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Exportação de frango do Brasil segue otimista após caso de Newcastle

As perspectivas para as exportações brasileiras de carne de frango seguem favoráveis apesar de ​um terceiro registro de Doença de Newcastle em Santa ​Catarina, considerando que os focos estão todos em uma mesma área e desde que o problema não se espalhe para outras regiões, avaliou um especialista do Rabobank nesta quarta-feira.

Na véspera, o Ministério da Agricultura reportou o terceiro caso da doença viral altamente contagiosa entre aves de Santa Catarina, segundo maior produtor de carne de frango do Brasil, maior exportador global do produto.

As três cidades ⁠com registro da doença — Nova Itaberaba, ​Coronel Freitas e Nova Erechim — em granjas de perus estão situadas dentro de ​um raio de aproximadamente 20 km, destacou o Rabobank, citando que importantes importadores declaram embargos ⁠a importações somente da região atingida, o que ⁠minimiza impactos para as exportações do país.

“Na minha avaliação, as perspectivas permanecem ​otimistas, ‌uma vez que os acordos de regionalização devem evitar interrupções significativas nos embarques”, disse o especialista ⁠Wagner Yanaguizawa, em avaliação do banco compartilhada com a Reuters.

Ele comentou que os dados preliminares de exportação de outubro, referentes às quatro primeiras semanas, indicam que os embarques diários médios cresceram 15% em relação ‌ao ⁠mesmo período do ‌ano anterior, apesar de o setor estar lidando com a situação desde 18 de outubro, data de detecção do primeiro foco. Desde então, surgiram anúncios de embargos ao produto do país.

“As exportações ⁠podem enfrentar certa pressão inicial, mas é improvável que ⁠isso persista por muito tempo, desde que não surjam novos casos em áreas mais distantes do foco inicial”, acrescentou ‌Yanaguizawa.

O especialista notou ainda que o sistema preventivo brasileiro dá mostras de que está funcionando bem, já que a detecção do vírus aconteceu antes do surgimento de sintomas nas aves, por meio de um monitoramento ativo.

“Após a confirmação do primeiro caso, em 18 de outubro, o ‌segundo e o terceiro focos foram identificados por meio de uma vigilância intensificada, e não pelo surgimento de sinais clínicos evidentes da doença”, declarou.

Até o momento, apenas o México e a ⁠Malásia impuseram proibições em nível nacional ao frango do Brasil, enquanto China, Chile, Rússia restringiram as compras apenas do Estado de Santa Catarina, segundo Rabobank, com base em dados do governo.

Arábia Saudita, ​Emirados Árabes Unidos, Japão, Coreia do Sul, Filipinas, Reino Unido, Argentina, África do Sul, Egito, Canadá, Turquia ​e Vietnã estão entre os mercados mais relevantes que aceitaram a regionalização em nível municipal, destacou.

O setor normalmente utiliza a estratégia de redirecionar seus embarques a partir de áreas não incluídas nos embargos sanitários, o que minimiza perdas.

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Ações da Minerva caem 9,40% com pressão dos juros e riscos nas exportações

As ações das indústrias frigoríficas tiveram desempenho misto no pregão desta quarta-feira (28), com queda expressiva da Minerva e recuo dos papéis da JBS, enquanto a MBRF encerrou em alta.

O mercado acompanhou a volatilidade do dólar e dos juros, além de fatores específicos que afetam as operações das companhias, como a suspensão de exportações de carne bovina à China em uma unidade da MBRF e os possíveis impactos da doença de Newcastle sobre os embarques de carne de frango.

A Minerva (BEEF3) liderou as perdas do grupo, com desvalorização de 9,40%, a R$ 2,89 por ação, ante R$ 3,19 no fechamento anterior. Segundo Luca Vello, analista da Genial Investimentos, embora fosse esperado que o setor exportador de proteínas se beneficiasse de um dólar mais baixo após o cenário eleitoral, fatores negativos específicos e a exposição das empresas ao endividamento pesaram sobre os ativos.

O analista destacou que companhias com dívidas elevadas e compromissos atrelados ao CDI tendem a sofrer maior pressão em um ambiente de juros altos.

As BDRs da JBS (JBSS32), negociadas na B3, recuaram 1,70%, encerrando o dia a R$ 63,58. Já a MBRF (MBRF3) fechou em alta de 1,47%, a R$ 16,53, após oscilar entre a mínima de R$ 15,59 e a máxima de R$ 16,63 durante a sessão.

Para Raphael Galo, head de agronegócio e mercado de capitais da A7 Capital, a volatilidade cambial e as oscilações dos juros seguem entre os principais fatores de influência sobre as operações das empresas.

No caso da MBRF, o analista também apontou a aversão ao risco no mercado acionário após as eleições e os efeitos de notícias relacionadas ao setor de proteínas. Entre elas estão a suspensão das exportações de carne bovina para a China pela unidade de Promissão (SP) e o foco de doença de Newcastle em Santa Catarina, que pode afetar os volumes exportados de carne de frango.

O desempenho das ações ocorreu em um dia de valorização dos contratos futuros do boi gordo na B3, que voltaram a superar os R$ 400 por arroba em alguns vencimentos.

O movimento evidencia que a alta das cotações da pecuária não se traduz necessariamente em valorização dos papéis dos frigoríficos, cujos resultados também dependem dos custos de aquisição de animais, das margens de processamento, do câmbio, do custo da dívida e das condições de acesso aos mercados internacionais.

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Casos de Newcastle não influenciam em negociação com UE, diz secretário

Os focos de doença de Newcastle identificada pelo governo em granjas comerciais de Santa Catarina não vão afetar as negociações com a União Europeia para o Brasil voltar a exportar para o bloco.

Embora o estado seja um importante fornecedor de aves no mundo e, antes das restrições, um dos maiores exportadores para a UE, a doença não tem relação com a sanção aplicada pelo bloco europeu.

Segundo o secretário da SCRI (Secretaria de Comércio e Relações Internacionais) do Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária), Augusto Billi, a UE normalmente restringe apenas a área afetada pela doença.

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“A Newcastle, terminando os focos, terminam as restrições [dos países]. Normalmente, a UE restringe só a área restrita para Newcastle. Portanto, não mudam as questões relacionadas aos antimicrobianos”, afirmou à reportagem.

Ainda assim, o impacto econômico pode ser relevante aos produtores do estado. Segundo dados do Agrostat (Estatísticas de Comércio Exterior do Agronegócio Brasileiro) do Mapa, o estado exportou para a UE em 2025 55.501 toneladas de aves com movimentação financeira em US$ 223.629, ficando apenas atrás do estado de São Paulo.

Até o momento, o governo brasileiro registrou três granjas comerciais em Santa Catarina que tiveram casos confirmados de doença de Newcastle em aves. O primeiro foco foi confirmado em 18 de outubro, no município de Nova Itaberaba, em um criadouro de perus. O segundo caso foi registrado em 24 de outubro, em Coronel Freitas, e o terceiro foi anunciado nesta terça-feira (28) em um estabelecimento avícola de Nova Erechim.

Em todos os locais medidas zoossanitárias como investigação epidemiológica, vigilância e medidas de contenção da doença foram aplicadas.

Os casos acontecem ao mesmo tempo em que a União Europeia discute se o Brasil vai retornar a lista de países aptos a fornecer aves para o bloco. A decisão, que serve para todos os tipos de carnes e produtos de origem animal, foi tomada pelo bloco em maio deste ano e passou a valer em setembro.

Mesmo assim, o bloco europeu enviou uma comitiva técnica para auditar estabelecimentos de aves e de mel do Brasil e comprovar a não utilização de antimicrobianos nesses criadouros.

Esse tipo de medicamento é utilizado em diversas nações para acelerar o crescimento dos animais para abate. No entanto, a UE proíbe o uso do insumo na pecuária, tanto nos países do bloco quanto nos fornecedores, a fim de evitar o surgimento de “superbactérias” que podem ameaçar a saúde pública. O argumento se baseia no entendimento da OMS (Organização Mundial da Saúde) sobre o assunto.

A auditoria dos europeus no Brasil foi considerada satisfatória e comprovou que a produção de aves e mel no país não utiliza o medicamento.

Na semana passada, o SCoPAFF (Comitê Permanente de Plantas, Animais, Alimentos e Rações) da Comissão Europeia se reuniu para analisar a auditoria da UE realizada no Brasil. Segundo Augusto Billi, o tema foi apreciado, mas apenas no encontro de novembro os membros do colegiado irão definir se o país vai voltar à lista ou não.

