❌

Reading view

Boa Safra aprova programa para recomprar até 2,9 milhões de ações

A Boa Safra Sementes aprovou um novo programa de recompra de ações que poderá abranger até 2,89 milhões de papéis ordinários da companhia. A decisão foi tomada pelo Conselho de Administração nesta terça-feira (27), com início das operações previsto para 15 de novembro de 2026.

Segundo comunicado, a quantidade máxima autorizada corresponde a 2,04% das ações totais emitidas pela empresa e a 5% dos papéis em circulação no mercado.

O quinto programa de recompra da companhia terá duração de até 12 meses, com prazo para liquidação das operações até 15 de novembro de 2027. As aquisições serão realizadas na B3, a preços de mercado, com intermediação da XP Investimentos.

Segundo a Boa Safra, a recompra poderá contribuir para aumentar o retorno dos acionistas por meio de dividendos e juros sobre capital próprio por ação, uma vez que os papéis mantidos em tesouraria não têm direito ao recebimento desses proventos.

A empresa também aponta a possibilidade de aumento da participação percentual dos acionistas caso as ações recompradas sejam posteriormente canceladas. O objetivo é maximizar a geração de valor para os acionistas por meio de uma administração eficiente da estrutura de capital.

As ações adquiridas poderão ser mantidas em tesouraria para posterior cancelamento, alienação ou utilização em programas de remuneração baseada em ações destinadas a administradores, entre outras finalidades permitidas pela legislação.

El Niño pode mudar cenário da produção de leite e pressionar preços

  •  

Uruguai suspende importação de aves de todo o Brasil após caso de Newcastle

O Uruguai suspendeu temporariamente a entrada de carne de aves e outros produtos avícolas provenientes de todo o Brasil após a confirmação de um foco da doença de Newcastle em uma granja comercial de perus em Santa Catarina. A medida foi comunicada nesta segunda-feira (26) pelo Mapa (Ministério da Agricultura) a exportadores brasileiros.

A determinação vale para todos os animais suscetíveis à doença, além de produtos e subprodutos elaborados após 6 de setembro.

A informação consta em minuta de ofício do Ministério, atualizada em 27 de outubro, que reúne as restrições sanitárias impostas por parceiros comerciais do Brasil. A CNN Agro também confirmou a medida com representantes da indústria.

O Uruguai se soma ao México, que já havia anunciado a suspensão da importação de determinados produtos avícolas de todo o território brasileiro.

A restrição mexicana abrange carne de aves, miúdos, ovos férteis, pintinhos de até três dias, aves ornamentais e outras categorias, além de matérias-primas avícolas destinadas à fabricação de alimentos para animais de companhia.

Já o Uruguai prevê exceções para produtos submetidos a tratamentos capazes de inativar o vírus, desde que atendidas as exigências sanitárias e de certificação.

O caso da doença de Newcastle foi confirmado em 18 de outubro pelo Ministério da Agricultura, em uma granja comercial de perus localizada em Nova Itaberaba, no oeste de Santa Catarina. A propriedade abrigava aproximadamente 6 mil aves.

Outros países suspendem exportações

Além de Uruguai e México, outros parceiros comerciais impuseram restrições após a confirmação do foco em Santa Catarina. As medidas, porém, não têm o mesmo alcance.

Suspensão nacional

– México: suspendeu a entrada de determinadas categorias de aves vivas e produtos avícolas de todo o Brasil.
– Uruguai: suspendeu temporariamente o ingresso e o trânsito de animais suscetíveis à doença e de produtos e subprodutos brasileiros elaborados após 6 de setembro.

Restrições regionalizadas
Concentradas em Santa Catarina ou em áreas específicas

– Chile: restringiu a entrada de produtos como carne fresca de aves, ovos férteis, pintinhos de um dia e ovos destinados ao consumo humano provenientes de Santa Catarina. A data de referência estabelecida para as categorias abrangidas é 31 de agosto.

– China: suspendeu a aceitação de declarações de importação de carne e produtos cárneos de aves de Santa Catarina para embarques a partir de 20 de outubro.

– Paraguai: proibiu temporariamente a importação de aves vivas, ovos, produtos avícolas e material genético provenientes de Santa Catarina, com exceções para produtos submetidos a tratamentos específicos e autorizados pela autoridade sanitária.

– Peru: desabilitou estabelecimentos catarinenses para exportação de carnes e miúdos comestíveis de aves e determinados materiais genéticos avícolas.

– Turquia: proibiu a importação e o trânsito de diversas categorias de produtos de origem animal, com restrições aplicáveis a Santa Catarina e exceções para produtos submetidos a tratamentos específicos.

– Cazaquistão: tem restrições para carne, matérias-primas de carne e miúdos de aves provenientes de Santa Catarina.

– Malásia: há exigências sanitárias que afetam categorias de produtos avícolas, incluindo ovo em pó de Santa Catarina. Para carne de aves, o reconhecimento da regionalização ainda estava em avaliação no documento do MAPA.

– Argentina: aplica o acordo de regionalização e restringe produtos avícolas provenientes do foco e da área de 10 quilômetros ao redor, mantendo autorizadas as importações das demais zonas livres.

 De Brasília, Cristiane Noberto*

  •  

IBGE lança cadastro prévio para o Censo Agropecuário de 2027

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) lançou nesta terça-feira (27) o Cadastro Prévio de Estabelecimentos Agropecuários, ferramenta digital que permitirá a produtores rurais e instituições parceiras atualizar informações que vão auxiliar na preparação do Censo Agropecuário de 2027. O preenchimento estará disponível até agosto de 2027, por meio de acesso com uma conta gov.br clicando aqui.

A iniciativa busca atualizar a base cadastral dos estabelecimentos rurais e organizar o trabalho de campo para o levantamento nacional. Além dos produtores, cooperativas, associações, sindicatos rurais e escritórios de contabilidade poderão participar do processo, com o registro de propriedades vinculadas ou o envio de informações consolidadas.

Segundo o Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária), a ferramenta tem finalidade exclusivamente estatística e não substitui registros como o CAR (Cadastro Ambiental Rural) ou o CCIR (Certificado de Cadastro de Imóvel Rural).

O lançamento ocorreu durante um evento na sede do Mapa, em Brasília, que também apresentou os preparativos para o Censo Experimental do 12º Censo Agropecuário, Florestal e Aquícola.

A etapa de testes está prevista para o período de 3 de novembro a 4 de dezembro deste ano e vai avaliar sistemas tecnológicos, metodologias de coleta, logística e treinamento das equipes antes da operação nacional.

Os testes serão realizados em Rio Claro (SP), Barra do Bugres (MT), incluindo as Terras Indígenas Umutina e Figueiras, e nos municípios de Cururupu e Mirinzal (MA). Também estão previstos testes de ambientação em 24 unidades da Federação para avaliar equipamentos, sistemas e procedimentos de supervisão.

O levantamento nacional, previsto para 2027, deverá alcançar cerca de 5 milhões de estabelecimentos agropecuários em todos os municípios brasileiros. A operação também prevê a geração de aproximadamente 35 mil empregos temporários.

O Censo Agropecuário vai atualizar as informações sobre a estrutura produtiva do campo brasileiro, tendo como referência o levantamento realizado em 2017. A pesquisa reúne dados sobre as características dos estabelecimentos, as atividades desenvolvidas e a organização da produção agropecuária, florestal e aquícola.

As informações são utilizadas para subsidiar a formulação e a avaliação de políticas públicas, o planejamento do setor e estudos sobre a realidade rural brasileira.

  •  

Passadas as eleições, precisamos virar a página, diz presidente da FPA

O presidente da FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária), Pedro Lupion (Republicanos-PR), afirmou nesta terça-feira (27) que, passado o resultado das eleições para presidente, é preciso “virar a página” e continuar defendendo os interesses do setor nos próximos quatro anos.

Segundo o parlamentar, a bancada ruralista deve manter o comportamento de proatividade com o governo em pautas pró-agro, além de continuar crítica e de oposição a projetos que contrariem os interesses da FPA.

Lupion reforçou a necessidade de manter abertas as negociações com as pastas do Executivo ligadas ao setor, como os ministérios da Fazenda, da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).

Leia Mais:

O presidente da bancada ruralista reiterou que a FPA “sempre manteve boa relação” com o Mapa, nas gestões de Carlos Fávaro e André de Paula, e com a Fazenda, no comando de Dario Durigan e Fernando Haddad. 

Lupion defende que essa relação harmoniosa se estenda aos sucessores no quarto mandato do presidente Lula.

Por outro lado, o parlamentar não vê com bons olhos uma eventual volta de Marina Silva ao MMA. Segundo Lupion, “não há diálogo” com a ex-ministra à frente da pasta.

Lupion já afirmou que vai deixar o comando da FPA no próximo mandato. O nome mais cotado para a sucessão, o deputado federal Zé Vitor (PL-MG), discursou na mesma linha de Lupion e reforçou que a bancada deve “governar para o produtor”.

Aumento da bancada

Apesar da derrota da FPA nas eleições presidenciais — nas quais apoiou Flávio Bolsonaro, membro da bancada —, a frente teve um aumento significativo em sua representação no Congresso Nacional.

Levantamentos internos apontam que, com os resultados destas eleições, o número de deputados da bancada subiu de 300 para 330.

Já no Senado, segundo a FPA, a bancada deve contar com cerca de 49 membros ativos, dos quais 18 deixaram a Câmara para ocupar cadeiras na Casa Alta.

No entanto, Lupion ponderou que esse quórum oscila a depender das votações e que outros parlamentares que não compõem a bancada, como Michelle Bolsonaro (PL-DF) e Deltan Dallagnol (Novo-PR), alinham-se a alguns interesses da FPA, apesar de não estarem formalmente ligados ao grupo.

Na avaliação do deputado, o crescimento do grupo aumenta o poder de negociação da FPA com o Executivo para além das pautas estritamente ligadas ao agronegócio.

“Temos uma bancada fortalecida e, independentemente da composição, temos que ter diálogo com o governo; sempre fizemos isso e vamos continuar fazendo”, afirmou.

