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Como podem as empresas obter até 80% de apoio para demonstrar novas tecnologias?

Levar uma tecnologia do laboratório para o mercado implica mais do que concluir com sucesso uma fase de investigação. É necessário demonstrar que a solução funciona em condições reais, comprovar as suas vantagens técnicas e económicas e evidenciar o seu potencial de aplicação industrial. Para apoiar esta etapa, o aviso I&D Empresarial – Projetos Demonstradores Individuais e em Copromoção (MPr-2026-07) disponibiliza uma dotação global de 12,5 milhões de euros, através de incentivos a fundo perdido.

O instrumento destina-se a projetos que partem de atividades de investigação e desenvolvimento (I&D) já concluídas com sucesso e que procuram validar novas tecnologias, produtos, processos ou serviços à escala industrial. A iniciativa pretende, assim, reduzir a distância entre o desenvolvimento tecnológico e a sua adoção pelo mercado, apoiando empresas que precisam de testar soluções antes de avançarem para a sua exploração comercial.

O aviso contempla igualmente linhas-piloto, tecnologias avançadas e projetos de investigação clínica e biomédica que incluam ensaios clínicos de Fase I e/ou II.

Quem pode candidatar-se e em que condições?

Podem apresentar candidaturas as pequenas e médias empresas (PME) e as empresas de pequena-média capitalização (Small Mid Caps), desde que disponham de contabilidade organizada. As empresas podem desenvolver os projetos individualmente ou assumir a liderança de uma candidatura em copromoção.

Neste segundo modelo, podem participar como copromotoras as ENESII — entidades não empresariais do sistema de investigação e inovação —, incluindo universidades e centros de investigação. A colaboração entre empresas e entidades científicas permite combinar competências de investigação, capacidade tecnológica e conhecimento das necessidades do mercado.

Os investimentos devem localizar-se no território continental, abrangendo as regiões Norte, Centro, Lisboa, Alentejo e Algarve. Cada empresa pode apresentar apenas uma candidatura ao abrigo deste aviso, quer na qualidade de líder, quer como copromotora.

Qual é o apoio financeiro disponível?

O incentivo assume a forma de subvenção não reembolsável, ou seja, a fundo perdido. De acordo com as condições divulgadas para o aviso, a taxa de apoio pode atingir 80% para as empresas e 85% para as ENESII que participem em projetos de copromoção. Na região de Lisboa, a taxa máxima indicada é de 40%.

O investimento elegível mínimo é de 200 mil euros e os projetos podem ter uma duração máxima de 18 meses. A percentagem efetivamente financiada dependerá do enquadramento aplicável ao projeto, da natureza do beneficiário e das regras do aviso.

Para as empresas, importa distinguir a taxa máxima anunciada do montante que poderá ser efetivamente aprovado. A preparação do orçamento deve ter em conta as despesas elegíveis, as condições específicas do financiamento e a capacidade da organização para assegurar a parcela do investimento não coberta pelo incentivo.

Que despesas podem ser financiadas?

O apoio abrange diferentes componentes necessárias à validação e demonstração da tecnologia. Entre as despesas previstas encontram-se os recursos humanos dedicados a atividades de I&D, incluindo novas contratações e bolseiros, bem como componentes para protótipos e instalações-piloto ou de demonstração.

São igualmente contemplados equipamentos técnico-científicos, software específico, matérias-primas, consumíveis e serviços técnicos, científicos e de consultoria. O financiamento pode ainda abranger atividades de promoção e divulgação dos resultados junto de empresas e utilizadores potencialmente interessados, assim como despesas relacionadas com patentes, modelos de utilidade e outras formas de propriedade industrial.

Em função das condições aplicáveis, podem também ser consideradas despesas de adaptação de edifícios, transporte e montagem de equipamentos e viagens associadas ao projeto. Os custos indiretos são calculados através de uma taxa fixa de 7% sobre os custos diretos.

Esta abrangência permite apoiar não apenas a componente técnica da demonstração, mas também as condições necessárias para apresentar os resultados a potenciais utilizadores e avaliar a sua aplicabilidade industrial.

Que requisitos devem ser considerados antes de avançar?

