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“Não surpreende”, diz democrata da Flórida à CNN sobre fuga de Flávio

A fuga aos Estados Unidos do senador e candidato derrotado a presidente Flávio Bolsonaro (PL) aos poucos começa a repercutir no meio político americano.

Aliados de Flávio relataram ao analista de Política da CNN Brasil Caio Junqueira que Flávio deve desembarcar no estado da Flórida nesta terça-feira (27), depois de ter recebido endosso do governo Trump para a viagem e uma sinalização para um potencial asilo político.

À CNN Brasil, a deputada estadual da Flórida Anna Eskamani disse que a fuga de Flávio não a surpreende.

“Não tenho nenhuma informação direta, mas, sabendo que o pai dele buscou refúgio aqui, isso não me surpreende”, disse a política democrata.

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) viajou para a Flórida no penúltimo dia de seu mandato presidencial, em 2022, depois de perder a eleição para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

 

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Departamento de Estado dos EUA diz à CNN que emitirá vistos para Flávio

O Departamento de Estado dos Estados Unidos emitirá vistos para Flávio Bolsonaro (PL) e seus familiares, além de permitir a entrada deles no país, segundo confirmou um alto funcionário do órgão à CNN Brasil.

“O Departamento de Estado emitirá vistos para Flávio Bolsonaro e sua família e permitirá a entrada deles nos Estados Unidos”, afirmou o funcionário.

Aliados do senador e candidato derrotado à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmaram, nesta terça-feira (27), que o político fugiu do país com a família em direção aos Estados Unidos. A informação também foi confirmada por autoridades americanas à agência de notícias Reuters.

A decisão acontece após a PF (Polícia Federal) solicitar a entrega dos passaportes do senador na segunda-feira (26).

Ainda na manhã desta terça, a PF acionou autoridades argentinas sobre um eventual risco de fuga de Flávio. O senador teria até as 11h para entregar os documentos à PF, segundo determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), o que não ocorreu.

Com isso, a corporação cancelou tanto o passaporte comum como o diplomático, destinado a autoridades, levando a uma restrição aos documentos nos portos e aeroportos ao redor do mundo nos sistemas de migração.

O STF determinou a entrega dos passaportes e seus cancelamentos após receio de fuga por parte de investigadores da PF que tocam o inquérito contra Flávio por lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

A medida também se baseou na fala do irmão Eduardo Bolsonaro, que disse em uma entrevista na internet que apoiava a saída do Brasil de Flávio caso ele perdesse as eleições presidenciais, como ocorreu no domingo (25).

Segundo apurou a CNN, até agora, porém, o governo brasileiro não tem informações de que o senador esteja no Brasil.

Mais cedo, aliados e a própria defesa de Flávio Bolsonaro, ouvidos pela CNN, não sabiam do paradeiro do senador. Os advogados afirmaram que o último contato teria ocorrido às 16h30 desta segunda e que deveriam encontrar o senador nesta terça para recolher os passaportes.

O site argentino Infobae publicou nesta terça que o candidato derrotado nas eleições havia cruzado a fronteira entre Brasil e Argentina em um voo privado. Informação não confirmada até o momento.

O sumiço do senador tem gerado incômodo entre os próprios aliados. A avaliação de membros do PL (Partido Liberal) é de que especulações sobre uma possível fuga do Brasil são negativas para o bolsonarismo.

Políticos próximos ao senador o cobram para gravar um vídeo ou soltar uma nota para esclarecer a situação. Aliados relataram à CNN que procuraram pelo senador após o início das especulações, mas afirmam não ter notícia de Flávio.

Além disso, o governo de Javier Milei negou que Flávio tenha entrado na Argentina. O Ministério da Segurança, responsável pelo departamento de Imigração e pela Polícia de Segurança Aeroportuária, afirmou para a reportagem que o ex-candidato do PL não entrou, nem pediu para entrar no país.

“Não tem nenhum pedido de asilo e não há nada mais para acrescentar [quanto a isso]”, disse em coletiva de imprensa o porta-voz da Casa Rosada, Adrián Ravier, à CNN Brasil.

No fim da manhã desta terça, a Casa Rosada também informou em comunicado que a Direção Nacional de Migrações “não registrou qualquer entrada de Flávio Bolsonaro na República Argentina”.

“Em razão da repercussão midiática sobre a presença de um avião privado no Aeroporto Internacional de Iguazú, as autoridades procederam com os controles correspondentes à aeronave e à tripulação”, acrescentou o texto.

 

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Trump volta a dizer que eleições no Brasil pareceram fraudadas

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a dizer nesta terça-feira (27), durante um comício no Texas, que as eleições no Brasil foram fraudadas.

“Eles fraudam muito bem (os democratas). São os maiores fraudadores de eleições da história. Embora o Brasil também esteja fazendo um bom trabalho nisso, não é? Eu não tomei partido, não gostei, não me pareceu muito bom”, disse Trump.

O presidente americano está em meio a uma intensa agenda de campanha pelo país antes das Eleições de Meio de Mandato, as Midterms, marcadas para 3 de novembro. Trump tem realizado comícios quase diariamente para incentivar a participação de eleitores em apoio aos republicanos, que tentam manter o controle do Congresso.

Em discursos que chegam a durar 90 minutos, Trump defende suas políticas econômicas, vangloria-se do tamanho das multidões, zomba de manifestantes e chegou a fazer comentários sobre as nádegas de um colega republicano.

Aqui estão cinco pontos principais sobre as aparições do presidente, realizadas, em sua maioria, em áreas de forte apoio republicano pelo país:

O discurso econômico de Trump

No início do mês, Trump afirmou ter feito um “mau trabalho” ao explicar seu desempenho econômico. Ele tem tentado corrigir isso em seus comícios, destacando uma taxa de pobreza em nível historicamente baixo, baixo desemprego, recordes no mercado de ações e preços mais acessíveis para alguns itens alimentícios.

