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Lula cita Deus 12 vezes após vitória em 2026; recorde segue sendo 2022

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mencionou a palavra “Deus“ 12 vezes nos discursos realizados após a vitória nas eleições presidenciais de 2026. O levantamento feito pela CNN Brasil mostra que o recorde, porém, é de 2022, com 15 menções.

Apesar de não ter superado a marca anterior, o número atual é o triplo do registrado em 2002, quando o petista foi eleito presidente da República pela primeira vez.

O levantamento considera os pronunciamentos feitos por Lula após a confirmação dos resultados eleitorais, tanto em hotéis, onde tradicionalmente falou à imprensa e a aliados, quanto nos discursos dirigidos a apoiadores na Avenida Paulista, em São Paulo.

Em 2026, foram cinco menções a Deus durante o pronunciamento no hotel e outras sete na Avenida Paulista. Já em 2002, o petista não utilizou a palavra no primeiro discurso, mas fez quatro referências durante a comemoração na avenida.

As menções também estiveram presentes nas vitórias anteriores. Em 2006, Lula citou Deus duas vezes, uma no primeiro pronunciamento e outra na Avenida Paulista. Em 2022, foram cinco no hotel e dez na manifestação com apoiadores.

Em 2026, Lula disse ter sido “escolhido por Deus”

No primeiro discurso após a vitória de 2026, Lula atribuiu sua trajetória política à generosidade divina e afirmou acreditar que sua chegada à Presidência teve participação de Deus.

“Eu sempre acho que Deus foi muito generoso comigo”, declarou.

Em outro momento, o presidente reforçou a associação entre sua trajetória e a fé religiosa.

Eu fui escolhido por Deus. E eu fui escolhido por Deus, porque eu sempre acho que tem o dedo de Deus na minha cabeça. Eu sempre acho. Então eu quero agradecer a Deus e agradecer a vocês.

Luiz Inácio Lula da Silva

Mais tarde, na Avenida Paulista, Lula voltou a mencionar Deus ao relembrar sua primeira eleição presidencial, em 2002, quando se tornou o primeiro operário a chegar à Presidência da República.

“Eu posso dizer para vocês, eu acredito muito em Deus. E eu acho que no dia que o povo brasileiro acordou e resolveu eleger um metalúrgico sem diploma universitário presidente da república foi o dedo de Deus que fez vocês confiarem que o operário poderia fazer mais do que a elite brasileira tinha feito em 500 anos nesse país.”

O petista também associou as referências religiosas à sua origem nordestina e à conquista do quarto mandato presidencial.

“Sou obrigado a agradecer todo dia a Deus pela generosidade dele de fazer o menino que saiu do Nordeste para não morrer de fome e chegar em São Paulo e virar torneiro mecânico, virar presidente e vocês me darem o quarto mandato. Isso é coisa de Deus e é coisa de vocês. Por isso eu amo vocês.”

Nuvem de palavras do discurso do presidente Lula em 2026 • Reprodução

Em 2022, foram 15 menções a Deus

A eleição de 2022 foi a que registrou o maior número de referências à palavra “Deus” entre os quatro anos analisados.

Após derrotar Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno, Lula mencionou o termo cinco vezes no pronunciamento realizado no hotel.

“Quero começar essa pequena fala que vai ser lida com um agradecimento a Deus”, afirmou no início do discurso.

Em seguida, o petista também declarou que “Deus foi muito generoso comigo”.

Na Avenida Paulista, foram outras dez menções, segundo o levantamento. Em uma delas, Lula associou o retorno à Presidência, aos 77 anos, à vontade divina e ao apoio popular: “ser presidente duas vezes e voltar aos 77 anos e ganhar outra vez só pode ser obra de Deus e do povo brasileiro”.

O petista também afirmou que “Deus nos fez iguais e não é possível que alguém seja tratado como inferior”.

Ao longo das quatro eleições, as referências religiosas apareceram em diferentes contextos, incluindo agradecimentos pela vitória, menções à trajetória pessoal e pedidos de proteção para os mandatos seguintes.

Nuvem de palavras do discurso do presidente Lula em 2022 • Reprodução

Em 2006, Lula mencionou Deus duas vezes

Na reeleição de 2006, o então presidente fez duas referências a Deus nos discursos de vitória.

A primeira ocorreu durante um agradecimento ao vice-presidente José Alencar, que permaneceu na chapa presidencial.

“Eu agradeço a Deus de ter encontrado um parceiro de chapa como o companheiro Zé Alencar que além de ser um grande empresário ele é, sobretudo um grande brasileiro e um grande patriota.”

Já na Avenida Paulista, Lula agradeceu aos apoiadores que defenderam seu governo durante o primeiro mandato e pediu força para a gestão seguinte.

“Quero agradecer a cada um de vocês que defendeu o governo mesmo nos momentos mais difíceis. Que Deus permita que a gente tenha força para fazer um governo muito melhor”

Em 2002, referências ficaram concentradas na Avenida Paulista

Na primeira vitória presidencial, em 27 de outubro de 2002, Lula não mencionou Deus durante o pronunciamento no hotel.

As quatro referências ocorreram no discurso posterior, realizado na Avenida Paulista, diante dos apoiadores que comemoravam sua eleição.

