Investigadores resuelven el misterio de las enigmáticas «venus» de hace 18.000 años: siguen el dibujo interior de un colmillo de mamut


O município de Vila do Bispo associa-se às comemorações do Dia Internacional do Património Cultural Imaterial 2026, promovendo, no próximo dia 17 de outubro, pelas 15h00, a iniciativa “Os Pastores do Triângulo Vicentino: documentário & prova de queijo”, no Museu de Vila do Bispo - Celeiro da História.
O conteúdo Prova de queijo e apresentação de documentário em museu aparece primeiro em Algarve Marafado.
O Museu Municipal de Loulé organiza, no próximo dia 11 de outubro, às 10h00, mais uma edição do seu programa “Passeios de Outono”, intitulado “Uma Âncora da História e da Arte em Loulé”.
A atividade convida os participantes a descobrirem a história, o património e a arquitetura da Igreja Matriz de São Clemente, um dos mais emblemáticos monumentos nacionais da região.
Com ponto de encontro marcado na porta principal da igreja, a visita orientada terá a duração aproximada de 1h30 e dará a conhecer a herança histórica do templo, com especial foco nas artes da talha dourada e do azulejo. Durante o percurso, serão também abordadas as principais intervenções e restauros realizados ao longo do tempo, fundamentais para a preservação e para a imagem atual do edifício.
Destinada ao público adulto, a iniciativa será conduzida em língua portuguesa.
A participação é inteiramente gratuita, contudo requer inscrição prévia obrigatória, estando a lotação limitada a 25 participantes. Os interessados deverão garantir o seu lugar através do e-mail: atividades.museu@cm-loule.pt.
A importância socioeconómica das feiras ao longo da História esteve em destaque na mais recente sessão do Ciclo de Conversas com História, realizada a 25 de setembro, no Espaço Memória, em São Brás de Alportel, numa conversa com o Professor Doutor Luís Filipe Oliveira, da Universidade do Algarve.
Promovida pelo Município de São Brás de Alportel, através do Gabinete Municipal de Arqueologia, a sessão abordou o papel das feiras enquanto espaços de comércio, dinamização económica, encontro e sociabilidade.
Ao longo dos tempos, as feiras assumiram um papel que foi muito além da compra e venda de produtos, constituindo importantes pontos de encontro e de convivência e contribuindo para a dinamização económica e social das comunidades.
A sessão permitiu refletir sobre a evolução destes espaços e sobre a sua importância na vida e no desenvolvimento das vilas e cidades, evidenciando a forma como as feiras se afirmaram como lugares de troca, não apenas de bens, mas também de experiências, relações e saberes.
Com esta iniciativa, o Município de São Brás de Alportel, através do Gabinete Municipal de Arqueologia, dá continuidade ao Ciclo de Conversas com História, promovendo momentos de reflexão e partilha sobre diferentes temas ligados à História e ao património.
O Município convida a comunidade a ficar atenta às próximas sessões mensais, que se realizam sempre em tardes de sexta-feira, mensalmente, e a participar neste ciclo de encontros, que pretende aproximar a comunidade da sua História e valorizar o conhecimento sobre o território e as suas memórias.
ARTIGO DE OPINIÃO | CULTURA, TRADIÇÃO E ASSOCIATIVISMO
Por: Paulo Silva/Licenciado em Ciências Sociais
A cultura de um povo não se mede apenas pelos monumentos, pela sua história ou pelas tradições que herdou. Mede-se, sobretudo, pelas pessoas que, de forma voluntária, dedicam parte das suas vidas a preservar, transmitir e manter vivas essas mesmas tradições.
Em Lagos, terra de história, identidade e tradições, as bandas filarmónicas representam uma parte importante do património cultural e associativo que merece ser respeitado, valorizado e transmitido às gerações futuras.
Quando falamos das bandas filarmónicas, não falamos apenas de música, instrumentos ou atuações públicas. Falamos de pessoas: homens, mulheres, jovens e crianças que, por gosto, dedicação e amor à sua terra, oferecem horas das suas vidas para que a cultura popular continue viva.
São, na sua grande maioria, voluntários. Pessoas que trabalham, estudam, têm famílias e responsabilidades, mas encontram tempo para ensaiar, aprender, ensinar e participar nas atividades culturais. Não o fazem por protagonismo: fazem-no porque acreditam que a cultura de um povo não pode desaparecer.
