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Irani tem lucro líquido de R$ 56,5 mi no terceiro trimestre, alta de 34,3%

A Irani Papel e Embalagem registrou lucro líquido de R$ 56,51 milhões no terceiro trimestre de 2026, alta de 34,3% em relação ao mesmo período de 2025. Segundo a companhia, o resultado foi influenciado pela maior variação do valor justo dos ativos biológicos.

A receita líquida somou R$ 456,58 milhões no período, crescimento de 5,3% na comparação anual. Já o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado alcançou R$ 151,99 milhões, avanço de 3,9% em relação ao terceiro trimestre do ano passado.

De acordo com a empresa, o desempenho operacional foi impulsionado pelo maior volume de vendas no segmento de embalagens sustentáveis, que inclui papelão ondulado. O volume comercializado nesse segmento apresentou crescimento de 11,5% na comparação interanual.

Apesar do aumento nas vendas, os preços médios recuaram 1,2% no trimestre. A companhia atribuiu o movimento à dinâmica do mercado, caracterizada pelo equilíbrio entre oferta e demanda.

No encerramento do terceiro trimestre de 2026, a alavancagem da Irani ficou em 1,89 vez.

Do total da dívida, 67% correspondia a obrigações de longo prazo, enquanto os 33% restantes tinham vencimento no curto prazo. Em relação à composição por moeda, 99% do endividamento estava denominado em moeda nacional.

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Monsanto vence julgamento sobre glifosato após decisão da Suprema Corte

Um júri do Tribunal de Circuito do Missouri, nos Estados Unidos, decidiu por unanimidade a favor da Monsanto em um processo envolvendo o herbicida Roundup, um glifosato. O julgamento, realizado nesta quinta-feira (29), foi o primeiro relacionado ao produto desde que a Suprema Corte dos Estados Unidos proferiu, em junho de 2026, uma decisão que restringiu parte das ações judiciais contra a empresa.

O processo envolvia três autores, que apresentaram acusações de defeito de projeto, fraude e negligência. Segundo comunicado divulgado pela Bayer, controladora da Monsanto, o júri rejeitou as três alegações.

A decisão ocorre após o julgamento da Suprema Corte no caso Monsanto v. Durnell. Na ocasião, a Corte entendeu que a legislação federal norte-americana sobre pesticidas, a Lei Federal de Inseticidas, Fungicidas e Rodenticidas, prevalece sobre determinadas ações baseadas em leis estaduais que alegam falha na advertência sobre riscos de produtos, quando a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos já tiver estabelecido uma posição definitiva sobre sua segurança.

Esse entendimento afastou as chamadas alegações de falha na advertência, uma das principais linhas de argumentação utilizadas nos processos contra a Monsanto envolvendo o Roundup. Com isso, os autores do caso no Missouri seguiram com as acusações de defeito de projeto e negligência, além da alegação de fraude.

De acordo com a Bayer, o julgamento no Missouri foi o primeiro a avaliar, após a decisão da Suprema Corte, se as provas apresentadas seriam suficientes para sustentar acusações de defeito de projeto e negligência.

Em declaração divulgada pela empresa, Bill Dodero, diretor jurídico da Monsanto nos Estados Unidos e chefe global de litígios, afirmou que o resultado reforça a posição da companhia de que não há evidências suficientes para comprovar as acusações apresentadas nos processos envolvendo o herbicida.

A Bayer também argumentou que a decisão poderá dificultar novas ações judiciais contra a Monsanto, tanto pela necessidade de demonstrar a viabilidade jurídica das acusações quanto pela exigência de apresentar provas que as sustentem em tribunal.

Nos últimos anos, a empresa enfrentou milhares de processos estaduais que alegam que a empresa não alertou sobre possíveis riscos de câncer associados ao produto, que contém glifosato. Até o momento, a companhia já desembolsou bilhões de dólares em indenizações. 

Em fevereiro, a Monsanto anunciou um acordo de até US$ 7,25 bilhões proposto para uma ação coletiva nacional nos Estados Unidos, destinado a resolver atuais e futuras reivindicações relacionadas ao herbicida, incluindo casos de câncer. 

Posição da empresa

No comunicado, a Bayer voltou a defender a segurança do glifosato, princípio ativo do Roundup. A empresa afirma que o produto é amplamente estudado e que o conjunto das evidências científicas e as avaliações de órgãos reguladores de diferentes países respaldam sua segurança quando utilizado conforme as instruções.

A companhia também destacou que a Agência de Proteção Ambiental americana considera que o glifosato “provavelmente não é carcinogênico” e que os rótulos do Roundup aprovados pela agência não incluem advertências sobre câncer.

Ao final do comunicado, a Bayer informou que continuará defendendo seus produtos nos processos judiciais ainda em andamento.

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AGCO tem queda de 83% no lucro líquido do terceiro trimestre

A AGCO, fabricante de máquinas agrícolas dona das marcas Valtra, Fendt e Massey Ferguson, registrou lucro líquido de US$ 51,7 milhões no terceiro trimestre de 2026, queda de 83,1% em relação aos US$ 305,7 milhões registrados no mesmo período de 2025.

Nos nove primeiros meses do ano, o lucro líquido somou US$ 183,9 milhões, recuo de 70,8% na comparação com os US$ 631 milhões registrados entre janeiro e setembro do ano passado.