Ainda no âmbito do Congresso Nacional, Lupion destacou que a FPA ainda não se reuniu para decidir sobre um eventual apoio às candidaturas à reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP) para a Câmara e o Senado, respectivamente.

O parlamentar destacou que a FPAvê com bons olhos a possibilidade de Rogério Marinho (PL-RN) ou Tereza Cristina (PP-MS) – vice-presidente da bancada ruralista–, dois nomes cotados para o comando da Casa Alta, assumirem a presidência do Senado.

Indicação de ministros

O presidente da FPA afirmou nesta terça-feira (27) que a frente parlamentar não deve interferir ou indicar um nome para assumir o Mapa, principal pasta do Executivo ligada ao setor.

Segundo o deputado federal, a decisão não cabe à frente, uma vez que a FPA apoiou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) e conta com uma maioria de parlamentares que integram a oposição ao Executivo no Congresso Nacional.

“A gente precisa manter a coerência. Se não apoiamos quem venceu, não podemos indicar. O que podemos fazer, quando forem escolhidos, é tentar diálogo e convergência”, defendeu.

Por outro lado, Pedro Lupion — que era cotado para assumir a pasta em um eventual governo de Flávio Bolsonaro — fez acenos a Carlos Augustin, o “Têti”, ex-assessor especial do Mapa que estava presente na reunião da FPA nesta terça-feira (27), e a André de Paula, atual comandante da pasta.. 

Na avaliação de Lupion, esses nomes garantiriam um bom diálogo com a bancada caso assumam a condução do ministério.

https://youtu.be/wTfIGw7fD7o?si=9SZaF_HERtVyRdQa
  •  

Milho perde 1,37% em Chicago com avanço da colheita nos EUA e câmbio

Os preços futuros do milho voltaram a recuar nesta terça-feira (27) na Bolsa de Chicago, mantendo a trajetória negativa observada nas últimas semanas. O contrato para entrega em dezembro caiu 1,37% e encerrou o pregão cotado a US$ 4,48 por bushel.

Segundo a Granar, as cotações seguem pressionadas pelo avanço da colheita nos Estados Unidos e pela entrada de novos volumes da safra no mercado. A expectativa de uma produção elevada no país, que caminha para registrar a segunda maior colheita de sua história, amplia a disponibilidade do cereal e limita a recuperação dos preços.

Dados divulgados na segunda-feira (26) pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) mostraram que a colheita de milho ultrapassou 60% da área prevista. Na semana anterior, o índice era de 44%. O ritmo atual se aproxima da média dos últimos cinco anos, de 66%, e supera a estimativa média do setor privado, de 59%.

O USDA manteve em 56% a parcela das lavouras classificadas como boas ou excelentes, indicando estabilidade na avaliação das condições da safra norte-americana.

O câmbio também contribuiu para pressionar o mercado, já que a forte desvalorização do real frente ao dólar favorece a competitividade do milho brasileiro no comércio internacional, aumentando a concorrência para o produto dos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, a valorização do dólar em relação ao euro encarece o cereal norte-americano para compradores da União Europeia, o que pode dificultar as exportações destinadas ao bloco.

Soja

Os preços futuros da soja voltaram a recuar nesta terça-feira na Bolsa de Chicago, pressionados pelo avanço da colheita norte-americana e pela maior competitividade da soja brasileira no mercado internacional. O contrato para entrega em janeiro fechou em queda de 0,76%, cotado a US$ 12,43 por bushel.

Segundo a Granar, após uma breve alta durante a madrugada, as cotações perderam força diante da entrada de novos volumes da safra dos Estados Unidos no mercado. O clima seco no Meio-Oeste também favorece o andamento dos trabalhos no campo, ampliando a oferta disponível. Outro fator de pressão é a ausência de novos anúncios do USDA sobre vendas antecipadas de soja para a China.

De acordo com o relatório semanal do USDA, divulgado na segunda-feira (26), a colheita norte-americana atingiu 79% da área prevista, avanço de 15 pontos percentuais em relação à semana anterior. O resultado supera a média histórica de 77% e ficou em linha com as expectativas dos operadores do mercado.

A desvalorização do real brasileiro também contribuiu para pressionar as cotações em Chicago. Embora a moeda tenha apresentado uma leve recuperação nesta terça-feira, a queda registrada no dia anterior favorece a competitividade da soja brasileira, ao tornar o produto mais atrativo para compradores internacionais.

No Brasil, o plantio da safra 2026/27 também avançou. Segundo levantamento semanal da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado na segunda-feira, 42,8% da área prevista já havia sido semeada, ante 30,1% na semana anterior. O índice supera os 34,8% registrados no mesmo período de 2025 e a média dos últimos cinco anos, de 40,2%.

Mato Grosso lidera o ritmo de semeadura no país, com 75,8% da área planejada já plantada. O percentual está acima dos 62,1% observados no mesmo período do ano passado e da média quinquenal de 70,3%.

A Agrinvest também destacou a pressão sobre o complexo da soja, especialmente sobre o farelo. A consultoria avalia que o avanço da colheita nos Estados Unidos e a aceleração do plantio brasileiro aumentam a disponibilidade de produto. Apesar da falta de novos anúncios de vendas para a China desde a semana passada, a expectativa é de que os próximos dados semanais de exportação americana ainda reflitam volumes expressivos de negócios já reportados.

Trigo

Os contratos futuros de trigo encerraram a sessão em queda nos mercados dos Estados Unidos, pressionados pela valorização do dólar frente ao euro e pela dificuldade de atrair compradores. O vencimento para entrega em dezembro recuou 0,93% e fechou cotado a US$ 6,10 por bushel.

Segundo a Granar, os investidores mantiveram o movimento de venda de contratos observado nas últimas oito semanas, sem que o cereal encontrasse suporte suficiente para interromper a sequência negativa. A valorização do dólar em relação à moeda europeia favorece a competitividade do trigo produzido na União Europeia, tornando o produto americano menos atrativo no mercado internacional.

O mercado também acompanha os desdobramentos diplomáticos relacionados à região do Mar Negro. Segundo a Granar, as tentativas de reduzir as tensões continuam influenciando as posições dos investidores, enquanto os embarques de trigo da Rússia e da Ucrânia permanecem restritos em meio à continuidade dos confrontos na região.

As incertezas sobre o fluxo de exportações pelo Mar Negro seguem como um fator de atenção para o mercado global, diante da importância dos dois países no comércio internacional de trigo.

Indústria de biocombustíveis propõe quadruplicar produção até 2035

 

  •  

Cenoura ficou mais barata em setembro; batata, alface e cebola subiram

Os preços da cenoura caíram 16% em setembro, na média ponderada das principais Centrais de Abastecimento (Ceasas) do país, apesar da redução no volume comercializado. A tendência de baixa foi mantida na primeira quinzena de outubro, segundo levantamento divulgado nesta terça-feira (27) pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).

Os dados fazem parte do 10º Boletim do Programa Brasileiro de Modernização do Mercado Hortigranjeiro. De acordo com a Companhia, as chuvas nas regiões produtoras do Sul e do Sudeste limitaram a expansão da oferta e prejudicaram a qualidade das raízes, contribuindo para pressionar os preços para baixo.

A queda ocorre após a cenoura registrar recuo nas cotações em julho e estabilidade em agosto. O comportamento recente, portanto, indica a continuidade da desvalorização do produto no mercado atacadista.

Chuvas elevam preços de outras hortaliças

Enquanto a cenoura ficou mais barata, as condições climáticas contribuíram para a alta de outras hortaliças. A alface registrou aumento de 15,69% na média ponderada em setembro. Na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), a valorização chegou a 48,3% em relação a agosto.

A batata teve alta de 32,88%, após dois meses consecutivos de queda. Já a cebola subiu 29,31%, enquanto o tomate apresentou avanço de 48,9% na média ponderada.

Segundo a Conab, as chuvas dificultaram a colheita e os plantios nas regiões produtoras, reduzindo a disponibilidade desses alimentos nos mercados atacadistas. No caso do tomate, as precipitações também retardaram a maturação dos frutos.

A companhia alerta que a continuidade das chuvas pode atrasar os plantios de batata e resultar em uma colheita mais tardia, mantendo a pressão de alta sobre os preços.

Melancia, mamão e banana também ficam mais baratos

Entre as frutas analisadas, a melancia apresentou queda de 11,06% na média ponderada em setembro. O movimento foi observado principalmente na segunda quinzena do mês, com o aumento da produção em Uruana, em Goiás, após a melhora das condições climáticas.

O mamão teve recuo de 8,92%, impulsionado pelo aumento da oferta da variedade papaia nas Ceasas, enquanto o mamão formosa continuou com disponibilidade restrita. A banana registrou queda de 2,63% na comparação com agosto. Na primeira quinzena de outubro, os preços das duas frutas mantiveram tendência de baixa na maior parte dos entrepostos analisados.

Em sentido contrário, a laranja ficou 3,28% mais cara, enquanto a maçã registrou valorização de 11,99%. No caso da maçã, a alta está relacionada ao avanço do consumo dos estoques armazenados após o encerramento da colheita da safra 2025/26, em um cenário de redução da comercialização.

Exportações de frutas e hortaliças crescem

Os dados do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) citados pela Conab mostram que as exportações brasileiras de frutas e hortaliças somaram 909 mil toneladas entre janeiro e setembro de 2026, alta de 6,61% em relação ao mesmo período do ano passado.

O faturamento alcançou US$ 1,17 bilhão, crescimento de 17,56% na comparação anual.

Entre os produtos com maior avanço nas vendas externas estão as maçãs, com alta de 255%; os pêssegos, com 101%; os abacates, com 100,5%; as mangas, com 26,4%; e os mamões, com 4,14%.

Preço das terras rurais varia de R$ 50 mil a R$ 250 mil por hectare

  •  

Café arábica recua 2,39% em Nova York com pressão do câmbio no Brasil

A perspectiva de aumento das vendas de café brasileiro pressionou as cotações do arábica na bolsa de Nova York nesta terça-feira (27). O contrato futuro para entrega em dezembro recuou 2,39% e encerrou a sessão cotado a US$ 2,93 por libra-peso.

