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Sofia Fonseca faz história ao assumir liderança mundial do turismo cultural

Pela primeira vez desde a criação do Comité Internacional de Turismo Cultural (ICTC) do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (ICOMOS), em 1969, uma portuguesa foi eleita para a sua presidência. A distinção coube a Sofia Fonseca, arqueóloga, investigadora e doutoranda da Universidade do Algarve, eleita a 20 de outubro, durante a reunião anual do organismo, realizada em Kuching, na Malásia.

A eleição coloca a investigadora do Centro Interdisciplinar em Arqueologia e Evolução do Comportamento Humano (ICArEHB) à frente de uma estrutura internacional dedicada à relação entre o turismo, a conservação do património e o desenvolvimento sustentável das comunidades.

O reconhecimento surge numa altura em que a Universidade do Algarve prepara o arranque do UAlgTec Heritage (UTH), um novo Centro de Excelência europeu dedicado às tecnologias do património, previsto para janeiro de 2027 e com um financiamento global de 31,5 milhões de euros.

Mais de 25 anos de experiência em arqueologia e património

Sofia Fonseca integra o ICTC desde 2019, tendo participado na equipa responsável pela revisão da Carta Internacional para o Turismo do Património Cultural, adotada em 2022.

Em 2023, foi eleita para o Bureau do comité e, desde dezembro de 2024 até à recente eleição, exerceu as funções de secretária-geral.

Licenciada em Arqueologia pela Universidade de Coimbra e mestre em Egiptologia pela Universitat Autònoma de Barcelona, a investigadora conta com mais de 25 anos de experiência internacional nas áreas da arqueologia, do património e do turismo sustentável.

Ao longo do seu percurso, dirigiu os trabalhos de campo da primeira missão arqueológica portuguesa no Egito e trabalhou em sítios classificados como Património Mundial pela UNESCO, no Egito e na Mauritânia.

É também fundadora da consultora Teiduma e responsável pelo lançamento, no Algarve, do projeto NO ALgarbage, dedicado à redução do desperdício no setor do turismo.

A nova presidente do ICTC pretende dar especial atenção à participação das comunidades locais nas decisões relacionadas com a conservação e a valorização do património.

“Assumo esta presidência com um enorme sentido de responsabilidade e com o orgulho de ser a primeira portuguesa a liderar este Comité. Acredito profundamente no potencial do turismo cultural como força positiva para a conservação do património, para o desenvolvimento sustentável e para o bem-estar das comunidades. Mas, para isso, é fundamental que as comunidades não sejam apenas beneficiárias, mas verdadeiras protagonistas das decisões sobre o seu património e o seu futuro. Nos próximos anos, uma das minhas prioridades será contribuir para transformar os princípios da Carta Internacional de 2022 em ações concretas, reforçando a colaboração entre especialistas, instituições e comunidades à escala internacional.”, afirma Sofia Fonseca.

Comité internacional aconselha organizações como a UNESCO

O ICOMOS é uma das três organizações consultivas do Comité do Património Mundial da UNESCO, juntamente com a IUCN e o ICCROM, desempenhando funções relacionadas com a avaliação, conservação e proteção do património cultural.

O Comité Internacional de Turismo Cultural reúne especialistas de diferentes países e presta aconselhamento a organizações como a UNESCO, a ONU Turismo e a IUCN.

Entre as suas responsabilidades encontra-se a elaboração de cartas internacionais sobre turismo cultural, destinadas a orientar a relação entre a atividade turística, a preservação patrimonial e o desenvolvimento das comunidades.

A Carta Internacional para o Turismo do Património Cultural, adotada em 2022, defende um modelo turístico que respeite o património e coloque as populações locais no centro dos processos de decisão.

Sofia Fonseca pretende contribuir para a aplicação prática destes princípios, promovendo uma maior articulação entre especialistas, instituições e comunidades à escala internacional.