A receita líquida de vendas da companhia totalizou US$ 2,3 bilhões no terceiro trimestre, queda de 8,6% em relação ao mesmo período de 2025. No acumulado do ano, a receita atingiu US$ 7,2 bilhões, alta de 0,7% na comparação anual.

Na América Latina, as vendas líquidas recuaram 19,1% no terceiro trimestre, desconsiderando os efeitos cambiais. Segundo a companhia, a redução refletiu a menor demanda por máquinas agrícolas na região. O resultado operacional também caiu, pressionado principalmente pela diminuição das vendas e dos volumes de produção.

No Brasil, as vendas de tratores no varejo recuaram 17% nos nove primeiros meses de 2026 em relação ao mesmo período do ano passado. A empresa atribuiu o movimento à menor demanda por máquinas de maior porte. As vendas de colheitadeiras caíram 38% na mesma base de comparação.

A AGCO apontou juros elevados, restrições ao crédito e condições econômicas desfavoráveis para os produtores rurais como fatores que pressionaram a rentabilidade no campo. A incerteza econômica e sobre as políticas públicas também reduziu a confiança dos agricultores e contribuiu para o adiamento das compras de equipamentos.

Em nota, o presidente e CEO da AGCO, Eric Hansotia, afirmou que a companhia opera em um cenário de demanda global por máquinas agrícolas no nível mais fraco em mais de uma década. Segundo ele, os custos elevados de insumos e as incertezas nos mercados de commodities e no comércio internacional contribuíram para a retração.

A empresa informou que ajustou a produção à demanda, administrou os estoques dos concessionários e manteve o controle de custos. Também destacou investimentos em agricultura de precisão, sistemas de pulverização direcionada com inteligência artificial e soluções autônomas, voltados à redução dos custos operacionais dos produtores.

A AGCO estima a receita líquida entre US$ 9,8 bilhões e US$ 10 bilhões em 2026. A margem operacional ajustada deve ficar em torno de 7%, enquanto o lucro por ação ajustado é estimado em aproximadamente US$ 5,50.

A fabricante também informou que pretende manter os volumes de produção alinhados à demanda do mercado, com foco no controle de custos e na disciplina de preços.

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África do Sul descarta veto geral a aves brasileiras por surto de Newcastle

A África do Sul não irá impor uma proibição geral às importações de aves do Brasil, restringindo apenas os embarques provenientes de estabelecimentos onde tenham sido registrados surtos da doença de Newcastle, informou o Departamento de Agricultura do país nesta quarta-feira, em comunicado (28).

O país africano importa cerca de um quinto do consumo anual de carne de frango, sendo o Brasil responsável por pelo menos 70% do total das importações.

Os certificados sanitários veterinários acordados entre os dois países permitem a continuidade do comércio de carne de aves fresca, ovos para incubação e pintinhos de um dia, apesar do surto, desde que sejam cumpridos os requisitos de importação, informou o departamento.

As autoridades locais informaram terem sido notificadas pelo Brasil sobre o primeiro surto no estado de Santa Catarina em 20 de outubro. Nesta terça-feira (27), o Brasil anunciou um terceiro surto da doença de Newcastle em uma granja avícola no município de Nova Erechim, em Santa Catarina.

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Cacau tem maior recomposição da oferta desde 2021, mas déficit é esperado

O balanço global de cacau da temporada 2025/26 foi revisado para um superávit de 494 mil toneladas, consolidando o maior movimento de recomposição da oferta desde 2020/21. Os dados constam na quinta e última revisão do relatório da StoneX Brasil, elaborada pelo analista Lucca Bezzon e Leonardo Rossetti, especialista de Inteligência de Mercado.

A revisão, referente ao ciclo de outubro a setembro, foi impulsionada principalmente pelo aumento das estimativas de produção nos principais países produtores. Na Costa do Marfim, a projeção foi ajustada para 2,05 milhões de toneladas. 

O Equador encerrou o período com exportações recordes, enquanto o Brasil registrou uma das melhores safras da série histórica. Em Gana, informações que citam o Cocobod, órgão regulador do setor cacaueiro do país, indicam uma produção próxima de 700 mil toneladas.

Camarões foi uma exceção entre as origens analisadas. Segundo o relatório, o país foi afetado pelas temperaturas elevadas e pela intensificação do fenômeno climático Harmattan, caracterizado por ventos secos que atingem partes da África Ocidental.

Pelo lado da demanda, a StoneX elevou a estimativa em 30 mil toneladas, para 4,69 milhões de toneladas. O ajuste ocorreu após a moagem de cacau apresentar resultado acima do esperado no terceiro trimestre. A consultoria ressalta, porém, que parte desse aumento está associada à recomposição de estoques e ao processamento nos países de origem, sem representar necessariamente uma expansão equivalente do consumo de chocolate.

Oferta menor e déficit previsto para 2026/27

Para a temporada 2026/27, também compreendida entre outubro e setembro, a StoneX projeta um déficit global de 64 mil toneladas. A estimativa indica uma interrupção no processo de recomposição dos estoques observado no ciclo anterior.

A revisão incorpora os efeitos de um evento de El Niño de forte intensidade, que vêm afetando de maneira distinta as principais regiões produtoras. Na Costa do Marfim, o relatório aponta chuvas abaixo da média e lentidão na colheita. Na Indonésia, o destaque é a seca severa, enquanto o Equador enfrenta excesso de umidade.

