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Empresa que quer explorar lítio em Trás-os-Montes conclui trabalhos geotécnicos e diz que vê “cada vez maior aceitação”

A Savannah anunciou hoje que concluiu os trabalhos geotécnicos no âmbito da mina de lítio do Barroso, em Boticas, numa área onde se instalará a fábrica e se concentrarão as atividades durante os primeiros oito anos de operação.

“A conclusão desta campanha representa mais um passo concreto no desenvolvimento do projeto lítio do Barroso. Foram cinco meses de trabalho intenso, com uma equipa alargada e envolvendo empresas locais e regionais, que nos permitiram recolher um conjunto muito significativo de informação técnica para a próxima fase do projeto”, afirmou, citado em comunicado, o diretor-executivo (CEO) da Savannah, Emanuel Proença.

Entre terça-feira e hoje, algumas dezenas de pessoas concentraram-se junto a um local de sondagens em Covas do Barroso, em terreno baldio abrangido pela servidão administrativa concedida pelo Governo em maio, para bloquearem os trabalhos da empresa e protestarem contra o projeto mineiro.

Hoje juntaram-se cerca de 50 pessoas naquela área florestal onde estavam máquinas da empresa.

No comunicado divulgado hoje, a Savannah disse que, “ao contrário do referido repetidamente, o protesto dos últimos dias não paralisou trabalhos”.

“Conforme a empresa foi esclarecendo, não estavam previstas intervenções no local dos protestos, encontrando-se o programa já concluído nessa área. As operações prosseguiram noutras frentes de trabalho, de acordo com o planeamento definido pela empresa. A Savannah reafirma que a sua atuação no local ocorreu ao abrigo da servidão administrativa concedida pela Estado português”, salientou a empresa.

A Savannah disse ter comunicado hoje ao mercado que concluiu “com sucesso” no início da semana os trabalhos de reconhecimento geotécnico e hidrogeológico previstos para o bloco neste do projeto. Esta é a área onde se instalará a fábrica e se concentrarão as atividades durante os primeiros oito anos de operação.

“Relativamente à contestação ao projeto dos últimos dias, por sermos da região, sabemos que a mesma não representa o sentimento local. Nós vemos no dia a dia a cada vez maior aceitação do projeto por todos aqueles que acolheram a via do diálogo, vemos o interesse que as pessoas têm no projeto e nas oportunidades que ele está já a criar nas comunidades”, acrescentou Emanuel Proença.

O responsável referiu que “mais de 2.000 candidatos a novos empregos e 50 novas vagas para preencher nos próximos meses, reforçam a grande responsabilidade” que a empresa “tem em mãos”.

A campanha durou cinco meses e envolveu 276 pontos de observação e mais de 180 poços de reconhecimento e, segundo a empresa, os trabalhos “representaram um investimento superior a 500 mil euros em serviços diretos na economia local”.

Realizaram-se ainda 32 sondagens para piezómetros, que permitem medir e acompanhar os níveis de água, e 30 sondagens geotécnicas, que forneceram dezenas de amostras destinadas a caracterizar as condições das fundações das futuras instalações e a qualidade dos materiais que poderão ser utilizados em construção.

A empresa concretizou que, para além dos mais de 40 trabalhadores da Savannah envolvidos nesta campanha, os trabalhos mobilizaram, em média, cerca de 30 profissionais por dia.

A contestação à mina é feita há oito anos e já a 09 de outubro a associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso interrompeu os trabalhos da empresa, com a GNR a identificar 27 opositores à mina de lítio.

O projeto mineiro foi viabilizado pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), com a emissão de uma Declaração de Impacte Ambiental (DIA) favorável condicionada em 2023.

A empresa Savannah Resources pretende iniciar a construção em 2027 e alcançar a primeira produção em 2028.

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Greve de trabalhadores da Misericórdia da Póvoa de Varzim com adesão de 30%

 A greve dos trabalhadores da Santa Casa da Póvoa de Varzim para contestar os horários impostos e reivindicar aumentos salariais e o cumprimento do contrato coletivo de trabalho regista uma adesão de cerca de 30%, disse hoje fonte sindical.

Em declarações à Lusa, Célia Vareiro, do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP), explicou que a alteração dos turnos, fixada em 26 de outubro, levou a que “alguns trabalhadores passassem a terminar o horário às 00:00”, situação que considera “incompatível com as responsabilidades familiares e as limitações dos transportes públicos”.

“Há trabalhadores a pensar em despedir-se. Alguns residem longe do local de trabalho e não dispõem de transporte próprio para regressar a casa durante a noite”, disse.

A greve decorre durante todo o dia e abrange trabalhadores de várias categorias profissionais da instituição que, segundo Célia Vareiro, conta com “cerca de 250 funcionários” e assegura respostas sociais como lares, unidades de cuidados continuados, apoio domiciliário, centro de dia e serviços de fisioterapia.

