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Reeleição de Lula ultrapassa fronteiras e mobiliza o “L” em países europeus

Ao derrotar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no último domingo (25), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quebrou um paradigma: tornou-se o primeiro candidato ao Planalto a terminar o primeiro turno da eleição atrás de seu adversário e, ainda assim, superá-lo na segunda rodada do pleito.

Lula garantiu um inédito quarto mandato como presidente ao receber 64.256.232 de votos (51,79% dos válidos). Ao mesmo tempo, seu oponente obteve 59.826.041 (48,21% dos válidos). Na primeira etapa da eleição, no entanto, Flávio havia conquistado 47,03% dos votos válidos, ante 45,16% de Lula.

Para especialistas ouvidos pela CNN Brasil, o triunfo de Lula é resultado de uma mobilização civil há muito tempo não vista no campo progressista no país.

De acordo com o cientista político Rafael Cortez, em alguma medida, “a esquerda, quando encontrou a melhor maneira de se organizar, ou lidar com redes sociais e o potencial de mobilização que tem, conseguiu se mobilizar e ir para as ruas depois de um longo período em que as ruas pareciam não ser mais domínio progressista no Brasil“.

A jornalistas, o próprio presidente Lula afirmou que, no segundo turno, “a população assumiu a responsabilidade de dizer que a eleição é uma coisa de quem se preocupa com o país“. Segundo aliados do petista, ele mesmo teria se surpreendido com as mobilizações “orgânicas” que ocorreram nas últimas semanas de campanha.

A reeleição do petista vai na contramão do que acontece na América do Sul, que elegeu nomes da direita como Javier Milei, na Argentina, Santiago Peña, no Paraguai, e Rodrigo Paz, na Bolívia. Ainda segundo Cortez, por essas razões, a vitória de Lula “ultrapassa as fronteiras internacionais“.

“Isso tem a ver com esse problema em comum que as democracias contemporâneas e o setor progressista, em particular, estão enfrentando, e além do fato da vitória do Lula representar uma resistência ao trumpismo, sobretudo pensando no contexto da América do Sul e América Latina“, explica.

O cientista político Mauricio Santoro, colaborador do Centro de Estudos Político-Estratégicos da Marinha, corrobora a ideia no que diz respeito ao impacto internacional da eleição brasileira: “Diante de uma crise global da democracia, o Brasil foi um dos poucos países em que a extrema-direita foi derrotada nas urnas”.

“Neste ano, isso só aconteceu na Hungria e na Sérvia, mas que não têm a mesma expressão política e econômica do Brasil, que é uma das dez maiores economias do mundo“, emendou.

A partir das proporções que tomaram os atos públicos e manifestações realizadas no Brasil em prol de Lula e do ineditismo da virada, líderes políticos internacionais passaram a adotar o sinal do “L”, feito com as mãos e utilizado por manifestantes e eleitores para demonstrar apoio ao candidato petista.

A catalã Ada Colau, ex-prefeita de Barcelona e ativista social, compartilhou nas redes sociais, pouco depois do resultado do segundo turno, um vídeo em que pede para que apoiadores “façam o L”.

Em ato na cidade espanhola, ela declarou: “Vamos levantar o braço com o L de Lula, pela esperança, Palestina livre, por Lula no Brasil, pela esperança e pela Frente Ampla no dia 29 de novembro. Vamos ganhar, companheiras!”.

Na avaliação do professor de Relações Internacionais da ESPM Gunther Rudtiz, “o gesto de ‘fazer o L’ ultrapassou seu significado original de apoio a Lula e começou a funcionar como um símbolo de identificação política internacional. Entretanto, mais importante que o símbolo, é a experiência de mobilização eleitoral brasileira”.

“A campanha mostrou a capacidade de combinar mobilização da sociedade civil, manifestações de rua e utilização intensiva das redes sociais para ampliar o engajamento político. Essa combinação despertou interesse de movimentos europeus que enfrentam desafios eleitorais semelhantes, especialmente na Espanha e na França“, completou.

O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, usou as redes sociais para exaltar a vitória de Lula: “Grande vitória de Lula! O que aconteceu no Brasil acontecerá na Espanha. A virada do progressismo global acaba de começar!”, escreveu.

