Os investidores passaram a apostar majoritariamente que o BC (Banco Central) deve interromper o ciclo de corte da taxa básica de juros, a Selic, em sua próxima reunião. O Copom (Comitê de Política Monetária) se reúne pela penúltima vez no ano entre terça-feira (3) e quarta-feira (4) da semana que vem.
Até sexta-feira (23), os contratos de opção de Copom negociados na B3 apuravam aposta majoritária (76%) em um novo corte de 0,25 ponto percentual pelo colegiado de diretores do BC. Eram 17,5% os que contavam com a possibilidade de manutenção.
As expectativas viraram na segunda-feira (26), após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para um quarto mandato. Na segunda, 63,1% das posições montadas acreditavam que os cortes da Selic seriam interrompidos já na reunião de novembro. Na terça-feira (27), as apostas estavam em 60,9%.
A B3 disponibiliza os dados referentes ao fechamento do pregão sempre no dia útil seguinte.
A redução das renúncias fiscais do país é um dos principais caminhos defendidos por Simonte Tebet (PSB), ex-ministra do Planejamento e Orçamento, para ajustar as contas públicas.
“O Brasil lamentavelmente tem muita gordura pra cortar. O Brasil é o país dos desperdícios, é o país da corrupção, é o país de privilégios. Essa é uma frente que temos que enfrentar. Isso é suficiente? Não, mas tem muitas políticas públicas que eram necessárias e não são mais, como as renúncias fiscais”, pontuou em entrevista à CNN Brasil nesta quarta-feira (28).
“Trocar gastos ruins por gastos bons. Tirar políticas públicas que não são mais eficientes para comportar outras políticas públicas que foram prometidas e ninguém vai cometer estelionato eleitoral.”
A ex-ministra do Orçamento avaliou que, fazendo os ajustes necessários, o país pode atingir um superávit fiscal de valor equivalente a 2% do PIB (Produto Interno Bruto) em quatro anos.
Ex-ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet (PSB) defendeu uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) para ajustar as contas públicas do país.
“Nós temos um cardápio, nós temos medidas prontas na gaveta de alguns ministérios das equipes econômicas que serão colocadas, acredito eu, na mesa do presidente.
E aí o que eu acho mais importante é que a janela de oportunidade é agora. Agora precisamos da PEC da contenção de gastos, naquilo que precisa ser cortado sem reduzir benefícios sociais”, apontou Tebet em entrevista à CNN Brasil nesta quarta-feira (28).
“O Brasil lamentavelmente tem muita gordura pra cortar. O Brasil é o país dos desperdícios, é o país da corrupção, é o país de privilégios. Essa é uma frente que temos que enfrentar. Isso é suficiente? Não, mas tem muitas políticas públicas que eram necessárias e não são mais, como as renúncias fiscais”, pontuou.
Para dar um sinal positivo e esperado pelo mercado, Tebet avaliou que as medidas devem ser indicadas nos próximos 45 dias e “de forma objetiva”, visando fechar as contas públicas no verde em 2027.
A ex-ministra do Orçamento avaliou que, fazendo os ajustes necessários, o país pode atingir um superávit fiscal de valor equivalente a 2% do PIB (Produto Interno Bruto) em quatro anos.
Ainda assim, reforçou que a revisão de gastos deve ser feita sem penalizar os mais necessitados.
“Importante falar do equilíbrio fiscal. Os problemas do Brasil cabem dentro do orçamento brasileiro, e é possível e necessário fazer um ajuste fiscal, uma revisão de gastos sem tirar um benefício sequer”, inadgou.
“Trocar gastos ruins por gastos bons. Tirar políticas públicas que não são mais eficientes para comportar outras políticas públicas que foram prometidas e ninguém vai cometer estelionato eleitoral.”
A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) decidiu, nesta terça-feira (27), pela condenação do ex-diretor da área internacional da Petrobras, Nestor Cuñat Cerveró, no caso da compra da refinaria de Pasadena.
A autarquia reconheceu que o ex-diretor atuou com desvio de poder e violou o dever de lealdade ao receber vantagem indevida da vendedora para que a Petrobras aprovasse a aquisição da participação inicial na refinaria.
Cerveró foi condenado a multa de R$ 16.122.750,00 e foi inabilitado por 15 anos de assumir cargos como administrador ou conselheiro fiscal em companhais de capital aberto.
ex-ministro e ex-conselheiro da Petrobras Antônio Palocci Filho;
Fábio Coletti Barbosa, ex-conselheiro da Petrobras;
Cláudio Luiz da Silva Haddad, ex-conselheiro da Petrobras;
Gleuber Vieira, ex-conselheiro da Petrobras;
Caso superada a prescrição, a decisão é pela absolvição da acusação de violação ao dever de diligência por exame de mérito.
