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Resultados das tecnológicas testam temperatura dos investidores pela IA

As grandes tecnológicas mundiais já começaram a reportaram os resultados referentes ao terceiro trimestre. Apesar da expansão dos seus negócios o mercado teve reações distintas. No caso da Meta caiu mais de 6% entre a divulgação dos resultados e o fecho do dia seguinte, a Alphabet (que detém a Google) está a cair nesta altura mais de 11% no dia seguinte aos resultados enquanto que a Microsoft sobe mais de 2%.

Com os resultados surgem também interrogações. Como estão os investidores a encarar os avultados investimentos que as grandes tecnológicas estão a fazer na inteligência artificial (IA)? Existirá uma ‘bolha’? E que efeito sobre as cotadas europeias?

Analistas consultados pelo Jornal Económico (JE) consideram que os resultados permitem perceber que continuam os avultados investimentos na IA e que existe pressão para que esse capital investido se transforme em receita e lucro. E quanto à Europa? As respostas vão desde possíveis pressões nas avaliações das cotadas europeias caso existem dúvida sobre a lucratividade da IA até penalizações ligadas a questões de sentimento e avaliação de risco.

Quanto aos resultados a Meta reportou um crescimento de 26% nas suas receitas e de 264% no seu lucro líquido, para os 64,6 mil milhões de dólares (58 mil milhões de euros) e para os 9,8 mil milhões de dólares (8,8 mil milhões de euros), respetivamente, no terceiro trimestre, face ao período homólogo.

A Alphabet reportou um crescimento de 25% nas suas receitas para os 127,5 mil milhões de dólares (114,6 mil milhões de euros) e o lucro líquido caiu 25,2% para os 26,1 mil milhões de dólares (23,4 mil milhões de euros), no terceiro trimestre, face ao ano anterior.

Já a Microsoft aumentou as suas receitas em 19% para os 92,3 mil milhões de dólares (82,9 mil milhões de euros) e o lucro subiu 32% para os 36,6 mil milhões de dólares (32,9 mil milhões de euros), no primeiro trimestre do ano fiscal (corresponde ao terceiro trimestre do ano civil), face ao período homólogo.

Para o analista da ActivTrades Europe, Henrique Valente, os resultados já conhecidos da Meta, Alphabet e Microsoft “não permitem concluir” se existe uma bolha na inteligência artificial ou se “estamos próximos” de uma eventual correção acentuada [termo que se refere a queda superiores a 10% face a um pico]. “Confirmam a continuidade de um investimento massivo no setor, com pressões cada vez mais visíveis sobre a geração de caixa, mas também mostram que esse investimento está a traduzir-se em receitas”, assinala.

O head of trading do Banco Carregosa, João Queiroz, diz que a principal conclusão é que a discussão “já não passa por saber” se existe procura para a IA, que será “real e crescente”. O verdadeiro desafio está agora sobre a velocidade a que os enormes investimentos em centros de dados (ou data centers), semicondutores e capacidade computacional “se transformarão” em lucros recorrentes.

“O crescimento da cloud (ou nuvem) da Microsoft e a expansão do negócio publicitário da Meta beneficiaram da IA, segundo as respetivas empresas, demonstrando que esta tecnologia já contribui para o aumento das receitas”, adianta. No caso da Alphabet evidencia alguns dos desafios desta transição: “A maior utilização do modo de IA na pesquisa, cuja monetização publicitária ainda está em desenvolvimento, contribuiu para um desempenho dos anúncios abaixo das expectativas, apesar do forte crescimento da cloud”, explica Henrique Valente.

João Queiroz diz que os resultados da Meta “mostram simultaneamente” robustez operacional e uma “crescente exigência” do mercado quanto ao retorno do capital investido. “As receitas cresceram 26% para 64,6 mil milhões de dólares (58 mil milhões de euros), superando as estimativas, e a publicidade continua a beneficiar das melhorias introduzidas pelos modelos de IA“, adianta. “No entanto, os gastos em infraestruturas e centros de dados atingiram níveis máximos, conduzindo a um fluxo de caixa livre negativo no trimestre, algo raro na história recente da empresa”, acrescenta.