A elegibilidade não depende exclusivamente da dimensão da empresa ou do investimento previsto. O projeto tem de demonstrar enquadramento nos domínios prioritários da Estratégia de Investigação e Inovação para uma Especialização Inteligente (RIS3), a nível nacional ou regional.

Outro requisito determinante é o chamado efeito de incentivo: o projeto não pode ter começado antes da submissão da candidatura. As empresas devem, por isso, avaliar atempadamente o calendário de execução e evitar iniciar os trabalhos abrangidos pelo apoio antes de cumprirem as condições exigidas.

Além disso, a demonstração tecnológica não termina com a execução do investimento. Os beneficiários têm de prever uma sessão pública de demonstração em situação real e um plano de divulgação dos resultados, que poderá incluir visitas, seminários ou workshops.

Estes requisitos reforçam a importância de preparar a candidatura com uma definição clara dos objetivos, das atividades, dos recursos necessários e dos resultados que se pretende demonstrar.

A sua empresa tem um projeto de I&D pronto para demonstrar?

O primeiro passo é confirmar a elegibilidade da empresa e do investimento previsto. Avalie o enquadramento do projeto, identifique as despesas potencialmente financiáveis e prepare a candidatura de acordo com os requisitos do aviso.

Se precisar de ajuda para perceber se o seu projeto reúne as condições necessárias e quais os passos a seguir, a Capitalizar pode fazer uma avaliação gratuita.

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Dia Mundial da Poupança: 8 dicas para poupar no dia a dia

Uma subscrição que já não utiliza, um contrato que nunca comparou ou alimentos que acabam no lixo: há despesas que se mantêm por hábito e outras que passam despercebidas. No entanto, saber identificá-las é um primeiro passo para gerir melhor o dinheiro disponível.

O Dia Mundial da Poupança procura sensibilizar para a importância de planear os gastos e criar uma reserva financeira. Tendo em conta que poupar depende também do rendimento e das despesas essenciais de cada pessoa, o objetivo é encontrar mudanças possíveis no seu orçamento, sem impor metas difíceis de cumprir.

1. Descubra para onde vai o seu dinheiro

Antes de começar a cortar despesas, consulte os movimentos da sua conta e registe o que gasta durante um mês. Inclua os pequenos pagamentos: cafés, estacionamento, entregas de refeições ou compras em aplicações.

Organize os gastos por categorias, como habitação, alimentação, transportes, saúde e lazer. Não se esqueça das despesas anuais, como seguros, que pode distribuir pelos meses para antecipar o respetivo pagamento.

2. Reveja as subscrições que paga todos os meses

Streaming, aplicações, armazenamento na cloud ou serviços digitais: quando se soma várias mensalidades, o valor pode ser maior do que imagina.

Consulte os pagamentos recorrentes e pergunte:

  • Utilizei este serviço no último mês?
  • Tenho outro serviço com a mesma função?
  • Existe uma opção mais adequada ao uso que faço?
  •  Quando termina o período gratuito ou acontece a renovação?

Antes de cancelar, confirme as condições do contrato e guarde o comprovativo do pedido.

Por exemplo, eliminar uma mensalidade de 8 € representa menos 96 € de despesa por ano, desde que não existam custos de cancelamento. É um exemplo ilustrativo: a poupança efetiva depende dos seus contratos.

3. Compare os contratos de energia e telecomunicações

Uma mensalidade que parecia vantajosa quando aderiu pode já não corresponder às suas necessidades. Reveja as faturas e verifique o que está efetivamente a pagar. Na eletricidade e no gás natural, pode recorrer ao simulador de preços da ERSE, que permite comparar ofertas em Portugal continental. Utilize os dados da sua fatura para obter uma simulação ajustada ao seu consumo.

Nas telecomunicações, avalie se precisa de todos os serviços incluídos no pacote. Antes de aceitar uma proposta, confirme o preço depois da promoção, os serviços adicionais e as condições de fidelização.

Compare o custo total e as condições, não apenas o desconto anunciado. Uma mensalidade inferior pode deixar de compensar se implicar encargos de saída ou serviços de que não precisa.

4. Planeie as compras de supermercado

Comece por verificar o frigorífico, o congelador e a despensa. A partir daí, planeie algumas refeições e faça uma lista do que falta.