Segundo a Barchart, os preços ampliaram as perdas registradas na segunda-feira, diante da desvalorização do real frente ao dólar. A moeda brasileira caiu 8,8% na sessão anterior, mas recuperou 1,3% neste pregão. “Um real mais fraco tende a estimular as exportações, já que os produtores e comerciantes brasileiros podem obter mais reais por cada dólar recebido nas vendas externas, favorecendo a oferta do grão no mercado internacional”, informou o Barchart.

Outro fator de pressão veio dos estoques na bolsa internacional, já que quase 10 mil sacas chegaram aos armazéns na segunda-feira para passar por classificação, o maior volume em mais de um mês, conforme as informações da Bloomberg. Após a avaliação, parte desse café poderá ser incorporada aos estoques certificados, ampliando a disponibilidade registrada no mercado.

Apesar da chegada de novos lotes para classificação, os estoques certificados de café arábica recuaram em 788 sacas nesta terça-feira, para 224.822 sacas, atingindo o menor nível em um mês e meio. O volume permanece próximo da mínima de 27 anos, de 217.646 sacas, registrada em 15 de setembro, o que mantém a atenção do mercado sobre a disponibilidade do produto.

Cacau

Os sinais de redução da oferta na África Ocidental ajudaram a sustentar os preços futuros do cacau nesta sessão na bolsa de Nova York. O contrato para entrega em dezembro avançou 1,58%, encerrando a sessão cotado a US$ 5.577 por tonelada.

Segundo a Barchart, as cotações recuperaram a maior parte das perdas registradas na segunda-feira, quando a desvalorização do real brasileiro pressionou o mercado. A queda da moeda tende a estimular as vendas de exportadores do Brasil, que passam a receber mais reais por cada dólar obtido nas negociações internacionais.

Embora tenha participação menor no mercado global em comparação com os países da África Ocidental e o Equador, o Brasil é o sétimo maior produtor mundial de cacau, com cerca de 4% a 5% da produção global, segundo estimativas da ICCO (Organização Internacional do Cacau).

Em contrapartida, a redução das entregas de cacau nos portos da Costa do Marfim contribuiu para limitar a pressão sobre os preços. Dados do governo do país, divulgados na segunda-feira e repercutidos pela Bloomberg, indicaram que os produtores entregaram 44.241 toneladas aos portos na semana encerrada em 25 de outubro, volume 46% inferior às 82.010 toneladas registradas no mesmo período do ano anterior.

O ritmo das entregas na Costa do Marfim é acompanhado de perto pelos participantes do mercado, especialmente diante dos possíveis efeitos sobre a disponibilidade da matéria-prima no comércio internacional.

Açúcar

Os contratos futuros de açúcar registraram recuperação na bolsa de Nova York, após a forte desvalorização da sessão anterior. O vencimento para entrega em março avançou 0,52% e encerrou o pregão cotado a 19,20 centavos de dólar por libra-peso.

Segundo a Barchart, a alta ocorreu após os preços recuarem 5,6% na segunda-feira, quando atingiram o menor nível em um mês. A queda foi influenciada pela desvalorização de quase 9% do real brasileiro, que favorece a competitividade das exportações do país no mercado internacional.

Nesta terça-feira, a moeda brasileira apresentou recuperação parcial, com valorização de 1,2% frente ao dólar. O movimento cambial contribuiu para estabilizar as cotações do açúcar, uma vez que a desvalorização do real tende a incentivar os exportadores brasileiros a ampliar as vendas externas, ao elevar o valor em moeda local recebido por cada dólar negociado.

O Brasil tem influência direta sobre a formação dos preços internacionais por ser o maior produtor mundial de açúcar. Segundo estimativas da OIC (Organização Internacional do Açúcar) e do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), o país responde por cerca de 24% da produção global e mais de 50% das exportações mundiais da commodity.

Algodão

Os contratos futuros de algodão encerraram a sessão em queda na bolsa de Nova York. O vencimento para entrega em dezembro recuou 1,26%, fechando cotado a 78,06 centavos de dólar por libra-peso.

Segundo dados compilados pela Barchart, a colheita da safra norte-americana avançou para 52% da área prevista até 25 de outubro, sete pontos percentuais acima da média histórica para o período. O ritmo acelerado dos trabalhos no campo contribuiu para o avanço das operações de retirada do produto.

Por outro lado, a abertura das maçãs de algodão — etapa em que a fibra fica exposta e pronta para a colheita — atingiu 89% das lavouras, abaixo da média de 92% registrada para esta época do ano.

As condições das plantações também apresentaram piora na avaliação final da temporada. A parcela das lavouras classificadas como boas ou excelentes caiu dois pontos percentuais, para 33%.

Suco de Laranja

O contrato futuro do suco de laranja com vencimento em janeiro recuou 0,90% nesta terça-feira, na Bolsa de Nova York, encerrando a sessão cotado a US$ 1,43 por libra-peso.

https://stories.cnnbrasil.com.br/agro/do-agro-a-moda-borra-de-cafe-vira-couro-biodegradavel/

  •  

Boi gordo sobe 1,94% em dois pregões na B3 e se aproxima de R$ 400/@

O contrato futuro do boi gordo para novembro de 2026 chegou a R$ 399,75 por arroba nesta terça-feira (27), na máxima do dia e no maior valor histórico do contrato na B3 (Bolsa Brasileira).

A cotação supera o recorde anterior, de R$ 399,40 por arroba, registrado em 13 de outubro. Por volta da atualização parcial do pregão, o vencimento avançava R$ 2,60 por arroba, alta de 0,65% no dia, e acumulava valorização de 1,94% em duas sessões.

Desde a mínima de fechamento registrada em 17 de março, de R$ 343,40 por arroba, o contrato acumula alta de R$ 56,35, equivalente a 16,4%. O movimento ocorre em um cenário de preços recordes no mercado físico e expectativa de oferta restrita de animais terminados nos próximos meses.

Os ganhos também aparecem nos demais vencimentos negociados na bolsa. O contrato para dezembro de 2026 avançava 0,44%, a R$ 398,80 por arroba. Para janeiro de 2027, a cotação era de R$ 398,45, alta de 0,38%. Fevereiro de 2027 subia 0,38%, a R$ 397,80, enquanto março de 2027 avançava 0,25%, a R$ 396,80 por arroba. Já o vencimento para outubro de 2026 era negociado a R$ 384,70, com alta de 0,04%.

A curva de preços entre novembro de 2026 e março de 2027 permanece praticamente estável, com valores entre R$ 396,80 e R$ 399,75 por arroba. O comportamento indica que o mercado futuro mantém a expectativa de preços elevados também no início do próximo ano, sem sinalizar alívio expressivo na oferta no curto prazo.

O contrato para janeiro de 2027 já havia superado a marca de R$ 400 por arroba durante o pregão de segunda-feira (26), quando atingiu R$ 400,25. O vencimento para outubro de 2027 também chegou a R$ 402 em 14 de outubro. Entre os contratos com vencimento em 2026, dezembro ficou próximo do patamar na segunda-feira, a R$ 399,80 por arroba.

Mercado físico registra recordes

No mercado físico, o indicador Cepea/Esalq para São Paulo alcançou R$ 381,40 por arroba na segunda-feira (26), o maior valor nominal da série histórica, iniciada em 1994. Já o indicador Datagro para São Paulo, referência para a liquidação do contrato futuro, estava em R$ 382,42 por arroba na sexta-feira (23).

Com o contrato de novembro a R$ 399,75, o prêmio em relação ao indicador Datagro chega a R$ 17,33 por arroba, ou 4,5%. A diferença mostra que o mercado futuro negocia a preços superiores aos observados no indicador físico de referência.

A distância entre os vencimentos de outubro e novembro também aumentou. Com o contrato de outubro próximo do vencimento e negociado na faixa de R$ 384 a R$ 385 por arroba, o diferencial entre os dois contratos chegou a R$ 15,05 por arroba nesta terça-feira, ante R$ 12,60 na sessão anterior.

Oferta restrita

Na avaliação da Terra Mesa Agro, a valorização reflete a expectativa de oferta limitada de bovinos terminados até o fim do ano. Entre os fatores apontados estão escalas de abate curtas, retenção de animais, custos elevados de reposição e exportações de bovinos vivos em ritmo forte.

A sustentação dos preços ocorre mesmo com a desaceleração das exportações brasileiras de carne bovina para a China após o esgotamento da cota de importação destinada ao Brasil em 2026. O volume excedente está sujeito a uma sobretaxa adicional de 55%, além da tarifa de 12% aplicada dentro da cota, elevando a tributação total para 67%.

Nesse cenário, a restrição da oferta de animais tem exercido pressão mais forte sobre as cotações do que a perda de ritmo das exportações de carne. A curva praticamente plana dos contratos até março de 2027 reforça a expectativa de manutenção de preços elevados nos próximos meses.

Para que o contrato de novembro sustente a cotação próxima de R$ 400 por arroba até o vencimento, o indicador DATAGRO precisaria avançar cerca de R$ 17 por arroba em relação ao último valor informado. A evolução do mercado físico será, portanto, determinante para a convergência entre os preços futuros e a referência de liquidação.

O mercado também segue atendo ao comportamento da demanda com o pagamento do 13º salário e o aumento sazonal do consumo nas festas de fim de ano podem contribuir para a demanda, mas os preços recordes da carne também podem limitar o poder de compra dos consumidores.

Demanda global impulsiona investimentos em DDGS no Brasil

 

  •  

Usinas apostam em biometano e captura de carbono para descarbonizar setor

O setor sucroenergético aposta em novas tecnologias para reduzir emissões, aproveitar resíduos e ampliar as receitas das usinas.

Entre as estratégias adotadas destacam-se a substituição de combustíveis fósseis por biometano, a produção de biofertilizantes e a captura e o armazenamento de dióxido de carbono (CO₂).

Alguns destes projetos foram apresentados pelas empresas Cocal, do setor sucroenergético, e FS, produtora de etanol de milho, durante a 26ª Conferência Internacional Datagro sobre Açúcar e Etanol.

As iniciativas mostram como a descarbonização começa a integrar as estratégias industriais e logísticas do setor. Na Cocal, por exemplo, o foco está no aproveitamento de resíduos da cana-de-açúcar para produzir biogás e biometano, utilizados nas operações da própria companhia e no transporte de cargas.

