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Fonteles nega que tenha tratado sobre cargos “com Lula ou qualquer pessoa”

30 October 2026 at 00:33

O governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), negou nesta quinta-feira (29) ter discutido a possibilidade de ocupar um cargo no próximo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em publicação no X, o petista afirmou que também não conversou sobre a política econômica do futuro governo.

“Reforço o que disse em algumas entrevistas: nunca tratei com o Presidente Lula ou com qualquer outra pessoa (seja familiar, amigo, aliado ou adversário) sobre cargos no seu próximo mandato e muito menos sobre política econômica”, escreveu.

Fonteles também disse que não saber de uma eventual viagem de Lula ao Piauí. “Informo também que não tenho conhecimento sobre nenhuma visita do Presidente ao nosso Estado”, acrescentou.

Na mesma mensagem, o governador comemorou sua participação na campanha presidencial e o desempenho dos aliados no estado. Fonteles passou a integrar o núcleo mais próximo das decisões do presidente reeleito no segundo turno, após garantir o cargo novamente no governo piauiense.

“Fico muito feliz em ter dado uma modesta contribuição para essa virada espetacular no segundo turno das eleições presidenciais, garantindo a nossa democracia, a nossa soberania e os direitos sociais do nosso povo”, afirmou.

Cotado para a Fazenda

Como mostrou a CNN Brasil, Fonteles é um dos nomes considerados para assumir o Ministério da Fazenda no quarto mandato de Lula. Segundo aliados, o governador sinalizou disposição para integrar a Esplanada caso fosse convidado pelo presidente. Sua atuação na comunicação da campanha durante o segundo turno ampliou a proximidade com o petista e fortaleceu seu nome nas discussões sobre a futura equipe.

Antes de chegar ao governo estadual, Fonteles comandou a Secretaria da Fazenda do Piauí e presidiu a Comsefaz, comitê que reúne os secretários estaduais da área. Ele é formado em matemática e mestre em economia matemática. Na terça-feira (27), o atual ministro da Fazenda, Dario Durigan, classificou o governador como um “excelente nome”.

 

Dados do TSE revelam os números mais digitados para anular votos

29 October 2026 at 22:24

No pleito deste ano, os eleitores que gostariam de anular os votos no segundo turno poderiam votar em qualquer número que não pertencesse aos partidos do presidente Lula (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL), que disputavam o Palácio do Planalto.

Conforme levantamento da CNN Brasil com base nos dados divulgados pelo TSE, o número mais utilizado para anular os votos foi “00”, que não pertence a nenhum partido e representou 54,5% dos votos nulos.

Confira a lista dos números mais utilizados para anular o voto:

  1. 00 – Sem partido – 1.483.343 votos – 54,5% dos nulos;
  2. 11 – PP (Partido Progressistas) – 162.324 votos – 6% dos nulos;
  3. 14 – Missão – 143.372 votos – 5,3% dos nulos;
  4. 12 – PDT (Partido Democrático Trabalhista) – 98.490 votos – 3,6% dos nulos;
  5. 99 – Sem partido – 78.143 votos – 2,9% dos nulos;
  6. 31 – Sem partido – 77.823 votos – 2,9% dos nulos;
  7. 15 – MDB (Movimento Democrático Brasileiro) – 77.389 votos – 2,8% dos nulos;
  8. 55 – PSD (Partido Social Democrático) – 61.750 votos – 2,3% dos nulos;
  9. 10 – Republicanos – 38.803 votos – 1,4% dos nulos;
  10. 33 – Mobiliza – 35.576 votos – 1,3% dos nulos;
  11. 44 – União Brasil – 35.254 votos – 1,3% dos nulos; 
  12. 23 – Cidadania – 27.427 votos – 1% dos nulos; 
  13. 45 – PSDB – 27.359 votos – 1% dos nulos; 
  14. 73 – Sem partido – 24.688 votos – 0,9% dos nulos; 
  15. 70 – Avante – 21.649 votos – 0,8% dos nulos; 
  16. 01 – Sem partido – 18.551 votos – 0,7% dos nulos; 
  17. 77 – Solidariedade – 16.615 votos – 0,6% dos nulos; 
  18. 25 – PRD – 16.319 votos – 0,6% dos nulos; 
  19. 67 – Sem partido – 15.298 votos – 0,6% dos nulos; 
  20. 88 – Sem partido – 14.840 votos – 0,5% dos nulos; 
  21. 20 – Podemos – 11.906 votos – 0,4% dos nulos; 
  22. 35 – Democrata – 11.474 votos – 0,4% dos nulos; 
  23. 66 – Sem partido – 10.423 votos – 0,4% dos nulos; 
  24. 56 – Sem partido – 10.335 votos – 0,4% dos nulos;
  25. 21 – PCB – 9.447 votos – 0,3% dos nulos;

Republicação de conteúdos após período de defeso eleitoral é concluída

By: EBC
29 October 2026 at 21:26

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A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) concluiu, nesta quarta-feira (28), o processo de republicação de todos os conteúdos que haviam sido despublicados durante o período de defeso eleitoral nos sites EBC.

A conclusão marca o encerramento das atividades do Grupo de Trabalho (GT) de Adequação ao Período Eleitoral 2026, criado para coordenar as medidas necessárias ao cumprimento da legislação eleitoral nos canais de comunicação da empresa.

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Instituído por portaria em 3 de junho, com a participação de todas as diretorias, o GT teve a missão de orientar, acompanhar, avaliar e supervisionar a disponibilização de conteúdos nos veículos e plataformas da EBC, incluindo rádio, televisão, portais, redes sociais e demais canais institucionais. A primeira reunião ocorreu em 12 de junho, e a última foi realizada em 27 de outubro.

"Quero parabenizar todos os integrantes do GT pelo empenho, pela responsabilidade e pela dedicação ao longo de todo esse processo. Foi um trabalho coletivo que exigiu diálogo, análise criteriosa e compromisso com o cumprimento da legislação", avalia Thiago Regotto, diretor-geral da empresa.

"Também agradeço a todos os empregados da EBC, que seguiram cumprindo nossa missão institucional de informar a população, com qualidade e responsabilidade. Encerramos esse ciclo com o reconhecimento do esforço de nossas equipes e a reafirmação do papel da EBC na garantia do direito à informação e no fortalecimento da democracia", finalizou, reforçando que as adequações não representaram restrição à atividade jornalística e que equipes seguiram trabalhando normalmente durante o período eleitoral, com apoio das diretorias e da Consultoria Jurídica para esclarecimentos e orientações sobre situações específicas.

Cronologia

Em 3 de julho, a Diretoria-Executiva comunicou a indisponibilização temporária de conteúdos publicados entre 1º de janeiro de 2023 e 3 de julho de 2026 que se enquadravam nas restrições eleitorais.

A medida alcançou portais, redes sociais e intranet. Permaneceram disponíveis os conteúdos de natureza eminentemente jornalística, documental, histórica, cultural ou educativa, cuja manutenção decorreu das finalidades institucionais da EBC e do direito fundamental de acesso à informação.

As medidas adotadas tiveram como base a legislação eleitoral e as orientações da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), da Advocacia-Geral da União (AGU), da Consultoria Jurídica da EBC e da Justiça Eleitoral.

O objetivo foi assegurar a conformidade dos conteúdos institucionais durante o período de restrições, preservando os princípios da comunicação pública, como transparência, isonomia, imparcialidade e pluralidade.

Com a conclusão da republicação nos sites EBC, a Empresa encerra mais uma etapa do trabalho de adequação eleitoral, reafirmando o compromisso com o cumprimento das normas legais e com a continuidade de sua missão de levar informação de interesse público à população brasileira.

Campanha orienta trabalhadores sobre denúncias de assédio eleitoral

29 October 2026 at 20:13

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Trabalhadores que têm a Carteira de Trabalho Digital receberão mensagens com orientações sobre seus direitos à liberdade de escolha política e como denunciar situações de coação, ameaça ou discriminação no ambiente profissional.

