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Líder árabe diz estar pronto para apoiar bloco de oposição em Israel

29 October 2026 at 01:00

Um importante líder político árabe afirmou estar disposto a ajudar o bloco de oposição liderado por Gadi Eisenkot a formar um governo minoritário para destituir o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

“Se eles quiserem nossa ajuda, estaremos lá para ajudar”, disse Ahmad Tibi, chefe da bancada parlamentar da Lista Conjunta, em entrevista à CNN. “Queremos apoiar o candidato da oposição. Isso é importante. Precisa ser feito.”

Tibi afirmou que sua coalizão não pretende integrar um governo liderado por Eisenkot nem reivindicar cargos ministeriais. Segundo ele, a única exigência é que o próximo governo se comprometa a combater a criminalidade que afeta a comunidade árabe e a interromper a demolição de casas de beduínos, práticas que se intensificaram durante o governo Netanyahu.

A Lista Conjunta, de Tibi, e o Raam, outro partido com maioria árabe, devem conquistar, segundo as projeções, um número recorde de 19 cadeiras no Parlamento israelense, que tem 120 assentos. Isso ocorre após os cidadãos palestinos de Israel comparecerem às urnas em número recorde na quarta-feira, com participação próxima de 80%.

Os principais partidos da oposição descartaram formar um governo com os partidos árabes. No entanto, o apoio político desses partidos, mesmo sem participação direta no governo, poderia fornecer a Eisenkot o respaldo necessário para formar um governo minoritário.

Tibi afirmou que, para isso, Eisenkot e sua coalizão precisarão “ser corajosos” diante das críticas de Netanyahu a qualquer tentativa de formar um governo com a ajuda dos partidos árabes de Israel.

Tibi disse ter recebido centenas de ligações e mensagens desde a divulgação das primeiras pesquisas de boca de urna, inclusive de uma “figura importante” do bloco de oposição, embora não do próprio Eisenkot.

Segundo ele, transmitiu a mensagem de que a Lista Conjunta está “pronta” e “disposta” a ajudar a abrir caminho para um governo diferente. Ressaltou, porém, que isso só será possível se os integrantes da oposição tiverem coragem suficiente para levar a iniciativa adiante.

Knesset, Likud: Entenda os principais termos da eleição de Israel

Urnas fecham em Israel em disputa que vai definir futuro de Netanyahu

27 October 2026 at 20:00

As urnas fecharam nesta terça-feira (27) em Israel, após uma eleição parlamentar que pode definir o futuro político do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. O premiê tenta permanecer no cargo em meio a críticas de rivais políticos, enquanto as pesquisas pré-eleitorais indicam que seu bloco não deve conquistar a maioria das cadeiras no Parlamento.

O principal adversário, Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, também não deve alcançar sozinho o número necessário para formar uma maioria.

Segundo o Comitê Central Eleitoral de Israel, órgão responsável pela organização e apuração do pleito, cerca de 7,3 milhões de eleitores estão registrados e aptos a votar. As eleições ocorrem em aproximadamente 12 mil seções eleitorais. O voto é permitido a cidadãos com mais de 18 anos e não é obrigatório no país.

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Esta é a primeira vez desde 1988 que uma legislatura israelense consegue completar integralmente o período do mandato, sem uma dissolução antecipada. O resultado da votação será determinante para a composição do Knesset, o Parlamento israelense, que possui 120 cadeiras.

A eleição ocorre em meio às consequências do ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que deu início à atual guerra no Oriente Médio. Na ocasião, mais de 1.200 pessoas morreram e 251 foram levadas como reféns.

Em resposta ao ataque, o governo de Netanyahu lançou uma ofensiva militar contra a Faixa de Gaza. Desde o início da guerra, mais de 75 mil pessoas foram mortas no território palestino.

Como funcionam as eleições em Israel? 

Israel funciona com um sistema parlamentarista e, por isso, tem um chefe de Estado e um chefe de governo. A função de chefe de Estado, marcada principalmente por obrigações cerimoniais e formais, é exercida pelo presidente, cargo atualmente ocupado por Isaac Herzog. Já a função de chefe de governo fica a cargo do primeiro-ministro, atualmente Benjamin Netanyahu.

No sistema parlamentarista, a direção dos assuntos de interesse público é atribuída a um gabinete ministerial formado no parlamento e liderado pelo premiê. O parlamento israelense é chamado de Knesset e reúne 120 membros, eleitos a cada quatro anos, em uma única câmara.

A população vota para eleger os integrantes do Knesset, que, por sua vez, escolhem quem será o primeiro-ministro. Para conquistar um assento no Parlamento, os partidos precisam superar a cláusula de barreira de 3,25% dos votos.

Nenhum partido jamais conquistou os 61 assentos necessários para ter maioria absoluta no Knesset e governar sozinho. Por isso, os governos costumam ser formados por coalizões, frequentemente instáveis.

O voto é facultativo e é um direito garantido a todos os cidadãos israelenses maiores de 18 anos. A votação é feita em cédulas de papel.

Quem são os principais rivais de Netanyahu?

O ex-chefe militar Gadi Eisenkot, que perdeu um filho na Faixa de Gaza, é o principal rival de Netanyahu nas eleições.