Já a FS desenvolve, em Lucas do Rio Verde (MT), um projeto de captura e armazenamento de carbono que poderá reduzir a intensidade de emissões do etanol de milho a níveis negativos.

A Cocal estruturou uma plataforma de economia circular que integra diferentes etapas da produção sucroenergética. “Além de açúcar, etanol e bioeletricidade, aproveitamos subprodutos industriais, como vinhaça e torta de filtro, para produzir biogás e biometano”, diz Abel Uchoa, diretor-presidente da Cocal.

A estratégia também inclui o recebimento de resíduos orgânicos de outras atividades, como esterco bovino e de aves, para ampliar o abastecimento das plantas de biodigestão e permitir a operação ao longo do ano.

O processo gera novas oportunidades de aproveitamento dos materiais, incluindo a produção de biofertilizantes.

Com isso, a empresa busca reduzir o desperdício, diversificar as fontes de receita e diminuir a dependência de combustíveis fósseis nas operações agrícolas e industriais.

A utilização do biometano, inclusive, vem avançando na logística do setor.

Na operação BioRota, desenvolvida pela Copersucar com transportadoras parceiras, caminhões abastecidos com o combustível renovável transportam açúcar de usinas do interior paulista até o Porto de Santos.

Entre abril de 2024 e março de 2026, a iniciativa realizou mais de 13 mil viagens, percorreu cerca de 11 milhões de quilômetros e transportou aproximadamente 600 mil toneladas de açúcar.

Segundo a Copersucar, a substituição do diesel por biometano evitou a emissão de mais de 8 mil toneladas de CO₂ no período.

A Cocal também está substituindo o diesel utilizado no transporte de vinhaça por biometano. Uma parceria prevê a operação de 44 caminhões movidos ao combustível renovável nas unidades de Narandiba e Paraguaçu Paulista, no oeste paulista.

A experiência da companhia indica que o biometano pode deixar de ser apenas uma alternativa experimental e assumir um papel crescente na logística do agronegócio.

Armazenamento geológico de carbono

Na produção de etanol de milho, a FS aposta em outra tecnologia para reduzir as emissões: a captura e o armazenamento de carbono, conhecidos pela sigla CCS (sigla em inglês para carbon capture and storage)

O projeto desenvolvido na unidade de Lucas do Rio Verde prevê capturar o CO₂ gerado durante a fermentação do etanol, comprimir o gás e injetá-lo em uma formação geológica subterrânea adequada para armazenamento permanente.

A empresa identificou um reservatório com características consideradas apropriadas para receber o carbono, incluindo porosidade, permeabilidade e camadas de rocha capazes de impedir o retorno do gás à atmosfera.

Segundo Daniel Lopes, vice-presidente executivo de sustentabilidade da FS, a estrutura geológica tem capacidade estimada para armazenar 12 milhões de toneladas de CO₂ ao longo de 30 anos. A unidade industrial emite aproximadamente 423 mil toneladas de carbono por ano, de acordo com os dados apresentados.

A FS estima que o projeto possa viabilizar a produção de cerca de 650 milhões de litros anuais de etanol com intensidade de carbono negativa, dependendo da metodologia de contabilização utilizada.

O empreendimento recebeu classificação de projeto-piloto da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), no contexto do desenvolvimento das regras brasileiras para captura e armazenamento geológico de carbono.

A iniciativa também envolve estudos geológicos, licenciamento ambiental e certificação para a geração de créditos no mercado voluntário de carbono.

A empresa informou que o investimento total no projeto chegou a US$ 90 milhões. O avanço da iniciativa depende da consolidação das condições regulatórias e operacionais necessárias à injeção do CO₂.

Etanol de baixo carbono se destaca

Além da redução das emissões, a captura de carbono pode abrir acesso a mercados que valorizam combustíveis com menor intensidade de carbono. Entre as possibilidades estão programas de descarbonização de combustíveis, mercados regulados e voluntários de carbono e aplicações ligadas à aviação e ao transporte marítimo.

A remuneração adicional, entretanto, depende das regras de cada mercado, da certificação do produto e da metodologia utilizada para calcular as emissões evitadas ou removidas.

No caso do etanol, a captura de CO₂ pode complementar uma vantagem já associada à origem renovável do combustível.

A fermentação produz dióxido de carbono de origem biogênica, que pode ser capturado antes de ser liberado na atmosfera. A viabilidade da operação depende dos custos de captura, compressão, injeção e monitoramento, além da capacidade de armazenamento e do valor atribuído ao carbono removido.

Para a indústria, o desafio é transformar o benefício ambiental em retorno financeiro.

As duas estratégias refletem uma mudança na forma de avaliar a sustentabilidade das usinas. A redução de emissões passa a ser associada à eficiência operacional, à diversificação de receitas e à criação de novos produtos e serviços.

A expansão dessas soluções dependerá da evolução tecnológica, da infraestrutura, da regulamentação e dos incentivos econômicos. No caso do biometano, será necessário ampliar a oferta e consolidar o uso em frotas e operações industriais. Para a captura e o armazenamento de carbono, a prioridade é demonstrar segurança operacional, estabelecer regras claras e comprovar a viabilidade financeira em escala comercial.

  •  

Renegociação das dívidas agrícolas soma R$ 14,34 bilhões, diz FPA

A renegociação das dívidas rurais por meio da MP (Medida Provisória) 1376 soma R$ 14,34 bilhões, segundo levantamento da FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária) junto ao BC (Banco Central) divulgado nesta terça-feira (27).

O relatório aponta que, ao todo, foram realizadas mais de 27 mil operações, lideradas pelo Rio Grande do Sul, com montante que ultrapassa R$ 7 bilhões, seguido por Minas Gerais (R$ 0,9 bi), São Paulo (R$ 0,9 bi), Paraná (R$ 0,8 bi) e Goiás (R$ 0,8 bi).

Na avaliação da bancada ruralista, apesar do avanço no total renegociado, o ritmo das operações segue “distante da dimensão anunciada”, que totalizava R$ 100 bilhões. A MP tem validade até 11 de novembro.

De acordo com o levantamento, o BB (Banco do Brasil) lidera o total renegociado, com R$ 5,7 bilhões, valor que deve aumentar nos próximos dias com o avanço de pedidos que estão na esteira. A expectativa da instituição é que esse montante ultrapasse R$ 20 bilhões.

Segundo o BC, além do BB, Sicredi (R$ 4,1 bilhões), Banrisul (R$ 2,5 bilhões), Basa (R$ 1 bilhão) e CEF (R$ 0,4 bilhão) se destacam na liderança da renegociação.

Em reunião nesta terça-feira (27), o presidente da bancada, Pedro Lupion (PP-PR), reforçou a necessidade de a FPA retornar à mesa de negociação com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, e o da Agricultura e Pecuária, André de Paula, para defender os interesses do setor.

Lupion destacou a necessidade de chegar a um consenso com o Executivo e ampliar os pedidos da bancada até o dia 11 de novembro, data em que a MP perde a validade. A FPA articula para que a medida se torne lei, a fim de ampliar o tempo e o montante da renegociação.

(Sob supervisão de Cristiane Noberto)

  •  

Relação com EUA será primeira missão de Lula para o agro, diz professor

A primeira missão do quarto governo Luiz Inácio Lula da Silva em sua política comercial para o agronegócio deverá ser manter a proximidade com os Estados Unidos para evitar o agravamento das disputas tarifárias entre os dois países, segundo Leonardo Trevisan, professor de relações internacionais da ESPM. Ao mesmo tempo, o Brasil poderá ampliar o espaço de seus produtos na China e na União Europeia, aproveitando a relação diplomática com esses mercados.

“Essa é a primeira tarefa que temos no governo Lula: de algum modo mantermos proximidade com os EUA para que isso não agrave questões tarifárias que podem prejudicar bastante certos produtos brasileiros”, afirmou Trevisan em entrevista ao CNN Agro News.

Para o professor, a competitividade do agronegócio brasileiro está entre os fatores que ajudam a explicar as medidas comerciais adotadas pelo governo do presidente Donald Trump. A diplomacia brasileira, segundo ele, deverá demonstrar aos norte-americanos que há espaço para a atuação dos dois países no mercado internacional, sem que o avanço das exportações brasileiras seja interpretado como uma ameaça aos produtores dos Estados Unidos.

“Temos muita força no agro, estamos praticamente capitaneando o mercado em soja, algodão e carne. (…) E eu não tenho dúvida que boa parte das tarifas americanas tem uma razão essencial: a concorrência e eficiência do agro brasileiro. Temos que mostrar para eles que há mercado para todos, que de alguma forma esse ponto possa acalmar essa pressão do presidente Trump em relação às tarifas”, disse.

Trevisan também chamou a atenção para as dificuldades enfrentadas pelo setor agropecuário norte-americano, entre elas o endividamento. Segundo os dados citados pelo professor, os pedidos de falência de empresas do agronegócio nos Estados Unidos cresceram 40% no primeiro semestre de 2026, na comparação com igual período de 2025.

Na avaliação dele, a concorrência com o Brasil pode aumentar a pressão sobre os produtores norte-americanos e, consequentemente, influenciar a política comercial de Washington. Por isso, o governo brasileiro deverá buscar uma interlocução que reduza as tensões e favoreça a revisão de medidas que afetam as exportações nacionais.

Um dos pontos de atenção é a investigação conduzida pelos Estados Unidos com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana, que permite apurar práticas consideradas desleais e embasar medidas comerciais. Trevisan avalia que a relação entre Lula e Trump poderá contribuir para as negociações. 

O professor mencionou as declarações do presidente norte-americano de que “gosta do presidente Lula”, apesar das desconfianças manifestadas por Trump em relação ao processo eleitoral do Brasil, sem apresentar provas. 

Para o professor, “temos que usar ao máximo” a simpatia pelo líder brasileiro para que seja possível ampliar a presença de produtos brasileiros para além da carne e do café.

A expansão das vendas externas brasileiras aumenta a importância dessas negociações diplomáticas. No primeiro semestre de 2026, as exportações do agronegócio brasileiro cresceram 6%, segundo Trevisan.