Uma banda filarmónica é também uma família, uma escola de valores e um espaço de encontro entre gerações. E não vive apenas dos músicos: vive dos maestros, professores, dirigentes, familiares, antigos elementos e de todos os que ajudam nos bastidores.
O apoio autárquico e uma reflexão necessária
Enquanto lacobrigenses, algarvios e portugueses, queremos manter esta tradição. Por isso, importa refletir sobre o apoio que os diferentes executivos camarários têm dedicado, ao longo dos anos, ao movimento filarmónico e ao associativismo cultural.
Entre participantes e defensores destas tradições existe a perceção de que o apoio nem sempre acompanha o esforço exigido às coletividades. É uma preocupação legítima que merece diálogo, transparência e uma avaliação concreta dos apoios, sem transformar a cultura numa disputa partidária.
A cultura não tem cor partidária. Pertence ao povo. A responsabilidade de a preservar deve ultrapassar mandatos e ser assumida de forma continuada, independentemente de quem ocupa os órgãos autárquicos.
Não basta convidar uma banda para atuar numa cerimónia ou festa. Os instrumentos, as fardas, a formação, os transportes, os espaços de ensaio e a manutenção têm custos reais. Quem dá gratuitamente o seu tempo não deve ficar sozinho perante todas essas despesas.
Não podemos exigir cultura sem criar condições
O voluntariado é uma das maiores riquezas do associativismo português, mas não pode substituir uma política cultural estável. As bandas precisam de condições para formar novos músicos, conservar instrumentos, organizar atividades e preparar o futuro.
O apoio municipal pode assumir várias formas: financiamento previsível, cedência de instalações, colaboração logística, acesso a formação e valorização da atividade cultural ao longo de todo o ano. Importa que os critérios sejam claros e que as associações sejam ouvidas sobre as suas necessidades.
Também é necessário garantir espaços condignos para as atuações e condições efetivas de acesso a esses equipamentos, nomeadamente ao Centro Cultural de Lagos. Não basta que o espaço exista: as bandas devem poder utilizá-lo para apresentar o seu trabalho à comunidade, com critérios transparentes de cedência, condições técnicas adequadas e uma programação que valorize o movimento filarmónico local.
Uma banda filarmónica não pode depender da benevolência das paróquias para conseguir realizar concertos. A disponibilidade e o acolhimento das comunidades paroquiais merecem reconhecimento, mas não podem substituir o apoio municipal nem constituir a única solução para a apresentação pública do trabalho dos músicos. Garantir o acesso a espaços culturais municipais deve fazer parte de uma política de apoio continuado às coletividades.
O esforço de quem ensaia, ensina e toca de forma voluntária deve encontrar condições dignas de apresentação. Se queremos manter viva a tradição filarmónica, precisamos de lhe dar lugar na programação cultural e de abrir as portas dos espaços públicos àqueles que a preservam ao longo de todo o ano.
Uma tradição que liga gerações
Quando uma criança entra numa banda, aprende mais do que música. Aprende disciplina, respeito, responsabilidade e espírito de equipa. Quando um músico mais velho transmite conhecimentos, mantém viva uma memória coletiva que não se encontra apenas nos livros.
É essa ligação entre gerações que queremos preservar em Lagos, no Algarve e em Portugal. Não queremos que a filarmónica seja apenas uma recordação de outros tempos, mas uma presença ativa nas ruas, nas festas, nas celebrações e na vida quotidiana das nossas comunidades.
Reconhecer quem mantém a cultura viva
É justo agradecer a todos os que ensaiam depois do trabalho, aos familiares que apoiam, aos dirigentes que resolvem problemas e aos cidadãos que acompanham as atuações. Cada um, à sua maneira, ajuda a manter viva a cultura do povo.
Que a reflexão sobre o apoio das sucessivas vereações e executivos camarários se traduza em diálogo e compromissos concretos, e não apenas em palavras de circunstância. Valorizar a cultura é reconhecer tanto o seu significado simbólico como as condições materiais de que necessita.
Porque as bandas filarmónicas não são apenas música. São pessoas, dedicação, comunidade e identidade. Enquanto houver quem queira ensinar, aprender e tocar, haverá futuro para esta tradição — desde que não deixemos todo esse futuro entregue apenas à boa vontade dos voluntários.
Texto de opinião em defesa da cultura lacobrigense e do movimento filarmónico.