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Quando se levanta rapidamente da cama fica com tonturas durante alguns segundos? Saiba o que pode estar a acontecer

Levantar-se rapidamente da cama e sentir tonturas, fraqueza ou uma sensação de desequilíbrio durante alguns segundos é uma situação relativamente comum. Embora estes episódios sejam muitas vezes passageiros, podem estar relacionados com uma descida súbita da tensão arterial, provocada pela mudança de posição do corpo, que em determinadas circunstâncias merece atenção médica.

Este fenómeno é conhecido como hipotensão ortostática, também designada por hipotensão postural. O portal do Serviço Nacional de Saúde britânico (NHS) esclarece que isto acontece quando a tensão arterial diminui ao passar da posição deitada ou sentada para a posição de pé, podendo provocar tonturas, visão turva e, nos casos mais intensos, desmaios.

Por que é que a tensão arterial pode baixar ao levantar-se?

Quando uma pessoa se levanta, a gravidade faz com que parte do sangue se desloque temporariamente para as pernas e para a região abdominal. Em condições normais, o organismo responde rapidamente a esta alteração, ajustando a frequência cardíaca e a contração dos vasos sanguíneos para assegurar que o cérebro continua a receber sangue suficiente.

Contudo, quando este mecanismo de compensação não funciona com a rapidez necessária, a tensão arterial pode diminuir durante alguns momentos. Segundo o NHS, esta alteração pode provocar uma sensação de cabeça leve, tonturas ou fraqueza, sintomas que tendem a melhorar quando a circulação estabiliza ou quando a pessoa volta a sentar-se.

Quais são os valores considerados tensão arterial baixa?

O NHS considera que existe tensão arterial baixa quando os valores são inferiores a 90/60 mmHg, habitualmente conhecidos como 9 por 6. No entanto, a entidade esclarece que nem todas as pessoas com estes valores apresentam sintomas ou necessitam de tratamento, uma vez que a tensão arterial varia naturalmente ao longo do dia e pode ser mais baixa em indivíduos saudáveis.

Importa ainda distinguir a tensão arterial habitualmente baixa da hipotensão ortostática. Esta última está associada a uma descida significativa dos valores após a mudança de posição, mesmo quando a tensão arterial em repouso não é particularmente baixa. Para avaliar a situação, um profissional de saúde pode realizar medições enquanto o paciente está deitado e depois de se colocar de pé.

Desidratação e medicamentos podem estar na origem do problema

Entre as causas identificadas pelo NHS encontram-se a desidratação, determinados medicamentos, a gravidez e algumas doenças, incluindo a diabetes. A perda de líquidos reduz o volume de sangue em circulação, podendo dificultar a capacidade do organismo para manter a tensão arterial estável quando uma pessoa muda rapidamente de posição.

O problema também pode tornar-se mais frequente com o envelhecimento. Segundo a mesma fonte, alguns medicamentos utilizados no tratamento de doenças cardiovasculares e outras condições podem contribuir para a descida da tensão arterial. No entanto, qualquer alteração da medicação deve ser avaliada por um médico, não sendo aconselhável interromper tratamentos por iniciativa própria.

Há pequenos hábitos que podem ajudar a evitar as tonturas

Uma das principais recomendações do NHS consiste em evitar mudanças bruscas de posição, especialmente ao sair da cama. Em vez de se levantar imediatamente, a pessoa deve passar primeiro da posição deitada para a posição sentada e só depois colocar-se de pé, permitindo que o organismo se adapte gradualmente.

A entidade aconselha também uma hidratação adequada, refeições mais pequenas e frequentes e a redução do consumo excessivo de álcool. Permanecer muito tempo de pé ou sentado e levantar-se repentinamente também pode favorecer os sintomas. Se as tonturas surgirem, é recomendável sentar-se ou deitar-se até recuperar o equilíbrio, evitando caminhar ou realizar atividades que possam provocar uma queda.

Quando é necessário procurar ajuda médica?

Embora uma tontura ocasional ao levantar-se nem sempre represente um problema grave, o NHS recomenda procurar um médico quando os episódios são frequentes, persistentes ou acompanhados por outros sintomas. Visão turva, náuseas, fraqueza, confusão e desmaios são alguns dos sinais que podem surgir quando a tensão arterial diminui excessivamente.

A avaliação é especialmente importante quando existe perda de consciência, mesmo que dure apenas alguns segundos. Já situações acompanhadas por dor no peito, dificuldades súbitas em falar ou fraqueza num dos lados do corpo exigem assistência médica urgente. Assim, levantar-se mais devagar pode ajudar a evitar determinados episódios, mas a repetição das tonturas não deve ser automaticamente atribuída à tensão arterial baixa sem uma avaliação adequada.

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Tem 50 anos ou mais? Universidade do Algarve abriu aulas sem exames e não exige habilitações académicas

Voltar a estudar depois dos 50 anos já é possível numa universidade portuguesa sem ter de realizar exames ou apresentar diplomas escolares. A iniciativa permite frequentar aulas sobre temas tão diferentes como inteligência artificial, cavalos-marinhos ou alimentação, num ambiente académico onde a troca de experiências e a curiosidade dos participantes são mais importantes do que as classificações.

O projeto chama-se UAlg C+ Universidade Comunitária e começou a funcionar a 19 de outubro, no Algarve, com atividades realizadas sobretudo no Campus da Penha, em Faro. De acordo com a rádio TSF, a iniciativa destina-se a pessoas com 50 anos ou mais que pretendam continuar a aprender, independentemente das habilitações académicas, mediante o pagamento de uma propina.

Não é preciso ter frequentado o ensino superior

A principal particularidade desta iniciativa é a possibilidade de qualquer pessoa com a idade exigida regressar a uma sala de aula sem precisar de ter concluído o ensino secundário ou frequentado anteriormente uma universidade. Nídia Braz, uma das coordenadoras do projeto, explicou à TSF que o objetivo é abrir as portas da instituição e permitir à população conhecer o trabalho desenvolvido pelos docentes e investigadores.

Segundo a mesma fonte, os responsáveis fazem questão de distinguir esta experiência das universidades seniores tradicionais. Em vez de um programa organizado em disciplinas fixas, os participantes encontram módulos independentes, com diferentes professores e conteúdos. A Universidade do Algarve confirma que a oferta abrange seis áreas do conhecimento, desde saúde e ambiente até economia, património, artes e tecnologias.

Num dia fala-se de cavalos-marinhos e noutro de inteligência artificial

As primeiras sessões já abordaram temas relacionados com a conservação dos cavalos-marinhos, a importância das águas subterrâneas e a inteligência artificial. A programação inclui aulas teóricas e práticas, oficinas, caminhadas e visitas de estudo, permitindo que os participantes contactem diretamente com diferentes áreas de investigação desenvolvidas na universidade.

Cada módulo tem uma duração habitual de 90 minutos e as atividades decorrem nos dias úteis, entre as 10 h e as 17 h. Os estudantes podem escolher os temas que pretendem frequentar, mediante inscrição prévia e de acordo com a capacidade de cada sessão. A programação prolonga-se até 25 de junho de 2027, com uma interrupção entre 11 de dezembro e 18 de janeiro.

Aluna de 72 anos destaca a liberdade para fazer perguntas

Entre os primeiros participantes encontra-se Anabela, de 72 anos, que contou à estação de rádio como as aulas decorrem num ambiente de partilha entre professores e estudantes. A aluna considera que a experiência de vida dos participantes contribui para tornar as sessões mais participativas, uma vez que muitos aproveitam para colocar questões relacionadas com os assuntos apresentados.

A presença de pessoas com diferentes percursos profissionais e pessoais é, precisamente, uma das características que a universidade pretende valorizar. Nídia Braz referiu que os docentes responderam positivamente ao desafio de participar no projeto, tendo apresentado propostas de atividades que já permitem preencher a programação até ao final de junho.

Quanto custa frequentar esta universidade?

A frequência do programa implica o pagamento de uma propina. Os participantes pagam 25 euros por mês e passam a integrar a comunidade académica da Universidade do Algarve. A página oficial do curso apresenta, para o ano letivo de 2026/2027, uma propina de 200 euros, acrescida de uma taxa de candidatura de 10 euros e de outros 10 euros referentes à inscrição e ao seguro escolar.

A iniciativa permite também utilizar espaços da universidade, incluindo bibliotecas, cantinas e bares. Os participantes podem almoçar no campus, conviver com estudantes mais jovens ou passar algum tempo na biblioteca. A responsável considera que esta integração na vida universitária contribui para criar novas oportunidades de convívio e combater o isolamento social.

Como fazer a inscrição na Universidade Comunitária?

As candidaturas encontram-se abertas para o ano letivo de 2026/2027, estando previstas 50 vagas. Podem inscrever-se cidadãos portugueses ou estrangeiros residentes em Portugal com idade igual ou superior a 50 anos. A seleção é realizada por ordem de inscrição, não sendo exigidas habilitações académicas específicas.

Os interessados podem apresentar a candidatura online até 3 de maio de 2027, através do portal da universidade. Existe também apoio presencial às inscrições às sextas-feiras, entre as 10 h e as 12 h, no Balcão do Estudante do Campus da Penha, no edifício do Instituto Superior de Engenharia.

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É alérgico a gatos? Ciência mostra que afinal o problema não está propriamente no pelo

Basta entrar numa casa onde vive um gato para algumas pessoas começarem a espirrar, sentir comichão nos olhos ou ficar com o nariz entupido. Estes sintomas são frequentemente atribuídos ao pelo dos animais, mas a explicação científica é diferente. O principal responsável pelas reações alérgicas é uma proteína que os gatos produzem naturalmente e que pode espalhar-se pelo ambiente, mesmo sem contacto direto com o animal.

Trata-se da Fel d 1, considerada o principal alergénio associado aos gatos. Segundo a American College of Allergy, Asthma and Immunology (ACAAI), organização norte-americana especializada em alergias, os felinos produzem várias proteínas capazes de desencadear reações do sistema imunitário. Estas substâncias encontram-se na saliva, na pele e no pelo, embora não sejam os próprios fios de pelo a provocar a maioria das alergias.

Proteína presente na saliva é uma das principais responsáveis

A Fel d 1 é produzida sobretudo nas glândulas salivares e sebáceas dos gatos. Durante a higiene diária, os animais lambem repetidamente o corpo, espalhando a saliva e as proteínas nela presentes pela superfície da pele e do pelo. Quando estas substâncias secam, podem permanecer depositadas no animal e libertar-se posteriormente para o ambiente.

Segundo uma revisão científica publicada na revista Allergy, Asthma & Clinical Immunology, a Fel d 1 é responsável por grande parte das reações alérgicas associadas aos gatos. Estudos indicam que mais de 90% das pessoas sensibilizadas a alergénios felinos apresentam anticorpos contra esta proteína, embora existam outras substâncias produzidas pelos animais que também podem desencadear sintomas.

