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O cancro da mama não avisa
VTM
É precisamente por isso que o rastreio é tão importante: procura alterações numa fase em que ainda não há sintomas, quando as opções de tratamento são, em geral, mais simples e eficazes.
Em Portugal, o cancro da mama é o tumor maligno mais frequente nas mulheres. Todos os anos são diagnosticados cerca de 9.000 novos casos e mais de 2.000 mulheres morrem da doença. Estes números lembram-nos que não basta confiar na ausência de sintomas.
Desde 2025, o programa organizado de rastreio do Serviço Nacional de Saúde abrange mulheres sem sinais ou sintomas, entre os 45 e os 74 anos, através de mamografia realizada de dois em dois anos. Entre 1990 e 2024, foram feitas mais de seis milhões de mamografias no âmbito do programa, tendo sido identificadas cerca de 36.000 mulheres com alterações suspeitas, encaminhadas para avaliação médica.
Uma imagem suspeita não significa necessariamente cancro. Significa que é preciso esclarecer o achado com outros exames ou, quando indicado, uma biópsia. O objetivo é não deixar passar uma doença potencialmente curável numa fase inicial. O diagnóstico precoce pode permitir tratamentos menos agressivos, cirurgias mais conservadoras e maior probabilidade de cura.
O rastreio destina-se a mulheres sem sintomas. Um nódulo novo, retração da pele ou do mamilo, alteração persistente do contorno da mama ou saída de sangue pelo mamilo deve motivar observação médica, sem esperar pela próxima convocatória.
Há ainda situações que exigem um plano individual: história familiar importante, mutações como BRCA1 ou BRCA2, radioterapia prévia no tórax ou mamas densas. Nestes casos, a idade de início e os exames adequados podem ser diferentes. A densidade mamária pode dificultar a deteção de algumas lesões e deve ser discutida com o médico.
A prevenção começa também no quotidiano: manter um peso saudável, praticar atividade física, moderar o consumo de álcool e não fumar. Estas medidas não eliminam o risco, mas ajudam a reduzi-lo.
Participar no rastreio é um gesto simples de cuidado individual e coletivo. Uma mamografia pode não mudar o dia de hoje – mas pode mudar decisivamente o futuro.
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Mondim de Basto acolhe Feira da Saúde com diversas atividades
VTM
A Câmara Municipal de Mondim de Basto organiza a primeira edição da Feira da Saúde, que terá lugar nos dias 22 e 23 de outubro. O evento contará com um programa diversificado que inclui rastreios, conversas temáticas, showcooking, atividades para crianças, dádiva de sangue e desporto.
A abertura oficial está agendada para as 10h00 do dia 22 de outubro e será presidida por Bruno Ferreira, Presidente da Câmara Municipal de Mondim de Basto, e Pedro Cunha, Presidente do Conselho de Administração da ULS Alto Ave. O primeiro dia inicia-se com uma mesa-redonda intitulada «Esperança com Nome e Rosto», focada na prevenção do cancro.
O showcooking «Do Saudável ao Saboroso» será conduzido pelo chefe Fábio Bernardino, que demonstrará como é possível aliar uma alimentação equilibrada a refeições saborosas. Durante a tarde do primeiro dia, haverá atividades dedicadas à saúde infantil, incluindo o teatro «Pastilhas no Reino dos Sorrisos» e a iniciativa «Dentinho Feliz», centrada na saúde oral.
Na sexta-feira, dia 23 de outubro, as atividades começam às 09h30 com o teatro infantil «O Mistério da Água na Quinta da Tia Nini». O programa inclui várias conversas com especialistas sobre alimentação e saúde pública. Entre os temas abordados estarão as dietas da moda e a preparação de lancheiras saudáveis para crianças.
Os rastreios de saúde decorrerão nos dois dias entre as 10h30 e as 17h00 sob o lema «Prevenir, Avaliar e Cuidar», reforçando a importância da deteção precoce e do acompanhamento regular da saúde. Além disso, haverá uma campanha de dádiva de sangue na sexta-feira entre as 09h00 e as 12h30 e das 14h00 às 16h00.