No entanto, seu discurso entra em conflito com as preocupações dos eleitores quanto aos gastos com combustível, compras de supermercado e outras despesas do dia a dia.

Os preços ao consumidor aceleraram em setembro, impulsionados pela disparada no custo da gasolina. O preço médio do combustível nos EUA é de US$ 4,27 por galão (US$ 1,13 por litro) — cerca de 40% mais caro do que há um ano, segundo a AAA. Trump tem prometido, repetidamente, que os preços da gasolina cairão assim que a “guerra com o Irã” terminar.

Esse descompasso ficou evidente do lado de fora de um comício de Trump na zona rural do Kansas, onde Chester Daniel, um veterano militar de 90 anos e apoiador de Trump, afirmou que a economia ainda tem “um longo caminho a percorrer” para ajudar os trabalhadores.

“Preços? Altos demais! Nunca voltaremos aos patamares de quando tudo isso começou, mas eles precisam cair bastante”, disse Daniel. “Não sei como esses jovens conseguem sustentar suas famílias.”

Republicanos na defensiva e o mapa dos comícios

O roteiro de viagens de Trump revela o quão difícil será para os republicanos manterem o controle do Congresso, com o presidente sendo forçado a adotar uma postura defensiva, mesmo em redutos conservadores. Trump viajou duas vezes ao Texas em apoio a Ken Paxton, candidato republicano ao Senado; fez campanha para o senador republicano em exercício Roger Marshall, no Kansas; e esteve duas vezes em Ohio em apoio ao senador Jon Husted.

Trump também participou de comícios para candidatos republicanos em disputas acirradas no Alasca, Iowa, Montana e Carolina do Sul. Ele tem uma visita ao Mississippi programada para segunda-feira (26).

Trata-se de locais onde os republicanos costumam vencer com facilidade — e não de campos de batalha eleitorais onde Trump normalmente dedicaria tempo durante as semanas cruciais que antecedem uma eleição.

Nas pesquisas, Paxton aparece ligeiramente atrás do democrata James Talarico, enquanto Marshall enfrenta um desafio considerável do democrata Adam Hamilton em um estado que não elege um senador democrata há quase um século. Em Ohio, Husted está atrás do ex-senador democrata Sherrod Brown, e, em Iowa, a candidata republicana ao Senado, Ashley Hinson, trava uma disputa acirrada contra o democrata Josh Turek.

Chama a atenção a ausência, até o momento — a menos de duas semanas do dia das Midterms —, de estados como Michigan, Maine, Minnesota e New Hampshire, que também registram disputas acirradas para o Senado. É provável que ele visite alguns desses locais em breve; há uma viagem programada para Michigan no domingo, e ele também mencionou planos de ir ao Maine.

O foco de Trump sobre o tamanho do público nos comícios

Trump transformou o tamanho do público em um tema recorrente de seus comícios durante o ciclo eleitoral de Meio de Mandato, descrevendo arenas lotadas e milhares de pessoas que, segundo ele, teriam ficado do lado de fora — o que ele apresenta como prova de sua popularidade contínua.

No entanto, a adesão real aos eventos de campanha nas últimas semanas tem sido irregular. Alguns comícios atingiram a capacidade máxima, mas sem qualquer sinal da multidão excedente descrita por Trump. Em outros, grandes setores de assentos permaneceram vazios, mesmo em locais de porte modesto.

“Faço isso todas as noites e, não importa aonde eu vá, é sempre a mesma coisa. São multidões enormes”, disse Trump em um comício na Carolina do Norte, na terça-feira. “Temos telões do lado de fora. Milhares e milhares de pessoas. Há algo muito especial acontecendo.”

O local estava lotado, mas não havia sinais de multidões do lado de fora esperando para entrar ou acompanhando o evento pelos telões. Em um comício realizado no dia 7 de outubro em San Antonio, no Texas, Trump afirmou que as filas do lado de fora da arena estendiam-se por duas milhas (aproximadamente 3,2 km), mesmo com grandes áreas vazias no interior do local.

O tamanho do público nem sempre é um indicador preciso de apoio político; contudo, Trump tem utilizado esse dado como um sinal de força, ainda que seu índice de aprovação tenha caído para 31% — o patamar mais baixo de todo o seu mandato presidencial —, segundo uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada na semana passada.

Trump não é candidato nas eleições de 3 de novembro. Para os candidatos republicanos, a questão é saber se o entusiasmo que ele desperta entre seus apoiadores pode se converter em votos para eles.

A França como um exemplo nas Eleições de Meio de Mandato

Trump tem usado frequentemente o presidente francês, Emmanuel Macron, como um contraponto em seus discursos de campanha, alegando ter forçado Macron — por meio da ameaça de impor tarifas sobre o champanhe (um produto de exportação francês muito popular) e outros bens — a aumentar os preços de medicamentos prescritos na França.

No entanto, na última semana, aproximadamente, Trump adotou uma nova narrativa sobre a França, apresentando os violentos distúrbios ocorridos no país nas últimas semanas como um alerta do que, segundo ele, poderia acontecer nos EUA caso os democratas vençam as eleições de meio de mandato. Trump atribuiu a responsabilidade pelos distúrbios a imigrantes e muçulmanos, seguindo uma estratégia já conhecida que tem marcado sua atuação política há mais de uma década.

“Que diabos aconteceu com a França?”, perguntou Trump a uma multidão em uma arena de competições agropecuárias em Clemson, na Carolina do Sul, na quarta-feira.