Eisenkot projetou uma imagem de alguém de fora da política tradicional — um soldado e defensor de uma linha dura em segurança —, cuja origem humilde e sacrifícios familiares contrastam fortemente com as décadas de Netanyahu em altos cargos e com as acusações de corrupção contra ele.

Há também os ex-primeiros-ministros Naftali Bennett e Yair Lapid, cuja aliança, apesar de estarem em lados opostos do espectro político, tirou Netanyahu do poder nas eleições de 2021.

Eles formaram um governo heterogêneo composto por partidos liberais e conservadores e, pela primeira vez na história de Israel, por um partido árabe islâmico. A administração durou 18 meses.

O ex-ministro da Defesa, Avigdor Lieberman, já foi assessor e aliado de Netanyahu e também aparece como possível rival.

Com uma postura ainda mais linha-dura que a de seu antigo chefe, Lieberman deixou o governo em 2018, acusando o primeiro-ministro de ser brando demais com combatentes palestinos em Gaza. Desde então, tornou-se um dos críticos mais ferrenhos de Netanyahu.

Quais são as principais forças na disputa?

As principais forças que disputam a eleição são o Likud, partido de direita do premiê Benjamin Netanyahu, e o partido de centro Yashar, liderado por Gadi Eisenkot.

Netanyahu e o Likud governam o país desde 2009, com uma breve interrupção entre junho de 2021 e dezembro de 2022. Atualmente, o partido governa por uma coalizão com o partido Sionismo Religioso, do ministro das Finanças Bezalel Smotrich, defensor dos assentamentos na Cisjordânia, e com Poder Judaico, do ministro de Segurança Nacional Itamar Ben-Gvir, que propõe expulsar os palestinos de Gaza.

A coalizão também era integrada pelo partido Judaísmo Unido da Torá, que renunciou devido à disputa sobre o recrutamento militar obrigatório de judeus ultraortodoxos.

Analistas apontam que, para conseguir governar e para tentar garantir o apoio dos partidos Haredi e de siglas da ultradireita, Netanyahu fez várias concessões.

Em julho, a coalizão do Likud pressionou pela aprovação da isenção do recrutamento obrigatório para os ultraortodoxos, por exemplo. Já o Partido Sionista Religioso, de Smotrich, conseguiu que o governo aprovasse um pacote de centenas de milhões de dólares para financiar assentamentos na Cisjordânia ocupada.

Em troca, esses partidos apoiaram várias iniciativas do governo, incluindo uma legislação para limitar a autoridade do procurador-geral e um projeto de lei para reformular as regras de radiodifusão no país.

Mesmo assim, as últimas pesquisas apontam que a coalizão do Likud pode não ter apoio suficiente de partidos sectoriais ou mais à direita para formar maioria.

Já o Yashar foi criado em 2025 pelo ex-chefe do Estado Maior das Forças de Defesa de Israel, Gadi Eisenkot, escolhido pelo próprio Netanyahu e agora visto como seu principal concorrente. O filho de Eisenkot foi morto no conflito em Gaza, e o ex-chefe militar que integrava o gabinete de guerra de Netanyahu passou a criticar a conduta do governo por falta de uma estratégia clara.

Filho de imigrantes marroquinos, Eisenkot projeta a imagem de um militar de carreira e outsider da política, buscando contrastar com as décadas de Netanyahu no poder. Mas ele não deve suavizar a política regional de Israel: o general foi uma figura central na elaboração da estratégia militar israelense de uso de força massiva, inclusive contra infraestrutura civil, como forma de dissuasão após a guerra do Líbano de 2006, além de ter participado do planejamento estratégico no início da guerra em Gaza.

Em terceiro lugar nas pesquisas aparece o partido Juntos (Beyachad), fundado pelo direitista Naftali Bennett e pelo centrista Yair Lapid.

Os dois formaram uma coalizão improvável em 2022 e interromperam 12 anos seguidos de governo Netanyahu, e agora uniram forças para fundar um partido. Eles apostam em reformas internas, inclusive sobre o serviço militar obrigatório para os ultraortodoxos, mas também não devem adotar estratégias muito diferentes do atual governo para a segurança nacional e a política externa.

“O que Netanyahu tenta fazer agora é impedir que a oposição consiga mais de 60 parlamentares, a ponto de formar uma coalizão […] Ele também tem o desafio de levar às urnas os eleitores, principalmente os mais moderados, que estão descontentes com o desempenho do governo e com as grandes rupturas sociais causadas por ele”, afirma João Koatz Miragaya, mestre em História pela Universidade de Tel Aviv e colaborador do Instituto Brasil Israel.

Para a oposição, essa tem sido considerada a eleição mais importante da história de Israel, explica o professor de Sociologia da UFRJ e Coordenador do Núcleo de Estudos Judaicos, Michel Gherman.

“Ao que tudo indica, o nível de participação deve ser acima do normal entre grupos urbanos, seculares e árabes, que votam menos, normalmente. Já os grupos pró-Netanyahu têm estado menos entusiasmados e demonstrado menos confiança no Parlamento”, diz Gherman.

O que é o Knesset, o Parlamento de Israel?

 

Eleições em Israel atraem atenção internacional em meio a conflitos

27 October 2026 at 19:00

Para um país do tamanho de Nova Jersey, Israel recebe uma parcela desproporcional da atenção internacional e das manchetes. Certamente, a relação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu — e a guerra contra o Irã que os dois iniciaram juntos — é parte da explicação.

