❌

Reading view

Reeleição de Lula ultrapassa fronteiras e mobiliza o “L” em países europeus

Ao derrotar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no último domingo (25), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quebrou um paradigma: tornou-se o primeiro candidato ao Planalto a terminar o primeiro turno da eleição atrás de seu adversário e, ainda assim, superá-lo na segunda rodada do pleito.

Lula garantiu um inédito quarto mandato como presidente ao receber 64.256.232 de votos (51,79% dos válidos). Ao mesmo tempo, seu oponente obteve 59.826.041 (48,21% dos válidos). Na primeira etapa da eleição, no entanto, Flávio havia conquistado 47,03% dos votos válidos, ante 45,16% de Lula.

Para especialistas ouvidos pela CNN Brasil, o triunfo de Lula é resultado de uma mobilização civil há muito tempo não vista no campo progressista no país.

De acordo com o cientista político Rafael Cortez, em alguma medida, “a esquerda, quando encontrou a melhor maneira de se organizar, ou lidar com redes sociais e o potencial de mobilização que tem, conseguiu se mobilizar e ir para as ruas depois de um longo período em que as ruas pareciam não ser mais domínio progressista no Brasil“.

A jornalistas, o próprio presidente Lula afirmou que, no segundo turno, “a população assumiu a responsabilidade de dizer que a eleição é uma coisa de quem se preocupa com o país“. Segundo aliados do petista, ele mesmo teria se surpreendido com as mobilizações “orgânicas” que ocorreram nas últimas semanas de campanha.

A reeleição do petista vai na contramão do que acontece na América do Sul, que elegeu nomes da direita como Javier Milei, na Argentina, Santiago Peña, no Paraguai, e Rodrigo Paz, na Bolívia. Ainda segundo Cortez, por essas razões, a vitória de Lula “ultrapassa as fronteiras internacionais“.

“Isso tem a ver com esse problema em comum que as democracias contemporâneas e o setor progressista, em particular, estão enfrentando, e além do fato da vitória do Lula representar uma resistência ao trumpismo, sobretudo pensando no contexto da América do Sul e América Latina“, explica.

O cientista político Mauricio Santoro, colaborador do Centro de Estudos Político-Estratégicos da Marinha, corrobora a ideia no que diz respeito ao impacto internacional da eleição brasileira: “Diante de uma crise global da democracia, o Brasil foi um dos poucos países em que a extrema-direita foi derrotada nas urnas”.

“Neste ano, isso só aconteceu na Hungria e na Sérvia, mas que não têm a mesma expressão política e econômica do Brasil, que é uma das dez maiores economias do mundo“, emendou.

A partir das proporções que tomaram os atos públicos e manifestações realizadas no Brasil em prol de Lula e do ineditismo da virada, líderes políticos internacionais passaram a adotar o sinal do “L”, feito com as mãos e utilizado por manifestantes e eleitores para demonstrar apoio ao candidato petista.

A catalã Ada Colau, ex-prefeita de Barcelona e ativista social, compartilhou nas redes sociais, pouco depois do resultado do segundo turno, um vídeo em que pede para que apoiadores “façam o L”.

Em ato na cidade espanhola, ela declarou: “Vamos levantar o braço com o L de Lula, pela esperança, Palestina livre, por Lula no Brasil, pela esperança e pela Frente Ampla no dia 29 de novembro. Vamos ganhar, companheiras!”.

Na avaliação do professor de Relações Internacionais da ESPM Gunther Rudtiz, “o gesto de ‘fazer o L’ ultrapassou seu significado original de apoio a Lula e começou a funcionar como um símbolo de identificação política internacional. Entretanto, mais importante que o símbolo, é a experiência de mobilização eleitoral brasileira”.

“A campanha mostrou a capacidade de combinar mobilização da sociedade civil, manifestações de rua e utilização intensiva das redes sociais para ampliar o engajamento político. Essa combinação despertou interesse de movimentos europeus que enfrentam desafios eleitorais semelhantes, especialmente na Espanha e na França“, completou.

O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, usou as redes sociais para exaltar a vitória de Lula: “Grande vitória de Lula! O que aconteceu no Brasil acontecerá na Espanha. A virada do progressismo global acaba de começar!”, escreveu.

¡Gran victoria de @LulaOficial! Lo que ha pasado en Brasil, pasará en España. La remontada del progresismo global acaba de comenzar.

— Pedro Sánchez (@sanchezcastejon) October 26, 2026

O presidente francês, Emmanuel Macron, seguiu os passos do colega espanhol: “A França e o Brasil têm muito a construir juntos. Diante dos grandes desafios do nosso tempo, reforcemos nossa parceria estratégica e façamos viver a amizade entre nossos dois países a serviço de um mundo mais justo“, registrou.

Toutes mes félicitations @LulaOficial pour ta réélection. La France et le Brésil ont beaucoup à construire ensemble. Face aux grands défis de notre temps, renforçons notre partenariat stratégique et faisons vivre l’amitié entre nos deux pays au service d’un monde plus juste.