“O investimento destas empresas constitui receita para outras, mas a sustentabilidade deste ciclo vai depender da capacidade de gerar retornos que justifiquem os montantes aplicados”, salienta o analista da ActivTrades.

Se os resultados aumentarem as dúvidas sobre a rentabilidade da IA, os investidores “poderão reduzir” a exposição ao setor tecnológico à escala global, o que “pressionaria” também as avaliações das empresas europeias, acrescenta. “Uma deterioração mais acentuada da confiança poderá alargar este efeito de contágio a outros setores, através de uma redução generalizada da exposição ao risco”, alerta.

Pode existir efeito de contágio sobre a Europa?

“Para a Europa, o efeito de contágio, e de alguma forma sistémico, dependerá sobretudo da interpretação que os investidores fizerem da relação entre crescimento e investimento”, assinala o head of trading do Banco Carregosa.

“Num cenário construtivo, estes resultados funcionam como uma validação da procura estrutural por IA, beneficiando empresas europeias relacionadas com a cadeia de valor tecnológica, incluindo fabricantes de equipamento elétrico, operadores de centros de dados, fornecedores industriais e empresas de semicondutores. Nesse contexto, os índices europeus poderiam continuar a acompanhar parcialmente o dinamismo observado nos Estados Unidos”, explica.

Mas se o mercado concluir que os hyperscalers (ou hiperescaladoras) estão a investir a ritmo “demasiado acelerado” face ao retorno obtido, poderá surgir “pressão adicional” sobre os segmentos mais expostos ao tema. “Essa preocupação já se refletiu recentemente em várias empresas associadas ao ciclo de investimento em IA, cujas valorizações corrigiram significativamente apesar de os fundamentos operacionais permanecerem sólidos: enquanto Meta, Microsoft e Alphabet continuam entre as empresas mais valiosas do mundo em capitalização bolsista, os múltiplos permanecem elevados e deixam pouca ou nenhuma margem para desapontamentos”, refere.

“Para as bolsas europeias, o impacto será provavelmente mais uma questão de sentimento e avaliação do risco do que de deterioração fundamental da procura por tecnologia e inteligência artificial. A narrativa passou de “crescer a qualquer custo” para “crescer com rentabilidade”, uma evolução que tende a tornar o mercado mais seletivo, mas não necessariamente mais pessimista e muito dependente do que podem ser os resultados das operações de IPO [ou entradas em bolsa] da Anthropic e eventualmente da OpenAI num futuro próximo”, acrescenta.

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Bolsa de Lisboa abre no verde com Jerónimo Martins a liderar os ganhos

A Bolsa de Lisboa abre a sessão desta quinta-feira 29 de outubro com uma valorização de 1,20% para os 9.357,14 pontos. Os principais índices europeus seguem a mesma tendência. O petróleo está a negociar em baixa com o brent a ficar acima dos 110 dólares por barril.

As maiores subidas na bolsa portuguesa vão para a Jerónimo Martins que valoriza 3,59% para os 18,47 euros, depois de ter reportado uma quebra nos lucros superior a 14% até setembro, seguida pelo Banco Comercial Português (BCP) que avança 2,06% para os 1,11 euros, com o reporte de subida nos lucros superior a 12%, e a Sonae avança 1,19% para os 2,12 euros.

No verde está ainda a REN, a EDP, a Ibersol, a Mota-Engil, a NOS, a Altri, os CTT, a Navigator, a EDP Renováveis, a Corticeira Amorim, a Teixeira Duarte, e a Galp Energia.

Europa abre no verde

As principais bolsas europeias abrem no verde. O DAX (Alemanha) sobe 0,21% para os 25.757,00 pontos, o CAC 40 (França) avança 0,67% para os 7.939,67 pontos, e o FTSE 100 (Reino Unido) valoriza 0,25% para os 10.721,50 pontos.

O AEX (Países Baixos) sobe 0,12% para os 1.136,90 pontos, o IBEX 35 (Espanha) quebra 1,14% para os 18.667,83 pontos, e o FTSE MIB (Itália) quebra 0,46% para os 49.596,50 pontos.

O petróleo está a ser negociado em baixa com o brent a cair 1,01% para os 110,51 dólares e o crude desvaloriza 1,26% para os 101,49 dólares.