A expectativa do governo brasileiro é que o comitê aprove e que já se retome as exportações em dezembro. No entanto, a relistagem ainda depende da formalização e publicação da decisão pelas autoridades europeias.

Protocolo de regionalização deu resultado

A ampliação do reconhecimento internacional da regionalização sanitária, que permite aos países suspender as compras do estado com o foco ou próximo aos focos das doenças, fez com que o país tivesse um resultado diferente nesta emergência zoossanitária.

Dados do Mapa mostram que o reconhecimento da regionalização sanitária evitou perdas potenciais de aproximadamente US$ 954 milhões por ano.

O cálculo foi feito com base em um cenário em que os países pudessem ter tomado medidas semelhantes a de 2024, quando gripe aviária e Newcastle afetaram os negócios do Brasil. Na época, a maioria dos importadores fecharam as portas para toda a produção brasileira e não somente nos locais afetados.

O impacto foi mitigado na China, com cerca de US$ 485 milhões em perdas potenciais evitadas; Arábia Saudita, com aproximadamente US$ 293 milhões; e Argentina, com cerca de US$ 57 milhões.

 

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Senado aprova subsídio e financiamento de R$ 24,5 bi a produtores de cana

O Senado Federal aprovou, nesta quarta-feira (28), o projeto de lei 5.649 de 2026, que autoriza o governo a pagar apoio financeiro a produtores independentes de cana-de-açúcar do Nordeste e destina recursos a linhas de crédito para a renovação de frota de veículos de transporte. 

A proposta, já passou pela Câmara dos Deputados na terça (27) e agora, após aprovação da Casa Alta, segue para sanção do presidente da República.

O texto chancela as medidas que o governo federal vem concedendo aos produtores da região desde setembro. Na época, um decreto e uma medida provisória destinou R$ 270 milhões em recursos públicos para apoiar agricultores que tiveram perdas econômicas devido ao tarifaço ou aos efeitos climáticos extremos na safra 2025/26.

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Apesar dos benefícios serem pagos com dinheiro dos cofres públicos, o relator, senador Fernando Dueire (PSD-PE) afirmou que, pela proposta ter natureza autorizativa, não obriga o governo a ter que desembolsar os valores nem criar ou ampliar benefícios tributários.

“Com relação à adequação orçamentária e financeira, a Lei possuirá natureza autorizativa de programas que já vêm sendo executados pelo Poder Executivo, de forma que a execução das medidas e os seus efeitos concretos observarão a disponibilidade orçamentária e financeira, bem como a conveniência da União. Assim, a Lei proposta não produz efeitos diretos ou indiretos sobre as receitas ou despesas da União”, diz a justificativa.

O que prevê o projeto

O texto autoriza o Executivo a conceder, em caráter extraordinário e apenas em 2026, auxílio financeiro de R$ 12 por tonelada de cana produzida e entregue a usinas, destilarias ou cooperativas do Nordeste na safra 2025/2026. 

A comprovação será feita por nota fiscal eletrônica. O benefício vale para produtores que tiveram prejuízos com a tarifa adicional imposta pelos Estados Unidos às exportações brasileiras ou com eventos climáticos extremos. 

Ficam de fora os produtores que sejam sócios, direta ou indiretamente, das usinas, destilarias ou cooperativas para as quais fornecem a matéria-prima.

A União também fica autorizada a destinar até R$ 14,5 bilhões para linhas de financiamento reembolsáveis para a compra de caminhões e caminhões-tratores novos ou seminovos, ônibus, micro-ônibus e implementos rodoviários novos. Os beneficiários são:

  • transportadores autônomos de cargas;
  • pessoas físicas ligadas a cooperativas de transporte;
  • microempreendedores individuais, empresários individuais e empresas do setor de transporte de cargas ou de passageiros.

Veículos novos financiados precisam ser de fabricação nacional e credenciados no BNDES. Os seminovos só podem ser financiados para autônomos, MEIs (Microempreendedores Individuais) e pessoas físicas de cooperativas. O Ministério da Fazenda gerencia os recursos, e o BNDES é o agente financeiro. As condições e os juros serão definidos pelo Conselho Monetário Nacional.

O projeto também:

  • permite que o seguro de crédito interno para o setor de aviação civil, incluindo operações ligadas a combustível de aviação, use recursos do Fundo de Garantia à Exportação;
  • cria uma linha de até R$ 10 bilhões para financiar equipamentos agrícolas inovadores de fabricação nacional, por meio da Finep, com amortização em 15 anos;
  • autoriza o financiamento de capital de giro associado a investimentos em infraestrutura em uma linha prevista na Lei 14.947/2024.

Qual é o impacto financeiro

O texto autoriza até R$ 24,5 bilhões em linhas de financiamento reembolsáveis: R$ 14,5 bilhões para a renovação de frota e R$ 10 bilhões do FNDCT para equipamentos agrícolas. Por serem empréstimos, esses valores devem retornar aos cofres públicos, com juros e prazos a serem definidos.

Já a subvenção aos produtores de cana é um gasto sem retorno. O projeto não fixa um valor total. O custo dependerá da quantidade de cana entregue e comprovada, multiplicada por R$ 12 por tonelada. A despesa será discricionária, ou seja, depende da disponibilidade orçamentária e financeira.

O que muda na prática

Produtores de cana do Nordeste poderão receber o pagamento, desde que cumpram as regras que o governo ainda vai definir em ato próprio, como prazos e critérios de habilitação. Caminhoneiros e empresas de transporte passam a ter uma linha de crédito específica para trocar veículos. A lei entra em vigor na data da publicação, mas os financiamentos só começam depois da regulamentação pelo governo e pelo Conselho Monetário Nacional.

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Produtos florestais crescem 1,1% em agosto, mas seguem em queda no ano

A produção de produtos florestais cresceu 1,1% em agosto, na comparação com o mesmo mês do ano passado, segundo o Índice de Produção Agroindustrial, da FGV (Fundação Getulio Vargas). Apesar do resultado positivo, o setor segue enfrentando dificuldades: esse foi apenas o terceiro crescimento interanual registrado nos últimos 12 meses.

O desempenho em agosto foi sustentado principalmente pelo aumento da produção de madeira e papel. Por outro lado, a produção de celulose apresentou retração, limitando uma expansão mais expressiva do segmento.

No acumulado de janeiro a agosto, os produtos florestais permaneceram no campo negativo, acompanhando a retração de 1% registrada pela agroindústria no período.

Entre os segmentos de produtos não alimentícios, apenas biocombustíveis e fumo apresentaram crescimento no acumulado do ano, com altas de 14,1% e 2%, respectivamente. Já os setores de insumos agropecuários, produtos têxteis e produtos florestais registraram contrações no período.

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Bioenergia ganha espaço e reforça potencial da indústria de base florestal

O setor de papel e celulose tem ampliado sua contribuição para a oferta de energia renovável no Brasil, impulsionado pelo aproveitamento energético de subprodutos industriais e pelo uso de biomassa florestal. A tendência é destacada pelo estudo Oferta de Energia Renovável pelo Agronegócio, do Observatório de Conhecimento e Inovação em Bioeconomia da FGV (Fundação Getúlio Vargas).

Um dos principais destaques é o crescimento da oferta de energia proveniente da lixívia, também conhecida como licor negro, coproduto gerado no processo de fabricação de celulose. O volume passou de 10,1 milhões de tep (toneladas equivalentes de petróleo), em 2021, para 13,2 milhões de tep, em 2025, uma expansão de aproximadamente 30%.

No mesmo período, a participação do licor negro na oferta interna de energia do Brasil avançou de 3,3% para 4%. O resultado evidencia a relevância do aproveitamento energético de resíduos e coprodutos industriais para ampliar a participação de fontes renováveis na matriz nacional.

Além do licor negro, a lenha e o carvão vegetal provenientes da silvicultura energética também integram a oferta de bioenergia vinculada ao agronegócio. Em 2025, essas fontes responderam por 16,8 milhões de tep, o equivalente a 5,1% da oferta interna de energia brasileira, segundo o levantamento.

A combinação entre biomassa florestal e coprodutos do processamento industrial coloca o setor de papel e celulose em posição estratégica na transição energética, ao associar a produção de matérias-primas renováveis à geração e ao aproveitamento de energia.

Bioenergia representa quase três quartos do consumo energético do setor

A importância da bioenergia para a indústria de papel e celulose também aparece na composição de sua matriz energética. Segundo a FGV, as fontes vinculadas ao agronegócio representaram aproximadamente 74% do consumo total de energia do segmento em 2025.

O percentual coloca papel e celulose entre as atividades industriais com maior presença de bioenergia, ao lado de alimentos e bebidas, setor no qual essa participação superou 80% no mesmo ano.

