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Especialista: Oposição deve aceitar bloco árabe para evitar nova votação

A oposição israelense deve ter coragem de aceitar o apoio do bloco árabe para formar um governo e evitar uma nova rodada de eleições em Israel. Essa é a avaliação de Danny Zahreddine, professor de Relações Internacionais da PUC Minas, em entrevista ao WW.

Segundo Zahreddine, uma nova eleição seria prejudicial à coalizão que tenta derrubar o Likud. Um dos fatores apontados pelo especialista é o esforço que a oposição fez para mobilizar eleitores israelenses que vivem fora do país.

“Para votar nas eleições de Israel, tem que voltar para Israel”, explicou, destacando que, diferentemente de outros países, os israelenses no exterior precisam retornar fisicamente ao território nacional para exercer o voto, com exceção das autoridades diplomáticas.

Riscos de uma nova rodada eleitoral

Além da possível queda no número de votos, Zahreddine alertou para outro risco: a necessidade de um governo de transição, o que significaria a continuidade de Netanyahu no poder.

Nesse cenário, o especialista avaliou que novas ações militares — contra o Irã, os Houthis ou na Cisjordânia — poderiam ocorrer com base no apelo à segurança nacional.

“O próprio Eisenkot colocou que Netanyahu não deveria brincar com a questão da segurança nesse momento ou usar a segurança como um instrumento político”, ressaltou.

Para Zahreddine, a decisão mais complexa do momento está nas mãos da oposição. “A bola está com a oposição”, afirmou, acrescentando que o Eisenkot e partidos como o Yashar e o Israel Minha Casa precisam demonstrar disposição política para aceitar os árabes como parte da coalizão.

Segundo o especialista, essa seria a única saída viável para derrubar Netanyahu sem recorrer a novas eleições, cujo resultado poderia ser ainda pior para a oposição.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.
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Análise Arko Advice: A urgência de uma pacificação

O Brasil do pós-eleição apresenta, como é habitual em nossa trajetória institucional, aspectos espetaculares e paradoxais. Em poucos dias, acumulamos uma sequência de episódios que, vistos em conjunto, compõem um enredo que mais parece uma tragédia de erros do que o início de um novo ciclo de governo.

Primeiro, Lula venceu as eleições de forma épica, contrariando boa parte das expectativas. Foi uma vitória construída na adversidade, que confirma sua extraordinária capacidade de leitura do eleitorado e de mobilização política. Em seguida, o ministro Alexandre de Moraes determinou a apreensão dos passaportes de Flávio Bolsonaro, o candidato derrotado. No dia seguinte, o mercado amanheceu de ressaca, com indicadores em degradação refletindo a baixa credibilidade econômica e fiscal do governo.

O natural seria que a pauta fosse dominada pela comemoração dos vencedores e pela reação dos agentes econômicos ao resultado. Não foi o que ocorreu. A questão Moraes-Bolsonaro ganhou as páginas e sequestrou a agenda. Flávio deixou o país temendo ser preso e, do exterior, Donald Trump sinalizou que pode não reconhecer o resultado das eleições brasileiras. O que deveria ser um momento de transição e acomodação transformou-se em um novo capítulo da longa crise institucional que consome o país.

Enquanto isso, a economia aguarda. O mercado vive de expectativas, e o silêncio do governo sobre a questão fiscal e econômica é preocupante. O repique no câmbio sinaliza aumento de preços, o que, por sua vez, aponta para a manutenção dos juros em patamar elevado. Juros altos por mais tempo significam crédito mais caro, investimento adiado e crescimento comprometido. É um encadeamento conhecido, e o governo sabe disso melhor do que ninguém.

A pergunta que se impõe é simples: qual será a resposta do governo? Pacificar as expectativas ou bater de frente?

A memória do primeiro mandato de Lula sugere um caminho. Em 2003, diante de um mercado assustado, o presidente agiu com rapidez e pragmatismo para retirar a desconfiança da pauta. Escolheu uma equipe econômica com credibilidade, reafirmou compromissos fiscais e transformou o temor inicial em confiança. Aquela prudência foi decisiva para o sucesso de seus dois primeiros governos.

O comportamento do Lula 3, porém, aponta em outra direção. Ao longo do atual mandato, o presidente acumulou mágoas com a Faria Lima, com setores do empresariado e com parte da mídia. Se essa mágoa prevalecer sobre o cálculo político, o risco de confronto aumenta. E confronto com quem forma preços, financia a dívida pública e decide investimentos raramente termina bem para governos.