No final de uma concentração frente à Santa Casa da Misericórdia da Póvoa de Varzim, realizada cerca das 07:30, o sindicato entregou “declarações individuais dos trabalhadores contestando os horários e manifestando a intenção de continuar a cumprir os horários anteriores, alegando que a vida familiar e pessoal estava organizada em função desses períodos de trabalho”.

Segundo Célia Vareiro, a alteração dos turnos afeta sobretudo os trabalhadores de apoio, serviços gerais e ajudantes de ação direta.

À Lusa, a responsável sindical denunciou ainda “a substituição de trabalhadores em greve, através da realização de turnos de 12 horas por trabalhadores escalados para o turno da tarde e da alteração das folgas de outros funcionários para assegurar os serviços mínimos”.

A dirigente do CESP considerou que a adesão à greve também é condicionada pela “existência de muitos trabalhadores contratados e pelo receio de represálias, nomeadamente entre os que temem não conseguir assegurar a continuidade do vínculo laboral”.

Entre as reivindicações dos trabalhadores estão aumentos salariais significativos, a redução do horário de trabalho para 35 horas semanais, o cumprimento das cláusulas do contrato coletivo, o pagamento dos subsídios de turno, a atualização das categorias profissionais e a progressão nas carreiras.

O sindicato contesta igualmente o tratamento dos intervalos para refeição e a organização dos horários, alegando que não estão a ser respeitadas as disposições previstas no contrato coletivo de trabalho.

De acordo com Célia Vareiro, a administração da instituição comprometeu-se a conceder as duas folgas e a pagar os subsídios de turno a partir de agora, mas não respondeu favoravelmente às restantes reivindicações.

A sindicalista afirmou que os trabalhadores reclamam o pagamento dos subsídios de turno relativos a cerca de 15 anos, período durante o qual, segundo o sindicato, esses valores não foram pagos.

Contactado pela Lusa, o provedor da Santa Casa da Misericórdia da Póvoa de Varzim, Virgílio Ferreira, remeteu esclarecimentos sobre este protesto para mais tarde.

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Pelo terceiro dia consecutivo há protesto contra mina de lítio em Trás-os-Montes

Pelo terceiro dia consecutivo, cerca de 50 pessoas concentram-se esta manhã junto a um local de sondagem da Savannah numa zona baldia, em Covas do Barroso, Boticas, em protesto contra a mina de lítio que a empresa quer explorar.

“O bloqueio para nós tem sido um enorme sucesso. A Savannah está há três dias sem trabalhar no baldio. E é preciso desmontar o que tem sido a narrativa da empresa, ao afirmar que não planeava de qualquer forma trabalhos nestes dias. Alguém acredita nisto vindo de uma empresa que está pressionada para avançar com os licenciamentos de um projeto que se arrasta há quase 10 anos? É conversa de conveniência para amenizar as preocupações dos investidores”, afirma, citado em comunicado, presidente da associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso (UDCB), Nélson Gomes.

Os protestos começaram na terça-feira e a empresa tem dito que, nestes dias, “não estavam previstos trabalhos no local do protesto” e que os trabalhos no terreno seguem um “calendário próprio definido unicamente pela Savannah, dentro do respeito pela servidão administrativa concedida pelo Estado Português”.

A GNR não tem sido chamada ao local.

“A Savannah continua a trabalhar em várias frentes, cumprindo o seu plano de trabalhos tanto no terreno como na conclusão do estudo de Relatório de Conformidade Ambiental do Projeto de Execução (RECAPE), na frente de financiamento e em tantas outras áreas de relevo”, realça ainda a empresa.

Os trabalhos decorrem numa área de baldio abrangida por uma servidão administrativa, concedida pelo Governo em maio, que permite à empresa realizar operações de sondagem, apesar da oposição dos proprietários e compartes.

Maria Loureiro, pastora de Romainho, disse, também citada no comunicado, que hoje o dia de bloqueio está a ser “muito especial” porque “chegaram pessoas de todas as pontas do país para ajudar” no protesto.

“Mostra o quanto cada vez mais isto não é uma luta apenas de Covas do Barroso. O que só nos dá mais convicção de que estamos a fazer a coisa certa, quando dizemos não a este projeto”, refere ainda.

Rui Valente, ativista do Porto, foi uma das pessoas que se deslocou a Covas do Barroso para apoiar a população no Barroso, explicando que o que o se passa nesta aldeia o revolta.

“Não é difícil imaginar a dificuldade que seria para estas pessoas aguentarem um bloqueio deste tipo, a ter de deixar constantemente o trabalho e questões familiares em suspenso. Foi a pensar nisso que juntei um grupo de amigos e viemos ajudar. Eu sou de fora, mas na verdade, como habitante do Porto, isto também me pode vir a afetar. A contaminação do rio Covas, em última análise, é também a contaminação do rio Douro”, afirma, também citado no comunicado.

A contestação à mina é feita há oito anos e já em 09 de outubro a associação interrompeu os trabalhos da empresa, com a GNR a identificar 27 opositores à mina de lítio.