Em 2025, o Brasil exportou cerca de US$ 169 bilhões em produtos do agronegócio, contra US$ 171 bilhões dos Estados Unidos, conforme os dados citados pelo professor. A diferença de aproximadamente US$ 2 bilhões deixou os dois países próximos no comércio global do setor.

Trevisan avalia que o Brasil poderá superar os norte-americanos em exportações agropecuárias, o que reforçaria a posição brasileira nos mercados internacionais, mas também tornaria a concorrência entre os dois países mais acirrada.

China e União Europeia abrem oportunidades

Além dos Estados Unidos, a China deverá continuar entre as prioridades da política comercial brasileira para o agronegócio. Trevisan avalia que a relação entre Lula e o presidente chinês, Xi Jinping, pode facilitar a ampliação das vendas brasileiras ao país asiático.

O professor também destacou os sinais de aproximação de lideranças europeias com o presidente brasileiro após a eleição. Para ele, as manifestações de dirigentes como a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ao “meu amigo Lula” indicam espaço para aprofundar as relações políticas e comerciais com o bloco.

Nesse contexto, Trevisan citou o acordo entre Mercosul e União Europeia como uma oportunidade para o agronegócio brasileiro. Segundo números mencionados por ele, as vendas brasileiras ao bloco cresceram 30% no primeiro semestre, em um movimento que o país poderá buscar ampliar.

O Sudeste Asiático também aparece como uma frente de expansão. De acordo com o professor, dados do Banco Central mostram que as vendas brasileiras à região no primeiro semestre superaram as exportações para o Mercosul. Embora a China tenha peso importante nos resultados, ele ressaltou o crescimento das vendas aos demais países do Sudeste Asiático.

  •  

Dólar mais alto pode favorecer ações de SLC, 3tentos e São Martinho

A desvalorização do real pode favorecer as ações de empresas exportadoras de commodities agrícolas, como SLC Agrícola, 3tentos e São Martinho, segundo relatório do BTG Pactual divulgado na segunda-feira (26). O banco avalia que a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode pressionar o mercado acionário brasileiro, elevar os juros de longo prazo e enfraquecer a moeda brasileira.

No relatório, o BTG estima que o real pode se desvalorizar de 10% a 15% e que o Ibovespa  pode recuar 17% em relação ao nível atual. O banco ressalta que a trajetória dos mercados dependerá, entre outros fatores, da condução da política fiscal do próximo governo.

Entre as empresas do agronegócio, o BTG cita SLC Agrícola, 3tentos e São Martinho como potenciais beneficiárias de um real mais fraco, por sua exposição às exportações de commodities agrícolas. A desvalorização cambial pode favorecer empresas que recebem receitas em moeda estrangeira, embora o impacto sobre os resultados dependa também da estrutura de custos e das operações de cada companhia.

O relatório também destaca que empresas com balanços sólidos, baixo endividamento ou posição de caixa positiva tendem a sofrer menos em um cenário de juros elevados. Segundo o banco, taxas de longo prazo mais altas podem dificultar a redução da taxa básica de juros pelo Banco Central.

O BTG avalia que a taxa Selic pode chegar a 12% no fim de 2027, conforme as projeções da pesquisa Focus, mas afirma que esse cenário pode se mostrar otimista caso a política fiscal do novo governo não contribua para ancorar as expectativas econômicas.

O desempenho das ações do setor também aparece no relatório. No gráfico que considera a variação dos papéis desde antes do primeiro turno, a 3tentos acumulava alta de 30,7%, entre as 30 ações com melhor desempenho no período. Já a SLC Agrícola registrava valorização de 1,7%, entre as 30 ações com pior desempenho. 

No caso da M. Dias Branco, o relatório não apresenta uma análise específica dos efeitos da reeleição sobre a companhia. A avaliação geral do banco aponta, contudo, que empresas mais expostas à economia doméstica podem enfrentar um ambiente mais difícil caso os juros permaneçam elevados e as condições financeiras se apertem.

  •  

Agro dispara na produção de biomassa e ganha espaço recorde na energia

Apesar de estar associado à produção de alimentos, fibras e matérias-primas para o mercado internacional, o agronegócio tem registrado recordes na oferta de biomassa, com fontes sustentáveis de energia, desbancando o setor na participação na matriz energética brasileira.De acordo com o estudo "Oferta de Energia Renovável pelo Agronegócio", realizado pelo Observatório de Conhecimento e Inovação em Bioeconomia da Fundação Getulio Vargas (FGV), em mais de cinco décadas, a oferta passou de 6,5 milhões de toneladas equivalentes de petróleo (tep) para 97,8 milhões de tep de energia renovável. Um crescimento de mais de R$ 15%.O destaque cria oportunidades mais competitivas e relevantes no cenário internacional por busca de segurança energética e redução das emissões de gases de efeito estufa.Oferta de biomassa do agro cresce 60%Ainda segundo dados da FGV, a participação da biomassa associada ao agronegócio representava 9,7% da oferta interna de energia em 1970 e atingiu 29,8% em 2025, consolidando o patamar observado nos últimos anos.Quando considerada apenas a parcela renovável da matriz, a relevância dessas fontes é ainda mais evidente: no ano passado, a bioenergia vinculada ao agronegócio respondeu por aproximadamente 60% de toda a oferta renovável considerada neste estudo.Dos 162,3 milhões de tep de energia renovável ofertados naquele ano, 97,8 milhões de tep corresponderam à bioenergia associada ao agronegócio, frente a 10,6 milhões de tep de bioenergia não vinculada às atividades agropecuárias e a 53,9 milhões de tep provenientes das demais fontes renováveis. Ao observar os anos entre 2021 e 2025, a oferta total de energia renovável no Brasil aumentou de 136,7 milhões para 162,3 milhões de tep, elevando sua participação na matriz de 45% para 49,5%. Nesse mesmo período, a bioenergia vinculada ao agronegócio passou de 84,2 milhões para 97,8 milhões de tep, crescimento de aproximadamente 16%, enquanto sua participação na oferta interna de energia avançou de 27,7% para 29,8%.Energia eólica e solar acompanha altaA expansão recente das fontes renováveis ocorreu também com forte crescimento das energias eólica e solar, cuja participação conjunta passou de aproximadamente 2,8% da matriz em 2021 para 5,8% em 2025. Esse movimento ocorreu em conjunto com a expansão da bioenergia do agronegócio, indicando um processo de diversificação da matriz renovável no qual novas fontes ganham espaço sem reduzir a importância absoluta da biomassa agropecuária, agroindustrial e florestal.Nesse contexto, a série histórica evidencia dois movimentos simultâneos:Intensa expansão da oferta de bioenergia vinculada ao agronegócio;Aumento de sua participação relativa na matriz energética brasileira.Em 2025, essas fontes permanecem próximas de 30% da oferta interna total de energia e alcançam a maior produção energética de toda a série histórica analisada.Quais as maiores fontes de bionergia?Outro aspecto importante da pesquisa mostra que, mesmo que a cana-de-açúcar continue sendo a principal fonte, é possível notar uma maior diversificação, comoLenha e carvão vegetal provenientes da silvicultura energética;Lixívia;Óleos vegetais;Grãos (utilizados na produção de biocombustíveis);Biogás.Os resultados do estudo mostram que a bioenergia proveniente do agronegócio tem uma inserção ampla na economia brasileira. A distribuição da energia produzida pelas cadeias agropecuárias, agroindustriais e florestais não são restritas ao próprio setor – o agro foi responsável por 55% do consumo –, seguido pela indústria, com 45%; e pelos transportes, com 26%.Luciano Rodrigues, coordenador do núcleo de bioenergia do Observatório da FGV, destaca que “em 2025, o agronegócio brasileiro alcançou a maior oferta de energia renovável de toda a série histórica. Esse recorde traduz, de um lado, a impressionante capacidade do campo de capturar a energia solar e transformá-la em energia útil e competitiva para a sociedade e, de outro, o avanço da demanda por soluções de baixo carbono, em um cenário com a ampliação das políticas de descarbonização no país”.Rodrigues ainda acrescenta que “a evolução da oferta de energia do agronegócio nas últimas décadas foi acompanhada por uma transformação em sua composição, com maior diversificação das fontes. Ao mesmo tempo, essa bioenergia passou a alcançar um número crescente de atividades, estreitando a conexão entre o campo e os demais setores da economia. Hoje, o produtor rural e a agroindústria não fornecem apenas alimentos e matérias-primas; fornecem também a energia que movimenta parte expressiva da economia brasileira”.

  •  

El Niño forte pode reduzir safra de soja em 17,6 milhões de toneladas

A produção nacional de soja pode ter uma redução de 17,6 milhões de toneladas, ou cerca de 9,7% na safra 2026/27, segundo levantamento elaborado pela Serasa Experian. A produção pode chegar a 163,6 milhões de toneladas em um cenário de forte atuação de El Niño, contra 181,2 milhões de toneladas em uma condição climática neutra. 

O estudo tem base em dados climáticos, modelos de previsão do clima e informações territoriais das safras recentes. As informações foram apresentadas nesta terça-feira (27), durante coletiva de imprensa, por Daniel de Oliveira, gerente de Geoprocessamento Agro da Serasa Experian.

Segundo ele, os dados indicam a possibilidade de retorno do El Niño em 2026/27, com intensidade elevada, mas o estudo não constitui uma previsão de safra ou uma confirmação de perdas. O objetivo é dimensionar os riscos para a produção caso as condições climáticas observadas em episódios anteriores se repitam.

“Tudo indica que o El Niño volta em 2026/27 — e forte”, segundo a instituição.

O levantamento considera apenas a soja de primeira safra e compara dois cenários de produtividade, um de El Niño forte e outro de neutralidade climática. Para aproximar a análise das condições tecnológicas atuais do campo, a empresa utilizou dados de safras recentes, evitando que diferenças nos níveis de tecnologia de períodos mais antigos distorcessem os resultados.

Produtividade pode cair mesmo com aumento da área plantada

A estimativa da Serasa Experian considera que a área cultivada com soja no Brasil alcance 49,9 milhões de hectares na safra 2026/27, quase 1 milhão de hectares a mais do que na temporada anterior. O crescimento projetado é de 1,8% em relação à safra 2025/26.

