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Ação Popular pede suspensão de salário do senador Flávio Bolsonaro

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Dois advogados entraram, na sexta-feira (31), com uma ação popular para pedir que sejam interrompidos os pagamentos de subsídios e verbas públicas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

O parlamentar fugiu para os Estados Unidos, na última terça-feira (27), depois de perder a eleição presidencial e de uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que o obrigava a entregar seus passaportes para a Polícia Federal (PF).

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O processo foi distribuído para a 6ª Vara Federal do Rio de Janeiro. Os autores da ação, os advogados Leonardo Nicolau Passos Marinho e Rodrigo da Silva Roma, argumentam que sua permanência no exterior inviabiliza o exercício do mandato popular e lesa o erário, além de ferir a moralidade administrativa.

Segundo eles, a manutenção dos pagamentos e das estruturas de gabinete para o senador, que afirmou publicamente que "liderará a oposição" ao governo, a partir do exterior, representa desvio de finalidade dos recursos do Senado.

O pedido é para que seja interrompido o pagamento do salário, a verba de gabinete, o auxílio-moradia e a cota parlamentar (CEAPS) do congressista.

A Agência Brasil está tentando contato com a assessoria do parlamentar e mantém o espaço aberto para incluir posicionamento.

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Inmet alerta para chuvas no Norte, Sudeste e Centro-Oeste

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O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) divulgou alertas de perigo potencial de chuvas intensas neste sábado (31) em diversos partes do país. O aviso amarelo vale para partes do Sudeste, Norte e Centro-Oeste, além do sul da Bahia.

A previsão é de chuvas de até 50 milímetros (mm) por dia e ventos intensos, de até 60 quilômetros por hora (km/h).

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No Sudeste, o alerta vale para todo o estado do Espírito Santo e partes do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia. 

No Norte e Centro-Oeste, as o aviso indica que fortes podem afetar todo o território dos estados de Rondônia e Acre, além de partes do Amazonas, Pará e Tocantins e Mato Grosso. 

Neste domingo (1º), há alerta de perigo potencial de tempestade para Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Além das chuvas e ventos intensos, há possibilidade de granizo em algumas localidades.

O aviso vale para o Distrito Federal, quase todo o estado do Mato Grosso do Sul, além de partes do Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Goiás.

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Motorista infarta e engavetamento de 20 veículos deixa feridos no Rio

Um acidente envolvendo 20 veículos na Rodovia Presidente Dutra (BR-116), no Rio de Janeiro, deixou pelo menos 11 feridos, na manhã desta sexta-feira (30).

De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o engavetamento dos automóveis aconteceu depois que um ônibus perdeu o controle, no município de São João de Meriti, na Baixada Fluminense.

As primeiras informações indicam que o motorista do coletivo passou mal. Ele acabou morrendo de infarto, segundo informações da concessionária responsável pelo trecho rodoviária, a Ecovias Rio Minas.

A Ecovias Rio Minas informou que nenhuma pessoa ficou ferida com gravidade. Seis vítimas foram encaminhadas ao Hospital Geral de Nova Iguaçu e cinco para o Hospital Municipal de São João de Meriti.

A Delegacia de São João de Meriti (64ª DP) investiga a morte do motorista do ônibus.

 

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PF cumpre no Rio novos mandados da Operação Unha e Carne

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Policiais Federais cumprem quatro mandados de busca e apreensão na nona fase da Operação Unha e Carne, nesta quinta-feira (29), na cidade do Rio de Janeiro. 

A ação investiga crimes de lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial de organização criminosa, por meio de imóveis de alto padrão, veículos de luxo e aeronaves executivas registradas em nome de “laranjas”.

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De acordo com a Polícia Federal (PF), o grupo é suspeito de registrar bens e valores em nome de familiares, colaboradores próximos e terceiros formalmente desvinculados do núcleo investigado, a fim de ocultar os verdadeiros proprietários.

A investigação apurou também o uso de dinheiro em espécie, movimentações financeiras sem rastreabilidade e o emprego de empresas nacionais e estrangeiras, inclusive em paraísos fiscais. 

Também há indícios do envolvimento de entidades religiosas e holdings patrimoniais para desvinculação formal da titularidade de bens de elevado valor econômico.