Alergénios podem permanecer na casa durante muito tempo

O pelo desempenha um papel importante na distribuição destas proteínas, funcionando como um veículo que as transporta para diferentes locais. Quando o gato perde pelo ou pequenas partículas de pele, os alergénios podem acumular-se em sofás, tapetes, colchões, cortinas e peças de roupa, mantendo-se no ambiente mesmo depois de o animal sair da divisão.

A mesma investigação explica que estas proteínas podem ser transportadas pelo ar, associadas a partículas muito pequenas, e aderir facilmente aos tecidos. Por esse motivo, é possível encontrar alergénios de gatos em escolas, transportes públicos e outros espaços onde não vivem animais. A presença destas substâncias, contudo, não significa necessariamente que todas as pessoas expostas venham a desenvolver sintomas.

Ter um gato com pouco pelo evita as alergias?

Uma das dúvidas mais frequentes está relacionada com a existência de raças consideradas hipoalergénicas. Alguns gatos são apresentados como mais adequados para pessoas com alergias, sobretudo quando têm pouco pelo ou praticamente nenhum. No entanto, a ACAAI esclarece que não existem provas científicas de que determinadas raças sejam completamente incapazes de provocar reações alérgicas.

A entidade acrescenta que todos os gatos produzem alergénios, independentemente do comprimento do pelo. A quantidade destas proteínas pode variar entre animais, mas a reação depende também da sensibilidade individual. Assim, escolher um gato sem pelo não garante que uma pessoa alérgica consiga viver com ele sem apresentar sintomas.

Há medidas que podem reduzir as reações alérgicas

Para quem já tem um gato em casa, existem cuidados que podem ajudar a diminuir a exposição aos alergénios. A American Academy of Allergy, Asthma & Immunology (AAAAI) recomenda impedir a entrada do animal no quarto, aspirar regularmente os tapetes e utilizar equipamentos com filtros HEPA, capazes de reter partículas finas presentes no ambiente.

A organização aconselha ainda a lavagem frequente dos tecidos onde os alergénios se podem acumular e a redução do contacto direto com os animais. A escovagem pode ser realizada no exterior por alguém que não tenha alergias, enquanto os cuidados de higiene do gato devem respeitar as orientações de um veterinário. Contudo, estas medidas podem diminuir a exposição, mas não garantem a eliminação completa dos sintomas.

Quando deve procurar um especialista?

As alergias aos gatos podem manifestar-se através de espirros, congestão nasal, olhos lacrimejantes e comichão, mas algumas pessoas também apresentam tosse, pieira ou dificuldades respiratórias. Segundo a ACAAI, a exposição aos alergénios felinos pode agravar os sintomas de asma, especialmente em indivíduos que já apresentam sensibilidade respiratória.

Quando os sintomas são frequentes ou interferem com a vida quotidiana, é aconselhável procurar um médico especialista em imunoalergologia. Através de testes adequados, é possível identificar os alergénios responsáveis e avaliar tratamentos, incluindo medicamentos para controlar os sintomas ou imunoterapia em determinadas situações. Assim, embora o pelo seja frequentemente associado às alergias, são sobretudo as proteínas transportadas por ele que explicam as reações do organismo.

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Vai viajar para fora da zona euro? Pergunta no terminal de pagamento pode fazê-lo gastar mais dinheiro

Pagar com cartão durante uma viagem ao estrangeiro pode parecer uma operação simples, mas existe uma pergunta que surge em determinados terminais de pagamento e que pode tornar as compras mais caras. Quando o equipamento apresenta a possibilidade de escolher entre euros e a moeda do país visitado, a opção aparentemente mais conveniente nem sempre é a mais económica.

A situação pode acontecer em países como o Reino Unido, a Polónia ou a Dinamarca, onde a moeda utilizada não é o euro. De acordo com o portal Your Europe, da Comissão Europeia, escolher pagar na moeda nacional do titular do cartão pode implicar encargos adicionais, uma vez que o estabelecimento ou o operador do terminal aplica uma conversão cambial que frequentemente torna a operação mais dispendiosa.

Por que é que pagar em euros pode sair mais caro?

O procedimento é conhecido como conversão dinâmica de moeda, também designado pela sigla DCC, e permite que o consumidor veja imediatamente o valor da compra convertido para a moeda da sua conta bancária. Por exemplo, um português que esteja na Polónia pode encontrar um terminal que lhe pergunte se pretende pagar em euros ou em zlótis, a moeda polaca.

Segundo a mesma fonte, ao escolher euros, o consumidor aceita a taxa de câmbio apresentada pelo serviço de conversão associado ao terminal. Esta taxa pode incluir uma margem adicional que torna a compra mais cara do que seria se o pagamento fosse processado na moeda local e convertido posteriormente pelo banco ou pela entidade emissora do cartão.

Qual é a opção normalmente mais económica?

A Comissão Europeia explica que pagar na moeda local é frequentemente a alternativa mais barata, embora o valor final dependa das condições aplicadas pelo banco. Ao escolher esta modalidade, o consumidor permite que a conversão seja realizada posteriormente pela entidade responsável pelo cartão, segundo as taxas e comissões previstas no respetivo contrato.

Contudo, esta escolha não garante que a operação fique isenta de encargos. O banco pode cobrar comissões por transações internacionais ou pela conversão de moeda, pelo que é importante consultar antecipadamente o preçário. A principal diferença está na entidade responsável pela conversão e na taxa aplicada, sendo aconselhável comparar os custos sempre que existam informações disponíveis.

Comerciantes são obrigados a informar sobre os custos?

Nos pagamentos abrangidos pelas regras europeias, os comerciantes e operadores que oferecem a conversão dinâmica de moeda devem informar os consumidores sobre os encargos antes de a operação ser concluída. Segundo o portal Your Europe, estes custos devem ser apresentados através de uma percentagem de acréscimo relativamente às taxas de câmbio de referência mais recentes do Banco Central Europeu.

Esta obrigação encontra-se prevista no artigo 4.º do Regulamento (UE) 2021/1230, relativo aos pagamentos transfronteiriços na UE. A legislação determina ainda que, quando é oferecida a conversão no terminal, devem ser apresentados os montantes nas duas moedas. Estas regras aplicam-se às operações abrangidas pelo regulamento europeu, não devendo ser consideradas automaticamente válidas em todos os países fora da União Europeia.

Levantamentos em caixas automáticos também exigem atenção

O mesmo problema pode surgir quando um viajante pretende levantar dinheiro num caixa automático fora da zona euro. Alguns equipamentos oferecem a possibilidade de realizar imediatamente a conversão para euros, apresentando o montante que será debitado na conta. No entanto, essa opção pode incluir uma taxa de câmbio menos favorável do que a utilizada pelo banco do titular do cartão.

Os levantamentos podem ainda envolver outros custos, nomeadamente comissões cobradas pelo proprietário do equipamento e encargos associados a operações em moeda estrangeira. Por isso, antes de confirmar um levantamento, importa verificar não apenas a moeda selecionada, mas também os eventuais custos apresentados no ecrã.

Banco de Portugal recomenda atenção às taxas de câmbio

O Banco de Portugal esclarece que as instituições autorizadas a realizar operações cambiais podem fixar livremente as respetivas taxas, devendo divulgar os valores aplicados e as comissões cobradas. Acrescenta que, mesmo quando uma entidade anuncia uma operação sem comissões, os custos podem estar incorporados na própria taxa de câmbio utilizada.

Assim, quem vai viajar para um país que não utiliza o euro deve consultar previamente as condições do seu cartão e verificar os encargos associados a pagamentos noutras moedas. Quando o terminal apresentar duas opções, pagar na moeda local é frequentemente mais vantajoso, mas a decisão deve ter em conta a taxa de conversão oferecida e os custos do banco, evitando que uma compra aparentemente simples acabe por representar uma despesa superior à esperada.

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No Barlavento algarvio há uma vila que hoje é conhecida pelas praias mas no passado foi o “celeiro do Algarve”

Atualmente associada às praias, às paisagens naturais e ao turismo, há uma vila no Barlavento algarvio cuja importância económica esteve durante muito tempo ligada a uma atividade bastante diferente. A produção de cereais marcou a história desta localidade, que chegou a ser conhecida como o “celeiro do Algarve”, numa época em que os campos agrícolas e os moinhos tinham um papel fundamental na vida da população.

Trata-se de Vila do Bispo, no extremo sudoeste do Algarve, onde a atividade agrícola deixou marcas que ainda podem ser encontradas no património local. De acordo com o Visit Portugal, o portal oficial do Turismo de Portugal, a vila foi considerada durante séculos uma importante zona produtora de cereais, tendo os numerosos moinhos constituído um dos principais símbolos dessa atividade.

Por que razões era Vila do Bispo conhecida como o “celeiro do Algarve”?

A designação está relacionada com a importância que a produção cerealífera assumiu na economia local durante várias gerações. Os terrenos agrícolas de Vila do Bispo permitiram o desenvolvimento de uma atividade que se tornou uma das principais fontes de sustento dos habitantes, numa região onde a pesca e a apanha de marisco também contribuíam para a subsistência das famílias.

Os moinhos de vento estavam diretamente associados a essa produção, uma vez que eram utilizados para transformar os cereais em farinha. Embora muitos tenham desaparecido ou perdido a função original, a Junta de Freguesia de Vila do Bispo e Raposeira identifica três moinhos na periferia do núcleo antigo, que continuam a recordar a ligação histórica da localidade à agricultura.

Centro histórico ainda conserva características do Algarve antigo

Apesar das transformações registadas ao longo dos anos, Vila do Bispo mantém um conjunto de ruas estreitas e casas tradicionais que ajudam a compreender a organização da antiga povoação. O casario branco distribui-se pela encosta de uma colina, tendo como principal referência a torre da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição.

Nas ruas próximas do templo podem observar-se edifícios caiados de branco, com molduras coloridas em portas e janelas, cantarias trabalhadas e outros elementos característicos da arquitetura tradicional algarvia. A Câmara Municipal de Vila do Bispo destaca, em particular, as ruas do Outeiro e Capitão Viegas, onde subsistem casas com platibandas, barras coloridas e poiais junto às entradas.

Há uma casa que resistiu ao terramoto de 1755

Uma das curiosidades do centro histórico encontra-se na Rua do Outeiro, onde permanece uma pequena habitação que, segundo a autarquia, resistiu ao terramoto de 1 de novembro de 1755. O edifício constitui um testemunho de uma fase anterior à reconstrução de parte da localidade, depois dos danos provocados por aquele acontecimento.

A Praça da República também está associada a este período da história de Vila do Bispo. De acordo com o portal do município, as suas origens poderão remontar à reconstrução posterior ao terramoto, tendo o espaço funcionado como um dos principais pontos de encontro da população. A presença da igreja e do casario envolvente continua a marcar a configuração desta zona da vila.