¡Gran victoria de @LulaOficial! Lo que ha pasado en Brasil, pasará en España. La remontada del progresismo global acaba de comenzar.

— Pedro Sánchez (@sanchezcastejon) October 26, 2026

O presidente francês, Emmanuel Macron, seguiu os passos do colega espanhol: “A França e o Brasil têm muito a construir juntos. Diante dos grandes desafios do nosso tempo, reforcemos nossa parceria estratégica e façamos viver a amizade entre nossos dois países a serviço de um mundo mais justo“, registrou.

Toutes mes félicitations @LulaOficial pour ta réélection. La France et le Brésil ont beaucoup à construire ensemble. Face aux grands défis de notre temps, renforçons notre partenariat stratégique et faisons vivre l’amitié entre nos deux pays au service d’un monde plus juste.

— Emmanuel Macron (@EmmanuelMacron) October 26, 2026

Gunther ressalta também a dimensão do papel do Brasil no contexto global: “Estamos falando de uma das maiores democracias do mundo, e o resultado de uma eleição presidencial brasileira tem repercussões que ultrapassam a América Latina. A vitória de Lula ganha ainda mais significado por ocorrer em um contexto internacional de crescente polarização política“.

No entanto, ele ressalta que “cada país tem suas próprias condições políticas, econômicas e sociais”.

“O que o resultado brasileiro oferece, neste momento, é uma referência política e uma experiência de mobilização que outros movimentos podem tentar adaptar às suas realidades“, concluiu.

 

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WATCH: Defeated Brazilian candidate Flávio Bolsonaro arrives in U.S. amid investigation

The stunning move came after 48 hours in which Bolsonaro refused to concede to Brazilian President Luiz Inácio Lula da Silva and then threatened to attempt to annul the election result. He is under investigation by Brazil's Supreme Court for alleged corruption, money laundering and tax evasion in two cases.

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Brasil: convulsão social à vista

Lula vence com ajuda do STF e promete transferência de renda. Flávio contesta, Senado bolsonarista pode fazer impeachment. Convulsão social à vista.

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Em 2002, Lula ganhou pela primeira vez a eleição com o slogan “A esperança venceu o medo”. Seus adversários alegavam que Lula seria uma espécie de Che Guevara no poder e faria os investimentos correrem – nada mais distante da realidade, pois o presidente é amado pelos banqueiros. De todo modo, não há contraste maior do que aquele entre a primeira e a última vitória de Lula. Nesta, as magras e pouco convincentes propostas de Lula logo deram lugar a uma campanha do medo. Flávio ia acabar com o Bolsa Família, cortar as aposentadorias e até tirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil – coisa que só o Papa tem poder para fazer.

Essa é a versão popularesca da campanha do medo, e é a mais racional. A versão de classe média alegava que os gays iam ser impedidos de existir; as mulheres, de abortar; e a democracia acabaria. Democracia, no caso em tela, é um conceito esotérico de difícil apreensão. Se a maioria do povo brasileiro é contra o aborto – que, em tese, já é proibido no Brasil –, então a coisa democrática é justamente impedir as mulheres de usarem o aborto como método contraceptivo. A vermos o surto histérico de parte da classe média brasileira, fica-se com a impressão de que uma Era de Aquário do Mal poderia começar caso Flávio vencesse as eleições.

As coisas iam muito bem para Flávio até as 13h22 do dia 25 de outubro. Flávio venceu o primeiro turno com uma vantagem de 2.224.965 votos sobre Lula, e tinha esperanças de herdar boa parte dos votos dos quatro candidatos terceira via, que é majoritariamente antipetista. Os três candidatos antipetistas somados tiveram 5.607.483 votos. O escritor de autoajuda Augusto Cury teve 3.448.569 votos, e os institutos de pesquisa indicavam que os votos dele seriam divididos entre Flávio e Lula no segundo turno. Assim, seria razoável esperar que Flávio ganhasse uns 7 milhões de votos no segundo turno. Lula, por outro lado, contava com a redução da abstenção para reverter o quadro. Expectativa pouco ou nada realista.

