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Governo de SP cria diagnóstico sobre perdas para apoiar produtor rural

Estudo aponta aumento de custos na cana-de-açúcar e prejuízos na citricultura e no amendoim; produtores têm até 12 de novembro para contratar crédito previsto em medida provisória

O governo de São Paulo elaborou um diagnóstico econômico sobre as perdas nas cadeias produtivas de cana-de-açúcar, laranja e amendoim para dar suporte à renegociação de dívidas rurais no estado.

O levantamento, conduzido pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento, reúne dados sobre custos de produção, preços e impactos climáticos e fitossanitários que afetam a renda dos produtores.

O estudo também busca orientar os agricultores interessados em acessar as linhas de crédito previstas na Medida Provisória (MP) 1.376/2026.

O prazo para contratação termina em 12 de novembro de 2026, e a secretaria recomenda que os produtores procurem as instituições financeiras o quanto antes.

Segundo o secretário estadual de Agricultura e Abastecimento, Geraldo Melo Filho, o diagnóstico reúne números para demonstrar a redução da renda no campo e fortalecer as negociações com os bancos.

Segundo ele,  o produtor rural está apanhando de fatores que não controla: clima, alta nos custos de produção, oscilação de mercado e o custo do dinheiro.

Cadeia estudadas

Na cadeia da cana-de-açúcar, o custo agrícola por tonelada aumentou de R$ 102,30 na safra 2020/21 para R$ 177 na temporada 2025/26, segundo o levantamento.

A alta é de aproximadamente 73% no período.

Na citricultura, o estudo estima resultado negativo de R$ 4.837 por hectare em áreas sem greening, doença que afeta os pomares, e prejuízo de R$ 9.020 por hectare nas áreas atingidas pela doença.

Para o amendoim, a projeção é de resultado negativo de R$ 5.940 por hectare em 2026.

Quem pode renegociar as dívidas

A MP 1.376/2026 prevê linhas de crédito para produtores rurais que comprovem perdas em pelo menos duas safras entre 2019 e 2025, com redução mínima de 30% da renda bruta agropecuária esperada.

A secretaria ressalta, porém, que o levantamento estadual não substitui a documentação individual exigida pelas instituições financeiras. Para comprovar as perdas, o produtor precisa apresentar laudo elaborado por profissional habilitado.

Como o processo envolve a preparação dos documentos e a análise de crédito pelos bancos, a recomendação do governo paulista é iniciar a negociação imediatamente, antes do encerramento do prazo de contratação.

 

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Vendas de flores devem crescer 5,2% no dia de Finados

As vendas de flores e plantas ornamentais para o Dia de Finados, celebrado em 2 de novembro, devem crescer 5,2% em 2026, na comparação com o ano passado.

A estimativa é do Ibraflor (Instituto Brasileiro de Floricultura), que calcula que a data responda por cerca de 8% do comércio anual do setor.

Tradicionalmente associadas às homenagens nos cemitérios, as flores também vêm ganhando espaço em outros ambientes, como jardins, varandas e dentro das casas.

Essa vem sendo uma outra forma de preservar a memória de pessoas que morreram, levando as homenagens para espaços que fizeram parte da vida delas.

“A flor deixa de ser apenas uma homenagem no túmulo e passa a integrar o cotidiano da família, ao lado de fotografias, objetos e lembranças que ajudam a manter viva a história de quem morreu”, afirma Renato Opitz, diretor do Ibraflor.

Entre as espécies mais procuradas para o período estão crisântemos, kalanchoes, antúrios, rosas em vaso, rosas-do-deserto, violetas e orquídeas phalaenopsis.

No calendário cristão, o Dia de Finados é dedicado à memória dos mortos. A celebração ocorre em 2 de novembro, um dia após o Dia de Todos os Santos, e tem origem em uma tradição medieval associada ao monge beneditino Odilo, abade de Cluny, na França, que, em 998, instituiu orações pelos falecidos nos mosteiros ligados à sua ordem.

O costume de levar flores aos túmulos é anterior à própria celebração e está associado ao simbolismo das plantas, frequentemente relacionadas à vida, à renovação e à passagem do tempo.

No Brasil, a prática já era registrada no século XIX e permanece como uma das principais formas de expressar afeto e saudade na data.