Antiga lota dos percebes foi transformada num espaço cultural

Outra particularidade do património local é o edifício que acolhe atualmente o Centro de Interpretação de Vila do Bispo. Segundo a Câmara Municipal, o imóvel terá sido construído durante a década de 1920, tendo funcionado como matadouro e como espaço associado à comercialização de percebes, uma atividade que demonstra a importância dos recursos marítimos para a economia do concelho.

Em 2009, o antigo edifício foi recuperado e passou a funcionar como Centro de Interpretação, acolhendo iniciativas culturais e exposições temporárias. A fachada voltada a poente apresenta uma pintura de arte urbana realizada em 2018, evocativa dos contactos marítimos portugueses dos séculos XV e XVI. O espaço permite, assim, conhecer outras dimensões da história local, para além da atividade agrícola que esteve na origem da designação de “celeiro do Algarve”.

Antigos celeiros deram lugar a um museu

A memória cerealífera também permanece num equipamento cultural inaugurado em janeiro de 2024. O Museu de Vila do Bispo, denominado “Celeiro da História”, foi instalado nos antigos armazéns da Federação Nacional dos Produtores de Trigo, construídos na década de 1950, quando a localidade ainda era reconhecida pela importância da produção agrícola.

O edifício foi reabilitado para acolher um percurso dedicado ao património histórico, arqueológico e natural do concelho. O museu reúne testemunhos de diferentes períodos da ocupação humana e da relação das populações com o território. Desta forma, a antiga função dos armazéns permanece ligada à identidade de Vila do Bispo, permitindo conhecer uma atividade económica que antecedeu a atual importância do turismo na região.

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Fábio Paim reage após ser acusado de violar jovem em Faro: “Acusação não é condenação”

O antigo futebolista Fábio Paim quebrou o silêncio depois de ter sido acusado pelo Ministério Público de violar uma estudante universitária em Faro. O também ex-concorrente de reality shows, de 38 anos, rejeita as acusações e garante que pretende demonstrar a sua inocência em tribunal, tendo partilhado nas redes sociais uma mensagem em que sublinha que ainda não existe qualquer decisão judicial sobre o processo.

“Acusação não é condenação”, escreveu Fábio Paim numa publicação na sua conta de Instagram. A mensagem terá sido divulgada na segunda-feira, 26 de outubro, depois de serem conhecidas as acusações de violação, violação de domicílio e dano relacionadas com um episódio ocorrido em abril de 2023, na cidade de Faro.

Antigo futebolista garante que não conhece a jovem

Além da reação nas redes sociais, Fábio Paim terá negado os factos numa conversa telefónica com Léo Caeiro. O comentador revelou, durante a emissão de terça-feira, 27 de outubro, do programa “Olá, Bom Dia”, da CMTV, que contactou o antigo jogador para perceber como estava a reagir à divulgação do caso.

“O Fábio disse-me que não correspondia à verdade esta acusação, não conhece a pessoa em questão e que vai provar isso nas instâncias próprias. Mas ele estava muito abalado”, afirmou Léo Caeiro. O comentador acrescentou que o antigo futebolista se encontrava fragilizado com a situação, embora confiante na possibilidade de esclarecer os acontecimentos em tribunal.

Alegados crimes terão ocorrido em abril de 2023

Os factos que deram origem ao processo remontam à madrugada de 20 de abril de 2023. O Ministério Público acusa Fábio Paim de ter entrado à força num prédio em Faro e de se ter dirigido a um apartamento onde residiam estudantes universitárias, depois de alegadamente ter seguido uma jovem que encontrara num estabelecimento de diversão noturna.

O antigo jogador terá agredido uma das moradoras, que teria aproximadamente 20 anos na altura, antes da alegada violação. A jovem apresentou queixa às autoridades, dando origem a uma investigação conduzida pela PJ. Estes acontecimentos integram a versão apresentada pela acusação e ainda terão de ser apreciados em julgamento.

Vestígios biológicos terão permitido identificar o suspeito

O Correio da Manhã avança que a PJ recolheu vestígios biológicos na roupa da jovem e procedeu à sua análise. Segundo a mesma fonte, o cruzamento dos resultados com perfis genéticos existentes numa base de dados utilizada pelas autoridades terá permitido estabelecer uma correspondência com o ADN de Fábio Paim.

O antigo jogador foi posteriormente interrogado pela PJ e constituído arguido, não tendo sido apresentado a um juiz para primeiro interrogatório judicial por decisão do Ministério Público. A identificação através dos vestígios biológicos constitui um dos elementos referidos na investigação, mas caberá ao tribunal apreciar a prova e determinar a sua relevância para o esclarecimento dos factos.

Julgamento está marcado para 18 de novembro

Fábio Paim deverá começar a ser julgado no dia 18 de novembro. O processo envolve três crimes, nomeadamente violação, violação de domicílio e dano, relacionados com os acontecimentos descritos na acusação do Ministério Público.

O antigo futebolista, que passou pela formação do Sporting e participou posteriormente em programas de televisão, mantém a posição de que não praticou os factos que lhe são imputados. Segundo Léo Caeiro, pretende responder às acusações nas instâncias judiciais, onde terá oportunidade de apresentar a sua defesa.

Acusação não significa que exista uma condenação

A mensagem publicada por Fábio Paim nas redes sociais destaca uma distinção importante no funcionamento da justiça portuguesa. Uma acusação do Ministério Público significa que esta entidade considera existirem elementos suficientes para levar determinados factos a julgamento, mas não equivale a uma decisão judicial que estabeleça a responsabilidade criminal do arguido.

Assim sendo, será durante o julgamento que o tribunal irá analisar os elementos apresentados pela acusação e pela defesa, incluindo eventuais depoimentos e provas periciais. Até existir uma decisão judicial definitiva, Fábio Paim beneficia da presunção de inocência, princípio garantido pela Constituição da República Portuguesa.

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Filho de manifestante revela dificuldades com a crise da habitação: “A mãe precisa do dinheiro para não ficarmos na rua”

Uma criança que frequenta o segundo ano de escolaridade tornou-se uma das vozes de uma manifestação pelo direito à habitação, ao explicar por que motivo a mãe nem sempre lhe pode comprar aquilo que pede. Apesar da idade, o menino já percebe que o dinheiro disponível tem de ser utilizado prioritariamente para pagar a renda, evitando que a família fique sem casa.

O testemunho foi recolhido pela SIC Notícias, na última terça-feira, 27 de outubro, durante uma manifestação junto à Assembleia da República, em Lisboa. A mãe, identificada como Soraia, participou no protesto acompanhada pelos dois filhos e revelou que paga 800 euros mensais de renda, apesar de receber um salário de apenas 460 euros por trabalhar a tempo parcial.

Criança já compreende as dificuldades financeiras da família

Questionado pelo jornalista, o filho mais velho de Soraia demonstrou compreender as dificuldades que a família enfrenta para assegurar as despesas da habitação. “Entendo que a renda é muito cara e que a mãe precisa do dinheiro para não ficarmos na rua”, afirmou a criança, numa resposta que ilustra como os problemas financeiros dos adultos também são sentidos pelos mais novos.

A mãe encontrava-se na manifestação com um cartaz onde expressava o desejo de poder aceitar mais vezes os pedidos dos filhos quando vão ao supermercado. Na mensagem, explicava que gostaria de deixar de ter de lhes dizer que o dinheiro destinado a determinadas compras é necessário para pagar a renda. Uma situação que, segundo contou, faz parte do quotidiano familiar.

Mãe recebe 460 euros e paga 800 euros de renda

Durante a entrevista, o jornalista da SIC Notícias perguntou a Soraia quanto pagava mensalmente pela habitação. A resposta foi de 800 euros, um valor superior ao salário de 460 euros que recebe pelo trabalho a tempo parcial. A manifestante esclareceu que a família consegue enfrentar as despesas com a ajuda de familiares, que também contribuem para o pagamento das contas.

Além deste apoio, Soraia conta com o rendimento do companheiro, que, segundo explicou, trabalha quase 12 horas por dia. O dinheiro que este recebe é utilizado para assegurar despesas essenciais, nomeadamente as compras de supermercado. Apesar dos rendimentos do agregado e do apoio familiar, a manifestante descreveu uma situação em que é necessário gerir cuidadosamente os gastos.

Responsabilidades familiares dificultam aumento do horário de trabalho

A mãe de duas crianças explicou também que já tentou aumentar o número de horas de trabalho para melhorar o rendimento mensal. Contudo, a passagem para um horário de oito horas implicava aceitar um horário fixo, condição que, segundo relatou, não se ajustava às suas necessidades familiares e acabou por inviabilizar a alteração pretendida.

A situação tem consequências no dia a dia dos filhos. Soraia contou que o mais velho, que frequenta o segundo ano, já compreende os motivos pelos quais recebe respostas negativas a determinados pedidos.

Milhares de pessoas manifestaram-se junto ao Parlamento

O relato foi partilhado durante uma concentração que reuniu milhares de pessoas na Rua de São Bento, junto à Assembleia da República. De acordo com a agência Lusa, os manifestantes começaram a chegar ainda antes das 18:30 h, hora marcada para o início do protesto, levando a Polícia de Segurança Pública a interromper a circulação automóvel naquela zona de Lisboa.

A iniciativa foi organizada pela plataforma Casa Para Viver e pelo movimento responsável pela Acampada de Lisboa, que tinha promovido concentrações anteriores na Praça do Rossio. Entre as principais reivindicações estavam o acesso a habitação a preços comportáveis, a proteção das famílias perante dificuldades no pagamento das rendas e o reforço das políticas públicas destinadas ao setor.

Protesto coincidiu com discussão do Orçamento do Estado

A manifestação aconteceu no mesmo dia em que começou, na Assembleia da República, a discussão na generalidade da proposta de Orçamento do Estado para 2027. Os participantes aproveitaram a ocasião para exigir medidas destinadas a melhorar o acesso à habitação, numa altura em que os elevados preços das casas e das rendas continuam a ser apontados como obstáculos para muitas famílias portuguesas.

Os manifestantes decidiram, já perto do final da noite, não instalar uma nova acampada em frente ao Parlamento, por considerarem que não estavam reunidas as condições de segurança necessárias. O movimento anunciou, contudo, a continuidade das ações de protesto no Rossio. Entre os milhares de participantes esteve Soraia, que procurou dar visibilidade às dificuldades de uma família em que o pagamento da renda condiciona até as pequenas compras pedidas pelos filhos.

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Elevador da Glória: Fidelidade contesta indemnização de 1.000.000€ e alega que vítima sofreu durante pouco tempo antes de morrer

A Fidelidade considera excessivos os valores de indemnização exigidos pela família de uma das vítimas mortais do acidente do Elevador da Glória e argumenta que o sofrimento da vítima antes de morrer terá durado pouco tempo. A seguradora sustenta ainda que o risco de um acidente não podia ser considerado totalmente imprevisível, numa posição que está a provocar contestação por parte dos familiares.