O projeto mineiro foi viabilizado pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), com a emissão de uma Declaração de Impacte Ambiental (DIA) favorável condicionada em 2023.

A empresa Savannah Resources pretende iniciar a construção em 2027 e alcançar a primeira produção em 2028.

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Populares mantêm protesto contra mina de lítio em Trás-os-Montes

Opositores à exploração de lítio em Covas do Barroso, Boticas, mantêm hoje o protesto contra os trabalhos de prospeção da Savannah para “defender um modo de vida” e mostrar que recusam viver “ao lado de uma mina”.

“É o nosso modo de vida que está em causa. E nós temos toda a legitimidade para não aceitar este projeto. Não queremos, não concordamos, ninguém nos pode obrigar à força a aceitar uma coisa que não queremos”, afirmou hoje à agência Lusa o presidente da Associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso (UDCB), Nélson Gomes.

Esta manhã, cerca de 40 pessoas voltaram a concentrar-se junto ao mesmo local de prospeção e onde estão máquinas da Savannah, em terrenos baldios, abrangidos pela servidão administrativa concedida pelo Governo em maio.

Contactada pela Lusa, fonte da empresa disse que “não estavam previstos trabalhos no local do protesto, nem terça-feira nem hoje” e que os “trabalhos no terreno seguem um calendário próprio, definido unicamente pela Savannah, dentro do respeito pela servidão administrativa concedida pelo Estado Português”.

A GNR não foi chamada ao local.

“A Savannah continua a trabalhar em várias frentes, cumprindo o seu plano de trabalhos tanto no terreno como na conclusão do estudo de Relatório de Conformidade Ambiental do Projeto de Execução (RECAPE), na frente de financiamento e em tantas outras áreas de relevo”, realçou ainda a empresa.

A servidão administrativa autorizada pelo Governo permite à Savannah aceder a terrenos sobre os quais, segundo os que contestam o projeto mineiro, “a comunidade mantém direitos e usos coletivos, contornando a recusa local em autorizar os trabalhos”.

A contestação à mina é feita há oito anos e já a 09 de outubro a associação interrompeu os trabalhos da empresa, com a GNR a identificar 27 opositores à mina de lítio.

“É claro que nos preocupa conviver com uma mina aqui às portas de casa. É o barulho, é o ruído, é toda esta destruição cá nas florestas, nos terrenos agrícolas”, referiu Nélson Gomes, que sublinhou que a exploração mineira “é das atividades que mais impactos têm, quer a nível mundial, social e ambiental”.

Nélson Gomes realçou ainda o impacto sobre a água.

“Cada vez mais, nós neste momento estamos quase no mês de novembro, que já era para ter chovido bastante e continuamos num período de seca. Estamos praticamente há seis meses sem chover, quer dizer, uma região que era abundante em água e neste momento começa a escassear a água”, referiu.

Adiantando anda que, como a exploração mineira precisa de uma quantidade enorme de água, é “uma das preocupações saber onde é que eles vão buscar a água”, porque “este é o recurso mais importante que há”.

Hoje é o segundo dia consecutivo de protesto e, segundo o responsável, “é para continuar”.

“Estamos aqui para isto, é um projeto com o qual não concordámos. Dissemos que íamos lutar até quando pudermos para que este projeto não avance”, frisou.

A empresa, referiu, tem argumentado que a contestação à mina mobiliza um grupo pequeno que não representa a comunidade. Embora reconheça que nem todos são contra o projeto mineiro, o representante referiu: “O que é certo é que ontem [terça-feira] esteve aqui a presidente da Junta de Covas do Barroso, que representa a freguesia e cerca de 180 eleitores, o conselho diretivo representa os compartes, e o presidente da Câmara de Boticas também esteve presente no primeiro bloqueio a 09 de outubro.”

O projeto mineiro foi viabilizado pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), com a emissão de uma Declaração de Impacte Ambiental (DIA) favorável condicionada em 2023.

A empresa Savannah Resources pretende iniciar a construção em 2027 e alcançar a primeira produção em 2028.

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Alterações climáticas prejudicam aparecimento de cogumelos em Trás-os-Montes

As alterações climáticas sentidas nos últimos dois ou três anos estão a prejudicar o aparecimento de várias espécies nobres de cogumelos comestíveis, devido ao terreno seco e falta de humidade, disse hoje à Lusa um especialista do setor.

Segundo o presidente da Associação Micológica A Pantorra, Manuel Moredo, com sede em Mogadouro, no distrito de Bragança, este ano está a ser péssimo para o aparecimento de cogumelos devido ao tempo quente e seco, o que leva a que estes fungos não se desenvolvam e consequentemente não aparecem no território do interior norte.

“O terreno está muito seco e não há perspetivas de chuva para as próximas duas semanas, pelo menos. Mesmo as espécies mais nobres, como os boletos, amanita caesarea ou setas de cardo, não vão aparecer por falta de humidade e apenas algum calor, o que torna este ano atípico para a apanha dos cogumelos silvestres.