A medida faz parte da campanha do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) de combate ao assédio eleitoral no trabalho.

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“O objetivo é reforçar que ninguém pode sofrer ameaças, ser discriminado ou perder o emprego em razão de sua escolha política. A liberdade de consciência e o sigilo do voto são direitos garantidos pela Constituição Federal”, informou a pasta.

O MTE disponibiliza um canal específico para receber denúncias de trabalhadores que sofreram ou presenciaram situações de discriminação no ambiente de trabalho relacionadas ao voto ou ao posicionamento político.

Para registrar uma denúncia, basta acessar a página assedioeleitoral.trabalho.gov.br.

As denúncias podem envolver ameaças de demissão, represálias, pressão para votar em determinado candidato ou candidata e outras formas de constrangimento ou discriminação por motivação política.

Segundo o ministério, sempre que possível, é importante informar a data e o local da ocorrência, identificar o empregador e descrever os fatos. Mensagens, documentos, imagens, áudio e outros registros que ajudem a comprovar a situação também podem contribuir para a apuração e adoção de medidas cabíveis.

MPT vai à Justiça para que Meta apague postagens de assédio eleitoral

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O Ministério Público do Trabalho (MPT) acionou a Justiça, nesta quinta-feira (29), para obrigar a Meta a retirar do ar, em até 24 horas, todas as publicações que estimulem empresários a vigiar, expor, deixar de contratar e demitir funcionários por preferências políticas ou voto. O pedido inclui as plataformas Instagram, Facebook e Threads, que pertencem à big tech americana.

O MPT aponta a responsabilidade da Meta pelo conteúdo publicado em suas plataformas e pede que o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 2ª Região arbitre indenização de R$ 50 milhões por danos morais coletivos.

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Embora os sete procuradores que assinam a ação tenham apontado a urgência da remoção das publicações que caracterizem assédio eleitoral, a primeira audiência foi agendada para o dia 29 de março de 2027, na 77ª Vara do Trabalho de São Paulo.

>> Descubra se você está sofrendo assédio eleitoral e saiba como denunciar

Perseguição política

Conforme a Agência Brasil noticiou, as denúncias de assédio eleitoral aumentaram mais de 75% desde a última segunda-feira (26), dia seguinte ao segundo turno das eleições gerais, totalizando 1.459 casos em todo o país.

O maior número de denúncias é proveniente de São Paulo (620), seguido de Minas Gerais (351), Paraná (338), Rio de Janeiro (252), Rio Grande do Sul (223) e Santa Catarina (165).

Os dados coincidem com a multiplicação de relatos sobre incentivos a boicotes e a demissões de funcionários que tenham votado em candidato contrário à orientação política do patrão.

De acordo com o MPT, passado o pleito em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reelegeu, perfis nas plataformas digitais passaram a incentivar e orientar empregadores a vasculharem as redes sociais de seus funcionários ou colaboradores com o objetivo de descobrir em quem estes votaram e, no caso de a opção ser diferente da patronal, demiti-los.

“Outras publicações expõem pessoas à ridicularização, com nome e imagem, ou comemoram demissões”, sustenta o MPT, assegurando que só quatro das publicações analisadas em um único perfil, que totaliza 3,8 milhões de seguidores, somaram mais de 2 milhões de curtidas.

De acordo com o MPT, além de permitir conteúdos ilegais durante dias, os próprios sistemas de recomendação da Meta, como a aba ‘Explorar’ e os ‘Reels’ sugeridos, ampliam o alcance do que gera mais engajamento.

Consultada pela reportagem, a Meta informou que não comentaria o assunto.

Governo Trump deve acelerar processo de green card de Flávio, diz NYT

29 October 2026 at 19:46

Flávio Bolsonaro (PL) deve fazer a solicitação de residência permanente nos Estados Unidos “em algum momento”, e o pedido seria processado rapidamente pelo governo de Donald Trump, assim como ocorreu com Eduardo Bolsonaro, segundo o NYT (New York Times).

O green card, documento que deve ser solicitado por Flávio, permite que estrangeiros residam e trabalhem legalmente nos EUA por tempo indeterminado, desde que cumpram as regras da legislação migratória norte-americana.

Eduardo conseguiu o green card em julho deste ano, após mais de um ano esperando pelo atendimento da solicitação à administração federal.

Atualmente, o senador e sua família receberam do governo de Trump uma autorização condicional para permanecer nos Estados Unidos por até um ano. Assim, poderão ficar no país até outubro de 2027, pelo menos.

Essa permissão é concedida em casos específicos, incluindo casos de urgência humanitária.

Assessor de Trump providenciou jato em que Flávio fugiu

Ainda segundo o NYT, Jason Miller, um funcionário da área de comunicação da Casa Branca, providenciou o jato utilizado por Flávio Bolsonaro na fuga para os EUA.

O senador viajou na noite de terça-feira (27) com essa aeronave da Argentina para o Equador, onde foi feito o reabastecimento, e, então, para Miami, de acordo com uma fonte “a par da logística” dessa viagem ouvida pelo jornal americano.

Eduardo Bolsonaro manteve contato com o assessor de Donald Trump, ainda de acordo com o NYT. “O plano foi colocado em prática na segunda-feira, depois que o Sr. [Flávio] Bolsonaro foi orientado a entregar seus passaportes, informou a fonte”, pontua a reportagem.

Questionada sobre o assunto pela CNN Brasil, a Casa Branca redirecionou os questionamentos a Jason Miller. A CNN Brasil também entrou em contato com o Departamento de Estado dos Estados Unidos e com o assessor de Trump e aguarda retorno.

Trump diz que não vai se envolver

Na quarta-feira (28), Donald Trump confirmou que os Estados Unidos concederam a permissão para que Flávio entrasse no país.

Entretanto, quando foi perguntado por repórteres sobre a carta com teor golpista em que Flávio se autodeclarou “presidente eleito” do Brasil, o líder dos EUA afirmou que não comentaria o caso.

“Não vou me envolver. Foi uma eleição muito estranha, isso é certo”, acrescentou em outro momento.

Trump tem feito acusações, sem mostrar provas, de que a eleição brasileira pode ter sido fraudada. Autoridades do Brasil e de outros países, além de especialistas de órgãos independentes, atestaram a lisura da votação.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito no domingo (25) com vantagem de cerca de 4,4 milhões de votos sobre Flávio Bolsonaro. O petista recebeu 64,2 milhões de votos, contra 59,8 milhões do adversário.

Instituto prevê impacto fiscal de R$ 40 bilhões com medidas de Lula

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As medidas anunciadas durante a campanha eleitoral à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva podem ter impacto fiscal de R$ 40 bilhões sem previsão no Orçamento deste ano e no de 2027, estima a Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão consultivo vinculado ao Senado Federal. 

O cálculo considera mudanças no Bolsa Família, a perda de arrecadação relacionada à bets e um pacote de medidas voltado aos microempreendedores individuais (MEI).

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A estimativa consta no Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF) de outubro, divulgado nesta quinta-feira (29). Segundo a instituição, o valor não inclui outras propostas apresentadas durante a campanha, como a ampliação do programa Pé-de-Meia para estudantes do ensino superior e a gratuidade do transporte coletivo nos fins de semana.

O relatório também alerta para a necessidade de um ajuste fiscal para estabilizar a dívida pública e aponta perspectivas de déficit primário este ano e em 2027.

Contas

Os R$ 40 bilhões estimados pela IFI estão associados a três frentes de medidas anunciadas durante a campanha:

  • Bolsa Família: reajuste dos benefícios do programa social;
  • Bets: perda de arrecadação relacionada ao fim das apostas de quota fixa;
  • MEI: medidas de ampliação de benefícios para microempreendedores individuais.

O impacto fiscal poderá ser maior caso outras propostas sejam implementadas. 

A instituição ressalta que o cálculo não contempla o Pé-de-Meia Universitário nem a isenção de tarifas de transporte coletivo aos fins de semana.