Em causa está o descarrilamento do Elevador da Glória, em Lisboa, ocorrido a 3 de setembro de 2025, que provocou 16 mortos e 24 feridos. Segundo a RTP, a seguradora da Carris está a contestar o pedido apresentado pela família de uma das vítimas, num processo que corre no Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa. A família reclama uma indemnização global de 1,05 milhões de euros.

Seguradora considera que o sofrimento antes da morte foi reduzido

Um dos argumentos apresentados pela Fidelidade está relacionado com o período de sofrimento vivido pela vítima antes da morte. A companhia considera que esse intervalo foi reduzido, circunstância que invoca na contestação aos montantes reclamados. No entanto, esta avaliação corresponde à posição da seguradora e não a uma conclusão judicial sobre o sofrimento efetivamente vivido pela vítima.

A indemnização solicitada pela família abrange diferentes tipos de danos, que devem ser analisados separadamente. Entre eles encontram-se a compensação pela perda do direito à vida, os danos não patrimoniais sofridos pela própria vítima e pelos seus familiares, bem como eventuais prejuízos patrimoniais futuros. A duração do sofrimento antes da morte é um dos elementos que podem ser considerados na avaliação dos danos sofridos pela vítima, mas não determina, por si só, o valor global da compensação.

Fidelidade considera excessivo pedido de 125.000 euros

O jornal Correio da Manhã também escreve que a família exige 125.000 euros especificamente pela perda do direito à vida. A Fidelidade considera este montante “manifestamente excessivo”, argumentando que os tribunais portugueses têm atribuído compensações entre 50.000 e 90.000 euros em situações semelhantes. A companhia afirma que apresentou anteriormente uma proposta baseada nos valores habitualmente reconhecidos pela jurisprudência nacional, mas que esta não foi aceite pelos familiares.

Contactada pelo ECO, a seguradora esclareceu que não divulga documentos de processos judiciais em curso, mas explicou que procura seguir critérios semelhantes na avaliação de situações comparáveis. A Fidelidade sublinhou que essa abordagem não constitui um juízo sobre o valor de uma vida humana nem diminui a dimensão da perda sofrida pelos familiares. A referência aos 125.000 euros corresponde, por isso, apenas a uma das parcelas incluídas no pedido global de 1,05 milhões de euros.

Companhia argumenta que acidente não era totalmente imprevisível

Outro ponto da contestação está relacionado com a segurança do Elevador da Glória antes da tragédia. A Fidelidade sustenta que o ascensor não podia ser considerado um meio de transporte altamente confiável, invocando a ocorrência de incidentes anteriores, desde 2018. Na perspetiva da companhia, estes antecedentes impediriam que a possibilidade de um acidente fosse considerada completamente inesperada.

A posição causou surpresa à família de Ana Paula Lopes, trabalhadora da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa que morreu no descarrilamento. Em declarações à agência Lusa, o advogado Nuno Pinto Coelho de Faria manifestou “perplexidade” perante a argumentação da seguradora, considerando que as afirmações sobre a falta de fiabilidade do equipamento podem assumir relevância no apuramento de responsabilidades. A família não aceita que os argumentos apresentados justifiquem a redução da compensação reclamada.

Família e seguradora discordam sobre o processo judicial

A Fidelidade pretende que a ação de indemnização seja suspensa até à conclusão do inquérito criminal conduzido pelo Ministério Público. A companhia defende que o pedido seja apreciado no âmbito desse processo, procurando evitar a existência de decisões contraditórias relativamente aos mesmos acontecimentos.

Contudo, o advogado da família discorda desta posição e sustenta que o pedido de responsabilidade civil não depende necessariamente da conclusão da investigação criminal. Segundo a Lusa, o representante dos familiares considera que o objetivo da ação é obter uma compensação pela perda sofrida, independentemente de virem a ser identificadas responsabilidades criminais. A decisão sobre uma eventual suspensão da ação caberá ao tribunal.

Apenas quatro famílias tinham concluído as indemnizações

Mais de um ano depois do acidente, a situação indemnizatória das vítimas continua por resolver em vários casos. Segundo os dados divulgados pela Fidelidade em agosto, apenas quatro famílias das 16 vítimas mortais tinham chegado a acordo com a seguradora. Outros sete processos encontravam-se em negociação, enquanto um seguia a via judicial e outro estava a ser tratado no âmbito de um acidente de trabalho.

A companhia revelou ainda que tinha suportado ou assumido aproximadamente 2,3 milhões de euros em despesas relacionadas com a tragédia, incluindo indemnizações, funerais, tratamentos médicos e outros encargos. A RTP voltou a referir, a 27 de outubro, que apenas quatro famílias tinham concluído os processos indemnizatórios. Entretanto, prossegue a investigação do Ministério Público, que deverá determinar a existência de eventuais responsabilidades criminais pelo acidente.

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Ryanair estreia 4 rotas de inverno a partir do Porto para destinos na Polónia, Itália e Alemanha

Quem pretende viajar para o estrangeiro durante os próximos meses tem quatro novas opções de voos diretos a partir de Portugal. A Ryanair reforçou a sua programação de inverno com ligações a cidades de três países europeus, permitindo chegar a destinos na Polónia, em Itália e na Alemanha sem necessidade de fazer escala.

As novidades estão disponíveis no Aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto, e abrangem Gdansk e Poznan, na Polónia, Catânia, em Itália, e Hamburgo, na Alemanha. De acordo com o Diário do Distrito, as duas ligações polacas começaram a funcionar no domingo, 25 de outubro, enquanto os primeiros voos para as cidades italiana e alemã estavam previstos para a última segunda-feira, 26 de outubro.

Catânia é o destino com mais voos semanais

Entre as quatro ligações, a que permite viajar até Catânia, na ilha italiana da Sicília, apresenta a maior frequência. A Ryanair disponibiliza cinco partidas semanais do Porto e outras cinco no sentido inverso, o que corresponde a um total de dez voos por semana entre os dois aeroportos.

Segundo a mesma fonte, a viagem direta tem uma duração aproximada de 3:15 h. A aposta nesta cidade insere-se numa expansão da presença da companhia na Sicília, onde foram anunciadas 17 novas rotas para a temporada de inverno, incluindo nove com partida ou chegada ao aeroporto de Catânia.

Duas cidades da Polónia passam a ter ligação direta

A Polónia concentra metade das novidades anunciadas para o Porto, com a abertura das rotas para Gdansk e Poznan. Cada uma dispõe de duas partidas semanais em cada sentido, permitindo aos passageiros escolher entre diferentes dias para organizar uma viagem durante os meses de inverno.

No caso de Gdansk, os voos estão previstos às quintas-feiras e domingos durante grande parte da temporada, com uma duração aproximada de 3:50 h. Já a ligação a Poznan demora cerca de três horas e meia. A Ryanair passa, assim, a disponibilizar mais alternativas para viajar diretamente entre o Porto e a Polónia, onde já opera voos para outras cidades, como Cracóvia, Varsóvia e Wrocław.

Hamburgo volta a receber voos da Ryanair a partir do Porto

A cidade alemã de Hamburgo completa a lista de destinos incluídos nesta expansão. A nova programação prevê partidas do Porto às segundas e sextas-feiras, com um tempo de viagem de aproximadamente 3:05 h. Tal como acontece nas duas rotas polacas, estão previstas duas frequências semanais em cada sentido.

Contudo, esta ligação não é inteiramente inédita. Segundo o Diário do Distrito, a Ryanair já tinha operado voos entre o Porto e Hamburgo, tendo interrompido o serviço em março de 2025. A inclusão da cidade alemã no calendário de inverno de 2026/2027 representa, por isso, o regresso de uma ligação que anteriormente fazia parte da oferta da transportadora.

Há bilhetes para dezembro a partir de 23,99 euros

Os preços das quatro ligações variam em função das datas e da procura. Na consulta efetuada à plataforma da Ryanair, foram identificadas tarifas de ida a partir de 23,99 euros para Poznan, com viagens previstas para dezembro. Para Hamburgo, no mesmo mês, surgiam bilhetes desde 32,99 euros, enquanto as ligações para Catânia apresentavam valores a partir de 29,99 euros.

No caso de Gdansk, a companhia apresentava tarifas desde 41,43 euros para dezembro, sendo possível encontrar valores inferiores noutros meses da temporada. Contudo, estes preços não são fixos e podem sofrer alterações. Os passageiros devem ainda verificar as condições relativas à bagagem e a outros serviços, uma vez que os valores apresentados correspondem às tarifas de base.

Novas ligações representam 11 partidas semanais do Porto

No conjunto, as quatro rotas acrescentam 11 partidas semanais ao calendário da Ryanair no Aeroporto Francisco Sá Carneiro. Cinco têm como destino Catânia e as restantes seis distribuem-se igualmente entre Gdansk, Poznan e Hamburgo. Se forem contabilizados também os voos de regresso, a operação representa 22 ligações semanais.

Em comunicado divulgado pela companhia, Jade Kirwan, diretora de Comunicação da Ryanair, destacou o início destas operações e o reforço das alternativas para os passageiros portugueses durante o inverno. Os horários e os bilhetes para a temporada de 2026/2027 encontram-se disponíveis no site e na aplicação da transportadora, onde os interessados podem consultar as datas e os preços para cada destino.

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Em Loulé, a torre sineira da Igreja de São Clemente terá sido originalmente o minarete da principal mesquita islâmica

À primeira vista, parece uma torre sineira semelhante às de muitas igrejas portuguesas, mas a sua origem remonta a uma época em que o Algarve ainda se encontrava sob domínio muçulmano. A estrutura, que atualmente alberga os sinos de um templo católico, terá desempenhado anteriormente uma função religiosa completamente diferente, constituindo um dos raros testemunhos deste género preservados em Portugal.

Esta particularidade encontra-se na Igreja de São Clemente, em Loulé, cuja torre sineira terá sido originalmente o minarete da principal mesquita da cidade islâmica de al-Ulya. Segundo o Visit Portugal, o portal oficial do Turismo de Portugal, a estrutura foi adaptada pelos cristãos depois da conquista da localidade, mantendo elementos arquitetónicos que permitem identificar a sua origem.

Torre que terá servido para chamar os muçulmanos à oração

Durante o período islâmico, os minaretes eram torres associadas às mesquitas, utilizadas tradicionalmente para anunciar os momentos de oração. No caso de Loulé, a estrutura que atualmente integra a Igreja de São Clemente terá pertencido à mesquita maior da antiga cidade, desempenhando uma função central na vida religiosa da comunidade muçulmana.

Segundo a mesma fonte, trata-se de um dos poucos minaretes que ainda subsistem em Portugal, embora a construção tenha sofrido alterações ao longo dos séculos. A torre apresenta uma planta quadrangular e conserva características da arquitetura islâmica, apesar das intervenções posteriores que a transformaram num campanário cristão.

