Está previsto um investimento de mais de 40 milhões de euros na construção de uma nova central solar no Algarve e respetiva linha elétrica de ligação à Subestação de Tavira. O projeto está em fase de Avaliação de Impacte Ambiental (AIA), decorrendo a consulta pública até 9 de dezembro.
Rui Broega, Diretor Coordenador de Asset Management do Banco BiG, explica como os PPR ajudam a preparar a reforma e o que importa saber sobre os Mega IPO antes de investir.
A oncologia atravessa uma transformação profunda. Se, durante décadas, o tratamento do cancro dependia essencialmente do órgão de origem e das características histológicas, hoje sabemos que a identificação das alterações genéticas dos tumores é fundamental para compreender a doença e personalizar a sua abordagem.
A sequenciação de nova geração (Next-Generation Sequencing — NGS) permite analisar simultaneamente múltiplos genes, assumindo um papel crescente nas diferentes etapas do percurso oncológico: prevenção, diagnóstico, prognóstico, selecção do tratamento e monitorização.
Na prevenção, a identificação de variantes genéticas hereditárias, como as dos genes BRCA1 e BRCA2, permite reconhecer indivíduos e famílias com maior predisposição para determinados cancros, possibilitando estratégias personalizadas de vigilância e redução do risco. No rastreio e diagnóstico precoce, a caracterização genética pode contribuir para identificar populações de maior risco e, através de novas tecnologias, incluindo a análise de ADN tumoral circulante, abrir perspectivas para detectar a doença em fases mais precoces, embora algumas destas aplicações ainda necessitem de validação clínica.
No prognóstico, as alterações moleculares ajudam a compreender a agressividade dos tumores, estimar o risco de recidiva e orientar a intensidade da vigilância e dos tratamentos.
É, contudo, na selecção terapêutica que a sequenciação genética tem actualmente maior impacto. A identificação de alterações em genes como EGFR, ALK, ROS1, KRAS ou RET, no cancro do pulmão, permite utilizar terapêuticas dirigidas, frequentemente mais eficazes e menos tóxicas. Quando não existem alterações moleculares susceptíveis de tratamento dirigido, a avaliação da carga mutacional tumoral (Tumour Mutational Burden — TMB) pode, em contextos clínicos específicos, fornecer informação adicional para orientar a imunoterapia, embora não constitua um biomarcador universal nem substitua outros critérios de decisão.
O valor desta inovação é também económico e social. Um estudo nacional sobre os testes de diagnóstico in vitro estimou que cada euro investido na utilização alargada de NGS no cancro do pulmão poderá gerar 5,4 euros de retorno social e económico.
Persistem, porém, desigualdades no acesso, atrasos na realização dos testes e dificuldades de financiamento. Portugal necessita de uma estratégia nacional de diagnóstico molecular, que assegure qualidade, rapidez e equidade, integrando estas tecnologias nos cuidados oncológicos.
A medicina de precisão não começa na escolha do medicamento, mas no conhecimento da biologia do tumor. Investir nesse conhecimento significa prevenir melhor, diagnosticar mais cedo, tratar com maior eficácia e oferecer a cada doente a melhor oportunidade de viver mais e melhor.
Acompanhe-nos nesta história: a decisão de comprar e vender uma empresa está tomada, os assessores foram contratados, os interessados apareceram e um dos candidatos começou a negociar em exclusivo. No entanto, o champanhe nem chega a ser posto no frio, porque o calendário vai-se arrastando e existem cada vez mais discrepâncias entre comprador e vendedor – a maior parte das vezes sobre o preço. O relato podia ser dado por vários empresários em Portugal, mudando apenas o nome de cada um.
No caso da Galp, os co-CEO João Diogo Marques da Silva e Maria João Carioca explicaram que a fusão “simplesmente não se concretizou”, porque não conseguiram “chegar a um acordo sobre uma parceria que criasse valor”, embora continuem “abertos a oportunidades”, que só irão concretizar “em condições que criem claramente valor a longo prazo para os nossos acionistas”, tendo em conta que “a disciplina de capital no que diz respeito à valorização é inegociável”.
