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Entenda por que Flávio Bolsonaro não é considerado foragido

Apesar do cancelamento de seus passaportes comum e diplomático, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) desembarcou nos Estados Unidos nesta quarta-feira (28), acompanhado de sua esposa e das duas filhas.

Como mostrou a CNN Brasil, o ex-candidato a presidente utilizou um passaporte italiano para ingressar na Argentina e, depois, o passaporte diplomático para dar entrada nos EUA.

A PF (Polícia Federal) solicitou ao STF (Supremo Tribunal Federal), no último domingo (25), a adoção de medidas cautelares contra o parlamentar, incluindo a apreensão de passaportes, a proibição de saída do país e a restrição de contato com outros investigados.

O pedido se deu no âmbito do inquérito que apura suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo Flávio e o advogado Willer Tomaz.

Segundo a PF, após a decisão judicial, os passaportes emitidos no Brasil foram cancelados e o senador foi intimado a entregar documentos de outras nacionalidade em até 24 horas. A determinação não foi cumprida.

Apesar disso, a corporação afirma que a “existência de restrições relacionadas a documentos de viagem, por si só, não caracteriza a condição de foragido nem autoriza a realização de prisão, vigilância permanente ou outras medidas cautelares”.

Especialistas em direito penal consultados pela CNN Brasil explicam que o senador não pode ser considerado foragido, porque ele não é alvo de pedido de prisão.

“Ele evidentemente não cumpriu uma determinação judicial e está inadimplente, mas isto não significa que ele esteja foragido”, afirma a advogada Marina Coelho Araújo, doutora em direito penal.

A professora de direito penal da FGV (Fundação Getulio Vargas) Luisa Ferreira referenda a explicação, mas destaca que o o não cumprimento da determinação judicial poderia resultar em um decreto de prisão preventiva.

“Só foge, só é foragido alguém que tenha uma prisão preventiva decretada e foge do país. A notícia que nós temos todos é a de que há uma determinação de entrega de passaporte e que não teria sido cumprida por Flávio Bolsonaro”, diz.

“Isso pode ensejar a decretação da prisão preventiva, porque existe nas nas nossas regras de processo penal uma norma que indica que, se a pessoa descumpre uma medida cautelar, pode ser decretada a prisão”, completa.

O professor de direito constitucional da UFF (Universidade Federal Fluminense) Gustavo Sampaio pondera, entretanto, que devido ao cargo de senador, Flávio só poderia ser preso em flagrante ou após uma sentença transitada em julgado.

“Em caso de crimes graves, mesmo não sendo flagranciais delitivos e mesmo não sendo inafiançáveis, houve decretos de prisão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, mas não é a regra constitucional”, explica.

Além do inquérito envolvendo o advogado Willer Tomaz, Flávio Bolsonaro é alvo de outras duas investigações.

O primeiro inquérito apura suspeitas de irregularidades no financiamento do filme “Dark Horse“, produção que retrata a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O segundo inquérito investiga uma suposta calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A investigação tem origem em uma publicação feita por Flávio Bolsonaro nas redes sociais, em 3 de janeiro deste ano.

Na postagem, feita na plataforma X, o senador atribuiu ao presidente crimes como tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. O caso foi encaminhado ao STF para apuração da conduta do parlamentar.

 

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Com Flávio nos EUA, Tarcísio adota tom nacional e prega unidade da oposição

Com Flávio Bolsonaro (PL) nos Estados Unidos, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), começa a reforçar um discurso de alcance nacional e a se posicionar como uma das principais lideranças da oposição ao governo Lula.

Aliados do governador afirmam que a estratégia passa pela construção de uma oposição “estadista” e institucional, com ênfase em responsabilidade fiscal, unidade e propostas para o país.

A avaliação de dirigentes partidários da direita e do centrão é que Tarcísio reúne condições para disputar a Presidência da República em 2030 e pode chegar à próxima eleição com mais competitividade do que Flávio.

O governador, reeleito em São Paulo com mais de 60% dos votos no primeiro turno, tem quatro anos para consolidar sua gestão e ampliar sua presença no debate nacional.