Conquista cristã mudou a utilização do edifício

A transformação religiosa da cidade ocorreu no século XIII, quando Loulé passou para o domínio cristão. Em 1249, durante o reinado de D. Afonso III, a localidade foi conquistada pelas tropas portuguesas, iniciando-se uma nova fase da sua história. A antiga mesquita deu lugar à igreja matriz, dedicada a São Clemente, cuja configuração viria a refletir diferentes períodos arquitetónicos.

De acordo com o portal Património Cultural, a igreja foi construída sobre o local ocupado anteriormente pela mesquita de al-Ulya. A estrutura conserva características do estilo gótico, nomeadamente na organização das três naves e no desenho do portal principal. No entanto, a torre sineira constitui um testemunho de uma fase anterior à construção do templo cristão.

Há pormenores arquitetónicos que revelam a origem islâmica

A identificação da torre como antigo minarete não depende apenas da tradição local. Segundo o projeto Património Islâmico em Portugal, da Universidade Lusófona, a sua planta quadrada, a disposição dos blocos de pedra na base e a localização relativamente à igreja constituem alguns dos elementos que sustentam esta interpretação histórica.

A mesma fonte acrescenta que a escadaria interior, que se desenvolve para a esquerda, também apresenta características associadas à construção islâmica. A estrutura é atribuída aos séculos XI e XII, tendo aproximadamente 22,7 metros de altura e 4,2 metros de lado. Contudo, uma parte significativa da construção atual e o seu remate superior resultam de intervenções posteriores.

Loulé conserva muralhas da antiga cidade muçulmana

A torre sineira não é o único vestígio da presença islâmica que permanece visível em Loulé. O centro histórico conserva também partes da antiga cerca urbana e do castelo, estruturas que testemunham a importância da localidade durante a Idade Média. As muralhas da antiga medina apresentam vários torreões construídos em taipa e troços que acabaram por ficar integrados em edifícios habitacionais.

A muralha delimitava uma área urbana de aproximadamente cinco hectares, dimensão significativa para uma cidade medieval algarvia. Nos séculos XIV e XV, o castelo foi adaptado para funcionar como residência do governador, passando posteriormente a acolher espaços culturais. Atualmente, parte das antigas estruturas integra o Museu Municipal de Loulé.

Cidade também conserva banhos públicos com cerca de 900 anos

Outro testemunho da presença muçulmana são os Banhos Islâmicos de Loulé, construídos provavelmente no século XII e descobertos durante trabalhos arqueológicos em 2006. Estas estruturas incluem espaços destinados a banhos de diferentes temperaturas, nomeadamente uma sala fria, uma sala tépida e uma sala quente, além de outras áreas necessárias ao funcionamento do complexo.

A importância deste património levou à classificação dos banhos como monumento nacional em julho de 2023. De acordo com o Decreto n.º 17/2023, publicado em Diário da República, trata-se dos primeiros e, até à data da classificação, únicos edifícios desta tipologia arqueologicamente documentados em Portugal. Juntamente com a antiga torre da Igreja de São Clemente e as muralhas medievais, constituem testemunhos da história islâmica que permanece presente no centro de Loulé.

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Loja do Gato Preto fecha todas as lojas em Espanha: saiba o que vai acontecer à cadeia em Portugal

O encerramento definitivo da Loja do Gato Preto em Espanha levantou dúvidas sobre o futuro da conhecida cadeia de decoração em Portugal. Apesar da insolvência da subsidiária espanhola, a marca não vai desaparecer do mercado português, embora esteja a atravessar um processo de reestruturação que implica o encerramento de vários estabelecimentos e uma maior aposta nas vendas pela Internet.

A empresa, controlada pelo Grupo Aquinos desde 2020, decidiu concentrar os recursos disponíveis na operação portuguesa, depois de acumular prejuízos elevados no país vizinho. Segundo o jornal El Español, a subsidiária espanhola foi declarada insolvente a 14 de outubro, com dívidas de 4,8 milhões de euros e depois de ter encerrado as últimas oito lojas.

Quantas lojas vão continuar abertas em Portugal?

A cadeia de decoração já tinha anunciado, no início deste ano, uma redução significativa da sua presença física no mercado português. O plano de recuperação, aprovado pelos credores e homologado pelo tribunal em março, prevê o encerramento de 10 das 15 lojas existentes, mantendo apenas cinco estabelecimentos em funcionamento.

No portal da Loja do Gato Preto consta que as unidades que permanecem abertas são as do Fórum Almada, do Freeport Fashion Outlet, em Alcochete, do Mar Shopping, em Matosinhos, do Palácio do Gelo, em Viseu, e do centro comercial UBBO, na Amadora. Estas cinco localizações continuam igualmente identificadas no site oficial da marca, não constando qualquer estabelecimento no Algarve.

Por que é que a empresa decidiu abandonar Espanha?

A operação espanhola acumulava dificuldades financeiras há vários anos, tendo registado prejuízos de 7,47 milhões de euros em 2025. A faturação nesse período ficou pelos 2,8 milhões de euros, menos 12,4% do que no exercício anterior, enquanto as perdas acumuladas de anos anteriores ultrapassavam os 36,5 milhões de euros.

Conforme explica o El Español, a cadeia chegou a contar com cerca de 25 a 27 lojas em Espanha, mas foi reduzindo progressivamente a atividade. Entre 2023 e 2024, encerrou 13 estabelecimentos, numa reestruturação acompanhada por uma quebra de 42% nas vendas. A impossibilidade de a empresa-mãe continuar a financiar as perdas levou ao encerramento das últimas oito unidades, durante o primeiro semestre de 2026, e à extinção de 49 postos de trabalho.

Portugal também enfrenta dificuldades financeiras

Embora a insolvência declarada em Espanha não se estenda automaticamente à operação portuguesa, a Loja do Gato Preto também teve de recorrer a mecanismos de recuperação financeira em Portugal. Em setembro de 2025, iniciou um Processo Especial de Revitalização (PER), depois de enfrentar dificuldades para cumprir os compromissos assumidos perante bancos, fornecedores e outros credores.

O plano de recuperação foi homologado pelo Tribunal de Sintra em março deste ano, permitindo a continuidade da atividade mediante uma reestruturação das dívidas. Segundo noticiou o ECO na altura, os credores aceitaram um perdão de aproximadamente 40 milhões de euros, num processo que envolve uma redução de 80% do capital em dívida, avaliado em cerca de 49,5 milhões de euros.

Venda online passa a ter maior importância

A redução da rede de estabelecimentos físicos fez parte de uma estratégia destinada a adaptar a empresa à sua atual dimensão financeira. Entre as lojas portuguesas abrangidas pelo plano de encerramentos estiveram as unidades situadas no Colombo, nas Amoreiras, no Oeiras Parque, no Norte Shopping, no Montijo e em vários outros centros comerciais.

A empresa pretende compensar parte desta redução através do reforço do comércio eletrónico. Em declarações ao ECO, a Loja do Gato Preto explicou que a aprovação do plano representa uma oportunidade para assegurar a continuidade do negócio e implementar uma estrutura mais ajustada às condições do mercado. As vendas online deverão, assim, assumir um papel mais relevante na atividade da marca.

O que acontece agora à Loja do Gato Preto?

A insolvência da subsidiária espanhola foi declarada pelo Tribunal de Instância de Madrid, depois de um pedido apresentado pela empresa em julho e que deu entrada no tribunal em setembro. O processo deverá agora seguir os procedimentos previstos na legislação espanhola, incluindo a possibilidade de os credores solicitarem a análise de eventuais responsabilidades dos administradores.

Em Portugal, o objetivo continua a ser a recuperação financeira e a manutenção da atividade, embora numa escala inferior à que a cadeia chegou a apresentar. A Loja do Gato Preto permanece, por isso, no mercado nacional, com cinco estabelecimentos físicos identificados no site oficial e uma plataforma de vendas online, enquanto procura estabilizar a situação financeira depois das dificuldades acumuladas nos últimos anos.

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Há cerca de 800 anos já havia um sistema de esgotos em Paderne e as ruinas ainda podem ser visitadas

Muito antes de existirem as redes de saneamento modernas, uma pequena povoação do Algarve já dispunha de um sistema capaz de transportar águas residuais e águas da chuva para fora das suas muralhas. A estrutura foi construída há cerca de 800 anos, numa época em que o território algarvio ainda estava sob domínio muçulmano, e os vestígios da antiga povoação continuam a fazer parte de um monumento que pode ser visitado.

Trata-se do Castelo de Paderne, situado no concelho de Albufeira, onde existiu uma comunidade organizada em ruas e quarteirões, com habitações construídas em torno de pátios interiores. Lê-se no portal Visit Portugal que esta fortaleza foi erguida durante o período almóada, entre o século XII e as primeiras décadas do século XIII, conservando testemunhos da arquitetura militar e da organização urbana islâmica.

Castelo escondia uma povoação com ruas planeadas

Apesar de ser atualmente conhecido sobretudo pelas suas muralhas, o Castelo de Paderne não desempenhava apenas uma função defensiva. No interior existia uma alcaria, designação utilizada para pequenas povoações rurais durante o período islâmico, protegida por uma muralha robusta e por uma torre albarrã que reforçava a segurança da entrada.

Segundo o portal Geoparque Algarvensis, o espaço foi planeado de raiz, com um traçado urbano organizado em ruas estreitas e quarteirões habitacionais. As casas dispunham de pátios centrais, uma característica da arquitetura doméstica da época, e estavam integradas numa rede de circulação que incluía um sistema destinado ao escoamento das águas.

Como funcionava o sistema de esgotos há 800 anos?

Uma das particularidades desta povoação era a existência de canalizações que percorriam os arruamentos e permitiam transportar as águas residuais e pluviais para o exterior do recinto fortificado. Desta forma, a comunidade dispunha de uma solução para encaminhar a água para fora da zona habitada, através de um sistema que fazia parte do planeamento original do espaço.

Esta organização constitui um dos aspetos mais interessantes do património arqueológico de Paderne. Contudo, importa distinguir aquele sistema medieval de uma rede de saneamento contemporânea, uma vez que se tratava de uma infraestrutura de drenagem, sem os processos de tratamento de águas residuais que existem atualmente.

Fortaleza controlava uma passagem importante no Algarve

A construção do castelo está relacionada com a expansão do reino português para sul, que levou os governantes muçulmanos a reforçar as posições defensivas do território. Situada numa elevação próxima da ribeira de Quarteira, a fortaleza permitia vigiar uma importante passagem entre o interior e o litoral algarvio, numa zona entre Silves e Loulé.

O castelo foi construído sobretudo em taipa militar, técnica que utiliza terra compactada para erguer estruturas resistentes. A fortificação acabou por ser conquistada em 1248 pelos cavaleiros da Ordem de Santiago, sob o comando de D. Paio Peres Correia, tendo os novos ocupantes cristãos introduzido alterações na organização inicial da povoação.

Ruínas permitem conhecer diferentes períodos da história

No interior do castelo permanecem vestígios das antigas habitações e duas cisternas associadas aos principais períodos de ocupação, o islâmico e o cristão. Também se encontram as ruínas da Ermida de Nossa Senhora da Assunção, construída posteriormente, quando a fortaleza já se encontrava sob domínio português.