De acordo com o micólogo, haverá ainda algumas espécies como as sanchas que poderão aparecer porque aguentam com algum frio e podem surgir até ao final de novembro.

Por esta altura do ano, lameiros, florestas, soutos e pinhais são locais ideais para a apanha, que são batidos palmo a palmo pelos recoletores de cogumelos silvestres, alguns dos quais o fazem por gosto e outros porque encontraram nesta atividade uma forma de sustento, que este ano “será fraca”.

Os preços das mais variadas espécies de cogumelos silvestres em fresco podem variar entre os 15 euros por quilo, no caso dos boletos, e os três euros, para as setas dos pinheiros.

“Estes preços dos cogumelos silvestres são variáveis em função das quantidades existentes. Como este ano a apanha será praticamente nula, há a tendência para uma forte quebra de rendimento para quem nesta altura do ano tenha esta fonte de rendimento extra”, vincou Manuel Moredo.

Sanchas ou setas, boleto, repolgas, línguas de vaca, frades ou míscaros são, entre outras espécies nesta altura do ano, dos fungos mais procurados pelos apreciadores e recoletores na região.

“Já percorremos vários pontos do Nordeste Transmontano, desde a Serra de Bornes, no concelho de Macedo de Cavaleiros, até Mogadouro, e o cenário é sempre o mesmo: não há cogumelos”, sublinhou o especialista em micologia.

Em zonas mais húmidas do país ainda começaram a aparecer várias espécies de cogumelos, mas em Trás-os-Montes isso não vai acontecer este ano.

O turismo micológico é igualmente um atrativo no Nordeste Transmontano e que este ano também poderá sentir uma forte quebra de amantes da micologia, devido à falta de cogumelos silvestres para estudo ou simplesmente para um passeio de identificação das mais variadas espécies que em anos normais aparecem.

A Pantorra já identificou mais de 1.200 espécies de cogumelos silvestres no Nordeste Transmontano em mais de duas décadas, num trabalho conjunto de vários especialistas em micologia da Universidade de Trás-os-Montes (UTAD) e da Universidade Politécnica de Bragança (UPB) para identificar as espécies, já que muitas delas são tóxicas e algumas até letais.

As espécies mais predominantes num ano normal são as sanchas ou setas, boleto, repolgas, línguas de vaca, frades ou míscaros, fungos procurados pelos apreciadores e recoletores na região.

O território do Planalto Mirandês tem ainda apetências naturais para o aparecimento de trufas negras, sendo este o fungo de maior valor gastronómico conhecido.

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População garante que não vai desistir de lutar contra mina de lítio em Trás-os-Montes

Opositores à mina de lítio do Barroso, em Boticas, que bloquearam os trabalhos da Savannah Resources garantiram que não vão desistir de lutar, já a empresa disse que hoje não estavam previstas ações naquele espaço.

Ao início da manhã, cerca de 30 pessoas que se opõem à extração de lítio em Covas do Barroso, no concelho de Boticas, distrito de Vila Real, região de Trás-os-Montes, repetiram um bloqueio aos trabalhos realizados pela Savannah numa área baldia, incluída na servidão administrativa que permite à empresa entrar nos terrenos para a realização de trabalhos de geotecnia.

Os manifestantes colocaram-se em frente a uma das máquinas de trabalho indo, de seguida, para o caminho florestal onde, ao longo da manhã, se foram juntando mais pessoas.

Contactada pela agência Lusa, fonte da empresa avançou que não estavam previstos trabalhos para aquele local no dia de hoje, que estão seguranças no espaço porque a sua “prioridade” é garantir a proteção de pessoas e máquinas e que os trabalhos em “todas as outras frentes continuam”.

Entre os manifestantes estavam proprietários de terrenos abrangidos pela segunda servidão administrativa, autorizada pelo Ministério do Ambiente em maio.

Armando Gonçalves, de 72 anos, referiu que tem “bastante área” incluída na servidão, onde pastoreia o rebanho de ovelhas e onde plantou pinheiros após um incêndio que há 16 anos deixou tudo negro.

“Foi uma destruição e agora estamos a ver outra. A outra destruição ainda nos deixou a casa, ainda nos deixou a aldeia. Esta próxima destruição que está a querer aparecer é para nos mandar mesmo daqui embora”, referiu o morador da aldeia de Romaínho, junto a Covas do Barroso.

Continua a levar as ovelhas para o lameiro, mas referiu que não cultivou mais os terrenos e que a nascente de água que ali tinha secou.

Armando Gonçalves contou que se juntou ao protesto para lutar “pelo presente e pelo futuro” destas comunidades e também dos vizinhos.

“Porque isto não vai afetar, não vai só dar cabo da freguesia de Covas. A freguesia de Covas, se isto for para a frente, é para desaparecer, mas os nossos concelhos vizinhos vão ficar todos afetados porque o pó vai muito longe e o rio vai até ao mar e o rio vai ficar completamente contaminado”, realçou.

