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“Barragem da Foupana é uma falsa solução para a seca, que destrói o património natural do Algarve” – considera a Almargem

A Almargem – Associação de Defesa do Património Cultural e Ambiental do Algarve submeteu um parecer negativo ao projeto da Barragem da Foupana.

A Almargem considera um atentado ambiental, e um potencial desastre financeiro, o investimento de 90 milhões de euros que ameaça transformar-se num “elefante branco” sem água.

A ribeira da Foupana é um dos últimos cursos de água livres do Algarve. Enquanto que a maioria dos rios do Sul foi profundamente alterada por barragens e espécies exóticas, na Foupana, cerca de dois terços dos peixes existentes são espécies autóctones que ali encontram o seu último refúgio. Erguer uma parede de betão significa destruir este ecossistema único.

O “fim da linha” para a vida na ribeira

A alteração do curso da ribeira e a criação de uma albufeira terão um impacto devastador sobre a fauna aquática:   

  • Risco de extinção local do Saramugo: Este pequeno peixe, um dos mais ameaçados da Península Ibérica, é incapaz de sobreviver em águas paradas. A albufeira significará o seu desaparecimento definitivo naquele troço.   
  • Bloqueio de peixes migradores: A parede da barragem impedirá a subida e descida de espécies emblemáticas como o Sável, a Savelha, a Enguia-europeia e a Lampreia-marinha. Sem o sinal dos peixes jovens a descer o rio, os adultos do mar deixarão de entrar na bacia do Guadiana.   
  • Isolamento e Invasão: Espécies nativas como a Boga-do-Guadiana e o Barbo-de-cabeça-pequena ficam encurraladas, tornando-se presa fácil para peixes exóticos invasores predadores (como o Achigã) que proliferam em albufeiras.   
  • Colapso dos mexilhões de água doce: Os mexilhões-de-rio (náiades em perigo de extinção) precisam das guelras dos peixes nativos para se reproduzirem. Sem estes peixes, as náiades desaparecerão também do vale.   

Da serra à praia, os impactes são múltiplos

  • Ameaça ao Lince-Ibérico: A albufeira vai inundar e cortar o corredor natural desta espécie, empurrando-os para as estradas e aumentando o risco de atropelamento.   
  • Perda de floresta e património: Ficarão submersos mais de 500 hectares de vegetação protegida, 70 hectares de azinhais, plantas raras e dezenas de moinhos tradicionais de rodízio e sítios arqueológicos romanos e medievais.   
  • Agravamento da erosão nas praias: Ao reter cerca de 10 milhões de m³ de areias e sedimentos, a barragem vai privar as praias e dunas do Sotavento do material necessário para combater o recuo da linha de costa.   

Aposta em alternativas sustentáveis

A Almargem sublinha que a verdadeira resiliência hídrica não passa por reter mais rios expostos à evaporação, mas sim por gerir a água de forma integrada:   

  • Resolver as fugas nas tubagens: Em vários concelhos do Algarve, grandes volumes de água potável perdem-se em roturas na rede. Reparar as tubagens gera mais água útil do que toda a barragem da Foupana.   
  • Guardar água no subsolo: Infiltrar a água das chuvas nos aquíferos subterrâneos (como Querença-Silves), protegendo-a do sol, da evaporação e da contaminação a um custo muito inferior.   
  • Reutilizar a água das ETAR: Usar água reciclada para a rega, poupando a água potável das barragens existentes para o consumo das populações.   

Participe na Consulta Pública até 16 de outubro

A Almargem exige à Agência Portuguesa do Ambiente a emissão de uma Declaração de Impacte Ambiental Desfavorável e apela a todos os cidadãos para que submetam a sua oposição ao projeto no portal Participa.pt (Processo de AIA n.º 3837) até ao dia 16 de outubro.

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Município investe cerca de 498 mil euros na gestão de resíduos

VTM

A construção do novo ecocentro de Ribeira de Pena, que representa um investimento de cerca de 497.800 euros, já começou.

Segundo o município, esta obra constitui “uma aposta na sustentabilidade ambiental e na melhoria dos serviços disponibilizados à população”.

A obra foi adjudicada a 9 de junho e resultará numa infraestrutura destinada a “melhorar as condições de deposição, recolha e encaminhamento de resíduos no concelho, permitindo uma gestão mais eficiente dos materiais e contribuindo para a valorização dos recursos”.