No cenário de El Niño forte, a produtividade média seria de 3.282 quilos por hectare, equivalente a 55 sacas por hectare. Já em uma condição neutra, o rendimento estimado é de 3.622 quilos por hectare, ou 60 sacas por hectare.

A diferença entre os cenários é de 340 quilos por hectare. Aplicada à área projetada, essa variação resulta em uma produção estimada de 163,6 milhões de toneladas no cenário de El Niño forte, ante 181,2 milhões de toneladas no cenário neutro.

A análise também utiliza a safra 2023/24 como referência de um período de El Niño muito forte. Naquele ciclo, a produtividade da soja foi de 3.282 quilos por hectare, segundo dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), resultado 9% inferior ao registrado em 2024/25, ano de neutralidade climática considerado na comparação do estudo.

A relação entre o fenômeno e a produtividade da soja está associada às alterações nos padrões de chuva e temperatura, que podem afetar o desenvolvimento das lavouras. Os efeitos, porém, variam de acordo com a região e as condições de cada ciclo agrícola.

Impacto potencial de R$ 33 bilhões

A diferença de 17,6 milhões de toneladas entre os cenários também foi utilizada para estimar a dimensão econômica do risco. O cálculo apresentado pela Serasa Experian aponta para um VBP (valor bruto da produção) potencialmente impactado de aproximadamente R$ 33 bilhões.

Para chegar ao valor, o estudo considera um preço médio de cerca de R$ 1,88 mil por tonelada, obtido a partir do valor bruto da produção de soja dividido por um volume de referência de aproximadamente 181,5 milhões de toneladas. Esse valor médio foi multiplicado pela diferença de produção estimada no cenário de El Niño forte.

A empresa ressalta que o resultado é um exercício de dimensionamento, e não uma previsão de perda financeira efetiva. Uma eventual redução da oferta nacional também pode influenciar os preços da soja e as condições de comercialização, alterando o resultado econômico para os produtores e os demais agentes da cadeia.

Risco redistribuído

Segundo Oliveira, a “anomalia climática redistribui o risco que, normalmente, é concentrado no Rio Grande do Sul”.

As estimativas regionais indicam que o Centro-Oeste concentraria a maior parcela da redução de produção no cenário de El Niño forte. Mato Grosso teria uma diferença de 9,7 milhões de toneladas em relação ao cenário neutro, enquanto Goiás apresentaria uma redução estimada em 4 milhões de toneladas.

Somados, os dois estados responderiam por quase 80% da diferença de produção projetada para o país.

Na direção oposta, o Rio Grande do Sul poderia registrar uma produção 5,5 milhões de toneladas maior no cenário de El Niño forte em comparação com o neutro, mas insuficiente para compensar as perdas no Centro-Oeste.  No estado gaúcho, entretanto, as condições hídricas têm dificultado a implantação da lavoura. 

Os possíveis efeitos também podem variar entre as culturas e as épocas de cultivo. Embora o levantamento tenha considerado apenas a soja de primeira safra, as culturas de segunda safra podem estar sujeitas a impactos mais intensos, dependendo do calendário agrícola e das condições climáticas encontradas ao longo do ciclo.

  •  

Israel compra quase US$ 240 mi em carnes do Brasil e fornece fertilizantes

Israel é um comprador relevante de carnes brasileiras e, ao mesmo tempo, um fornecedor de fertilizantes para o agronegócio nacional. Em 2025, o Brasil exportou US$ 238,82 milhões em carnes ao mercado israelense, quase metade das vendas externas do agronegócio ao país. No sentido inverso, importou US$ 499 milhões em fertilizantes israelenses, segundo dados do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços).

A relação comercial ganha destaque nesta terça-feira (27), quando Israel realiza sua primeira eleição nacional desde os ataques do Hamas, em outubro de 2023, e o início da guerra no Oriente Médio. O pleito coloca em disputa a continuidade do governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que enfrenta rivais políticos em meio às críticas à condução do conflito.

Segundo dados do Agrostat, sistema de estatísticas de comércio exterior do Ministério da Agricultura e Pecuária, as exportações brasileiras do agronegócio para Israel somaram US$ 480,11 milhões em 2025. As carnes responderam por US$ 238,82 milhões, o equivalente a 49,7% do total, com embarques de 38,11 mil toneladas.

O complexo soja aparece em segundo lugar, com US$ 91,73 milhões e 242,77 mil toneladas. As exportações de café totalizaram US$ 59,68 milhões, com 7 mil toneladas, enquanto os produtos florestais somaram US$ 40,58 milhões. Já os produtos oleaginosos, excluindo a soja, renderam US$ 15,1 milhões.

A pauta também inclui açúcar e outros produtos do complexo sucroalcooleiro, bebidas, cacau e derivados, cereais, frutas, lácteos e outros produtos de origem animal e vegetal.

As vendas brasileiras do agronegócio para Israel oscilaram nos últimos anos. Em 2020, somaram US$ 353,6 milhões, menor valor da série apresentada. Em 2021, avançaram para US$ 384,87 milhões e atingiram um pico de US$ 727,43 milhões em 2022.

Nos dois anos seguintes, houve recuo: as exportações caíram para US$ 449,07 milhões em 2023 e US$ 442,87 milhões em 2024. Em 2025, subiram para US$ 480,11 milhões.

De janeiro a setembro de 2026, as exportações brasileiras do agronegócio para Israel já somavam US$ 486,27 milhões, superando o total registrado em todo o ano anterior.

Fertilizantes lideram compras brasileiras

Na direção contrária, os fertilizantes estão entre os principais produtos israelenses que abastecem o mercado brasileiro. As importações brasileiras desses insumos somaram US$ 499 milhões em 2025, aumento de 15,3% em relação ao ano anterior, segundo o MDIC.

O valor corresponde a mais que o dobro das exportações brasileiras de carnes para Israel. Em termos relativos, os US$ 238,82 milhões vendidos em carnes equivaleram a 47,9% do valor desembolsado pelo Brasil em fertilizantes israelenses.

O comércio de insumos agrícolas também inclui defensivos. Em 2025, as compras brasileiras de defensivos agrícolas de Israel alcançaram US$ 101,8 milhões, alta de 34,2% em relação a 2024.

A dependência brasileira de fertilizantes importados torna esse fluxo relevante para o setor agropecuário. Antes da guerra iniciada em 2023, o Brasil chegou a importar cerca de 1 milhão de toneladas de fertilizantes israelenses por ano.

Pelos dados do Agrostat, as importações brasileiras de produtos agropecuários israelenses somaram US$ 32,99 milhões em 2025. O complexo sucroalcooleiro respondeu por US$ 5,2 milhões, seguido por bebidas, com US$ 258,3 mil, e cereais, farinhas e preparações, com US$ 158 mil.

  •  

Vendas de etanol hidratado em São Paulo se aproximam de recorde

O mercado brasileiro de biocombustíveis registra forte valorização na reta final de outubro.

De acordo com levantamentos do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), os preços do etanol, tanto o hidratado quanto o anidro, acumulam alta nas principais regiões produtoras, impulsionados pela combinação de oferta restrita devido ao clima e demanda aquecida pelas distribuidoras.

Dentro das usinas o etanol anidro registrou a cotação mínima, de R$ 2,30, em 7 de agosto. Na última semana o preço estava cotado em R$ 3,39, o que representa uma alta de 47,39% no período.

Já o etanol hidratado a menor cotação foi registrada em 31 de julho: R$ 2,04. E na última semana, em 23 de outubro, passou para R$ 2,74. Acumulando alta de 33,94% em 3 meses.

A retração na moagem e na oferta estão entre os principais motivos. As chuvas, acima da média histórica para o período, tem dificultado o avanço das frentes de colheita e a operação das usinas.

Além disso o relatório do Cepea reforça que o excesso de umidade dificulta a logística de colheita e também compromete o acúmulo de sacarose, reduzindo o teor de ATR (Açúcar Total Recuperável) e a qualidade geral da matéria-prima destinada à industrialização.

No caso específico do etanol anidro, que é usado na mistura com a gasolina, a queda na qualidade da matéria-prima e os gargalos na produção tem gerado apreensão entre os agentes do setor quanto ao cumprimento de entrega dos volumes estabelecidos em contratos de obrigatoriedade, diz os pesquisadores do Cepea.

Já no caso do etanol hidratado, vendido diretamente nas bombas, a demanda crescente deve fazer com que o volume comercializado pelas usinas paulistas seja recorde neste ciclo. A parcial de outubro já supera o montante registrado em setembro e a expectativa é de que o mês com 350 milhões de litros comercializados, a maior marca da safra 2026/2027.

Com a possibilidade de uma oferta mais restrita nos próximos meses, devido ao ritmo lento da moagem, muitos distribuidores tem antecipado as compras para garantir estoques de segurança e atender a procura do mercado consumidor já que a paridade dos preços, entre a gasolina e o etanol, permanece atrativa para os motoristas estimulando o consumo do biocombustível.

  •  

Produção de milho na Argentina pode subir com efeitos do El Niño

A Argentina deve colher 62 milhões de toneladas métricas ​de milho na safra de 2026/27, ​informou o adido do USDA em Buenos Aires (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos).

A previsão não oficial contida no relatório do adido, e divulgado pelo Serviço Agrícola Estrangeiro do USDA, supera a última projeção oficial ⁠do Departamento norte-americano: de 55 ​milhões de toneladas para a safra argentina de ​milho de 2026-27. Alta de 7 milhões de toneladas.

“Com as previsões apontando para um forte ⁠fenômeno El Niño e os ⁠atuais níveis de umidade do solo abundantes na ​maioria ‌das regiões de cultivo, os agricultores estão aumentando a ⁠proporção de milho plantado precocemente em relação ao plantado tardiamente”, afirma o relatório.

“Em condições climáticas normais na principal região produtora de ‌milho, ⁠o milho plantado ‌mais cedo geralmente produz mais do que o plantado mais tarde”, acrescentou.

O relatório projetou as exportações argentinas de milho ⁠para 2026/27 em 43 milhões ⁠de toneladas, acima da previsão oficial do USDA de 38 milhões de ‌toneladas.