O Brasil precisa de paz. E o presidente, com a montanha de votos que recebeu, tem a obrigação de liderar esse processo junto aos demais Poderes e junto à sociedade. A legitimidade das urnas não é apenas um capital para ser gasto; é também uma responsabilidade. Caso opte por não exercê-la, estará contratando uma crise profunda, que poderá guardar semelhanças com o que ocorreu no segundo governo Dilma Rousseff, quando a perda de confiança dos agentes econômicos se combinou com o desgaste político até produzir uma paralisia que custou caro ao país.

Lula não é Dilma, evidentemente. Tem habilidade política, conhece os atores, sabe negociar e já demonstrou capacidade de mudar de rota quando necessário. Mas a brutal queda de confiança dos agentes econômicos, de modo geral, é muito preocupante. E Lula deve ser o primeiro a se preocupar com ela, porque será o primeiro a pagar a conta se nada for feito.

Há, contudo, uma dimensão que vai além do governo. Sem agentes fortes no setor privado, o país não funciona. E o setor privado brasileiro tem se mostrado ajoelhado e complacente diante da crise institucional que se arrasta há anos. Prefere reclamar em eventos seletos, em ambientes protegidos, como se a queixa feita à distância fosse capaz de resolver alguma coisa. Não é. Lideranças empresariais têm responsabilidade pública, e essa responsabilidade não se exerce apenas no balanço trimestral. Exige presença, posicionamento e disposição para o diálogo institucional, inclusive quando ele é desconfortável.

O mesmo vale para os Poderes da República. O Executivo precisa dar sinais claros sobre a economia e assumir a tarefa de pacificação. O Judiciário precisa considerar o impacto institucional e político de suas decisões em um momento delicado de transição. O Legislativo, que frequentemente se acomoda na posição de árbitro oportunista das crises, também precisa contribuir para a estabilidade, e não apenas extrair dela vantagens.

No quadro atual, não há inocentes. Executivo, Legislativo, Judiciário e lideranças do setor privado são, todos, culpados de omissão. Cada um, à sua maneira, contribuiu para que a crise se tornasse permanente e para que o país se acostumasse a viver em estado de tensão. O resultado eleitoral oferece uma oportunidade de recomeço. Desperdiçá-la seria mais um erro em uma sequência que o Brasil já não pode se dar ao luxo de prolongar.

*Murillo de Aragão é advogado, cientista político e doutor em sociologia, CEO da Arko Advice, sócio-fundador da MDA LAW Advocacia e presidente do Instituto Brasileiro de Direito Legislativo

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Waack: Recuo de carta golpista não preserva capital de Flávio

Poste de líder vivo não vira líder. E, se o líder está impedido, como é o caso de Jair Bolsonaro, o lugar do poste, por razões políticas práticas, é na rua e no país.

De longe, ninguém comanda um espectro político tão grande como o de centro-direita no Brasil.

Talvez seja factível comandar apenas um grupo que vai se encolhendo na franja da política.

O único capaz de aceitar os termos de uma carta golpista assinada pelo poste candidato a líder. Da qual recuou uma hora depois, devido ao repúdio generalizado, sobretudo a partir de setores conservadores.

Que falavam da falta de densidade política de Flávio já no início da recente campanha eleitoral. Mesmo assim, surpreende a rapidez com a qual as ações de um político que levou sessenta milhões de votos vão corroendo o capital eleitoral que juntou.

Está se abrindo, na mesma velocidade, o espaço para outros nomes candidatos a falar por uma ampla maioria centro-direita, que venceu as eleições para os principais estados e o Congresso.

Pois, além de toda a espuma toda do noticiário, o que vem por aí com grande rapidez para cima da vida das pessoas é seríssimo.

Ficamos sabendo hoje que o peso dos impostos com a nova reforma tributária vai ser muito maior do que as piores estimativas. E já pega de cara mais de trinta milhões de CNPJs.

Que o governo continua mantendo a preço alto uma enorme defasagem do preço do diesel. Que Lula ainda não tem nem nome para a Fazenda nem plano para tratar de uma séria questão fiscal.

Que já olhamos temerosos para o que o Banco Central vai fazer com os juros na semana que vem. A vida como ela é aqui fica bem distante da Disney.

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Oposição articula com partido árabe contra Netanyahu, aponta especialista

As negociações em curso entre os partidos de oposição e os partidos árabes podem ser decisivas para a formação de um novo governo e para o futuro político do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, segundo Michel Gherman, coordenador do programa de Sociologia da UFRJ, ao WW.