Fase anterior

Os mandados foram expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A oitava fase da operação Unha e Carne resultou na prisão de um ex-prefeito de município da Baixada Fluminense e um ex-secretário da Polícia Civil fluminense.

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ONG internacional aponta falhas na investigação da Operação Contenção

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Um relatório divulgado nesta quarta-feira (28) pela organização não governamental internacional Human Rights Watch (HRW) apontou que houve falhas na investigação das mortes ocorridas durante a Operação Contenção, ocorrida há um ano, no Rio de Janeiro.

Na ação, 122 pessoas morreram, sendo cinco policiais e 117 não policiais, nos complexos da Penha e do Alemão, na zona norte da capital fluminense.

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>> Clique aqui e acesse a íntegra do relatório

De acordo com a Secretaria Estadual de Segurança Pública, até o momento apenas as investigações dos assassinatos dos cinco policiais (três militares e dois civis) foram concluídas.

Os inquéritos indiciaram 12 pessoas por envolvimento com as mortes, sendo nove apontadas diretamente como envolvidos nos homicídios e três suspeitas de ordenar os ataques às forças policiais.

As outras 117 pessoas morreram, segundo as autoridades de segurança pública do Rio de Janeiro, em confronto com a polícia. Essas mortes ainda estão sendo investigadas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do estado (MPRJ), sem qualquer conclusão até o momento, mesmo com sinais de ilegalidades e excessos por parte das forças policiais.

Pelo menos duas delas chamaram a atenção do MPRJ e foram consideradas “atípicas”. Uma é uma morte por disparos a curta distância. A outra, a decapitação de Yago Ravel Rodrigues Rosario, que teve a cabeça separada do corpo, por um facão, depois de levar um tiro na região lombar.

A HRW analisou o procedimento investigatório criminal feito pelo MPRJ (quase 9 mil páginas), os 122 laudos de necropsia e 4,4 mil horas de imagens das câmeras corporais dos policiais, além de ter ouvido 41 pessoas, entre testemunhas, familiares das vítimas e pesquisadores, para produzir o relatório divulgado nesta quarta-feira.

Investigação e perícia

Uma das constatações da ONG internacional é que policiais não adotaram medidas investigatórias após as mortes. De acordo com a HRW, o Departamento Geral de Homicídios e Proteção Pessoal, responsável por investigar homicídios no estado, tomou conhecimento da operação em uma conversa informal uma semana antes e não tomou nenhuma providência em preparação para ela.

Além disso, no final da manhã equipes de perícia da Polícia Civil foram convocadas pelo Departamento e se reuniram na Cidade da Polícia, a poucos quilômetros dos dois conjuntos de favela onde ocorria a operação, mas nunca foram enviadas ao local, de acordo com a HRW.

No final do dia, vários corpos começaram a ser recolhidos por policiais, sem a presença de equipes de perícia da Polícia Civil, como constatou a HRW. Muitos deles foram levados para um local onde tampouco havia a presença da polícia técnica, para serem entregues à Defesa Civil que os levou, por fim, ao Instituto Médico Legal (IML).
 

Rio de Janeiro (RJ), 29/10/2025 - Dezenas de corpos são trazidos por moradores para a Praça São Lucas, na Penha, zona norte do Rio de Janeiro, após ação policial da Operação Contenção. Foto: Eusébio Gomes/TV Brasil Rio de Janeiro (RJ), 29/10/2025 - Dezenas de corpos são trazidos por moradores para a Praça São Lucas, na Penha, zona norte do Rio de Janeiro, após ação policial da Operação Contenção. Foto: Eusébio Gomes/TV Brasil
Rio de Janeiro, 29/10/2025 - Dezenas de corpos são trazidos por moradores para a Praça São Lucas, na Penha, zona norte do Rio de Janeiro, após ação policial da Operação Contenção - Eusébio Gomes/TV Brasil

A perícia nem sequer foi enviada à Praça São Lucas, para onde moradores levaram dezenas de corpos, de acordo com a HRW. Ali os peritos poderiam ter feitos registros fotográficos e análises preliminares das vítimas, segundo o relatório.

Dentre as vítimas que foram recolhidas do local onde morreram estão 33 retiradas pela Polícia Militar e encaminhadas ao necrotério e 62 transportadas pelos próprios moradores dos complexos de favelas até a Praça São Lucas.