Até o início da campanha, Lula nada tinha para oferecer ao povo além de um dia extra de descanso para trabalhadores de carteira assinada, a revogação de um imposto que ele mesmo criou e o fim das apostas que ele mesmo regulamentou. Durante a campanha, ele deu o primeiro aumento em três anos ao Bolsa Família, o programa neoliberal de transferência de renda que o transformou num símbolo da esquerda brasileira, e, perguntado sobre o porquê da demora, disse que não sabia que não houve aumento, e quando descobriu, aumentou. O aumento sequer estava previsto no orçamento. Além disso, prometeu um depósito de 5 mil reais para pequenos empreendedores e uma mesada de 400 reais para estudantes universitários – sendo que o país já está com dívida pública alta e juros de 13,75% ao ano.

O estilo lulista de fazer política foi explicitado mais uma vez no último debate presidencial: tudo o que ele promete é transferência de renda, e toda a sua retórica se baseia em divisão social. Lula chegou ao ponto de dizer que só um presidente nascido no Nordeste poderia cuidar da região, pois as pessoas do Sul e do Sudeste desdenham o Nordeste. Toda crítica a um governo que passou quase 20 anos no poder é interpretada como ódio aos pobres. Lula se coloca como um pobre apenas porque nasceu nessa condição, mas é o único pobre do mundo a ganhar de um banqueiro um uísque Macallan de meio milhão de reais (80 mil euros). Perguntado por Flávio se ele gostaria de pedir desculpas aos brasileiros endividados, Lula afirmou que quem tem que pedir desculpas é a elite.

Diante dessa estagnação incontornável e deliberada, o fato político mais relevante da campanha de Flávio talvez tenha sido a adesão de Roberto Mangabeira Unger e de Aldo Rebelo, dois ex-ministros de Lula. Aldo Rebelo, em virtude da questão ambiental, já havia se aproximado muito do bolsonarismo, então sua adesão em 2026 não é uma surpresa. Mangabeira Unger, porém, é um professor de Harvard que sempre foi próximo do PDT, m partido de esquerda que recentemente se tornou satélite do lulismo, mas que até pouco tempo atrás era desenvolvimentista. Para que as figuras políticas de esquerda campeãs do desenvolvimentismo se aliem todas ao bolsonarismo, falta apenas Ciro Gomes, e foi o assessor dele, Gustavo Castañon, que organizou o encontro entre Flávio, Aldo e Mangabeira, tendo este último pegado um avião nos Estados Unidos para este fim.

Às 13h22 do dia 25, porém, o otimismo da campanha de Flávio começou a fazer água porque o PT pediu ao Tribunal Eleitoral que a votação em algumas cidades da Bahia fosse prorrogada até as 19 horas. As eleições no Brasil vão das 8 às 17h do horário de Brasília, e uma rápida apuração das urnas eletrônicas se segue. A razão do pedido era o suposto complô de prefeitos apoiadores de Flávio para tirar os ônibus da rua e impedir os eleitores de votar. No entanto, os ônibus atrasaram em Salvador porque sindicalistas petistas fizeram um “adesivaço”: quando os ônibus ainda estavam na garagem, colaram adesivos do PT, e se os ônibus circulassem assim, isso configuraria crime eleitoral. Como a circulação de ônibus é assunto da prefeitura, foi a prefeitura que reteve os ônibus para tirar os adesivos, mas até as 10h30 o trânsito já havia sido normalizado (fora que as seções eleitorais ficam a uma curta distância do endereço do eleitor na hora do cadastro do título, e pode ser mudada depois caso o eleitor queira).

Salvador é uma área que dá muitos votos ao PT. Assim, a campanha de Flávio também pediu que as chuvas em cidades de direita fossem pretextos para retardar a eleição naqueles locais. Depois o PT foi direto ao Supremo Tribunal Federal pedir que as eleições fossem prorrogadas em todo o país. O sistema inauditável do STF sorteou o ministro Zanin, ex-adovado pessoal de Lula, que concedeu a prorrogação às 17h05, depois de muitas urnas já terem sido fechadas e desligadas – sendo vedada a sua abertura.

Por fim, veio a apuração, que aconteceu numa ordem diversa da habitual (os votos do Nordeste costumam entrar por último, por exemplo, então numa eleição brasileira normal a direita começa bem e vai derretendo no final da apuração). Para espanto generalizado, Lula melhorou de desempenho em todas as regiões do país. Flávio ganhou apenas 3.721.538 novos votos (o razoável era esperar uns 7 milhões da terceira via), e Lula conseguiu ganhar inacreditáveis 10.376.694 novos votos.