Em entrevista, Gherman destacou que o bloco de oposição a Netanyahu é profundamente dividido, reunindo personalidades políticas diversas que têm como principal elemento comum a posição contrária ao atual governo.

Dois nomes de destaque nesse cenário são o ex-primeiro-ministro de Israel, Naftali Bennett, e o ex-ministro da Defesa de Israel e líder do partido Yisrael Beiteinu, Avigdor Lieberman, ambos tendo declarado publicamente ser intolerável a ideia de formar um governo com apoio, ainda que externo, de partidos árabes.

Partidos árabes com postura mais pragmática

Gherman ressaltou, no entanto, que há uma diferença fundamental entre o que é dito publicamente e o que é negociado nos bastidores. Segundo ele, os partidos árabes que compõem a lista unida — o partido comunista, o partido social-democrata e o partido nacionalista — possuem perspectivas distintas sobre a participação no governo.

“Os partidos árabes são divididos”, afirmou Gherman, explicando que dois desses partidos apresentam, neste momento, uma configuração mais pragmática do que em qualquer outro momento histórico.

O Partido Islâmico Ra’am também demonstrou sinais dessa abertura ao incluir em sua lista eleitoral um ex-comandante da polícia israelense judeu como candidato a deputado.

Para Gherman, isso representa uma situação inédita. “A gente tem uma situação muito nova”, disse ele, apontando que é possível que dois dos partidos árabes venham a atuar como apoiadores externos de uma coalizão de oposição.

Lieberman como principal obstáculo

O principal entrave dentro do bloco oposicionista, segundo Gherman, não é Bennett, mas sim Lieberman. “Lieberman tem uma posição muito fechada em relação ao não apoio dos partidos árabes”, explicou o analista.

Diante disso, a aposta de Gherman é que Bennett e outros líderes da oposição estejam ativamente tentando convencer Lieberman a aceitar algum tipo de apoio externo dos partidos árabes.

Gherman também avaliou como improvável a alternativa de Netanyahu abrir mão dos partidos de extrema-direita — que juntos devem ocupar entre 10 e 11 cadeiras no próximo parlamento — para incluir partidos de centro-direita e de esquerda em um novo governo.

Outra possibilidade, a convocação de novas eleições, foi descrita por ele como algo que “beira o absurdo”, uma vez que o Likud, legenda do atual primeiro-ministro israelense, já perdeu entre 14 e 15 cadeiras em relação à eleição anterior.

“Eu posso garantir que as negociações, inclusive para a inclusão de partidos árabes nessa coalizão, estão acontecendo nesse momento”, concluiu Gherman, reforçando que os árabes são cidadãos israelenses e representam uma parcela significativa da população do país.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.
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Arko: Flávio é problema de Trump até surgir novo líder de direita no Brasil

A chegada de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos transformou o senador em um problema para o presidente americano, Donald Trump, segundo análise de CEO da Arko Advice Internacional, Thiago de Aragão, ao WW.

Para Aragão, a situação embaralhou um cenário que parecia relativamente definido para a administração americana.

De acordo com Aragão, a administração Trump não possui um conhecimento aprofundado sobre os detalhes da política interna brasileira. “Não existe esse conhecimento nesse grau”, afirmou.

Segundo ele, a embaixada americana não repassa esse nível de detalhamento e os temas prioritários em Washington frequentemente impedem que essas informações cheguem aos tomadores de decisão.

Tarcísio e o horizonte estratégico de Trump

Aragão revelou que, cerca de um ano antes de Flávio ser apontado como candidato, pessoas ligadas à administração americana já sinalizavam que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), seria o candidato mais adequado do ponto de vista da direita brasileira.

No entanto, o analista destacou que Trump tem uma característica marcante: seu horizonte estratégico é extremamente curto. “Trump faz uma análise, dá para uma ou duas semanas ou três semanas adiante e é isso”, disse Aragão.

Minerais raros e a disputa com a China

Para Aragão, o problema mais urgente que a presença de Flávio nos Estados Unidos atrasa é a questão dos minerais raros brasileiros.

Segundo ele, Trump precisa avançar nas negociações com o Brasil para impedir que a China ganhe espaço no país, especialmente por meio do financiamento do processamento doméstico desses minerais.

“Eles querem abrir o mercado para outras empresas, assim como a Serra Verde”, explicou o analista.

Aragão concluiu que Flávio representa, neste momento, mais um problema do que uma solução para Trump.