Com esse cenário, a oferta global de cacau deve diminuir 9,6% em 2026/27. A estimativa foi reduzida em 90 mil toneladas em relação à projeção de julho. Ao mesmo tempo, a demanda deve continuar em recuperação gradual.

Apesar do déficit previsto, o volume é menor do que os registrados nas temporadas entre 2021/22 e 2023/24. Ainda assim, de acordo com a análise da StoneX, o mercado deve iniciar o próximo ciclo com menor margem de segurança nos estoques, aumentando a sensibilidade dos preços a eventuais deteriorações das condições climáticas, especialmente na África Ocidental.

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Agroindústria recua 2,7% em agosto e acumula queda de 1% em 2026

A produção agroindustrial brasileira caiu 2,7% em agosto, na comparação com o mesmo mês de 2025, e registrou a quarta retração interanual consecutiva, segundo o Índice de Produção Agroindustrial, da FGV (Fundação Getulio Vargas). Com o resultado, o setor acumulou queda de 1% nos oito primeiros meses de 2026.

O desempenho foi influenciado principalmente pelo segmento de produtos não alimentícios, com uma produção que recuou 5,4% em agosto, na comparação anual. Já o segmento de produtos alimentícios e bebidas teve queda de 0,3% no período.

Entre os produtos não alimentícios, a produção de insumos agropecuários caiu 18,3% em agosto, a maior retração para o mês desde o início da série histórica do indicador, em 2023. Segundo o FGV Agro, o resultado foi determinado pela menor produção de intermediários para fertilizantes, adubos e fertilizantes, defensivos agrícolas, tratores e máquinas agrícolas, ainda como consequência do conflito no Oriente Médio.

A produção de produtos têxteis também recuou, 7,6% na comparação anual. O setor de fumo teve queda de 19,6%, enquanto o segmento de produtos florestais avançou 1,1%. 

Os biocombustíveis registraram alta de 6,4%, impulsionados pelo aumento da moagem de cana-de-açúcar, pela maior destinação da matéria-prima à produção de etanol e pelo avanço do etanol de milho.

No acumulado de janeiro a agosto, o segmento de produtos não alimentícios apresentou retração de 2,9%. Apenas biocombustíveis, com expansão de 14,1%, e fumo, com alta de 2%, registraram crescimento no período entre os setores que compõem esse grupo.

Alimentos e bebidas

No segmento de produtos alimentícios e bebidas, a produção de alimentos caiu 1% em agosto em relação ao mesmo  mês de 2025. Os alimentos de origem vegetal tiveram retração de 1,4%, enquanto os de origem animal recuaram 0,8%.

Entre os produtos de origem vegetal, houve queda na produção de conservas e sucos, produtos da moagem de trigo e açúcar refinado. A expansão da produção de café, óleos e gorduras e arroz ajudou a limitar a retração. 

Nos alimentos de origem animal, a queda foi influenciada pela menor produção de carne bovina e pescados, parcialmente compensada pelo crescimento de carne suína, aves e laticínios.

Segundo o relatório, a retração da produção de carne bovina está relacionada, sobretudo, ao esgotamento da cota chinesa para a carne brasileira. Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária citados pelo estudo mostram que o volume embarcado para a China caiu 89,9% em agosto, na comparação com o mesmo mês de 2025.

Na direção oposta, a produção de bebidas cresceu 4,4% em agosto. O avanço foi de 2,3% nas bebidas alcoólicas e de 6,4% nas não alcoólicas.

No acumulado do ano, o segmento de produtos alimentícios e bebidas registrou expansão de 0,5%, insuficiente para compensar a retração dos produtos não alimentícios. A produção de alimentos avançou 0,2% entre janeiro e agosto, enquanto a de bebidas cresceu 2,3%.

Desaceleração 

O relatório do FGV Agro aponta perda gradual de dinamismo da agroindústria ao longo de 2026. Até abril, a produção acumulava expansão de 0,8%. Nos meses seguintes, o indicador passou a registrar variações negativas, encerrando agosto com retração de 1% no acumulado do ano.

Os pesquisadores citam fatores econômicos, como os juros elevados, o desaquecimento do mercado interno e a limitação da renda disponível das famílias, além do cenário eleitoral, como elementos relevantes para a trajetória da atividade.

Segundo o estudo, a reversão ou o aprofundamento da desaceleração depende da reação dos agentes econômicos ao resultado das urnas. O relatório afirma que os efeitos desse cenário talvez sejam mais claros na próxima divulgação do indicador, prevista para meados de novembro.

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Basf vê receita do segmento agrícola cair 19,7% no terceiro trimestre

A receita de vendas do segmento agrícola da Basf somou 1,4 bilhão de euros no terceiro trimestre de 2026, queda de 19,7% em relação ao mesmo período do ano passado. No acumulado de janeiro a setembro, a receita recuou 6%, para 6,7 bilhões de euros.

O desempenho trimestral foi pressionado principalmente pela redução dos volumes comercializados, que caíram 17,3% na comparação anual. Os preços tiveram queda de 4,8%, enquanto os efeitos cambiais contribuíram positivamente em 2,1%. Os efeitos de portfólio adicionaram 0,2% às vendas.

Entre as categorias de produtos, os fungicidas registraram receita de 470 milhões de euros no trimestre, recuo de 22,2% em relação ao terceiro trimestre de 2025. As vendas de herbicidas caíram 31,3%, para 316 milhões de euros, enquanto as de inseticidas diminuíram 11%, para 237 milhões de euros.