Vale notar que os protestos na França ganharam mais destaque nos discursos recentes de Trump do que dois outros grandes problemas de política externa que ele não conseguiu solucionar: a invasão da Ucrânia pela Rússia e sua “guerra” contra o Irã.

“Eles vão acabar, de um jeito ou de outro”, disse Trump sobre os dois conflitos durante o comício em Clemson. Ele não explicou como esses conflitos poderiam terminar, mas queixou-se de não ter recebido o Prêmio Nobel da Paz por seus esforços na resolução de conflitos ao redor do mundo.

Trump e o foco no físico

Há muito tempo, Trump demonstra uma fixação pelo físico humano que vai além da metáfora do “corpo político”.

Nesta temporada eleitoral, Trump tem dado atenção especial a Husted, um ex-jogador de futebol americano universitário da Universidade de Dayton, de 59 anos.

Em comícios realizados em Ohio, Kentucky e Carolina do Norte, Trump expressou admiração pelo físico de Husted, chegando a comentar que os glúteos dele parecem “um amontoado de músculos”.

“Depois, olhei para as pernas dele e pensei: ‘Caramba, que pés grandes!’. Em seguida, observei seus ombros e dei um tapinha — cheguei a machucar a mão! Parecia um pedaço de aço. Eu disse: ‘Esse cara é um monstro!'”, relatou Trump.

Na sexta-feira, Trump teceu elogios semelhantes a Robert F. Kennedy Jr., seu secretário de Saúde e Serviços Humanos, declarando em um comício na Flórida que o político de 72 anos “tem o corpo de alguém de 30 anos”.

Comentários desse tipo são recorrentes no repertório de Trump. Na reta final de sua campanha de 2024, ele aproveitou um discurso em um comício na Pensilvânia para contar uma história grosseira sobre as proezas — para além do golfe — da lenda do esporte Arnold Palmer. Ao longo dos anos, Trump tem focado frequentemente nos atributos físicos das pessoas, chegando, inclusive, a zombar do peso e da aparência de seus oponentes.

Trump considera que até alguns de seus amigos carecem de senso de moda — é o caso de Paxton, conhecido por seu visual desleixado.

“Pode ser que alguns não gostem do jeito que ele se veste”, disse Trump sobre ele durante uma convenção republicana em Dallas, em meados de setembro, acrescentando: “Eu não gosto”.

Isso, contudo, não impediu Trump de fazer campanha para Paxton. Ele retorna ao Texas na terça-feira (27) para participar de mais dois comícios.

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Urnas fecham em Israel em disputa que vai definir futuro de Netanyahu

As urnas fecharam nesta terça-feira (27) em Israel, após uma eleição parlamentar que pode definir o futuro político do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. O premiê tenta permanecer no cargo em meio a críticas de rivais políticos, enquanto as pesquisas pré-eleitorais indicam que seu bloco não deve conquistar a maioria das cadeiras no Parlamento.

O principal adversário, Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, também não deve alcançar sozinho o número necessário para formar uma maioria.

Segundo o Comitê Central Eleitoral de Israel, órgão responsável pela organização e apuração do pleito, cerca de 7,3 milhões de eleitores estão registrados e aptos a votar. As eleições ocorrem em aproximadamente 12 mil seções eleitorais. O voto é permitido a cidadãos com mais de 18 anos e não é obrigatório no país.

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Esta é a primeira vez desde 1988 que uma legislatura israelense consegue completar integralmente o período do mandato, sem uma dissolução antecipada. O resultado da votação será determinante para a composição do Knesset, o Parlamento israelense, que possui 120 cadeiras.

A eleição ocorre em meio às consequências do ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que deu início à atual guerra no Oriente Médio. Na ocasião, mais de 1.200 pessoas morreram e 251 foram levadas como reféns.

Em resposta ao ataque, o governo de Netanyahu lançou uma ofensiva militar contra a Faixa de Gaza. Desde o início da guerra, mais de 75 mil pessoas foram mortas no território palestino.

Como funcionam as eleições em Israel? 

Israel funciona com um sistema parlamentarista e, por isso, tem um chefe de Estado e um chefe de governo. A função de chefe de Estado, marcada principalmente por obrigações cerimoniais e formais, é exercida pelo presidente, cargo atualmente ocupado por Isaac Herzog. Já a função de chefe de governo fica a cargo do primeiro-ministro, atualmente Benjamin Netanyahu.

No sistema parlamentarista, a direção dos assuntos de interesse público é atribuída a um gabinete ministerial formado no parlamento e liderado pelo premiê. O parlamento israelense é chamado de Knesset e reúne 120 membros, eleitos a cada quatro anos, em uma única câmara.

A população vota para eleger os integrantes do Knesset, que, por sua vez, escolhem quem será o primeiro-ministro. Para conquistar um assento no Parlamento, os partidos precisam superar a cláusula de barreira de 3,25% dos votos.

Nenhum partido jamais conquistou os 61 assentos necessários para ter maioria absoluta no Knesset e governar sozinho. Por isso, os governos costumam ser formados por coalizões, frequentemente instáveis.

O voto é facultativo e é um direito garantido a todos os cidadãos israelenses maiores de 18 anos. A votação é feita em cédulas de papel.

Quem são os principais rivais de Netanyahu?

O ex-chefe militar Gadi Eisenkot, que perdeu um filho na Faixa de Gaza, é o principal rival de Netanyahu nas eleições.

Eisenkot projetou uma imagem de alguém de fora da política tradicional — um soldado e defensor de uma linha dura em segurança —, cuja origem humilde e sacrifícios familiares contrastam fortemente com as décadas de Netanyahu em altos cargos e com as acusações de corrupção contra ele.