Segundo ele, enquanto um novo líder da direita brasileira não surgir — seja por meio da narrativa política, seja pelo Senado — e for aceito pelo governo americano, Trump terá que lidar com a família Bolsonaro e com Flávio em exílio.

“O Flávio hoje virou um problema e até que um novo líder surja (…) ele vai ter que lidar com a família Bolsonaro e com o Flávio em exílio”, afirmou Aragão.

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Waack: Flávio deixa o país e a direita busca novo comando

Quando colocou o filho Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para disputar por ele a presidência, Jair Bolsonaro optou por arriscar perder uma eleição, mas ainda assim continuar com o clã como dominando a direita. Ficou sem os dois.

Perdeu a eleição – Flávio revelou-se um fraco candidato – e, com a saída do filho para os Estados Unidos, perde também o controle da direita. Entende-se – o que não significa justificar – que Flávio tenha deixado o país.

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Minutos depois de proclamado o resultado das eleições, a Polícia Federal, operando em dobradinha com o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, já pedia a entrega dos passaportes de Flávio; que é alvo de inquéritos que ainda estão no início, mas que Moraes, como relator, parece conduzir como conduziu o da fake news: como arma contra adversários políticos.

A derrota eleitoral levou então a polícia a bater na sua porta. Transformando em perseguido um investigado que poderia eventualmente acabar sendo provado criminoso.

É irresistível a ironia na constatação de que um ministro do Supremo, que investiga um escritório de um advogado muito amigo de Flávio por suspeita de lavagem de dinheiro, esteja sob a possibilidade de ser investigado no STF pela parceria do escritório de advocacia da sua mulher com um banqueiro vigarista.

Investigação no Supremo que, devido ao resultado da eleição, parece ter ficado bem pouco provável. Sobrou para o aniversariante desta terça-feira (27), Lula, um duplo cenário complicado.

Está sendo encurralado pelo desolador cenário fiscal, herança maldita que deixou para si mesmo. E tem agora a perspectiva de enfrentar uma direita com enorme base parlamentar, livre de um candidato derrotado e cuja rejeição revelou-se ainda maior que a do próprio Lula.

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Análise: “Vizinhos” esperam papel propositivo do Lula 4 na política externa

No quarto mandato do presidente Lula (PT), os aliados do Brasil na América Latina parecem exigir uma postura diferente por parte do petista.

Lula tem um histórico, vindo desde 2002 quando, ao tomar o poder, teve de enfrentar uma agenda nova: a da integração regional das Américas, a partir de uma relação aprofundada com os Estados Unidos e com as 34 democracias do continente; além da cristalização da ALCA (Área de Livre Comércio das Américas).

Mas o governo petista, na época, escolheu a política externa como um lugar para uma pauta ideológica. Com isso, o bloco comercial não foi para frente, o Brasil passou a antagonizar posturas com os americanos e dificultou-se a possibilidade de maior dinamismo das economias do hemisfério.

Esses aspectos parecem ser águas passadas. Estamos em um novo mundo, 24 anos depois. Agora, a China passa a ser um ator mais do que relevante: é essencial para o Brasil. É o principal mercado para as exportações brasileiras, um grande fornecedor de bens industriais e de insumos ao agro.

Já os Estados Unidos querem ser, declaradamente, a potência do hemisfério – por acreditarem que a região faz parte de uma zona de influência e dominação americana.

Ainda há pouca clareza sobre como será conduzida a política externa de um Lula 4. Contudo, o mais interessante foi a reação dos países vizinhos, especialmente sul-americanos, que têm governos de direita e guardavam até mesmo uma expectativa de uma mudança no Brasil.

Ao perceberem a vitória do presidente Lula, se apressaram em parabenizar o petista, em estabelecer diálogo e estimular os brasileiros a assumirem um papel mais ativo localmente.

Colômbia, Paraguai, Bolívia e Peru – com exceção da Argentina, que ainda está reticente – reconheceram as eleições e felicitaram o petista. Mas, especialmente, quase pediram ao Brasil implicitamente, sutilmente, para que assuma um papel mais propositivo na região.

Isso ocorreria por duas razões: uma é a decorrência natural do Brasil ser o maior país, a maior economia regional – logo, o maior influenciador do que se faça regionalmente. A segunda vem pela necessidade de um espécie de contrapeso, um balanceamento, frente a agenda de Donald Trump.

O novo governo Lula vai abraçar essa oportunidade? Ela está pronta, fácil. Basta ter alguma pauta que diga respeito a todos os nossos vizinhos, mirando um caminho promissor para as relações internacionais e ao novo Planalto.