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Usinas apostam em biometano e captura de carbono para descarbonizar setor

O setor sucroenergético aposta em novas tecnologias para reduzir emissões, aproveitar resíduos e ampliar as receitas das usinas.

Entre as estratégias adotadas destacam-se a substituição de combustíveis fósseis por biometano, a produção de biofertilizantes e a captura e o armazenamento de dióxido de carbono (CO₂).

Alguns destes projetos foram apresentados pelas empresas Cocal, do setor sucroenergético, e FS, produtora de etanol de milho, durante a 26ª Conferência Internacional Datagro sobre Açúcar e Etanol.

As iniciativas mostram como a descarbonização começa a integrar as estratégias industriais e logísticas do setor. Na Cocal, por exemplo, o foco está no aproveitamento de resíduos da cana-de-açúcar para produzir biogás e biometano, utilizados nas operações da própria companhia e no transporte de cargas.

Já a FS desenvolve, em Lucas do Rio Verde (MT), um projeto de captura e armazenamento de carbono que poderá reduzir a intensidade de emissões do etanol de milho a níveis negativos.

A Cocal estruturou uma plataforma de economia circular que integra diferentes etapas da produção sucroenergética. “Além de açúcar, etanol e bioeletricidade, aproveitamos subprodutos industriais, como vinhaça e torta de filtro, para produzir biogás e biometano”, diz Abel Uchoa, diretor-presidente da Cocal.

A estratégia também inclui o recebimento de resíduos orgânicos de outras atividades, como esterco bovino e de aves, para ampliar o abastecimento das plantas de biodigestão e permitir a operação ao longo do ano.

O processo gera novas oportunidades de aproveitamento dos materiais, incluindo a produção de biofertilizantes.

Com isso, a empresa busca reduzir o desperdício, diversificar as fontes de receita e diminuir a dependência de combustíveis fósseis nas operações agrícolas e industriais.

A utilização do biometano, inclusive, vem avançando na logística do setor.

Na operação BioRota, desenvolvida pela Copersucar com transportadoras parceiras, caminhões abastecidos com o combustível renovável transportam açúcar de usinas do interior paulista até o Porto de Santos.

Entre abril de 2024 e março de 2026, a iniciativa realizou mais de 13 mil viagens, percorreu cerca de 11 milhões de quilômetros e transportou aproximadamente 600 mil toneladas de açúcar.

Segundo a Copersucar, a substituição do diesel por biometano evitou a emissão de mais de 8 mil toneladas de CO₂ no período.

A Cocal também está substituindo o diesel utilizado no transporte de vinhaça por biometano. Uma parceria prevê a operação de 44 caminhões movidos ao combustível renovável nas unidades de Narandiba e Paraguaçu Paulista, no oeste paulista.

A experiência da companhia indica que o biometano pode deixar de ser apenas uma alternativa experimental e assumir um papel crescente na logística do agronegócio.

Armazenamento geológico de carbono

Na produção de etanol de milho, a FS aposta em outra tecnologia para reduzir as emissões: a captura e o armazenamento de carbono, conhecidos pela sigla CCS (sigla em inglês para carbon capture and storage)

O projeto desenvolvido na unidade de Lucas do Rio Verde prevê capturar o CO₂ gerado durante a fermentação do etanol, comprimir o gás e injetá-lo em uma formação geológica subterrânea adequada para armazenamento permanente.

A empresa identificou um reservatório com características consideradas apropriadas para receber o carbono, incluindo porosidade, permeabilidade e camadas de rocha capazes de impedir o retorno do gás à atmosfera.

Segundo Daniel Lopes, vice-presidente executivo de sustentabilidade da FS, a estrutura geológica tem capacidade estimada para armazenar 12 milhões de toneladas de CO₂ ao longo de 30 anos. A unidade industrial emite aproximadamente 423 mil toneladas de carbono por ano, de acordo com os dados apresentados.

A FS estima que o projeto possa viabilizar a produção de cerca de 650 milhões de litros anuais de etanol com intensidade de carbono negativa, dependendo da metodologia de contabilização utilizada.

O empreendimento recebeu classificação de projeto-piloto da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), no contexto do desenvolvimento das regras brasileiras para captura e armazenamento geológico de carbono.

A iniciativa também envolve estudos geológicos, licenciamento ambiental e certificação para a geração de créditos no mercado voluntário de carbono.