Há também os ex-primeiros-ministros Naftali Bennett e Yair Lapid, cuja aliança, apesar de estarem em lados opostos do espectro político, tirou Netanyahu do poder nas eleições de 2021.

Eles formaram um governo heterogêneo composto por partidos liberais e conservadores e, pela primeira vez na história de Israel, por um partido árabe islâmico. A administração durou 18 meses.

O ex-ministro da Defesa, Avigdor Lieberman, já foi assessor e aliado de Netanyahu e também aparece como possível rival.

Com uma postura ainda mais linha-dura que a de seu antigo chefe, Lieberman deixou o governo em 2018, acusando o primeiro-ministro de ser brando demais com combatentes palestinos em Gaza. Desde então, tornou-se um dos críticos mais ferrenhos de Netanyahu.

Quais são as principais forças na disputa?

As principais forças que disputam a eleição são o Likud, partido de direita do premiê Benjamin Netanyahu, e o partido de centro Yashar, liderado por Gadi Eisenkot.

Netanyahu e o Likud governam o país desde 2009, com uma breve interrupção entre junho de 2021 e dezembro de 2022. Atualmente, o partido governa por uma coalizão com o partido Sionismo Religioso, do ministro das Finanças Bezalel Smotrich, defensor dos assentamentos na Cisjordânia, e com Poder Judaico, do ministro de Segurança Nacional Itamar Ben-Gvir, que propõe expulsar os palestinos de Gaza.

A coalizão também era integrada pelo partido Judaísmo Unido da Torá, que renunciou devido à disputa sobre o recrutamento militar obrigatório de judeus ultraortodoxos.

Analistas apontam que, para conseguir governar e para tentar garantir o apoio dos partidos Haredi e de siglas da ultradireita, Netanyahu fez várias concessões.

Em julho, a coalizão do Likud pressionou pela aprovação da isenção do recrutamento obrigatório para os ultraortodoxos, por exemplo. Já o Partido Sionista Religioso, de Smotrich, conseguiu que o governo aprovasse um pacote de centenas de milhões de dólares para financiar assentamentos na Cisjordânia ocupada.

Em troca, esses partidos apoiaram várias iniciativas do governo, incluindo uma legislação para limitar a autoridade do procurador-geral e um projeto de lei para reformular as regras de radiodifusão no país.

Mesmo assim, as últimas pesquisas apontam que a coalizão do Likud pode não ter apoio suficiente de partidos sectoriais ou mais à direita para formar maioria.

Já o Yashar foi criado em 2025 pelo ex-chefe do Estado Maior das Forças de Defesa de Israel, Gadi Eisenkot, escolhido pelo próprio Netanyahu e agora visto como seu principal concorrente. O filho de Eisenkot foi morto no conflito em Gaza, e o ex-chefe militar que integrava o gabinete de guerra de Netanyahu passou a criticar a conduta do governo por falta de uma estratégia clara.

Filho de imigrantes marroquinos, Eisenkot projeta a imagem de um militar de carreira e outsider da política, buscando contrastar com as décadas de Netanyahu no poder. Mas ele não deve suavizar a política regional de Israel: o general foi uma figura central na elaboração da estratégia militar israelense de uso de força massiva, inclusive contra infraestrutura civil, como forma de dissuasão após a guerra do Líbano de 2006, além de ter participado do planejamento estratégico no início da guerra em Gaza.

Em terceiro lugar nas pesquisas aparece o partido Juntos (Beyachad), fundado pelo direitista Naftali Bennett e pelo centrista Yair Lapid.

Os dois formaram uma coalizão improvável em 2022 e interromperam 12 anos seguidos de governo Netanyahu, e agora uniram forças para fundar um partido. Eles apostam em reformas internas, inclusive sobre o serviço militar obrigatório para os ultraortodoxos, mas também não devem adotar estratégias muito diferentes do atual governo para a segurança nacional e a política externa.

“O que Netanyahu tenta fazer agora é impedir que a oposição consiga mais de 60 parlamentares, a ponto de formar uma coalizão […] Ele também tem o desafio de levar às urnas os eleitores, principalmente os mais moderados, que estão descontentes com o desempenho do governo e com as grandes rupturas sociais causadas por ele”, afirma João Koatz Miragaya, mestre em História pela Universidade de Tel Aviv e colaborador do Instituto Brasil Israel.

Para a oposição, essa tem sido considerada a eleição mais importante da história de Israel, explica o professor de Sociologia da UFRJ e Coordenador do Núcleo de Estudos Judaicos, Michel Gherman.

“Ao que tudo indica, o nível de participação deve ser acima do normal entre grupos urbanos, seculares e árabes, que votam menos, normalmente. Já os grupos pró-Netanyahu têm estado menos entusiasmados e demonstrado menos confiança no Parlamento”, diz Gherman.

O que é o Knesset, o Parlamento de Israel?

 

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Flávio Bolsonaro desafia proibição e viaja rumo aos EUA, dizem fontes à CNN

O senador brasileiro Flávio Bolsonaro (PL) deixou o Brasil e está a caminho dos Estados Unidos após perder a eleição presidencial de domingo, confirmaram duas fontes à CNN.

Um funcionário do governo americano disse inicialmente à CNN que Flávio estava a caminho da Flórida, mas depois afirmou que o destino exato dele nos Estados Unidos não estava claro.

Uma fonte brasileira próxima a Bolsonaro disse que o político temia ser preso no Brasil, onde é investigado pela mais alta corte do país por suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Bolsonaro nega qualquer irregularidade.

As especulações sobre seu paradeiro aumentaram depois que o veículo de imprensa argentino Infobae noticiou que Bolsonaro havia deixado o Brasil pela Argentina após perder o segundo turno da eleição presidencial de domingo para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de esquerda. Em comunicado, o governo argentino afirmou que “não há registro de entrada de Flávio Bolsonaro” no país.

