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Lula tenta evitar que caso Bolsonaro vire crise diplomática com Trump

O presidente Lula (PT) decidiu não se envolver no enredo político da fuga de Flávio Bolsonaro (PL), senador e candidato derrotado ao Planalto, para os Estados Unidos.

A avaliação no Planalto é de que uma intervenção do petista seria despropositada, porque Flávio está a desgastar-se com a história e, por isso, não haveria sentido em arriscar uma crise diplomática com o presidente americano, Donald Trump, por causa do adversário político.

A determinação foi mantida mesmo depois de os jornais americanos The Wall Street Journal e The New York Times afirmarem que Trump ajudou Flávio a fugir para os EUA.

O jato particular em que Flávio viajou foi providenciado, segundo as duas publicações, por Jason Miller, funcionário de comunicação da Casa Branca —informação também sustentada por um aliado de Flávio à Folha.

Miller estreitou laços com a família Bolsonaro quando esteve no comando da Gettr, rede social conservadora. Em setembro de 2021, chegou a ser interrogado pela Polícia Federal no aeroporto de Brasília, em investigação sobre atos golpistas conduzida pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, após participar de conferência organizada por Eduardo Bolsonaro, na qual também se encontrou com Jair Bolsonaro, então presidente da República.

Flávio partiu rumo aos Estados Unidos após ser intimado pela Polícia Federal na segunda-feira (26) a entregar seus passaportes —ele é alvo de inquérito que apura seu envolvimento em esquema de lavagem de dinheiro com bets. O senador passou pela Argentina e Equador antes de chegar ao território norte-americano.

Auxiliares de Lula têm repetido que eventuais providências relacionadas à fuga de Flávio cabem ao poder judicial, não à Presidência da República. O chefe do governo tem demonstrado, em conversas internas, que prefere dedicar o seu tempo a outros assuntos –ele acaba de ser reeleito e precisa apurar a sua nova gestão. Também tenta evitar que as negociações sobre o tarifaço fiquem ainda mais difíceis.

Um integrante do alto escalão diz que a fuga foi tão absurda que não deveria ser elemento com potencial de desencadear qualquer crise para Lula.

O governo brasileiro pretende preservar a relação comercial com os Estados Unidos e manter as negociações em curso, mesmo com as notícias que ligam o governo americano à fuga de Flávio. A avaliação interna é de que não convém colocar o episódio no centro da relação entre os dois governos.

Como mostrou a Folha, aliados do petista avaliam que Flávio Bolsonaro tenta atrair Lula para uma armadilha para sabotar a relação entre o petista e Trump, descrita como boa por ambos. Por esse raciocínio, o candidato derrotado busca provocar o presidente brasileiro para que ele tome uma atitude ou dê uma declaração que estresse sua relação com o presidente americano.

Na quarta-feira (28), o senador do PL divulgou uma carta em que se proclamava “verdadeiro presidente do Brasil”. Depois, atualizou o documento e referiu-se a si mesmo como “líder do Brasil”. Ele afirma, sem apresentar prova nenhuma, que a eleição brasileira foi fraudada. Na segunda (26), Flávio havia dito que desistiria de anular a eleição na Justiça e declarou que não fugiria do país.

Trump até o momento não reconheceu explicitamente a vitória de Lula e disse que a eleição brasileira foi uma vergonha. Apesar disso, ele afirma que conversará com o brasileiro. De acordo com Trump, o próprio Lula pediu que ele não tomasse lado na disputa.

A orientação dada aos auxiliares de Lula é não alimentar uma polêmica em torno da fuga de Flávio e manter uma postura pragmática. Integrantes do governo avaliam que Lula saiu fortalecido da reeleição e não precisa cobrar de Trump o reconhecimento da vitória, ainda não expressado pelo presidente americano.

Na avaliação de um auxiliar do Planalto, cobrar publicamente o reconhecimento poderia transmitir uma imagem de fragilidade que o Brasil não precisa assumir. Um diplomata do Itamaraty afirma que, neste momento, as providências relacionadas à saída de Flávio do país cabem ao Judiciário, e não ao presidente da República.

O governo também considera relevante o fato de partidos de diferentes espectros políticos, inclusive o PL, terem reconhecido a vitória de Lula. Outro reconhecimento considerado importante pelo governo foi o do presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Kassio Nunes Marques, indicado ao STF por Jair Bolsonaro.

O grupo político do chefe do governo brasileiro diz acreditar que a ida do adversário para o exterior tende a dispersar seu eleitorado. No domingo (25), Flávio Bolsonaro teve 59,8 milhões de votos para presidente da República e perdeu para Lula por 3,6 pontos percentuais.

Diversos aliados de Lula relataram à Folha a avaliação de que a fuga de Flávio Bolsonaro é benéfica para o presidente reeleito. Em seu aniversário de 81 anos, o petista citou o episódio como um dos mais vergonhosos da história do Brasil.