A empresa informou que o investimento total no projeto chegou a US$ 90 milhões. O avanço da iniciativa depende da consolidação das condições regulatórias e operacionais necessárias à injeção do CO₂.

Etanol de baixo carbono se destaca

Além da redução das emissões, a captura de carbono pode abrir acesso a mercados que valorizam combustíveis com menor intensidade de carbono. Entre as possibilidades estão programas de descarbonização de combustíveis, mercados regulados e voluntários de carbono e aplicações ligadas à aviação e ao transporte marítimo.

A remuneração adicional, entretanto, depende das regras de cada mercado, da certificação do produto e da metodologia utilizada para calcular as emissões evitadas ou removidas.

No caso do etanol, a captura de CO₂ pode complementar uma vantagem já associada à origem renovável do combustível.

A fermentação produz dióxido de carbono de origem biogênica, que pode ser capturado antes de ser liberado na atmosfera. A viabilidade da operação depende dos custos de captura, compressão, injeção e monitoramento, além da capacidade de armazenamento e do valor atribuído ao carbono removido.

Para a indústria, o desafio é transformar o benefício ambiental em retorno financeiro.

As duas estratégias refletem uma mudança na forma de avaliar a sustentabilidade das usinas. A redução de emissões passa a ser associada à eficiência operacional, à diversificação de receitas e à criação de novos produtos e serviços.

A expansão dessas soluções dependerá da evolução tecnológica, da infraestrutura, da regulamentação e dos incentivos econômicos. No caso do biometano, será necessário ampliar a oferta e consolidar o uso em frotas e operações industriais. Para a captura e o armazenamento de carbono, a prioridade é demonstrar segurança operacional, estabelecer regras claras e comprovar a viabilidade financeira em escala comercial.

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Exportações de frutas rendem US$ 354,2 milhões no terceiro trimestre

As exportações brasileiras de frutas registraram faturamento de US$ 354,2 milhões no terceiro trimestre de 2026, em alta de 8% em relação ao mesmo período do ano passado, quando a receita somou US$ 328,1 milhões.

Apesar do avanço em faturamento, o volume embarcado recuou 7,5%, de 290,6 mil para 268,8 mil toneladas, segundo dados da Abrafrutas (Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas).

O resultado mostra uma valorização do valor médio obtido por tonelada.

O indicador passou de US$ 1.129 no terceiro trimestre de 2025 para US$ 1.318 neste ano, crescimento de aproximadamente 16,8%.

A variação pode estar relacionada a mudanças na composição das frutas exportadas, nos preços praticados e nos mercados de destino.

Manga lidera em faturamento

Entre as principais frutas exportadas pelo Brasil, a manga apresentou um dos melhores desempenhos no período. A receita com os embarques cresceu 35%, de US$ 97,3 milhões para US$ 131,4 milhões. O volume também avançou, com alta de 14,1%, passando de 83,3 mil para 95 mil toneladas.

A uva registrou crescimento tanto em receita quanto em quantidade. O faturamento aumentou 17,4%, de US$ 16,8 milhões para US$ 19,7 milhões, enquanto os embarques subiram 6,3%, de 6,8 mil para 7,3 mil toneladas.

O abacate teve a maior expansão percentual entre os destaques positivos. A receita avançou 81,8%, de US$ 7 milhões para US$ 12,6 milhões. Já o volume exportado aumentou 140,9%, de 3,8 mil para 9,2 mil toneladas.

Para o presidente da Abrafrutas, Waldyr Promicia, o desempenho demonstra a capacidade da fruticultura brasileira de gerar receita no mercado internacional, mesmo diante dos desafios enfrentados por determinadas culturas.

Promicia destaca a importância de investimentos em competitividade, qualidade, abertura de mercados e diversificação dos destinos comerciais para ampliar as oportunidades de exportação e reduzir a exposição a oscilações no comércio internacional.

Melão, melancia e banana têm retração

Nem todas as frutas acompanharam o crescimento da receita total. O melão registrou queda de 22,5% no faturamento e de 25,3% no volume exportado. No caso da melancia, a receita recuou 20,8%, enquanto a quantidade embarcada diminuiu 26,1%.

As exportações de limões também apresentaram retração, com redução de 8,7% no faturamento e de 18,3% no volume.

A banana teve as maiores quedas entre as frutas citadas no levantamento: a receita diminuiu 55,5%, enquanto o volume exportado recuou 59%.

 

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