De acordo com o estudo, a elevada utilização dessas fontes está associada à integração entre as atividades industriais e as cadeias produtoras de biomassa e seus coprodutos energéticos. No caso da celulose, o licor negro e a biomassa florestal constituem componentes relevantes dessa estrutura.

O levantamento também mostra que a participação de papel e celulose na bioenergia destinada à indústria brasileira chegou a aproximadamente 30% em 2025. O segmento ampliou sua presença ao longo das últimas décadas e se consolidou como um dos principais consumidores industriais dessa energia, ao lado de alimentos e bebidas.

Agroenergia avança na matriz brasileira

O potencial do setor florestal está inserido em um movimento mais amplo de expansão da bioenergia no Brasil. De acordo com o estudo da FGV, a oferta de energia vinculada ao agronegócio atingiu 97,8 milhões de tep em 2025, o maior volume da série histórica iniciada em 1970.

O resultado representa um crescimento de aproximadamente 16% em relação a 2021, quando a oferta somava 84,2 milhões de tep. A participação dessas fontes na oferta interna de energia também avançou, de 27,7% para 29,8% no período.

Considerando todas as fontes renováveis contabilizadas pelo levantamento, o Brasil ofertou 162,3 milhões de tep em 2025. Desse total, cerca de 60% tiveram origem em cadeias vinculadas ao agronegócio, incluindo atividades agropecuárias, agroindustriais e florestais.

Para os pesquisadores, a evolução da bioenergia demonstra que a contribuição do agronegócio para a matriz energética brasileira vai além dos biocombustíveis utilizados no transporte. A energia de origem biológica também abastece atividades industriais, nas quais pode atender à demanda por calor de processo e outras necessidades energéticas.

Nesse cenário, o setor de papel e celulose reúne características relevantes para a expansão do aproveitamento energético da biomassa: a disponibilidade de matérias-primas florestais, a geração de coprodutos industriais e a participação expressiva de fontes renováveis no consumo de energia.

Os dados da FGV mostram a dimensão que essa integração já alcançou no Brasil e reforçam a importância da indústria florestal para a oferta de energia renovável e para a diversificação da matriz energética nacional.

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Venda de máquinas cai 21,6% no ano, mas mostra recuperação em setembro

A receita líquida da venda de máquinas agrícolas somou R$ 5,2 milhões em setembro, o que representa uma queda de 15,7% em relação ao mesmo mês de 2025. Em relação a agosto, houve um aumento de 8,2%, segundo a Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos).

No ano, a queda é ainda mais pronunciada, de 21,6%, com um total de vendas acumulado de R$ 41,5 milhões.

O desempenho ocorre em um cenário de restrição ao investimento dos produtores rurais, marcado pelo endividamento e pelo custo elevado do financiamento. Esses fatores têm limitado a renovação do parque de máquinas agrícolas e pressionado as vendas no mercado brasileiro. Entretanto, a expectativa da Abimaq é uma estabilidade e um leve crescimento daqui para frente.

Mais cedo, a Abac, que representa o setor de consórcios, divulgou que a movimentação do setor chegou a R$ 17,57 bilhões em créditos comercializados de janeiro a setembro de 2026, queda de 10,8% em relação ao mesmo período do ano passado.

Exportações avançam

Enquanto o mercado doméstico permanece enfraquecido, as exportações de máquinas e equipamentos agrícolas apresentam desempenho positivo. Em setembro, as exportações alcançaram US$ 161,69 milhões, alta de 21,2% em relação a agosto e de 8,4% na comparação anual.

Entre janeiro e setembro de 2026, as exportações totalizaram US$ 1,312 bilhão, 12,1% acima do mesmo período de 2025.

Importações recuam no acumulado

As importações de máquinas e implementos agrícolas somaram US$ 902,6 milhões de janeiro a setembro, queda de 4,2% na comparação com os nove primeiros meses de 2025.

Somente em setembro, as compras externas totalizaram US$ 91,71 milhões, recuo de 4,2% em relação ao mesmo mês do ano passado, apesar do aumento de 1,6% ante agosto.

Com exportações de US$ 161,69 milhões e importações de US$ 91,71 milhões em setembro, o segmento registrou superávit comercial de US$ 69,98 milhões no mês.

Tratores e colheitadeiras

Em unidades, foram comercializados 7.159 tratores em setembro de 2026, 1,28% abaixo dos 7.252 tratores negociados em agosto de 2026. Do total, 3.577 foram vendidos para o usuário final, 7,6% acima do mês anterior, porém 32,5% menos do que setembro de 2025.

Outros 3.140 foram comercializados para fábricas, 8,7% menos do que em agosto de 2026 e 48,4% menos do que setembro de 2025.

Os 442 tratores restantes foram destinados à exportação, que registrou queda de 9,4% em comparação a agosto de 2026, e queda de 12,6% em relação a setembro de 2025.

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Trigo cai 1,84% em Chicago com dólar forte e cenário no Mar Negro

Os contratos futuros do trigo encerraram a sessão desta quarta-feira (28) em queda na bolsa de Chicago, pressionados pela atuação dos fundos de investimento e por fatores geopolíticos e cambiais. O vencimento para dezembro recuou 1,84%, fechando cotado a US$ 5,99 por bushel.

Segundo análise da Granar, os fundos de investimento continuaram vendendo contratos do cereal, contribuindo para a desvalorização. As negociações diplomáticas em busca de um acordo de paz para a região do Mar Negro também pesaram sobre os preços. Além disso, o fortalecimento do dólar em relação ao euro reduziu a competitividade do trigo norte-americano no mercado internacional.

Outro fator acompanhado pelos investidores foi a retomada das autorizações para a saída de navios graneleiros do Mar de Azov, na Rússia. Segundo informações da Reuters, autoridades russas voltaram a permitir a passagem de embarcações pela região pela primeira vez desde 10 de julho, quando o tráfego foi interrompido após ataques de drones ucranianos.

De acordo com sete fontes do setor ouvidas pela agência, as autorizações para a travessia pelo Estreito de Kerch, que conecta o Mar de Azov ao Mar Negro, são válidas até 15 de novembro. Duas das fontes informaram que os navios serão escoltados por um comboio naval russo durante a passagem pelo Mar Negro.

A liberação ocorre em meio a um cessar-fogo localizado, previsto para durar seis dias, com o objetivo de permitir a passagem segura de suprimentos humanitários para a cidade de Oleshky, controlada pela Rússia, na região de Kherson. A retomada parcial do tráfego marítimo e as perspectivas de avanços diplomáticos entram no radar dos investidores diante dos possíveis impactos sobre o fluxo de grãos na região.

Soja

Os contratos futuros da soja encerraram a sessão em baixa na Bolsa de Chicago, ampliando a sequência negativa para três pregões consecutivos. O vencimento para janeiro recuou 0,40%, fechando cotado a US$ 12,46 por bushel.

Segundo análise da Granar, o avanço da colheita nos Estados Unidos e a entrada da nova safra no circuito comercial continuam influenciando as cotações. Os trabalhos no campo seguem sob condições predominantemente secas no Meio-Oeste norte-americano, cenário que acompanha o desenvolvimento da colheita e a chegada de novos volumes ao mercado.

Outro fator de pressão foi a ausência de confirmação de novas vendas pontuais de soja norte-americana para a China. A competitividade das exportações brasileiras também pesou sobre os preços, após a forte desvalorização do real frente ao dólar registrada na segunda-feira. Embora a moeda brasileira tenha recuperado parte das perdas entre terça e quarta-feira, o movimento cambial ainda favorece a competitividade do produto nacional no mercado internacional.

Apesar da falta de anúncios específicos envolvendo compradores chineses, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) confirmou nesta quarta-feira uma nova venda de 120 mil toneladas de soja da safra 2026/2027. Segundo o órgão, o destino da operação ainda não foi identificado.

A combinação entre a entrada da nova safra norte-americana, as incertezas sobre a demanda chinesa e a concorrência brasileira mantém os preços sob pressão em Chicago, enquanto o mercado acompanha os próximos anúncios de vendas e o ritmo de comercialização da produção dos Estados Unidos.

Milho

Os contratos futuros do milho registraram recuperação parcial na Bolsa de Chicago, após três sessões consecutivas de perdas. O vencimento para dezembro avançou 0,67% e encerrou o pregão cotado a US$ 4,51 por bushel.

Segundo análise da Granar, o movimento de alta foi impulsionado por operações de hedge, utilizadas para proteção contra oscilações de preços, e por compras oportunistas de fundos de investimento. Apesar da reação, as cotações ainda refletem um cenário de pressão, após o cereal acumular quatro semanas consecutivas de desvalorização.