O adido estimou ainda a produção argentina de trigo para 2026-27 em 23 milhões de toneladas, acima da previsão oficial do USDA de 21,5 milhões de toneladas.

No entanto, “com grande ‌parte da colheita (de trigo) ainda por vir, os contatos do setor estão cada vez mais preocupados com a ⁠possibilidade de um fenômeno El Niño excepcionalmente forte trazer condições climáticas desfavoráveis e atrapalhar a colheita”, afirmou o relatório.

O adido ​previu que as exportações argentinas de trigo em 2026-27 serão ​de 17 milhões de toneladas, acima da estimativa oficial do USDA de 16 milhões de toneladas.

  •  

Países querem reduzir dependência de proteínas e mudam comércio global

Governos de diferentes regiões estão reorganizando suas políticas agrícolas e industriais para reduzir a dependência externa de proteínas, em um movimento que pode alterar os fluxos internacionais de soja, rações, carnes e ingredientes alimentares. A tendência, que combina proteção da produção doméstica, investimento em tecnologia e controle sobre cadeias de abastecimento, transforma a proteína em um ativo estratégico de segurança nacional e não apenas em uma commodity negociada no mercado internacional.

A mudança tem implicações diretas para o Brasil. O país ocupa posição central no fornecimento mundial de soja e proteínas animais, mas sua competitividade exportadora passa a conviver com uma nova variável, a disposição de grandes compradores de investir para produzir internamente o que hoje importam.

O fenômeno é denominado “nacionalismo das proteínas” pelo Eurasia Group, que, em relatório publicado em setembro de 2026, diz que o risco não se limita à imposição de tarifas ou cotas. Envolve a possibilidade de mudanças estruturais na demanda, o surgimento de concorrentes subsidiados e a disputa pelo domínio de tecnologias de produção e processamento.

O relatório identifica a convergência entre fragmentação geopolítica, demanda crescente por proteínas e maior intervenção dos Estados na produção e no comércio de alimentos. No cenário considerado mais provável pela consultoria, países continuarão adotando medidas para proteger o abastecimento doméstico e ampliar sua autonomia produtiva, enquanto as restrições comerciais tendem a ganhar espaço.

China no centro da transformação

A China representa a transformação mais relevante para os exportadores agrícolas. Mas o movimento não é exclusivo de Pequim; os Estados Unidos procuram ampliar a produção de carne bovina; a União Europeia quer reduzir a dependência de proteínas vegetais importadas para alimentar seus rebanhos; e a Índia investe para diminuir a necessidade de comprar leguminosas de outros países. Ao mesmo tempo, economias como Dinamarca, Países Baixos, Coreia do Sul e Singapura tentam conquistar espaço na produção de proteínas alternativas.

Embora partam de condições distintas, essas iniciativas apontam para uma mesma direção, governos querem maior controle sobre a origem, a oferta e o custo das proteínas consumidas por suas populações e utilizadas por suas indústrias.

China mira autossuficiência e pode reduzir compras externas

O caso chinês concentra a principal ameaça potencial aos fornecedores tradicionais. Depois de se tornar a maior importadora mundial de carnes, laticínios e rações, a China procura reduzir sua exposição ao mercado internacional, aumentar a produtividade doméstica e desenvolver tecnologias que permitam substituir importações e, no longo prazo, conquistar mercados externos.

O 15º Plano Quinquenal chinês, para o período de 2026 a 2030, coloca a segurança alimentar entre as prioridades nacionais, próxima à defesa. A estratégia inclui o desenvolvimento de sementes geneticamente modificadas, a expansão das áreas cultivadas, o aumento da eficiência na produção de ração e o investimento em fermentação de precisão, agricultura celular, aminoácidos e biomanufatura.

O objetivo não é necessariamente eliminar as importações no curto prazo, mas diminuir a vulnerabilidade do país a fornecedores estrangeiros e às oscilações do comércio internacional. Em maio de 2026, uma análise da Reuters já apontava que os ganhos de produtividade e a redução da dependência de rações importadas poderiam provocar uma mudança estrutural na demanda chinesa por produtos agrícolas, com efeitos especialmente relevantes para Brasil e Estados Unidos.

Para o Brasil, a questão é particularmente sensível porque a China ocupa posição central nas exportações de soja e carne bovina. Se o país asiático conseguir produzir mais proteína animal com menor utilização de insumos importados, poderá reduzir a necessidade de comprar soja e farelo no exterior, mesmo que o consumo de carnes continue crescendo.

Há, porém, uma diferença entre reduzir a intensidade das importações e eliminá-las. A capacidade chinesa de substituir fornecedores dependerá da produtividade agrícola, da terra e água, dos custos de produção e da velocidade de adoção tecnológica. O relatório do Eurasia Group projeta queda nas compras chinesas de soja e rações a partir de 2027, mas não quantifica o impacto sobre os volumes exportados pelo Brasil.

A segunda frente de risco é a concorrência. Além de tentar produzir internamente o que hoje importa, a China pretende ampliar as exportações de carne de aves, laticínios, ovos e produtos aquáticos. Caso avance nessa estratégia, poderá disputar mercados com fornecedores tradicionais, apoiada por políticas industriais e investimentos estatais.

EUA protegem a pecuária, mas recorrem à importação para conter preços

Nos Estados Unidos, a soberania das proteínas aparece de outra forma: o governo procura recompor a produção doméstica de carne bovina, mas precisa considerar o efeito da oferta insuficiente sobre os preços pagos pelos consumidores.

O rebanho americano está em seu menor nível em 75 anos, segundo o relatório do Eurasia Group e o USDA (Departamento de Agricultura dos EUA). Para estimular a produção, o governo adotou medidas de apoio aos pecuaristas, como garantias de empréstimos, ampliação do acesso a pastagens e maior fiscalização sobre grandes frigoríficos.

Ao mesmo tempo, Washington ampliou o acesso de fornecedores estrangeiros ao mercado de carne bovina para tentar aliviar os preços internos. Em setembro de 2026, segundo o relatório, o governo aumentou para 300 mil toneladas as cotas de importação com isenção tarifária destinadas a países selecionados, tendo o Brasil como principal beneficiário.

A aparente contradição revela o dilema das políticas de soberania alimentar. Ampliar a produção doméstica é um objetivo de longo prazo, mas não resolve imediatamente uma restrição de oferta. Enquanto a capacidade produtiva não reage, importações podem ser necessárias para conter a inflação e garantir o abastecimento.

O episódio também mostra que a política comercial pode ser utilizada simultaneamente para atender a interesses domésticos e fortalecer relações diplomáticas. O governo americano ampliou benefícios comerciais à Argentina, por exemplo, em uma estratégia que o Eurasia Group associa à aproximação política entre Donald Trump e Javier Milei.

Para os exportadores brasileiros, isso significa que o acesso a mercados pode depender não apenas de preços e competitividade, mas também de decisões políticas, negociações bilaterais e necessidades de abastecimento dos países compradores.

União Europeia quer diminuir a dependência de soja importada

A União Europeia também passou a tratar o abastecimento de proteínas como uma questão de autonomia estratégica. Em julho de 2026, a Comissão Europeia apresentou um plano para aumentar a resiliência e a autonomia do sistema europeu de proteínas, com foco na diversificação da produção e na redução de dependências externas.

O objetivo é ampliar a produção europeia de proteínas vegetais, utilizadas tanto na alimentação humana quanto na fabricação de rações. O plano prevê incentivos à diversificação das culturas, investimentos em pesquisa e inovação e fortalecimento das cadeias de processamento.

A dependência de insumos importados é considerada uma vulnerabilidade porque expõe a produção pecuária europeia a oscilações de preços, interrupções logísticas e tensões geopolíticas. O problema não se limita à soja, fertilizantes e energia também são insumos críticos para o funcionamento da cadeia.

A Europa dispõe de limitações naturais e econômicas para ampliar determinadas culturas na mesma escala dos grandes exportadores das Américas. Para o Eurásia Group, a redução da dependência, portanto, exigirá mudanças graduais na produção, incentivos aos agricultores e desenvolvimento de fontes alternativas de proteína.

Para o Brasil, a consequência potencial é uma disputa mais intensa pelo mercado europeu de ingredientes para alimentação animal. Isso não significa que a União Europeia deixará de importar soja brasileira, mas que pretende ampliar as alternativas disponíveis e reduzir a exposição a um conjunto restrito de fornecedores.

Índia investe para substituir importações de leguminosas

A busca por autonomia também está presente na Índia, que lançou um programa de US$ 1,3 bilhão para alcançar a autossuficiência em leguminosas secas até dezembro de 2027. A iniciativa, prevista para o período de 2025 a 2030, procura reduzir a dependência de importações de países como Canadá e Austrália.

O exemplo mostra que a soberania das proteínas não se restringe à carne. Leguminosas, grãos ricos em proteínas e ingredientes utilizados na alimentação animal também são considerados estratégicos porque influenciam o custo das dietas, a segurança alimentar e a dependência comercial.

Em países populosos, a vulnerabilidade a preços internacionais elevados pode ter consequências econômicas e políticas importantes. Incentivar a produção doméstica torna-se, assim, uma forma de reduzir a exposição a choques externos, embora a substituição de importações dependa de produtividade, disponibilidade de terras, rentabilidade para os agricultores e condições climáticas.

A disputa tecnológica vai além da pecuária convencional

A corrida pela autonomia não se limita a produzir mais carne, leite ou ovos. Parte dos governos procura dominar tecnologias que possam alterar a estrutura futura do mercado de proteínas.

Países Baixos, Dinamarca, Reino Unido, Coreia do Sul e Singapura investem em pesquisa, desenvolvimento e produção de proteínas vegetais, ingredientes obtidos por fermentação e carne cultivada. A China também incorporou essas tecnologias à sua estratégia de segurança alimentar.

O interesse é econômico e geopolítico. O domínio de processos industriais, patentes, equipamentos e ingredientes pode criar novas fontes de receita e reduzir a dependência de cadeias tradicionais de produção animal.