A IFI projeta déficit primário de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos no país) este ano. Para 2027, a avaliação apresentada na abertura do relatório indica que os novos compromissos, somados às divergências entre as estimativas da instituição e os números do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA), podem elevar o déficit primário efetivo potencial a 1% do PIB.

O déficit primário ocorre quando as despesas do governo superam as receitas, desconsiderando o pagamento dos juros da dívida pública.

A instituição calcula que seria necessário alcançar um superávit primário de 2,1% do PIB para estabilizar a relação entre a dívida pública e o tamanho da economia.

“Considerando que a IFI estima ser necessário um superávit primário de 2,1% do PIB para estabilizar a relação dívida pública/PIB, esse quadro indica a necessidade de um ajuste fiscal equivalente a algo como 3 p.p. [pontos percentuais] do PIB”, afirmaram os diretores Marcus Pestana e Alexandre Andrade na apresentação do relatório.

Juros

O relatório também destaca que a elevação das estimativas para a taxa de juros real neutra (aquela que, em tese, não estimula nem desacelera a atividade econômica) aumenta o esforço necessário para estabilizar o endividamento público.

A mediana das estimativas de juro neutro chegou a 6,1% ao ano no terceiro trimestre deste ano, acima dos 5% utilizados anteriormente como referência pela IFI.

Nesse cenário, o superávit primário necessário para estabilizar a dívida subiria de 2,1% para 2,9% do PIB, mantidas as demais hipóteses do exercício apresentado no relatório.

A instituição também calcula que a probabilidade de a dívida bruta superar 90% do PIB até 2030 aumenta de 78,9% para 81,6% quando considerada a incerteza sobre o juro neutro.

Crédito público

Outro ponto abordado no relatório são as operações de crédito realizadas pela União com recursos do Orçamento, classificadas como despesas financeiras e que não entram diretamente no cálculo da meta de resultado primário.

Segundo a IFI, os pagamentos relacionados a créditos concedidos com recursos orçamentários passaram de R$ 71,7 bilhões em 2023 para R$ 220,3 bilhões acumulados até outubro deste ano.

Descontados os retornos ao Tesouro Nacional, as saídas líquidas chegaram a R$ 147,7 bilhões em 2025 e a R$ 180,5 bilhões nos dez primeiros meses deste ano.

Embora essas operações não comprometam formalmente o cumprimento das metas fiscais, a instituição avalia que elas têm impacto efetivo sobre a trajetória da dívida pública.

Previdência e BPC

A IFI também identificou pontos de atenção nas projeções orçamentárias para o Regime Geral de Previdência Social (RGPS) e o Benefício de Prestação Continuada (BPC).

No caso da Previdência, o relatório aponta que o Projeto de Lei Orçamentária de 2027 não contabiliza o impacto de uma decisão do Supremo Tribunal Federal sobre aposentadoria especial, estimado em R$ 13 bilhões.

Em relação ao BPC, a instituição observa divergências entre as projeções do governo e os dados disponíveis até agosto deste ano. Enquanto a estimativa governamental pressupõe redução do número de beneficiários no segundo semestre do ano e aumento das cessações em 2027, os registros indicavam expansão no total de benefícios emitidos.

Plano fiscal

Sobre a condução da política econômica após a reeleição de Lula, a instituição não prevê mudanças bruscas. A expectativa é de continuidade da estratégia gradualista de ajuste fiscal, com correções pontuais.

Os diretores da IFI, no entanto, defendem medidas consistentes para enfrentar o desequilíbrio das contas públicas e criar condições para a retomada dos investimentos.

“Sem um ajuste fiscal consistente não haverá retomada relevante dos investimentos estratégicos, crescimento acelerado, criação de empregos de qualidade, incremento da renda e dinheiro para financiar políticas públicas essenciais”, avalia Marcus Pestana.

O relatório também recomenda a apresentação de um plano fiscal para os próximos quatro anos e a definição do comando do Ministério da Fazenda, em meio às incertezas dos mercados financeiros.

Para a instituição, o desafio é conciliar o controle do endividamento, o financiamento de políticas públicas e a abertura de espaço no Orçamento para investimentos capazes de estimular o crescimento econômico.

Remanejamento

Na semana passada, o Ministério do Planejamento e Orçamento informou que pretende remanejar R$ 20 bilhões do Orçamento de 2027 para fazer frente aos novos gastos. A pasta não divulgou o impacto total das medidas anunciadas durante a campanha eleitoral. Apenas informou que o restante da diferença seria coberto pela revisão para baixo de estimativas de gastos obrigatórios no projeto de lei do Orçamento do próximo ano.

A mensagem de alteração do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027 será encaminhada ao Congresso Nacional assim que for designado o relator do projeto. 

Para este ano, a pasta informou que os impactos serão residuais porque a maior parte das medidas anunciadas só começam efetivamente a valer no próximo ano.

Apuração do 2º turno foi a mais rápida da história mesmo com prorrogação

29 October 2026 at 18:55

O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) registrou a apuração mais rápida da história recente da Justiça Eleitoral no segundo turno das eleições de 2026, realizado no domingo (25), mesmo com a votação prorrogada até as19h. Os dados constam em nota do tribunal e foram divulgados nesta quinta-feira (29).

A totalização de 100% das urnas foi concluída às 23h26, 52 minutos antes do segundo turno de 2022, quando o processo terminou à 0h18 de segunda-feira. Considerando o encerramento da votação às 17h, o procedimento levou 6 horas e 26 minutos, contra 7 horas e 18 minutos do pleito geral anterior.

O resultado matemático da eleição presidencial deste ano foi definido às 21h09, quando Luiz Inácio Lula da Silva (PT) atingiu o percentual irreversível para a vitória. Ao final, Lula foi reeleito para o quarto mandato, com 64.256.232 votos (51,79%), contra 59.826.041 (48,21%) de Flávio Bolsonaro (PL).

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Segundo o TSE, a velocidade não se deve apenas à capacidade de processamento dos sistemas, mas também à agilidade dos TREs (Tribunais Regionais Eleitorais) no envio dos dados a Brasília.

Por volta das 19h, quase todos os boletins de urna do país já tinham chegado aos servidores centrais do tribunal. Por isso, a avaliação é que a prorrogação em seções com filas teve impacto mínimo no tempo final. Em eleições anteriores, a demora costumava estar ligada ao envio de boletins de locais de difícil acesso ou com problemas de conexão, e não à soma dos votos.

A votação foi estendida por decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF (Supremo Tribunal Federal), depois das campanhas de Lula e Flávio relatarem dificuldades no transporte público. A totalização só passou a ser feita oficialmente pelo TSE após as 19h, em razão da decisão.

Em levantamento divulgado na terça-feira (27), o TSE informou que 34.393 votos foram registrados depois das 17h. Desse total, 32.399 foram computados entre 17h e 18h, 1.981 entre 18h e 19h e 13 após as 19h. O número equivale a cerca de 0,03% do total de votos e é muito inferior à diferença de 4.430.191 votos entre os dois candidatos.

Das 497.333 seções do país, 437.065 encerraram os trabalhos até as 17h10. Outras 24.268 funcionaram depois desse horário e registraram 8.673 dos votos computados após as 17h.

O segundo turno teve a participação de 128,2 milhões de eleitores, entre os mais de 158 milhões aptos a votar. A abstenção foi de 19,2%, abaixo dos 21,08% do primeiro turno.

Indígenas de MS denunciam casos de violência e ameaças após eleição

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Após o resultado das eleições presidenciais no domingo, indígenas da etnia Guarani Kaiowá do Mato Grosso do Sul fizeram diversas denúncias de casos de violência que envolvem tentativas de assassinatos e até ameaça de envenenamento da água da comunidade. 

Segundo o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), ao menos cinco casos de assassinatos de indígenas na região desde sábado (24) estão sendo investigados. 