Como relata o ECO sobre os bastidores, no cerne da divergência entre os donos das petrolíferas ibéricas estiveram diferentes perceções sobre quanto valem os ativos da Galp na refinação e na distribuição de combustíveis. Ou seja, a Galp recebeu este mês de outubro a proposta financeira da Moeve para a fusão dos negócios downstream (refinação) das duas empresas em Portugal e Espanha e rejeitou-a sem margem para dúvidas, porque não terá visto representado o valor justo dos seus ativos de refinação e distribuição.
Cada empresa e setor tem as suas particularidades, mas o fenómeno explica-se por vários fatores de mercado. Há, essencialmente, quatro razões: os compradores estão maiscriteriosos devido ao aumento do custo de capital (reflexo da subida das taxas de juros e da inflação) e à forte concorrência; os processos de due diligence (quer legal quer financeira, comercial ou operacional) estão mais complexos e demorados; há maior escrutínio regulatório; e desalinhamento de preço entre as partes.
O Governo admitiu que tinha “receio” de que o acordo entre a Galp e a Moeve, que colapsou nos últimos dias, pusesse em causa o controlo nacional da refinaria de Sines.Leonor Gonçalves
O advogado Manuel Cordeiro Ferreira refere que este problema, além de ser comum a outras geografias, se deve ao facto de o mercado português ter uma dimensão reduzida. “Essas transações têm um enterprise value muito relevante, portanto quando se fazem – ou quando não se fazem – têm um impacto desproporcionado no mercado. São muito chamativas tanto quando se concretizam como quando se atrasam ou caem”, afirma o sócio de Societário/M&A e Mercado de Capitais da Pérez-Llorca.
Há uma tendência global de desaceleração das operações de M&A à qual Portugal não fica imune. Não é exclusivo, porque tanto Espanha como França, Alemanha, Itália ou Reino Unido são mercados onde vemos as operações de M&A a não se concretizarem ao ritmo que se concretizavam e algumas delas a cair.
Ainda assim, Manuel Cordeiro Ferreira explica que esta trajetória não é 100% uniforme entre os países, porque nos Estados Unidos, por exemplo, têm sido assinadas operações – equivalentes a megadeals na Europa – de forma rápida, como se viu com a aquisição da Warner Brothers pela Paramount, numa economia mais pró-promoção do liberalismo económico e da desregulamentação.
Deste lado do Atlântico, há dois ou três anos, com uma due diligence de qualidade encomendada só pelo vendedor, os assessores jurídicos poderiam logo focar-se nos contratos e, atualmente, mesmo com essa diligência prévia, tem sido “impensável” avançar para processos competitivos sem os compradores fazerem a sua auditoria completa, relatam os advisors contactados pelo ECO, alguns dos quais que pediram para não serem identificados.
“No pós-Covid tivemos uma vaga de transações, porque havia uma necessidade de fazer o investimento que ficou parado. O dry powder continua lá, mas os investidores estão mais exigentes, menos dispostos a assumir determinados riscos de médio e longo prazo (reputacionais, por algum tipo de contencioso, ou de capacidade de geração de caixa) e mais preocupados com a resiliência a fatores endógenos, como regulatórios, e exógenos, como guerras e distúrbios nas cadeias de fornecimento”, relata o sócio da Pérez-Llorca.
O investidor Bernardo Marques dos Santos, sócio da Qualitas Funds, corrobora a ideia de que “o problema não é nosso”, mas sim transversal. “Hoje há muita incerteza relativamente aos juros, ao impacto que a inteligência artificial terá em setores como os dos serviços e o capital está mais caro”, começa por dizer, lembrando que Portugal “é um mercado pequeno”, onde há poucas empresas com um enterprise value superior a 500 milhões de euros.
“Compradores querem valorizações mais baixas, o que limita a atratividade”
“Algumas transações falham talvez até mais por restrições que o Governo faça a essas consolidações, porque são setores estratégicos. Em Portugal, as que continuam a existir são muito seletivas, porque as empresas que compram querem valorizações mais baixas, o que limita um pouco a atratividade do mercado”, salienta Bernardo Marques dos Santos, ex-consultor de private equity na Bain & Company e antigo estratega de empresas na Accenture. Não é preciso ir muito longe no calendário para recordar que ainda este verão houve uma transação na banca travada pelo regulador, a do Banco Empresas Montepio e da fintech Rauva, de 35 milhões de euros.
