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How André Janones Helped Turbocharge Lula’s Comeback in Brazil’s Election

With street talk and tactics from the far-right’s playbook, André Janones used a WhatsApp channel to help organize millions of Brazilians online.

© Victor Moriyama for The New York Times

The Brazilian congressman André Janones created a digital “army” by setting up WhatsApp groups and posting on Instagram, which helped mobilized the vote for the reelection of President Luiz Inácio Lula da Silva.
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Flávio Bolsonaro Lands in Miami After Fleeing Brazil

Mr. Bolsonaro, who lost Sunday’s presidential election, fled Brazil for the United States via Argentina after the police canceled his passport in relation to an investigation.

© Eva Marie Uzcategui/Reuters

Flávio Bolsonaro arriving at Miami Opa-Locka Airport on Wednesday.
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A fuga de Flávio Bolsonaro: a verdadeira rota que levou o senador de Brasília até Miami

O candidato derrotado no último domingo, 25 de outubro, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chegou à Miami, nos Estados Unidos, na manhã desta quarta-feira, 28, depois de uma série de desinformações sobre o seu paradeiro. Durante a maior parte da terça-feira (27), circulou na imprensa brasileira, argentina e dos Estados Unidos a versão de que o senador já estaria no ar, a caminho dos Estados Unidos, e até mesmo em solo norte-americano.

O registro oficial divulgado pelo governo argentino na madrugada desta quarta-feira (28) desmente essa cronologia. Segundo a Dirección Nacional de Migraciones, o senador só cruzou a fronteira às 22h50 de terça, e o jato que o levou decolou com destino declarado para Guayaquil, no Equador. 

A Direção Nacional de Migrações informa que, às 22h50 do dia 27/10, ingressaram pelo posto de fronteira da Ponte Internacional Tancredo Neves, na província de Misiones, Flavio Nantes Bolsonaro e família
A Direção Nacional de Migrações informa que, às 22h50 do dia 27/10, ingressaram pelo posto de fronteira da Ponte Internacional Tancredo Neves, na província de Misiones, Flavio Nantes Bolsonaro e família

Em comunicado publicado no X, a Migraciones, que na terça de manhã havia afirmado não ter registro de entrada de Flávio na Argentina, divulgou a informação às 2h01. Segundo o órgão, o senador entrou pela Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu (PR) a Puerto Iguazú, na província de Misiones. Ele estava com a mulher, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, e as duas filhas do casal, o que confirma a informação divulgada pela Agência Pública sobre a ausência das filhas na escola em Brasília. 

De acordo com a publicação, todos apresentaram documentação de viagem válida, sem impedimentos legais, e a entrada na Argentina foi registrada sem incidentes. Quarenta minutos depois, às 23h30, o grupo embarcou em um voo privado da empresa Baires Fly S.A. com destino a Guayaquil, conforme o plano de voo. Sites que monitoram voos registraram a aeronave sobrevoando a cidade equatoriana por volta das 5h40. Depois, por volta das 6h20, a aeronave decolou novamente com direção ao Norte. Segundo o jornal “Folha de S.Paulo”, o avião pousou nos Estados Unidos às 10h23, no horário de Brasília.  

A saída de Flávio ocorre depois que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou que Flávio entregasse seus passaportes à Polícia Federal e que ele fosse incluído no Sonar, o sistema de monitoramento migratório. O senador não cumpriu o prazo, que se encerrou às 11h da terça-feira, e a PF cancelou os passaportes emitidos em seu nome. Ele é investigado no STF por suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Entre os países do Mercosul, a carteira de identidade é aceita como documento de viagem, o que explica a menção da Migraciones a “documentação hábil”. Ainda não está esclarecido como o senador atravessou a Ponte Tancredo Neves sem ser detido do lado brasileiro, já que constava no Sonar.

A aeronave pertence à empresa usada por Javier Milei, presidente argentino, para ir aos EUA após sua eleição. Segundo a imprensa argentina, a empresa teria vínculos com o empresário Maurício Macri, e à época, em 2023, o custo do voo de Milei foi alvo de questionamento. A viagem teria custado entre R$ 1,2 milhão e R$ 1,35 milhão. Milei, até o momento, não reconheceu a vitória de Lula nas eleições. 