Na loja, compare o preço por quilograma, litro ou unidade entre produtos equivalentes. Uma embalagem maior ou uma promoção de várias unidades só compensa se o preço for favorável e conseguir consumir tudo.

Experimente ainda:

  • Definir um limite de gastos antes de sair de casa.
  • Comprar quantidades ajustadas ao seu consumo.
  • Aproveitar ingredientes em mais do que uma refeição.
  • Congelar porções, quando adequado, antes de se estragarem.

5. Dê tempo às compras não essenciais

Antes de comprar roupa, tecnologia ou um artigo para casa, faça uma pausa. Experimente esperar 24 ou 48 horas e volte a avaliar se precisa mesmo dele.

Pergunte a si próprio: compraria isto se não estivesse em promoção? Tenho algo semelhante? O valor cabe no orçamento deste mês? Se decidir avançar, compare o preço final, incluindo portes e outros encargos, e confirme as condições de entrega e devolução. Pode também pesquisar a marca no Portal da Queixa, ler experiências de outros consumidores e observar as respostas às reclamações.

6. Reduza o desperdício em casa

Nem todas as mudanças exigem comprar equipamentos novos. Comece por observar o que já acontece em sua casa: luzes acesas em divisões vazias, torneiras a pingar ou máquinas a funcionar com pouca carga.

Algumas ações simples a experimentar:

  • Apagar as luzes quando sai de uma divisão.
  • Evitar deixar a água a correr sem necessidade.
  • Usar as máquinas de roupa e loiça com cargas adequadas, respeitando as instruções do fabricante.
  • Identificar fugas de água e avaliar a sua reparação.
  • Planear refeições para aproveitar os alimentos disponíveis.

O impacto destas mudanças depende dos seus hábitos, dos equipamentos e dos preços que paga. Não existe um valor de poupança igual para todas as casas.

7. Reserve um valor possível, mesmo que varie de mês para mês

Se o orçamento permitir, defina um montante para colocar de parte quando recebe o rendimento. Escolha um valor compatível com as suas despesas essenciais. Pode começar com uma quantia pequena e ajustá-la quando a sua situação mudar.

Ter um objetivo concreto, como por exemplo criar uma reserva para imprevistos ou preparar uma despesa futura, também ajuda a manter o hábito. A meta deve adaptar-se à sua realidade, sem obrigar a recorrer a crédito para pagar o essencial.

8. Confirme se as mudanças estão mesmo a resultar

Reserve alguns minutos por mês para comparar o que planeou com o que gastou. A subscrição deixou de ser cobrada? A nova fatura corresponde ao preço contratado? Gastou menos no supermercado ou apenas transferiu essa despesa para refeições fora?

Este acompanhamento permite corrigir o que não funcionou e manter as mudanças úteis. Se identificar uma cobrança que não reconhece ou um valor diferente do acordado, peça esclarecimentos à empresa e guarde as faturas e comunicações.Neste Dia Mundial da Poupança, aposte na mudança.

Não precisa reorganizar todas as despesas de uma vez. Escolha uma ação para esta semana: rever um contrato, cancelar um serviço que não utiliza ou preparar uma lista de compras. Se o rendimento mal chega para as necessidades básicas, as pequenas alterações podem ser insuficientes. Nesse caso, a prioridade é identificar os principais encargos e procurar informação sobre apoios ou possibilidades de renegociação de créditos ou outros encargos associados.

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Seguro ouviu especialistas para encontrar caminhos para resolver o problema da habitação

Na terça-feira, 27 de outubro, o Presidente da República fez um apelo à procura de soluções com urgência para a habitação, através do diálogo, sem recurso à violência, e anunciou que a reunião que teve esta quarta-feira (28) com especialistas nesta área.

Segundo uma nota publicada à tarde no sítio oficial da Presidência da República na Internet, “o Presidente António José Seguro reuniu-se, no Palácio de Belém, com um conjunto de entidades e especialistas ligados ao setor da habitação”.

Estiveram no Palácio de Belém “académicos, associações de inquilinos e de proprietários, representantes do setor da construção civil e obras públicas, promotores e investidores imobiliários, bem como ordens profissionais da área, associações de habitação pública e representantes do poder local”, lê-se na nota.