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O coordenador do Cimi em Mato Grosso do Sul, Matias Benno Rempel, diz que os indígenas relataram diversos casos de intimidações durante a eleição. “Caminhonetes que rodavam pelo território e algumas agressões aos indígenas para tentar causar pânico na comunidade e evitar que eles fossem votar”. 

Mas ele ressalta que a violência no estado é constante.

“Agora temos holofotes para a região. Mas o que aconteceu essa semana, as tentativas de assassinatos, elas ocorrem o tempo todo com a população indígena Guarani Kaiowá. Essa violência que está sendo chamada de violência pós eleitoral, ela é um componente permanente de milícias do campo”, disse. 

A Fundação Nacional do Índio (Funai), o Ministério dos Povos Indígenas (MPI) e a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) encaminharam pedidos ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal para investigar os casos. Um deles envolve um atropelamento de indígena de forma proposital na cidade de Coronel Sapucaia, no sudoeste do estado, na fronteira com o Paraguai. 

Segundo dados da Apib, entre 2022 e 2026, seis indígenas da etnia Guarani Kaiowá foram assassinados no estado de Mato Grosso do Sul.  

Envenenamento da água

Outra denúncia investigada pelo MPF é a de uma ameaça de envenenar a água usada pela comunidade em retaliação ao resultado da eleição presidencial.

Em um áudio que foi atribuído a um funcionário da prefeitura de Tacuru, no extremo sul do estado, o homem diz ao interlocutor que os indígenas deveriam ser mortos por terem votado no candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT): Na gravação ele fala: “ponha (sic) veneno na água, (vamos) matar essas praga na água”. 

Segundo o coordenador do departamento jurídico da Apib, Ricardo Terena, a água na região é difícil e as comunidades indígenas dependem de caminhões pipa. E após a divulgação dos áudios, muitos passaram a não consumir mais essa água. O MPF de Mato Grosso do Sul deu um prazo de 24 horas para que a prefeitura de Tacuru esclareça se os áudios são verdadeiros, quem é o autor das ameaças e quais medidas estão sendo tomadas. 

MP analisa suspeita de xenofobia de jogador do Bahia que criticou Nordeste

29 October 2026 at 17:36

O Ministério Público da Bahia (MP-BA) abriu, nesta quarta-feira (28), procedimento para apurar suspeita de xenofobia contra o atacante Willian José, do Bahia.

Após o segundo turno das eleições, o jogador compartilhou nas redes sociais uma publicação que chamava o Nordeste de “câncer do país”. A postagem fazia referência à disputa presidencial entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).

O caso está com a Promotoria de Justiça de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa e não tem prazo para conclusão. O objetivo é investigar se o caso se encaixa no crime de xenofobia e se o atleta será indiciado por isso.

Segundo apurou a CNN Brasil, Willian José foi afastado do jogo desta quarta-feira, contra o São Paulo, na Fonte Nova, por causa da repercussão do caso. Parte da torcida pediu a rescisão do contrato do atacante, que termina em dezembro deste ano.

Novas publicações

Após a repercussão negativa, que levou ao afastamento, o atleta voltou a repostar conteúdos que criticam o resultado das eleições.

A maioria tinha o teor de boicote ao Nordeste e a eleitores do presidente Lula (PT). Em um deles, o gastroenterologista Doutor Morato Luiz Costa afirma que não pretende ajudar eleitores do vencedor da eleição.

Cadu Santoro: “é o momento para o próprio atleta refletir sobre o erro grave que cometeu.” realidade: Willian José no insta republicando conteúdo político postado 1 hora antes do jogo https://t.co/QVNjUafJ2S

— bruno (@_ecbruno) October 29, 2026

Procurado pela reportagem, o entorno de Willian José não respondeu sobre o assunto. O espaço está aberto, e a nota será atualizada em caso de novas informações.

O que diz Willian José

Natural de Alagoas, o atacante se manifestou nas redes sociais na última segunda-feira (27), depois da repercussão. Na ocasião, afirmou que a publicação tinha como objetivo questionar a atuação dos políticos e defender melhorias nas condições de vida da população.

“Sou nordestino e moro no Nordeste! Minha família é nordestina. Sei o que nosso povo passa e o quanto luta”, escreveu o jogador.

Na mesma postagem, Willian José afirmou que sua intenção era chamar a atenção para temas como educação, saúde, segurança e qualidade de vida. O centroavante também defendeu que os eleitores avaliem melhor suas escolhas nas urnas.

Bahia se posicionou sobre o episódio

Na terça-feira (27), o Bahia publicou uma nota oficial para se posicionar sobre o caso. O clube afirmou que não compactua com manifestações de ódio, xenofobia ou preconceito e reforçou seu compromisso com a defesa do Nordeste, de sua população e de sua cultura.

Sobre a publicação feita pelo jogador, a instituição informou que o assunto havia sido tratado internamente e destacou que o conteúdo compartilhado não representa os valores do clube.

O Bahia também reafirmou seu caráter apartidário e declarou que o respeito à diversidade, à dignidade e à identidade nordestina são princípios inegociáveis para a instituição.

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MPT recebe mais de 400 denúncias de assédio eleitoral desde o fim das eleições

29 October 2026 at 17:15

O Ministério Público do Trabalho (MPT) recebeu mais de 400 denúncias de assédio eleitoral desde o fim das eleições, nas 24 horas seguintes à votação foram contabilizadas cerca de 240 denúncias.

Os registros envolvem manifestações de parlamentares, influenciadores e empresários que incentivam demissões ou retaliações contra trabalhadores em razão do voto nas últimas eleições.

Segundo o órgão, as manifestações têm ocorrido de forma recorrente nas redes sociais. O MPT reforça que demitir ou retaliar funcionários por suas convicções políticas é ilegal e pode resultar em medidas judiciais na Justiça do Trabalho.

“O empresário é dono do seu negócio, e não do voto do seu empregado”, destaca o órgão, ao alertar para a importância de combater práticas de assédio eleitoral no ambiente de trabalho.

Como denunciar assédio eleitoral

O MPT orienta que qualquer cidadão pode denunciar casos de assédio eleitoral. Para contribuir com as investigações, é importante reunir provas, como prints e gravações de tela, e anexá-las à denúncia.

O órgão também ressalta que as plataformas digitais têm responsabilidade na moderação de conteúdos ilícitos e devem estar atentas às publicações que incentivem práticas ilegais.

O MPT afirma que acompanha os casos denunciados adotando as medidas cabíveis conforme cada situação. As denúncias podem ser feitas pelo site oficial do Ministério Público do Trabalho: mpt.mp.br/assedio-eleitoral.

© Elysangela Freitas/TRT-PE

Ministério Público do Trabalho (MPT)

Condenado por lesão corporal contra mulher fica inelegível, decide TSE

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O plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu, nesta quinta-feira (29), que a condenação colegiada por lesão corporal contra a mulher é razão para inelegibilidade. Por unanimidade, os ministros confirmaram a rejeição do registro de candidatura ao advogado João Francisco de Assis Neto, que queria se candidatar a deputado federal por Alagoas. 

O registro de candidatura já havia sido negado, por maioria, pelo Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL) em setembro, após representação do senador Renan Calheiros (MDB-AL). 

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Os ministros entenderam que o crime pelo qual o advogado foi condenado - lesão corporal praticada contra mulher por razão da condição de sexo feminino - se enquadra no mesmo eixo legal do feminicídio, podendo ser equiparado a um crime contra a vida.

Pela Lei da Ficha Limpa, fica inelegível por oito anos, a contar da sentença, quem for condenado por órgão colegiado por crime contra a vida e a dignidade sexual. Pelo entendimento unânime do TSE, a hipótese abarca as condenações por lesão corporal praticada contra a mulher em razão do gênero. 

Segundo as informações do processo, João Neto foi condenado em duas instâncias pela Justiça de Alagoas em 2025. Ele foi considerado culpado de ter empurrado sua esposa em casa, quando ela estava descalça sobre piso escorregadio, fazendo-a cair e bater o queixo no chão. A queda gerou uma ferida aberta e necessidade de intervenção cirúrgica. 