Imagem de suposto jatinho utilizado por Flávio Bolsonaro em sua fuga do Brasil
Imagens do jato da empresa Baires Fly onde Flávio e família teriam embarcado rumo aos EUA

Notícia de que já estava nos EUA não se confirmou

O horário oficial contradiz o que vinha sendo noticiado pela imprensa, segundo pessoas próximas à família e o entorno político de Flávio, de que o senador já teria partido para os Estados Unidos e que o avião estaria em rota na terça-feira, 27 de outubro. O portal argentino Infobae relatou que ele teria cruzado a fronteira com a carteira de identidade rumo a Puerto Iguazú, de onde seguiria em voo privado para os EUA.

Pela cronologia oficial, quando essas versões circulavam, Flávio ainda não havia passado por nenhum posto de controle migratório argentino. O avião também não tinha decolado. O jato é um Gulfstream G400 de matrícula argentina LV-JQW. 

Aeronave onde estaria Flávio decolou de Gayaquil por volta de 6h20 rumo aos Estados Unidos

Segundo o jornal Clarín, a decolagem foi retida durante a tarde devido a pendências na documentação de um dos passageiros. O portal Misiones Online havia noticiado que a aeronave estava no aeroporto de Puerto Iguazú e que partiria para Guayaquil.

As negativas oficiais da terça-feira (27), que pareciam contradizer as notícias sobre a fuga, eram compatíveis com o registro divulgado depois. Pela manhã, a Migraciones disse que não tinha registro do ingresso do senador. Mais tarde, o porta-voz do presidente Javier Milei, Fabián Fernández, negou à Bloomberg que Flávio tivesse entrado no país. Pelo comunicado desta madrugada da Direção Nacional de Migrações da Argentina, ele de fato ainda não tinha entrado.

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Bolsonaristas fogem da Justiça e se espalham por ao menos quatro países

Flávio Bolsonaro (PL) pode ser o mais novo integrante da lista de bolsonaristas que deixaram o Brasil. Caso confirmada a chegada aos Estados Unidos, o candidato derrotado nas eleições de 2026 se somará a parentes, influenciadores e ex-membros do governo de Jair Bolsonaro, que deixaram o país por condenações ou investigações. Sempre sob o argumento de perseguição política. 

A denúncia partiu do veículo argentino Infobae, que publicou hoje, 27 de outubro, que Flávio estaria na cidade de Puerto Iguazú, que faz fronteira com o Brasil, pronto para tomar um voo rumo aos EUA. Ainda não se sabe como o senador teria saído do Brasil para o país vizinho. Em 26 de outubro, dia seguinte à derrota nas urnas, o ministro Alexandre de Moraes determinou que Flávio entregasse o passaporte à Justiça.

Um dos fundamentos da decisão de Moraes foi uma entrevista do irmão de Flávio, Eduardo Bolsonaro, dada dois dias antes do segundo turno, afirmando que o então candidato deveria deixar o país se perdesse o pleito. Também nesta terça, o blogueiro Paulo Figueiredo disse em sua live que, na noite de domingo, após confirmada a derrota, havia aconselhado o senador a ir para os EUA.

Flávio Bolsonaro é investigado em duas frentes pelo Supremo Tribunal Federal, mas, terminado seu mandato como senador, em 31 de janeiro de 2027, perderá o foro privilegiado. Sob relatoria do ministro André Mendonça, ele é investigado pela suspeita de evasão de divisas e de lavagem de dinheiro por conta do financiamento da produção do filme “Dark Horse”, sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. A investigação mira repasses de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, à produção do longa. 

Em outra frente, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, Flávio é investigado pela suspeita de lavagem de dinheiro por meio de uma casa de apostas. A Polícia Federal (PF) quebrou o sigilo telemático do advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio, e encontrou e-mails que apontariam que o senador foi cadastrado como “usuário master” de uma conta bancária da empresa Alcazar Holdings, de propriedade de Tomaz.

Segundo a PF, há indícios de “vínculo de controle ou propriedade de fato de Willer Tomaz sobre a Rede Loto”, a primeira a obter autorização estadual da Loterj, no Rio de Janeiro, para explorar bets no estado.