— Emmanuel Macron (@EmmanuelMacron) October 26, 2026

Gunther ressalta também a dimensão do papel do Brasil no contexto global: “Estamos falando de uma das maiores democracias do mundo, e o resultado de uma eleição presidencial brasileira tem repercussões que ultrapassam a América Latina. A vitória de Lula ganha ainda mais significado por ocorrer em um contexto internacional de crescente polarização política“.

No entanto, ele ressalta que “cada país tem suas próprias condições políticas, econômicas e sociais”.

“O que o resultado brasileiro oferece, neste momento, é uma referência política e uma experiência de mobilização que outros movimentos podem tentar adaptar às suas realidades“, concluiu.

 

  •  

Lula agradece Edinho por reeleição: “Sua dedicação foi fundamental”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi às redes sociais nesta quarta-feira (28) agradecer ao presidente nacional do PT (Partido dos Trabalhadores), Edinho Silva, pelo trabalho dedicado à campanha durante o período eleitoral, que se encerrou no último domingo (25) com a reeleição do petista.

“Quero aqui fazer um reconhecimento ao trabalho realizado pelo companheiro Edinho Silva, presidente do meu partido e coordenador da minha campanha. Sua dedicação foi fundamental para a pavimentação desse caminho que conduziu à vitória“, escreveu o presidente no X (antigo Twitter).

Na publicação, Lula disse que a disputa presidencial foi “histórica” e que sua vitória foi importante não só para o Brasil, mas “para o mundo”.

“Minha gratidão a todas as companheiras e companheiros que compuseram a coordenação da minha campanha, que estiveram comigo nessa jornada“, concluiu.

Enfrentamos uma eleição histórica. A nossa vitória foi importante para o Brasil e para o mundo. Minha gratidão a todas as companheiras e companheiros que compuseram a coordenação da minha campanha, que estiveram comigo nessa jornada. Quero aqui fazer um reconhecimento ao trabalho realizado pelo companheiro Edinho Silva, presidente do meu partido e coordenador da minha campanha. Sua dedicação foi fundamental para a pavimentação desse caminho que nos conduziu à vitória.

— Lula (@LulaOficial) October 28, 2026

O presidente foi reeleito em uma virada inédita no país, com 51,79% dos votos, contra 48,21% do candidato do PL (Partido Liberal), Flávio Bolsonaro.

 

  •  

Mãe de Flávio: Coração sangra por mais um filho que se viu obrigado a ir

A ex-vereadora Rogéria Bolsonaro (PL), mãe de três filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (Eduardo, Carlos e Flávio), foi às redes sociais nesta quarta-feira (28) lamentar que mais um de seus filhos — o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) — tenha sido “obrigado a deixar” o país.

“Meu coração sangra (graças a Deus que é um coração forte), porque mais um filho se viu obrigado a deixar sua pátria amada por causa de perseguições injustas, descabidas e arbitrárias“, escreveu em publicação no X (antigo Twitter).

Flávio deixou o Brasil e fugiu rumo aos Estados Unidos depois de ter perdido a eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no último domingo (25). Ele e sua família desembarcaram em Miami na manhã desta quarta-feira (28).

“Agora, são quatro netos que estarei privada de acompanhar de perto seu crescimento, comemorarmos juntos suas vitórias e conquistas e confortar nas horas difíceis. Não poderei estar perto quando tiverem febre, pra colocar a mão em suas testas e verificar se está forte ou não”, publicou.

“Teria muito mais a falar sobre tudo que está acontecendo com minha família, mas não caberia aqui nesse espaço“, emendou.

Quero compartilhar com vocês um pouquinho o sentimento de um coração de mãe. Estou muito triste. Meu coração sangra (graças a Deus que é um coração forte) porque mais um filho se viu obrigado a deixar sua Pátria amada por causa de perseguições injustas,descabidas e arbitrárias. Agora são 4 netos que estarei privada de acompanhar de perto seu crescimento, comemorarmos juntos suas vitórias e conquistas e confortar nas horas difíceis. Não poderei estar perto quando tiverem febre, pra colocar a mão em suas testas e verificar se está forte ou não. Mas nosso Deus sabe o que faz e eu confio totalmente Nele. Sei que Ele me dará forças pra suportar tudo isso. Teria muito mais a falar sobre tudo que está acontecendo com minha família, mas não caberia aqui nesse espaço. Eu repito sempre que meus filhos são a minha vida. Amo vocês demais da conta. A distância nos separa, porém o amor nos une. E agora separada de mais um, só me resta dizer um até breve Flávio, meu filho querido. Deus os abençoe. Até breve. @FlavioBolsonaro @CarlosBolsonaro @BolsonaroSP

— Rogéria Bolsonaro (@RNBolsonaro22) October 28, 2026

Fuga para os EUA

Flávio não é o primeiro filho de Rogéria a se autoexilar nos Estados Unidos.

Eduardo Bolsonaro (PL), ex-deputado federal se estabeleceu nos país em 2025 e pediu licença do mandato em março daquele ano.

Alegando perseguição política, passou a atuar junto ao governo americano em defesa do pai, Jair Bolsonaro. Sua saída do Brasil ocorreu antes da condenação criminal que receberia posteriormente.

  •  
❌