❌

Reading view

Aproximar os portugueses de Portugal

DR

Volto pela segunda semana consecutiva ao assunto TAP por o achar de extrema importância.

A Diáspora portuguesa não é apenas, ou melhor, não deve ser uma extensão demográfica de Portugal no mundo; é um dos maiores ativos geopolíticos, económicos e culturais do nosso país. Para os milhões de pessoas que residem fora do território nacional, a ligação a Portugal mede-se por muitos fatores, mas sustenta-se, na prática, por vias de comunicação fiáveis. É neste cenário que a TAP Air Portugal transcende a sua função comercial e assume um papel de soberania e coesão nacional. A manutenção de rotas aéreas diretas e regulares entre Portugal e as principais regiões de acolhimento das nossas comunidades terá de ser um desígnio nacional. Estas rotas não servem apenas para o turismo ou para o transporte de passageiros que vão visitar as suas famílias, mas garantem a continuidade dos negócios, o investimento dos emigrantes na terra natal, o regresso ao país e a preservação da identidade cultural das novas gerações. Sem este elo, regiões com forte densidade de portugueses arriscam-se ao isolamento face ao país de origem, dependendo dos interesses financeiros de companhias estrangeiras.

Para compreender o momento atual da transportadora aérea e a salvaguarda deste património de conectividade, é incontornável olhar para o passado recente. A decisão do anterior Governo do PS de intervir e salvar a TAP num momento de profunda crise global foi um ato de coragem política e de visão estratégica. Ao injetar capital e reestruturar a empresa, o Estado não estava apenas a salvar uma companhia de aviação; estava a proteger o cordão umbilical que une Portugal às suas comunidades espalhadas pelo mundo. Hoje, os frutos dessa decisão estratégica são evidentes. A valorização resultante desse processo de salvamento permite associar a TAP a um dos grupos de aviação mais prestigiados do mundo. Esta integração no mercado global não descaracteriza a empresa, mas sim fortalece-a, conferindo-lhe uma capacidade competitiva que, isoladamente, seria difícil de alcançar. Mais importante ainda: este processo preservou a posição estratégica do Estado português na companhia. Ao manter uma palavra decisiva na estrutura, o Estado garantiu uma capacidade negocial crucial. É este poder de influência que hoje permite, e deve, exigir aos novos parceiros a preservação intransigente das rotas que servem a Diáspora.

A soberania de um país também se mede pela capacidade de garantir que os seus cidadãos, independentemente de onde escolheram viver e trabalhar, continuam a ter uma porta aberta e direta para regressar a casa. A TAP é, e deve continuar a ser, as asas das nossas Comunidades. O seu futuro, agora associado a grandes palcos internacionais, não pode esquecer as suas origens nem a sua missão fundamental: aproximar os portugueses de Portugal.

Vítor Silva/MS

  •  

O tempo dá razão a quem salvou a TAP: o mérito de Pedro Nuno Santos

JN

A recente decisão do Conselho de Ministros de selecionar o Lufthansa Group para a aquisição de uma posição de até 49,9% do capital da TAP por 1,2 mil milhões de euros não é apenas um excelente negócio financeiro; é a prova cabal do sucesso do plano de reestruturação desenhado no passado e o reconhecimento do mérito inequívoco de Pedro Nuno Santos. 

Como bem recordamos, esta venda ao gigante alemão só foi possível porque existiu a coragem política de resgatar e salvar a companhia quando a sua sobrevivência estava seriamente ameaçada. Olhando para trás, a atuação do anterior Governo liderado por António Costa, pautou-se sempre por uma postura de responsabilidade, assunção de consequências e defesa do interesse público, contrastando fortemente com a herança e a postura completamente errada do PSD. Quando a Inspeção-Geral de Finanças concluiu pela invalidade do acordo de saída de Alexandra Reis, a reação do executivo socialista foi imediata, rigorosa e transparente. O Governo agiu bem ao exigir a devolução da indemnização e ao exonerar a liderança da empresa, cujas funções estavam manifestamente feridas por lacunas graves de gestão. Ao contrário do que a oposição tentou colar à opinião pública, a responsabilização política aconteceu no tempo e no momento próprio, materializada na demissão de governantes dos ministérios das Infraestruturas e das Finanças. O PS demonstrou que não vacila na salvaguarda dos dinheiros públicos e no respeito pelas instituições.