Flávio anunciou que vai pedir a anulação do segundo turno, mas é pouco provável que consiga algo, já que o grande problema do Brasil no presente momento é justamente a confiabilidade do Judiciário – que trata questionamentos às urnas como atentado à democracia.

Justamente pelo fato de que o STF é percebido por grande parte da população brasileira como o maior problema do país, Flávio se empenhou em eleger senadores para poder votar impeachment de ministros do Supremo. E conseguiu: ano que vem, o Senado terá 45 senadores bolsonaristas, o que é mais da metade. Dada a insatisfação da população com o Supremo, não é implausível que eles consigam totalizar 54 votos (dois terços do senado) para tirar no mínimo um ministro.

Lula já governa com o apoio do Supremo para ignorar as casas legislativas e censurar a população. Quando a crise econômica vindoura se somar à política (imagine o leitor que a partir do ano que vem as empresas vão pagar o imposto tão logo recebam seus pagamentos da clientela), o Brasil deve passar por uma convulsão social e enfrentar uma onda repressiva. Não será fácil o fim da Nova República. No presente momento, uma criança já pagou com a sua saúde: numa favela carioca dominada pelo tráfico, as vítimas da sociedade comemoraram a vitória de Lula com fogos e tiros, dos quais um atingiu uma menina.

Muitos antissionistas exigem que o Brasil vote em Lula por causa das crianças da Palestina. Pelo jeito, só as crianças palestinas importam; as brasileiras, jamais.

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Bolsonaro leaves Brazil for US after losing to Lula

Brazilian Senator Flavio Bolsonaro has left the country for the United States after losing Sunday’s presidential election, three sources said, with the US State Department due to grant him and his family entry visas.

Bolsonaro, who has yet to concede to leftist incumbent Luiz Inacio Lula da Silva, left Brazil after refusing to comply with a Supreme Court order to surrender his passports.

The ruling relates to a money laundering probe in which he denies wrongdoing.

The location of Flavio, his wife and two daughters was not immediately clear. One source close to the family said Flavio had landed in Florida, but declined to say where.

“The State Department will issue visas to Flavio Bolsonaro and his family and allow them entry into the United States,” a senior State Department official said.

Bolsonaro’s departure deepens Brazil-US tensions

Bolsonaro’s departure threatens to deepen a rift between the two most populous nations in the Americas. Lula has accused Washington of colluding with the Bolsonaros to put them back in power, and Reuters reported ahead of Sunday’s election on a US State Department campaign to restore them to office.

US President Donald Trump told reporters on Wednesday that he would approve of Flavio Bolsonaro coming to the United States.

“Well, I would approve. I think they’re fine people. The election was very strange, and I thought it was terrible. It’s gotten bad reviews. You look at what happened to their market”, Trump said.

“I think it’s so terrible to see it. I didn’t take sides, you know. I know them both. I know Lula. I know Flavio a little bit. I know the father very well. The father was treated really badly. I thought, but I wasn’t involved. That’s Brazil. It’s a different country”, he said.

Trump has previously alleged Flavio’s father, former President Jair Bolsonaro, was a victim of judicial persecution in Brazil. The elder Bolsonaro also went to the United States after refusing to concede to Lula in 2022, when former US President Joe Biden was in office. He eventually returned but was later given a 27-year sentence for plotting a coup after his supporters stormed government buildings in Brasilia.

Lula, speaking in Brasilia, said he had just heard that Flavio had left the country, and called it shameful, saying he should have stayed in Brazil and proved his innocence.

Bolsonaro had been favored to win Sunday’s presidential election but ended up losing in a shock result.

Supreme Court ordered Bolsonaro to surrender passports

On Monday, he was given 24 hours to surrender his passports, which were canceled after the deadline lapsed, two sources said. In a court ruling seen by Reuters, the Supreme Court cited the risk of Bolsonaro fleeing Brazil and his “significant financial resources” in ordering his passports seized.

Bolsonaro, who loses his immunity from prosecution when his Senate term ends in February, had said on Monday he had no plans to flee.

“I have never thought about leaving the country,” he said. “I will hand over my passports and defend myself against this travesty, which is a clear attempt to intimidate me.”