Bernardo Marques dos Santos esclarece que a expectativa de preço dos vendedores é elevada, pois os fundos de private equity têm de entregar retornos ambiciosos, mas neste panorama macroeconómico e geopolítico já não é possível vender aos valores (múltiplos) que antes esperavam, porque o acesso à dívida também não é igual. Veja-se o fresquíssimo caso da Cetelem, a subsidiária de crédito ao consumo do grupo BNP Paribas, cuja venda se está a aproximar da fase final e para a qual os dois bancos na disputa – o neerlandês ING e o espanhol CaixaBank, que detém o BPI —apresentaram propostas iniciais que serão significativamente inferiores aos mil milhões desejados pelo vendedor, segundo os jornais Cinco Días e Expansión.
As projeções sobre o desempenho dos targets são mais difíceis de sustentar num contexto volátil, o que leva investidores e assessores a reforçar a análise de investimento antes de avançar com uma decisão.
Por outro lado, o advogado João Antunes Rodrigues considera que “um maior cuidado não significa menor apetite pelo mercado português”. É apenas sinal de que há investidores que preferem esperar por maior clareza sobre a evolução dos fatores geradores de incerteza, sobretudo além-fronteiras. “A tensão geopolítica no Médio Oriente, o aumento do custo da energia, com reflexo no aumento da inflação e relacionados com o aumento das taxas de juro, traduzem-se numa maior ponderação na tomada de decisão, numa gestão de risco mais exigente e em custos de financiamento mais elevados”, recorda o associado sénior da Abreu Advogados.
Na sua opinião, estes atrasos e colapsos a que se tem assistido não devem ser interpretados per se como um sinal sobre o momento do mercado transacional, porque a negociação e ponderação, por vezes, até se “traduz em mais tempo para que as partes alinhem expectativas sobre o valor dos ativos, sobretudo nos negócios alavancados, onde o maior custo do financiamento adquire relevância na ponderação da operação”.
As AgTechs brasileiras receberam R$ 94,7 milhões em investimentos no primeiro semestre de 2026, segundo levantamento do Itaú BBA. O resultado mostra um mercado mais cauteloso, com investidores concentrando recursos em startups capazes de comprovar ganhos de eficiência, produtividade e retorno financeiro para o agronegócio.
Na comparação com o mesmo período do ano passado, o número de transações caiu de 17 para 8, acompanhado por uma redução no volume total investido.
Em um ambiente de menor liquidez, o capital passou a ser direcionado de forma mais criteriosa, com preferência por modelos de negócio que combinem eficiência operacional, geração de valor e potencial de escala.
De acordo com Matheus Borella, da área de Estratégia e Inovação Agro do Itaú BBA, o movimento não significa falta de interesse pelo setor, mas uma mudança na forma como os investidores avaliam as oportunidades.
O foco está menos no crescimento acelerado e mais na capacidade das empresas de apresentar resultados concretos para o produtor e para o próprio negócio.
Segundo Borella, o capital continua disponível para empresas capazes de comprovar ganhos de eficiência e geração de valor para o produtor, porém os investidores estão priorizando tecnologias que entreguem resultado mensurável e contribuam para aumentar a produtividade e a competitividade do agronegócio brasileiro.
O levantamento mostra ainda que 92% das operações se concentraram em startups ligadas aos segmentos “Antes da Porteira” e “Dentro da Porteira”.
Entre as empresas posicionadas antes da produção, as AgFintechs lideraram as movimentações, reforçando a demanda por soluções voltadas ao crédito, à gestão financeira e à redução de riscos no campo.
Já no segmento “Dentro da Porteira”, os investimentos ficaram concentrados em tecnologias para gestão da propriedade rural, telemetria e automação.
São áreas que ganham espaço justamente por oferecerem ganhos mais imediatos de eficiência e produtividade.
O cenário reforça uma mudança no perfil dos investimentos em AgTechs no Brasil. Em vez de apostar apenas em empresas com forte ritmo de expansão, os investidores passaram a exigir maior capacidade de geração de receita, eficiência e retorno.