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Estado sólido vs. LFP: a corrida pelas baterias de 1.000 km de autonomia

A autonomia dos veículos elétricos está deixando de ser um limitador técnico para se consolidar como o principal vetor de concorrência na indústria automotiva global. A barreira dos 1.000 km de alcance rodoviário com uma única carga deixou o campo dos conceitos e iniciou sua fase de pré-produção industrial, impulsionada pela transição para baterias de estado sólido e pelo contínuo desenvolvimento e otimização das células de íon de lítio convencionais.

O movimento reflete uma mudança estrutural na engenharia de baterias, focada na elevação da densidade energética e no aumento da eficiência volumétrica do conjunto. O objetivo das montadoras é expandir drasticamente a capacidade de armazenamento de energia sem ampliar o peso total do veículo ou exigir pacotes fisicamente maiores.

Baterias de estado sólido

Nova bateria da GAC promete mais de 1.000 km de rodagem em carros elétricos
Nova bateria da GAC promete mais de 1.000 km de rodagem em carros elétricos • Divulgação GAC

A aposta mais ousada do setor atualmente reside nas baterias totalmente de estado sólido. O avanço técnico central dessa tecnologia é a substituição do eletrólito líquido inflamável por compostos sólidos, permitindo o uso de ânodos de lítio metálico e estruturas de células substancialmente mais compactas.

Exemplo dessa aplicação é o projeto de R&D do Grupo GAC, que desenvolve a tecnologia desde 2014 e recentemente levou as células para a fase de produção-piloto em sua matriz, em Guangzhou, na China.

Segundo a gigante chinesa, o componente atinge densidade energética superior a 400 Wh/kg, índice projetado para viabilizar veículos elétricos comerciais com autonomia acima de 1.000 km. O cronograma da montadora prevê a estreia da novidade em modelos da linha de luxo Hyper ainda em 2026.

Além dos ganhos em alcance e estabilidade térmica, o modelo fabril implementado pela companhia projeta reduções industriais de escala: estimam-se cortes de 15% em equipamentos, 40% em área fabril e mais de 35% nos custos finais de produção.

Evolução do íon-lítio e a arquitetura cell-to-pack

Fábrica de Shenyang é a terceira do novo conjunto global de produção; células cilíndricas têm densidade de energia mais de 20% maior e recarga e autonomia até 30% melhores, diz a marca
Fábrica de Shenyang é a terceira do novo conjunto global de produção; células cilíndricas têm densidade de energia mais de 20% maior e recarga e autonomia até 30% melhores, diz a marca • Divulgação BMW

Em paralelo às pesquisas com eletrólitos sólidos, fabricantes tradicionais aceleram a evolução da química de íon-lítio com soluções arquitetônicas avançadas. O Grupo BMW iniciou a produção em série da sua sexta geração de baterias de alta tensão (Gen6) em Shenyang, na China — terceira unidade de sua rede global dedicada, ao lado de Debrecen (Hungria) e Irlbach-Straßkirchen (Alemanha).

A tecnologia Gen6, direcionada aos futuros modelos da linha Neue Klasse, adota células cilíndricas com arquitetura elétrica de 800 volts e o conceito cell-to-pack. Ao eliminar a necessidade de módulos intermediários e integrar as células diretamente à carcaça estrutural do conjunto, o aproveitamento do espaço interno é ampliado e a densidade volumétrica de energia aumenta.

Segundo dados da fabricante, o projeto proporciona um ganho de densidade de energia superior a 20% em comparação à geração anterior, gerando incrementos de até 30% na autonomia do veículo e na velocidade de recarga. O gerenciamento dinâmico e térmico do pacote é realizado pela unidade de controle interna Energy Master.

O impacto na infraestrutura e no mercado

Carro elétrico carregando
Carro elétrico carregando • FRIMU EUGEN

A chegada desses dois exemplos de baterias de nova geração altera a dinâmica de uso e infraestrutura da mobilidade elétrica. Ao disponibilizar autonomias equivalentes ou até mesmo superiores às de tanques de combustível tradicionais, a indústria busca neutralizar a chamada “ansiedade de autonomia” e diminuir a dependência de paradas frequentes em trajetos rodoviários.

Na prática, a combinação entre densidades energéticas acima de 400 Wh/kg, plataformas de 800V e carregamento bidirecional redistribui a demanda sobre as redes de recarga, focando os eletropostos ultrarrápidos em eixos de longa distância. A expectativa do mercado é que a escala comercial dessas tecnologias ocorra de forma gradativa nas linhas de veículos premium e de alta performance, expandindo-se para os segmentos de massa na virada da década.