Universidade do Algarve prepara investimento de 31,5 milhões de euros no património

A eleição da investigadora coincide com a preparação do UAlgTec Heritage, um Centro de Excelência europeu dedicado às tecnologias do património, cuja atividade deverá começar em janeiro de 2027.

O projeto dispõe de um financiamento total de 31,5 milhões de euros, proveniente da Comissão Europeia, através do programa Horizonte Europa, do Governo português e da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve.

O UTH reúne a Universidade do Algarve, a Universidade de Kiel, na Alemanha, a ERA Arqueologia e a Zartis, tendo como base científica o ICArEHB.

O centro pretende desenvolver e aplicar inteligência artificial, tecnologias imersivas e investigação arqueológica à valorização do património, à inovação, à criação de emprego e ao desenvolvimento de novas experiências turísticas.

Entre as soluções previstas encontram-se experiências de realidade virtual e aumentada, gémeos digitais e ferramentas de interpretação do património acessíveis e disponíveis em diferentes línguas.

O projeto contempla igualmente o desenvolvimento de modelos de turismo de base comunitária, procurando responder às necessidades dos territórios, reduzir a sazonalidade e contribuir para que uma maior parte dos benefícios económicos permaneça nas comunidades locais.

Este trabalho será desenvolvido em colaboração com autoridades de turismo e património, municípios, parques arqueológicos, museus, empresas criativas e associações do setor hoteleiro.

Uma parte das atividades ficará concentrada no laboratório de Património Digital e Imersivo, um dos quatro laboratórios que integrarão o novo centro.

Para Sofia Fonseca, os objetivos do UAlgTec Heritage estão alinhados com a visão que pretende promover enquanto presidente do Comité Internacional de Turismo Cultural.

“É particularmente gratificante saber que, no Algarve, o UTH irá desenvolver trabalho alinhado com esta visão, aproximando a investigação, a inovação tecnológica e o turismo das necessidades reais dos territórios”, afirma.

Diretor do ICArEHB destaca projeção internacional da investigação algarvia

João Cascalheira, diretor do ICArEHB e coordenador do UAlgTec Heritage, considera que a eleição representa um reconhecimento do percurso científico e profissional de Sofia Fonseca, bem como uma oportunidade para reforçar a ligação da Universidade do Algarve às redes internacionais dedicadas à valorização do património.

“A eleição da Sofia é o reconhecimento internacional de um percurso notável e uma excelente notícia para a UAlg. O Algarve vive do turismo e tem um património extraordinário, mas os dois nem sempre se encontram da melhor forma. Com o UTH, queremos criar tecnologias e modelos que permitam valorizar esse património, melhorar a experiência de quem nos visita, reduzir a sazonalidade e garantir que uma parte maior dos benefícios fica no território. Ter uma investigadora do nosso centro a liderar este debate a nível internacional dá-nos também uma ligação privilegiada às melhores práticas e redes mundiais”, sublinha João Cascalheira.

O ICArEHB é um centro de investigação da Universidade do Algarve dedicado ao estudo da evolução do comportamento humano, com uma forte componente de investigação arqueológica e de aplicação do conhecimento científico ao património.

A eleição de Sofia Fonseca e o arranque previsto do UAlgTec Heritage representam dois desenvolvimentos para a Universidade do Algarve nas áreas da investigação arqueológica, da inovação tecnológica e do turismo cultural, reforçando a ligação entre o conhecimento científico produzido na região e as redes internacionais de conservação e valorização do património.

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Quatro escolas do Algarve integram programa nacional de combate à corrupção

No ano letivo 2026/2027, quatro estabelecimentos de ensino do distrito de Faro vão participar na sexta edição do programa REDEscolas AntiCorrupção, promovido pela All4Integrity, que pretende sensibilizar os alunos para a prevenção da corrupção, a importância da integridade e o exercício de uma cidadania responsável.

A iniciativa envolve a Escola de Hotelaria e Turismo do Algarve, a Escola de Hotelaria e Turismo de Vila Real de Santo António, a Escola de Hotelaria e Turismo de Portimão e o Agrupamento de Escolas João de Deus.