Investigado e condenado
Em 2014, Nestor Cerveró reconheceu ser o responsável pela elaboração do projeto em que havia as cláusulas Marlim e Put option, criticadas pela ex-presidente Dilma Rousseff (PT).
A cláusula Marlim garantia à empresa belga Astra Oil, sócia da Petrobras America Inc, rentabilidade mínima de 6,9% ao ano. A Put Option – ou opção de venda – obrigava a Petrobras a comprar a participação da Astra, em caso de conflito entre os sócios na condução do negócio.
Preso em janeiro de 2015, o ex-diretor da Petrobras foi investigado e condenado no âmbito da Operação Lava Jato por corrupção passiva, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e desvio de poder. Ele passou à prisão domiciliar em junho do ano seguinte após assinar um acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal.
As famílias brasileiras viram seus gastos com juros subirem quase 10% no primeiro semestre de 2026 – em comparação com o mesmo período do ano anterior -, totalizando despesa da ordem de R$ 515,4 bilhões, segundo levantamento da FecomercioSP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo).
Já as empresas tiveram de desembolsar R$ 158,6 bilhões com juros nos primeiros seis meses do ano. Somados os valores, pessoas físicas e jurídicas perderam R$ 674 bilhões nesse sentido, alta de 7,4% ante o primeiro semestre de 2025.
Apesar do crédito ficar cada vez mais caro – a taxa nominal ponderada acumulada passou de 24,3% para 25,3% -, o consumidor segue buscando empréstimos – o saldo real do crédito livre às pessoas físicas subiu 6,1%, a R$ 2,353 trilhões, enquanto as concessões avançaram 5,1%.
Não obstante, a FecomercioSP apurou que a inadimplência cresce, com os atrasos acima de 90 dias atingindo 7,37% dos consumidores, após piora de 1,78 ponto percentual do indicador.
“Em apenas dois anos, houve uma deterioração expressiva da capacidade de pagamento. […] Os lares com dívidas permanecem em patamar elevado”, aponta a entidade em nota de pesquisa.
A FecomercioSP afirma que 3,4 milhões de lares registram dívidas, o maior patamar desde 2022.
Já olhando para as empresas, o levantamento nota outro comportamento alarmante: o gasto total com juros se manteve quase o mesmo entre 2025 e 2026, enquanto as operações de crédito recuaram; com menor saldo de crédito, o que manteve a despesa elevada é o fato do encarecimento das concessões.
Por outro lado, chama atenção um desempenho que pode soar contraintuivo: na contramão, o VIX Brasil – indicador usado como “termômetro do medo” do mercado brasileiro – chegou a cair 40% ao longo do dia. No fim dos negócios, apurava perda de 38,59%.
A reeleição de Lula para um quarto mandato pode ter frustrado as expectativas do mercado financeiro e forçado o desmonte de posições construídas em torno da tese Flávio Bolsonaro. Mas o VIX apura que a volatilidade caiu. O choque inicial ainda deve ressoar pelos próximos dias, mas o mercado deve se assentar e voltar a se pautar em fundamentos e no noticiário, seja ele corporativo ou político.
“A forte reação do mercado nesta segunda-feira reflete o fato de que a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva não estava totalmente precificada pela maior parte dos agentes financeiros. Nas semanas que antecederam o segundo turno, o Ibovespa registrou expressiva alta embalado pela expectativa de que Flávio Bolsonaro sairia vencedor”, observa Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad.
“Essa aposta fez com que muitos fundos e investidores institucionais se posicionassem de forma otimista para um cenário que acabou não se concretizando nas urnas, tornando o ajuste de preços não apenas previsível diante do choque de expectativas, mas também devido à urgência operacional no desmonte rápido das carteiras.”
Após o primeiro turno, o mercado viveu uma euforia que levou o Ibovespa a renovar recordes com a vitória parcial de Flávio. Comparando com a duração do primeiro movimento, Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, afirma que o pessimismo ainda deve durar “por enquanto”.
“A lua de mel do otimismo do mercado financeiro no pós-primeiro turno durou uns 15 dias aproximadamente”, relembra.
O movimento imediato de queda – pelo que Nossig chama de “liquidação forçada de posições” – tende a perder força à medida que o “choque inicial” do resultado eleitoral é absorvido, explica a analista.
A volatilidade cai à medida que as eleições acabam e sabe-se concretamente quem será o próximo presidente. A incerteza não é anulada, de modo que o mercado deve seguir buscando pistas sobre qual vai ser a postura do petista em seu próximo governo.
A expectativa gerada em torno de Bolsonaro era movida pela esperança dos investidores em uma política fiscal mais rígida. Com Lula, espera-se continuidade de uma economia pautada no impulso com gastos públicos.
Mas os analistas ouvidos pela reportagem apontam que agora, antes de concretizar novas estratégias, o mercado deve esperar para observar o que será de fato sinalizado pelo governo. Desse modo, a Bolsa deve entrar em um período de oscilação tática e consolidação de preços.