A população acabou por abandonar progressivamente o recinto, transferindo-se para a localização da atual aldeia de Paderne durante o século XVI. O terramoto de 1755 contribuiu para agravar a degradação das estruturas, embora parte das muralhas tenha resistido. Classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1971, o castelo é ainda identificado pelo Turismo de Portugal como um dos sete representados na bandeira nacional.

É possível visitar o Castelo de Paderne?

As ruínas continuam a receber visitantes, embora o acesso ao interior do monumento esteja sujeito a condições específicas. No período de inverno, o castelo abre ao público na primeira e na terceira quarta-feira de cada mês, entre as 10 h e as 13 h.

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Vai comprar uma lâmpada para casa? Na embalagem há um número que pode mudar completamente o ambiente da divisão

Escolher uma lâmpada para a sala, cozinha ou quarto pode parecer uma decisão simples, mas dois modelos com a mesma potência podem criar ambientes completamente diferentes. Uma luz pode tornar determinada divisão mais acolhedora, enquanto outra poderá proporcionar uma iluminação mais branca, frequentemente associada a espaços de trabalho. A diferença está numa característica que nem sempre recebe a devida atenção no momento da compra.

Trata-se da temperatura de cor, identificada pela letra K, que representa a unidade Kelvin. De acordo com o Departamento de Energia dos Estados Unidos (DOE), este valor indica a tonalidade da luz emitida por uma lâmpada, podendo variar entre tons amarelados e tonalidades mais brancas ou azuladas. Esta característica influencia a aparência dos espaços e deve ser considerada em função da utilização de cada divisão.

O que significa o número de Kelvin na embalagem?

Ao contrário do que se poderia pensar, uma lâmpada com um valor mais elevado de Kelvin não produz necessariamente mais luz. O número refere-se à temperatura de cor e não à intensidade luminosa, pelo que duas lâmpadas com diferentes tonalidades podem iluminar com a mesma intensidade. Quanto mais baixo for o valor, mais quente e amarelada será a luz, enquanto números superiores correspondem a tonalidades mais frias.

Segundo a mesma fonte, as lâmpadas de 2.700 Kelvin produzem uma luz quente, semelhante à das antigas lâmpadas incandescentes. Já os modelos de 3.000 Kelvin apresentam uma tonalidade ligeiramente menos amarelada, mas continuam a proporcionar uma iluminação considerada acolhedora. A partir dos 4.000 Kelvin, a luz aproxima-se de um branco mais frio, podendo adquirir uma aparência progressivamente azulada nos valores mais elevados.

Qual é a temperatura de cor indicada para cada divisão?

Para salas de estar e quartos, as lâmpadas entre 2.700 e 3.000 Kelvin são habitualmente utilizadas quando se pretende criar um ambiente mais acolhedor. O Departamento de Energia norte-americano associa estas temperaturas de cor a espaços domésticos, restaurantes e outras áreas destinadas ao convívio e ao descanso.

Por outro lado, as tonalidades entre 3.500 e 4.100 Kelvin podem ser uma opção para cozinhas, escritórios e espaços onde se realizam tarefas que exigem atenção aos detalhes. As lâmpadas entre 5.000 e 6.500 Kelvin proporcionam uma luz branca mais fria, semelhante à tonalidade da luz natural durante o dia, sendo utilizadas em determinados ambientes de trabalho e de leitura.

Há outro número importante que não deve ser confundido com os Kelvin

Além da temperatura de cor, importa observar a quantidade de luz produzida pela lâmpada, medida em lúmenes. Este indicador permite perceber quanta luz visível é emitida, enquanto os watts representam a potência elétrica consumida. Assim, uma lâmpada com mais watts não é necessariamente mais luminosa do que outra, sobretudo quando se comparam tecnologias diferentes.

O DOE apresenta, por exemplo, lâmpadas LED que produzem cerca de 800 lúmenes consumindo entre 5,9 e 10,5 watts, enquanto uma lâmpada incandescente tradicional necessitaria de aproximadamente 60 watts para proporcionar uma quantidade semelhante de luz. Por isso, quem procura uma iluminação mais intensa deve comparar os lúmenes, enquanto quem pretende alterar a tonalidade da divisão deve observar os Kelvin.

Escolher uma lâmpada eficiente também pode reduzir a fatura

A eficiência energética constitui outra característica relevante. As lâmpadas LED conseguem produzir quantidades elevadas de luz com menor consumo de eletricidade do que as antigas lâmpadas incandescentes, permitindo reduzir os custos associados à iluminação quando são utilizadas durante períodos prolongados.

Em Portugal, os consumidores podem consultar a etiqueta energética europeia, que classifica as fontes de luz numa escala de A a G, sendo A a classe mais eficiente. Segundo a Comissão Europeia, a etiqueta apresenta também o consumo estimado em quilowatt-hora por cada mil horas de utilização. Através do código QR, é possível consultar informações adicionais sobre o modelo, incluindo a temperatura de cor e o fluxo luminoso.

Pequeno pormenor pode fazer a diferença na decoração

A escolha da temperatura de cor também influencia a forma como os móveis, as paredes e os objetos são percecionados. Uma iluminação mais amarelada pode realçar a aparência acolhedora de determinados materiais e tecidos, enquanto uma luz mais branca pode criar uma sensação visual diferente, mesmo sem qualquer alteração na decoração.

O Departamento de Energia recomenda que, ao substituir uma lâmpada, seja considerada a temperatura de cor da iluminação anteriormente utilizada. Uma mudança de 2.700 para 4.100 Kelvin, por exemplo, pode ser suficientemente evidente para alterar a perceção do espaço. Assim, antes de comprar uma nova lâmpada, vale a pena verificar não apenas a potência e a eficiência energética, mas também o número acompanhado da letra K, uma indicação que ajuda a escolher a tonalidade pretendida para cada divisão.

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Além de Loulé, FlixBus chega a outras quatro localidades e tem bilhetes a partir de 3,49€

Viajar de autocarro entre diferentes regiões de Portugal passou a contar com novas alternativas, algumas com bilhetes a partir de 3,49 euros. A FlixBus anunciou a chegada a cinco localidades, reforçando as ligações a cidades como Lisboa, Porto, Coimbra e Faro, numa expansão que pretende facilitar as deslocações para além dos principais centros urbanos.

Além de Loulé, no Algarve, as novidades abrangem Castro Verde, Ovar, Vouzela e as Termas de São Pedro do Sul. O anúncio foi feito na segunda-feira, 26 de outubro, e eleva para 13 o número de novos destinos integrados na rede doméstica desde o início de 2026. A operadora já disponibiliza mais de 100 destinos em Portugal.

Castro Verde ganha ligação direta ao Algarve e a Lisboa

Uma das novidades diz respeito a Castro Verde, no distrito de Beja, que passou a integrar uma linha com paragens em Loulé, Albufeira, Faro, Beja, Setúbal e Lisboa. O serviço, que também permite chegar ao Aeroporto de Faro, encontra-se em funcionamento desde 1 de outubro e disponibiliza, para já, quatro horários diários.

Os autocarros param no terminal rodoviário de Castro Verde, situado na Rua da Seara Nova. Em Loulé, a paragem encontra-se na Rua de Nossa Senhora de Fátima. Tiago Cavaco Alves, diretor das Operações da FlixBus em Portugal, considera que a nova ligação permite reforçar a mobilidade entre o Alentejo e o Algarve, facilitando o acesso aos principais centros urbanos do sul do país.

Vouzela e Termas de São Pedro do Sul também entram na rede

Na região Centro, as populações de Vouzela e das Termas de São Pedro do Sul passam a contar com ligações diretas ao Porto, Braga, Guimarães, Aveiro e Viseu. A nova linha disponibiliza dois horários diários, um em cada sentido, permitindo chegar a Viseu em pouco mais de meia hora, a Aveiro em aproximadamente uma hora e ao Porto em cerca de duas horas.

A FlixBus esclarece que as paragens se encontram nos terminais rodoviários das duas localidades. Em Vouzela, o serviço funciona na Rua dos Bombeiros Voluntários, enquanto nas Termas de São Pedro do Sul os autocarros param na Avenida Dr. Pinho Bandeira. Estas ligações pretendem facilitar as deslocações dos residentes, mas também de quem procura visitar a região.

Ovar fica a uma hora de Coimbra com a nova rota

Outra das localidades abrangidas pela expansão é Ovar, no distrito de Aveiro, que passa a ter ligações diretas ao Porto, Coimbra, Santarém e Évora. Segundo a operadora, o novo serviço permite viajar até Coimbra em aproximadamente uma hora, chegar a Santarém em menos de três horas e alcançar Évora em menos de cinco horas.

A paragem em Ovar fica no número 10 do Largo Serpa Pinto, em frente à estação ferroviária. Além dos destinos servidos diretamente, os passageiros podem chegar a mais de 40 localidades portuguesas e aceder à rede internacional da FlixBus através de um transbordo no Porto. Esta linha também conta, inicialmente, com dois horários diários, um em cada sentido.

Quanto custam os bilhetes das novas ligações?

Os preços anunciados variam consoante a viagem escolhida. A tarifa mais baixa divulgada pela operadora é de 3,49 euros para a ligação entre Ovar e o Porto. Já os bilhetes entre Ovar e Coimbra começam nos 5,49 euros, enquanto as viagens do Porto para Vouzela ou para as Termas de São Pedro do Sul apresentam preços desde 3,99 euros.

No sul do país, a ligação entre Loulé e Lisboa tem bilhetes a partir de 4,49 euros, enquanto o percurso entre Castro Verde e a capital começa nos 6,99 euros. Estes valores correspondem às tarifas iniciais anunciadas pela empresa, pelo que os preços efetivamente disponíveis podem variar consoante a data, o horário e a procura.

FlixBus também reforça as ligações a partir de Évora

Para além das cinco localidades agora integradas, a transportadora anunciou novas ligações diretas durante o dia entre Évora e as cidades de Santarém, Coimbra e Porto. A operação permite chegar a Santarém em menos de duas horas e a Coimbra em aproximadamente três horas e meia, com bilhetes a partir de 6,99 e 5,99 euros, respetivamente.

Os títulos de transporte encontram-se disponíveis através do site e da aplicação da FlixBus, dos pontos de venda Pagaqui e das agências de viagens parceiras. A empresa pretende continuar a expandir a sua presença em localidades fora dos grandes centros urbanos, procurando oferecer alternativas de deslocação a quem depende do transporte rodoviário para trabalhar, estudar ou viajar.

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Fábio Paim acusado de violar jovem universitária em Faro: julgamento arranca a 18 de novembro

O antigo futebolista Fábio Paim vai ser julgado por suspeitas de violação de uma estudante universitária, num caso que remonta a abril de 2023. O Ministério Público apresentou acusação contra o ex-jogador, que também terá de responder pelos crimes de violação de domicílio e dano, estando o início do julgamento marcado para 18 de novembro.