His departure appeared to have caught his campaign manager off guard.

“We are surprised by the news because, just yesterday, we discussed the need for Flavio — given the 60 million votes he received — to take on this role as leader of the opposition,” Senator Rogerio Marinho told reporters.

Bolsonaro follows father’s path after election defeat

Although Bolsonaro has yet to officially concede defeat — saying on Sunday he would seek the annulment of the result over alleged voter irregularities — his Liberal Party said on Monday it acknowledged Lula’s victory.

It remains unclear how Bolsonaro was able to leave the country while he was facing a 24-hour deadline to hand over his passports. A senior Federal Police official said Bolsonaro had not exited the country via any regular migration point.

Eduardo Bolsonaro, Bolsonaro’s younger brother who lives in the United States, said ahead of the vote that an election loss would require a move.

“If my brother does not win, I’m in favor that he would leave the country,” he told podcaster Steven Crowder this month.

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Trump diz que eleição foi “estranha” e aprovaria entrada de Flávio nos EUA

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que aprovaria a entrada do senador Flávio Bolsonaro (PL) no país e classificou como “terrível” a maneira como o resultado das eleições presidenciais brasileiras foi alcançado.

“Bem, eu teria aprovado. Acho que são boas pessoas”, disse Trump ao ser questionado por um repórter na madrugada desta quarta-feira (28).

O presidente americano também voltou a criticar a eleição brasileira, afirmando que o resultado foi obtido de maneira “muito estranha” e que considerou o processo “terrível”.

“A eleição foi muito estranha, e achei que foi terrível. Recebeu avaliações ruins. Veja só o que aconteceu com o mercado deles”, afirmou.

A afirmação acontece horas após um assessor confirmar à CNN que Trump autorizou a entrada do senador no país após a derrota nas eleições presidenciais.

Autoridades do governo Trump estavam cientes, na segunda-feira (26), de que Bolsonaro tinha cerca de 24 horas para entregar seu passaporte, e deixaram claro ao candidato brasileiro que sua entrada nos EUA seria permitida, disse o assessor.

Uma fonte brasileira próxima a Flávio afirmou que o senador temia ser preso no Brasil. Ele está sendo investigado por supostos atos de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Uma pessoa a par da situação disse à CNN, na tarde desta terça-feira (27), que Flávio chegou aos EUA com sua mulher e filhas. Não está claro onde ele desembarcou.

Não se sabe, no momento, se Trump e Bolsonaro conversaram diretamente por telefone antes da partida do político brasileiro.

Fuga de Flávio

A decisão do senador acontece após a PF (Polícia Federal) solicitar a entrega dos passaportes do senador na segunda-feira.

Ainda na manhã desta terça-feira, a PF acionou autoridades argentinas sobre um eventual risco de fuga de Flávio. O senador teria até as 11h para entregar os documentos à PF, segundo determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), o que não ocorreu.

Com isso, a corporação cancelou tanto o passaporte comum como o diplomático, destinado a autoridades, levando a uma restrição aos documentos nos portos e aeroportos ao redor do mundo nos sistemas de migração.

O STF determinou a entrega dos passaportes e seus cancelamentos após receio de fuga por parte de investigadores da PF que tocam o inquérito contra Flávio por lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

A medida também se baseou na fala do irmão Eduardo Bolsonaro, que disse em uma entrevista na internet que apoiava a saída do Brasil de Flávio caso ele perdesse as eleições presidenciais, como ocorreu no domingo (25).

Lula critica decisão

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou a fuga do senador.

“Fico imaginando o que tem na consciência um cidadão que acabou de perder as eleições e foge do seu país. […] Quem não deve, não teme. O cidadão que sai escondido desse país deve alguma coisa. E não vá dizer que não há democracia”, disse o petista.

Lula disse, em celebração do seu aniversário de 81 anos, no Palácio da Alvorada, que “lamenta a falta de respeito de Flávio com seus eleitores e com a democracia”.

O petista disse que permaneceu no país após derrotas para Fernando Collor, em 1989, e para Fernando Henrique Cardoso, em 1994 e 1998. Afirmou ainda que quando acusado, à época da operação Lava Jato, teve convites para deixar o Brasil, mas permaneceu para “provar a inocência”.