O avanço dos preços também foi limitado pelo progresso da colheita nos Estados Unidos, que amplia a oferta de milho no mercado. No cenário internacional, a desvalorização do real brasileiro em relação ao dólar e o fortalecimento da moeda norte-americana frente ao euro reduzem a competitividade das exportações dos Estados Unidos, dificultando uma recuperação mais consistente das cotações.

Na Ucrânia, os estoques de milho também estão no radar dos investidores. De acordo com o Serviço Estatal de Estatísticas do país, os volumes armazenados somavam 3,10 milhões de toneladas em 1º de outubro, alta de 38,8% em relação ao mesmo período de 2025. O levantamento foi realizado no início da safra 2026/2027.

A logística de escoamento da produção ucraniana segue como um desafio adicional. Desde meados de julho, as exportações de produtos agrícolas do país enfrentam restrições no Mar Negro, levando ao uso do rio Danúbio e de outras rotas alternativas de transporte. Esse cenário influencia o fluxo de grãos no mercado internacional e permanece entre os fatores acompanhados pelos participantes do setor.

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Café recua em NY com avanço dos estoques e desvalorização do real

A pressão sobre a oferta brasileira e o avanço dos estoques certificados influenciaram as negociações do café nesta sessão de quarta-feira (28). Na Bolsa de Nova York, o contrato futuro com vencimento em dezembro recuou 2,38%, encerrando o pregão cotado a US$ 2,86 por libra-peso.

De acordo com o Barchart, a desvalorização do real brasileiro também contribui para o movimento de baixa. Na segunda-feira, a moeda caiu cerca de 9% após o resultado das eleições presidenciais no fim de semana. Embora tenha recuperado parte das perdas, o real ainda acumula desvalorização de aproximadamente 8% na semana. Com a moeda brasileira mais fraca, os exportadores podem receber mais em reais pelas vendas externas, o que aumenta o incentivo à comercialização do café brasileiro no mercado internacional.

Outro fator que pressiona as cotações é o volume de café que aguarda classificação nos armazéns monitorados pela ICE. Na terça-feira, mais de 36 mil sacas de café brasileiro estavam nessa condição, o maior número em cinco semanas. Após a aprovação nos testes de classificação, os lotes passam a integrar os estoques certificados da bolsa.

O volume de café brasileiro nos armazéns da ICE aumentou desde meados de setembro e alcançou 80.084 sacas na semana passada, o maior nível em nove meses. Na terça-feira, os estoques recuaram ligeiramente, para 79.867 sacas, mas permanecem próximos do pico recente, reforçando a pressão sobre os preços futuros.

Açúcar

O contrato futuro do açúcar com vencimento em março fechou a sessão com alta de 0,73% na Bolsa de Nova York, cotado a 19,34 centavos de dólar por libra-peso.

O avanço foi sustentado por dados da S&P Global Energy, que apontaram uma redução na produção de açúcar das usinas do Centro-Sul do Brasil na primeira quinzena de outubro. Segundo a consultoria, o volume produzido ficou em 2 milhões de toneladas, abaixo do registrado no mesmo período do ano anterior. As chuvas persistentes associadas ao fenômeno El Niño prejudicaram a colheita da cana-de-açúcar e reduziram o ritmo de moagem nas unidades produtoras.

Apesar da recuperação registrada na sessão, as cotações ainda acumulam perdas expressivas em relação à semana anterior. Na segunda-feira, os preços recuaram acentuadamente em meio à forte desvalorização do real brasileiro, que chegou a cair 9% após o resultado das eleições presidenciais no fim de semana. A moeda apresentou recuperação parcial, mas ainda acumula queda de cerca de 8% na semana, movimento que pode favorecer as exportações brasileiras e pressionar os preços internacionais do açúcar.

Cacau

O contrato futuro do cacau com vencimento em dezembro encerrou o pregão com desvalorização de 2,17% na bolsa, cotado a US$ 5.456 por tonelada.

A queda é influenciada por preocupações de que a desvalorização do real brasileiro possa estimular os exportadores nacionais a ampliar as vendas da commodity, conforme destacou o Barchart. Com a moeda brasileira mais fraca em relação ao dólar, os vendedores podem receber mais em reais pelas negociações internacionais, o que tende a favorecer a oferta no mercado global.

Embora o Brasil tenha participação menor no comércio mundial de cacau em comparação com os países da África Ocidental e o Equador, o país ocupa a sétima posição entre os maiores produtores globais, respondendo por cerca de 4% a 5% da produção mundial, segundo estimativas da Organização Internacional do Cacau (ICCO).

Outro fator de pressão sobre as cotações é o aumento dos estoques monitorados pela ICE. Na segunda-feira, os volumes atingiram 3.684.698 sacas, o maior patamar em dois anos e meio. Na terça-feira, houve um leve recuo para 3.679.744 sacas, mas o nível elevado dos estoques continua pesando sobre os preços futuros.

Suco de Laranja

Na Bolsa de Nova York, o contrato futuro do suco de laranja com vencimento em janeiro encerrou a sessão em alta de 0,87%, cotado a US$ 1,44 por libra-peso.

Algodão

O contrato de algodão para entrega em dezembro encerrou a sessão com valorização de 0,12% na Bolsa de Nova York, cotado a 78,15 centavos de dólar por libra-peso.

https://stories.cnnbrasil.com.br/?post_type=web-story&p=530179

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Governo de SP cria diagnóstico sobre perdas para apoiar produtor rural

Estudo aponta aumento de custos na cana-de-açúcar e prejuízos na citricultura e no amendoim; produtores têm até 12 de novembro para contratar crédito previsto em medida provisória

O governo de São Paulo elaborou um diagnóstico econômico sobre as perdas nas cadeias produtivas de cana-de-açúcar, laranja e amendoim para dar suporte à renegociação de dívidas rurais no estado.

O levantamento, conduzido pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento, reúne dados sobre custos de produção, preços e impactos climáticos e fitossanitários que afetam a renda dos produtores.

O estudo também busca orientar os agricultores interessados em acessar as linhas de crédito previstas na Medida Provisória (MP) 1.376/2026.

O prazo para contratação termina em 12 de novembro de 2026, e a secretaria recomenda que os produtores procurem as instituições financeiras o quanto antes.

Segundo o secretário estadual de Agricultura e Abastecimento, Geraldo Melo Filho, o diagnóstico reúne números para demonstrar a redução da renda no campo e fortalecer as negociações com os bancos.

Segundo ele,  o produtor rural está apanhando de fatores que não controla: clima, alta nos custos de produção, oscilação de mercado e o custo do dinheiro.

Cadeia estudadas

Na cadeia da cana-de-açúcar, o custo agrícola por tonelada aumentou de R$ 102,30 na safra 2020/21 para R$ 177 na temporada 2025/26, segundo o levantamento.

A alta é de aproximadamente 73% no período.

Na citricultura, o estudo estima resultado negativo de R$ 4.837 por hectare em áreas sem greening, doença que afeta os pomares, e prejuízo de R$ 9.020 por hectare nas áreas atingidas pela doença.

Para o amendoim, a projeção é de resultado negativo de R$ 5.940 por hectare em 2026.

Quem pode renegociar as dívidas

A MP 1.376/2026 prevê linhas de crédito para produtores rurais que comprovem perdas em pelo menos duas safras entre 2019 e 2025, com redução mínima de 30% da renda bruta agropecuária esperada.

A secretaria ressalta, porém, que o levantamento estadual não substitui a documentação individual exigida pelas instituições financeiras. Para comprovar as perdas, o produtor precisa apresentar laudo elaborado por profissional habilitado.

Como o processo envolve a preparação dos documentos e a análise de crédito pelos bancos, a recomendação do governo paulista é iniciar a negociação imediatamente, antes do encerramento do prazo de contratação.

 

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Paraguai e Argentina recebem avaliação de baixo risco ambiental da UE

O setor de soja do Brasil teme que as novas regulamentações da União Europeia contra o desmatamento (EUDR) possam reduzir as exportações de farelo de soja ​para o bloco, abrindo espaço para a Argentina, fornecedora concorrente, que afirma estar em melhor posição ​para cumprir as novas regras.

O Brasil é o maior fornecedor de farelo de soja para ração animal da UE, respondendo por cerca de metade das importações do bloco no ano passado, segundo dados da Federação Europeia de Fabricantes de Ração (FEFAC). O Brasil exportou um volume recorde de 23,3 milhões de toneladas métricas de farelo de soja em 2025.