Amichai Cohen, vice-presidente de pesquisa do Instituto Israelense para a Democracia, apresentou à CNN outros três motivos pelos quais o mundo acompanha tão de perto esta eleição.

O primeiro, segundo ele, é a expectativa de que um governo diferente em Israel esteja disposto a se envolver mais na diplomacia no Oriente Médio, abrindo possibilidades para encerrar os conflitos no Irã, no Líbano, na Síria e em Gaza. “Talvez também existam caminhos para uma possível retomada das negociações com os sauditas” em direção à normalização das relações, afirmou.

Ainda assim, Cohen disse não acreditar na possibilidade de uma mudança drástica nessa questão. “Não acho que exista uma grande diferença entre (Gadi) Eisenkot e Netanyahu em relação aos detalhes — que Eisenkot de repente se transforme em Yitzhak Rabin e chegue a um acordo de paz com quem quer que seja. Na verdade, não acho que isso esteja em discussão”, declarou.

O mundo também acompanha de perto o que acontecerá na Cisjordânia ocupada. O governo de Netanyahu promoveu uma ampla expansão dos assentamentos israelenses, ao mesmo tempo que minimizou o aumento da violência de colonos contra palestinos. O Reino Unido e outros 12 países estão preparando sanções contra os assentamentos israelenses, e essa lista poderá crescer caso um novo governo Netanyahu mantenha a mesma política de consolidar o controle de Israel sobre o território.

Por fim, Cohen afirmou à CNN que Israel passou a ser visto internacionalmente como um país em declínio democrático. O governo de Netanyahu promoveu uma reforma judicial que enfraqueceria os mecanismos de controle e equilíbrio entre os poderes e ampliaria os ataques à imprensa.

“A questão de saber se as forças contrárias ao populismo conseguirão recuperar a democracia é importante em todo o mundo, e Israel é, em certa medida, uma parte importante dessa discussão”, afirmou Cohen.

O que é o Knesset, o Parlamento de Israel?

Eleitores árabes em Israel esperam mudança de governo nas eleições

27 October 2026 at 18:45

Eleitores árabes em Israel afirmaram que pretendem comparecer em peso às urnas nesta terça-feira (27), na tentativa de tirar o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu do poder e eleger parlamentares que priorizem o combate à discriminação contra a população árabe.

“Desta vez, francamente, nós, árabes daqui, estamos sendo oprimidos por um governo corrupto”, afirmou Adel Amer, morador da cidade de Kafr Qassem, de maioria árabe, em entrevista à CNN. Ele disse que pretende votar especificamente contra o atual governo e os ministros de extrema direita.

“Estamos respondendo a Ben-Gvir, a Smotrich e a Netanyahu”, declarou Amer, em referência aos políticos Itamar Ben-Gvir, Bezalel Smotrich e Benjamin Netanyahu. “Vamos votar, vamos fazer a diferença e vamos mudar este governo.”

Outro morador da cidade, o médico Ayman Odeh, afirmou que a eleição deste ano parece diferente das anteriores. Segundo ele, suas esperanças estão depositadas nos parlamentares árabes que disputam vagas no Parlamento israelense, o Knesset.

“Espero sinceramente que, desta vez, eles se unam e trabalhem juntos no Knesset para ajudar os árabes”, disse Odeh. “Que ponham fim ao racismo e à discriminação, para que possamos começar a sentir que somos todos membros iguais desta sociedade — que este país é o nosso país.”

Duas das principais legendas de maioria árabe que disputam as eleições são o Raam, de Mansour Abbas, e a Lista Conjunta, de Yousef Jabareen. Embora outros partidos dificilmente formem um governo de coalizão com essas siglas, ambas podem ser importantes para a formação de um bloco contrário a Netanyahu, oferecendo apoio externo a uma eventual aliança.

Sujood Amer, outra moradora de Kafr Qassem, afirmou que é essencial que todos votem na tentativa de promover mudanças, “por menores que sejam”.

“Se Deus quiser, estas eleições serão decisivas e trarão mudanças”, disse ela à CNN. “Sabemos e temos certeza de que não será uma mudança radical, mas será melhor do que a situação em que vivemos atualmente.”

O que é o Knesset, o Parlamento de Israel?

 

Líderes de partidos de oposição votam nas eleições gerais de Israel

27 October 2026 at 13:16

Candidatos da oposição nas eleições nacionais de Israel também já depositaram seus votos.

No total, 37 partidos disputam o pleito, embora a maioria não deva atingir a quantidade mínima de votos necessária para conquistar uma cadeira no parlamento israelense.

Os candidatos podem continuar fazendo campanha ao longo do dia, em um esforço de última hora para mobilizar o eleitorado.

O ex-primeiro-ministro de Israel, Naftali Bennett — líder do partido que, provisoriamente, leva o nome de “Bennett 2026” —, declarou que este é “um dia decisivo para o futuro do nosso país” ao depositar seu voto na urna.

Bennett votou na cidade de Ra’anana, em Israel.

“Com a ajuda de Deus, promoveremos uma correção imensa e histórica, e construiremos um futuro extraordinário para nossos filhos, por meio de uma revolução na prestação de serviços, uma nova ordem social para Israel e um povo israelense seguro”, afirmou um porta-voz de Bennett, enquanto a campanha seguia em sua reta final, antes do encerramento da votação às 22h (horário local).