A HRW verificou ainda que, devido ao fato de muitos corpos terem ficados no chão expostos à temperatura ambiente por muitas horas já estavam em processo de decomposição, o que atrapalhou o trabalho de necropsia dos médicos legistas.

Outro problema, de acordo com a ONG internacional, foi o fato de nenhum local ter sido preservado para realizar perícia posterior. A polícia alegou que os agentes estavam no meio de um confronto armado, o que os impedia de resguardar esses locais para os peritos.

Mas a HRW constatou que não foram resguardadas para a perícia nem mesmo as áreas que poderiam ter sido preservadas mais facilmente, como o interior de residência, onde alguns foram mortos, ou as proximidades da estação de trem localizada fora dos conjuntos de favelas, onde dois suspeitos morreram.

Também houve pouca preocupação em preservar as 118 armas supostamente apreendidas durante a operação.

“As armas deveriam ser mantidas em sacos lacrados e enviadas para análise pericial de impressões digitais e balística. Em vez disso, a polícia apresentou as armas sem embalagem em uma coletiva de imprensa. Reportagens de televisão mostraram policiais e até mesmo repórteres manuseando armas e outros equipamentos apreendidos sem luvas”, diz o relatório.

Rio de Janeiro (RJ), 29/10/2025 - Julya Almeida mostra vídeo com imagens de cartuchos encontrados no quintal da sua casa durante protesto de moradores contra execuçoes na comunidade da Vila da Penha, Operação Contenção.
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil Rio de Janeiro (RJ), 29/10/2025 - Julya Almeida mostra vídeo com imagens de cartuchos encontrados no quintal da sua casa durante protesto de moradores contra execuçoes na comunidade da Vila da Penha, Operação Contenção.
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Julya Almeida mostra vídeo com imagens de cartuchos encontrados no quintal da sua casa na comunidade da Vila da Penha, após a Operação Contenção - Tânia Rêgo/Agência Brasil

Câmeras corporais

Além disso, há fortes indícios de que os policiais também tentaram dificultar as consequentes investigações que poderiam ser abertas ao fim da operação.

O relatório constatou, por exemplo, que alguns policiais podem ter adotado a prática comum na polícia carioca de retirar pessoas já mortas dos locais onde o crime ocorreu para dificultar a perícia. Pelo menos 16 pessoas foram transportadas pela polícia para hospitais, onde já chegaram mortas.

Em quatro casos, a polícia reconheceu que elas já estavam mortas quando foram levadas para o hospital, já que, segundo a HRW, agentes da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) alegaram que quando encontraram essas pessoas nas ruas das favelas, elas já estavam mortas.

Além disso, o relatório constatou, assim como o MPRJ, que vários dos agentes envolvidos na operação manipularam suas câmeras corporais (equipamentos que ficam acoplados às fardas dos agentes).

A investigação da HRW mostrou, por exemplo, que nenhuma das 117 mortes de não policiais foram gravadas pelos equipamentos dos agentes.

Há indícios de que policiais tenham ocultado propositalmente suas câmeras ou tirado elas de suas fardas em momentos específicos.

Há imagens mostrando claramente policiais colocando a mão na frente da lente ou colocando o equipamento em algum local, com a lente virada para outra direção.

Algumas câmeras nem sequer foram levadas pelos policiais na incursão a pé, já que foram deixadas dentro das viaturas.

Essas interferências na gravação, segundo a HRW, ocorreram em momentos chave da operação, como prisões, tiroteios ou dentro de residências.

Muitos equipamentos tiveram suas baterias esgotadas antes do fim da operação e desligaram antes do momento em que mais mortes ocorreram.

A ONG internacional constatou que o tempo médio de gravação das câmeras de 305 policiais da linha de frente analisadas foi de 6 horas e 38 minutos, bem abaixo das 12 horas de autonomia esperada para o equipamento.

Protocolo da Polícia Militar é claro no sentido de especificar a necessidade de levar baterias extras quando a operação for maior que 12 horas. De acordo com a HRW, isso não foi feito.

A partir de meio-dia do dia da operação, as gravações começaram a sofrer mais interferências. Em 55% dos casos nas 305 câmeras de policiais da linha de frente analisadas, as filmagens são interrompidas ou apresentam lacuna significativa de material gravado a partir desse horário.

Outra questão é que apenas 23% dos 2,5 mil policiais que participaram da ação usavam câmeras corporais.