A Polícia Federal brasileira cancelou os passaportes de Bolsonaro depois que ele não os entregou e está à procura do senador, informou a CNN Brasil.

Na segunda-feira, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes determinou que Bolsonaro entregasse os passaportes em até 24 horas. A CNN procurou Bolsonaro, seu partido político e a Polícia Federal para comentar o paradeiro do senador.

Bolsonaro afirmou que foi informado pessoalmente pela polícia sobre a ordem e que os agentes disseram que ele estava proibido de deixar o Brasil. Em um vídeo publicado no Instagram, o senador negou que pretendesse fugir.

Bolsonaro se junta a um grupo numeroso de conservadores brasileiros que vivem no exílio, entre eles o ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Alexandre Ramagem, o podcaster Paulo Figueiredo e seu próprio irmão, Eduardo, que mora no Texas.

Pouco antes do segundo turno, Eduardo sugeriu que Flávio deveria deixar o Brasil caso sua candidatura à Presidência fracassasse. Na terça-feira, Eduardo classificou como “mentira” os rumores de que o irmão havia fugido.

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Eleições em Israel atraem atenção internacional em meio a conflitos

Para um país do tamanho de Nova Jersey, Israel recebe uma parcela desproporcional da atenção internacional e das manchetes. Certamente, a relação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu — e a guerra contra o Irã que os dois iniciaram juntos — é parte da explicação.

Amichai Cohen, vice-presidente de pesquisa do Instituto Israelense para a Democracia, apresentou à CNN outros três motivos pelos quais o mundo acompanha tão de perto esta eleição.

O primeiro, segundo ele, é a expectativa de que um governo diferente em Israel esteja disposto a se envolver mais na diplomacia no Oriente Médio, abrindo possibilidades para encerrar os conflitos no Irã, no Líbano, na Síria e em Gaza. “Talvez também existam caminhos para uma possível retomada das negociações com os sauditas” em direção à normalização das relações, afirmou.

Ainda assim, Cohen disse não acreditar na possibilidade de uma mudança drástica nessa questão. “Não acho que exista uma grande diferença entre (Gadi) Eisenkot e Netanyahu em relação aos detalhes — que Eisenkot de repente se transforme em Yitzhak Rabin e chegue a um acordo de paz com quem quer que seja. Na verdade, não acho que isso esteja em discussão”, declarou.

O mundo também acompanha de perto o que acontecerá na Cisjordânia ocupada. O governo de Netanyahu promoveu uma ampla expansão dos assentamentos israelenses, ao mesmo tempo que minimizou o aumento da violência de colonos contra palestinos. O Reino Unido e outros 12 países estão preparando sanções contra os assentamentos israelenses, e essa lista poderá crescer caso um novo governo Netanyahu mantenha a mesma política de consolidar o controle de Israel sobre o território.

Por fim, Cohen afirmou à CNN que Israel passou a ser visto internacionalmente como um país em declínio democrático. O governo de Netanyahu promoveu uma reforma judicial que enfraqueceria os mecanismos de controle e equilíbrio entre os poderes e ampliaria os ataques à imprensa.

“A questão de saber se as forças contrárias ao populismo conseguirão recuperar a democracia é importante em todo o mundo, e Israel é, em certa medida, uma parte importante dessa discussão”, afirmou Cohen.

O que é o Knesset, o Parlamento de Israel?

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México nomeia Blanca Cruz como chefe interina do órgão eleitoral

Blanca Cruz foi nomeada nesta terça-feira (27) como chefe interina do INE (Instituto Nacional Eleitoral), segundo vários veículos de imprensa locais.

O órgão é responsável pela organização das eleições no México.

Cruz substituirá Guadalupe Taddei, que renunciou ao cargo na segunda-feira (26), em meio a acusações de corrupção.

A decisão foi apoiada pela presidente do México, Claudia Sheinbaum.

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Eleitores árabes em Israel esperam mudança de governo nas eleições

Eleitores árabes em Israel afirmaram que pretendem comparecer em peso às urnas nesta terça-feira (27), na tentativa de tirar o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu do poder e eleger parlamentares que priorizem o combate à discriminação contra a população árabe.

“Desta vez, francamente, nós, árabes daqui, estamos sendo oprimidos por um governo corrupto”, afirmou Adel Amer, morador da cidade de Kafr Qassem, de maioria árabe, em entrevista à CNN. Ele disse que pretende votar especificamente contra o atual governo e os ministros de extrema direita.

“Estamos respondendo a Ben-Gvir, a Smotrich e a Netanyahu”, declarou Amer, em referência aos políticos Itamar Ben-Gvir, Bezalel Smotrich e Benjamin Netanyahu. “Vamos votar, vamos fazer a diferença e vamos mudar este governo.”

Outro morador da cidade, o médico Ayman Odeh, afirmou que a eleição deste ano parece diferente das anteriores. Segundo ele, suas esperanças estão depositadas nos parlamentares árabes que disputam vagas no Parlamento israelense, o Knesset.

“Espero sinceramente que, desta vez, eles se unam e trabalhem juntos no Knesset para ajudar os árabes”, disse Odeh. “Que ponham fim ao racismo e à discriminação, para que possamos começar a sentir que somos todos membros iguais desta sociedade — que este país é o nosso país.”

Duas das principais legendas de maioria árabe que disputam as eleições são o Raam, de Mansour Abbas, e a Lista Conjunta, de Yousef Jabareen. Embora outros partidos dificilmente formem um governo de coalizão com essas siglas, ambas podem ser importantes para a formação de um bloco contrário a Netanyahu, oferecendo apoio externo a uma eventual aliança.