O caso ainda não transitou em julgado, mas os ministros do TSE ressaltaram que a Lei da Ficha Limpa prevê apenas a condenação por órgão colegiado, no caso a Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Alagoas, não sendo necessário o trânsito em julgado da condenação. Os recursos do advogado tramitam sem efeito suspensivo sobre a condenação. 

O relator do caso no TSE, ministro Dias Toffoli, afirmou em seu voto que a Justiça Eleitoral não está inovando, mas apenas considerando o aspecto material da proteção dada pela lei à integridade física da mulher. “Não se trata de criar nova causa de inelegibilidade”, avaliou. 

Ao final da votação, o presidente do TSE, ministro Kássio Nunes Marques, destacou o caráter inédito do julgamento e disse se tratar de “um momento histórico para o TSE”. Ele também sublinhou que a Justiça Eleitoral estaria apenas confirmando com a jurisprudência o que já está expresso na lei.

Além do próprio presidente, votaram com o relator os ministros Floriano de Azevedo Marques, Estela Aranha, Ricardo de Villas Bôas Cueva, Sebastião Reis Júnior e André Mendonça.  

Fuga e carta golpista ampliam isolamento de Flávio Bolsonaro

29 October 2026 at 16:06

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Aliados e ex-aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL) têm se manifestado em favor do resultado das eleições e contrários à postura do parlamentar e ex-candidato à presidência da República, que se recusou a reconhecer que foi derrotado, no segundo turno, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Os posicionamentos se tornaram mais enfáticos após a fuga para os Estados Unidos e a divulgação da carta golpista, na qual Flávio chegou a se autoproclamar presidente eleito, líder do Brasil e da oposição.

Partidos da base

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O União Brasil, partido da base de apoio da campanha de Bolsonaro, divulgou nota oficial assinada pelo presidente nacional da legenda, Antonio Rueda, em que ressalta a legitimidade do resultado eleitoral e defende o respeito à decisão dos eleitores.

“O União Brasil reafirma que a democracia é, para o partido, um valor inegociável. Ela não depende de quem vence ou perde uma eleição, mas do compromisso de todos com o veredito das urnas”, afirma o documento.

A legenda também declara que “a eleição de 25 de outubro transcorreu com lisura, e o seu resultado deve ser respeitado”.

O MDB também se manifestou sobre a legitimidade do processo eleitoral. Em publicação nas redes sociais, o partido reafirmou sua confiança no sistema eleitoral brasileiro e no resultado do pleito realizado no domingo. Parte das lideranças do MDB apoiou Flávio Bolsonaro na campanha. 

“O MDB reafirma sua total confiança no sistema eleitoral brasileiro e, portanto, na legitimidade do resultado do pleito do último domingo”, declarou a legenda.

O próprio PL, partido de Flávio Bolsonaro e de outros políticos de sua família, tornou público seu reconhecimento do resultado que deu a vitória a Lula.

O senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado e coordenador da campanha eleitoral de Flávio Bolsonaro (PL), também admitiu que não há provas de fraude eleitoral no segundo turno das eleições.

Nomes da direita

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), foi outro aliado de Flávio a se posicionar em favor do resultado das urnas. Em nota divulgada nesta quarta-feira, ele afirmou compreender a indignação do senador, mas destacou que o momento exige “responsabilidade, serenidade e a construção de uma oposição forte”.

"A eleição acabou e agora é preciso olhar para a frente. Entendo o sentimento de Flávio, entendo sua indignação e sua revolta, e esse sentimento é o de muitos brasileiros também. Mas o caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente”, disse Tarcísio.

Até mesmo o bispo JB Carvalho, líder da Comunidade das Nações, igreja de Brasília frequentada pelo senador, divulgou nesta quarta-feira (28) uma mensagem em defesa do resultado das urnas, que levou à eleição do presidente Lula. 

"As eleições terminaram. Não tem terceiro turno. Vida que segue!", disse o pastor nas redes sociais. "Vamos viver a vida. Pare de profetizar o caos. Deus dará a cada um segundo suas obras. E Ele terá misericórdia do Brasil".

O ex-candidato à Presidência Renan Santos (Missão) também criticou a decisão do senador de conduzir a oposição a partir do exterior e afirmou que a iniciativa não traz benefícios ao Brasil.

Para ele, Flávio tenta reproduzir o modelo de Juan Guaidó, que se apresentou como presidente interino da Venezuela, mas em um contexto diferente, no qual o Partido Liberal (PL) continua funcionando normalmente no país.

“Ele optou por não lutar aqui, e a verdade precisa ser dita: quando você acredita em algo, você luta na tua terra. Ele não quis lutar, a nossa terra não era boa o suficiente, ele vai lutar direto da Flórida”, afirmou Renan.

Renan disse não acreditar que a iniciativa represente risco institucional, mas classificou a atuação política no exterior como uma “oposição EAD”.

“Eu sou oposição natural ao governo Lula, mas o Brasil não ganha em nada com esta oposição EAD sendo feita lá dos Estados Unidos para atender no fundo ao interesse americano aqui. Eu estou aqui, vou lutar daqui e vou pagar as consequências das minhas ações”, declarou.

*Colaborou Luciano Nascimento.

MPT processa Meta em R$ 50 milhões por publicações com assédio eleitoral

29 October 2026 at 15:51

O MPT (Ministério Público do Trabalho) entrou, nesta quinta-feira (29), com uma ação civil pública contra a Meta, dona do Instagram, Facebook e WhatsApp, na qual cobra que a big tech tome medidas contra episódios de assédio eleitoral que vêm sendo registrados após o segundo turno das Eleições 2026, no domingo (25).

No documento, o MPT pede que sejam excluídas, em até 24 horas, publicações que incentivem a vigilância, exposição e demissão de funcionários por posicionamento político divergente. Pede, ainda, R$ 50 milhões de indenização por danos morais coletivos.

Segundo o órgão, foram registradas cerca de 1.459 denúncias de assédio eleitoral até às 12h desta quinta-feira (29), pouco mais de três dias após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Desde a confirmação da reeleição de Lula à Presidência da República, circulam nas redes sociais diversas publicações que incentivam empresários e donos de empresas a  vasculharem as redes sociais de funcionários para descobrir em quem eles votaram e, se houver divergência política, pede que eles sejam demitidos.

“Apenas quatro publicações de um único perfil, com selo de verificação e 3,8 milhões de seguidores, somavam mais de 2 milhões de curtidas”, diz o MPT.

O órgão pede também urgência para que a Meta remova, em até 24 horas, as publicações de assédio eleitoral, sob multa de R$ 500 mil por conteúdo mantido, e exiba um aviso de que não compactua com manifestações que incentivam a discriminação, retaliação ou punição de empregados por orientação política.

O MPT também requer a notificação dos perfis responsáveis por esses conteúdos e suspensão por 30 dias para aqueles que voltarem a publicar manifestações relacionadas.

MPT diz que Meta tem responsabilidade nos conteúdos postados nas plataformas

Para o MPT, a big tech permitiu a publicação e compartilhamento de “conteúdos ilegais” durante dias e ampliou o alcance de postagens do tipo ao recomendá-los por meio da aba “explorar” e “reels”.

“Se não os emprega para identificar a incitação à discriminação de trabalhadores por convicção política, é por escolha, e não por impossibilidade técnica”, afirmam os procuradores que assinam a ação.

A medida pede que a empresa crie uma política permanente de prevenção ao assédio eleitoral, mude regras de uso para proibir conteúdos relacionados, reforce a moderação em períodos eleitorais e preste contas periodicamente à Justiça.

A ação é assinada pelo procurador-geral do Trabalho, Gláucio Araújo de Oliveira, pela procuradora-chefe do MPT-SP, Vera Lúcia Carlos, além dos procuradores Igor Gonçalves, Luciana Coutinho, Tatiana Amormino, Diego Jimenez e Marcos Cutrim.

A CNN Brasil pediu um posicionamento da Meta, mas ainda não teve retorno. O espaço segue aberto para manifestação.