Maria Loureiro, de 58 anos, também é de Romaínho e esta é já a segunda vez que tem os terrenos incluídos na servidão administrativa.

“É um bocado de terreno, lameiros e olivais”, contou, afirmando ser contra a mina porque aqui nasceu, foi criada e gosta da agricultura e daquilo que faz.

E é por isso que garantiu que não desiste de lutar e recusa aceitar que, no futuro, tenha perdido uma luta por não participar.

“Quero preservar os meus terrenos, o meu modo de vida. Os meus pais deixaram e eu quero deixar aos meus filhos e aos meus netos. Quero participar e quero preservar o futuro de nós todos, aquilo de bem que temos, esta paisagem, esta floresta, os lameiros e os nascentes, temos água pura, o sossego que tínhamos, que hoje não temos, portanto, quero lutar pelo bem que tínhamos e que gostava de continuar a ter”, salientou.

José Fernandes, de 71 anos, reside na localidade de Muro, e tem também terrenos na área da servidão, onde tem mais de 500 eucaliptos e lenha que disse que dava para si e para os seus filhos, que desistiram de fazer casa na aldeia por causa da mina e foram para a vila de Boticas.

“Talvez o futuro seja eu sair daqui”, apontou.

Por causa de um futuro que diz ser incerto associou-se a este protesto e muitos outros que têm sido realizados.

“Muita gente, de Ribeira de Pena, de Cabeceiras, de Mondim, por aí abaixo, não pensam no que isto vai prejudicar as águas que eles bebem, que vão sair todas daqui envenenadas ou estariam talvez aqui ao nosso lado a ajudar-nos, mas ainda não se aperceberam disso. Quando se aperceberem vai ser tarde”, lamentou.

É que depois de a mina abrir, advertiu, “vai ser tarde” e “já não vai haver nada que a feche”.

“Por isso é lutar enquanto podemos, mas não está fácil”, frisou.

Logo pela manhã, Nélson Gomes, presidente da Associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso (UDCB), frisou que estes moradores não querem uma mina à porta das suas casas, garantindo que os bloqueios vão continuar “enquanto for preciso”.

Já no dia 09 de outubro, a associação interrompeu os trabalhos da empresa, com a GNR a identificar 27 opositores à mina de lítio, que a Savannah quer explorar na zona de Covas do Barroso. Hoje, a GNR não esteve no local.

“Numa altura que tanto se fala da habitação é precisamente também a nossa casa que está em risco, é a nossa habitação porque ter uma mina à porta de casa corremos o risco de um dia ter que sair das nossas casas e ser obrigados a abandonar a aldeia, coisa que não queremos”, realçou Nélson Gomes.

Em maio, o Ministério do Ambiente autorizou uma segunda servidão administrativa que permite à Savannah entrar em terrenos comunitários e privados para trabalhos de geotecnia, a qual foi contestada em tribunal através de uma providência cautelar interposta pelo Conselho Diretivo dos Baldios da Freguesia de Covas do Barroso, que levou à suspensão das prospeções por cerca de 20 dias.

O projeto mineiro foi viabilizado pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA) com a emissão de uma Declaração de Impacte Ambiental (DIA) favorável condicionada em 2023.

A empresa Savannah Resources pretende iniciar a construção em 2027 e alcançar a primeira produção em 2028.

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Empresa de Braga leva fibra ótica a mais 1.300 casas em Trás-os-Montes

A dstelecom, do Grupo DST, de Braga, está a reforçar a sua rede de fibra ótica multioperador no concelho de Freixo de Espada à Cinta, no distrito de Bragança, região de Trás-os-Montes, com uma operação de expansão que permitirá levar conectividade de última geração, pela primeira vez, a Mazouco, Lagoaça e Fornos, num total de mais de 1.300 casas.

“Com esta intervenção, o concelho passará a contar com cerca de 3.300 casas abrangidas até ao final de 2026, atingindo uma taxa de cobertura de 95%”, salienta a dstelecom, em comunicado enviado hoje a O MINHO.

Segundo a empresa, “esta intervenção vem reforçar a infraestrutura já existente em Ligares e em Freixo de Espada à Cinta, contribuindo para uma cobertura cada vez mais abrangente do território e criando melhores condições de conectividade para famílias e empresas”.

“Acreditamos que o acesso a infraestruturas digitais de qualidade não pode depender do local onde se vive ou trabalha. Ao levarmos fibra ótica a mais 1.300 casas em Freixo de Espada à Cinta, estamos a criar melhores condições para as famílias, para as empresas e para o desenvolvimento económico deste território. É este o nosso compromisso: aproximar o interior das oportunidades do mundo digital”, afirma Ricardo Salgado, CEO da dstelecom, citado no comunicado.