*Alberto Pfeifer é coordenador-geral do grupo de Defesa, Segurança e Inteligência da USP (Universidade de São Paulo) e pesquisador de Geopolítica do Insper Agro Global. Foi diretor de Projetos Especiais e de Assuntos Internacionais Estratégicos da Presidência da República. Este texto foi transcrito em primeira pessoa de análise em vídeo para o WW.

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Trump queria Flávio e reconciliação EUA-Lula será difícil, diz especialista

Ao WW, Brian Winter, editor-chefe da Americas Quarterly, avaliou os rumos da relação entre Brasil e Estados Unidos após a eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Em entrevista, o jornalista afirmou que o governo do presidente americano, Donald Trump, preferia um resultado diferente nas urnas brasileiras, mas reconheceu que há uma relação cordial entre os dois líderes.

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Trump queria Flávio Bolsonaro eleito

Segundo Winter, o governo Trump desejava claramente um parceiro mais alinhado à sua agenda.

“Eles queriam a eleição do Flávio Bolsonaro“, afirmou o especialista, explicando que o interesse não se limitava à afinidade ideológica.

Para ele, a Casa Branca acredita em iniciativas voltadas ao combate ao crime organizado, que vem crescendo no continente sul-americano e latino-americano ao longo dos últimos dez anos, como o chamado “Escudo das Américas”, entre outras ações.

Relação cordial, mas com cicatrizes

Apesar da preferência pelo candidato derrotado, Winter reconheceu que Trump mantém respeito por Lula.

“O Trump respeita o Lula como ele respeita os líderes de grandes países importantes ao redor do mundo”, declarou.

No entanto, o especialista alertou que cicatrizes deixadas pelo processo político dos últimos 13 anos podem dificultar uma aproximação genuína entre os dois governos.

Reconciliação será difícil

Winter demonstrou ceticismo quanto à capacidade do governo Lula de “pacificar” rapidamente as relações com Washington. Para ele, o governo brasileiro não estará tão pronto para reconciliar e tratar de temas sensíveis como o de terras raras.

“Acho que vai ter que costurar alguma coisa ou talvez essa coisa vai ficar um pouco tensa”, disse o especialista, acrescentando que Brasília pode buscar relações mais próximas com a Europa, a Ásia e talvez o Canadá.

“Acho que o caminho aqui para uma reconciliação entre Washington e Brasília vai ser difícil mesmo”, concluiu Winter.

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CEO da AtlasIntel: Volatilidade entre turnos dificultou pesquisa eleitoral

A volatilidade entre o primeiro e o segundo turno das eleições foi o principal fator que impediu os institutos de pesquisa de registrarem com precisão as intenções de voto dos eleitores. A avaliação é de Andrei Roman, CEO da AtlasIntel, em entrevista ao programa WW, da CNN Brasil.

Roman recorreu a uma analogia para explicar as limitações das pesquisas eleitorais. “A gente poderia fazer uma analogia, talvez, entre as pesquisas e um raio-x. Às vezes, existe uma doença um pouco mais complicada e difícil de detectar”, afirmou.

Para ele, o ciclo eleitoral em questão foi marcado por duas ondas de mobilização que se moveram em direções opostas, tornando o cenário especialmente desafiador para os institutos.

Pêndulo entre os turnos surpreendeu os institutos

Segundo Roman, a desmobilização da base de esquerda no primeiro turno não foi antecipada corretamente pelas pesquisas, o que gerou incerteza sobre o tamanho real do comparecimento no segundo turno.

“Se o padrão do segundo turno da eleição fosse coerente com o padrão do primeiro turno, talvez nossa dificuldade teria sido muito menor, mas o que aconteceu no segundo turno foi basicamente uma completa reversão do primeiro”, explicou. Essa inversão, impulsionada por grandes movimentos de mobilização nas ruas e nas redes sociais, pegou os institutos de surpresa.

Roman também destacou que a pesquisa eleitoral vai além de um simples levantamento de opinião. “A pesquisa eleitoral não é apenas uma pesquisa de opinião de um conjunto estático de pessoas”, disse.

Ele apontou que o fenômeno do comparecimento envolve aspectos de psicologia social, nos quais eleitores podem declarar a intenção de votar e não comparecer às urnas — ou o contrário. “Muitas vezes as pessoas declaram que vão votar e não vão, e às vezes o oposto também pode acontecer”, acrescentou.