O tratamento de sementes apresentou queda de 29,7%, com receita de 108 milhões de euros. Na direção oposta, a categoria de sementes e características genéticas de cultivares foi a única a registrar crescimento, de 3,3%, alcançando 272 milhões de euros.

O segmento agrícola registrou Ebitda negativo de 78 milhões de euros no terceiro trimestre, contra resultado positivo de 44 milhões de euros um ano antes. De janeiro a setembro, o indicador recuou 10,8%, para 1,41 bilhão de euros.

A BASF informou que a redução do Ebitda antes de itens especiais refletiu principalmente a queda das vendas, com destaque para a região que reúne América do Sul, África e Oriente Médio. Margens ligeiramente menores, em razão da redução de preços em algumas regiões, também pressionaram o resultado. A diminuição dos custos fixos compensou apenas parcialmente esses efeitos.

Os itens especiais do Ebitda somaram 30 milhões de euros negativos no trimestre, principalmente em decorrência da separação jurídica da divisão agrícola e da migração para o novo sistema de planejamentos industriais.

Segundo a empresa, na América do Sul, África e Oriente Médio, as vendas recuaram significativamente. A Basf atribuiu parte da queda à antecipação de vendas para o segundo trimestre, medida adotada para facilitar a migração para um novo sistema de planejamento de recursos empresariais . Preços menores também contribuíram para o resultado negativo.

As vendas na Europa recuaram substancialmente, principalmente em razão de condições climáticas desfavoráveis, que reduziram os volumes comercializados. Na América do Norte, a queda foi mais moderada, com menores volumes de herbicidas, fungicidas e tratamento de sementes parcialmente compensados pelo aumento das vendas de sementes para culturas agrícolas.

Na região Ásia-Pacífico, as vendas também diminuíram consideravelmente, sobretudo pela redução dos volumes de herbicidas em meio a condições climáticas adversas associadas ao El Niño. Preços menores e efeitos cambiais negativos, especialmente relacionados à rupia indiana, também pressionaram o resultado.

Considerando todas as operações, a Basf registrou lucro líquido de 155 milhões de euros no terceiro trimestre, queda de 9,8% em relação ao mesmo período de 2025. No acumulado dos nove primeiros meses do ano, porém, o lucro líquido aumentou 393,4%, para 5,23 bilhões de euros.

A receita de vendas do grupo alcançou 16,36 bilhões de euros no trimestre, alta de 14,2% na comparação anual. O Ebitda ficou praticamente estável, em 1,2 bilhão de euros. No acumulado do ano, o indicador cresceu 16,5%, para 5,36 bilhões de euros.

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Bunge fecha fábrica de amônia para fertilizantes na Argentina

A multinacional agroindustrial Bunge fechou uma fábrica de insumos industriais e agrícolas na província de Buenos Aires, na Argentina. A unidade, em operação há mais de 50 anos, produzia amônia e tiossulfato de amônio, utilizados na fabricação de fertilizantes. As informações foram inicialmente publicadas pelo jornal argentino La Nación.

A Bunge informou em nota que a decisão ocorreu “após um extenso processo de análise e avaliação de diferentes alternativas operacionais e comerciais”.

A empresa também esclarece que essa decisão se limita exclusivamente à planta operada pela Bunge em Campana. “A medida é resultado de uma combinação de fatores estruturais que, há anos, vêm afetando a viabilidade e a sustentabilidade dessa atividade. Entre eles estão as limitações de infraestrutura e tecnologia de uma planta com mais de 50 anos de operação, bem como as mudanças ocorridas nas condições de mercado e no abastecimento de insumos.”

“Temos plena consciência do impacto que essa decisão tem sobre os colaboradores e suas famílias. Por isso, nossa prioridade é conduzir esse processo com o máximo respeito, responsabilidade e proximidade, fornecendo informações claras e apoio às pessoas afetadas, além de cumprir todos os compromissos e obrigações correspondentes”, diz a empresa.

A fábrica em questão produzia amônia, matéria-prima utilizada na fabricação de fertilizantes nitrogenados, como a ureia, aplicada em culturas como trigo, milho, cevada e arroz. Já o tiossulfato de amônio é utilizado na formulação de fertilizantes líquidos que fornecem nitrogênio e enxofre, nutrientes importantes para o desenvolvimento das plantas. A produção foi iniciada no local em outubro de 2004.

A unidade também tinha participação da ACA (Associação de Cooperativas Argentinas), responsável por uma fatia equivalente a 17,5% da produção, segundo o periódico argentino.

O encerramento se restringe à unidade industrial de Campana e não altera as demais atividades da Bunge na Argentina. A multinacional mantém planos de investimento em infraestrutura e ativos produtivos ligados ao processamento de matérias-primas agrícolas.

 

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Klabin tem lucro líquido de R$ 393 milhões no 3º trimestre, queda de 18%

A Klabin registrou lucro líquido de R$ 393 milhões no terceiro trimestre de 2026, queda de 18% em relação ao mesmo período do ano passado. 

No acumulado de janeiro a setembro, o lucro somou R$ 283 milhões, recuo de 81% em relação aos R$ 1,51 bilhão registrados nos nove primeiros meses de 2025.

O Ebitda ajustado (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), caiu 12% na comparação anual, para R$ 1,85 bilhão no terceiro trimestre. No acumulado do ano, o indicador recuou 9%, para R$ 5,48 bilhões.