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Populares voltam a bloquear trabalhos em mina de Trás-os-Montes

Cerca de 30 pessoas que se opõem à extração de lítio em Covas do Barroso, Boticas, distrito de Vila Real, repetem hoje um bloqueio aos trabalhos realizados pela Savannah numa das áreas da servidão administrativa.

“Estamos a fazer um novo bloqueio, dissemos que não íamos parar e não vamos parar, nada nos vai desmobilizar da nossa luta, vamos continuar a defender a nossa aldeia com dignidade, que é aquilo que queremos, é esta forma de vida que queremos continuar a levar e é isso que vamos defender”, afirmou à agência Lusa o presidente da Associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso (UDCB), Nélson Gomes.

Pelas 06:00, cerca de 30 pessoas juntaram-se nos terrenos assinalados para os trabalhos de sondagem da Savannah Resources e formaram um cordão humano em frente a uma máquina de prospeção, procurando travar o avanço dos trabalhos.

Com a chegada dos seguranças da empresa ao local, foi também chamada a GNR.

“Não queremos uma mina à porta das nossas casas”, frisou Nélson Gomes.

“Numa altura que tanto se fala da habitação, é precisamente também a nossa casa que está em risco, é a nossa habitação porque ter uma mina à porta de casa, corremos o risco de um dia ter que sair das nossas casas e ser obrigados a abandonar a aldeia, coisa que não queremos”, acrescentou.

Já no dia 09 de outubro, a associação interrompeu os trabalhos da empresa, com a GNR a identificar 27 opositores à mina de lítio, que a Savannah quer explorar na zona de Covas do Barroso.

“Estamos em terrenos de baldios, terrenos esses onde nós já tivemos projetos de intervenção, quer dizer, fomos incentivados a preservar a floresta, a fazer investimento na floresta e agora aquilo que estamos a ver é que as máquinas entram, fazem decapação, cortam pinheiros, cortam árvores, fazem a mobilização do solo como se vê, só deixam pedras à vista e é isto que nós não queremos”, referiu ainda o responsável.

Em maio, o Ministério do Ambiente autorizou uma segunda servidão administrativa, que permite à Savannah entrar em terrenos comunitários e privados para trabalhos de geotecnia, a qual foi contestada em tribunal através de uma providência cautelar interposta pelo Conselho Diretivo dos Baldios da Freguesia de Covas do Barroso, que levou à suspensão das prospeções por cerca de 20 dias.

Paulo Pires, pastor de Romainho, referiu que esta “luta é também pela defesa do modo de vida da comunidade”.

“Esta luta também é pela defesa da nossa casa, que é a nossa aldeia. Ninguém quer viver a 200 metros de uma mina a céu aberto (…).Trabalhámos a vida toda para termos os terrenos e o gado que temos. E agora é o nosso próprio Governo que nos quer tirar isso à força. Não aceitamos”.

Para a presidente da Junta de Covas do Barroso, Rita Mó, o bloqueio é também um protesto contra a atuação da União Europeia (UE).

“Temos de recorrer a este bloqueio porque esgotámos todas as outras opções. De cima só vêm ordens, e nenhuma abertura para escutar a população. Temos por exemplo uma UE que se vangloria constantemente de representar o continente dos direitos. Para quem? Onde se vê essa Europa dos direitos, quando as suas populações rurais são assim tratadas como descartáveis? Quando somos ameaçadas de uma expropriação em massa dos nossos terrenos”, questionou.

Considerando que é “a própria Comissão Europeia que promove um projeto de mineração que não só é um atentado ambiental, como vai contra a expressa vontade das populações locais”.

“É preciso lembrar que, à boleia deste projeto, esta comunidade vive com câmaras de vigilância e segurança privada instaladas na aldeia. É um abuso”, referiu a autarca.

Nélson Gomes garantiu que os bloqueios vão continuar “enquanto for preciso”.

O projeto mineiro foi viabilizado pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), com a emissão de uma Declaração de Impacte Ambiental (DIA) favorável condicionada em 2023.

A empresa Savannah quer iniciar a construção em 2027 e alcançar a primeira produção em 2028.

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Carraças obrigam a transferir doentes num hospital em Trás-os-Montes

A Unidade Local de Saúde de Trás-os-Montes e Alto Douro (ULSTMAD) confirmou hoje a deteção de carraças numa área de internamento, situação que originou uma transferência temporária de doentes e uma intervenção de desinfestação.

Segundo disse a ULSTMAD, com sede em Vila Real, numa resposta por escrito, esta é uma segunda situação de deteção de carraças, sendo que foi feita uma primeira desinfestação “após a qual o problema aparentava estar resolvido”.

A primeira situação aconteceu no início do mês de outubro.

“Perante a identificação de um novo foco, de dimensão reduzida, a ULSTMAD decidiu realizar uma nova intervenção de desinfestação, acompanhada de uma nova transferência temporária dos doentes para outra ala, de forma a garantir a continuidade da prestação de cuidados em condições de segurança”, explicou.