A partir de 30 de dezembro, o EUDR exigirá que os importadores comprovem que seus produtos não estão vinculados a terras desmatadas, com penalidades significativas em caso de descumprimento.

No Brasil, extensas áreas agrícolas nos Estados do centro e do nordeste do país foram desenvolvidas em ecossistemas desmatados nas últimas décadas, enquanto as principais áreas agrícolas da Argentina estão espalhadas pelas vastas planícies dos Pampas, onde os agricultores ⁠produzem há mais de um século.

O EUDR está causando alarme no setor ​agrícola brasileiro, com a FEFAC alertando que os requisitos de rastreabilidade previstos nas regras poderiam excluir até 4 milhões de toneladas de farelo de soja, cerca ​de 17% do total das exportações.

De acordo com o último relatório da FEFAC sobre como as regras contra o desmatamento podem impactar as cadeias de abastecimento, o Brasil recebeu ⁠uma recomendação de risco “médio”, com o Estado do Mato Grosso, na região Centro-Oeste, e ⁠outros enfrentando “obstáculos estruturais e logísticos” que poderiam restringir a expansão de cadeias de abastecimento totalmente em conformidade com a EUDR.

Dante Romano, gerente de pesquisa ​da ‌corretora de grãos Max Agro, com sede em Rosário, explicou que os agricultores da região central do Brasil estão a mais de 2.000 quilômetros de distância dos portos marítimos e, muitas ⁠vezes, precisam alternar entre caminhões, barcaças e trens para levar seus grãos até os terminais de exportação, o que dificulta o rastreamento das cadeias de abastecimento.

As principais áreas de produção de soja da Argentina ficam a não mais de 350 quilômetros do centro portuário de Rosário, o que torna a rastreabilidade consideravelmente mais fácil e mais barata.

Para o presidente da associação de produtores de soja ‌do Brasil (Aprosoja), ⁠Maurício Buffon, a legislação afeta ‌injustamente o Brasil. Ele afirmou que esforços de restauração ambiental estão em andamento em algumas regiões, mesmo enquanto novas áreas de cultivo estão sendo desenvolvidas.

“Os problemas ambientais do Brasil são muito menores do que a dimensão da nossa agricultura”, disse o presidente da Aprosoja.

A EUDR entrará em vigor poucos dias antes de Luiz Inácio Lula da Silva assumir um novo mandato como presidente do ⁠Brasil, após derrotar o candidato de direita Flávio Bolsonaro, que havia afirmado que liberaria a produção das “barreiras ⁠ambientais” e permitiria que os agricultores fizessem “o que bem entendessem” em suas terras.

“A ARGENTINA ESTÁ PRONTA”

Mais ao sul, a poderosa indústria argentina de processamento de soja está se posicionando para se beneficiar de qualquer dificuldade enfrentada pelos exportadores ‌brasileiros no cumprimento das regras mais rígidas da UE.

“Podemos facilmente preencher essa lacuna”, disse Gustavo Idigoras, presidente da CIARA-CEC, câmara argentina de exportadores e processadores de grãos, referindo-se às possíveis perdas de exportação no Brasil, que ele estimou entre 5 milhões e 6 milhões de toneladas.

“A Argentina está pronta”, disse Idigoras, destacando o sistema de rastreabilidade VISEC do país, que acompanha a soja e a carne bovina desde a produção até a exportação e já está em pleno funcionamento.

Em sua mais recente avaliação de risco, a FEFAC atribuiu à ‌Argentina uma recomendação de risco “baixa” para interrupções no abastecimento relacionadas ao EUDR, projetando que quase toda a safra de farelo de soja do país no primeiro semestre de 2027 atenderia aos requisitos.

Romano disse que a Argentina poderia aproveitar eventuais déficits nos embarques brasileiros. Ao mesmo tempo, afirmou ele, o Brasil pode buscar expandir as vendas para mercados alternativos, à ⁠medida que os exportadores argentinos desviam mais volumes para atender à demanda europeia.

A Argentina é a maior exportadora mundial de farelo de soja, tendo exportado cerca de 27 milhões de toneladas métricas no ano passado, das quais aproximadamente um quarto foi destinado ao Sudeste Asiático.

Os ajustes ocorrem em um momento delicado nas relações entre a UE e o Mercosul, depois que o bloco e ​o grupo comercial sul-americano chegaram a um acordo provisório de livre comércio em maio, após décadas de negociações.

A Argentina e o Brasil são membros do Mercosul, juntamente com o Uruguai e o ​Paraguai, outro importante fornecedor de soja para a indústria de esmagamento da Argentina.

A Câmara de Moagem de Grãos do Paraguai (CAPPRO) afirmou que o país possui “condições estruturais favoráveis” para atender aos requisitos europeus. Na região Oriental, onde é cultivada a maior parte da soja, uma lei aprovada em 2004 proíbe o desmatamento para uso agrícola.

Assim como a Argentina, o Paraguai recebeu uma recomendação de baixo risco da FEFAC.

(Reportagem de Maximilian Heath, em Buenos Aires, e Oliver Griffin, em São ‌Paulo; reportagem adicional de Daniela Desantis, em Assunção)

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Presidente da Abiec parabeniza reeleição de Lula e Alckmin

O presidente da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne), Roberto Perosa, parabenizou a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do vice Geraldo Alckmin (PSB). O dirigente esteve pessoalmente com Alckmin nesta quarta-feira (28).

Em vídeo publicado em suas redes sociais, Perosa afirma que levou as demandas do setor para o vice-presidente que tratará “internamente”.

“Vim trazer as demandas, a pauta da indústria brasileira, do setor frigorífico brasileiro, esse novo momento e esse novo período que se inicia. Queria dar os parabéns ao senhor, ao doutor Geraldo, ao presidente Lula por esse novo momento. Conte conosco. É um setor que produz muito, gera muito emprego no Brasil e tem muitos desafios. Então a gente trouxe as pautas aqui pro doutor Geraldo e ele vai tratar internamente aqui no Governo. Muito obrigado, doutor Geraldo”, afirmou Perosa no vídeo.

Em resposta na mesma publicação, Alckmin afirmou que irá transmitir os cumprimentos a Lula e agradeceu ao trabalho da associação.

Ele ainda afirmou que o país é campeão de exportações, inclusive passando os Estados Unidos, e que é preciso agregar valor ao setor e agroindústria para gerar mais empregos, renda e crescimento econômico para o país.

“Nós somos campeões do agro, da agropecuária. O Brasil está se transformando no primeiro exportador do mundo de alimentos, passando inclusive os Estados Unidos. E precisamos agregar valor a esses produtos todos pra gente gerar mais emprego, mais renda e o país poder crescer mais. Então tivemos aqui uma boa conversa, uma conversa muito boa, com uma pauta de prioridades para o agro e para a agroindústria”, afirmou a Perosa no mesmo vídeo.

A proximidade de Perosa e Alckmin remonta à época constituinte, quando o pai dele, Tonho Perosa, fundou o PSDB ao lado do vice-presidente. Desde então, Perosa vem assumindo cargos em governos de Alckmin, seja na iniciativa privada ou na gestão pública.

Na passagem mais recente, em 2023, Perosa assumiu a SCRI (Secretaria de Relações Internacionais e Comércio Exterior) do Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária) e intensificou a agenda de aberturas comerciais para produtos do agro brasileiro no mundo. Hoje, o projeto já altrapassou a marca de 700 mercados abertos, quase o triplo do realizado no governo passado.

Após cerca de um ano e meio no cargo, Perosa assumiu a presidência da Abiec, onde vem atuando junto ao governo e setor privado para expandir as negociações da carne bovina brasileira no mundo. Em sua gestão, a proteína de boi já ampliou o leque de negociações, mesmo em períodos de turbulência, como sanções impostas pela China.

 

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Rússia recorre à rota ártica da Segunda Guerra Mundial para exportar grãos

A Rússia, maior exportadora mundial de trigo, recorreu pela primeira vez a uma rota ​marítima do Ártico, utilizada durante a Segunda Guerra Mundial, para ​exportar grãos, já que o conflito na Ucrânia paralisou o comércio no Mar Negro e as autoridades alertam para os riscos no Mar Báltico, controlado pela Otan.

A Rússia e a Ucrânia vêm atacando os portos e navios uma da outra desde o início da nova safra de grãos, em julho, paralisando o comércio agrícola do Mar Negro, outrora em franca expansão.

A Rússia, empenhada em manter seus principais clientes de grãos no Oriente Médio e na ⁠Ásia, buscou redirecionar as exportações para portos do ​Mar Báltico, subsidiando o transporte ferroviário a partir das férteis regiões do sul, mas também ​de olho nas oportunidades no Ártico.