A análise é de que o senador abandonou um património eleitoral imenso e desorganizou a oposição, que agora precisará construir uma nova opção de poder –ou seja, um nome forte e incontestável no seu campo político para disputar a próxima eleição presidencial contra o grupo de Lula.

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CORAIS.PT reúne num só lugar os coros dos nove países da CPLP e da diáspora lusófona

Nasce o CORAIS.PT, o directório dos coros do mundo de língua portuguesa, uma plataforma gratuita e comunitária 

A Associação Cultural Ideias do Levante lançou esta segunda-feira (26) o portal CORAIS.PT, um directório digital, gratuito e bilingue que reúne os coros de Angola, do Brasil, de Cabo Verde, da Guiné-Bissau, da Guiné Equatorial, de Moçambique, de Portugal, de São Tomé e Príncipe e de Timor-Leste, bem como os coros lusófonos que ensaiam fora destes países.

Refira-se que o projecto parte da experiência do COROS.PT, o directório de referência dos coros em Portugal, e estreia-se com mais de mil coros já registados.

Cantores, maestros, programadores culturais e público passam a dispor de um ponto de encontro comum para descobrir a música coral que se faz em português nos quatro continentes. Cada coro tem uma página própria, com a localização num mapa interactivo, o tipo de vozes, a categoria, os géneros musicais que interpreta e as formas de contacto.

Salienta também a nota da Ideias do Levante chegada à nossa redação que a pesquisa pode ser feita por país, região, comunidade, tipo de vozes, categoria ou género musical, em português ou em inglês.

O registo é gratuito e o projecto tem natureza comunitária. São os próprios coros e o público que sugerem novos registos, correcções ou remoções, e cada sugestão é verificada pela equipa antes de ser publicada. Os contactos dos coros ficam protegidos contra recolhas automáticas e só aparecem quando o visitante carrega no botão correspondente.

Ideias do Levante salienta que os Coros de Portugal continuam a ser geridos no COROS.PT, cuja base de dados alimenta directamente o novo directório. Desta forma, os dados portugueses mantêm-se numa única fonte, sempre actualizada, e as sugestões de coros portugueses feitas no CORAIS.PT seguem automaticamente para o COROS.PT.

“O COROS.PT mostrou-nos a vitalidade da música coral em Portugal e a vontade dos coros de se darem a conhecer e de se encontrarem. CORAIS.PT leva essa ideia a todo o mundo de língua portuguesa. Queremos que um coro de Maputo encontre um coro de Díli, de São Paulo ou de Lagoa, e que desses encontros nasçam intercâmbios, concertos e digressões“, afirma Roberto Estorninho, presidente da Direcção da Associação Cultural Ideias do Levante.

A associação convida todos os coros de língua portuguesa, onde quer que ensaiem, a registarem-se gratuitamente em https://www.corais.pt, e pede a cantores, maestros e entidades culturais que ajudem a divulgar o projecto junto dos coros que conhecem.

Sobre a Associação Cultural Ideias do Levante
Fundada em 1995 e sediada em Lagoa, no Algarve, a Associação Cultural Ideias do Levante é uma entidade sem fins lucrativos que desenvolve trabalho de formação, produção e promoção cultural nas áreas do teatro, da dança, da música e do bem-estar. Na música coral, mantém coros próprios, organiza festivais e concertos e criou o COROS.PT, o directório de referência dos coros em Portugal. Mais informação em www.ideiasdolevante.info

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Lula da Silva reeleito presidente do Brasil

Luiz Inácio Lula da Silva foi hoje reeleito na segunda volta das eleições presidenciais do Brasil, com 51,75% dos votos, para o quarto mandato como chefe de Estado, e fez história como o primeiro candidato a vencer depois de ter perdido na primeira volta.

Lula da Silva conseguiu 63.388.523 votos, contra os 59.099.143 de Flávio Bolsonaro, quando estão contabilizadas 98,76% das secções de voto.

O líder do Partido dos Trabalhadores (PT), de esquerda, e antigo sindicalista, é reeleito aos 80 anos, tendo conseguido inverter a desvantagem da primeira volta de mais de dois milhões de votos.

Na primeira volta, o candidato da direita, Flávio Bolsonaro, obteve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula da Silva, uma vantagem de 2.224.965 votos, sendo que, desde a introdução do sistema de duas voltas nas presidenciais brasileiras, em 1989, nenhum candidato que terminou a primeira votação em segundo lugar conseguiu vencer a eleição.

Mais de 158,7 milhões de eleitores estavam inscritos para votar hoje nas cerca de 564.000 urnas eletrónicas espalhadas por 5.571 cidades do país, além de 186 cidades no exterior, como Lisboa, Porto e Faro.

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