O líder do partido Democratas, Yair Golan, votou na cidade de Rosh Haayin, em Israel. “Uma manhã de grande esperança. Nesta manhã, iniciamos a jornada para reconstruir Israel — tornando-o melhor: melhor para seus cidadãos, melhor para sua prosperidade e para o seu sucesso renovado”, disse Golan ao votar.

Enquanto isso, em Tel Aviv, o líder da oposição, Yair Lapid, votou ao lado de sua esposa.

O ex-ministro da Defesa de Israel e líder do partido Yisrael Beiteinu, Avigdor Lieberman, votou na localidade de Nokdim, na Cisjordânia ocupada.

Conclamando a todos a “saírem de casa e votarem”, Lieberman afirmou: “Estou confiante de que amanhã acordaremos para um novo dia, no qual poderemos formar uma coalizão sionista”.

Knesset, Likud: Entenda os principais termos da eleição de Israel

 

Benjamin Netanyahu vota em eleições de Israel

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu — líder do partido Likud — e sua esposa, Sara Netanyahu, votaram para as eleições de Israel em Jerusalém na manhã desta terça-feira (27).

Já detentor do recorde de maior tempo no cargo de primeiro-ministro de Israel, Netanyahu concorre a um sétimo mandato, um feito inédito.

“É um momento muito emocionante e decisivo. Minha esposa e eu estamos impressionados… Sabemos muito bem o que está em jogo e, como não posso ser explícito, direi apenas: votem corretamente”, afirmou Netanyahu nesta terça-feira, ao depositar seu voto na urna. “É isso que estamos fazendo pelo futuro do Estado de Israel.”

Ele tenta se manter no cargo em meio a críticas de rivais políticos.

Essa é a primeira vez desde 1988 que uma legislatura consegue completar o tempo integral do mandato, sem uma dissolução antecipada.

Políticos de Israel intensificam esforços de campanha em meio a votação

27 October 2026 at 13:04

Enquanto eleitores por todo Israel se dirigem às urnas, alguns dos líderes do país já votaram e incentivam a população a fazer o mesmo.

Gadi Eisenkot, principal adversário do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu nesta eleição e líder do novo partido Yashar, foi até a região próxima à Faixa de Gaza para encontrar Gadi Mozes, um dos reféns israelenses capturados durante os ataques de 7 de outubro e, posteriormente, libertado pelo Hamas.

“Comprometo-me a fazer todo o possível para sermos dignos do preço que você pagou, que o kibutz pagou e que todos nós pagamos, e para trazer cura e reparação a todos os cidadãos de Israel”, disse Eisenkot a Mozes.

“Prometo a você que farei tudo o que estiver ao meu alcance para ser digno da sua confiança. Trarei uma liderança que une. Serei o primeiro-ministro de todos — caso vocês me escolham”, completou ele.

Seus oponentes também se manifestaram publicamente nesta terça-feira.

“Convoco todos os cidadãos de Israel a saírem de casa e votarem. Não estamos apostando com a nossa segurança, com a nossa existência ou com a nossa identidade”, declarou o ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, de ultradireita, após votar.

Em certo momento, uma mulher no local de votação abordou Smotrich para agradecê-lo.

O ministro da Defesa, Israel Katz, aliado de longa data de Netanyahu, descreveu a eleição como uma escolha entre uma “abordagem decisiva” para a segurança de Israel — ou “um retorno à política de contenção e moderação”.

O presidente Isaac Herzog e o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, publicaram fotos em que aparecem depositando seus votos em papel nas urnas.

“Convoco todos os cidadãos e cidadãs do país — somos todos iguais; hoje é o dia de comparecer, de exercer influência e de votar”, afirmou Herzog em um comunicado. “Amanhã, continuaremos todos aqui, juntos — não temos outro país.”

Benjamin Netanyahu vota em eleições de Israel

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu — líder do partido Likud — e sua esposa, Sara Netanyahu, votaram para as eleições de Israel em Jerusalém na manhã desta terça-feira (27).

Já detentor do recorde de maior tempo no cargo de primeiro-ministro de Israel, Netanyahu concorre a um sétimo mandato, um feito inédito.

“É um momento muito emocionante e decisivo. Minha esposa e eu estamos impressionados… Sabemos muito bem o que está em jogo e, como não posso ser explícito, direi apenas: votem corretamente”, afirmou Netanyahu nesta terça-feira, ao depositar seu voto na urna. “É isso que estamos fazendo pelo futuro do Estado de Israel.”

Ele tenta se manter no cargo em meio a críticas de rivais políticos.

Essa é a primeira vez desde 1988 que uma legislatura consegue completar o tempo integral do mandato, sem uma dissolução antecipada.

O que é o Knesset, o Parlamento de Israel?

 

Famílias em Israel homenageiam vítimas do 7 de outubro em meio às eleições

27 October 2026 at 12:08

Os familiares daqueles que foram mortos e levados como reféns no dia 7 de outubro de 2023 se reuniram na Praça dos Reféns, em Tel Aviv, para um minuto de silêncio às 6h29 da manhã, marcando o momento em que os homens armados liderados pelo Hamas iniciaram o ataque.

Em uma declaração, as famílias reiteraram sua exigência por uma comissão estatal de inquérito sobre o ataque e também apelaram aos israelenses para que “se lembrem dos entes queridos que perderam e levem sua memória” ao votar.

