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SAFE. Bruxelas abre nova call de 21,3 mil milhões


A Comissão Europeia abriu uma nova ronda para o programa de empréstimo SAFE, tendo disponível 21,3 mil milhões de euros que não foram usados pelos Estados-membros do montante inicial de 150 mil milhões de euros.

“Os Estados-Membros têm agora até 30 de novembro de 2026 para indicar os montantes que pretendem solicitar. Este financiamento permitirá aos Estados-Membros continuar a dar resposta às necessidades urgentes em matéria de defesa”, adianta Thomas Regnier, porta-voz da Comissão Europeia para a área da Defesa, ao ECO/eRadar.

“A Comissão incentiva os Estados-Membros a utilizar os fundos ainda disponíveis de forma a contribuir para satisfazer as necessidades urgentes da Ucrânia“, refere ainda o mesmo porta-voz.

Em novembro do ano passado, os Estados-Membros apresentaram à Comissão os seus planos para a indústria de defesa, tendo sido aprovados as propostas de 19 países, entre os quais Portugal, que garantiu uma fatia de 5,8 mil milhões de euros.

Na quarta-feira, a Comissão aprovou o plano da Hungria, o último dos 19 países da União Europeia que se candidataram inicialmente. Mas tanto a Hungria como Itália reformularam as suas candidaturas, reduzindo os montantes solicitados. Estas alterações, bem como revisões de menor dimensão por parte de outros países candidatos, deixaram 21,3 mil milhões de euros em empréstimos por atribuir. Montante que agora a Comissão volta a colocar à disposição dos Estados-Membros para novas candidaturas ao mecanismo de empréstimo europeu.

“Depois de receber os montantes pretendidos pelos países, a Comissão informá-los-á das dotações indicativas no prazo de duas semanas após o fim do prazo de apresentação das candidaturas”, refere a Comissão em comunicado.

“Além de responderem às suas necessidades e prioridades nacionais em matéria de defesa, os Estados-Membros são também incentivados a utilizar os fundos desta segunda convocatória para reforçar a cooperação com a Ucrânia, incluindo a aquisição conjunta com este país nos seus planos de investimento”, pode ler-se em comunicado. “Devem igualmente dar prioridade às necessidades urgentes das forças armadas ucranianas e dos Estados-Membros, nomeadamente nos domínios dos sistemas de defesa antiaérea e antimíssil, dos drones e dos sistemas antidrones, bem como das munições e dos mísseis“, refere ainda.

Em 16 dos 19 acordos de empréstimo iniciais, a Comissão já assinou os acordos de empréstimo, tendo desembolsado cerca de 13,5 mil milhões de euros a 11 países que tinham solicitado pré-financiamento. No caso português, o acordo de empréstimo aguarda em Bruxelas por assinatura, data a partir da qual será possível fazer os pagamentos das tranches de 15%.

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Têxtil de Barcelos investe meio milhão para ‘calçar’ negócio da Defesa


A Barcelcom está a expandir para defesa e segurança, área onde investiu cerca de meio milhão de euros. A têxtil de Barcelos, que até aqui atuava sobretudo no setor de saúde, com meias de punção, criou uma meia que protege os utilizadores de fogo. As “Guardian Socks” vão ser apresentadas na Alemanha, tendo os setores de defesa, saúde, bombeiros, proteção civil e equipamentos de proteção individual como potencial mercado.

“Sempre apostámos na especialização e em nichos de mercado. Neste caso, identificámos uma necessidade e percebemos que, com o conhecimento que já temos na área têxtil, conseguíamos dar-lhe resposta. Há também uma ligação muito clara à saúde. Em cenários de conflito, por exemplo, há profissionais de saúde que precisam de uma proteção adicional“, adianta Vânia Fontes, administradora da Barcelcom, ao ECO/eRadar.

“A característica antipunção pode ter interesse noutros contextos, como o bloco operatório ou os próprios equipamentos de proteção individual. É uma área que queremos explorar com calma: perceber onde o produto pode realmente fazer a diferença e ir construindo essa presença de forma gradual”, acrescenta a administrada da empresa têxtil quando questionada sobre o que motivou a aposta neste novo setor.

