Maquinistas espanhóis mantêm greve na Renfe

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Faltavam seis minutos para as 9h00 locais (8h00 em Lisboa) quando, esta quarta-feira, dois comboios colidiram perto da estação de Urda, na região de Toledo, provocando, até ao momento, 68 mortos.
O acidente envolveu dois comboios de alta velocidade que faziam a ligação entre Madrid e Sevilha. Um comboio da AVE colidiu com outro da operadora Iryo, que estaria imobilizado na linha. As causas do acidente ainda não são conhecidas, embora uma das hipóteses em investigação seja a de erro humano.
Este é o segundo acidente ferroviário mortal em menos de um ano nesta linha, depois de Adamuz em janeiro passado que vitimou 46 pessoas, e deverá levantar novas questões sobre as infraestruturas ferroviárias do país, numa altura em que se aproximam as eleições antecipadas, previstas para novembro. Contudo, o historial de acidentes ferroviários em Espanha nos últimos 80 anos é extenso e mortífero.
O desastre ferroviário de Torre del Bierzo, em 1944, é apontado como um dos mais mortíferos da história de Espanha. A colisão de três comboios na região de El Bierzo, na província de Leão, terá provocado cerca de 78 mortos, embora o número exato continue a ser contestado devido à censura imposta durante a ditadura de Francisco Franco.
O acidente começou quando um comboio que fazia a ligação entre Madrid e a Corunha sofreu uma falha nos travões e embateu numa locomotiva dentro de um túnel. Um terceiro comboio entrou posteriormente no mesmo túnel e colidiu com os destroços.
Em 1965, um comboio que circulava entre Madrid e Barcelona foi consumido pelas chamas em Grisén, nas proximidades de Saragoça, no nordeste de Espanha. O incêndio provocou dezenas de vítimas mortais.
Na altura, a operadora ferroviária avançou que tinham morrido 34 pessoas. No entanto, relatos posteriores sugeriram que o número de vítimas poderá ter ascendido a 80, acusando o regime franquista de ter procurado reduzir a dimensão pública da tragédia.

Dois comboios colidiram frontalmente no verão de 1970, em Urduliz, perto de Bilbau, provocando 33 mortos. As primeiras suspeitas recaíram sobre o chefe da estação, mas foi posteriormente divulgado que este tinha cumprido turnos de 16 horas durante quatro dias consecutivos antes do acidente.
Uma colisão frontal entre dois comboios na ligação ferroviária entre Cádis e Sevilha causou 86 mortos e mais de 150 feridos, em 1972, nas imediações de El Cuervo, no sul de Espanha. De acordo com a investigação conduzida pela Renfe, a operadora ferroviária estatal, o acidente ocorreu porque um dos maquinistas não respeitou um sinal vermelho na estação local.
Mais de 75 pessoas morreram quando um comboio expresso, que fazia a ligação entre Madrid e Cádis, colidiu frontalmente com um comboio regional que circulava entre Cádis e Sevilha. O acidente ocorreu entre as estações de El Cuervo e Lebrija, na Andaluzia.
A 11 de março de 2004, uma série de explosões em quatro comboios suburbanos de Madrid provocou 193 mortos e milhares de feridos, durante a hora de ponta. Foram detonadas dez bombas transportadas em mochilas. Os ataques foram realizados por islamistas que se opunham à participação espanhola na guerra do Iraque.
Em julho de 2013, um comboio de alta velocidade com oito carruagens descarrilou numa curva nas proximidades de Santiago de Compostela, no noroeste de Espanha. A composição embateu numa parede de betão e incendiou-se, provocando 80 mortos e 145 feridos.
Uma comissão do Ministério dos Transportes atribuiu o desastre ao excesso de velocidade e à distração do maquinista, que recebeu uma chamada de um superior. Uma associação de vítimas considerou, contudo, que a tragédia também esteve relacionada com falhas nos sistemas de segurança ferroviária.
A 18 de janeiro, um comboio de alta velocidade descarrilou e colidiu com outra composição que circulava em sentido contrário, perto de Adamuz, na província de Córdova, no sul de Espanha. O acidente provocou 46 mortos e mais de 120 feridos.
A investigação às causas do acidente continua em curso. Um relatório preliminar da Guarda Civil espanhola, divulgado em fevereiro, identificou possíveis falhas nos carris, na via ou numa soldadura entre dois segmentos como principal linha de investigação, sem excluir outras sete hipóteses.