O euro quebra 0,09%, face ao dólar, para os 1,11423 dólares e o euro desliza 0,06%, face à libra, para as 0,83663 libras.

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Banco do Japão deverá manter taxas de juro após inflação atingir meta de 2%

O Banco do Japão (BoJ) iniciou hoje 29 de outubro uma reunião de dois dias de política monetária, na qual se espera que conclua que a inflação atingiu o objectivo de 2% e mantenha as taxas de juro de curto prazo em 1,25%.

Segundo destacam órgãos de comunicação locais, como a agência noticiosa japonesa Kyodo, vários analistas não prevêem alterações após a reunião, mas esperam uma nova subida das taxas após outra reunião agendada para 17 e 18 de Dezembro.

Em Setembro, o banco central elevou as taxas de juro para 1,25%, depois de as ter aumentado para 1% em Junho, num contexto marcado pela insistência dos Estados Unidos para que o Japão demonstre aos mercados o compromisso com a sustentabilidade orçamental e com a trajectória de subida das taxas de juro.

Há mais de uma década que o BoJ fixou uma meta de inflação de 2% como parte dos esforços para pôr fim à deflação.

Perante as preocupações com uma eventual aceleração da inflação devido a factores externos, a instituição está agora a concentrar esforços em limitar a subida dos preços em torno deste patamar.

No mercado cambial, o iene manteve-se durante a sessão na faixa superior das 157 unidades por dólar, quase três meses depois de Tóquio e Washington terem realizado uma intervenção conjunta para travar a persistente fraqueza da moeda japonesa, que se encontrava então próxima das 164 unidades por dólar.

A decisão do BoJ será anunciada depois de a Reserva Federal norte-americana (Fed) ter optado esta quarta-feira por manter as taxas de juro inalteradas, entre 3,75% e 4%, em linha com as previsões dos analistas.

Além disso, o Banco Central Europeu (BCE) anunciará nas próximas horas a decisão de política monetária, sendo igualmente esperado que mantenha as taxas de juro sem alterações.

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UE e Canadá reúnem-se hoje em Montreal para aprofundar parceria entre blocos

A União Europeia (UE) e o Canadá reúnem-se hoje 29 de outubro, na cidade canadiana de Montreal, para aprofundar a parceria política, económica e estratégica, visando explorar um modelo de associação ao bloco comunitário sem adesão plena.

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, representam a UE na 21.ª cimeira bilateral, que decorre hoje e sexta-feira, com a participação do primeiro-ministro canadiano, Mark Carney.

O encontro deverá assinalar um marco nas relações entre os dois parceiros, que pretendem reforçar a cooperação económica e a segurança, aprofundar os laços entre as populações e coordenar posições na cena internacional.

A UE pretende explorar uma forma de associação do Canadá “mais próxima da adesão” do que qualquer parceria anterior, mas sem entrada formal no bloco comunitário, de acordo com fontes comunitárias.

A proposta de aprofundamento das relações, apoiada pelos Estados-membros, permanece em discussão e deverá ser desenvolvida até à próxima cimeira, em 2027.

A cooperação económica é um dos eixos centrais do encontro, já que em 2025, o comércio de bens e serviços entre a UE e o Canadá atingiu cerca de 130 mil milhões de euros, mais de 80% acima do valor registado em 2016.

Entre as prioridades estão o reforço das cadeias de abastecimento e do acesso às matérias-primas críticas, assim como a possibilidade de aumentar as exportações canadianas de gás natural liquefeito para a Europa.

Prevista está uma “Aliança para o Futuro”, que deverá estabelecer um quadro de prosperidade partilhada e segurança económica, sustentado por novas iniciativas concretas para aprofundar as relações comerciais, reforçar o investimento e estreitar a cooperação em áreas estratégicas.

A agenda da cimeira inclui o comércio, as tecnologias digitais, as matérias-primas críticas, a defesa e a segurança, bem como a cooperação nos domínios da educação, investigação, inovação e juventude.

Na área da defesa, o Canadá é o único país não europeu a participar no instrumento SAFE, dotado de 150 mil milhões de euros para apoiar a produção europeia de equipamento de defesa através de compras conjuntas.

Os dois parceiros deverão também reafirmar o apoio à Ucrânia e o compromisso com o multilateralismo e a ordem internacional baseada em regras.