Publicação de Flávio Bolsonaro no Instagram
O senador Flávio Bolsonaro afirmou em seu Instagram ter sido intimado pela Polícia Federal (PF), nesta segunda-feira (26), a entregar seus passaportes

Bolsonaristas nos EUA de Trump

Eduardo Bolsonaro mora no Texas (EUA) desde março de 2025. Ele foi condenado pelo STF em junho de 2026 por sua atuação para obter sanções americanas contra autoridades brasileiras. O ex-deputado teve a prisão decretada em outubro, entre o primeiro e o segundo turno das eleições.

Eduardo tem passaporte italiano e também conseguiu o green card, documento que garante a residência permanente nos EUA. Desde que fugiu do Brasil, ele fez diversas viagens ao Oriente Médio e chegou a abrir uma empresa no Bahrein, conforme a Pública revelou.

Seu braço direito nos EUA, Paulo Figueiredo, mora na Flórida há dez anos. Ele é investigado no Inquérito das fake news e foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República pela tentativa de golpe em 8 de janeiro de 2023. Seu caso nunca foi julgado porque o neto do ex-ditador João Figueiredo nunca foi intimado, mas ele é considerado foragido.

Eduardo, Allan dos Santos e Alexandre Ramagem juntos, em 2026, em encontro nos EUA
Eduardo, Allan dos Santos e Alexandre Ramagem juntos, em 2026, em encontro nos EUA

Outro foragido que vive na Flórida é o blogueiro Allan dos Santos. Ele teve mandado de prisão preventiva decretado pelo STF em outubro de 2021 e reforçado em 2024, bem como o bloqueio de suas contas bancárias e perfis digitais no Brasil. O criador do extinto “Terça Livre” também é investigado no Inquérito das fake news e das milícias digitais por disseminação de conteúdo falso e ataques a autoridades.

Ainda na Flórida mora Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e ex-deputado federal pelo PL. Ele foi alvo de pedido de extradição após ser condenado pelo STF a 16 anos de prisão pela trama golpista.

A fuga, em setembro de 2025, contou com a ajuda de Rodrigo Cataratas, condenado por liderar o garimpo ilegal na Terra Yanomami, conforme revelou a Pública. O empresário do garimpo também está foragido por ter ajudado na fuga de Ramagem.

Em abril de 2026, Ramagem chegou a ser detido pelo serviço de imigração dos EUA (ICE), mas foi liberado dois dias depois. Hoje, ele é um imigrante ilegal no país, segundo o Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês) e está sujeito a detenção e deportação, como a Pública também mostrou.

Bolsonaristas na Argentina, Itália e Espanha

Na Itália, a ex-deputada federal Carla Zambelli chegou a ser presa em junho de 2025. Em maio de 2026, ela foi solta pela Corte de Cassação de Roma, última instância da Justiça do país. Ela havia sido condenada pelo STF a dez anos de prisão por contratar um hacker para inserir um mandado de prisão falso contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF, no sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Ainda na Europa, mas na Espanha, mora o blogueiro Oswaldo Eustáquio, considerado foragido da Justiça brasileira desde 2023. Em outubro de 2026, ele se tornou réu por associação criminosa no âmbito do inquérito que investiga a tentativa de golpe de 8 de janeiro. Em junho de 2025, o governo espanhol rejeitou o pedido de extradição do governo brasileiro por considerar que houve motivação política.

Leonardo Rodrigues de Jesus, o Leo Índio, é primo de Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro. Ele é investigado no inquérito do golpe de Estado em 2023 e teve a prisão decretada em 2025. Ele mora na cidade de Puerto Iguazú, do lado argentino da tríplice fronteira, por onde Flávio Bolsonaro teria passado para tomar um voo para os EUA. A Pública mostrou que Leo é um dos investigados por desinformação e tentativa de golpe que seguem ativos nas redes em 2026.

Também na Argentina, estão cinco brasileiros condenados pelos ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023, que foram extraditados em dezembro de 2025: Joelton Gusmão de Oliveira, Joel Borges Correa, Rodrigo de Freitas Moro, Wellington Firmino e Ana Paula de Souza, segundo apuração da BBC Brasil.

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