Recarga rápida pode acelerar degradação de baterias de elétricos

 

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BAIC Arcfox T1 chega a partir de R$ 130 mil contra Dolphin, EX2 e Aion UT

A BAIC iniciou sua operação comercial da linha Arcfox no Brasil com o lançamento do T1, crossover 100% elétrico que chega em duas versões, com preços a partir de R$ 129.900.

O Arcfox T1 utiliza um motor elétrico de 70 kW, equivalente a aproximadamente 95 cv, com torque de 17,9 kgfm. A bateria de fosfato de ferro-lítio (LFP) tem capacidade de 42,3 kWh. A autonomia declarada é de 283 km pelo padrão brasileiro PBEV, do Inmetro.

As primeiras entregas estão previstas para 11 de novembro de 2026. A versão PRO tem preço promocional de lançamento de R$ 129.900, enquanto a MAX custa R$ 139.900. Contudo, o preço da configuração de entrada é limitado até o dia 31 de dezembro ou enquanto durar o estoque de 600 unidades.

A BAIC informa que já conta com uma rede de 50 concessionárias no Brasil. A meta é ampliar essa estrutura para 150 unidades até o fim de 2027.

Em estações de recarga rápida em corrente contínua (DC), o modelo pode recuperar de 30% a 80% da carga em cerca de 25 minutos, segundo a fabricante.

Novo Baic Arcfox T1
Novo Baic Arcfox T1 • Rodrigo Barros/CNN Brasil

A potência máxima de recarga DC é de 89 kW. Em corrente alternada (AC), com potência de até 6,6 kW, a recarga completa pode levar até oito horas, dependendo das condições.

O crossover também oferece as funções V2L e V2V. A primeira permite alimentar equipamentos externos compatíveis usando a energia da bateria. A segunda possibilita transferir energia para outro veículo compatível.

O BAIC Arcfox T1 mede 4,33 metros de comprimento, 1,86 m de largura e 1,57 m de altura, com entre-eixos de 2,77 m.

Novo Baic Arcfox T1
Novo Baic Arcfox T1 • Rodrigo Barros/CNN Brasil

O porta-malas tem capacidade de 459 litros, volume que pode chegar a 1.352 litros com os bancos traseiros rebatidos. A proposta é oferecer espaço para passageiros e bagagens em um veículo voltado principalmente aos deslocamentos urbanos.

Por dentro, o modelo tem painel de instrumentos de 8,8 polegadas e central multimídia de 15,6 polegadas. As duas versões contam com bancos dianteiros com ajustes elétricos e aquecimento para o motorista. Na configuração MAX, o banco do passageiro também tem aquecimento, além de ventilação e memória de posição.

A versão mais cara ainda oferece teto panorâmico de 2,34 m² com cortina elétrica, rodas de liga leve de 18 polegadas e tampa do porta-malas com acionamento elétrico. Na PRO, as rodas são de aço de 17 polegadas com calotas decorativas.

Versão MAX tem pacote de assistência à condução

Um dos recursos presentes nas duas versões é a câmera panorâmica de 540 graus, que combina a visão do entorno do veículo com uma representação da área sob o chassi. O sistema auxilia o motorista durante manobras e na identificação de obstáculos.

Novo Baic Arcfox T1
Novo Baic Arcfox T1 • Rodrigo Barros/CNN Brasil

O modelo também conta com assistência à direção em baixa velocidade, que utiliza a frenagem para facilitar curvas fechadas e pode reduzir o raio de giro em aproximadamente 30 centímetros, de acordo com a fabricante.

Na versão MAX, a lista de equipamentos inclui frenagem autônoma de emergência, alerta de colisão frontal, controle de cruzeiro adaptativo com função Stop & Go, assistência de centralização em faixa e assistente de estacionamento automático.

A configuração também oferece auxílio para a passagem por espaços estreitos e sistema de assistência à marcha à ré com memorização do trajeto.

Estrutura de pós-venda da BAIC

No pós-venda, a empresa prevê cobertura de quase 100% das peças consideradas críticas e mantém um armazém operacional em Itajaí (SC), em parceria logística com a Foton. A operação também inclui assistência 24 horas, com serviços como socorro e reboque, conforme as condições do programa.

A marca ainda prevê oferecer o BAIC Concierge, serviço de atendimento personalizado por telefone e WhatsApp. A estrutura técnica inclui equipamentos para manutenção de veículos eletrificados e treinamento de profissionais para trabalhar com sistemas de alta tensão, baterias e recarga.