Erros não foram tão significativos, avalia Roman

Apesar das imprecisões, Roman defendeu que os erros das pesquisas não foram tão expressivos quanto pareceram à primeira vista. “As pesquisas não tiveram erros tão significativos quanto poderia parecer, principalmente em relação a ciclos anteriores”, afirmou.

Ele ponderou que a percepção de falha foi amplificada pelo contexto de uma eleição acirrada, em que as margens entre os candidatos eram muito apertadas desde o início até o final do ciclo.

“Se a gente observar com mais atenção as margens, elas eram muito apertadas desde o início do ciclo até o final”, concluiu Roman, reforçando que o chamado “pêndulo da mobilização” é um fenômeno de difícil mensuração apenas por meio de perguntas diretas aos eleitores.

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Lula não liga gasto público aos juros altos, avalia Samuel Pessôa

Samuel Pessôa, pesquisador do BTG Pactual e do Ibre-FGV, avaliou ao WW, que a queda da bolsa e o aumento do dólar registrados na segunda-feira (26) refletem uma antecipação do mercado financeiro diante de preocupações estruturais com a política fiscal brasileira.

Segundo ele, o problema central está no ritmo de crescimento do gasto público primário.

O diagnóstico fiscal

O pesquisador explicou que o gasto obrigatório do governo cresce, por força de regras de indexação, a uma velocidade maior do que o crescimento da economia.

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“Se todo ano o gasto primário precisa crescer, por questões de regras, a uma velocidade maior do que a base material que sustenta o Estado brasileiro, isso pressiona a base material, gera uma pressão inflacionária e, consequentemente, obriga que nós tenhamos juros elevados”, afirmou Pessôa.

Para o pesquisador, a solução passa por estabelecer regras que permitam ao gasto primário crescer na mesma velocidade da economia. No entanto, ele reconheceu que essa negociação política ainda não foi alcançada.

“Isso a gente não consegue politicamente digerir entre nós, negociar entre nós, e esse é o problema”, disse.

Crítica à compreensão de Lula sobre os juros

Pessôa acrescentou que a situação é agravada pelo fato de que, aparentemente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não compartilha desse diagnóstico.

Segundo o pesquisador, Lula parece atribuir os juros elevados a pressões externas, como as da Faria Lima, sem estabelecer a conexão com o crescimento dos gastos públicos.

“Parece que o presidente Lula não faz uma ligação entre o crescimento do gasto primário do governo central a uma velocidade maior do que o crescimento da economia e os juros elevados”, afirmou.

Para Pessôa, essa falta de clareza sobre as causas dos juros altos gera preocupação, pois sinaliza dificuldades à frente.

“Como ele não faz esse vínculo, a gente tem uma liderança que não tem muita clareza nos motivos dos juros serem elevados no Brasil. Isso gera uma preocupação, porque sinaliza que teremos problemas à frente e os mercados acabam antecipando”, concluiu o pesquisador.

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Waack: Mercado duvida de Lula e das regras do Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acordou nesta segunda-feira (26) após a noite de celebrações diante da dura realidade de que seu governo não desperta confiança nos agentes econômicos.

Ao contrário, a julgar pelos desastrosos números de juros futuros, depreciação do real, e destruição do valor de empresas na bolsa. Nenhuma surpresa, dada o fato de que Lula deixou para si mesmo uma perigosa armadilha fiscal, que ele passou a campanha sequer reconhecendo.

Na verdade, tornou-a pior.

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Venceu a eleição presidencial, mas perdeu a Legislativa no primeiro turno.

No desenho que nós brasileiros fizemos de nosso sistema de governo, os mais de 60 milhões de votos que Lula recebeu valem pouco num Congresso dominado claramente pela oposição de centro direita.

Por isso que agentes econômicos olham para um governo minoritário, diante de uma grave crise fiscal, e se perguntam o que vai acontecer com um presidente que chama de “babaquice” fazer superavit primário.

Tem mais ainda.

Lula voltará a depender de um STF (Supremo Tribunal Federal) envolvido na pior degradação institucional de sua história, que deu um exemplo de sua capacidade de produzir insegurança jurídica pouco mais de 24 horas atrás, com a canetada de um ministro prorrogando o prazo de votação.

Não, não é isso que decidiu a eleição.

Mas o que isso fez foi reiterar a pergunta, sempre repetida por agentes econômicos dentro e fora do Brasil, sobre quais são as regras do jogo e quanto tempo duram.

Quem manda nelas por último? Não sabem bem qual a resposta.

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