A Unidade Local de Saúde salientou que “não foram identificados doentes afetados por esta ocorrência”.

Adiantou que estão a ser realizadas as cirurgias urgentes/emergentes e que as programadas estão com alguns constrangimentos, referindo que estas serão remarcadas com a maior brevidade possível.

Na informação divulgada, a instituição disse que mantém o acompanhamento da situação e que adotará as medidas adicionais que se revelem necessárias, tendo “como prioridade a segurança e o bem-estar dos doentes e profissionais”.

O conselho de administração da ULSTMAD reafirmou o seu “compromisso com a qualidade e a segurança dos cuidados de saúde prestados” e garantiu “a adoção das medidas necessárias à resolução da situação”.

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Vila do Conde: Prisão preventiva para suspeito de violação de peregrina do Caminho de Santiago

O tribunal aplicou hoje prisão preventiva como medida de coação ao suspeito dos crimes de violação e roubo de uma peregrina do Caminho de Santiago, em agosto, no concelho de Vila do Conde, informou fonte judicial.

No sábado, a Polícia Judiciária anunciou ter identificado e detido, “fora de flagrante delito, o presumível autor de um crime de violação e de um crime de roubo, ocorridos em agosto” no concelho de Vila do Conde, distrito do Porto.

“A vítima é uma cidadã estrangeira, de 39 anos, peregrina do Caminho de Santiago de Compostela, abordada pelo autor durante o percurso e sujeita à prática de atos sexuais de relevo, através do uso de violência física, tendo sido também despojada de bens que trazia na sua posse”, descreve o comunicado da PJ.

Segundo a PJ, o arguido é “desconhecido da vítima” e “atuou de surpresa, aproveitando as vulnerabilidades da ofendida, o conhecimento da zona física envolvente e demonstrando um comportamento compulsivo movido pela sua satisfação sexual”.

O crime remonta a agosto deste ano, quando a vítima denunciou às autoridades policiais, que iniciaram, “de imediato, diligências de recolha de prova que culminaram com a identificação, localização e detenção do arguido”.

O suspeito, um homem de 59 anos e desempregado, tem um “amplo registo criminal pela prática de crimes de diversa natureza, incluindo a prática reiterada de crimes contra a liberdade sexual”.

Segundo a PJ, “à altura dos factos encontrava-se em liberdade condicional após o cumprimento de uma pena de prisão efetiva de 21 anos”.

O homem foi hoje presente às autoridades judiciárias competentes para submissão a primeiro interrogatório judicial no Tribunal de Instrução Criminal (TIC) de Matosinhos, também no distrito do Porto.

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Motociclista de 40 anos morre após despiste na A28 em Vila do Conde

Uma motociclista de 40 anos morreu hoje após um despiste na Autoestrada (A) 28, em Fajozes, Vila do Conde, revelaram à Lusa fontes da proteção civil e dos bombeiros locais.

O alerta foi dado pelas 11:28, para um acidente no quilómetro 21,3, no sentido Porto/Viana do Castelo, revelou a fonte do Comando Sub-Regional da Área Metropolitana do Porto.

A única vítima mortal seguia sozinha no motociclo, acrescentou a fonte dos Bombeiros de Vila do Conde que afirmou desconhecer as circunstâncias em que o despiste ocorreu.

Devido ao acidente, a circulação esteve condicionada durante algum tempo, estando, pelas 13:45, já desimpedida a circulação naquela via rápida, prosseguiu a fonte dos bombeiros.

O corpo foi transportado para o Instituto de Medicina Legal do Porto para ser autopsiado, disse.

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Desempregado cadastrado detido por violar peregrina no Caminho de Santiago

A Diretoria do Norte da Polícia Judiciária identificou e deteve, fora de flagrante delito, o presumível autor de um crime de violação e de um crime de roubo, ocorridos em agosto do corrente ano, em Vila do Conde, distrito do Porto.

A vítima é uma cidadã estrangeira, de 39 anos, peregrina do Caminho de Santiago de Compostela, abordada pelo autor durante o percurso e sujeita à prática de atos sexuais de relevo, através do uso de violência física, tendo sido também despojada de bens que trazia na sua posse.

O arguido, desconhecido da vítima, atuou de surpresa, aproveitando as vulnerabilidades da ofendida, o conhecimento da zona física envolvente e demonstrando um comportamento compulsivo movido pela sua satisfação sexual.

A denúncia foi efetuada às autoridades policiais pela vítima, tendo sido, de imediato, iniciadas diligências de recolha de prova que culminaram com a identificação, localização e detenção do arguido.

O detido é um homem de 59 anos, desempregado, com amplo registo criminal pela prática de crimes de diversa natureza, incluindo a prática reiterada de crimes contra a liberdade sexual. À altura dos factos encontrava-se em liberdade condicional após o cumprimento de uma pena de prisão efectiva de 21 anos. Será presente às autoridades judiciárias competentes para submissão a primeiro interrogatório judicial no TIC de Matosinhos e aplicação de medidas de coação.