 

Denúncias de assédio eleitoral no trabalho disparam 75% após 2º turno

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As denúncias de assédio eleitoral aumentaram mais de 75% desde segunda-feira (26), dia seguinte ao segundo turno das eleições, com 1.459 registros nos últimos três dias, informou o Ministério Público do Trabalho (MPT). 

Até a manhã de segunda, o órgão havia recebido 1.937 denúncias do tipo. Desde então, a busca pelo MPT vem aumentando aceleradamente e as novas ocorrências já correspondem a cerca de 40% de todas as 3.396 denúncias recebidas em 2026. 

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O maior número de denúncias é proveniente de São Paulo (620), seguido de Minas Gerais (351), Paraná (338), Rio de Janeiro (252), Rio Grande do Sul (223) e Santa Catarina (165). 

>> Descubra se você está sofrendo assédio eleitoral e saiba como denunciar

Os dados coincidem com a multiplicação de relatos sobre incentivos a boicotes e a demissões de funcionários que tenham votado em candidato contrário à orientação política do patrão. 

Na terça-feira (27), por exemplo, a Justiça do Trabalho proibiu, em liminar, que a deputada estadual Índia Armelau (PL-RJ) incentive empregadores a discriminar, demitir ou perseguir trabalhadores por suas convicções políticas, sob pena de multa diária de R$ 5 mil. 

Reeleita com mais de 248 mil votos e com mais de 1 milhão de seguidores nas redes sociais, a deputada publicou a mensagem “Empresário, olha a rede social do teu funcionário aí e confere se ele fez o L. Acho que não faz sentido nenhum manter na tua empresa quem odeia empresários”, referindo-se a eleitores do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva. 

Na quarta-feira (28), o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, disse que o governo estuda a criação de uma “lista suja” de empresas que cometem assédio eleitoral no Brasil, incluindo pressão ou demissão por conta de opção política. Segundo ele, a empresa que cometer essa ilegalidade vai sofrer sanções de restrição de créditos públicos.

O assédio eleitoral no trabalho é crime e se configura quando alguém usa sua posição de poder no ambiente de trabalho para influenciar, constranger ou pressionar trabalhadores a votar, deixar de votar ou apoiar determinado candidato, partido ou posicionamento político.

"Resposta será ágil", diz TST

O presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, destacou que estão sendo atingidos trabalhadores assalariados e profissionais autônomos que divulgam seu trabalho por redes sociais e estabelecimentos comerciais de pequeno porte que manifestaram sua posição política. 

“É preciso que o recado seja dado com muita clareza. A resposta para aqueles que praticaram a ilegalidade será dura e rápida, será ágil. E mais: esses empregadores que, infelizmente, tiveram essa conduta, se preocupem. Porque o risco econômico que estão assumindo é muito grande”. 

O empregado que se considerar discriminado na relação de trabalho, em virtude de sua posição política, pode processar o patrão. Pela legislação, o empresário pode ser responsabilizado a indenizar o funcionário dispensado. 

A Lei 9.029/1995, por exemplo, diz ser “proibida a adoção de qualquer prática discriminatória e limitativa para efeito de acesso à relação de trabalho, ou de sua manutenção”. 

Em caso de condenação, o empresário pode ser obrigado a reintegrar o funcionário ou, caso este não queira continuar no emprego, ter que pagar em dobro os salários devidos por todo o período de afastamento. 

O princípio da não discriminação do trabalhador por convicção política está também expresso em diferentes artigos da Constituição e integra as Convenções 100 e 111 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), ambas ratificadas pelo Brasil. 

Câmara Municipal de SP discute impeachment do prefeito Ricardo Nunes

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Comissão especial da Câmara Municipal de São Paulo analisa nesta quinta-feira (29), às 16h30, o pedido de impeachment do prefeito Ricardo Nunes (MDB), feito por vereadores que o acusam de interferência no segundo turno das eleições.

O grupo de vereadores formado por Hélio Rodrigues (PT), Luana Alves (Psol), Rubinho Nunes (União), Major Palumbo (PP), Kenji Ito (Podemos), Sandra Santana (MDB e Sandra Tadeu (PL) analisará o pedido que acusa Nunes de descumprir decisão da Justiça Eleitoral que determinou a circulação de 100% da frota de ônibus na cidade de São Paulo no último domingo (25), segundo turno das eleições 2026.

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A determinação da Justiça Eleitoral foi descumprida. Apenas 60% da frota de ônibus foi mantida durante grande parte do dia, o que causou reclamação de eleitores que não conseguiam chegar às  zonas de votação.

A denúncia contra Nunes foi protocolada ainda no mesmo dia do segundo turno, pelos vereadores Celso Giannazi, Amanda Paschoal e Silvia da Bancada Feminista, todos do Psol-SP.

Na noite desta quarta-feira (29), a vereadora Luana Alves liderou protesto contra Nunes em frente à sede da prefeitura de São Paulo.

Mais dois atos contra o prefeito estão marcados para a próxima sexta-feira (30), na Praça Roosevelt (centro de SP) e no Largo da Batata, região de Pinheiros, no sábado (31).

“Ciclo eleitoral acabou e é hora de dialogar”, diz governador eleito do ES

29 October 2026 at 15:15

O governador eleito do Espírito Santo, Lorenzo Pazolini (Republicanos), afirmou nesta quinta-feira (29) que a classe política deve “iniciar um novo ciclo” destinado a “unir o país” após o resultado das eleições gerais deste ano.

“O período eleitoral se encerrou naquele momento. O que nós precisamos agora é de unir o país, é de unir as pessoas, é de dialogar intensamente para que as políticas públicas cheguem”, disse em entrevista à CNN Brasil.

Pazolini, que apoiou a campanha do candidato derrotado Flávio Bolsonaro (PL) durante o pleito, defendeu ainda o reconhecimento do resultado das urnas.

“O brasileiro fez as suas escolhas. À classe política cabe respeitar e formular, planejar, preparar os estados e preparar o Brasil para termos melhorias.”

O futuro mandatário capixaba destacou a atuação do seu correligionário Tarcísio de Freitas, governador reeleito de São Paulo, quem chamou de “farol da boa gestão pública”.

Também foram citados os demais governadores eleitos da região Sudeste. Além do governador paulista, disse que pretende trabalhar com Cleitinho (Republicanos), em Minas Gerais, e Douglas Ruas (PL), no Rio de Janeiro, para que os estados cresçam de forma harmônica.

Em relação a possibilidade do governador paulista disputar a Presidência da República em 2030, Pazolini afirma que haverá o tempo adequado para discutir a questão, mas “que não é agora”. Sua sugestão é que o momento pede “arregaçar as mangas, cuidar dos estados e do país”.

Lorenzo Pazolini foi eleito governador no segundo turno, quando recebeu 1.151.818 votos válidos, o equivalente a 52,17% dos sufrágios. Antes, foi prefeito de Vitória por dois mandatos. Seu adversário neste pleito, Ricardo Ferraço (MDB), teve 1.056.119 votos, 47,83% da preferência dos capixabas.

*Sob supervisão de Lucas Schroeder

TSE e aliados de Flávio defendem urnas após carta com teor golpista

29 October 2026 at 07:50

Após divulgação de carta com teor golpista pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), aliados do ex-candidato à Presidência e o próprio TSE (Tribunal Superior Eleitoral) se pronunciaram defendendo o resultado do segundo turno das eleições, que deu vitória ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

No texto, Flávio não reconhece a derrota no pleito e alega “fraude”, mas não apresenta provas de irregularidades no processo eleitoral. Na primeira versão, declarava-se “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Minutos depois, apagou a publicação e republicou o documento sem a frase, se dizendo “líder” do país.

Depois da acusação, o TSE se manifestou dizendo que “qualquer pessoa” pode baixar os arquivos das urnas e auditar o resultado da eleição.