“Vamos demonstrar responsabilidade e trazer mudança, uma investigação estatal, esperança, correção e reparação para nós e para o nosso Estado”, disse Yona Adam por meio do comunicado.

Sua filha Mapal Adam foi morta no festival de música Nova, disse ela.

Sigal e Menashe Mansuri, que também disseram ter perdido suas filhas no festival de música, acrescentaram: “Pedimos aos cidadãos de Israel: saiam e votem por nossas filhas e por todos. Lembrem-se delas e da falha que levou ao terrível massacre na nossa história.

Votem com responsabilidade. Votem por uma comissão estatal de inquérito. Votem por mudança. Votem por esperança.”

História de Israel: relação com Gaza e o que você precisa saber

 

Israel registra maior participação eleitoral inicial em 45 anos

27 October 2026 at 12:01

Nas primeiras horas de votação nas eleições de Israel, a taxa de comparecimento às urnas atingiu o nível mais alto dos últimos 45 anos, segundo a Comissão Central de Eleições do país.

Até as 10h (horário local), o comparecimento era de 16,68%, informou a comissão — um índice superior ao registrado no mesmo horário há quatro anos, que foi de 15,9%.

Trata-se da maior taxa de comparecimento desde 1981, afirmou a comissão em uma coletiva de imprensa realizada pela manhã.

 

Ofer Kenig, pesquisador do Instituto de Democracia de Israel, avaliou que o dado demonstra que os israelenses veem, claramente, as eleições como um momento decisivo, embora tenha ressaltado que ainda é cedo para tirar conclusões mais amplas.

“Acredito que seja um sinal de entusiasmo, de que muitos israelenses percebem estas eleições como algo muito significativo — eleições cruciais”, disse Kenig à CNN.

Ele ponderou, contudo, que é preciso cautela, uma vez que o comparecimento ainda não apresenta uma diferença drástica em relação ao pleito anterior.

“Vamos acompanhar como a situação evolui ao longo do dia”, disse ele.

Ainda assim, o ministro das Finanças, Bezalel Smotrich — um político de ultradireita —, tentou usar o dado para mobilizar sua própria base eleitoral.

Em uma publicação na rede social X, ele afirmou: “O alto índice de comparecimento é resultado de taxas excepcionais de participação no setor árabe e nos redutos de esquerda”.

נתון הצבעה הגבוה הוא תוצאה של אחוזי הצבעה חריגים במגזר הערבי ובמעוזי השמאל. על בסיס הנתונים שפורסמו – אין שום סיכוי בעולם שהמפלגות שנמצאות מתחת לאחוז החסימה יעברו. אני קורא לכם, מצביעים יקרים: הצביעו רק למפלגות שבטוח עוברות את אחוז החסימה. אל תזרקו לפח את הקול שלכם.

— בצלאל סמוטריץ’ (@bezalelsm) October 27, 2026

 

Knesset, Likud: Entenda os principais termos da eleição de Israel

 

 

Gadi Eisenkot vota em eleições de Israel

27 October 2026 at 11:28

O Ex-chefe militar Gadi Eisenkot votou para as eleições de Israel na manhã desta terça-feira (27), na cidade litorânea de Herzliya, no norte de Tel Aviv.

Eisenkot, principal rival do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, passou o restante da manhã visitando outros locais de votação para cumprimentar os eleitores.

“Sugiro não se deixar levar pelas táticas de medo de Netanyahu… Ele faz isso em todas as campanhas eleitorais”, disse Eisenkot do lado de fora do local de votação, após registrar seu voto.

“Estas são eleições cruciais — a vitória não está garantida; este pode ser o momento mais decisivo desde a fundação do Estado”, acrescentou ele. “Convoco todos os israelenses a irem votar e a manterem o compromisso com a missão de substituir o pior governo desde a fundação do Estado.”

O líder veterano apresenta um contraste claro em relação ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

Gadi Eisenkot propõe ruptura com atual governo sem abrir mão da postura de linha-dura na segurança nacional. Pesquisas de opinião mostram o partido de Eisenkot, o Yashar, à frente do Likud, de Netanyahu; contudo, dada a fragmentação da política israelense, não há garantia de que qualquer um deles consiga formar o próximo governo.

Seu estilo público rígido também o diferencia de Netanyahu, um político expansivo e combativo que responde a processos por corrupção e que, segundo pesquisas, é amplamente responsabilizado pelas falhas de segurança relacionadas ao ataque de 7 de outubro.

Além de defender a eliminação das capacidades militares do Hamas, Eisenkot sustenta que o próximo governo de Israel deve impedir que o Irã adquira capacidade nuclear militar — seja por meio do uso da força ou de um acordo, como uma solução diplomática apoiada pelos Estados Unidos.

Essa é a primeira vez desde 1988 que uma legislatura consegue completar o tempo integral do mandato, sem uma dissolução antecipada.

Knesset, Likud: Entenda os principais termos da eleição de Israel

 

Ministro da Segurança Nacional de Israel vota em eleições

27 October 2026 at 11:11

O ministro da Segurança Nacional de Israel e líder de ultradireita Itamar Ben-Gvir, votou em uma seção eleitoral no assentamento judaico de Kiryat Arba, na Cisjordânia — território ocupado por Israel —, nesta terça-feira (27).