Sujood Amer, outra moradora de Kafr Qassem, afirmou que é essencial que todos votem na tentativa de promover mudanças, “por menores que sejam”.

“Se Deus quiser, estas eleições serão decisivas e trarão mudanças”, disse ela à CNN. “Sabemos e temos certeza de que não será uma mudança radical, mas será melhor do que a situação em que vivemos atualmente.”

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Noruega destina US$ 54 milhões em apoio energético à Ucrânia

A Noruega destinará 500 milhões de coroas norueguesas, o equivalente a cerca de US$ 53,7 milhões, para apoiar o setor energético da Ucrânia antes da chegada do inverno, informou nesta terça-feira (27) o Ministério da Energia norueguês.

Mais cedo, o ministro da Defesa do Reino Unido, Wes Streeting, chegou a afirmar que a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) precisa estar preparada para um cenário de guerra com a Rússia.

Durante uma visita a Varsóvia, capital da Polônia, o ministro disse que a aliança militar não deseja um conflito, mas alertou que as garantias dadas pelo presidente russo, Vladimir Putin, não são suficientes para afastar essa possibilidade.

“Eu alertei os cidadãos do Reino Unido de que precisamos estar preparados para um cenário em que o Reino Unido e a aliança da Otan se encontrem em guerra com a Rússia. Não porque queiramos uma guerra; não temos desavenças com o povo russo e não desejamos uma guerra com a Rússia”, declarou Streeting.

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Tornado atinge o Chile e chuvas provocam alagamentos em Santiago

Uma frente meteorológica que afeta a região central do Chile provocou um tornado de categoria EF2 na segunda-feira (26), enquanto fortes chuvas causaram alagamentos em Santiago.

As autoridades colocaram a cidade de Requínoa, na região de O’Higgins, em alerta vermelho após um tornado de categoria EF2 atingir o município, com rajadas de vento entre 179 e 218 km/h, provocando danos à infraestrutura.

Mais de 7.700 clientes ficaram sem energia elétrica, e os serviços ferroviários foram suspensos depois que um poste caiu sobre os trilhos, segundo o Serviço Nacional de Prevenção e Resposta a Desastres do Chile (Senapred).

Em Santiago, uma chuva intensa caiu em um curto período, provocando enxurradas em ravinas nas áreas montanhosas, incluindo a ravina Honda, em Las Condes. A situação levou o Senapred a emitir alerta vermelho para dez comunidades em áreas montanhosas.

Segundo o Senapred, foram registrados até 39,6 milímetros de chuva acumulada.

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Houthis dizem ter repelido avanço de forças apoiadas pela Arábia Saudita

Os houthis do Iêmen, alinhados ao Irã, afirmaram nesta terça-feira (27) que repeliram o avanço de forças que descreveram como apoiadas pela Arábia Saudita, vindas do sul em direção ao estreito de Bab el-Mandeb.

Segundo o comunicado, os houthis atacaram as forças que avançavam com mísseis balísticos e armas pesadas, provocando um grande número de baixas. O grupo afirmou ainda ter destruído vários veículos militares.

A Arábia Saudita não confirmou imediatamente as informações.

*Reportagem de Ahmed Tolba e Yasmine Ghania, no Cairo; edição de Barbara Lewis.

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Palestinos protestam contra deslocamentos durante eleição em Israel

Soldados israelenses dispararam uma granada de efeito moral nesta terça-feira (27) para dispersar palestinos que se reuniram em protesto contra uma operação militar de Israel que deslocou milhares de moradores de um bairro de Hebron, na Cisjordânia ocupada por Israel.

Os distúrbios ocorreram após a morte de dois soldados israelenses, baleados por homens armados palestinos em um posto de controle na semana passada, e enquanto os israelenses votavam em uma eleição na qual a política do país para a Cisjordânia se tornou uma das principais questões políticas.

Algumas autoridades palestinas acusaram o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu de iniciar uma repressão na Cisjordânia para coincidir com a votação, como forma de mobilizar seus apoiadores de direita. O governo afirma que a operação é uma resposta ao ataque contra os soldados israelenses.

Um grupo de homens, mulheres e crianças palestinos participou do protesto nesta terça-feira. Um idoso segurava um cartaz com a mensagem: “Não à punição coletiva, não aos bloqueios e não ao deslocamento”.

Os militares afirmaram ter disparado uma granada de efeito moral para dispersar os manifestantes e permitir a continuidade da operação.

Na segunda-feira, a ONU (Organização das Nações Unidas) informou que mais de 3 mil palestinos haviam sido obrigados a deixar suas casas devido à operação militar israelense. A ação teve como alvo bairros próximos ao posto de controle onde homens armados palestinos mataram os dois soldados israelenses na sexta-feira.

Em um comunicado divulgado no domingo, as Forças Armadas israelenses afirmaram que os soldados realizariam demolições na região. Os militares disseram que não encontraram armas durante as buscas nas casas.

Desde o ataque ao posto de controle, na sexta-feira, Israel bloqueou as entradas da maioria das cidades e localidades palestinas na Cisjordânia, restringindo severamente a liberdade de circulação dos palestinos.

Noura Nassar, uma moradora deslocada que participou do protesto, afirmou ter enfrentado dificuldades para conseguir atendimento médico por causa dos bloqueios.

Netanyahu e seu principal rival, Gadi Eisenkot, são contrários à criação de um Estado palestino independente ao lado de Israel. Moradores expulsos do bairro de Hebron disseram nesta terça-feira que a eleição israelense pouco mudaria a realidade nos territórios ocupados por Israel desde 1967.

