Toledo: Seguradoras ativam pagamentos antecipados às vítimas

As seguradoras QBE e Intact Insurance estão a acionar as coberturas de responsabilidade civil associadas às empresas ferroviárias envolvidas no acidente de Urda, em Toledo. A legislação europeia prevê um adiantamento mínimo de 21 mil euros por passageiro falecido, no prazo máximo de 15 dias. No acidente de Adamuz, a QBE já consignou 27,62 milhões de euros para indemnizações.
Segundo informações divulgadas pelo jornal Expansión, a QBE assegura a responsabilidade civil da Adif, entidade gestora da infraestrutura ferroviária, e da Renfe, enquanto a Intact Insurance cobre a responsabilidade civil da operadora Iryo.
O enquadramento dos pagamentos está previsto no Regulamento Europeu 2021/782, relativo aos direitos e obrigações dos passageiros dos serviços ferroviários. Os adiantamentos destinam-se a responder às necessidades económicas imediatas das vítimas e das famílias e não representam, por si só, o reconhecimento de responsabilidade civil pelas empresas ou pelas seguradoras.
A cobertura de responsabilidade civil não é, contudo, a única proteção disponível. De acordo com a informação publicada pela RTVE, os passageiros estão também abrangidos pelo Seguro Obrigatório de Viajantes (SOV), incluído no bilhete de comboio. Este seguro prevê indemnizações por morte, incapacidade permanente e lesões, podendo atingir 72.121 euros em caso de falecimento. Os valores dependem da gravidade dos danos e das situações previstas no respetivo regime legal.
A RTVE esclarece ainda que estas compensações podem ser complementadas por indemnizações de responsabilidade civil, caso a investigação determine a existência de responsabilidades das empresas envolvidas ou de terceiros. Nesse caso, podem ser reclamados danos físicos e psicológicos, despesas médicas e de reabilitação, perdas de rendimentos, incapacidade para o trabalho e danos morais. Os passageiros podem igualmente acionar seguros particulares de vida ou acidentes que tenham contratado.
QBE já disponibilizou 27,62 milhões de euros para as vítimas de Adamuz
A intervenção da QBE nas indemnizações ferroviárias tem também expressão no anterior acidente de Adamuz, na província de Córdova, ocorrido a 18 de janeiro, que provocou 46 mortos. Segundo o jornal La Razón, a seguradora comunicou ao tribunal responsável pela investigação uma nova consignação de 816.952 euros, elevando para 27,62 milhões de euros o montante total disponibilizado para vítimas e familiares. Trata-se da quinta contribuição da companhia, ao abrigo da apólice de responsabilidade civil da Adif.
A seguradora ressalvou junto do tribunal que os pagamentos não significam que esteja a assumir responsabilidade pelo acidente, reservando-se o direito de reclamar eventuais valores a terceiros que venham a ser considerados responsáveis. A mesma posição permite separar a assistência financeira imediata às vítimas da determinação judicial das responsabilidades pelo acidente.
No caso da Adif, a contratação do seguro de responsabilidade civil à QBE está também documentada no Boletín Oficial del Estado. O contrato formalizado em agosto de 2025 teve um valor de adjudicação de cerca de 1,95 milhões de euros, relativo à cobertura de responsabilidade civil geral de exploração e responsabilidade civil complementar da entidade gestora ferroviária.





