotes que podem ser arrematados por valores até 25% abaixo da avaliação original. Os destaques desse segundo bloco compreendem um prédio comercial no bairro Jardim Santa Francisca, em Guarulhos (SP), com avaliação de R$ 3.347.585,92, e um imóvel de dois pavimentos situado na Avenida Dr. João Rosa Pires, em Campo Grande (MS), avaliado em R$ 716.535,04, ambos contando com regras de lances escalonadas.

Para concretizar a arrematação, os vencedores deverão efetuar o pagamento do sinal de garantia e da comissão do leiloeiro no prazo de até 24 horas. A quitação do saldo principal poderá ser realizada à vista em até 60 dias corridos — sendo sem reajuste para pagamentos efetuados em até 30 dias e com atualização pelo Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) entre o 31º e o 60º dia. Há também a alternativa de recorrer a financiamento bancário no mesmo prazo de 60 dias, utilizar o saldo do FGTS para complementar a operação ou optar pelo parcelamento em até 12 parcelas mensais, sucessivas e iguais, mediante entrada mínima de 20% e incidência de juros remuneratórios equivalentes a 115% do CDI, além de regras específicas de correção pelo IPCA, juros de mora e multa em caso de atraso.

Os interessados em participar das licitações devem realizar um cadastro prévio no portal da VIP Leilões. O edital completo, contendo descrições detalhadas, fotografias, matrículas dos bens e todas as exigências específicas para a conclusão da compra, está disponível para consulta no endereço eletrônico correios.vipleiloes.com.br.

© Marcelo Camargo / Agência Brasil

O primeiro leilão ocorrerá em 29 de outubro e abrangerá propriedades localizadas em Alagoas, Paraná, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e São Paulo
  •  

Dólar dispara, Bolsa despenca, acionando vários 'circuit breakers'. BC e Tesouro atuam no mercado como reflexo da reeleição de Lula

Aconteceu o que já era esperado com a vitória de Lula para um quarto mandato. As 11 horas a B3 informou que, devido ao acionamento do mecanismo de Circuit Breaker a negociação dos ativos à vista, renda fixa privada e opções referenciadas em ações, BDR, Ibovespa, Ibovespa B3 BR+, IBrX-50, Índice Small Cap, e ETFs está suspensa por 30 minutos.

O que chamou a atenção foi como isso aconteceu. Logo no início do pregão, a B3 acionou o mecanismo de Circuit Breaker — quando as negociações são interrompidas por um período em momentos de forte volatilidade do mercado. Durante esse período, as ofertas que não estiverem participando de leilão poderão ser canceladas. E que as negociações dos ativos citados acima serão retomadas em leilão das 10h30 às 10h35.

Uma das maiores quedas foi registrada nos papéis da própria B3 (B3SA3) e da plataforma Vamos (VAMO3), cuja desvalorização chegava a 49,94% e 59,4%, respectivamente.

O circuit breaker é um procedimento operacional da B3 previsto para momentos de forte queda do mercado. O mecanismo interrompe temporariamente as negociações e tem como referência a variação do Ibovespa B3, principal índice do mercado brasileiro de ações.


Entretanto, de uma maneira geral, os mercados reagiram muito mal ao fato político. Os mercados financeiros reagem, nesta segunda-feira, à inesperada vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de domingo contra o senador Flávio Bolsonaro, o candidato de direita preferido pela maior parte dos analistas.

O dólar comercial abriu em forte alta, de 8,65%, a R$ 5,42. O ministro da Fazenda Dario Durigam precisou ir à imprensa para dizer que a intervenção do Tesouro Nacional no mercado de títulos públicos, comprando papéis, foi para tentar ajudar o mercado a voltar à normalidade.

Ele disse que não via razão para os fatos: Nós precisamos ter alguma racionalidade. Eu não estou falando de controle de preço; estou falando de alguma racionalidade. Então, desde de manhã estou falando com o Banco Central, falando com o Tesouro.

O Tesouro vai intervir agora para dar racionalidade, para dar liquidez. Eu não estou falando de nível; o preço vai seguir em um nível mais alto, mas eu estou falando de normalidade. O Banco Central está avaliando (atuação no câmbio), junto conosco, para que a gente não faça uma intervenção nos juros, no título do Tesouro, e acabe pesando desproporcionalmente no câmbio. Então, nós estamos fazendo isso de maneira coordenada — afirmou o ministro.

Mas o mercado não entende assim. O Credit Default Swap (CDS) de 5 anos do Brasil, um derivativo que protege contra calotes na dívida soberana, termômetro do risco-país, sobe 26% nesta segunda-feira e opera em 151,7 pontos - na sexta-feira, estava em 120,2 pontos. O indicador acompanha a reprecificação dos ativos brasileiros com a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. É o maior patamar do índice desde junho de 2025.

Não será fácil. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lançou medidas que custaram R$ 405 bilhões ao fazer campanha pela reeleição, até conseguir uma virada histórica e derrotar o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, na disputa. A reação do mercado representa isso.


Histórico do circuit breaker no Brasil

O circuit breaker foi criado em 1997 e já foi acionado 23 vezes com esses destaque.

• 1997 – Crise asiática: o Ibovespa registrou queda de 10,19%;
• 1999 – Desvalorização do real: o Ibovespa caiu 10,29% no dia;
• 2008 – Crise do subprime nos Estados Unidos: houve seis interrupções em um mês;
• 2020 – Pandemia de Covid-19: o circuit breaker foi acionado seis vezes em março.

.

© Renato Araújo / Câmara dos Deputados

Dario Durigan, ministro da Fazenda
  •  
❌