DBRS destaca “fortes” resultados do BCP e antecipa lucro em 2026 acima do de 2025

A Morningstar DBRS considerou que o BCP apresentou um “conjunto forte de resultados” no terceiro trimestre e nos primeiros nove meses de 2026, com o lucro líquido consolidado a subir 12,6% em termos homólogos, para 873,7 milhões de euros. A agência prevê que o resultado de 2026 fique “confortavelmente” acima do de 2025 e que continue a melhorar em 2027.
Segundo a análise da vice-presidente das Instituições Financeiras Europeias da DBRS, Maria Parra, o terceiro trimestre foi o melhor período do ano até agora, ajudado pela aceleração da margem financeira e por encargos mais leves em outros resultados operacionais, depois de as contribuições obrigatórias terem penalizado o primeiro semestre.
“O BCP reportou um conjunto forte de resultados no 3.º trimestre e nos primeiros nove meses de 2026. O lucro líquido subiu 12,6% em termos homólogos, e o 3.º trimestre foi o melhor trimestre do ano até agora”, escreve Maria Parra, vice-presidente das Instituições Financeiras Europeias da Morningstar DBRS, no comentário sobre os resultados.
A atividade doméstica “voltou a impulsionar o crescimento dos lucros”, enquanto a redução dos encargos com risco legal associado às hipotecas em francos suíços na Polónia “continuou a elevar a contribuição das operações internacionais”.
Em Portugal, o lucro cresceu 11,2% para 727,9 milhões de euros, sustentado por uma margem financeira que avançou 13,9% em termos homólogos apoiada por um saudável crescimento do crédito, particularmente nas hipotecas, depósitos mais baratos e uma maior contribuição da carteira de dívida soberana”, segundo a analista.
Em Portugal, o lucro aumentou 11,2% em termos homólogos, com a margem financeira a crescer 13,9%, “apoiada por um saudável crescimento do crédito, particularmente no crédito à habitação, depósitos mais baratos e uma maior contribuição da carteira de dívida soberana”, segundo a analista.
As comissões também aumentaram, com destaque para o bancassurance e a gestão de ativos. Embora os custos tenham subido com o investimento em tecnologia, as receitas cresceram mais depressa, levando o rácio de eficiência em Portugal para abaixo de 33%, enquanto o custo do risco se manteve contido.
Polónia compensa margens mais baixas
Ao nível do grupo, o crescimento da margem financeira foi parcialmente travado pela redução das margens na Polónia, na sequência dos cortes de juros do banco central. Ainda assim, “o Bank Millennium registou uma forte subida do lucro, em grande parte porque os encargos relacionados com francos suíços caíram substancialmente”.
A agência sublinha, no entanto, que o resultado polaco foi penalizado por “uma taxa de imposto bancário mais elevada e novas provisões para litígios de proteção do consumidor”. Moçambique “contribuiu menos, num contexto local difícil”.
Já a qualidade dos ativos “continuou a melhorar, com o stock de crédito não produtivo a cair 9,8% em termos homólogos, principalmente através de vendas de carteiras e amortizações”, afirma a DBRS, que considera que “a capitalização permanece robusta”.
A DBRS espera que a margem financeira em Portugal continue a crescer, apoiada pela expansão do crédito, por uma balança bem coberta e pela subida das taxas Euribor após o mais recente aumento de juros do BCE. Prevê ainda crescimento moderado das comissões e um custo do risco contido.
Na Polónia, a redução continuada dos encargos ligados aos créditos em francos suíços deverá compensar a normalização gradual do custo do risco, à medida que o banco expande o crédito empresarial.
“De um modo geral, vemos o BCP bem posicionado para cumprir o seu plano estratégico 2025-2028”, conclui a analista, destacando que o banco estima agora um retorno sobre capital próprio de “pelo menos 17,5% em 2028, muito acima da meta original de mais de 13,5%”.
Como riscos principais, a agência aponta um choque geopolítico que afete a atividade económica e a capacidade de pagamento dos clientes através de preços de energia e juros mais elevados, nova volatilidade nos mercados de dívida soberana europeia e o risco de litígios contínuo na Polónia.