Portugal também tem um historial de acidentes ferroviários graves. O mais mortífero ocorreu em 1985, em Alcafache, no distrito de Viseu, quando a colisão frontal entre dois comboios provocou mais de uma centena de mortos.
A 11 de setembro de 1985, dois comboios de passageiros colidiram frontalmente em Alcafache, no concelho de Mangualde, distrito de Viseu, naquele que é considerado o mais grave desastre ferroviário da história de Portugal. O acidente envolveu o Rápido Internacional, que fazia a ligação entre o Porto e Paris, e um comboio regional com destino a Coimbra. No total, viajavam cerca de 460 pessoas nas duas composições.
A colisão provocou um incêndio de grandes dimensões, agravando as consequências do embate. Muitas vítimas morreram carbonizadas ou por asfixia, e vários corpos nunca chegaram a ser recuperados ou identificados. O número exato de mortos continua por determinar, mas as estimativas apontam para cerca de 150 vítimas mortais.

A 26 de julho de 1964, um comboio que fazia a ligação entre a Póvoa de Varzim e o Porto sofreu um dos acidentes ferroviários mais graves da história do país. A composição circulava na Linha do Porto à Póvoa de Varzim e Famalicão quando a unidade de cauda se desengatou, descarrilou e embateu num dos pilares da Ponte das Carvalhas, na zona de Custóias, em Matosinhos.
A sobrelotação terá contribuído para o acidente, que provocou cerca de 100 mortos.
A 13 de setembro de 1954, um comboio rápido de passageiros proveniente de Vila Real de Santo António descarrilou entre o apeadeiro das Pereiras e a estação de Santa Clara-Sabóia, na Linha do Sul. O acidente provocou 34 mortos e igual número de feridos.
A 5 de maio de 1986, uma colisão entre dois comboios na Linha do Norte, na zona da Póvoa de Santa Iria, no concelho de Vila Franca de Xira provocou vítimas mortais e dezenas de feridos. Faleceram 17 pessoas
A 26 de abril de 1984, uma colisão entre um autocarro e uma automotora junto ao apeadeiro de Recarei-Sobreira, no concelho de Paredes, provocou 17 mortos e vários feridos.
A 31 de março de 1952, um deslizamento de terras sobre a via, junto ao farol da Gibalta, provocou o descarrilamento de um comboio na Linha de Cascais. O acidente causou dez mortos e 38 feridos, segundo os dados inicialmente reunidos.



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A greve na CP – Comboios de Portugal marcada para sexta-feira pelos revisores e trabalhadores de bilheteiras foi esta quarta-feira, 28 de outubro, desconvocada, após “desenvolvimentos positivos” numa reunião entre o sindicato e o Ministério das Infraestruturas e Habitação.
Em comunicado, o Sindicato Ferroviário da Revisão Comercial Itinerante (SFRCI) aponta que suspendeu o pré-aviso de greve de 30 de outubro depois de terem sido “registados desenvolvimentos positivos no processo de resolução do conflito laboral que opõe os trabalhadores à CP” numa reunião com representantes da tutela na terça-feira.
O SFRCI aponta que a suspensão da greve é um sinal de responsabilidade e confiança no diálogo, depois da disponibilidade manifestada pelo Ministério das Infraestruturas e Habitação e pela administração da CP em dar seguimento às reivindicações apresentadas.
Durante a reunião de terça-feira, os intervenientes analisaram o caderno reivindicativo apresentado pelo sindicato, tendo “os representantes ministeriais em conciliação com a administração da CP manifestado disponibilidade para dar seguimento às reivindicações colocadas pelo SFRCI”.
“Esta decisão constitui um sinal de responsabilidade institucional e de abertura ao diálogo, demonstrando que o SFRCI privilegia a negociação e a procura de soluções concretas, sempre que exista vontade efetiva de responder aos problemas dos trabalhadores”, acrescenta o sindicato.
Ainda assim, o sindicato registou que esta abertura deverá “traduzir-se em medidas concretas, compromissos objetivos e resultados efetivos”.
Apesar da suspensão do pré-aviso de greve, o SFRCI sublinha que tal não significa um abandono das reivindicações ou “um cheque em branco à tutela ou à administração da CP”, mas sim “uma oportunidade para que o diálogo” produza os resultados esperados pelos trabalhadores.
Caso tal não aconteça, o SFRCI diz reservar-se ao direito “retomar a luta sindical e de recorrer às formas de ação que considere necessárias, incluindo a convocação de novas ações de luta, nos termos legalmente aplicáveis”.


