Aproximar os portugueses de Portugal

Volto pela segunda semana consecutiva ao assunto TAP por o achar de extrema importância.
A Diáspora portuguesa não é apenas, ou melhor, não deve ser uma extensão demográfica de Portugal no mundo; é um dos maiores ativos geopolíticos, económicos e culturais do nosso país. Para os milhões de pessoas que residem fora do território nacional, a ligação a Portugal mede-se por muitos fatores, mas sustenta-se, na prática, por vias de comunicação fiáveis. É neste cenário que a TAP Air Portugal transcende a sua função comercial e assume um papel de soberania e coesão nacional. A manutenção de rotas aéreas diretas e regulares entre Portugal e as principais regiões de acolhimento das nossas comunidades terá de ser um desígnio nacional. Estas rotas não servem apenas para o turismo ou para o transporte de passageiros que vão visitar as suas famílias, mas garantem a continuidade dos negócios, o investimento dos emigrantes na terra natal, o regresso ao país e a preservação da identidade cultural das novas gerações. Sem este elo, regiões com forte densidade de portugueses arriscam-se ao isolamento face ao país de origem, dependendo dos interesses financeiros de companhias estrangeiras.
Para compreender o momento atual da transportadora aérea e a salvaguarda deste património de conectividade, é incontornável olhar para o passado recente. A decisão do anterior Governo do PS de intervir e salvar a TAP num momento de profunda crise global foi um ato de coragem política e de visão estratégica. Ao injetar capital e reestruturar a empresa, o Estado não estava apenas a salvar uma companhia de aviação; estava a proteger o cordão umbilical que une Portugal às suas comunidades espalhadas pelo mundo. Hoje, os frutos dessa decisão estratégica são evidentes. A valorização resultante desse processo de salvamento permite associar a TAP a um dos grupos de aviação mais prestigiados do mundo. Esta integração no mercado global não descaracteriza a empresa, mas sim fortalece-a, conferindo-lhe uma capacidade competitiva que, isoladamente, seria difícil de alcançar. Mais importante ainda: este processo preservou a posição estratégica do Estado português na companhia. Ao manter uma palavra decisiva na estrutura, o Estado garantiu uma capacidade negocial crucial. É este poder de influência que hoje permite, e deve, exigir aos novos parceiros a preservação intransigente das rotas que servem a Diáspora.
A soberania de um país também se mede pela capacidade de garantir que os seus cidadãos, independentemente de onde escolheram viver e trabalhar, continuam a ter uma porta aberta e direta para regressar a casa. A TAP é, e deve continuar a ser, as asas das nossas Comunidades. O seu futuro, agora associado a grandes palcos internacionais, não pode esquecer as suas origens nem a sua missão fundamental: aproximar os portugueses de Portugal.
Vítor Silva/MS