“Bem, isso é muito importante e, com a ajuda de Deus, podemos conseguir; podemos vencer. Porque, se o outro lado formar um governo, será um governo de Mansour Abbas [parlamentar árabe]. Sei qual é a minha missão e sei o quão importante ela é”, disse Ben-Gvir, ao convocar todos os cidadãos israelenses a exercerem seu direito ao voto.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu enfrentou uma batalha pela política de sobrevivência nas eleições de Israel.

Os governantes avaliaram sua liderança após os ataques liderados pelo Hamas em 2023, como as guerras em Gaza e com o Irã, além do crescente isolamento internacional de Israel.

Pesquisas de opinião indicam uma disputa acirrada entre o partido Likud, de Netanyahu, e seus aliados de direita, contra uma aliança rival liderada por Gadi Eisenkot — ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas e figura de linha-dura na área de segurança, que conta com apoio tanto da direita quanto do centro.

Netanyahu pode, mais uma vez, depender dos líderes de ultradireita Itamar Ben-Gvir e Bezalel Smotrich para formar um governo.

Ambas as negociações de alguns países ocidentais, que os acusam de incitar a violência contra os palestinos.

Ao mesmo tempo, o partido de Ben-Gvir, “Poder Judeu” (Otzma Yehudit), tem ganho apoio nas pesquisas de opinião.

O que é o Knesset, o Parlamento de Israel?

 

Quais problemas são importantes para Israel nessa eleição?

27 October 2026 at 11:09

Em Israel, a segurança e a prestação de contas são forças eleitorais poderosas após anos de guerra. No entanto, pesquisas de opinião sugerem que o custo de vida também seja uma preocupação central para muitos eleitores — particularmente para os mais jovens.

De acordo com a pesquisa mais recente do Channel 12, 21% dos israelenses classificam a economia e o custo de vida como sua principal prioridade na eleição — à frente do alistamento militar dos ultraortodoxos (17%), da falha de segurança de 7 de outubro de 2023 (14%) e da guerra com o Irã (10%).

Apesar desses números, a economia não vinha sendo um tema central na campanha — até este fim de semana, quando Netanyahu a colocou no topo da agenda. Em uma entrevista ao Channel 10 focada na economia, Netanyahu disse que Israel deveria se preparar para possíveis sanções bancárias internacionais devido aos assentamentos israelenses na Cisjordânia, desenvolvendo “uma economia que possa contorná-las”.

Ele afirmou que criptomoedas e blockchain estão sendo consideradas e que solicitou um plano para lidar com a questão. O Banco de Israel rejeitou publicamente a ideia, afirmando que “as criptomoedas não podem servir como meio para contornar sanções”.

Os principais rivais de Netanyahu retrataram sua proposta como uma prova de que ele espera que Israel fique mais isolado. O candidato da oposição Gadi Eisenkot, que debochou da ideia chamando-a de “BibiCoin”, classificou-a como uma “ameaça à segurança nacional”, acusando Netanyahu de planejar “desmantelar a economia israelense para as próximas gerações”.

História de Israel: relação com Gaza e o que você precisa saber

O que é a cláusula de barreira nas eleições de Israel?

27 October 2026 at 11:00

Nesta terça-feira (27), Israel realizará as eleições para o Knesset, o Parlamento do país, que irão definir quem será o novo primeiro-ministro, responsável por governar. O cargo hoje é ocupado por Benjamin Netanyahu.

O Knesset é composto por 120 parlamentares, então, para obter a maioria, é necessário conseguir 61 cadeiras ou formar uma coalizão de partidos que atinja esse número. 

Contudo, diferentemente do Brasil, em que a população vota diretamente em um deputado, em Israel a votação é para um partido e não em uma pessoa em específico. 

Cada partido monta uma lista de pessoas em uma espécie de “ordem de importância ou prioridade” de quem assumirá as cadeiras que a legenda conseguir na eleição. Exemplo: O número 1 da lista do partido Likud é reservado para o presidente da legenda, Benjamin Netanyahu. Já o segundo da lista é o ministro Eli Cohen. A ordem dos políticos é definida no Likud com base em primárias internas do partido. 

Nas eleições legislativas de Israel, para que um partido entre no Parlamento e consiga uma cadeira, ele precisa superar uma espécie de “nota de corte mínima” de número de votos. 

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A cláusula de barreira é o nome dado à porcentagem mínima de 3,25% dos votos válidos que um partido precisa obter para eleger representantes no Parlamento israelense. O percentual equivale na prática a quatro deputados. 

Nesta eleição de 2026, 38 partidos participam, mas, segundo especialistas, cerca de 23 deles não devem atingir a cláusula de barreira e não vão conseguir cadeiras. 

Em toda a história de Israel, nenhum partido conseguiu sozinho a maioria absoluta de 61 dos 120 assentos do Knesset. Por isso, sempre são necessárias coalizões de mais de um partido para que se forme uma base de governo. 

No caso de uma negociação bem-sucedida, os partidos assinam um documento de acordo de coalizão que contém também um nome indicado para ser primeiro-ministro. O nomeado então apresenta ao plenário do Knesset o novo governo e os deputados fazem um voto de confiança. No caso da aprovação, há um juramento e posse do novo premiê. 