Destinado a estudantes do ensino básico e secundário, entre o 5.º e o 12.º ano, o programa abrange estabelecimentos de ensino públicos, privados e profissionais, em Portugal e no estrangeiro, promovendo atividades educativas centradas na transparência, na ética e na participação cívica.

Quatro escolas algarvias participam numa rede de 108 estabelecimentos de ensino

A edição de 2026/2027 assinala um novo máximo de participação no programa REDEscolas AntiCorrupção, que passa a reunir 108 estabelecimentos de ensino.

O número representa um crescimento superior a seis vezes relativamente à primeira edição, realizada no ano letivo 2021/2022, quando participaram 17 escolas.

Atualmente, a rede integra 84 escolas públicas e 24 privadas, refletindo o alargamento da iniciativa e o envolvimento de um número crescente de comunidades educativas.

No Algarve, a participação das quatro escolas pretende reforçar a sensibilização dos estudantes para questões relacionadas com a corrupção e a integridade, através de atividades que incentivam o pensamento crítico, a reflexão e a participação cívica.

O programa procura ainda demonstrar a importância do papel de cada cidadão na prevenção de comportamentos contrários aos princípios da ética e da transparência.

Avaliação revela maior conhecimento dos alunos sobre corrupção e integridade

Os resultados da avaliação da edição anterior, correspondente ao ano letivo 2025/2026, apontam para uma evolução positiva na perceção dos estudantes relativamente à importância do programa e aos conhecimentos adquiridos.

De acordo com o Relatório de Avaliação de Impacto divulgado pela All4Integrity, a percentagem de alunos que considera importante a sua participação na REDEscolas AntiCorrupção aumentou de 54,0% para 67,6%.

Também a familiaridade dos participantes com os temas da corrupção e da integridade registou uma melhoria, passando de 5,28 para 6,13 pontos, numa escala de um a dez.

Outro dos resultados destacados prende-se com o reconhecimento da escola enquanto fonte de informação sobre estas matérias. A percentagem de alunos que identifica o estabelecimento de ensino como um espaço relevante para adquirir conhecimentos sobre corrupção e integridade aumentou 10,7 pontos percentuais.

A avaliação revelou igualmente uma evolução no conhecimento dos estudantes sobre as instituições responsáveis pelo combate à corrupção.

A proporção de alunos que respondeu “não sei” quando questionada sobre essas entidades diminuiu de 36,8% para 29,8%, indicando uma maior familiaridade com os mecanismos institucionais de prevenção e combate à corrupção.

Segundo a All4Integrity, os resultados evidenciam também um reconhecimento crescente da importância da transparência, da educação e das medidas preventivas na redução da corrupção.

Programa pretende reforçar a educação para a cidadania e a integridade

Desde o seu lançamento, no ano letivo 2021/2022, a REDEscolas AntiCorrupção tem vindo a alargar a participação de estabelecimentos de ensino, envolvendo milhares de alunos e centenas de docentes em atividades pedagógicas dedicadas à ética e à cidadania.

A iniciativa procura promover a reflexão sobre situações relacionadas com a corrupção, incentivando os estudantes a compreender as suas consequências e a importância de comportamentos assentes na honestidade, na responsabilidade e no respeito pelas regras.

Através das atividades desenvolvidas nas escolas, o programa pretende ainda reforçar o pensamento crítico e a capacidade de participação dos jovens na sociedade.

Para a All4Integrity, a integração de quatro estabelecimentos de ensino do distrito de Faro representa uma oportunidade para aprofundar o trabalho de sensibilização junto das novas gerações e valorizar o papel da educação na prevenção da corrupção.

Ao longo do ano letivo 2026/2027, as escolas participantes irão desenvolver atividades no âmbito da sexta edição da REDEscolas AntiCorrupção, contribuindo para a divulgação de princípios de integridade, transparência e responsabilidade cívica junto das respetivas comunidades educativas.

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