O relatório, contudo, não prevê uma substituição rápida da pecuária convencional. Os custos de produção das proteínas alternativas continuam elevados, e o setor enfrenta obstáculos regulatórios e resistência de consumidores. Por isso, o Eurasia Group considera mais provável que as proteínas animais continuem predominantes até 2030.

A disputa tecnológica pode avançar mesmo sem uma transição acelerada do consumo. Países que desenvolverem capacidade industrial e regulatória poderão ocupar posições estratégicas no fornecimento de ingredientes e tecnologias, ainda que a carne convencional permaneça dominante.

Demanda crescente com canetas emagrecedoras

O nacionalismo das proteínas ganha força em um momento de aumento da demanda global. A popularização de dietas ricas em proteínas, o envelhecimento da população e a expansão das classes médias urbanas sustentam o consumo de carnes, laticínios, ovos e suplementos.

Os medicamentos para emagrecimento da classe GLP-1 também influenciam os hábitos alimentares. Como reduzem o apetite, levam profissionais de saúde a recomendar maior atenção à ingestão de proteínas para preservar a massa muscular.

Nos Estados Unidos, as diretrizes alimentares publicadas em 2026 elevaram a recomendação diária de consumo de proteínas para uma faixa de 1,2 a 1,6 grama por quilo de peso corporal, ante 0,8 grama anteriormente. A mudança reforça a presença do nutriente nas políticas públicas e pode influenciar outros mercados.

A expansão do consumo, entretanto, não garante crescimento proporcional das exportações dos países que hoje dominam a oferta. Uma parcela maior da demanda pode ser atendida por produção doméstica, enquanto governos estimulam substitutos, impõem restrições comerciais ou favorecem produtores nacionais.

O descompasso entre a velocidade das mudanças de consumo e o tempo necessário para ampliar a oferta também pode gerar volatilidade. A produção agrícola depende de ciclos biológicos, disponibilidade de insumos, clima e investimentos realizados com antecedência. Quando a demanda muda mais rapidamente, os preços podem reagir antes que a oferta consiga responder.

O cenário descrito pelo Eurasia Group combina essas pressões com guerras comerciais, custos voláteis de fertilizantes e energia e riscos climáticos. O resultado pode ser maior intervenção governamental justamente em um mercado que, até aqui, se apoiou fortemente na especialização internacional da produção.

Para o Brasil, diversificação e valor agregado ganham importância

A posição brasileira como grande produtor e exportador de soja e carnes oferece vantagens relevantes em um mundo que continuará precisando de proteínas. Mas a dependência de grandes mercados compradores também expõe o país a mudanças de política comercial e a estratégias de autossuficiência de seus parceiros.

O desafio é distinguir duas tendências. Uma é o protecionismo de curto prazo, que se manifesta por tarifas, cotas e barreiras regulatórias. Outra é a transformação estrutural da capacidade produtiva dos países importadores, que pode reduzir a demanda externa ao longo de vários anos.

A primeira exige negociação comercial, defesa de acesso a mercados e adaptação às regras sanitárias e técnicas. A segunda demanda uma estratégia de competitividade de longo prazo, com ganhos de produtividade, diversificação de destinos e ampliação do processamento doméstico.

O Eurasia Group recomenda aos exportadores de proteínas diversificar mercados, investir em produtos de maior valor agregado e participar da definição dos padrões comerciais. Para o Brasil, isso significa não depender exclusivamente do crescimento das compras chinesas nem pressupor que a atual divisão internacional da produção permanecerá inalterada.

 

  •  

EUA anunciam US$ 57,4 milhões para ampliar processamento de carnes

O governo dos Estados Unidos anunciou nesta segunda-feira (26) um investimento de US$ 57,4 milhões para ampliar a capacidade de processamento de carnes no país e abrir novos mercados para pecuaristas. Os recursos devem contemplar 147 projetos em 40 estados, por meio do Programa de Expansão do Processamento de Carnes e Aves (MPPEP, na sigla em inglês), administrado pelo USDA  (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos).

O anúncio foi feito pelo vice-presidente J.D. Vance e pela secretária de Agricultura, Brooke L. Rollins. Segundo o USDA, o investimento previsto é de US$ 57.424.130, mas a liberação está condicionada à destinação dos recursos pelo Congresso americano.

A iniciativa busca ampliar a capacidade de processadores independentes de pequeno e médio porte, estimular a concorrência no setor e fortalecer a cadeia de abastecimento de carnes. O programa também pretende criar alternativas regionais para o abate e o processamento, ampliando as possibilidades de comercialização para os produtores rurais.

“Estamos focados em reconstruir o rebanho bovino americano e oferecer mais oportunidades locais de processamento continuará dando confiança aos nossos pecuaristas para nos ajudar a cumprir essa meta”, afirmou Rollins, em comunicado oficial.

A secretária acrescentou que a medida está alinhada à estratégia do presidente Donald Trump de priorizar os pecuaristas americanos. O anúncio também foi associado à ordem executiva do governo voltada à promoção da concorrência nos mercados pecuários e à ampliação do acesso de produtores americanos aos mercados de carne.

O MPPEP oferece recursos para empresas e outras organizações elegíveis ampliarem sua capacidade de processamento. Entre os possíveis beneficiários estão empresas com e sem fins lucrativos, cooperativas e corporações de produtores, empresas de benefício público, entidades indígenas e órgãos dos governos estaduais e locais.

No caso das empresas privadas, é necessário que sejam independentes e tenham operação própria. Todas as organizações participantes devem ser de propriedade nacional, conforme os critérios do programa.

De acordo com o USDA, os investimentos anteriores realizados por meio do MPPEP já ultrapassaram US$ 200 milhões destinados a empresas independentes. Os projetos apoiados contribuíram para a criação de milhares de empregos em diferentes regiões do país.

Com a nova rodada de recursos, o governo americano pretende ampliar a estrutura de processamento doméstico, fortalecer a resiliência da cadeia de abastecimento e oferecer mais alternativas comerciais aos pecuaristas, reduzindo a dependência de um número limitado de unidades processadoras.

CNA prevê queda de 4,5% na produção de carne bovina em 2026

  •  

MSD obtém reconhecimento para certificação que facilita crédito rural

A certificação em bem-estar animal e sustentabilidade da MSD Saúde Animal pode permitir que produtores rurais tenham acesso a reduções de até 1 ponto percentual nas taxas de juros de determinadas operações de crédito rural do Plano Safra. Reconhecida pelo MAPA( Ministério da Agricultura e Pecuária), a iniciativa está integrada à Plataforma AgroBrasil + Sustentável, que reúne informações rastreáveis sobre a conformidade socioambiental das propriedades brasileiras.

Batizada de Certificação em Bem-Estar Único – Missão de Cuidar, a iniciativa avalia mais de 150 critérios relacionados às condições dos animais, das pessoas e do meio ambiente. Segundo a companhia, o programa busca transformar boas práticas de produção em ganhos de eficiência operacional, redução de riscos e oportunidades de acesso a financiamento e mercados.

O benefício financeiro depende das regras vigentes, da elegibilidade da operação e da análise das instituições financeiras. A plataforma do Ministério da Agricultura organiza e dá visibilidade às informações sobre a conformidade das propriedades, mas não substitui a avaliação de crédito realizada pelos bancos.

O processo de certificação começa com um diagnóstico técnico da propriedade, conduzido por especialistas da MSD Saúde Animal. A análise considera informações zootécnicas, operacionais e ambientais, utilizadas na elaboração de relatórios de desempenho e de um plano de ação personalizado para cada produtor.

Entre os critérios avaliados estão o manejo de baixo estresse, as condições de trabalho, a capacitação das equipes, a biosseguridade, o uso eficiente de água e energia, a gestão de resíduos e a redução dos impactos ambientais. A auditoria final é realizada por certificadoras independentes, como QIMA e SBCert.

De acordo com a empresa, a análise integrada permite identificar gargalos operacionais, corrigir falhas e aprimorar a gestão da atividade rural. A adoção das práticas também pode contribuir para reduzir perdas, mitigar riscos sanitários e melhorar a eficiência zootécnica.

A certificação faz parte da estratégia da companhia de ampliar o uso de dados na gestão das propriedades e demonstrar o cumprimento de critérios socioambientais a instituições financeiras, frigoríficos e compradores.

“Queremos ser o parceiro que ajuda o produtor a tomar melhores decisões e construir um negócio mais eficiente, rentável e sustentável”, afirma Laura Villarreal, presidente da MSD Saúde Animal Brasil.

A MSD Saúde Animal certificou 12 unidades produtivas no Brasil em 2024. Em 2025, o número chegou a 50, aumento de aproximadamente 316% em relação ao ano anterior. Para 2026, a expectativa da companhia é alcançar 225 unidades pré-auditadas e certificadas nos segmentos de bovinos, suínos e aves.

A preparação para a certificação também envolve o programa Criando Conexões, voltado ao manejo de baixo estresse. Desde 2015, a iniciativa capacitou mais de 17 mil profissionais em 300 propriedades de ruminantes, aves e suínos, com impacto declarado sobre mais de 1 bilhão de animais.

Segundo a empresa, as propriedades certificadas somam, anualmente, cerca de 11 milhões de aves, 115 mil suínos, 530 mil cabeças de gado e 14 milhões de litros de leite. Mais de 140 colaboradores da MSD Saúde Animal atuam em campo na disseminação do conceito de Bem-Estar Único e no suporte técnico aos produtores.

A certificação ocorre em um contexto de maior demanda por rastreabilidade, transparência sobre a origem dos produtos e comprovação de práticas de bem-estar animal e responsabilidade socioambiental.

Para Denis Barbosa Alves Antonio, gerente de Soluções Estratégicas da MSD Saúde Animal, demonstrar como a produção é realizada tornou-se um fator estratégico para os produtores diante das exigências de compradores e importadores.

Além da possibilidade de redução dos juros em operações elegíveis, a companhia aponta que a certificação pode contribuir para melhorar os processos produtivos e fortalecer a posição comercial das propriedades. O acesso a eventuais benefícios, entretanto, depende das condições específicas de cada operação e das exigências dos agentes financeiros.

EUA precisam de carne bovina mais “magra” e Brasil pode se beneficiar

  •  
❌