O governo de Netanyahu supervisionou uma rápida expansão dos assentamentos israelenses, considerados ilegais por órgãos da ONU e pela maioria dos países, embora Israel conteste essa avaliação. Sob a coalizão de direita liderada por Netanyahu, também houve um aumento da violência de colonos extremistas contra palestinos.

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Tornado atinge canteiro de obras na Turquia e deixa 4 mortos

Quatro pessoas morreram e uma ficou ferida após um tornado atingir um canteiro de obras na província de Antália, na Turquia, informaram autoridades nesta terça-feira (27).

O tornado ocorreu antes da meia-noite e passou pela área da construção, destruindo dois contêineres onde trabalhadores ficavam alojados e derrubando um guindaste. Moradores que presenciaram o fenômeno relataram ter visto objetos sendo arremessados pelo ar e ouvido o som intenso do vento.

Imagens do local mostraram equipes de emergência procurando possíveis feridos entre os destroços, enquanto profissionais de saúde prestavam atendimento a um homem ferido.

“Foi uma tempestade incrivelmente intensa, com um estrondo muito forte. Parecia que um avião tinha chegado”, relatou um morador.

“Olhei pela porta e pela janela e vi todo tipo de coisa voando pelo ar. Durou apenas cinco minutos”, acrescentou.

*Produção, edição e redação de Ali Kucukgocmen.

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Houthis dizem ter atingido maior refinaria de petróleo da Arábia Saudita

Os houthis do Iêmen, alinhados ao Irã, afirmaram nesta terça-feira (27) que atingiram com um míssil balístico a refinaria de petróleo de Ras Tanura, na Arábia Saudita, a maior do reino.

Os houthis também disseram ter atacado aeronaves militares sauditas e repelido uma ofensiva de forças apoiadas pela Arábia Saudita nas proximidades do estreito de Bab el-Mandeb, uma importante rota de navegação no Mar Vermelho.

A intensificação das hostilidades entre o Iêmen e a Arábia Saudita agravou as interrupções no abastecimento de petróleo e aumentou o risco de um conflito regional mais amplo, oito meses após o início da guerra com o Irã.

O porta-voz militar dos houthis, Yahya Saree, afirmou que o ataque à refinaria de Ras Tanura provocou um incêndio no complexo, que também inclui um terminal marítimo e está localizado no Golfo, a oeste do estreito de Ormuz.

As autoridades sauditas não confirmaram imediatamente o ataque.

Com capacidade para processar 550 mil barris por dia, a refinaria de Ras Tanura ficou fechada por um período nos primeiros meses da guerra com o Irã, como medida de precaução.

Quase todas as exportações de petróleo da Arábia Saudita passam por dois portos principais: Ras Tanura, no Golfo, e Yanbu, no Mar Vermelho. Ambos já foram atacados pelos houthis.

A agência Bloomberg News citou uma fonte familiarizada com o assunto que afirmou que a Arábia Saudita havia conseguido controlar um incêndio nas proximidades do terminal de Ras Tanura.

Ataques aéreos

Os houthis disseram ter atacado duas aeronaves militares de transporte no aeroporto de Najran e uma base aérea em Khamis Mushait. Não houve confirmação imediata dos ataques por parte da Arábia Saudita.

Na tarde desta terça-feira, as autoridades de defesa civil emitiram brevemente um alerta de ataque aéreo na capital saudita, Riad.

A coalizão liderada pela Arábia Saudita que combate os houthis em apoio ao governo internacionalmente reconhecido do Iêmen afirmou ter interceptado e destruído dois mísseis balísticos lançados pelos houthis em direção a Riad.

Os houthis disseram ter repelido uma ofensiva de forças que descreveram como apoiadas pela Arábia Saudita, vindas das aproximações ao sul do estreito de Bab el-Mandeb.

No início deste mês, forças do governo iemenita apoiadas pela Arábia Saudita expulsaram os houthis de áreas costeiras que o grupo havia conquistado em setembro, enfraquecendo o controle da organização sobre uma importante rota petrolífera no Mar Vermelho.

A emissora Al Masirah TV, ligada aos houthis, noticiou ataques sauditas contra a cidade iemenita de Mocha. Não houve confirmação imediata por parte da Arábia Saudita.

Os combates romperam uma trégua mediada pela ONU Organização das Nações Unidas) em 2022 entre a coalizão e os houthis, que controlam a capital do Iêmen, Sanaa.

Na segunda-feira, Arábia Saudita, Turquia e Paquistão se reuniram com autoridades iranianas em Teerã para tentar reduzir as tensões regionais.

O Parlamento do Egito, que afirmou estar considerando aderir aos três países em um pacto de defesa mútua, autorizou nesta segunda-feira as Forças Armadas egípcias a ajudar na defesa da Arábia Saudita, caso haja um pedido nesse sentido.

*Reportagem de Yasmine Ghania; redação de Nayera Abdallah; edição de Michael Georgy, Peter Graff e Timothy Heritage.

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Otan deve estar pronta para uma guerra com a Rússia, diz Reino Unido

O ministro da Defesa do Reino Unido, Wes Streeting, afirmou nesta terça-feira (27) que a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) precisa estar preparada para um cenário de guerra com a Rússia.

Durante uma visita a Varsóvia, capital da Polônia, o ministro disse que a aliança militar não deseja um conflito, mas alertou que as garantias dadas pelo presidente russo, Vladimir Putin, não são suficientes para afastar essa possibilidade.

“Eu alertei os cidadãos do Reino Unido de que precisamos estar preparados para um cenário em que o Reino Unido e a aliança da Otan se encontrem em guerra com a Rússia. Não porque queiramos uma guerra; não temos desavenças com o povo russo e não desejamos uma guerra com a Rússia”, declarou Streeting.