A escolha de Luís Silva Rodrigues para assumir a liderança da TAP foi um passo acertado e de mérito inegável. Vindo de um percurso de excelência na SATA, onde provou capacidade de gestão em contextos insulares complexos, o gestor trouxe à TAP a competência técnica e a serenidade operacional de que a empresa carecia. O seu mandato provou que a estabilidade e o rigor financeiro, incluindo o bom senso na contenção de salários de topo, são o único caminho para devolver a confiança aos mercados, aos clientes e aos portugueses, legítimos investidores no plano de reestruturação da companhia. 

Para compreender o presente da TAP, é imperativo recordar o passado. O Governo do PSD desenhou um processo de privatização ruinoso, onde se tentou comprar a companhia com o dinheiro da própria empresa através de esquemas de capitalização questionáveis. Foi o PS, muito por mérito de Pedro Nuno Santos, que estabilizou a empresa e garantiu uma reestruturação profunda, cujo impacto positivo se reflete na modernização da frota e na solidez das rotas. É essa frota moderna e essa rede de rotas altamente atrativa, especialmente a liderança no mercado transatlântico e nas ligações à América do Sul, que hoje levam a Lufthansa a classificar a TAP como uma “oportunidade imperdível” de consolidação europeia

Hoje, o tempo dá inteira razão à postura de Pedro Nuno Santos. O atual desfecho do negócio, ganho pela Lufthansa após uma disputa renhida, é a validação definitiva de que os milhares de milhões injetados foram um investimento estratégico e rentável para Portugal, e não um desperdício. O incómodo evidente do atual Primeiro-Ministro ao anunciar estes números vistosos só demonstra que a narrativa da direita desmoronou-se face à realidade. 

A TAP necessita de tempo, rigor de gestão e tranquilidade para cumprir o seu papel estratégico na economia nacional e na ligação à Diáspora. A responsabilização foi assumida, a gestão foi profissionalizada e o país reconhece agora que o valor gerado pela TAP é o fruto direto da visão resiliente e do mérito de Pedro Nuno Santos.

Vitor M. Silva/MS

 

 

 

  •  

O meu Thanksgiving

O Thanksgiving, que celebramos no Canadá na próxima segunda-feira, é muito mais do que um feriado marcado pelo delicioso peru assado e pelas maravilhosas reuniões familiares. Por aqui, esta festa carrega um grande simbolismo, focado principalmente na gratidão por tudo o que aconteceu de bom e especial no ano que agora termina.

Contudo, para nós, comunidade luso-canadiana, a realização desta festa, ano após ano, deve fazer-nos lembrar as nossas raízes e levar-nos a refletir: o que devemos dar em troca à sociedade civil por tudo o que esta nos dá, não só ao nível dos privilégios, como também da prosperidade a que este ano tivemos acesso? Se o ano correu bem, isso obriga-nos a olhar para trás com orgulho, mas também para a frente com enorme responsabilidade.

A nossa história neste país foi construída a pulso, com o suor de gerações de emigrantes portugueses que encontraram no Canadá uma terra de oportunidades, segurança e liberdade. Fomos bem acolhidos, e os canadianos permitiram que tivéssemos sucesso e, ao mesmo tempo, mantivéssemos a nossa identidade bem viva. Por isso, sentarmo-nos à mesa nos próximos dias não pode ser apenas para comer e conversar, mas deve ser visto como um ato de gratidão. Para que esta seja verdadeira, deve ser convertida em cidadania ativa e responsabilidade social coletiva. Dar em troca à sociedade civil canadiana manifesta-se em gestos de compromisso ético diários. O primeiro e mais imediato é o combate à pobreza, às dificuldades sociais e à fome, realidades que afetam muitos dos nossos vizinhos e que não estão longe, apenas em África. Apoiar os bancos alimentares locais ou as instituições de caridade da nossa própria comunidade, que tanto fazem pelos mais desfavorecidos e pelos nossos idosos, é o reconhecimento prático da dignidade do outro.