O caso terá ocorrido em Faro, num apartamento partilhado por várias estudantes universitárias. Segundo o Correio da Manhã, Fábio Paim terá seguido uma jovem que encontrou num estabelecimento de diversão noturna até à residência onde esta vivia com outras colegas. A acusação aponta para uma entrada forçada na habitação, onde uma das moradoras terá sido vítima de agressões e violação.

Alegado crime terá ocorrido durante a madrugada

Os factos investigados remontam à madrugada de 20 de abril de 2023. Escreve também o jornal Observador que o antigo jogador terá arrombado a entrada do prédio e conseguido aceder ao apartamento onde residiam as estudantes. Uma das jovens, com cerca de 20 anos, terá acordado ao aperceber-se de que alguém tentava entrar num dos quartos da habitação.

Conforme a acusação divulgada pela imprensa, a estudante terá sido agredida depois de confrontar o homem que se encontrava no apartamento. O Ministério Público imputa a Fábio Paim a prática de um crime de violação, sustentando que o arguido terá abandonado posteriormente o local, depois de outros moradores terem impedido a sua entrada noutras divisões.

Investigação terá recorrido a vestígios de ADN

A identificação do suspeito não aconteceu imediatamente após os alegados acontecimentos. Os investigadores recorreram a vestígios biológicos recolhidos na roupa da estudante, tendo sido identificada uma compatibilidade genética com o antigo futebolista. Estes elementos fazem parte da investigação e terão de ser apreciados no processo judicial.

O Observador acrescenta que a PJ recolheu também depoimentos de testemunhas que terão observado um homem nas imediações do prédio. Outras informações recolhidas durante a investigação permitiram relacionar o suspeito com o estabelecimento de diversão noturna frequentado pelas jovens naquela noite.

Fábio Paim foi interrogado pela PJ

O Correio da Manhã adianta que o antigo jogador apenas foi interrogado pela PJ algum tempo depois dos acontecimentos. Na sequência das diligências realizadas, acabou por ser constituído arguido, embora não tenha sido apresentado a um juiz para primeiro interrogatório judicial, por decisão do Ministério Público.

A acusação agora conhecida abrange três crimes: violação, violação de domicílio e dano. O julgamento deverá começar no próximo dia 18 de novembro, altura em que serão apreciados os elementos de prova apresentados no processo. Até existir uma decisão judicial, Fábio Paim beneficia da presunção de inocência, não podendo as acusações ser tratadas como factos judicialmente provados.

Antigo futebolista tornou-se conhecido no Sporting

Atualmente com 38 anos, Fábio Paim ganhou notoriedade ainda durante a formação no Sporting, quando chegou a ser considerado uma das promessas do futebol português. Ao longo da carreira passou por diferentes clubes nacionais e estrangeiros, tendo posteriormente participado em programas televisivos de entretenimento.

O processo relacionado com os acontecimentos de Faro coloca agora o antigo jogador perante uma nova fase judicial. O Ministério Público considera existirem elementos para sustentar a acusação, mas caberá ao tribunal avaliar os factos e determinar se existe responsabilidade criminal.

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Associação Portuguesa do Sono esclarece mito: afinal lembrar-se dos sonhos não é sinal de que dormiu bem

Acordar de manhã com uma recordação clara dos sonhos da noite anterior pode parecer um sinal de que se dormiu bem. No entanto, esta associação nem sempre corresponde à realidade, uma vez que a capacidade de recordar aquilo com que sonhámos depende de vários mecanismos cerebrais e pode até estar relacionada com interrupções do sono.

A Associação Portuguesa do Sono clarifica que a maioria das pessoas sonha todas as noites, embora muitas não consigam recordar esses episódios ao despertar. A entidade esclarece que lembrar-se dos sonhos não significa necessariamente ter tido uma noite de descanso de qualidade, contrariando uma ideia relativamente comum sobre o funcionamento do sono.

Porque é que algumas pessoas se lembram dos sonhos?

Os sonhos acontecem sobretudo durante a fase REM do sono, caracterizada por movimentos rápidos dos olhos e por uma atividade cerebral intensa. Porém, as experiências vividas durante esta fase tendem a ser esquecidas pouco depois de acontecerem, o que explica por que motivo muitas pessoas acordam sem qualquer recordação daquilo com que sonharam.

Segundo a mesma fonte, a possibilidade de recordar um sonho é maior quando o despertar acontece durante ou pouco depois da fase REM. Nestas circunstâncias, a memória do episódio ainda pode estar disponível, permitindo recuperar imagens, acontecimentos ou emoções que fizeram parte do sonho. Contudo, isso não significa que o sono tenha sido mais reparador.

O cérebro pode contribuir para apagar as memórias dos sonhos

Um estudo publicado na revista científica Science, em 2019, identificou mecanismos cerebrais que poderão ajudar a explicar o esquecimento durante o sono. A investigação demonstrou, em experiências com animais, que determinados neurónios produtores da hormona concentradora de melanina, ativos durante o sono REM, participam em processos de esquecimento associados ao hipocampo.

Esta região do cérebro desempenha um papel importante na formação e consolidação de memórias. A Associação Portuguesa do Sono refere que a atividade daqueles neurónios poderá dificultar o armazenamento de determinadas informações, ajudando a explicar a rapidez com que os sonhos desaparecem da memória. No entanto, o estudo não demonstrou diretamente que este mecanismo seja responsável pelo esquecimento dos sonhos nos seres humanos.

Quem se lembra dos sonhos pode acordar mais vezes durante a noite

Outra investigação, publicada em 2013 na revista Frontiers in Psychology, analisou as diferenças entre pessoas que recordavam frequentemente os sonhos e outras que raramente conseguiam fazê-lo. Os investigadores acompanharam 36 participantes saudáveis e observaram diferenças nos padrões de atividade cerebral e nos períodos em que permaneciam acordados durante a noite.

Os resultados mostraram que os participantes que recordavam os sonhos com maior frequência passavam, em média, cerca de 30 minutos acordados durante o período de sono, enquanto os restantes registavam aproximadamente 14 minutos. Estes dados sugerem uma associação entre os despertares noturnos e a capacidade de recordar sonhos, embora não permitam concluir que todas as pessoas que se lembram deles dormem pior.

Lembrar-se dos sonhos significa que dormimos mal?

Apesar da relação identificada entre os despertares e a memória dos sonhos, recordar o que aconteceu durante a noite não constitui um sinal de problemas de sono. A frequência com que uma pessoa se lembra dos sonhos pode variar e não é suficiente para determinar se o descanso foi adequado ou se existe alguma perturbação.

A Associação Portuguesa do Sono sublinha que “o facto de uma pessoa se lembrar de um sonho não é indicativo de um sono de qualidade”. Assim, tanto quem acorda com memórias detalhadas como quem raramente recorda os sonhos pode ter dormido adequadamente. A investigação disponível aponta para diferentes fatores envolvidos neste fenómeno, sem estabelecer uma relação direta entre a quantidade de sonhos recordados e a qualidade do descanso.

O que se pode concluir sobre a memória dos sonhos?

As investigações ajudam a compreender por que razão algumas pessoas conseguem descrever os sonhos com bastante detalhe, enquanto outras praticamente nunca se lembram deles. O momento do despertar, a atividade de determinadas regiões cerebrais e a existência de interrupções durante a noite estão entre os fatores que podem influenciar essa capacidade.

Por isso, a recordação dos sonhos não deve ser utilizada isoladamente para avaliar a qualidade do sono. O estudo publicado na Frontiers in Psychology identificou uma associação entre maior frequência de recordação e mais tempo acordado durante a noite, mas os próprios resultados não permitem determinar se essa característica corresponde necessariamente a um descanso insuficiente.

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Carro está abandonado há mais de dois anos e ocupa três lugares de estacionamento em Coimbra: saiba o que diz a lei

Uma viatura encontra-se abandonada há mais de dois anos num parque de estacionamento em Portugal, ocupando três lugares que poderiam ser utilizados por outros automobilistas. Apesar das reclamações e de o veículo já ter sido autuado, a situação continua por resolver, levantando dúvidas sobre os procedimentos previstos na lei para a remoção de automóveis deixados durante longos períodos na via pública.

O caso acontece no estacionamento da estação ferroviária de Coimbra-B. De acordo com o Diário de Coimbra, o automóvel foi deslocado várias vezes durante as obras realizadas naquela zona, acabando por ficar atravessado no local onde permanece atualmente. Os moradores garantem que já foram feitos contactos com diferentes entidades, mas a viatura continua no mesmo espaço.

Moradores já enviaram reclamações às autoridades

Segundo a mesma fonte, foram enviados vários emails à Câmara Municipal de Coimbra e à Proteção Civil para alertar para a situação. Apesar destes contactos e da existência de uma autuação, não foi concretizada qualquer intervenção que permitisse libertar os três lugares de estacionamento ocupados pelo automóvel.

Um dos moradores manifestou o descontentamento com a ausência de uma solução, afirmando que “até hoje ninguém fez nada” para retirar o veículo. A situação ganha particular relevância numa zona utilizada por passageiros ferroviários e outros automobilistas, uma vez que a permanência do carro impede o aproveitamento de lugares destinados ao estacionamento.

Código da Estrada prevê remoção após determinados prazos

O artigo 163.º do Código da Estrada estabelece que o estacionamento de uma viatura pode ser considerado indevido ou abusivo quando esta permanece durante 30 dias ininterruptos no mesmo local da via pública ou num parque de estacionamento gratuito. A legislação prevê ainda que a simples deslocação do automóvel entre lugares do mesmo parque não interrompe necessariamente a contagem deste prazo.

Contudo, existem situações em que as autoridades não precisam de aguardar um mês. Quando um veículo apresenta sinais exteriores evidentes de abandono, inutilização ou impossibilidade de circular em segurança pelos próprios meios, o estacionamento pode ser considerado abusivo após um período superior a 48 horas. Já para determinados veículos, como reboques não atrelados e veículos publicitários, o prazo pode ser de 72 horas.

O que acontece quando um carro ultrapassa o prazo permitido?

De acordo com o artigo 164.º do Código da Estrada, as autoridades competentes podem proceder à remoção dos veículos estacionados indevida ou abusivamente. A legislação também permite o bloqueamento em determinadas circunstâncias, impedindo que o automóvel seja deslocado até estarem reunidas as condições necessárias para o seu transporte.

Além disso, o titular do documento de identificação do veículo pode ser responsabilizado pelas despesas relacionadas com a remoção e o depósito, sem prejuízo das sanções legalmente aplicáveis. No caso da viatura estacionada em Coimbra-B, não foram divulgados esclarecimentos oficiais que permitam determinar por que motivo ainda não foi removida, apesar do período de permanência denunciado pelos moradores.