O novo ecocentro permitirá depositar adequadamente diferentes tipos de resíduos, aumentando as taxas de reutilização e reciclagem e assegurando um encaminhamento mais eficiente dos materiais para valorização.

Segundo a autarquia, o projeto pretende também “incentivar a adoção de boas práticas ambientais pela população, sensibilizando-a para a importância da correta separação e deposição de resíduos”. A participação dos cidadãos é essencial para reduzir o impacto ambiental e promover hábitos mais sustentáveis.

Com esta obra, o município de Ribeira de Pena reforça a sua “capacidade de resposta às necessidades locais no domínio da gestão de resíduos, contribuindo para um concelho mais sustentável, eficiente e ambientalmente responsável”.

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Infraquinta assinala 30 anos com programa dirigido a colaboradores, residentes, escolas e comunidade local

A Infraquinta iniciou ena quinta-feira, 17 de setembro, as comemorações do seu 30.º aniversário, com um programa que se prolongará pelos próximos meses e que pretende assinalar o percurso desta empresa municipal, dar a conhecer o trabalho desenvolvido e lançar a discussão sobre os desafios que se colocam na área ambiental.

A programação envolve trabalhadores, residentes e visitantes da Quinta do Lago, mas também as escolas e a comunidade da Freguesia de Almancil, território onde a empresa está inserida. O arranque das comemorações fica ainda marcado pela apresentação da nova identidade visual da Infraquinta e do logótipo criado para assinalar os 30 anos.

Criada pela Câmara Municipal de Loulé e pela Quinta do Lago, S.A., que detêm atualmente 51% e 49% do capital social, respetivamente, a Infraquinta iniciou atividade em 1996. A empresa foi criada para assegurar a gestão das infraestruturas e dos espaços públicos da Quinta do Lago, mantendo os padrões de qualidade deste espaço urbano.

Ao longo de três décadas, a sua atividade passou a abranger o abastecimento de água, o saneamento de águas residuais, a gestão de resíduos, a limpeza urbana, a manutenção da rede viária e a conservação de 15,4 hectares de espaços verdes públicos na Quinta do Lago e áreas adjacentes.

A eficiência na utilização da água é uma das áreas em que a Infraquinta tem vindo a destacar-se. É atualmente a única entidade gestora em baixa do país com a Certificação do Produto «Água para Consumo Humano», de acordo com a Recomendação da ERSAR n.º 2/2011, e apresenta a menor percentagem nacional de água não faturada. Em 2025, a empresa atingiu também uma taxa de 50% de recolha seletiva de resíduos, mais do dobro dos 23% registados em 2022.

Para Telmo Pinto, Presidente da Câmara Municipal de Loulé, este 30.º aniversário é uma oportunidade para olhar para o trabalho desenvolvido e preparar os próximos anos. “Nos próximos meses, vamos revisitar o percurso desta empresa, que está de parabéns pelo trabalho desenvolvido, sobretudo na área da sustentabilidade e da qualidade da Quinta do Lago. Queremos também aproveitar este momento para pensar o futuro da Infraquinta e preparar uma estratégia para os desafios que temos pela frente, nomeadamente nas áreas da eficiência hídrica, da mobilidade e da gestão de resíduos”, afirma.

Pedro Pimpão, Presidente do Conselho de Administração da Infraquinta, destaca, por sua vez, a aposta numa programação que procura chegar a diferentes públicos. “Preparámos um conjunto de iniciativas para os nossos trabalhadores, residentes e visitantes da Quinta do Lago, mas queremos ir mais longe e envolver também a comunidade local e as escolas da Freguesia de Almancil. É uma forma de dar a conhecer o trabalho que fazemos todos os dias e os projetos que temos em curso”, refere.

O programa comemorativo dos 30 anos arranca após a apresentação da nova identidade visual e vai desenvolver-se ao longo dos próximos meses.

O primeiro grande momento acontece já no dia 15 de outubro, com a realização da conferência “H2O e Sustainability Summit”, em parceria com a Universidade do Algarve, dedicada aos principais desafios ambientais do setor.

A programação estende-se depois a toda a comunidade com iniciativas como o lançamento de um livro infantil ilustrado por um autor local e dirigido às escolas, a exposição itinerante IQ30, que vai percorrer vários edifícios públicos do concelho, e os Open Days, que darão a conhecer de perto o trabalho diário das equipas da Infraquinta no terreno.

O calendário detalhado e todas as novidades de cada evento serão divulgados progressivamente no site da Infraquinta.

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