Quando a comunidade luso-canadiana se mobiliza para partilhar recursos e tempo, não está apenas a fazer caridade; está a fortalecer a rede de segurança social que protege a todos. Assim como no passado fomos ajudados a dar os primeiros passos num novo país, cabe-nos agora assumir um papel ativo no acolhimento de quem chega. Dar em troca significa orientar os mais jovens, apoiar os novos imigrantes a entrar no mercado de trabalho e combater o isolamento social. Significa também participar de forma construtiva no processo democrático local, exercer o direito de voto e assumir cargos de liderança cívica, garantindo que a voz e os valores luso-canadianos podem influenciar o futuro do país.

O Thanksgiving não é apenas um ponto de chegada, mas sim um ponto de partida anual para renovarmos o nosso “contrato social” com o Canadá. Celebrar esta data com consciência cívica é compreender que o privilégio de viver numa sociedade pacífica e próspera traz consigo a obrigação moral de contribuir para a sua melhoria contínua.

Que a nossa maior expressão de gratidão seja o compromisso firme de continuar a dar o melhor de nós, honrando o passado e erguendo um Canadá cada vez mais justo e solidário.

Vitor Silva/MS

  •  

My Thanksgiving

Thanksgiving, which we celebrate in Canada next Monday, is much more than a holiday marked by delicious roast turkey and wonderful family gatherings. Here, this celebration carries great symbolism, focused primarily on gratitude for everything good and special that happened in the year now coming to a close.

However, for us, the Luso-Canadian community, celebrating this holiday year after year should remind us of our roots and prompt us to reflect: what should we give back to civil society in exchange for everything it gives us, not only in terms of privileges, but also the prosperity we had access to this year? If the year went well, that obliges us to look back with pride, but also forward with immense responsibility.

Our story in this country was built through hard work, with the sweat of generations of Portuguese immigrants who found in Canada a land of opportunity, safety, and freedom. We were warmly welcomed, and Canadians allowed us to succeed while keeping our identity vibrant and alive. Therefore, sitting at the table in the coming days cannot be merely about eating and talking; it must be seen as an act of gratitude. For this gratitude to be genuine, it must be converted into active citizenship and collective social responsibility. Giving back to Canadian civil society manifests in daily acts of ethical commitment. The first and most immediate is the fight against poverty, social hardship, and hunger, realities that affect many of our neighbors and are not far away, just in Africa. Supporting local food banks or charitable organizations within our own community, which do so much for the underprivileged and our seniors, is the practical recognition of the dignity of others.

When the Luso-Canadian community mobilizes to share resources and time, it is not merely practicing charity; it is strengthening the social safety net that protects everyone. Just as we were helped in the past to take our first steps in a new country, it is now up to us to play an active role in welcoming newcomers. Giving back means mentoring youth, supporting new immigrants in entering the job market, and combating social isolation. It also means participating constructively in the local democratic process, exercising the right to vote, and taking on civic leadership roles, ensuring that Luso-Canadian voices and values shape the country’s future.

Thanksgiving is not just a destination, but an annual starting point to renew our “social contract” with Canada. Celebrating this date with civic consciousness means understanding that the privilege of living in a peaceful and prosperous society carries the moral obligation to contribute to its continuous improvement.

May our greatest expression of gratitude be a firm commitment to keep giving the best of ourselves, honoring the past and building an ever more just and supportive Canada.

Vitor Silva/MS

The content on the Milénio Stadium website is automatically translated using Google Translate.

  •  
❌