O Porto Comercial de Murmansk e a Demetra Holding, uma das maiores empresas ⁠comerciais do país, informaram nesta quarta-feira que o primeiro ⁠carregamento de 3.400 toneladas métricas de grãos proveniente de “importantes regiões agrícolas” está sendo embarcado em ​um ‌navio.

Murmansk, localizada a quase 2.000 km (1.240 milhas) ao norte de Moscou, perto da fronteira com a Noruega, pode ser ⁠acessada por águas neutras. Comboios aliados utilizaram o porto durante a Segunda Guerra Mundial para entregar mercadorias à União Soviética.

“Em um momento em que as rotas tradicionais de exportação enfrentam restrições, o Porto Comercial de Murmansk está abrindo rapidamente uma ‌rota ⁠alternativa para os mercados ‌externos para os agricultores russos”, afirmou o porto.

RISCOS NO MAR BÁLTICO

De acordo com dados de transporte marítimo e uma fonte do mercado, cerca de 28.000 toneladas métricas de trigo devem ser carregadas em Murmansk em um navio com ⁠destino ao porto de Casablanca, no Marrocos.

A Rússia redirecionou seu ⁠comércio principalmente para os portos do Mar Báltico, que movimentaram 1,2 milhão de toneladas em setembro, representando mais de 60% de todas as ‌exportações marítimas de grãos. As empresas vêm adaptando terminais de fertilizantes e carvão para movimentar grãos.

Algumas autoridades do Kremlin alertaram para os riscos decorrentes de possíveis ações hostis por parte de países europeus membros da Otan na região. Todos os países com acesso ao Mar Báltico, exceto a Rússia, são membros da Otan.

As relações da ‌Rússia com a Europa se deterioraram nos últimos meses, à medida que o Kremlin acusou os países europeus de envolvimento militar direto no conflito na Ucrânia.

Os governos europeus rejeitaram as acusações russas de que estariam diretamente ⁠envolvidos, afirmando que seu apoio militar e financeiro à Ucrânia tem como objetivo ajudar Kiev a se defender.

A Turquia, importadora de grãos da Rússia, liderou os esforços para estabelecer um cessar-fogo e retomar os embarques no Mar Negro, mas ​a Rússia afirmou que não está mais interessada em um novo acordo sobre grãos do Mar Negro.

A Turquia e ​as Nações Unidas ajudaram a mediar a Iniciativa dos Grãos do Mar Negro, que foi acordada em julho de 2022 para permitir a exportação segura de grãos ucranianos pelo Mar Negro.

A Rússia se retirou do acordo em 2023, alegando que suas próprias exportações de alimentos e fertilizantes enfrentavam ‌obstáculos.

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Produção de ração animal cresce 4,2% no Brasil no primeiro semestre de 2026

A indústria brasileira de alimentação animal produziu 45,2 milhões de toneladas de rações no primeiro semestre de 2026, alta de 4,2% em relação às 43,3 milhões de toneladas registradas no mesmo período do ano passado, conforme os dados são do Sindirações (Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal).

O crescimento foi observado nos principais segmentos, com destaque para a avicultura de corte e a suinocultura, embora diferentes cadeias produtivas continuem enfrentando dificuldades para manter as margens.

Segundo Ariovaldo Zani, CEO do Sindirações, o aumento da produção não representa, necessariamente, melhora nos resultados financeiros dos produtores. A pressão sobre os custos dos insumos e os preços recebidos nas propriedades mantém a rentabilidade como um dos principais desafios do setor.

A produção de rações para frangos de corte atingiu 19,9 milhões de toneladas no primeiro semestre, avanço de 5,3% ante as 18,9 milhões de toneladas registradas em igual período de 2025. O segmento respondeu por aproximadamente 44% de todo o volume produzido pela indústria de alimentação animal no país.

O desempenho acompanha o crescimento das exportações brasileiras de carne de frango. De acordo com a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), os embarques superaram 2,9 milhões de toneladas no semestre, alta de 12,9% na comparação anual e recorde para o período. A diversificação dos destinos e a base de comparação influenciada pelas restrições sanitárias de 2025 contribuíram para o resultado.

Na suinocultura, a produção de rações cresceu 5,4%, passando de 10,6 milhões para 11,2 milhões de toneladas. As exportações de carne suína também avançaram, superando 794 mil toneladas no semestre, aumento de 10%, segundo a ABPA.

Apesar do desempenho no comércio exterior, o aumento do plantel e os ganhos de produtividade ampliaram a oferta interna de animais. Na avaliação do Sindirações, esse descompasso pressionou as cotações dos suínos e reduziu as margens dos produtores independentes.

Na bovinocultura de corte, a produção de rações somou 2,86 milhões de toneladas no primeiro semestre, aproximadamente 110 mil toneladas acima do volume registrado um ano antes, crescimento de 4%. O setor passa por mudanças no ciclo pecuário, com maior retenção de fêmeas para reprodução e alterações na disponibilidade de animais para abate. Esse movimento pode contribuir para sustentar os preços do boi gordo, ao mesmo tempo que aumenta a preocupação com o custo de reposição do rebanho e as margens dos frigoríficos.

O confinamento também ganhou espaço a partir de junho, com aumento da ocupação dos cochos e perspectivas de recuperação da atividade no segundo semestre. O comportamento da demanda por rações, contudo, dependerá dos preços dos animais, dos ingredientes utilizados na alimentação, das condições das pastagens e da viabilidade econômica dos sistemas de produção. A suplementação de matrizes e as estratégias nutricionais adotadas na recria e na terminação podem sustentar parte da demanda, mesmo diante de alterações no volume de animais destinados ao abate.

Na bovinocultura leiteira, a produção de rações aumentou 1,8%, para 3,8 milhões de toneladas. O avanço ocorreu em um cenário de dificuldades para os produtores, diante da pressão sobre os preços do leite e da concorrência das importações de leite em pó, principalmente da Argentina e do Uruguai. Segundo o Sindirações, a redução da rentabilidade limita a capacidade de investimento das propriedades e pode comprometer a permanência de produtores na atividade.

Na avicultura de postura, o volume de rações cresceu 1%, alcançando aproximadamente 3,8 milhões de toneladas. O segmento, entretanto, enfrenta uma piora nas relações de troca entre os preços dos ovos e os custos dos principais ingredientes da alimentação, como milho e farelo de soja. A combinação entre a desvalorização dos ovos e o encarecimento dos insumos reduziu o poder de compra dos produtores.

Entre os demais segmentos, a aquicultura registrou crescimento de 5,4% na produção de rações, que chegou a aproximadamente 940 mil toneladas. No mercado de alimentos para cães e gatos, a produção avançou 1%, superando 2 milhões de toneladas. Já as rações para equinos alcançaram cerca de 470 mil toneladas, alta de 0,5%. Os demais segmentos somaram aproximadamente 320 mil toneladas, crescimento de 1%.

O balanço do primeiro semestre mostra que a indústria brasileira de alimentação animal ampliou os volumes produzidos, acompanhando o desempenho das cadeias de proteína animal e de outros segmentos da criação. Ao mesmo tempo, os resultados evidenciam diferenças entre os mercados: enquanto as exportações de carnes sustentam a atividade de aves e suínos, a sobreoferta interna, a pressão dos custos e as dificuldades nas relações de troca limitam a rentabilidade em diferentes cadeias.

Para Ariovaldo Zani, o desafio é transformar o crescimento da produção em resultados econômicos sustentáveis, por meio da eficiência nutricional, do planejamento comercial e da gestão financeira das propriedades.