O evento culminará com a «Caminhada/Corrida – Juntos pela Saúde», marcada para as 19h00 do dia 23. A Feira da Saúde visa promover uma cultura de prevenção junto da comunidade através do esclarecimento de dúvidas e contacto com especialistas na área da saúde.
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A verdade por detrás dos mitos sobre saúde
VTM
Por exemplo, apanhar frio causa constipações? É necessário esperar algumas horas após as refeições para tomar banho? Estas são algumas das crenças que continuam presentes no quotidiano da população e que, muitas vezes, são tidas como factos.
A VTM procurou compreender a diferença entre factos e mitos na área da saúde e falou com o enfermeiro Joni Madureira, coordenador da Unidade de Cuidados na Comunidade (UCC) de Vila Real I. Segundo o enfermeiro, é essencial distinguir factos de mitos para evitar comportamentos que podem ser prejudiciais para a saúde. O profissional explica que muitas destas ideias são transmitidas no seio das próprias famílias e acabam por se tornar mais difundidas precisamente por serem simples e repetidas ao longo do tempo.
Um dos mitos mais comuns está associado ao cabelo molhado e às constipações. Segundo Joni Madureira, as constipações são provocadas por vírus, pelo que “sair à rua com o cabelo molhado não causa, por si só, a doença”. No entanto, acrescenta que a exposição ao frio pode favorecer o aparecimento de sintomas, uma vez que o arrefecimento pode provocar vasoconstrição nasal e diminuir a resposta imunitária local. “O frio pode facilitar, mas não é o culpado: sem vírus, não há constipação”, concluiu.
Outro mito frequente está relacionado com o consumo de água. Joni Madureira afirmou que beber água durante ou após as refeições não provoca aumento de peso, visto que a água não tem calorias. Da mesma forma, não é o simples facto de comer após as 18 horas que provoca aumento de peso. “Engordamos quando comemos mais do que gastamos ao longo do dia, não quando comemos depois das 18h”, explica Joni Madureira, alertando, no entanto, para o consumo excessivo de petiscos e porções maiores durante a noite.
“Nem todos os mitos são absurdos, alguns nasceram de uma verdade mas foram exagerados”
JONI MADUREIRA
Segundo Joni Madureira, a persistência destas crenças está relaci onada com a forma simples como são transmitidas e com o facto de muitas vezes terem origem em pessoas em quem confiamos. Neste contexto, a família assume um papel importante por ser frequentemente a primeira fonte de informação sobre saúde.
“Estes mitos são transmitidos como expressão de cuidado e afeto, o que lhes confere autoridade emocional”, explica Joni Madureira. Por isso, defende que a desmistificação destas crenças deve ser feita com respeito, compreensão e empatia.
O enfermeiro acrescenta ainda que nem todos os mitos de saúde são completamente infundados e alguns têm fundamento científico. “Nem todos os mitos são completamente absurdos, alguns têm uma base de v erdade, mas foram exagerados”, evidenciou Joni Madureira.
As redes sociais proporcionaram novas oportunidades para promover a literacia em saúde, mas também facilitaram a difusão de informação falsa. Conteúdos emotivos, promessas milagrosas e opiniões de pessoas apresentadas como especialistas podem alcançar rapidamente milhares de utilizadores.
Para distinguir a verdade dos mitos, Joni Madureira aconselha a verificar a fonte e o autor da informação, a desconfiar de promessas milagrosas, a procurar o consenso científico e a privilegiar entidades reconhecidas como a Direção-Geral da Saúde (DGS), o SNS 24 e a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Perante uma dúvida encontrada na internet, o conselho é “não agir por impulso com base num único conteúdo”. A informação deve ser confirmada junto de fontes oficiais ou de um profissional de saúde, por exemplo, o médico de família ou o enfermeiro. “A melhor defesa contra os mitos de saúde é uma população com literacia em saúde”.
Joni Madureira aconselha a população a ligar para o SNS 24, através do número 808 24 24 24, caso tenha alguma dúvida.
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