O ministro ressaltou que a Otan é uma aliança defensiva e justificou a preocupação com as declarações de Putin sobre as intenções de Moscou. Segundo Streeting, as garantias de que a Rússia não pretende provocar uma guerra com a Otan lembram as declarações feitas pelo presidente russo sobre a Ucrânia poucos dias antes da invasão do país.

Streeting também acusou o Kremlin de coordenar o que classificou como “terrorismo patrocinado pelo Estado” contra integrantes da aliança militar. O ministro mencionou as ameaças enfrentadas pela Polônia, incluindo incursões de drones que exigem a mobilização diária das defesas aéreas do país.

“Quando a Polônia fala, o Reino Unido responde. Ouvimos claramente o que a Polônia enfrenta todos os dias na forma daquilo que alguns descrevem como ameaças híbridas da Rússia”, afirmou Streeting. “Prefiro descrever isso de maneira mais direta como terrorismo patrocinado pelo Estado.”

O ministro britânico acrescentou que a Rússia tem colocado à prova não apenas a Polônia, mas também a determinação dos demais integrantes da Otan.

Durante a visita à capital polonesa, Streeting assinou um acordo de cooperação em defesa entre o Reino Unido e a Polônia. Ao lado dele, o ministro da Defesa polonês, Władysław Kosiniak-Kamysz, defendeu uma aproximação entre os britânicos e a União Europeia, especialmente no setor de defesa.

A Polônia pretende transformar o atual momento de risco para a Europa em uma oportunidade para ampliar a cooperação na indústria militar. Kosiniak-Kamysz afirmou que os dois países compartilham posições sobre a produção de armamentos e que Varsóvia trabalhará para ampliar a participação britânica em iniciativas da União Europeia voltadas à segurança.

“Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para garantir que o Reino Unido desempenhe um papel mais significativo e possa participar das iniciativas da União Europeia destinadas a construir segurança”, declarou o ministro polonês.

Kosiniak-Kamysz também destacou a importância da parceria transatlântica com os Estados Unidos. Segundo ele, tanto a Polônia quanto o Reino Unido estão comprometidos com o fortalecimento dessa relação e com o desenvolvimento de capacidades próprias de defesa na Europa.

O ministro polonês afirmou que ampliar a autonomia europeia não significa buscar independência em relação aos Estados Unidos, mas reduzir a dependência daqueles que representam as principais ameaças ao continente. Para ele, a cooperação com Washington continua sendo indispensável.

Com informações da Reuters.

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Incêndio atinge comunidade na Coreia do Sul e afeta 107 pessoas

Um incêndio começou nesta terça-feira (27) na vila de Guryong, uma comunidade de moradias precárias no sofisticado distrito de Gangnam, em Seul, afetando 77 residências e 107 pessoas, informou a agência de notícias sul-coreana Yonhap.

Nenhum ferido ou vítima fatal havia sido registrado, informou um oficial do Corpo de Bombeiros à Reuters. Segundo a Yonhap, os moradores foram evacuados para um abrigo de emergência.

O Corpo de Bombeiros mobilizou 232 profissionais e 70 veículos para combater o incêndio, que começou por volta das 15h50, no horário local (6h50 GMT), em uma estrutura temporária, informou a Yonhap. Seis helicópteros foram enviados para impedir que o fogo se alastrasse para uma montanha próxima.

Guryong, frequentemente descrita como a maior comunidade de moradias precárias remanescente de Seul, surgiu nas décadas de 1970 e 1980, quando famílias deslocadas por obras públicas se instalaram nos limites de Gangnam sem autorização. As casas, construídas muito próximas umas das outras, utilizam materiais inflamáveis, como lonas de vinil e compensado de madeira.

Um grande incêndio na comunidade, em janeiro, obrigou centenas de moradores a deixar suas casas.

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Iraque condena 6 franceses à prisão perpétua por integrar Estado Islâmico

Um tribunal iraquiano condenou, nesta terça-feira (27), seis cidadãos franceses à prisão perpétua e um sétimo a 15 anos de prisão, após considerá-los culpados de integrar o Estado Islâmico, informou uma testemunha da Reuters presente no tribunal.

Os homens estavam entre os 47 franceses suspeitos de integrar o Estado Islâmico que foram transferidos, no ano passado, de centros de detenção no nordeste da Síria para o Iraque, como parte de um acordo mais amplo de transferência coordenado pelas forças dos Estados Unidos e pelas autoridades iraquianas.

O juiz que presidiu o julgamento afirmou que as penas foram impostas com base na lei antiterrorismo do Iraque, por adesão ao Estado Islâmico e disseminação do medo. Ele acrescentou que o tribunal optou pela prisão perpétua, em vez da pena de morte, porque os réus eram jovens.

Um sétimo cidadão francês, de 23 anos, recebeu uma pena de 15 anos de prisão, segundo a testemunha da Reuters.

Abbas al-Maliki, um dos advogados dos réus, afirmou que o grupo recorrerá da sentença à Corte de Cassação.

O Iraque iniciou o julgamento dos cidadãos franceses no mês passado.

O Estado Islâmico conquistou grandes áreas do Iraque e da Síria em 2014, antes de ser expulso de seu autoproclamado califado, em 2019, por uma coalizão liderada pelos Estados Unidos e por forças locais. Muitos integrantes do grupo foram detidos, embora remanescentes da organização jihadista continuem em atividade.

Os Estados Unidos anunciaram, em janeiro, que haviam iniciado a transferência de detidos do Estado Islâmico da Síria para o Iraque, em meio a preocupações com a segurança das instalações de detenção no nordeste sírio, após forças lideradas por curdos perderem o controle de partes da região.

*Reportagem de Muayad Hameed; redação de Ahmed Rasheed; edição de Sharon Singleton.

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