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Dois feridos após despiste na estrada Famalicão-Póvoa de Varzim

Um homem e uma mulher sofreram ferimentos na sequência de um despiste rodoviário ocorrido ontem à noite, na Estrada Nacional 206, na Póvoa de Varzim.

O acidente aconteceu junto aos Transportes Matos, na estrada que liga Póvoa de Varzim e Famalicão, por razões ainda a apurar pela autoridade.

Dois feridos após despiste na estrada Famalicão-Póvoa de Varzim
Foto: João Constantino / O MINHO
Dois feridos após despiste na estrada Famalicão-Póvoa de Varzim
Foto: João Constantino / O MINHO
Dois feridos após despiste na estrada Famalicão-Póvoa de Varzim
Foto: João Constantino / O MINHO

Prestaram socorro os Bombeiros da Póvoa de Varzim, transportando as vítimas para o Hospital da Póvoa de Varzim com ferimentos considerados ligeiros.

O alerta foi dado às 20:38.

A GNR registou a ocorrência.

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APA emite decisão desfavorável à central fotovoltaica na Serra do Marão

A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) emitiu uma decisão desfavorável ao projeto de hibridização fotovoltaica do Parque Eólico de Penedo Ruivo, na Serra do Marão, segundo informações do portal Participa.

“Apesar dos impactes positivos do projeto associados à produção de energia elétrica a partir de fonte renovável, tendo em conta os impactes negativos, significativos e não minimizáveis identificados ao nível de fatores ambientais determinantes, o projeto não é compatível com a salvaguarda dos valores em presença, pelo que se emite decisão desfavorável ao projeto de hibridização fotovoltaica do Parque Eólico de Penedo Ruivo”, refere a Declaração de Impacte Ambiental (DIA) consultada pela agência Lusa.

O projeto de hibridização fotovoltaica do Parque Eólico de Penedo Ruivo, na Serra do Marão, propunha uma área de implementação de 21 hectares, dos quais sete seriam ocupados com painéis solares naquele território dos concelhos de Baião e de Amarante, no distrito do Porto.

Proposto pela empresa EnergieKontor, previa-se uma produção anual líquida de 24,86 gigawatt-hora, a produção de energia elétrica através de sistema fotovoltaico em hibridização com o parque eólico existente e uma fase de exploração de 30 anos.

Segundo a DIA, face às condicionantes ecológicas, territoriais e paisagísticas existentes na área de estudo, designadamente a inserção integral do projeto na Zona Especial de Conservação (ZEC) Alvão/Marão e a sobreposição com áreas integradas na Paisagem Protegida Regional da Serra da Aboboreira, considera-se “que eventuais modificações do projeto dentro da área de estudo tenderiam a manter os principais impactes negativos significativos identificados no âmbito da avaliação”.

Refere ainda que, embora o projeto assente numa lógica de hibridização e de aproveitamento parcial de infraestruturas elétricas já existentes associadas ao Parque Eólico de Penedo Ruivo, designadamente ao nível da ligação elétrica e subestação, “tal circunstância não elimina nem reduz, por si só, a significância dos impactes ecológicos, paisagísticos, territoriais e cumulativos identificados na avaliação, atendendo às características da solução proposta, à sensibilidade da área de implantação e à pressão territorial já existente na Serra do Marão”.

A consulta pública decorreu entre 13 de março e 24 de abril e foram submetidas 666 exposições, 661 de cidadãos particulares e as outras da Associação de Municípios do Douro e Tâmega, da União das Freguesias de Teixeira e Teixeiró, Associação Portuguesa para a Conservação da Biodiversidade (FAPAS), Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural (Palombar) e da iniciativa Visit Marão.

A consulta revelou que a esmagadora maioria dos cidadãos manifestou oposição ao projeto, considerando que, apesar da importância da transição energética, a instalação da central fotovoltaica representa “uma ameaça grave a um território protegido e de elevado valor ecológico, paisagístico, cultural e económico”.

São apontados impactes significativos sobre habitats e espécies protegidas, paisagem, turismo de natureza e modos de vida locais, bem como falhas no processo de avaliação ambiental e na análise de alternativas, defendendo-se que a energia solar deve ser instalada preferencialmente em áreas já artificializadas. 

Segundo a documentação disponibilizada ‘online’, apenas cinco cidadãos e a União de Freguesias de Teixeira e Teixeiró apoiaram o projeto.

A Comissão de Avaliação, no âmbito do procedimento de Avaliação de Impacte Ambiental (AIA) do projeto, deu um parecer desfavorável tendo em consideração “os impactes negativos significativos, diretos, permanentes e cumulativos identificados, a elevada sensibilidade ecológica, paisagística e territorial da área de implantação e o facto de não se considerar demonstrado que as medidas de minimização propostas sejam suficientes para assegurar a adequada compatibilização ambiental e territorial da solução apresentada”.

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