Proprietário pode perder o veículo se não o reclamar

Depois de um automóvel ser removido, o artigo 165.º determina que o titular deve ser notificado para proceder ao seu levantamento. Por regra, dispõe de 45 dias para reclamar a viatura, embora este prazo possa ser reduzido para 30 dias quando o estado do veículo indicar risco de deterioração e os custos de remoção e depósito possam ultrapassar o valor obtido com uma eventual venda.

Se o proprietário não reclamar o automóvel dentro do prazo legal, este passa a ser considerado abandonado, podendo ser adquirido pelo Estado ou pela autarquia local nos termos previstos na legislação. No entanto, este procedimento depende da remoção e das formalidades de notificação. Assim, a situação denunciada em Coimbra-B continua a aguardar uma solução, depois de mais de dois anos de permanência da viatura no estacionamento.

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Arquiteto Siza Vieira tem 93 anos e marcou presença na apresentação da sua biografia 8 dias depois de ter colocado um pacemaker

O arquiteto português Álvaro Siza Vieira, de 93 anos, participou na apresentação da sua biografia poucos dias depois de ter sido submetido a uma intervenção cardíaca para colocação de um pacemaker. Apesar de não ter conseguido deslocar-se a Lisboa, acompanhou a cerimónia através de uma ligação por vídeo a partir da sua residência, no Porto.

A apresentação do livro Álvaro Siza Vieira – Arquiteto de Sonhos, da autoria da jornalista Fátima Campos Ferreira, realizou-se a 19 de outubro, em Lisboa. De acordo com o portal de notícias cor-de-rosa Flash!, o arquiteto tinha sido operado oito dias antes e encontrava-se em recuperação, situação que levou a autora a explicar aos convidados os motivos da sua ausência física.

Fátima Campos Ferreira revelou outros problemas de saúde

A jornalista explicou que a intervenção cardíaca não era o único motivo que impedia Siza Vieira de viajar até Lisboa. O arquiteto tinha também contraído uma constipação e enfrentava dificuldades de mobilidade relacionadas com dores na coluna, o que tornava as deslocações particularmente exigentes nesta fase de recuperação.

Segundo a mesma fonte, Fátima Campos Ferreira esclareceu que Siza Vieira conseguia andar, embora com bastante dificuldade, e pediu compreensão para o tempo necessário à recuperação. A autora acrescentou que tinha previsto encontrar-se com o arquiteto no Porto no dia seguinte à apresentação, mantendo assim o contacto com o protagonista da obra biográfica.

Apresentação contou com dois Presidentes da República

Apesar da ausência física de Siza Vieira, a cerimónia reuniu várias personalidades da política e da cultura portuguesas. Entre os presentes estiveram o Presidente da República, António José Seguro, e o seu antecessor, Marcelo Rebelo de Sousa, que acompanharam a apresentação realizada no Campus XXI, em Lisboa, antiga sede da Caixa Geral de Depósitos.

O evento contou também com a participação de Paulo Macedo, presidente executivo da Caixa Geral de Depósitos, e de Ana Pinho, presidente da Fundação de Serralves. Na plateia encontravam-se ainda o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, Leonor Beleza, Luís Marques Mendes, Helena Roseta e outras figuras ligadas à vida pública e cultural portuguesa.

Livro nasceu de três entrevistas com o arquiteto

A obra apresentada resulta de três entrevistas realizadas por Fátima Campos Ferreira a Álvaro Siza Vieira, nas quais foram abordados o percurso pessoal, a arquitetura e as referências culturais que influenciaram o seu trabalho. O livro procura dar a conhecer não apenas os projetos pelos quais o arquiteto se tornou conhecido, mas também a forma como observa o mundo e desenvolve as suas ideias.

Conforme escreve a Flash!, a jornalista descreveu Siza Vieira como um homem de pensamento inquieto e destacou o fascínio que continua a despertar entre profissionais da arquitetura. Numa entrevista anterior ao canal NOW, recordou ainda a ligação do arquiteto ao filme Aniki Bobó, realizado por Manoel de Oliveira em 1942, cuja representação da cidade do Porto constitui uma das suas referências.

Siza Vieira recebeu o Prémio Pritzker em 1992

Nascido em Matosinhos, em 1933, Álvaro Siza Vieira é uma das principais referências da arquitetura portuguesa contemporânea. Em 1992, recebeu o Prémio Pritzker, considerado uma das mais importantes distinções internacionais da área, pelo reconhecimento do seu percurso e contributo para a arquitetura.

A sua obra inclui projetos como o Museu de Arte Contemporânea de Serralves, a Casa de Chá da Boa Nova, em Leça da Palmeira, e o Pavilhão de Portugal, construído para a Expo 98. Aos 93 anos, o arquiteto continua a ser homenageado pelo seu trabalho, tendo a apresentação da biografia reunido figuras de diferentes gerações numa cerimónia que conseguiu acompanhar à distância, apesar das limitações físicas descritas pela autora.

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Fim das portagens nas pontes 25 de Abril e Vasco da Gama? Proposta foi aprovada e decisão passa para o Governo

As portagens nas pontes 25 de Abril e Vasco da Gama poderão vir a ser eliminadas, caso avance uma proposta que pretende reduzir os encargos suportados pelos automobilistas que atravessam diariamente o rio Tejo. A iniciativa já recebeu aprovação de uma autarquia da margem sul, mas a concretização da medida depende de decisões que ultrapassam as competências municipais.

A Câmara Municipal de Setúbal aprovou, na quarta-feira, 21 de outubro, uma proposta apresentada pelo Chega que defende o fim da cobrança nas duas travessias. De acordo com o Diário do Distrito, a deliberação foi tomada durante uma reunião pública do executivo e prevê um apelo ao Governo para que sejam desenvolvidos os procedimentos necessários à eliminação das portagens.

Quem poderá beneficiar do fim das portagens?

A proposta pretende aliviar as despesas dos residentes da Península de Setúbal que necessitam de atravessar o Tejo regularmente. Entre os principais beneficiários de uma eventual alteração estarão os trabalhadores que se deslocam para Lisboa, bem como estudantes e outras pessoas que dependem destas ligações para realizar atividades quotidianas.

Segundo a mesma fonte, a autarquia considera que as portagens representam um “encargo adicional para as famílias e empresas da região”. O documento destaca particularmente a situação dos cidadãos que não dispõem de alternativas adequadas para as suas deslocações, defendendo que a eliminação da cobrança poderia contribuir para uma maior integração entre as duas margens.

O que falta para as portagens serem eliminadas?

Apesar da aprovação da proposta, os condutores continuam obrigados a pagar as portagens nas pontes 25 de Abril e Vasco da Gama. A decisão tomada pela Câmara de Setúbal constitui uma posição institucional, não tendo efeitos imediatos sobre os valores cobrados aos automobilistas que utilizam diariamente estas infraestruturas.

Conforme explica a mesma fonte, a autarquia pretende solicitar ao Governo que avance com as “diligências políticas, jurídicas e negociais necessárias” para concretizar a medida. A eventual eliminação das portagens terá de respeitar o enquadramento legal e contratual existente, uma vez que as duas travessias são exploradas pela concessionária Lusoponte, cujo contrato tem como data de referência para o seu termo março de 2030.

Autarquia também quer melhorar os transportes públicos

A deliberação aprovada não se limita à questão das portagens. O executivo municipal defende igualmente o reforço dos transportes públicos que asseguram as deslocações entre as margens norte e sul do Tejo, considerando necessário melhorar as condições de mobilidade dos habitantes da Península de Setúbal.

A proposta refere a necessidade de aumentar a frequência, a capacidade e a fiabilidade dos serviços, bem como de melhorar a integração tarifária. O município entende que estas alterações poderão contribuir para facilitar as deslocações dos cidadãos que dependem dos transportes coletivos, particularmente nas viagens realizadas entre os municípios da margem sul e Lisboa.

Câmara de Setúbal quer envolver outros municípios

Para reforçar a posição aprovada, a Câmara Municipal de Setúbal pretende solicitar o apoio de outras entidades da região. Entre os organismos que deverão ser contactados encontram-se a Área Metropolitana de Lisboa, a Comunidade Intermunicipal da Península de Setúbal e os restantes municípios deste território, procurando estabelecer uma posição institucional conjunta.

O objetivo passa por defender junto do Governo medidas que reduzam os custos das deslocações e melhorem a mobilidade entre as duas margens. Contudo, não existe ainda uma decisão governamental que determine o fim das portagens, nem foi anunciada uma data para uma eventual alteração das condições de utilização das pontes 25 de Abril e Vasco da Gama.

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Casal suspeito de simular acidentes para burlar idosos em Silves e Albufeira fica em liberdade: tribunal impõe apresentações às autoridades

Um casal suspeito de simular acidentes de viação para exigir dinheiro a condutores idosos, nos concelhos de Silves e Albufeira, ficou em liberdade depois de ter sido presente a tribunal. Apesar de terem sido detidos pela GNR, os dois suspeitos não ficaram sujeitos a prisão preventiva, tendo o juiz determinado apresentações periódicas às autoridades.

A decisão foi tomada na quarta-feira, 21 de outubro, pelo Tribunal de Portimão. De acordo com o Correio da Manhã, o homem terá de se apresentar diariamente às autoridades policiais, enquanto a mulher ficou obrigada a apresentações semanais. Ambos tinham sido detidos na segunda-feira anterior, no âmbito de uma investigação relacionada com alegadas burlas a pessoas vulneráveis, sobretudo idosos.

Como funcionava o esquema utilizado pelo casal?

Os suspeitos, ambos de 45 anos, terão recorrido à simulação de acidentes rodoviários para convencer os condutores de que tinham provocado danos nas suas viaturas. Depois de abordarem as vítimas, exigiam o pagamento imediato de quantias em dinheiro, alegadamente destinadas a reparar os estragos, procurando evitar que a situação fosse comunicada às autoridades.

Segundo a mesma fonte, o casal utilizava diferentes argumentos para pressionar os condutores a aceitar o pagamento. Entre as justificações apresentadas estavam a possibilidade de receberem multas devido a problemas nos automóveis, perderem pontos na carta de condução ou sofrerem um agravamento do valor do seguro. Desta forma, os suspeitos procuravam convencer as vítimas a resolver os alegados acidentes sem chamar a GNR.

Suspeitos chegaram a acompanhar idosos aos bancos

Em algumas situações, a pressão exercida sobre os condutores não terminava no local do alegado acidente. O Correio da Manhã avança que o casal acompanhava determinadas vítimas até caixas multibanco, para que estas levantassem o dinheiro exigido. O objetivo seria garantir que os pagamentos fossem efetuados de imediato, sem recurso às autoridades policiais ou às seguradoras.

A detenção aconteceu em Silves, no dia 19 de outubro, depois de os suspeitos terem exigido 2.000 euros a uma vítima de 85 anos. O casal acompanhou o idoso a uma dependência bancária para levantar a quantia e acabou por ser intercetado por militares do Núcleo de Investigação Criminal da GNR de Silves, que recuperaram a totalidade do dinheiro.

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