Contudo, caso as negociações falhem e não seja possível chegar a uma base para formar um governo, novas eleições são convocadas. 

A cláusula da barreira no Brasil

O Brasil também detém esta cláusula. Contudo, aqui o mecanismo também é chamado de cláusula de desempenho. 

Trata-se de uma regra eleitoral que limita o acesso dos partidos políticos ao tempo de propaganda gratuita no rádio e na televisão e ao fundo partidário, uma verba pública distribuída pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e doações privadas para manutenção dos partidos políticos. 

Segundo o site do TSE, os critérios da cláusula são: a eleição de pelo menos 11 deputados federais, distribuídos em pelo menos nove unidades da Federação; ou a obtenção de, no mínimo, 2% dos votos válidos nas eleições para a Câmara dos Deputados, distribuídos em pelo menos nove unidades da Federação, com um mínimo de 1% dos votos válidos em cada uma delas.

Caso um partido não ultrapasse a cláusula no Brasil, os representantes eleitos ainda podem tomar posse, porém o grupo perde o direito de utilizar o fundo partidário e o tempo de propaganda gratuita.

O que é o Knesset, o Parlamento de Israel?

*Com supervisão de Derla Cardoso

Benjamin Netanyahu vota em eleições de Israel

27 October 2026 at 10:30

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu — líder do partido Likud — e sua esposa, Sara Netanyahu, votaram para as eleições de Israel em Jerusalém na manhã desta terça-feira (27).

Já detentor do recorde de maior tempo no cargo de primeiro-ministro de Israel, Netanyahu concorre a um sétimo mandato, um feito inédito.

“É um momento muito emocionante e decisivo. Minha esposa e eu estamos impressionados… Sabemos muito bem o que está em jogo e, como não posso ser explícito, direi apenas: votem corretamente”, afirmou Netanyahu nesta terça-feira, ao depositar seu voto na urna. “É isso que estamos fazendo pelo futuro do Estado de Israel.”

Ele tenta se manter no cargo em meio a críticas de rivais políticos.

Essa é a primeira vez desde 1988 que uma legislatura consegue completar o tempo integral do mandato, sem uma dissolução antecipada.

*Matéria em atualização.

Eleições em Israel: Herzog vota em pleito decisivo após período de crise

27 October 2026 at 08:58

O presidente israelense Isaac Herzog chegou a uma seção eleitoral em Jerusalém na manhã desta terça-feira (27) para votar nas eleições parlamentares.

As pesquisas de opinião mostram uma disputa acirrada entre o partido Likud, de Netanyahu, e seus aliados de direita, e uma aliança rival liderada por Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas e linha-dura na área de segurança, com apoiadores na direita e no centro.

A eleição ocorre após um dos períodos mais turbulentos de Israel desde a sua criação em 1948, marcado pelo trauma dos ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023, pela subsequente ofensiva militar de Israel em Gaza e por profundas divisões internas sobre as políticas do governo de direita de Netanyahu.

“Michal e eu estamos muito orgulhosos de estar aqui hoje, enquanto milhões de israelenses vão às urnas votar e tomar seus destinos em suas próprias mãos em uma democracia verdadeira, orgulhosa e digna”, disse Herzog.

Na sequência, o presidente exaltou a democracia no país. “Esta é a história de Israel, um país incrível e uma nação incrível indo votar e decidindo qual é o nosso futuro e para onde estamos caminhando.”

Como mostrou a CNN, os israelenses vão às urnas nesta terça-feira em uma eleição decisiva para o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Essa é a primeira vez desde 1988 que uma legislatura consegue completar o tempo integral do mandato, sem uma dissolução antecipada.

As seções eleitorais abriram às 7h no horário local (2h no horário de Brasília), e os eleitores compareceram de forma constante ao longo da manhã. A votação está prevista para terminar às 22h (17h em Brasília).

O voto em Israel é para maiores de 18 anos e não é obrigatório. Segundo o Comitê Central Eleitoral do país, órgão governamental encarregado da organização e apuração das eleições, 7,3 milhões de eleitores estão registrados e aptos a votar nas cerca de 12 mil seções eleitorais.

Como funcionam as eleições em Israel? 

Israel funciona com um sistema parlamentarista e, por isso, tem um chefe de Estado e um chefe de governo. A função de chefe de Estado, marcada principalmente por obrigações cerimoniais e formais, é exercida pelo presidente, cargo atualmente ocupado por Isaac Herzog. Já a função de chefe de governo fica a cargo do primeiro-ministro, atualmente Benjamin Netanyahu.

No sistema parlamentarista, a direção dos assuntos de interesse público é atribuída a um gabinete ministerial formado no parlamento e liderado pelo premiê. O parlamento israelense é chamado de Knesset e reúne 120 membros, eleitos a cada quatro anos, em uma única câmara.

A população vota para eleger os integrantes do Knesset, que, por sua vez, escolhem quem será o primeiro-ministro. Para conquistar um assento no Parlamento, os partidos precisam superar a cláusula de barreira de 3,25% dos votos.

Nenhum partido jamais conquistou os 61 assentos necessários para ter maioria absoluta no Knesset e governar sozinho. Por isso, os governos costumam ser formados por coalizões, frequentemente instáveis.

O voto é facultativo e é um direito garantido a todos os cidadãos israelenses maiores de 18 anos. A votação é feita em cédulas de papel.

