Mais de um terço dos titulares de PPR desconhece o produto que tem

Contratar um Plano Poupança de Reforma (PPR) não significa saber o que se contratou. O produto é detido por 31% dos portugueses inquiridos pela Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF), mas 34% dos titulares não sabem que tipo de PPR têm.
Além disso, os dados apresentados esta terça-feira revelam ainda que uma em cada quatro pessoas que poupa para a reforma não acompanha as suas poupanças.
Os dados surgem quando quase metade dos portugueses (45%) diz estar a poupar para a reforma e quando 55% dos que não o fazem apontam a falta de dinheiro, e apenas 17% dos jovens adultos possuem produtos de poupança para a reforma. Entre os que não o fazem, mais de metade diz que o dinheiro não chega.
Nos últimos dez anos, a rendibilidade mediana dos PPR sob a forma de seguros ficou abaixo da taxa de inflação nesse período, calcula a ASF.
O que está em jogo é o valor da pensão pública: em 2024, a pensão média anual da Segurança Social foi de 7.665 euros, 1.014 euros abaixo do limiar de risco de pobreza, fixado em 8.679 euros. Com este ponto de partida, o inquérito da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF), feito a 801 pessoas entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026, procurou perceber o que trava os portugueses.
Entre os que não poupam, 55% apontam a insuficiência de recursos financeiros e 27% nunca pensaram no assunto ou acham cedo para o fazer. “As barreiras à poupança para a reforma são sobretudo financeiras, mas também cognitivas associadas ao adiamento da decisão”, descreve a ASF, notando que há margem para mudar, dado que 41% dos que não poupam admitem fazê-lo no futuro. Destes, 17% têm intenção de contratar um produto, e 58% preveem fazê-lo nos próximos dois anos.
Entre os que poupam, 84% estão empregados, revelam os resultados do inquérito da ASF. A satisfação com a situação financeira faz diferença, dado que 69% dos trabalhadores mais satisfeitos poupam para a reforma, contra 45% no total da população.
A escolaridade também conta, porque 60% dos trabalhadores com menor satisfação financeira, mas com ensino superior, continuam a poupar. Quanto ao momento de começar, 49% dos inquiridos defendem que deve ser antes dos 30 anos.
O que escolhem e o que ganham quem poupa
Os resultados do inquérito da ASF revelam ainda que a prioridade dos portugueses quando poupa para a reforma é proteger o capital investido. Para 35% dos inquiridos, a garantia de capital é o critério mais importante, com a ASF a resumir que “a segurança prevalece sobre a rendibilidade”.
Entre os produtos eleitos pelos portugueses para poupar para a reforma estão os Planos Poupança Reforma (PPR), que são detidos por 31% dos inquiridos, mas 34% dos titulares não sabem que tipo de PPR têm e uma em cada quatro pessoas a reconhecer que não acompanha as suas poupanças.
Isso é particularmente relevante, dado que a rendibilidade dos PPR a dez anos ficou abaixo da inflação, segundo o Observatório da Poupança de Longo Prazo para a Reforma da ASF com base somente nos PPR regulados pela ASF.
Dentro dos 45% dos inquiridos pela ASF que preparam a reforma, 17% não têm um produto próprio para esse fim, mas dizem poupar na mesma, através de outras formas de poupança.
De acordo com os dados compilados pelo supervisor, a rendibilidade mediana foi de 0,9% nos PPR sob a forma de seguros ligados (associados a fundos de investimento), 2% nos PPR seguros não ligados e 1% nos PPR fundos de pensões, enquanto a inflação média nos últimos dez anos foi de 2,1%.
Na prática, quem aplicou dinheiro nestes produtos teve, em termos reais, um retorno nulo ou negativo. A composição das carteiras ajuda a perceber o resultado: no final de 2025, os títulos de dívida pública e equiparados representavam 46,6% da carteira dos PPR sob a forma de seguros, e os fundos de investimento mobiliário pesavam 56,6% na carteira dos PPR fundos de pensões.
Os PPR não são a única via pelos portugueses na poupança para a reforma. Dentro dos 45% que preparam a reforma, 17% não têm um produto próprio para esse fim, mas dizem poupar na mesma, através de outras formas de poupança.
Entre os produtos financeiros analisados no inquérito, o mais detido são os depósitos a prazo (42%), seguidos dos PPR (31%) e dos Certificados de Aforro (27%).
Os resultados do inquérito revelam ainda que o conhecimento é maior do que a posse, com mais de 75% dos inquiridos a dizerem conhecer ações, PPR, Certificados de Aforro e do Tesouro, fundos de investimento e criptoativos, mas uma parte menor tem esses produtos.
Perante uma dúvida sobre produtos de poupança de longo prazo, 53,8% dos inquiridos revelam que recorreriam a seguradoras, gestoras ou bancos, ou seja, a quem vende ou gere o produto. A Internet e os sites especializados reúnem 12,2% das respostas, os consultores financeiros 6,2% e as autoridades de supervisão 3,1%.
Quando se olha para o canal de subscrição dos PPR, a poupança para a reforma continua a fazer-se sobretudo ao balcão. Entre os titulares de PPR, 79,6% contrataram o produto através de um banco e 81,8% fizeram-no presencialmente, numa agência. Só 12% recorreram a um website ou plataforma online e 3,9% contrataram por telefone. Os contratos feitos diretamente com uma seguradora ou sociedade gestora ficam-se pelos 12,3%, e os mediadores de seguros por 5,8%.
O padrão repete-se na hora de procurar informação. Perante uma dúvida sobre produtos de poupança de longo prazo, 53,8% dos inquiridos revelam que recorreriam a seguradoras, gestoras ou bancos, ou seja, a quem vende ou gere o produto. A Internet e os sites especializados reúnem 12,2% das respostas, os consultores financeiros 6,2% e as autoridades de supervisão 3,1%.
Estes números ajudam a enquadrar os resultados anteriores, embora o inquérito não permita estabelecer uma relação de causa e efeito: os PPR são subscritos num balcão e a informação é pedida a quem os comercializa. É nesse contexto que 34% dos titulares não sabem que tipo de PPR têm e um em cada quatro não acompanha as suas poupanças.
A amostra do inquérito da ASF agrega 233 titulares de PPR, num inquérito telefónico a 801 pessoas, com margem de erro de 3,5 pontos percentuais.