Indícios de execução

Rio de Janeiro (RJ), 29/10/2025 - Moradores protestam contra execuçoes na comunidade da Vila da PenhaOperação Contenção.
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil Rio de Janeiro (RJ), 29/10/2025 - Moradores protestam contra execuçoes na comunidade da Vila da PenhaOperação Contenção.
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Rio de Janeiro, 29/10/2025 - Moradores protestam contra execuções na comunidade da Vila da Penha durante a Operação Contenção - Tânia Rêgo/Agência Brasil

O relatório constatou que 60% dos mortos foram alvejados com quatro ou mais tiros. Entre os cinco policiais mortos, apenas um deles foi alvejado com dois tiros, os outros quatro morreram com apenas um ferimento.

Entre os 117 não policiais, apenas 19 foram mortos com um tiro. Doze morreram com dois tiros e 13 com três. Setenta e três morreram com quatro tiros ou mais.

Houve sete casos, em que o número de perfurações por arma de fogo no corpo superou dez. Um dos mortos recebeu 13 tiros.

Em 71% dos casos, as vítimas apresentavam perfurações de entrada de projétil em dois lados do corpo (seja frente, costas, lateral direita ou esquerda). Em 34% dos casos, havia ferimentos em três lados do corpo (frente, costas e pelo menos uma das laterais).

Dos 117 mortos, 12% apresentavam ferimentos apenas na parte traseira do corpo, ou seja, foram alvejados quando estavam de costas. Oitenta e cinco deles tinham pelo menos um ferimento na parte de trás do corpo. Um deles recebeu 11 tiros nas costas.

Cinquenta foram alvejados na cabeça (seja na parte dianteira ou traseira), entre eles a vítima mais jovem, um adolescente 14 anos. Ele foi alvejado com três tiros pela frente e três pelas costas.

Um homem, que morreu com dez tiros, recebeu pelo menos seis a queima-roupa, a menos de 60 centímetros de distância entre o atirador e a vítima.

De acordo com a HRW, em muitos casos não foi possível determinar a distância do tiro por causa do estado dos corpos e porque muitos estavam despidos, supostamente pelos próprios policiais.

Outra morte que chamou a atenção da HRW foi a de Ronaldo Julião da Silva, de 46 anos, que, segundo moradores da comunidade, não era membro da facção e estaria desarmado quando foi morto. O laudo da necropsia mostrou que foi atingido nas costas, na axila esquerda, na mão esquerda e duas vezes no rosto. 

Há depoimentos de parentes de vítimas que indicam que pessoas estavam se entregando e, mesmo assim, sendo mortas por policiais.

Há o caso de uma mãe que recebeu uma mensagem do filho dizendo que queria se entregar mas que temia ser morto pelos policiais, o que já teria acontecido com colegas seus. O jovem depois apareceu morto.

A Agência Brasil entrou em contato com as polícias Civil e Militar para falar sobre a operação Contenção.

A Polícia Militar disse que não concederia nenhuma entrevista sobre o assunto. A Polícia Civil não respondeu ao pedido da reportagem. O espaço segue aberto para incluir posicionamento das corporações.

A Secretaria de Segurança Pública enviou uma nota em que diz que as investigações sobre as 117 mortes seguem em andamento pela Delegacia de Homicídios da Capital.

“Nos últimos 12 meses, foram colhidos 242 depoimentos e produzidos e analisados 553 laudos periciais. As diligências prosseguem, incluindo a realização de outros 105 exames. O trabalho é acompanhado pelo Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp), do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro”, diz a nota.

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Concentração de gases do efeito estufa atingem níveis recordes

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Um relatório publicado nesta terça-feira (27) pela Organização Meteorológica Mundial (WMO) mostrou que 2025 atingiu níveis de concentração “sem precedentes” de gases do efeito estufa na atmosfera.

O estudo constatou que a concentração de dióxido de carbono (CO₂), o principal desses gases, é 53% mais alto do que em níveis pré-industriais (antes de 1750).

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Em relação ao metano (CH₄), a concentração é 167% maior, na mesma base de comparação. Já o óxido nitroso (N₂O), o gás com maior potencial de aquecimento dentre os três, tem um nível 26% superior ao nível pré-industrial.