Em publicação, a Justiça Eleitoral afirmou que os Boletins de Urna, o Registro Digital do Voto e os logs de cada equipamento estão disponíveis ao público. Os arquivos contêm informações sobre o funcionamento do equipamento, como os horários de início e encerramento da votação e o número de eleitoras e eleitores que votaram.

O presidente do Tribunal, Kassio Nunes Marques, também se pronunciou. Em nota, disse que as eleições “transcorreram dentro da mais absoluta normalidade e com respeito aos ditames legais e constitucionais”.

O ministro destacou o compromisso da Justiça Eleitoral com a “vontade soberana do eleitorado” e disse que o resultado do pleito foi entregue com segurança.

“Mesmo diante da instabilidade na reta final de votação, graças às medidas adotadas e a competência dos técnicos do Tribunal, foi possível avançar com a apuração e entregar um pleito com segurança”, escreveu em comunicado.

Ainda afirmou que todos os “questionamentos feitos dentro do devido processo legal” serão analisados e respondidos.

O que disseram os aliados

Alguns integrantes da campanha de Flávio à Presidência e aliados também se manifestaram após a divulgação do texto.

O governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), foi um dos primeiros a se pronunciar.

Em nota, afirmou que a oposição deve respeitar o resultado das eleições e atuar dentro das instituições democráticas. No texto, disse compreender a indignação de Flávio e destacou que o sentimento é compartilhado por parte dos brasileiros.

“A eleição acabou e agora é preciso olhar para a frente. Entendo o sentimento de Flávio, entendo sua indignação e sua revolta, e esse sentimento é o de muitos brasileiros também. Mas o caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente”, afirmou.

Para Tarcísio, o momento exige “responsabilidade, serenidade e a construção de uma oposição forte”. No texto, ainda defendeu que a atuação dos oposicionistas ocorra dentro das instituições para fortalecer o sistema de freios e contrapesos da democracia.

Nesta quarta, o governador disse ter recomendado que Flávio permanecesse no Brasil após derrota nas eleições. Também afirmou, em entrevista ao Estadão, que não sabia que o senador pretendia viajar para os Estados Unidos.

Tarcísio já havia reconhecido o resultado do pleito em vídeo publicado nas redes sociais na terça (27). Na publicação, disse que “reconhecer o resultado não significa calar sobre os excessos”, fazendo críticas à gestão de Lula.

Outro nome que discordou do teor da carta de Flávio foi seu coordenador de campanha e líder da Oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN).

Marinho disse nesta noite que não é possível afirmar, sem provas, que as eleições foram fraudadas.

“Agora é evidente que, se você faz alguma afirmação, você precisa trazer provas. Eu não posso fazer essa afirmação, não tenho provas e eu acabei de dizer que é um desabafo de alguém que está se sentindo injustiçado”, disse o senador.

Marinho ainda afirmou não ter sido consultado sobre o documento divulgado pelo ex-candidato à Presidência e que não sabe como Flávio vai atuar dos Estados Unidos para coordenar a direita. Também voltou a dizer que não sabia que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deixaria o país.

Após a carta de Flávio, o União Brasil, que havia lhe apoiado no segundo turno, também divulgou nota dizendo reconhecer que o processo eleitoral “transcorreu com lisura e o seu resultado deve ser respeitado”.

A Federação União Progressista — formada pelo União e pelo PP — já havia se posicionado pelo reconhecimento do resultado. O presidente do partido, Antônio Rueda, disse que “a soberania popular se manifestou de forma livre” nas urnas.

Outros partidos que declararam apoio a Flávio no segundo turno também reconheceram a vitória de Lula, como o Republicanos, o Podemos e o MDB.

Carta de Flávio

Na tarde desta quarta, Flávio divulgou uma carta em que se apresentava como “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Minutos depois, apagou o texto e republicou um novo sem usar a frase.

No documento, o senador confirma que está nos Estados Unidos com a família e diz que vai liderar a oposição no exterior. Ainda acusa “fraude eleitoral” no segundo turno das eleições, mas não apresenta provas de irregularidades no processo eleitoral.

O ex-candidato do PL (Partido Liberal) cita a decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF (Supremo Tribunal Federal), que prorrogou a votação de domingo (25) até as 19h, como um dos argumentos. Ele se refere a Zanin como “ex-advogado de Lula” e afirma que o magistrado permitiu uma “impossibilidade matemática”.

Segundo a Justiça Eleitoral, Lula venceu no segundo turno com 64.256.232 votos (51,79% dos válidos), contra 59.826.041 (48,21%) de Flávio — uma diferença de 4,4 milhões de votos.

Como mostrou a CNN, dados oficiais divulgados pelo TSE mostram que 34.393 votos foram computados após as 17h do dia do pleito. Dessa forma, mesmo que todos os votos dados no horário extra tivessem ido para o petista, eles representariam menos de 1% da diferença final entre os candidatos.

No próprio domingo, Nunes Marques já havia declarado que a prorrogação do horário de votação não comprometeu o pleito.

“Volto a dizer: não houve nenhuma alteração advinda da decisão judicial. Temos absoluta segurança de todo o processo eleitoral”, destacou.

Desde a divulgação dos resultados, Flávio disse não reconhecer o resultado do segundo turno e afirmou que pediria anulação das eleições. Um dia depois, porém, integrantes da campanha do ex-candidato ouvidos pela CNN disseram que ele havia desistido de questionar a validade da votação.

Na terça (27), aliados relataram à CNN que Flávio havia deixado o Brasil.

O senador chegou em Miami, nos Estados Unidos, na manhã desta quarta após passar pela fronteira da Argentina, fazer escala no Equador — onde parou para abastecer — e decolar em direção aos EUA.

 

Da Argentina à carta com teor golpista: veja a cronologia da fuga de Flávio

29 October 2026 at 07:00

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chegou aos Estados Unidos na manhã desta quarta (28), em um avião particular com a mulher e as duas filhas, e ainda pela tarde publicou uma carta de teor golpista, na qual se autodeclara “líder” do Brasil. Inicialmente, aliados do ex-candidato à Presidência informaram que ele havia fugido ao país norte-americano na véspera.

Após deixar o Brasil pela fronteira com a Argentina às 22h50 da terça-feira, Flávio fez uma escala em Guayaquil, no Equador, e desembarcou às 9h23 (10h23, no horário de Brasília), no Aeroporto Executivo de Miami-Opa Locka, na Flórida, segundo dados do site FlightRadar24, que monitora a malha aérea internacional, em tempo real.

Mais tarde, Flávio publicou a primeira versão de uma carta com teor golpista em que se autodeclarava o “verdadeiro presidente eleito” do Brasil. Minutos depois, o documento foi alterado para trocar o termo por “líder”, mas continuou causando reações de aliados e adversários políticos.

Entenda, a seguir, a sequência dos acontecimentos desta quarta.

De Foz do Iguaçu a Miami

A saída de Flávio do Brasil foi acompanhada de informações falsas sobre o paradeiro do senador. Enquanto aliados e interlocutores americanos afirmavam que Flávio já havia deixado o país e chegado aos Estados Unidos, o senador ainda estava em território brasileiro.

Flávio passou a terça-feira em uma fazenda na região de Foz do Iguaçu, no Paraná, antes de deixar o Brasil à noite. A informação sobre a permanência na propriedade foi divulgada pela emissora argentina C5N.

Por volta das 22h50, ele, a mulher e as duas filhas cruzaram a fronteira entre Brasil e Argentina, pela Ponte Internacional Tancredo Neves, na província argentina de Misiones, rumo ao aeroporto de Puerto Iguazú. De lá, embarcaram em um jato particular com destino a Guayaquil, no Equador.

O voo, operado pela empresa argentina Baires Fly, utilizou uma aeronave Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW. Segundo o site da empresa, a aeronave tem capacidade para 13 passageiros, e camas para 6 passageiros simultaneamente. O avião pode atingir uma velocidade de até 850 km/h.