As “Guardian Socks”, que estão agora a levar para o mercado, levaram “dois anos” em desenvolvimento, tendo contado com a “colaboração de três parceiros: a Fibrenamics, a Pixartidea e a Sciencentris” para criar um produto que visa cumprir uma dupla função para a qual, dizem, ainda não existe resposta.

Sempre apostámos na especialização e em nichos de mercado. Neste caso, identificámos uma necessidade e percebemos que, com o conhecimento que já temos na área têxtil, conseguíamos dar-lhe resposta. Há também uma ligação muito clara à saúde. Em cenários de conflito, por exemplo, há profissionais de saúde que precisam de uma proteção adicional.

Vânia Fontes

Administradora da Barcelcom

“A grande diferença está em reunir na mesma meia duas características: proteção antipunção e proteção contra o fogo. Tanto quanto conhecemos o mercado, não existe outro produto que combine estas duas funcionalidades, e foi precisamente essa a necessidade a que quisemos responder”, destaca Vânia Fontes.

O projeto representou “um investimento de cerca de 500 mil euros”, precisa a administradora, sem arriscar uma expectativa de faturação com esta aposta num novo produto e setor.

“Estamos a entrar num setor novo para nós, por isso as nossas expectativas são prudentes. Acreditamos no produto, mas sabemos que há um caminho a percorrer até conquistarmos o nosso espaço neste mercado”, diz. “Para já, mais do que definir o peso que isto vai ter na faturação, interessa-nos perceber como o produto é recebido e desenvolver contactos comerciais”, refere.

A Barcelcom vai apresentar o produto na Alemanha. “Nesta fase, estamos focados sobretudo na defesa, saúde, bombeiros, proteção civil e nos equipamentos de proteção individual”, adianta Vânia Fontes. “O objetivo é mostrar o produto a quem trabalha nestes setores, ouvir as suas necessidades e perceber em que aplicações há maior interesse. Esse contacto vai ser fundamental para orientar o nosso trabalho comercial”, aponta como passos imediatos do projeto.

Potenciais novos segmentos

Mas há outros segmentos que, com este produto, a empresa pode expandir. “Há também um ganho muito importante, que é o conhecimento que fomos adquirindo ao longo do projeto. Isso permite-nos olhar para outras aplicações dentro dos equipamentos de proteção individual, por exemplo na indústria metalúrgica ou em trabalhos de soldadura“, realça a administradora da empresa têxtil.

Quanto a novos produtos para o setor de defesa e segurança, para já, não está nas prioridades imediatas da companhia. “Neste momento, estamos concentrados na comercialização deste produto. Foram dois anos de desenvolvimento e agora queremos dar o passo seguinte: levá-lo ao mercado e trabalhar as oportunidades que forem surgindo”, admite. “Poderão aparecer novas ideias ou necessidades, mas, para já, é aqui que estão os nossos esforços”, conclui.

Depois de no ano passado ter fechado com um volume de negócios de cerca de três milhões de euros, este ano a Barcelcom estima chegar aos 3,5 milhões, o que representa um crescimento de aproximadamente 17%, adianta Vânia Pontes quando questionada sobre objetivos de faturação da empresa com 43 trabalhadores.

Suíça, Países Baixos, França, Itália, Alemanha, Malásia, Áustria, Islândia, Suécia, Inglaterra, entre outros, são alguns dos países onde a empresa já está presente. “Cerca de 90% da nossa produção destina-se à exportação, por isso os mercados externos têm um peso muito significativo na atividade da empresa. Queremos continuar a crescer lá fora, tanto nos mercados onde já estamos como através de novas oportunidades”, afirma. América do Norte, Canadá e Japão são mercados na mira da empresa.

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Deve a geopolítica influenciar as compras militares?


A invasão russa da Ucrânia e o foco dos Estados Unidos no Indo-Pacífico obrigou a Europa a fazer avultados investimentos para ganhar capacidade de soberania de defesa. Se a geopolítica determina investimentos e alianças entre países, deverão também as mudanças na geopolítica, com velhas alianças a mostrarem claros sinais de desgaste, também determinar as compras de equipamentos militares? "Mais do que deve, tem de influenciar", atira Azeredo Lopes.

E não é apenas o antigo ministro da Defesa a ter a mesma visão. Na hora de comprar equipamento militar, a geopolítica "tem que ser tida em linha de consideração, quem não…

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