A receita líquida da companhia de papel e celulose cresceu 3% no trimestre, para R$ 5,5 bilhões, enquanto o volume total de vendas permaneceu estável, em 1,06 milhão de toneladas. Entre janeiro e setembro, a receita avançou 1%, para R$ 15,6 bilhões, e o volume comercializado aumentou 4%, para 3,1 milhões de toneladas.

Segundo a companhia, o desempenho do trimestre foi influenciado pela valorização do real frente ao dólar, pela pressão inflacionária sobre os custos de insumos e fretes em meio aos conflitos geopolíticos e pelas medidas preventivas adotadas para mitigar os efeitos do El Niño.

O custo caixa total por tonelada, incluindo os efeitos das paradas gerais de manutenção, aumentou 12% em relação ao terceiro trimestre de 2025, para R$ 3.483. Desse total, a empresa atribuiu R$ 111 por tonelada às iniciativas de prevenção contra o El Niño e R$ 66 por tonelada à pressão sobre insumos e fretes decorrente dos conflitos geopolíticos.

A Klabin informou que medidas de eficiência operacional e gestão de custos variáveis reduziram as despesas em R$ 13 milhões no período. A companhia também afirmou ter iniciado, no segundo trimestre, ações preventivas diante da expectativa de um dos episódios de El Niño mais severos das últimas décadas.

Desempenho por segmento

As vendas de celulose cresceram 1% no terceiro trimestre, para 403 mil toneladas. No acumulado do ano, o volume avançou 4%, para 1,19 milhão de toneladas. De acordo com a empresa, a diversificação entre fibras curta, longa e fluff e a gestão do mix de vendas contribuíram para preservar a rentabilidade do segmento.

No negócio de papéis, o volume comercializado somou 379 mil toneladas, praticamente estável na comparação anual. O crescimento das vendas de cartões, de 20 mil toneladas, compensou os efeitos da parada programada para manutenção da unidade de Otacílio Costa sobre as vendas de kraftliner, segundo a Klabin.

No acumulado de janeiro a setembro, as vendas de papéis cresceram 6%. Já no segmento de embalagens, o volume comercializado caiu 3% no trimestre, para 283 mil toneladas, mas permaneceu estável no acumulado do ano. A companhia informou que manteve a receita do segmento estável no período, com repasses de preços e volume contratado.

A participação do mercado interno na receita líquida foi de 65% no terceiro trimestre, um ponto percentual abaixo do registrado um ano antes. No acumulado do ano, a fatia também foi de 65%, dois pontos percentuais acima da registrada nos nove primeiros meses de 2025.

O mercado doméstico respondeu por 53% das vendas no trimestre, recuo de um ponto percentual na comparação anual, e pela mesma proporção no acumulado do ano, avanço de um ponto percentual.

Ao fim de setembro, a alavancagem da Klabin, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado em dólares, ficou em 3,3 vezes, praticamente estável em relação ao segundo trimestre.

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Krilltech capta R$ 22,5 milhões da Finep para desenvolver nanodefensivos

A agtech brasileira Krilltech recebeu aprovação para captar aproximadamente R$ 22,5 milhões em recursos de subvenção econômica da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) para desenvolver uma nova geração de defensivos agrícolas à base de nanotecnologia. 

O projeto prevê a construção de uma planta piloto para produção experimental de nanoherbicidas, nanofungicidas e nanoinseticidas, com foco no aumento da eficiência dos produtos e na redução de seus impactos ambientais.

A iniciativa representa a entrada da Krilltech no mercado brasileiro de defensivos agrícolas. 

“As nanopartículas podem melhorar a eficiência fisiológica das plantas. Agora, levamos esse conhecimento para a proteção de cultivos. Estamos falando de um mercado que movimenta quase R$ 100 bilhões por ano no Brasil e é dominado por grandes multinacionais. A planta piloto nos permitirá avançar com uma tecnologia brasileira, com potencial de produção industrial e comercialização”, afirma Everton Molina, diretor de Marketing e sócio da Krilltech.

Com duração prevista de 36 meses, a iniciativa será desenvolvida em parceria com a UnB (Universidade de Brasília), a UFV (Universidade Federal de Viçosa) e a UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). A localização da unidade industrial ainda está em definição, mas a previsão é que ela seja instalada no Centro-Oeste brasileiro.

Entre as substâncias que serão estudadas está o glifosato, herbicida amplamente utilizado na agricultura brasileira. Segundo a empresa, a proposta é utilizar sua tecnologia para aprimorar o desempenho de moléculas já conhecidas, buscando maior eficiência na proteção das lavouras e menor impacto sobre o ambiente.

Uma das frentes da pesquisa será a avaliação dos efeitos dos produtos sobre a microbiota benéfica do solo. Esses microrganismos desempenham funções como a solubilização de nutrientes e o auxílio no controle de doenças e pragas que afetam as plantas.

“Estamos trabalhando para tornar as moléculas utilizadas na proteção das lavouras mais eficientes, sem perder de vista seus efeitos sobre o ambiente. Queremos desenvolver defensivos com melhor desempenho e mais compatíveis com os processos biológicos que sustentam a produtividade agrícola. É uma aplicação dos conhecimentos que acumulamos ao longo de mais de uma década de pesquisas”, afirma Marcelo Rodrigues, CEO da Krilltech e professor da UnB, onde responde pela pesquisa.