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Bentley revela bastidores do desenvolvimento de seu primeiro elétrico

A Bentley revelou nesta quinta-feira (29) os detalhes do programa de desenvolvimento do Torcal, o primeiro modelo 100% elétrico de sua história.

A frota de protótipos e veículos de pré-série acumulou mais de 1 milhão de quilômetros rodados em testes globais, enfrentando variações térmicas de -38 °C na Suécia até mais de 40 °C em regiões desérticas, além de ensaios em altitudes de até 4.200 metros acima do nível do mar em Pikes Peak, nos Estados Unidos.

O processo de engenharia do veículo combinou simulações virtuais em realidade estendida (XR) para o ajuste da cabine e ergonomia com métodos avançados de escaneamento a laser para verificação de montagem.

O desenvolvimento do sistema elétrico e de software adota ciclos de atualização a cada seis semanas, validados em laboratório e em pista antes da aprovação final.

Tecnologia e segurança do conjunto de baterias

O acumulador de energia do Bentley Torcal possui peso estimado em 625 kg e entrega densidade energética superior a 180 Wh/kg. Para garantir a integridade estrutural do componente, a fabricante instalou um escudo inferior de proteção em material composto contra impactos no assoalho do veículo.

O conjunto foi submetido a rigorosos testes de homologação internacional e segurança passiva. Entre os ensaios aplicados estão a resistência ao fogo por no mínimo duas horas sem propagação de chamas, testes de corrosão por névoa salina e a simulação de impacto por projeção de objetos contra o compartimento das células, na qual um projétil de aço de 111 gramas é disparado a velocidades superiores a 160 km/h contra a estrutura inferior.

Transição de protótipos e produção

Com a conclusão das fases de validação física e de software, a montadora britânica iniciou a remoção gradual das camuflagens da frota de testes. O processo de camuflagem do modelo variou entre adesivagem gráfica para distorção visual e painéis temporários de carroceria para ocultar as linhas finais do design durante as rodagens públicas.

A Bentley ainda não informou o início das entregas do Torcal aos clientes, mas está prevista para constar nas próximas etapas do cronograma de lançamento global da marca.

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Nova bateria da GAC promete mais de 1.000 km de rodagem em carros elétricos

O Grupo GAC anunciou nesta quarta-feira (28) o avanço no desenvolvimento de suas baterias de estado sólido, migrando a tecnologia da fase de pesquisas para a linha de produção-piloto em sua matriz em Guangzhou, na China.

O componente alcançou uma densidade energética superior a 400 Wh/kg, índice projetado para viabilizar veículos 100% elétricos com autonomia superior a 1.000 km com uma única carga.

A tecnologia substitui o eletrólito líquido convencional das baterias íon-lítio por um composto sólido, permitindo o uso de ânodos de lítio metálico e a construção de estruturas mais compactas. A promessa da montadora chinesa é aplicar a inovação em modelos comerciais da Hyper, sua divisão premium de veículos elétricos, ainda em 2026.

Processo e redução de custos

Nova bateria da GAC promete mais de 1.000 km de rodagem em carros elétricos
Nova bateria da GAC promete mais de 1.000 km de rodagem em carros elétricos • Divulgação GAC

Além dos ganhos em alcance e estabilidade térmica, a fabricante desenvolveu um método de produção que combina eletrodos secos, transferência de eletrólito fino e fusão de interface diretamente no local de montagem, garantindo um contato ideal sem a necessidade de etapas complexas de colagem.

Segundo estimativas da própria empresa, a consolidação desse processo fabril em larga escala pode reduzir em 15% os investimentos em equipamentos, cortar em 40% a área necessária para as instalações industriais e diminuir em mais de 35% os custos de produção das baterias.

O movimento da GAC ocorre em meio a uma corrida da indústria automotiva global por maior eficiência energética e alcance na mobilidade elétrica. Recentemente, a BMW também deu início à produção em série de suas baterias Gen6 na planta de Shenyang, na China, apostando na tecnologia cell-to-pack para elevar a densidade de energia em mais de 20% e a autonomia em até 30% em sua futura linha de veículos Neue Klasse.

Estratégia de eletrificação

O projeto de baterias de estado sólido é desenvolvido pelo GAC Group desde 2014 e é tratado pela companhia como um pilar central para a próxima geração de automóveis elétricos.

A transição para o estado sólido é vista por especialistas como a solução definitiva para mitigar a ansiedade por autonomia e acelerar o tempo de recarga nos modelos eletrificados de alta capacidade, duas das maiores preocupações dos clientes e possíveis compradores de automóveis na atualidade.