A greve na CP – Comboios de Portugal marcada para sexta-feira pelos revisores e trabalhadores de bilheteiras foi desconvocada, após “desenvolvimentos positivos” numa reunião entre o sindicato e o Ministério das Infraestruturas e Habitação.
Em comunicado, o Sindicato Ferroviário da Revisão Comercial Itinerante (SFRCI) aponta que suspendeu o pré-aviso de greve de 30 de outubro depois de terem sido “registados desenvolvimentos positivos no processo de resolução do conflito laboral que opõe os trabalhadores à CP” numa reunião com representantes da tutela na terça-feira.
O SFRCI aponta que a suspensão da greve é um sinal de responsabilidade e confiança no diálogo, depois da disponibilidade manifestada pelo Ministério das Infraestruturas e Habitação e pela administração da CP em dar seguimento às reivindicações apresentadas.
Durante a reunião de terça-feira, os intervenientes analisaram o caderno reivindicativo apresentado pelo sindicato, tendo “os representantes ministeriais em conciliação com a administração da CP manifestado disponibilidade para dar seguimento às reivindicações colocadas pelo SFRCI”.
“Esta decisão constitui um sinal de responsabilidade institucional e de abertura ao diálogo, demonstrando que o SFRCI privilegia a negociação e a procura de soluções concretas, sempre que exista vontade efetiva de responder aos problemas dos trabalhadores”, acrescenta o sindicato.
Ainda assim, o sindicato registou que esta abertura deverá “traduzir-se em medidas concretas, compromissos objetivos e resultados efetivos”.
Apesar da suspensão do pré-aviso de greve, o SFRCI sublinha que tal não significa um abandono das reivindicações ou “um cheque em branco à tutela ou à administração da CP”, mas sim “uma oportunidade para que o diálogo” produza os resultados esperados pelos trabalhadores.
Caso tal não aconteça, o SFRCI diz reservar-se ao direito “retomar a luta sindical e de recorrer às formas de ação que considere necessárias, incluindo a convocação de novas ações de luta, nos termos legalmente aplicáveis”.
Entre as matérias abordadas na reunião estão a valorização salarial e profissional dos trabalhadores – através da valorização do trabalho prestado em dias de descanso não compensado –, a publicação dos acordos salariais e regulamentares no Boletim do Trabalho e Emprego, a revisão do acordo de empresa e do regulamento de carreiras, assim como o reforço da segurança ferroviária e a proteção dos trabalhadores contra as agressões.
O sindicato sugeriu ainda a necessidade de integrar no Orçamento do Estado para 2027 (OE2027) propostas para “a valorização efetiva dos profissionais”.

Ema Leitão, diretora executiva da Transportes Nogueira (TN), que conta com mais de 300 trabalhadores, é a vencedora da 9ª edição do ‘Prémio BPI Empresária’, que visa reconhecer o percurso profissional de mulheres portuguesas e “dar visibilidade à liderança empresarial no feminino”.
A gestora da transportadora de Vila Nova de Famalicão, que recebeu o prémio das mãos de Gonzalo Gortázar, CEO do CaixaBank, pertence à terceira geração desta empresa familiar fundada em 1968. É também presidente da ANTRAM, tendo sido a primeira mulher a liderar esta associação que representa o setor do transporte rodoviário de mercadorias.
Licenciada em Economia pela Universidade do Porto (FEP) e com um Programa Executivo de Marketing Management no IPAM, Ema Leitão, 44 anos, iniciou a carreira com estágios na Auto-Sueco e na Galp Energia. Mãe de três filhos, entrou no negócio da família em 2006 e ascendeu à direção executiva em 2023. É também acionista e administradora de outras empresas do Grupo TN Investimentos.
“Vejo [este prémio] não como uma distinção individual, mas como o reconhecimento de todos os que me são mais próximos e me têm acompanhado ao longo deste percurso. É um prémio que partilho com a equipa da TN, que veste a camisola todos os dias, e com a minha família, que me transmitiu os valores essenciais que também procuro passar aos meus filhos”, afirma Ema Leitão, distinguida numa gala em Madrid que assinalou os 10 anos do ‘CaixaBank Premio Empresaria’.
Na galeria das vencedoras do ‘Prémio BPI Empresária’, a empresária nortenha sucede a Sandra Tavares Silva, da Wine & Soul (2025), Paula Roque, da Revigrés (2024), Cláudia Azevedo, do Grupo Sonae (2023), Isabel Azevedo, do Grupo Fricon (2022), Sandra Santos, da BA Glass (2021), Isabel Furtado, do Grupo TMG (2020), Manuela Medeiros, da Parfois (2019), e Leonor Freitas, da Casa Ermelinda Freitas (2018).



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