Em 2025, a concentração de dióxido de carbono atingiu 426,8 partes por milhão (ppm). Isso significa que, a cada um milhão de moléculas suspensas na atmosfera, aproximadamente 426 são de gás carbônico. São 2,8 ppm a mais do que em 2024.

O crescimento foi um pouco abaixo do registrado em 2024 (3,6 ppm), na comparação com o ano anterior, mas ficou acima da média da década (2,62 ppm por ano).

De acordo com o relatório, a redução do ritmo de crescimento em relação ao ano anterior provavelmente se deve à redução das emissões e a recuperação de sumidouros de carbono terrestres.

O fato de haver alta da concentração, no entanto, reflete a continuidade de grandes emissões provenientes da queima de combustível fóssil. Também pode ter ocorrido um impacto da temporada 2023/2024 do El Niño que evitou uma absorção maior do gás pela biosfera.

Do total de emissões humanas ocorridas entre 2015 e 2024, 50% se acumularam na atmosfera. O restante foi parar nos oceanos (29%), sejam dissolvidos na água, absorvidos pela biosfera marinha, e na terra (21%), absorvidos por processos biológicos ou geológicos.

O CO₂ responde por 66% da força radiativa dos gases do efeito estufa, ou seja, da capacidade de aquecimento na nossa atmosfera. Ele é também responsável por 83% do aumento dessa força na última década.

Metano

O segundo gás com maior força radiativa, o metano, que responde por 16% dela na nossa atmosfera, passou a ter uma concentração de 1.948 partes por bilhão (ppb), um aumento de 6 ppb em relação a 2024, menor do que os crescimentos de 8 ppb em 2024 e de 10,2 ppb por ano da média da década.

Desde 2007, o crescimento da emissão de metano na atmosfera vem caindo. Dois terços da emissão de gás metano no planeta Terra vem de ações antropogênicas, como a criação de gado e a decomposição de resíduos orgânicos.

Óxido nitroso

Já a concentração de óxido nitroso, também conhecido como gás do riso, que responde por 6% da força radiativa, chegou a 339,1 ppb, ou seja, 1,1 ppb a mais que em 2024, o mesmo ritmo de crescimento de 2023 para 2024 e próximo da média anual da década (1,08 ppb por ano).

Apesar de ter menor concentração na atmosfera, cada molécula deste gás contribui cerca de 270 vezes mais para o aquecimento global que uma molécula de dióxido de carbono. Diferentemente do metano, apenas um terço dele é originário de ações humanas, como o uso de fertilizantes agrícolas.

CFC

O relatório verificou ainda que os clorofluorcarbonos (CFCs), que tem capacidade de aquecer a atmosfera e de destruir a camada de ozônio (que protege a Terra de radiação solar), estão reduzindo sua concentração atmosférica. Apesar disso, os CFCs respondem, junto com outros gases halogenados (aqueles que contém cloro ou flúor em sua composição), tem diminuído.

O documento chama atenção, no entanto, para o crescimento de alguns gases halogenados, como os hidroclorofluorcarbonos (HCFCs) e os hidrofluorcarbonos (HFCs), que substituíram os CFCs nas indústrias, têm aumentado apesar de ainda terem baixas concentrações. E eles também contribuem para o aquecimento global. Os gases halogenados respondem por 12% da força radiativa na nossa atmosfera.

Outro alerta do relatório é para o aumento da emissão de hexafluoreto de enxofre (SF₆), pela indústria química, já que ele é usado como isolante elétrico em equipamentos de distribuição de energia.

Apesar de ainda ser baixa, sua concentração na atmosfera hoje é três vezes maior do que a observada em meados da década de 1990. E ele tem vida útil de mais de 1.900 anos na atmosfera.

Gás hidrogênio

Já o gás hidrogênio (H₂) que aparece como uma promissora fonte energética limpa, também preocupa devido a seu vazamento de dutos, tanques de estocagem e de células de combustível.

Apesar de não ter potencial de aquecimento, há a possibilidade reação química com hidroxilas (OH), moléculas que contribuem para limpar a atmosfera por reagir com gases como o metano.

Ao reagir com o gás hidrogênio, as hidroxilas se tornam mais escassas para reagir com o metano, por exemplo. A reação de OH com CH₄ gera dióxido de carbono, um gás do efeito estufa 80 vezes menos potente que o metano. Por isso, o vazamento de H₂ para a atmosfera acaba contribuindo indiretamente para o aquecimento global.

 

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