Olivia Carneiro, economista e mestre pela Universidade de Chicago, ressalta que algum resquício de especulação eleitoral deve seguir nesse período de transição de mandatos. Com um Congresso mais à direita, o mercado deve fazer os cálculos sobre a governabilidade de Lula 4 e a continuidade – ou não – de medidas de impacto para a economia.
Nesse sentido, Rai Chicoli, estrategista-chefe da Monte Bravo, pondera sobre o impacto inflacionário que algumas propostas devem ter no próximo ciclo – e consequentemente nas expectativas do mercado -, como o fim da escala 6×1. O analista coloca também na ponta do lápis o efeito que o El Niño pode gerar sobre o preço dos alimentos.
Para além disso, Carneiro vê um cenário global ainda com muitas incertezas – como os preços de energia, a guerra no Irã e crises de dívida, inflação e juros altos por diversos países -, fazendo o mercado ficar sem novos impulsos claros e evidentes para se movimentar.
Porém, mesmo com exterior desfavorável, o Ibovespa vem conseguindo colher espólios em 2026. Apesar da queda de 13,88% na ressaca da eleição, o principal indicador do mercado acionário brasileiro acumula alta de 10,32% no ano. Desde 2023, a alta é de mais de 60%.
Ainda assim, é consenso no mercado de que o ânimo dos investidores “vai depender da postura do Lula daqui para frente”, enfatiza Olivia Carneiro.
Construir credibilidade fiscal junto do mercado financeiro vai requisitar do presidente mais do que discurso, segundo Alex Agostini. Ele nota que “nada será suficiente” para os agentes econômicos sem a indicação de um nome forte e vindo de fora do Partido dos Trabalhadores para o Ministério da Fazenda.
A novo chefe da equipe econômica deverá ser alguém “técnico e pró-mercado”, resume.
“Para que haja trégua, precisa indicar nome forte à Fazenda. Não só ortodoxo, mas um aristocrata, que conhece as demandas do mercado financeiro e do setor privado. E para que a credibilidade seja duradoura, o governo vai ter de formar corpo junto do centrão para aprovar suas medidas”, pontua o economista-chefe da Austin.
Para Henrique Meirelles, ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do BC (Banco Central), o marco fiscal adotado pelo governo Lula em 2023 não é tão “claro, direto e rigoroso” quando o assunto é a fixação dos limites de despesas permitidos ao Executivo.
O economista defendeu, em entrevista exclusiva ao CNN Money nesta segunda-feira (26), que seria mais crível “uma coisa clara”, ao invés de métricas de crescimento de gastos flexíveis a depender do crescimento da economia.
Além disso, Meirelles indicou que o “maior problema” em relação ao arcabouço fiscal “é que ele não está sendo seguido”.
Apesar de o governo ter cumprido as metas de gastos primários dos últimos anos, o ex-ministro observou que a regra só atendeu ao parâmetro estabelecido em lei ao ignorar da conta despesas extraordinárias.
Nesse sentido, apontou que a regra “perde eficácia” e que “a dívida cresce independentemente de como o governo a contabiliza”.
Ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do BC (Banco Central), Henrique Meirelles defende que o próximo nome que ficar à frente da pasta deve ser o de alguém favorável à mudança na maneira como o governo gere as contas públicas.
“Seria alguém que fosse visto pelo mercado – e se for anunciado nessa direção – no sentido de assumir compromisso em relação à política fiscal claro“, disse Meirelles em entrevista ao CNN Money nesta segunda-feira (26).
Clareza passa, segundo o ex-ministro, por apresentar propostas diretas para o controle dos gastos, sem meandros e ambiguidades.
“Fato é que estamos com a dívida pública elevada e, se seguirmos nesse ritmo de gastos fiscais, vai ficar insustentável”, ressaltou ao CNN Money.
Questionado se o indicado à Fazenda teria de vir do mercado financeiro, Meirelles indicou que este não necessariamente seria um critério de escolha.
Além de sinalizar claramente seu compromisso fiscal, a pessoa escolhida teria de passar credibilidade sobre suas afirmações. Fator este que passa por dois elementos: ter um passado que confirme essa postura e representatividade junto do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para conseguir bancar suas propostas.
Por outro lado, o ex-BC também não enxerga hoje ninguém no governo federal que tenha capacidade de transmitir uma postura fiscalista crível ao mercado.
“Certamente não há ninguém no governo que eu saiba. Pode estar lá dentro, mas ninguém publicamente que esteja fazendo uma declaração clara de que é necessário controle fiscal”, ponderou ministro.
Meirelles observou que uma postura mais contida seria compreensível por algum técnico de visão mais ortodoxa que estivesse compondo um governo que, até o momento, mantém em andamento uma política contrária.
“Alguém favorável à mudança relevante, essa pessoa dentro do governo teria ficado em uma situação complicada”, pontuou.