A unidade terá como função transferir tecnologias desenvolvidas em laboratório para processos industriais. A estrutura será utilizada na fabricação experimental dos produtos, na realização de testes, no aperfeiçoamento das formulações e na validação dos processos necessários à futura produção em escala comercial.

De acordo com a empresa, as tecnologias empregadas no projeto foram desenvolvidas ao longo de mais de dez anos de pesquisa e são protegidas por patentes. Além do desenvolvimento das formulações, os recursos serão destinados à estruturação da capacidade produtiva e à validação dos processos tecnológicos para a futura industrialização.

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Relação com EUA será primeira missão de Lula para o agro, diz professor

A primeira missão do quarto governo Luiz Inácio Lula da Silva em sua política comercial para o agronegócio deverá ser manter a proximidade com os Estados Unidos para evitar o agravamento das disputas tarifárias entre os dois países, segundo Leonardo Trevisan, professor de relações internacionais da ESPM. Ao mesmo tempo, o Brasil poderá ampliar o espaço de seus produtos na China e na União Europeia, aproveitando a relação diplomática com esses mercados.

“Essa é a primeira tarefa que temos no governo Lula: de algum modo mantermos proximidade com os EUA para que isso não agrave questões tarifárias que podem prejudicar bastante certos produtos brasileiros”, afirmou Trevisan em entrevista ao CNN Agro News.

Para o professor, a competitividade do agronegócio brasileiro está entre os fatores que ajudam a explicar as medidas comerciais adotadas pelo governo do presidente Donald Trump. A diplomacia brasileira, segundo ele, deverá demonstrar aos norte-americanos que há espaço para a atuação dos dois países no mercado internacional, sem que o avanço das exportações brasileiras seja interpretado como uma ameaça aos produtores dos Estados Unidos.

“Temos muita força no agro, estamos praticamente capitaneando o mercado em soja, algodão e carne. (…) E eu não tenho dúvida que boa parte das tarifas americanas tem uma razão essencial: a concorrência e eficiência do agro brasileiro. Temos que mostrar para eles que há mercado para todos, que de alguma forma esse ponto possa acalmar essa pressão do presidente Trump em relação às tarifas”, disse.

Trevisan também chamou a atenção para as dificuldades enfrentadas pelo setor agropecuário norte-americano, entre elas o endividamento. Segundo os dados citados pelo professor, os pedidos de falência de empresas do agronegócio nos Estados Unidos cresceram 40% no primeiro semestre de 2026, na comparação com igual período de 2025.

Na avaliação dele, a concorrência com o Brasil pode aumentar a pressão sobre os produtores norte-americanos e, consequentemente, influenciar a política comercial de Washington. Por isso, o governo brasileiro deverá buscar uma interlocução que reduza as tensões e favoreça a revisão de medidas que afetam as exportações nacionais.

Um dos pontos de atenção é a investigação conduzida pelos Estados Unidos com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana, que permite apurar práticas consideradas desleais e embasar medidas comerciais. Trevisan avalia que a relação entre Lula e Trump poderá contribuir para as negociações. 

O professor mencionou as declarações do presidente norte-americano de que “gosta do presidente Lula”, apesar das desconfianças manifestadas por Trump em relação ao processo eleitoral do Brasil, sem apresentar provas. 

Para o professor, “temos que usar ao máximo” a simpatia pelo líder brasileiro para que seja possível ampliar a presença de produtos brasileiros para além da carne e do café.

A expansão das vendas externas brasileiras aumenta a importância dessas negociações diplomáticas. No primeiro semestre de 2026, as exportações do agronegócio brasileiro cresceram 6%, segundo Trevisan.

Em 2025, o Brasil exportou cerca de US$ 169 bilhões em produtos do agronegócio, contra US$ 171 bilhões dos Estados Unidos, conforme os dados citados pelo professor. A diferença de aproximadamente US$ 2 bilhões deixou os dois países próximos no comércio global do setor.

Trevisan avalia que o Brasil poderá superar os norte-americanos em exportações agropecuárias, o que reforçaria a posição brasileira nos mercados internacionais, mas também tornaria a concorrência entre os dois países mais acirrada.

China e União Europeia abrem oportunidades

Além dos Estados Unidos, a China deverá continuar entre as prioridades da política comercial brasileira para o agronegócio. Trevisan avalia que a relação entre Lula e o presidente chinês, Xi Jinping, pode facilitar a ampliação das vendas brasileiras ao país asiático.

O professor também destacou os sinais de aproximação de lideranças europeias com o presidente brasileiro após a eleição. Para ele, as manifestações de dirigentes como a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ao “meu amigo Lula” indicam espaço para aprofundar as relações políticas e comerciais com o bloco.

Nesse contexto, Trevisan citou o acordo entre Mercosul e União Europeia como uma oportunidade para o agronegócio brasileiro. Segundo números mencionados por ele, as vendas brasileiras ao bloco cresceram 30% no primeiro semestre, em um movimento que o país poderá buscar ampliar.

O Sudeste Asiático também aparece como uma frente de expansão. De acordo com o professor, dados do Banco Central mostram que as vendas brasileiras à região no primeiro semestre superaram as exportações para o Mercosul. Embora a China tenha peso importante nos resultados, ele ressaltou o crescimento das vendas aos demais países do Sudeste Asiático.

