❌

Reading view

O teu tempo não é para doar

VTM

É esta realidade que o SINTAB está a combater com a campanha nacional “O teu tempo não é para doar!”.

Na indústria alimentar, particularmente em Trás-os-Montes, são muitas as empresas onde os trabalhadores têm de vestir fardas, colocar equipamentos de proteção, cumprir regras de higiene ou preparar ferramentas antes de iniciar a produção. Em algumas, existem mesmo instruções para que se apresentem completamente preparados “ali uns cinco minutinhos antes” do início do horário de trabalho.

Mas vejamos… Se é a empresa que exige estes procedimentos para que o trabalho possa ser realizado, por que razão há de ser o trabalhador a oferecer o tempo necessário?

A verdade é que muitos trabalhadores desconhecem este direito. Outros, mesmo depois de esclarecidos, receiam reivindicá-lo. Afinal, questionar uma prática imposta durante anos exige coragem, sobretudo quando existe o medo de represálias.

E é precisamente aqui que entra o Sindicato. Não cabe aos trabalhadores encontrar soluções para reorganizar a produção, alterar procedimentos ou compatibilizar horários. Essas são responsabilidades das empresas. Aos trabalhadores cabe exigir que o seu tempo seja respeitado.

No lançamento desta campanha, o SINTAB esteve em quase 30 empresas, de Melgaço a Olhão, percorrendo todos os distritos do país, sem exceção. Até agora, já realizámos ações em mais de 50 empresas, abrangendo mais de 10 mil trabalhadores.

Estes números mostram a dimensão de um problema que durante demasiado tempo foi tratado como normal, mas o facto de uma injustiça se repetir durante anos não a transforma num direito patronal.

Dez, quinze, ou vinte minutos por dia parecem pouco. Multiplicados por meses e anos, são horas de vida entregues gratuitamente a quem já beneficia do nosso trabalho.

Nenhum trabalhador deve enfrentar sozinho esta reivindicação. A força para mudar práticas injustas nasce do esclarecimento, da solidariedade e da organização coletiva.

Se também chegas mais cedo para te preparares ou sais mais tarde para mudar de roupa ou até mesmo tomar banho, fala com o SINTAB. Informa-te, organiza-te e reivindica.

O salário paga o trabalho. Não compra o nosso tempo de vida. E o tempo que é nosso não é para doar!


Sandrina Santos (Dirigente Nacional do SINTAB)

The post O teu tempo não é para doar appeared first on A Voz de Trás-os-Montes.

  •  

Denúncias de assédio eleitoral no trabalho disparam 75% após 2º turno

Logo Agência Brasil

As denúncias de assédio eleitoral aumentaram mais de 75% desde segunda-feira (26), dia seguinte ao segundo turno das eleições, com 1.459 registros nos últimos três dias, informou o Ministério Público do Trabalho (MPT). 

Até a manhã de segunda, o órgão havia recebido 1.937 denúncias do tipo. Desde então, a busca pelo MPT vem aumentando aceleradamente e as novas ocorrências já correspondem a cerca de 40% de todas as 3.396 denúncias recebidas em 2026. 

Notícias relacionadas:

O maior número de denúncias é proveniente de São Paulo (620), seguido de Minas Gerais (351), Paraná (338), Rio de Janeiro (252), Rio Grande do Sul (223) e Santa Catarina (165). 

>> Descubra se você está sofrendo assédio eleitoral e saiba como denunciar

Os dados coincidem com a multiplicação de relatos sobre incentivos a boicotes e a demissões de funcionários que tenham votado em candidato contrário à orientação política do patrão. 

Na terça-feira (27), por exemplo, a Justiça do Trabalho proibiu, em liminar, que a deputada estadual Índia Armelau (PL-RJ) incentive empregadores a discriminar, demitir ou perseguir trabalhadores por suas convicções políticas, sob pena de multa diária de R$ 5 mil. 

Reeleita com mais de 248 mil votos e com mais de 1 milhão de seguidores nas redes sociais, a deputada publicou a mensagem “Empresário, olha a rede social do teu funcionário aí e confere se ele fez o L. Acho que não faz sentido nenhum manter na tua empresa quem odeia empresários”, referindo-se a eleitores do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva. 

Na quarta-feira (28), o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, disse que o governo estuda a criação de uma “lista suja” de empresas que cometem assédio eleitoral no Brasil, incluindo pressão ou demissão por conta de opção política. Segundo ele, a empresa que cometer essa ilegalidade vai sofrer sanções de restrição de créditos públicos.

O assédio eleitoral no trabalho é crime e se configura quando alguém usa sua posição de poder no ambiente de trabalho para influenciar, constranger ou pressionar trabalhadores a votar, deixar de votar ou apoiar determinado candidato, partido ou posicionamento político.

"Resposta será ágil", diz TST

O presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, destacou que estão sendo atingidos trabalhadores assalariados e profissionais autônomos que divulgam seu trabalho por redes sociais e estabelecimentos comerciais de pequeno porte que manifestaram sua posição política. 

“É preciso que o recado seja dado com muita clareza. A resposta para aqueles que praticaram a ilegalidade será dura e rápida, será ágil. E mais: esses empregadores que, infelizmente, tiveram essa conduta, se preocupem. Porque o risco econômico que estão assumindo é muito grande”. 

O empregado que se considerar discriminado na relação de trabalho, em virtude de sua posição política, pode processar o patrão. Pela legislação, o empresário pode ser responsabilizado a indenizar o funcionário dispensado. 

A Lei 9.029/1995, por exemplo, diz ser “proibida a adoção de qualquer prática discriminatória e limitativa para efeito de acesso à relação de trabalho, ou de sua manutenção”. 

Em caso de condenação, o empresário pode ser obrigado a reintegrar o funcionário ou, caso este não queira continuar no emprego, ter que pagar em dobro os salários devidos por todo o período de afastamento. 

O princípio da não discriminação do trabalhador por convicção política está também expresso em diferentes artigos da Constituição e integra as Convenções 100 e 111 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), ambas ratificadas pelo Brasil. 

  •  
❌