Produção e exportações recordes redefinem a pecuária brasileira

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Nova lei de seguro rural: veja o que muda para o produtor

A nova lei de seguro rural (Lei nº 15.526/2026) prevê mudanças significativas relacionadas ao mercado de crédito e seguro rural brasileiro e estabelece garantias de financiamentos no campo para produtores rurais.A medida, que foi sancionada em 29 de setembro, prevê maior segurança e previsibilidade para o setor diante das mudanças climáticas que podem afetar a produção e a produtividade no agronegócio.Além disso, prevê maior estabilidade financeira ao setor ao proibir o contingenciamento das verbas de subvenção federal e estabelecer prazos firmes para a regulação e o pagamento de indenizações.O que muda com o seguro rural?A nova legislação estabelece que o seguro rural integre o conjunto de garantias das operações de crédito rural. As operações amparadas por seguro poderão contar com condições favorecidas de juros, prazos e limites, prioridade de acesso ao crédito e financiamento do prêmio.Entre os principais destaques do novo seguro rural, estão:Garantia Orçamentária da Subvenção (Fim do Contingenciamento): Os recursos federais previstos para o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) passam a ser de execução obrigatória, protegendo o produtor contra o cancelamento ou contingenciamento de verbas no meio da safra.Prazos Objetivos para Indenização: A regulação do sinistro (quando não exigir vistoria presencial) deve ser concluída em até 15 dias após a comunicação, e o pagamento da indenização deve ocorrer em até 30 dias após a entrega de documentos ou vistoria.Integração com o Crédito Rural: A apólice de seguro rural passa a integrar formalmente as garantias das operações de financiamento agrícola, podendo conceder prioridade ou juros favorecidos e autorizando exigência prévia do seguro no crédito de custeio.Operacionalização do Fundo Catástrofe: Reformula a governança do fundo suplementar de cobertura de riscos para viabilizar o compartilhamento de grandes perdas climáticas com o mercado de resseguros e o mercado financeiro.Bancos podem receber as indenizaçõesEntre as principais medidas está a de que o seguro rural contratado pelo produtor poderá integrar o conjunto de garantias das operações de crédito rural. Para sua aceitação como garantia, poderão ser exigidas, entre outras condições, a cessão fiduciária dos direitos e indenizações decorrentes da apólice e a definição da instituição financeira credora como primeira beneficiária da indenização.Ou seja, se houver perda da lavoura, o dinheiro da seguradora é direcionado primeiramente para amortizar ou quitar a dívida do financiamento, e não para a conta do produtor. O saldo remanescente, se houver, é repassado ao agricultor. Leia Também: SUPERÁVIT VERDE Agro dispara na produção de biomassa e ganha espaço recorde na energia PLASTICULTURA NO CAMPO Da fábrica ao campo: entenda como o plástico está salvando alimentos A TARDE AGRO Após doença de Newcastle, governo declara emergência zoossanitária A mudança ocorre em um cenário de redução da cobertura securitária no campo. Segundo levantamento do Observatório do Crédito e Seguro Rural, da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro), a área atendida pelo Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) caiu de aproximadamente 13,45 milhões de hectares em 2021 para 3,2 milhões em 2025, retração de cerca de 76%.O estudo também aponta que seriam necessários R$ 2,37 bilhões para recuperar, em 2026, o patamar de cobertura registrado quatro anos antes.Financiamento ou Seguro?Com a nova legislação, o seguro rural passa a ter uma função ainda mais relevante na estruturação das operações de crédito. Para Marco Antonio Galera Mari, sócio-diretor da Galera Mari Advogados, escritório com 40 anos de atuação, a mudança exige maior atenção à relação entre os contratos de financiamento e de seguro.“Isso exige cuidado com a definição dos beneficiários, os riscos efetivamente cobertos e as condições de pagamento das indenizações. Uma apólice que não esteja juridicamente alinhada ao contrato de financiamento pode gerar conflitos justamente no momento em que o produtor e o credor mais precisam de segurança”, explica.Outro ponto previsto na lei é a possibilidade de condições favoráveis de financiamento para operações amparadas por seguro rural, incluindo benefícios relacionados a taxas de juros, prazos e limites de crédito. A legislação também estabelece hipóteses de prioridade no acesso à prorrogação ou renegociação das dívidas rurais, embora parte das medidas ainda dependa de regulamentação e de critérios específicos para sua aplicação.Na avaliação de Gerson da Silva Oliveira, sócio-diretor da Galera Mari Advogados, o novo marco também deve ampliar a necessidade de avaliar previamente os riscos jurídicos das garantias oferecidas.“A existência de um seguro não significa, por si só, que a instituição financeira terá acesso automático à indenização ou que todos os prejuízos estarão cobertos. É necessário verificar as exclusões contratuais, os limites da cobertura e as condições exigidas para o pagamento. Essa análise é fundamental para evitar disputas futuras entre produtores, seguradoras e credores”, afirma.Aporte ao seguro rural e regras para indenizaçõesA legislação também modifica os procedimentos relacionados à regulação de sinistros. Entre as novas disposições estão o prazo de até 15 dias para a regulação de casos que não exigem vistoria presencial e o limite de 30 dias para a liquidação dos sinistros, contado conforme os marcos previstos em lei. A definição de prazos busca ampliar a previsibilidade no recebimento das indenizações, fator especialmente relevante para atividades agrícolas sujeitas a ciclos de produção e compromissos financeiros previamente estabelecidos.A importância dessas alterações ganha dimensão diante das dificuldades enfrentadas pelo setor para ampliar a proteção financeira. Estudo da FGV Agro divulgado em junho de 2026 identificou o bloqueio de aproximadamente R$ 461,7 milhões do orçamento destinado à subvenção ao seguro rural naquele ano. O levantamento aponta que as restrições de recursos e a redução da área segurada comprometem a capacidade de transferência dos riscos da produção agropecuária.Atenção às mudançasDo ponto de vista jurídico, a utilização das apólices como garantia também exige atenção à possibilidade de divergências sobre a caracterização dos sinistros, à extensão dos direitos cedidos e à destinação dos valores recebidos. A ausência de clareza nessas condições pode resultar em conflitos contratuais e comprometer a efetividade da proteção oferecida ao financiamento.“A nova lei representa uma oportunidade de aperfeiçoar a estrutura de garantias do crédito rural, mas seus efeitos dependerão da qualidade dos contratos e da aplicação das regras. Para bancos, cooperativas e produtores, a prevenção de conflitos começa antes da contratação, com a definição clara das responsabilidades e dos direitos de cada parte”, conclui Galera Mari.

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África do Sul descarta veto geral a aves brasileiras por surto de Newcastle

A África do Sul não irá impor uma proibição geral às importações de aves do Brasil, restringindo apenas os embarques provenientes de estabelecimentos onde tenham sido registrados surtos da doença de Newcastle, informou o Departamento de Agricultura do país nesta quarta-feira, em comunicado (28).

O país africano importa cerca de um quinto do consumo anual de carne de frango, sendo o Brasil responsável por pelo menos 70% do total das importações.

Os certificados sanitários veterinários acordados entre os dois países permitem a continuidade do comércio de carne de aves fresca, ovos para incubação e pintinhos de um dia, apesar do surto, desde que sejam cumpridos os requisitos de importação, informou o departamento.

As autoridades locais informaram terem sido notificadas pelo Brasil sobre o primeiro surto no estado de Santa Catarina em 20 de outubro. Nesta terça-feira (27), o Brasil anunciou um terceiro surto da doença de Newcastle em uma granja avícola no município de Nova Erechim, em Santa Catarina.

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Cacau tem maior recomposição da oferta desde 2021, mas déficit é esperado

O balanço global de cacau da temporada 2025/26 foi revisado para um superávit de 494 mil toneladas, consolidando o maior movimento de recomposição da oferta desde 2020/21. Os dados constam na quinta e última revisão do relatório da StoneX Brasil, elaborada pelo analista Lucca Bezzon e Leonardo Rossetti, especialista de Inteligência de Mercado.

A revisão, referente ao ciclo de outubro a setembro, foi impulsionada principalmente pelo aumento das estimativas de produção nos principais países produtores. Na Costa do Marfim, a projeção foi ajustada para 2,05 milhões de toneladas. 

O Equador encerrou o período com exportações recordes, enquanto o Brasil registrou uma das melhores safras da série histórica. Em Gana, informações que citam o Cocobod, órgão regulador do setor cacaueiro do país, indicam uma produção próxima de 700 mil toneladas.

Camarões foi uma exceção entre as origens analisadas. Segundo o relatório, o país foi afetado pelas temperaturas elevadas e pela intensificação do fenômeno climático Harmattan, caracterizado por ventos secos que atingem partes da África Ocidental.

Pelo lado da demanda, a StoneX elevou a estimativa em 30 mil toneladas, para 4,69 milhões de toneladas. O ajuste ocorreu após a moagem de cacau apresentar resultado acima do esperado no terceiro trimestre. A consultoria ressalta, porém, que parte desse aumento está associada à recomposição de estoques e ao processamento nos países de origem, sem representar necessariamente uma expansão equivalente do consumo de chocolate.

Oferta menor e déficit previsto para 2026/27

Para a temporada 2026/27, também compreendida entre outubro e setembro, a StoneX projeta um déficit global de 64 mil toneladas. A estimativa indica uma interrupção no processo de recomposição dos estoques observado no ciclo anterior.