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Dólar mais alto pode favorecer ações de SLC, 3tentos e São Martinho

A desvalorização do real pode favorecer as ações de empresas exportadoras de commodities agrícolas, como SLC Agrícola, 3tentos e São Martinho, segundo relatório do BTG Pactual divulgado na segunda-feira (26). O banco avalia que a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode pressionar o mercado acionário brasileiro, elevar os juros de longo prazo e enfraquecer a moeda brasileira.

No relatório, o BTG estima que o real pode se desvalorizar de 10% a 15% e que o Ibovespa  pode recuar 17% em relação ao nível atual. O banco ressalta que a trajetória dos mercados dependerá, entre outros fatores, da condução da política fiscal do próximo governo.

Entre as empresas do agronegócio, o BTG cita SLC Agrícola, 3tentos e São Martinho como potenciais beneficiárias de um real mais fraco, por sua exposição às exportações de commodities agrícolas. A desvalorização cambial pode favorecer empresas que recebem receitas em moeda estrangeira, embora o impacto sobre os resultados dependa também da estrutura de custos e das operações de cada companhia.

O relatório também destaca que empresas com balanços sólidos, baixo endividamento ou posição de caixa positiva tendem a sofrer menos em um cenário de juros elevados. Segundo o banco, taxas de longo prazo mais altas podem dificultar a redução da taxa básica de juros pelo Banco Central.

O BTG avalia que a taxa Selic pode chegar a 12% no fim de 2027, conforme as projeções da pesquisa Focus, mas afirma que esse cenário pode se mostrar otimista caso a política fiscal do novo governo não contribua para ancorar as expectativas econômicas.

O desempenho das ações do setor também aparece no relatório. No gráfico que considera a variação dos papéis desde antes do primeiro turno, a 3tentos acumulava alta de 30,7%, entre as 30 ações com melhor desempenho no período. Já a SLC Agrícola registrava valorização de 1,7%, entre as 30 ações com pior desempenho. 

No caso da M. Dias Branco, o relatório não apresenta uma análise específica dos efeitos da reeleição sobre a companhia. A avaliação geral do banco aponta, contudo, que empresas mais expostas à economia doméstica podem enfrentar um ambiente mais difícil caso os juros permaneçam elevados e as condições financeiras se apertem.

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El Niño forte pode reduzir safra de soja em 17,6 milhões de toneladas

A produção nacional de soja pode ter uma redução de 17,6 milhões de toneladas, ou cerca de 9,7% na safra 2026/27, segundo levantamento elaborado pela Serasa Experian. A produção pode chegar a 163,6 milhões de toneladas em um cenário de forte atuação de El Niño, contra 181,2 milhões de toneladas em uma condição climática neutra. 

O estudo tem base em dados climáticos, modelos de previsão do clima e informações territoriais das safras recentes. As informações foram apresentadas nesta terça-feira (27), durante coletiva de imprensa, por Daniel de Oliveira, gerente de Geoprocessamento Agro da Serasa Experian.

Segundo ele, os dados indicam a possibilidade de retorno do El Niño em 2026/27, com intensidade elevada, mas o estudo não constitui uma previsão de safra ou uma confirmação de perdas. O objetivo é dimensionar os riscos para a produção caso as condições climáticas observadas em episódios anteriores se repitam.

“Tudo indica que o El Niño volta em 2026/27 — e forte”, segundo a instituição.

O levantamento considera apenas a soja de primeira safra e compara dois cenários de produtividade, um de El Niño forte e outro de neutralidade climática. Para aproximar a análise das condições tecnológicas atuais do campo, a empresa utilizou dados de safras recentes, evitando que diferenças nos níveis de tecnologia de períodos mais antigos distorcessem os resultados.

Produtividade pode cair mesmo com aumento da área plantada

A estimativa da Serasa Experian considera que a área cultivada com soja no Brasil alcance 49,9 milhões de hectares na safra 2026/27, quase 1 milhão de hectares a mais do que na temporada anterior. O crescimento projetado é de 1,8% em relação à safra 2025/26.

No cenário de El Niño forte, a produtividade média seria de 3.282 quilos por hectare, equivalente a 55 sacas por hectare. Já em uma condição neutra, o rendimento estimado é de 3.622 quilos por hectare, ou 60 sacas por hectare.

A diferença entre os cenários é de 340 quilos por hectare. Aplicada à área projetada, essa variação resulta em uma produção estimada de 163,6 milhões de toneladas no cenário de El Niño forte, ante 181,2 milhões de toneladas no cenário neutro.

A análise também utiliza a safra 2023/24 como referência de um período de El Niño muito forte. Naquele ciclo, a produtividade da soja foi de 3.282 quilos por hectare, segundo dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), resultado 9% inferior ao registrado em 2024/25, ano de neutralidade climática considerado na comparação do estudo.

A relação entre o fenômeno e a produtividade da soja está associada às alterações nos padrões de chuva e temperatura, que podem afetar o desenvolvimento das lavouras. Os efeitos, porém, variam de acordo com a região e as condições de cada ciclo agrícola.

Impacto potencial de R$ 33 bilhões

A diferença de 17,6 milhões de toneladas entre os cenários também foi utilizada para estimar a dimensão econômica do risco. O cálculo apresentado pela Serasa Experian aponta para um VBP (valor bruto da produção) potencialmente impactado de aproximadamente R$ 33 bilhões.