A rota passou por Paraguai, Bolívia e Peru, sem cruzar o espaço aéreo brasileiro — um trajeto premeditado para evitar interceptações. O avião chegou ao Equador por volta das 5h35 desta quarta-feira para uma parada para abastecimento. Na reta final, o avião sobrevoou o Panamá e Cuba, e seguiu para Miami.

O voo chegou a ser o mais monitorado do mundo na plataforma FlightRadar24, com cerca de 53 mil pessoas acompanhando a aeronave às 10h18.

Flávio usou um passaporte italiano para entrar na Argentina. Para ingressar nos Estados Unidos, teria utilizado um passaporte diplomático brasileiro que já tinha sido cancelado na véspera.

A PF (Polícia Federal) informou que não encontrou registro oficial de saída do senador pelos postos brasileiros de controle migratório. A corporação também esclareceu que restrições relacionadas a documentos de viagem, isoladamente, não tornam uma pessoa foragida nem autorizam sua prisão ou vigilância permanente.

Aliados defendem fuga, família fala em “perseguição”

A ex-vereadora Rogéria Bolsonaro, mãe de Flávio, lamentou a fuga do filho para os EUA em publicação nas redes sociais. “Meu coração sangra (graças a Deus que é um coração forte), porque mais um filho se viu obrigado a deixar sua pátria amada por causa de perseguições injustas, descabidas e arbitrárias.”

Horas depois, Jair Bolsonaro pediu autorização ao STF para receber a visita do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. O pedido foi concedido, e a previsão é de que eles se reúnam nesta quinta-feira (29), por volta das 11h.

A bancada do PL no Congresso também manifestou “total apoio” ao senador. Em nota divulgada nas redes sociais, os líderes do partido na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), e no Senado, Carlos Portinho (RJ), criticaram a forma como a imprensa tratou a saída do parlamentar e contestaram a caracterização de Flávio como foragido.

O advogado de Flávio, Tracy Reinaldet, afirmou à CNN Brasil que havia combinado com o senador a entrega dos passaportes à PF. Segundo ele, o plano era buscar os documentos na casa do parlamentar na terça-feira, prazo final para o cumprimento da ordem judicial. Reinaldet disse que foi surpreendido pela viagem e soube dela pela imprensa.

“Em momento algum dessa reunião foi sequer cogitada a possibilidade de o senador Flávio deixar o país“, disse Reinaldet.

Oposição cobra apuração

Após a confirmação do desembarque de Flávio em território americano, a oposição cobrou a apuração das circunstâncias de sua saída do país.

O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), e o deputado Rogério Correia (MG) acionaram a Polícia Federal para investigar quem teria ajudado Flávio a deixar o Brasil e chegar aos Estados Unidos.

Os parlamentares pedem que sejam apuradas possíveis redes de apoio político e financeiro, inclusive com eventual participação de integrantes dos governos de Donald Trump e Javier Milei.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por sua vez, orientou ministros a evitar manifestações recorrentes sobre a saída do senador. A avaliação no Planalto é que os desdobramentos devem ficar sob responsabilidade da Polícia Federal e do Ministério da Justiça, para evitar alimentar a narrativa de perseguição política.

Carta com teor golpista e reações de aliados

No início da noite, Flávio divulgou uma carta em que afirmou que a eleição presidencial havia sido fraudada, sem apresentar provas.

Na primeira versão, o senador se declarou “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Minutos depois, publicou uma nova versão, na qual substituiu a expressão por “líder do Brasil”.

No texto, afirmou que pretende comandar a oposição do exterior e comparou sua situação à de Rui Barbosa e Charles de Gaulle, que atuaram fora de seus países em contextos históricos distintos.

Após a publicação, o presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Kassio Nunes Marques, afirmou em nota que as eleições transcorreram “dentro da mais absoluta normalidade e com respeito aos ditames legais e constitucionais”. O ministro ressaltou que a Justiça Eleitoral respeitou a vontade do eleitorado e entregou o resultado com segurança.

Em reação à carta, além das manifestações de parlamentares da oposição e de aliados de Lula nas redes sociais, parte dos aliados do próprio Flávio adotou um tom de cautela e evitou endossar a acusação de fraude eleitoral, defendendo o respeito ao resultado das urnas e a necessidade de apresentar provas.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que apoiou Flávio na campanha, disse compreender a indignação do senador, mas defendeu o respeito ao resultado das urnas.

“A eleição acabou e agora é preciso olhar para a frente. Entendo o sentimento de Flávio, entendo sua indignação e sua revolta, e esse sentimento é o de muitos brasileiros também. Mas o caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente”, afirmou.

O União Brasil também reconheceu a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em nota, a legenda declarou que o processo eleitoral transcorreu com lisura e que o resultado deve ser respeitado.

Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado e coordenador da campanha do senador, afirmou que não há provas para sustentar a alegação. “O PL não pode fazer essa afirmação, nem eu posso fazer essa afirmação, porque não há provas nesse sentido”, declarou.

Mais tarde, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, publicou a primeira imagem ao lado do senador.

“Como diria o Professor Olavo: não parar, não precipitar, não retroceder”, escreveu. Segundo Eduardo, a imagem foi registrada nesta quarta. “Ontem foi um dia longo, talvez o mais longo da minha vida. Mas prevalecemos. Mesmo aqui de fora não desistiremos do Brasil.”

 

Tarcísio afirma que orientou Flávio a ficar no Brasil após eleição

29 October 2026 at 01:28

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), disse que recomendou a Flávio Bolsonaro (PL) que permanecesse no Brasil após perder a eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em entrevista ao Estadão nesta quarta-feira (28), afirmou que não sabia que o senador pretendia viajar para os Estados Unidos.

A orientação foi discutida em um encontro com advogados e integrantes da campanha, entre eles o senador Rogério Marinho (PL-RN). Segundo o governador, a recomendação também era recorrer aos mecanismos previstos na legislação eleitoral, em vez de rejeitar o resultado. Ele sustentou que eventuais alegações de abuso de poder político e econômico deveriam ser apresentadas à Justiça por meio de ações de investigação.

“O conselho que nós demos a ele […] foi que ficasse”, relatou Tarcísio. “Foi na reunião na casa dos advogados, quando a gente discutia, por exemplo, o próprio recado à nação, que foi a gravação daquele vídeo. Ali ele não fala mais que não vai reconhecer o resultado. Isso não cabe. Fala, por exemplo, que vai pedir a cassação, porque a cassação da chapa é algo normal”, disse o governador.

Embora tenha defendido a permanência do aliado no país, Tarcísio evitou condenar sua escolha. “Não julgo a decisão que foi tomada”, afirmou, mencionando a situação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pai do senador, que está preso.

O governador também criticou a exigência de entrega dos passaportes de Flávio e classificou a medida como “intimidação”. “Uma pessoa que acabou de conquistar 60 milhões de votos, minutos depois da proclamação do resultado, já está sendo ali admoestado pela Polícia Federal, mas com que base? Essa é a pergunta”, disse Tarcísio.

Governador defende respeito às urnas

A entrevista ocorreu antes da divulgação da carta na qual Flávio se apresentou como presidente eleito e alegou fraude sem apresentar provas. Posteriormente, o senador alterou o documento e passou a se definir como líder do Brasil.

Após a publicação da carta, Tarcísio afirmou que o resultado eleitoral deve ser respeitado. O governador disse compreender a indignação do aliado, mas defendeu que a oposição fiscalize o governo e exerça suas funções dentro das instituições democráticas.

Flávio deixou o país apesar da determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), que proibia sua saída e exigia a entrega dos passaportes. A ordem foi expedida em uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O senador nega irregularidades.

No segundo turno, Lula recebeu 64.256.232 votos, ou 51,79% dos válidos, enquanto Flávio somou 59.826.041, equivalentes a 48,21%. A diferença foi de aproximadamente 4,4 milhões de votos.

O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que a prorrogação da votação não comprometeu o processo. “Não houve nenhuma alteração advinda da decisão judicial. Temos absoluta confiança em todo o processo eleitoral”, declarou após o resultado.

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