Quem são os principais rivais de Netanyahu?

O ex-chefe militar Gadi Eisenkot, que perdeu um filho na Faixa de Gaza, é o principal rival de Netanyahu nas eleições.

Eisenkot projetou uma imagem de alguém de fora da política tradicional — um soldado e defensor de uma linha dura em segurança —, cuja origem humilde e sacrifícios familiares contrastam fortemente com as décadas de Netanyahu em altos cargos e com as acusações de corrupção contra ele.

Há também os ex-primeiros-ministros Naftali Bennett e Yair Lapid, cuja aliança, apesar de estarem em lados opostos do espectro político, tirou Netanyahu do poder nas eleições de 2021.

Eles formaram um governo heterogêneo composto por partidos liberais e conservadores e, pela primeira vez na história de Israel, por um partido árabe islâmico. A administração durou 18 meses.

O ex-ministro da Defesa, Avigdor Lieberman, já foi assessor e aliado de Netanyahu e também aparece como possível rival.

Com uma postura ainda mais linha-dura que a de seu antigo chefe, Lieberman deixou o governo em 2018, acusando o primeiro-ministro de ser brando demais com combatentes palestinos em Gaza. Desde então, tornou-se um dos críticos mais ferrenhos de Netanyahu.

*Com informações de Andreea Popescu, da Reuters

Knesset, Likud: Entenda os principais termos da eleição de Israel

Urnas são abertas em Israel e Netanyahu enfrenta disputa decisiva

27 October 2026 at 06:23

Os israelenses vão às urnas nesta terça-feira (27) em uma eleição decisiva para o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Os eleitores avaliam sua liderança após os ataques liderados pelo Hamas em 2023, as guerras em Gaza e contra o Irã e o crescente isolamento internacional de Israel.

As seções eleitorais abriram às 7h no horário local (2h no horário de Brasília), e os eleitores compareceram de forma constante ao longo da manhã. A votação está prevista para terminar às 22h (17h em Brasília).

As pesquisas de opinião apontam uma disputa acirrada entre o partido Likud, de Netanyahu, e seus aliados de direita, e uma aliança rival liderada por Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas e defensor de uma linha dura em questões de segurança, que conta com apoiadores tanto na direita quanto no centro político.

A eleição ocorre após um dos períodos mais turbulentos da história de Israel desde sua fundação, em 1948. O cenário foi marcado pelo trauma dos ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023, pela subsequente ofensiva militar israelense em Gaza e por profundas divisões internas em torno das políticas do governo de direita de Netanyahu.

Discurso de medo às vésperas das eleições

Como mostrou a CNN, nos últimos dias de campanha antes das eleições desta terça-feira, Netanyahu publicou uma série de mensagens alarmistas que apelam ao medo e provocaram críticas, além de preocupações econômicas.

No domingo, o primeiro-ministro publicou nas redes sociais uma imagem gerada por inteligência artificial que mostra uma bomba atômica caindo sobre Tel Aviv. Na publicação, ele alertou que um Irã nuclear representa uma “ameaça existencial real e tangível” para Israel.

Netanyahu citou o comentarista de direita Yuval Bloomberg, que questionou, de forma retórica e dramática: “Se duas bombas atômicas caírem no centro do país, quem vai se importar com todas essas tempestades falsas?”.

A mensagem contradiz declarações do próprio Netanyahu ao fim da guerra de 12 dias contra o Irã, em junho de 2025. Na ocasião, ele afirmou que Israel havia “eliminado” a ameaça existencial representada pelas armas nucleares e pelos mísseis balísticos iranianos, em uma vitória que “perdurará por gerações”. Em março de 2026, durante a ofensiva conjunta de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã, ele declarou que o país já “não pode mais ameaçar nossa existência”.

Gadi Eisenkot, presidente do partido Yashar, condenou a publicação sobre a ameaça nuclear, classificando-a como “mais um vídeo para assustar”. Ele acusou o premiê de recorrer à “histeria, mentiras e disseminação do medo” e de “ameaçar os cidadãos israelenses com destruição em massa” após não atingir os objetivos da guerra contra o Irã.

Yair Golan, líder do partido de esquerda Democratas, escreveu no X: “O homem e seu entorno perderam o controle. A pressão está aumentando”.

A publicação sobre o Irã não é a única declaração recente de Netanyahu sob escrutínio. Em uma entrevista concedida durante o fim de semana ao Channel 10, com foco na economia, ele abordou a crescente onda de sanções internacionais contra os assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada.

Netanyahu afirmou que Israel deveria se preparar para possíveis sanções internacionais contra seu sistema bancário e desenvolver “uma economia capaz de contorná-las”. Segundo ele, criptomoedas e blockchain estão entre as alternativas consideradas, e ele pediu a elaboração de um plano para lidar com a situação.

A entrevista provocou duras críticas de economistas e levou até mesmo o Banco de Israel a emitir uma rara contestação pública. A instituição rejeitou a proposta, afirmando que “as criptomoedas não podem servir como meio de contornar sanções”.

Adversários de Netanyahu interpretaram a proposta como uma evidência de que ele espera que Israel fique economicamente isolado, em vez de trabalhar para evitar esse cenário.

*Com informações de Tal Shalev, da CNN

Knesset, Likud: Entenda os principais termos da eleição de Israel

 

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