GNR constitui oito arguidos por auxílio ao tráfico de droga

© GNR - Comando Territorial de Vila Real

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A Polícia Militar prendeu dois homens em flagrante por tráfico de drogas, na manhã desta segunda-feira (26), na comunidade do Boi Malhado, na zona Norte da capital paulista. Na residência usada por eles, a PM encontrou um esquema de monitoramento com câmeras, além de uma réplica de fuzil e 975 porções de drogas.
Segundo os agentes que atenderam a ocorrência, os dois suspeitos correram ao verem viaturas que patrulhavam a região, e um deles teria escondido uma sacola. Quando revistados, foram encontrados R$ 169, uma quantidade de substância semelhante a maconha e anotações com chave Pix e registros de tráfico.
Em seguida, o imóvel usado por eles foi localizado e uma estrutura de monitoramento através de câmeras de segurança espalhadas pelas ruas próximas do local foi encontrada. De acordo com a PM, a estrutura era utilizada para acompanhar a movimentação na comunidade e identificar a chegada de policiais.
Foram apreendidos ao todo 975 porções de drogas, sendo 205 tubos com substância similar a cocaína, 166 com material semelhante a crack e mais 604 porções de substância que pareciam maconha.
Além disso, um simulacro de fuzil foi apreendido, junto a 17 celulares, cinco câmeras de segurança, cinco rádios comunicadores, dez fones para rádio, 15 bases de carregamento, um tablet, equipamentos de informática, oito relógios inteligentes e outros objetos.


Os dois homens foram presos em flagrante e outras duas pessoas que estavam no local foram encaminhadas ao 13º Distrito Policial, mas liberadas depois de serem ouvidas.
Operação da PF mira esquema criminoso envolvendo políticos e policiais no RJ
*Sob supervisão de Carolina Figueiredo
Um estudo conduzido pela Unifesp e pelo Instituto de Psicologia da USP desmistificou a ideia de que a dependência química em populações vulneráveis decorre da “falta de Deus”. Publicada na revista científica Nursing & Health Sciences, a pesquisa investigou a relação entre espiritualidade e o transtorno por uso de substâncias (TSU) por meio de entrevistas com 40 pessoas em situação de rua no Brasil e em Portugal.
Os resultados revelaram que a religiosidade permaneceu viva durante o período de consumo e, frequentemente, se intensificou como uma ferramenta de amparo e sobrevivência. A investigação identificou que muitos entrevistados desenvolvem o que a psicóloga Camila Chagas denomina de “proteção subjetiva”: a crença profunda de que uma divindade os protege ativamente contra overdoses ou infecções.
Embora traga alívio emocional, essa percepção pode se tornar um fator de risco quando leva à negligência de cuidados básicos de saúde. Além disso, a maioria relatou desconforto e sensação de rejeição em igrejas e cultos tradicionais devido ao estigma associado às drogas e à condição de rua.
A escolha dos dois países levou em consideração suas raízes religiosas e modelos opostos de políticas públicas na área de drogas. Enquanto Portugal é predominantemente católico (81%), o Brasil apresenta maior pluralidade, com 50% de católicos e um crescimento expressivo de cristãos evangélicos (31%).
No campo regulatório, Portugal ocupa o 3º lugar no Índice Global de Políticas sobre Drogas por descriminalizar o consumo e investir em estratégias de redução de danos. Em contrapartida, o Brasil figura em 30º lugar, mantendo a criminalização e apostando em comunidades terapêuticas focadas na abstinência total, método criticado pela pesquisadora devido à ineficácia científica comprovada, além dos riscos à saúde física e mental e das altas taxas de recaída.
O estudo comparou as realidades dos dois países e revelou dinâmicas distintas: no Brasil, a maioria dos entrevistados era evangélica (40%) e passava por comunidades terapêuticas focadas na abstinência total, acumulando sentimentos de culpa e falha pessoal diante de recaídas.
Em Portugal, prevaleceram católicos (50%) e pessoas sem religião (40%), inseridos em modelos de redução de danos e com postura mais crítica em relação às instituições. A análise genealógica dos participantes mostrou ainda que o consumo severo está enraizado em históricos familiares de traumas e violência desde a infância.
Como alternativa ao afastamento dos templos convencionais, a pesquisa destaca iniciativas internacionais como as “igrejas sem paredes”, estruturas montadas ao ar livre no México e nos EUA que realizam cultos sem julgamentos morais.
Ao comprovar que a espiritualidade já integra o cotidiano dessa população, o estudo conclui que a assistência social e a saúde pública não precisam impor visões dogmáticas, mas sim desmantelar preconceitos para oferecer redes de apoio humanizadas.