A revisão incorpora os efeitos de um evento de El Niño de forte intensidade, que vêm afetando de maneira distinta as principais regiões produtoras. Na Costa do Marfim, o relatório aponta chuvas abaixo da média e lentidão na colheita. Na Indonésia, o destaque é a seca severa, enquanto o Equador enfrenta excesso de umidade.

Com esse cenário, a oferta global de cacau deve diminuir 9,6% em 2026/27. A estimativa foi reduzida em 90 mil toneladas em relação à projeção de julho. Ao mesmo tempo, a demanda deve continuar em recuperação gradual.

Apesar do déficit previsto, o volume é menor do que os registrados nas temporadas entre 2021/22 e 2023/24. Ainda assim, de acordo com a análise da StoneX, o mercado deve iniciar o próximo ciclo com menor margem de segurança nos estoques, aumentando a sensibilidade dos preços a eventuais deteriorações das condições climáticas, especialmente na África Ocidental.

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BTG reitera compra de 3tentos e vê potencial de valorização de 139%

O BTG Pactual reiterou a recomendação de compra para as ações da 3tentos (TTEN3) e manteve a companhia como sua principal escolha no setor de agronegócios. O banco estabeleceu preço-alvo de R$ 26 para os próximos 12 meses, ante cotação de R$ 10,90 em 27 de outubro, o que representa potencial de valorização de 138,5%, sem considerar dividendos.

Em relatório sobre as perspectivas para o terceiro trimestre de 2026, o BTG avalia que a pressão sobre as margens industriais da companhia pode estar próxima do fim. A recuperação dos preços do farelo de soja e do biodiesel tende a favorecer a rentabilidade do processamento de soja, enquanto o banco projeta uma normalização gradual dos resultados industriais em 2027.

O BTG também destaca o avanço da produção de etanol de milho como vetor de crescimento. Para 2027, a instituição estima lucro bruto de R$ 419 milhões com a operação, considerando utilização média de 95% da capacidade da planta e processamento de 930 mil toneladas de milho.

Outro fator de potencial melhora é a redução dos custos logísticos. A joint venture com a Caramuru, que prevê investimentos conjuntos de R$ 400 milhões em infraestrutura no corredor de exportação do Arco Norte, poderá gerar economia anual de R$ 60 milhões a R$ 70 milhões para a 3tentos quando estiver plenamente operacional. Esses ganhos ainda não estão incorporados às estimativas do banco.

O balanço da companhia será divulgado dia 12 de novembro.

A recomendação considera, porém, que o curto prazo continua pressionado. Para o terceiro trimestre, o BTG projeta lucro líquido de R$ 155 milhões, queda de 24% na comparação anual. O segmento de grãos deve registrar recuo de 45% no volume negociado, após vendas excepcionalmente fortes de soja no primeiro semestre.

No segundo trimestre, o lucro líquido da empresa recuou 86,3% na comparação anual, para R$ 14,4 milhões. Segundo o CEO, João Marcelo Dumoncel, o resultado foi pressionado pelo desempenho do biodiesel, pelo atraso na entrada em operação de novas capacidades industriais e por uma mudança no mix de receitas, com maior participação do segmento de grãos, de margens mais baixas.

Apesar das incertezas, o banco considera atrativa a avaliação da companhia. As ações negociam a cerca de seis vezes o lucro estimado para 2027, enquanto o BTG projeta crescimento anual dos resultados superior a 20% até 2029.

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Agroindústria recua 2,7% em agosto e acumula queda de 1% em 2026

A produção agroindustrial brasileira caiu 2,7% em agosto, na comparação com o mesmo mês de 2025, e registrou a quarta retração interanual consecutiva, segundo o Índice de Produção Agroindustrial, da FGV (Fundação Getulio Vargas). Com o resultado, o setor acumulou queda de 1% nos oito primeiros meses de 2026.

O desempenho foi influenciado principalmente pelo segmento de produtos não alimentícios, com uma produção que recuou 5,4% em agosto, na comparação anual. Já o segmento de produtos alimentícios e bebidas teve queda de 0,3% no período.

Entre os produtos não alimentícios, a produção de insumos agropecuários caiu 18,3% em agosto, a maior retração para o mês desde o início da série histórica do indicador, em 2023. Segundo o FGV Agro, o resultado foi determinado pela menor produção de intermediários para fertilizantes, adubos e fertilizantes, defensivos agrícolas, tratores e máquinas agrícolas, ainda como consequência do conflito no Oriente Médio.

A produção de produtos têxteis também recuou, 7,6% na comparação anual. O setor de fumo teve queda de 19,6%, enquanto o segmento de produtos florestais avançou 1,1%. 

Os biocombustíveis registraram alta de 6,4%, impulsionados pelo aumento da moagem de cana-de-açúcar, pela maior destinação da matéria-prima à produção de etanol e pelo avanço do etanol de milho.

No acumulado de janeiro a agosto, o segmento de produtos não alimentícios apresentou retração de 2,9%. Apenas biocombustíveis, com expansão de 14,1%, e fumo, com alta de 2%, registraram crescimento no período entre os setores que compõem esse grupo.

Alimentos e bebidas

No segmento de produtos alimentícios e bebidas, a produção de alimentos caiu 1% em agosto em relação ao mesmo  mês de 2025. Os alimentos de origem vegetal tiveram retração de 1,4%, enquanto os de origem animal recuaram 0,8%.

Entre os produtos de origem vegetal, houve queda na produção de conservas e sucos, produtos da moagem de trigo e açúcar refinado. A expansão da produção de café, óleos e gorduras e arroz ajudou a limitar a retração. 

Nos alimentos de origem animal, a queda foi influenciada pela menor produção de carne bovina e pescados, parcialmente compensada pelo crescimento de carne suína, aves e laticínios.

Segundo o relatório, a retração da produção de carne bovina está relacionada, sobretudo, ao esgotamento da cota chinesa para a carne brasileira. Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária citados pelo estudo mostram que o volume embarcado para a China caiu 89,9% em agosto, na comparação com o mesmo mês de 2025.

Na direção oposta, a produção de bebidas cresceu 4,4% em agosto. O avanço foi de 2,3% nas bebidas alcoólicas e de 6,4% nas não alcoólicas.

No acumulado do ano, o segmento de produtos alimentícios e bebidas registrou expansão de 0,5%, insuficiente para compensar a retração dos produtos não alimentícios. A produção de alimentos avançou 0,2% entre janeiro e agosto, enquanto a de bebidas cresceu 2,3%.

Desaceleração 

O relatório do FGV Agro aponta perda gradual de dinamismo da agroindústria ao longo de 2026. Até abril, a produção acumulava expansão de 0,8%. Nos meses seguintes, o indicador passou a registrar variações negativas, encerrando agosto com retração de 1% no acumulado do ano.

Os pesquisadores citam fatores econômicos, como os juros elevados, o desaquecimento do mercado interno e a limitação da renda disponível das famílias, além do cenário eleitoral, como elementos relevantes para a trajetória da atividade.

Segundo o estudo, a reversão ou o aprofundamento da desaceleração depende da reação dos agentes econômicos ao resultado das urnas. O relatório afirma que os efeitos desse cenário talvez sejam mais claros na próxima divulgação do indicador, prevista para meados de novembro.

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Índia atinge recorde na importação de soja em 2025/26

As importações de soja pela Índia ​em 2025/26 chegaram a ​um recorde de 1,1 milhão de toneladas, em comparação com volumes insignificantes no ano anterior, já que a alta nos preços internos levou as processadoras a intensificarem as compras no exterior, ⁠informou na quarta-feira ​uma importante entidade do setor.

O país ​do sul da Ásia importou cerca de 2 mil0 ⁠toneladas no ano anterior, ⁠segundo dados da Associação de Processadores ​de ‌Soja da Índia (Sopa).

A Índia permite apenas a ⁠importação de soja não transgênica, limitando o abastecimento a um pequeno número de países africanos — incluindo Benin, ‌Níger, ⁠Togo e ‌Nigéria –, onde a soja não transgênica tem um preço significativamente mais alto do que as variedades ⁠transgênicas.

O Níger emergiu ⁠como o maior exportador de soja para a Índia, com ‌remessas de mais de 430 mil toneladas no ano comercial encerrado em 30 de setembro, segundo estimativas de operadores.

O aumento levou as autoridades alfandegárias ‌indianas a investigar as importações de soja declaradas como originárias do Níger, sob suspeita de que ⁠as cargas viessem da Nigéria e tivessem sido rotuladas incorretamente para evitar tarifas de importação, ​informou a Reuters neste mês.

As exportações de farelo ​de soja da Índia em 2025/26 caíram pela metade, para 1 milhão de toneladas, informou a sopa em comunicado.

 

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