A movimentação ganhou um sinal público nesta terça-feira (27), quando Tarcísio publicou um vídeo nas redes sociais com uma mensagem que extrapola os limites da política paulista. Sem comentar diretamente a ida de Flávio aos Estados Unidos, o governador repetiu que “a eleição passou” e defendeu a construção de um “projeto de país”.

“A direita brasileira recebeu das urnas uma responsabilidade, recebeu força no Congresso e nos estados. Agora é hora de unidade, de uma oposição vigilante, que cobre responsabilidade fiscal, que proponha aquilo que melhora a vida das pessoas e que fiscalize de perto quem governa pelos próximos quatro anos”, afirmou.

A escolha dos termos chama a atenção de interlocutores políticos. A defesa de uma oposição vigilante, da responsabilidade fiscal e da unidade do campo conservador sinaliza uma tentativa de organizar o discurso da direita em torno de pautas que também dialogam com setores do mercado financeiro e com eleitores mais moderados.

No mesmo vídeo, Tarcísio defendeu ministérios ocupados por nomes técnicos, redução de gastos públicos e de impostos, combate a privilégios e investimentos em áreas como saúde, educação e saneamento. Também reconheceu o resultado eleitoral, embora tenha criticado o que classificou como excessos durante a campanha e questionado a atuação do Judiciário.

Equilíbrio entre São Paulo e Brasília

Para aliados, o desafio de Tarcísio será ampliar sua presença nacional sem deixar de priorizar a administração paulista. A estratégia envolve manter a agenda de entregas do governo estadual e, paralelamente, participar do debate político nacional, especialmente por meio das redes sociais.

O objetivo é ocupar espaço entre os eleitores de direita sem necessariamente reproduzir o nível de rejeição associado ao bolsonarismo.

Nesse desenho, o governador buscaria se apresentar como uma alternativa capaz de reunir diferentes setores da oposição, incluindo partidos de centro-direita e legendas do centrão.

A avaliação entre dirigentes partidários é que uma candidatura presidencial em 2030 se tornou um cenário provável, embora ainda dependa do desempenho de Tarcísio à frente do governo paulista e da evolução das forças políticas nos próximos anos.

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Aliados consideram “inaceitável” possível fuga de Flávio do Brasil

A possível fuga de Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil, após a derrota para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), provocou surpresa e insatisfação entre aliados políticos do senador.

Reservadamente, integrantes do entorno do candidato derrotado afirmam não compreender a decisão, caso seja confirmada. Um deles chegou a classificá-la como “inaceitável”.

O principal temor é que a ausência de Flávio enfraqueça a mobilização política considerada fundamental nas próximas semanas, justamente no momento em que o bolsonarismo tenta se reorganizar após a derrota nas urnas.

A preocupação é ainda maior porque o próprio Flávio havia anunciado que assumiria a liderança da oposição no quarto mandato de Lula e prometido reunir deputados e senadores para organizar a atuação do grupo no Congresso Nacional.

Um dos aliados ouvidos pela CNN Brasil resumiu o sentimento de incerteza dentro do grupo: “A sensação é que, nesse momento, o barco fica sem capitão”.

A possível saída do país ocorre em meio às articulações para reorganizar a oposição e aumenta a preocupação de aliados sobre a capacidade de Flávio de manter o grupo mobilizado após a eleição.

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Aliados dizem que Flávio Bolsonaro está fora do Brasil

Aliados do senador e candidato derrotado a presidente, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), relataram à CNN Brasil que ele fugiu para os Estados Unidos com a esposa e as duas filhas.

A informação foi passada à CNN Brasil por fontes próximas à família. Segundo os relatos, a fuga teria começado nesta madrugada.

O principal motivo foi o medo de ser preso após o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes determinar a retenção de seus passaportes.

Mais cedo, o governo brasileiro acionou autoridades argentinas sobre um eventual risco de fuga do senador.

O site argentino Infobae publicou nesta terça-feira (27) que o candidato derrotado nas eleições havia cruzado a fronteira entre Brasil e Argentina em um voo privado. A CNN Brasil não confirmou qual foi a rota do de Flávio.

Algumas horas mais tarde, a PF (Polícia Federal) cancelou os passaportes comum e diplomático do ex-presidenciável no sistema da corporação após decisão de Moraes.

O magistrado havia determinado que Flávio entregasse os documentos até às 11h de desta terça-feira.

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