“Quando pediram meu passaporte, eu entreguei. E ele deveria ter entregado. Mas infelizmente a família Bolsonaro é isso. O Brasil é a segunda pátria deles, a primeira é a devoção aos Estados Unidos”.

Na celebração, o presidente disse que as plataformas digitais, incluindo a Meta, o mercado financeiro e o governo dos Estados Unidos atuaram contra a sua reeleição. Voltou ainda a afirmar que “o Brasil não é quintal de ninguém”.

(Com informações de Jussara Soares e Danilo Moliterno, da CNN Brasil, Max Saltman, Alayna Treene, Kevin Liptak, Julia Vargas Jones, Jennifer Hansler, da CNN e da Reuters)

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Trump autorizou entrada de Flávio Bolsonaro nos EUA, diz fonte

O presidente dos EUA, Donald Trump, autorizou a entrada do senador Flávio Bolsonaro (PL) nos Estados Unidos após sua derrota nas eleições presidenciais, informou um assessor do presidente americano à CNN.

Autoridades do governo Trump estavam cientes, na segunda-feira (26), de que Bolsonaro tinha cerca de 24 horas para entregar seu passaporte, e deixaram claro ao candidato brasileiro que sua entrada nos EUA seria permitida, disse o assessor.

Os EUA estão emitindo vistos para Bolsonaro e sua família, informaram anteriormente duas autoridades americanas à CNN.

Uma fonte brasileira próxima a Flávio afirmou que o senador temia ser preso no Brasil. Ele está sendo investigado por supostos atos de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Uma pessoa a par da situação disse à CNN, na tarde desta terça-feira (27), que Flávio chegou aos EUA com sua mulher e filhas. Não está claro onde ele desembarcou.

Não se sabe, no momento, se Trump e Bolsonaro conversaram diretamente por telefone antes da partida do político brasileiro.

Fuga de Flávio

A decisão do senador acontece após a PF (Polícia Federal) solicitar a entrega dos passaportes do senador na segunda-feira.

Ainda na manhã desta terça-feira, a PF acionou autoridades argentinas sobre um eventual risco de fuga de Flávio. O senador teria até as 11h para entregar os documentos à PF, segundo determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), o que não ocorreu.

Com isso, a corporação cancelou tanto o passaporte comum como o diplomático, destinado a autoridades, levando a uma restrição aos documentos nos portos e aeroportos ao redor do mundo nos sistemas de migração.

O STF determinou a entrega dos passaportes e seus cancelamentos após receio de fuga por parte de investigadores da PF que tocam o inquérito contra Flávio por lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

A medida também se baseou na fala do irmão Eduardo Bolsonaro, que disse em uma entrevista na internet que apoiava a saída do Brasil de Flávio caso ele perdesse as eleições presidenciais, como ocorreu no domingo (25).

Lula critica decisão

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou a fuga do senador.

“Fico imaginando o que tem na consciência um cidadão que acabou de perder as eleições e foge do seu país. […] Quem não deve, não teme. O cidadão que sai escondido desse país deve alguma coisa. E não vá dizer que não há democracia”, disse o petista.

Lula disse, em celebração do seu aniversário de 81 anos, no Palácio da Alvorada, que “lamenta a falta de respeito de Flávio com seus eleitores e com a democracia”.

O petista disse que permaneceu no país após derrotas para Fernando Collor, em 1989, e para Fernando Henrique Cardoso, em 1994 e 1998. Afirmou ainda que quando acusado, à época da operação Lava Jato, teve convites para deixar o Brasil, mas permaneceu para “provar a inocência”.

“Quando pediram meu passaporte, eu entreguei. E ele deveria ter entregado. Mas infelizmente a família Bolsonaro é isso. O Brasil é a segunda pátria deles, a primeira é a devoção aos Estados Unidos”.

Na celebração, o presidente disse que as plataformas digitais, incluindo a Meta, o mercado financeiro e o governo dos Estados Unidos atuaram contra a sua reeleição. Voltou ainda a afirmar que “o Brasil não é quintal de ninguém”.

(Com informações de Jussara Soares e Danilo Moliterno, da CNN Brasil, Max Saltman, Alayna Treene, Kevin Liptak, Julia Vargas Jones, Jennifer Hansler, da CNN)

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