Na ocasião, o petista agradeceu aos partidos e candidatos que o apoiaram no segundo turno e usou a expressão “pelo amor de Deus” ao agradecer aos aliados.

“Quero agradecer mulheres e aos homens deste país que fizeram com que a esperança derrotasse o medo nessa campanha de 2002. Pelo amor de Deus, eu quero aproveitar para agradecer os companheiros que disputaram o segundo turno, o primeiro turno e que não conseguiram chegar lá e que me apoiaram no segundo turno, os companheiros do PPS, os companheiros do PSB.”

Ao encerrar sua fala, Lula voltou a fazer referências a Deus, desta vez pedindo saúde e coragem para governar o país.

“Que Deus abençoe cada um de nós. Que Deus abençoe cada um de vocês e que Deus nos dê saúde e coragem pra gente mudar a história do Brasil e fazer este país ser mais feliz e o nosso povo viver com muito mais dignidade.”

 

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Juros futuros fecham semana em alta após reeleição de Lula

As taxas dos DIs voltaram a subir nesta sexta-feira (30) e encerraram a semana pós-eleição com altas acumuladas de mais de 250 ​pontos-base em alguns vencimentos, refletindo o ajuste de posições em meio à reeleição ​do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e às preocupações com a política fiscal do futuro governo.

No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 14,5%, em alta de 13 pontos-base ante o ajuste de 14,366% da véspera. Já a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 15,33%, com elevação de 10 pontos-base ante 15,234%.

No acumulado da semana pós-segundo turno, essas taxas subiram 164 e 259 pontos-base, respectivamente, refletindo a surpresa com a vitória no último domingo de Lula sobre o senador Flávio Bolsonaro – até então o favorito da Faria ⁠Lima.

Agora, ao mesmo tempo em que aguardam indicações sobre quem ​comandará em 2027 as principais pastas, como o Ministério da Fazenda, os investidores esperam por detalhes sobre como será a ​política fiscal no novo governo.

Durante a semana, a necessidade de ajuste nas contas públicas seguiu como um tema recorrente no mercado, que vê a ⁠questão como fundamental para o controle da inflação e, consequentemente, para ⁠a redução sustentável dos juros.

Dados do Banco Central mostraram na quinta-feira que o setor público consolidado registrou em setembro ​déficit ‌nominal – que já inclui o pagamento dos juros da dívida pública – de R$113,0 bilhões. Em 12 meses até setembro, o déficit nominal está em ⁠R$ 1,275 trilhão, ou 9,51% do PIB (Produto Interno Bruto).

“O problema fiscal é muito grave e precisa ser enfrentado pelo governo sob pena de um grande desarranjo macroeconômico, nosso maior temor”, pontuou o diretor da consultoria Wagner Investimentos, José Faria Júnior, em relatório divulgado nesta sexta-feira.

“Além da dívida do governo, as famílias e as ‌empresas ⁠estão muito endividadas”, alertou.

Pela manhã, ‌o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) informou que a taxa de desemprego no país recuou para 5,2% no terceiro trimestre do ano, a mais baixa para o período desde o início da série histórica, em 2012. O dado veio em linha com as expectativas dos economistas.

Já o rendimento real habitual ⁠do trabalhador ficou estável na comparação com o trimestre imediatamente anterior, em R$3.790, ⁠com alta de 3,6% na comparação anual.

“Esse resultado reforça que o desemprego e o mercado de trabalho devem desacelerar gradualmente conforme o ano for passando, que é sempre a nossa ‌expectativa”, comentou António Ricciardi, economista do Banco Daycoval. “A gente tem expectativa de taxa terminal de desemprego em 5,2%.”

Na próxima quarta-feira, o Banco Central anunciará sua primeira decisão sobre juros após o segundo turno da eleição presidencial, levando em conta não apenas os dados mais recentes da economia real como as mudanças nas expectativas e no câmbio desde a vitória de Lula.

Nesta semana pós-segundo turno, o dólar saltou mais de 40 ‌centavos de real.

As preocupações com o equilíbrio fiscal no governo Lula conduziram nesta semana boa parte das apostas do mercado para a manutenção da taxa básica Selic em 13,75% ao ano.

“Antes das eleições, existia uma probabilidade maior implícita nos preços de uma continuidade no ciclo de corte ⁠de juros. E o que passamos a ver pós-segundo turno, pós-reeleição do presidente Lula, foi uma probabilidade maior de uma manutenção na próxima reunião”, pontuou Rafael Sueishi, head de renda fixa da Manchester Investimentos.

“Não foi a eleição que mudou os fundamentos de inflação ou a atividade de um dia para ​o outro, o que mudou foi essa percepção de risco sobre a trajetória futura das contas públicas, continuidade da condução da política fiscal, e como isso ​pode impactar câmbio, curva de juros e expectativas de inflação”, acrescentou.

No exterior, com influência menor sobre as taxas nesta sexta-feira, os rendimentos dos Treasuries tiveram baixas firmes, em meio ao movimento global de venda de ações de empresas de tecnologia e compra de ativos mais seguros, como os títulos norte-americanos.

Às 16h42, o rendimento do Treasury de dez anos – referência global para decisões de ‌investimento – caía 6 pontos-base, a 4,925%.

 

 

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