Para chegar ao valor, o estudo considera um preço médio de cerca de R$ 1,88 mil por tonelada, obtido a partir do valor bruto da produção de soja dividido por um volume de referência de aproximadamente 181,5 milhões de toneladas. Esse valor médio foi multiplicado pela diferença de produção estimada no cenário de El Niño forte.

A empresa ressalta que o resultado é um exercício de dimensionamento, e não uma previsão de perda financeira efetiva. Uma eventual redução da oferta nacional também pode influenciar os preços da soja e as condições de comercialização, alterando o resultado econômico para os produtores e os demais agentes da cadeia.

Risco redistribuído

Segundo Oliveira, a “anomalia climática redistribui o risco que, normalmente, é concentrado no Rio Grande do Sul”.

As estimativas regionais indicam que o Centro-Oeste concentraria a maior parcela da redução de produção no cenário de El Niño forte. Mato Grosso teria uma diferença de 9,7 milhões de toneladas em relação ao cenário neutro, enquanto Goiás apresentaria uma redução estimada em 4 milhões de toneladas.

Somados, os dois estados responderiam por quase 80% da diferença de produção projetada para o país.

Na direção oposta, o Rio Grande do Sul poderia registrar uma produção 5,5 milhões de toneladas maior no cenário de El Niño forte em comparação com o neutro, mas insuficiente para compensar as perdas no Centro-Oeste.  No estado gaúcho, entretanto, as condições hídricas têm dificultado a implantação da lavoura. 

Os possíveis efeitos também podem variar entre as culturas e as épocas de cultivo. Embora o levantamento tenha considerado apenas a soja de primeira safra, as culturas de segunda safra podem estar sujeitas a impactos mais intensos, dependendo do calendário agrícola e das condições climáticas encontradas ao longo do ciclo.

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Israel compra quase US$ 240 mi em carnes do Brasil e fornece fertilizantes

Israel é um comprador relevante de carnes brasileiras e, ao mesmo tempo, um fornecedor de fertilizantes para o agronegócio nacional. Em 2025, o Brasil exportou US$ 238,82 milhões em carnes ao mercado israelense, quase metade das vendas externas do agronegócio ao país. No sentido inverso, importou US$ 499 milhões em fertilizantes israelenses, segundo dados do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços).

A relação comercial ganha destaque nesta terça-feira (27), quando Israel realiza sua primeira eleição nacional desde os ataques do Hamas, em outubro de 2023, e o início da guerra no Oriente Médio. O pleito coloca em disputa a continuidade do governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que enfrenta rivais políticos em meio às críticas à condução do conflito.

Segundo dados do Agrostat, sistema de estatísticas de comércio exterior do Ministério da Agricultura e Pecuária, as exportações brasileiras do agronegócio para Israel somaram US$ 480,11 milhões em 2025. As carnes responderam por US$ 238,82 milhões, o equivalente a 49,7% do total, com embarques de 38,11 mil toneladas.

O complexo soja aparece em segundo lugar, com US$ 91,73 milhões e 242,77 mil toneladas. As exportações de café totalizaram US$ 59,68 milhões, com 7 mil toneladas, enquanto os produtos florestais somaram US$ 40,58 milhões. Já os produtos oleaginosos, excluindo a soja, renderam US$ 15,1 milhões.

A pauta também inclui açúcar e outros produtos do complexo sucroalcooleiro, bebidas, cacau e derivados, cereais, frutas, lácteos e outros produtos de origem animal e vegetal.

As vendas brasileiras do agronegócio para Israel oscilaram nos últimos anos. Em 2020, somaram US$ 353,6 milhões, menor valor da série apresentada. Em 2021, avançaram para US$ 384,87 milhões e atingiram um pico de US$ 727,43 milhões em 2022.

Nos dois anos seguintes, houve recuo: as exportações caíram para US$ 449,07 milhões em 2023 e US$ 442,87 milhões em 2024. Em 2025, subiram para US$ 480,11 milhões.

De janeiro a setembro de 2026, as exportações brasileiras do agronegócio para Israel já somavam US$ 486,27 milhões, superando o total registrado em todo o ano anterior.

Fertilizantes lideram compras brasileiras

Na direção contrária, os fertilizantes estão entre os principais produtos israelenses que abastecem o mercado brasileiro. As importações brasileiras desses insumos somaram US$ 499 milhões em 2025, aumento de 15,3% em relação ao ano anterior, segundo o MDIC.

O valor corresponde a mais que o dobro das exportações brasileiras de carnes para Israel. Em termos relativos, os US$ 238,82 milhões vendidos em carnes equivaleram a 47,9% do valor desembolsado pelo Brasil em fertilizantes israelenses.

O comércio de insumos agrícolas também inclui defensivos. Em 2025, as compras brasileiras de defensivos agrícolas de Israel alcançaram US$ 101,8 milhões, alta de 34,2% em relação a 2024.

A dependência brasileira de fertilizantes importados torna esse fluxo relevante para o setor agropecuário. Antes da guerra iniciada em 2023, o Brasil chegou a importar cerca de 1 milhão de toneladas de fertilizantes israelenses por ano.

Pelos dados do Agrostat, as importações brasileiras de produtos agropecuários israelenses somaram US$ 32,99 milhões em 2025. O complexo sucroalcooleiro respondeu por US$ 5,2 milhões, seguido por bebidas, com US$ 258,3 mil, e cereais, farinhas e preparações, com US$ 158 mil.

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