A Associação dos Inquilinos Lisbonenses (AIL) esteve presente no Palácio de Bélem. De acordo com Pedro Ventura, presidente da AIL, em conjunto com o secretário-geral da associação, António Machado apresentou três questões – um pedido da presidência para cada entidade.

“Criar uma entidade fiscalizadora para a habitação”, foi uma das ideias. “Há necessidade de criar um novo código do arrendamento e de habitação, ou seja, pegar em toda a legislação que existe e que está em vigor e colocá-la no lixo”, indicou, acrescentado que neste momento a lei é contraditória, incompreensível e não resolve os problemas do arrendamento. É uma amálgama de alterações legislativas e governativas praticamente dos últimos trinta anos”. Ao JE o responsável avançou com a ideia de criar uma entidade fiscalizadora da habitação para “criar confiança entre proprietários e inquilinos e tratar exclusivamente das questões da habitação”.

O combate aos devolutos foi a segunda ideia apresentada. “Que se crie um programa de apoio à reabilitação de devolutos privados, com uma verba a fundo perdida, uma espécie de programa Recria, em que era feito um contrato de reabilitação desse imóvel e esse imóvel era colocado no mercado de arrendamento com uma renda acessível de acordo com os rendimentos dos portugueses e, no fundo, era uma forma de colocar algo que está parado, reabilitá-lo e colocá-lo no mercado”, avançou. “Nós sabemos que uma pequena intervenção, de cerca de 30 mil euros a 35 mil euros, permitia colocar centenas de imóveis que estão neste momento parados e que não têm qualquer tipo de utilidade económica”, explicou.

Nova lei do arrendamento “não deve ser aprovada”, diz AIL

A terceira questão foi a renuncia à nova lei do arrendamento. Pedro Ventura defende que “não faz qualquer tipo de sentido”. “Desequilibra a relação entre proprietários e inquilinos, não deve ser aprovada, porque o efeito que ela vai provocar é um agravamento das condições sociais do país e isto é perfeitamente incompreensível”, explicou, adiantando que a AIP explicou ao Presidente da República que o Estado deve afirmar-se como promotor e construtor de habitação pública. “As autarquias estão a construir mas o Estado não o está a fazer”.

Ainda de acordo com o presidente da AIL, assiste-se a um “borbulhar rápido e violento da sociedade portuguesa e ou se resolve o problema da habitação muito rapidamente ou então vamos ter um problema como se calhar nós nunca assistimos”, concluiu.

Promotores querem acelerar a construção, reduzir custos e aumentar a oferta de casas

Quem também foi recebida pelo Presidente da República foi a Associação Portuguesa de Promotores e Investidores Imobiliários (APPII) que apresentou seis medidas para acelerar a construção, reduzir custos e aumentar a oferta de habitação.

“No curto prazo, propomos rever as áreas mínimas obrigatórias por compartimento, privilegiando uma área útil mínima global por habitação e maior flexibilidade na distribuição interior; eliminar a obrigatoriedade generalizada de criação de lugares de estacionamento prevista nos planos diretores municipais; e rever exigências técnicas obsoletas ou desproporcionadas, salvaguardando a segurança, a qualidade e a acessibilidade dos edifícios”, explica ao JE, Manuel Maria Gonçalves, CEO da APPII.

Já a médio e longo prazo, os promotores defendem um programa nacional de disponibilização de terrenos com condições urbanísticas e infraestruturas que permitam efetivamente construir.

“Por outras palavras, um banco de solos em estado avançado de licenciamento, prontos a construir, evitando assim o risco de licenciamento, para que possamos atrair investimento com a escala de que o país precisa; uma plataforma que permita acompanhar e comparar os incentivos e as condições de investimento em cada município, com um ranking das câmaras municipais baseado na rapidez dos procedimentos urbanísticos e na capacidade de atrair e facilitar investimento; e a criação de condições para desenvolver a construção modular e industrializada, tendo como objetivo de referência um custo de construção de 1.000 euros por metro quadrado, cujo âmbito e pressupostos devem ser explicitados”, afirma.

O CEO acrescenta que António José Seguro ouviu “atentamente” todos os participantes, numa reunião que durou mais de duas horas, e manifestou disponibilidade para “contribuir para a resposta ao problema da habitação, no âmbito das suas competências”.

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