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Bateria Gen6 da BMW ganha prêmio de inovação em tecnologia na China

O Grupo BMW foi reconhecido com o prêmio “Tecnologia Inovadora Global de Veículos de Nova Energia” durante o Congresso Mundial de Veículos de Nova Energia de 2026, realizado na China.

A honraria premiou as inovações da sexta geração (Gen6) de baterias de alta tensão da montadora alemã, que se tornou a única fabricante automotiva estrangeira a receber a distinção no evento.

A tecnologia serve como base técnica para a linha Neue Klasse, nova família de veículos 100% elétricos da marca alemã. A transição da quinta para a sexta geração da arquitetura eDrive envolveu o registro de mais de 500 registros de patente pelo grupo automotivo.

“Ele confirma nossa abordagem de longo prazo, que combina inovação tecnológica com os mais altos padrões de qualidade e segurança. Com a Neue Klasse, estamos estabelecendo novos padrões nessa área”, afirmou Jochen Goller, membro do Conselho de Administração da BMW AG.

Células cilíndricas e arquitetura de 800 V

Fábrica de Shenyang é a terceira do novo conjunto global de produção; células cilíndricas têm densidade de energia mais de 20% maior e recarga e autonomia até 30% melhores, diz a marca
Fábrica de Shenyang é a terceira do novo conjunto global de produção; células cilíndricas têm densidade de energia mais de 20% maior e recarga e autonomia até 30% melhores, diz a marca • Divulgação BMW

Desenvolvida sobre uma arquitetura elétrica de 800 volts, a bateria Gen6 adota células cilíndricas com cátodo de alto teor de níquel e invólucro estrutural de aço. O conjunto elimina a necessidade de módulos intermediários — conceito conhecido como cell-to-pack —, permitindo que as células sejam integradas diretamente à carcaça do equipamento para elevar a densidade energética no mesmo espaço de instalação.

Segundo dados da fabricante, o formato garante um ganho de densidade de energia superior a 20% em comparação à geração anterior, proporcionando um incremento de até 30% na autonomia do veículo e na velocidade de recarga. O sistema também foi projetado para permitir carregamento bidirecional (fornecendo energia da bateria de volta à rede ou a outros dispositivos) e suporte a infraestruturas de recarga de 400 V e 800 V.

O gerenciamento do fluxo de energia e dos dados da bateria é realizado pela unidade de controle Energy Master, sistema com hardware e software desenvolvidos internamente pela própria BMW e instalado diretamente no conjunto da bateria de alta tensão.

Produção global e estratégia industrial

Fábrica de Shenyang é a terceira do novo conjunto global de produção; células cilíndricas têm densidade de energia mais de 20% maior e recarga e autonomia até 30% melhores, diz a marca
Fábrica de Shenyang é a terceira do novo conjunto global de produção; células cilíndricas têm densidade de energia mais de 20% maior e recarga e autonomia até 30% melhores, diz a marca • Divulgação BMW

A revelação do prêmio ocorre em paralelo à consolidação da rede global de produção do componente. A BMW deu início à fabricação em série das baterias Gen6 no complexo de Shenyang, na China, que se somou às unidades de Debrecen (Hungria) e Irlbach-Straßkirchen (Alemanha). As fábricas de Woodruff (Estados Unidos) e San Luis Potosí (México) estão programadas para iniciar a montagem em série da tecnologia nas próximas etapas de expansão da rede.

A estratégia industrial da montadora prevê a instalação das unidades de montagem de baterias próximas às linhas de produção dos veículos elétricos (conceito “local for local”), visando reduzir distâncias de transporte, mitigar gargalos de suprimento e padronizar o controle de qualidade por meio de inteligência artificial e inspeções automatizadas em tempo real.

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Avião elétrico alimentado por baterias leva 90 passageiros e voa 1 000 quilómetros

E9X, o avião que mostra que voar sem querosene já não é apenas um sonho. Pilotos já aprendem nos Países Baixos. Uma empresa neerlandesa está a desenvolver um avião comercial totalmente elétrico, capaz de transportar 90 passageiros e percorrer até 1000 quilómetros com recurso a baterias. O projeto E9X, da Elysian Aircraft, pretende contribuir para a redução das emissões poluentes da aviação e poderá entrar em serviço comercial em 2034. Os primeiros ensaios de voo de um demonstrador à escala já começaram nos Países Baixos, marcando uma nova etapa no desenvolvimento desta tecnologia. A iniciativa surge num contexto de crescimento

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E9X, o avião que mostra que voar sem querosene já não é apenas um sonho. Pilotos já aprendem nos Países Baixos.
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