Os líderes deverão, ainda, avaliar os progressos alcançados desde a última cimeira, em junho de 2025, e emitir uma declaração conjunta no final do encontro.

A relação entre a UE e o Canadá assenta no Acordo de Parceria Estratégica e no Acordo Económico e Comercial Global (CETA), assinado em 2016 e aplicado provisoriamente desde setembro de 2017, que eliminou a maioria dos direitos aduaneiros e facilitou as trocas comerciais.

Na cimeira de junho de 2025, os dois parceiros assinaram uma parceria de segurança e defesa.

O Canadá está também associado ao programa Horizonte Europa, de investigação e inovação da UE, desde 2024, e as duas partes cooperam em matéria de clima, ambiente e transformação digital.

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Património dos mais ricos atinge recorde de 98 biliões de dólares em 2025

A riqueza das pessoas com elevado património atingiu um recorde de 98,3 biliões de dólares (88,3 biliões de euros) em 2025. Mas o crescimento tem sido feito à conta da redução das margens dos bancos privados. Entre 2024 e 2025 caiu de 76 pontos base 73 pontos base, conclui o relatório, ‘Too Rich, Too Thin? Richer Clients, Thinner Margins’ da Anglo-Suisse Capital.

O relatório mostra que Hong Kong ultrapassou a Suíça em riqueza transfronteiriça. “2,95 biliões de dólares (2,65 biliões de euros) contra 2,94 biliões de dólares (2,64 biliões de euros)”, revela. A Anglo-Suisse Capital prevê que a vantagem de Hong Kong aumente em 2026.

Entre as conclusões está que os clientes estão a distribuir o seu dinheiro por mais empresas. “A fatia de clientes que recorre a uma única empresa desceu de 39% para 19%”, adianta. A previsão é que esta quota se “mantenha abaixo de um em cada cinco e que as empresas comprarão clientes em vez de os conquistar”.

Os clientes querem criptomoedas, contudo este tipo de ativos “continuam a estar amplamente ausentes” do setor de private banking. “Dos 270 bancos privados, a informação pública mostra que 19 oferecem criptomoedas diretamente aos clientes, e dez deles utilizam um parceiro. Os Estados Unidos não foram incluídos no censo, mas o Morgan Stanley, o Charles Schwab e o PNC permitem agora aos clientes comprar e manter tokens”. A previsão é que as parcerias “continuarão a ser a principal via e que mais empresas de criptomoedas comprarão bancos licenciados do que bancos comprarão empresas de criptomoedas” e que “pelo menos mais um grande banco privado a oferecer tokens diretamente até ao final de 2027”.

O relatório indica que existem menos bancos privados, mas com uma dimensão maior. “A KPMG contabilizou 79 bancos privados suíços em 2026, contra 156 em 2010. O relatório prevê menos de 75 até ao final de 2027. A KPMG encontrou 32 bancos com rácios custo/receita de 80% ou mais, 18 deles acima dos 90%”, salienta.

E por fim cada bilião em ativos rende menos. “A margem de receitas do setor europeu de private banking caiu de 76 pontos base em 2024 para 73 em 2025”, acrescenta. A previsão é que as margens “continuarão a cair e que os vencedores reduzirão os custos e libertarão o tempo dos consultores” com inteligência artificial (IA).

Ao nível dos mercados privados (private equity) 50 dos 270 bancos privados “oferecem aos clientes negócios diretos ou coinvestimentos e outros 122 oferecem apenas fundos”. Relativamente à IA, o Banco de Singapura “reduziu o tempo para elaborar um relatório de origem da riqueza de 10 dias para uma hora, mas 76% dos bancos privados suíços esperam que a IA não traga poupanças de custos ou traga poupanças mínimas” no próximo ano.

“Os clientes particulares nunca foram tão ricos. No entanto, distribuem o seu dinheiro por mais empresas; os bancos lucram menos com isso. Os bancos avançaram nos mercados privados: 172 dos 270 bancos privados que analisámos oferecem algum acesso, mas apenas 50 oferecem negócios diretos. Há um longo caminho a percorrer. As criptomoedas estão a tornar-se cruciais, não só para conquistar novos clientes, mas também para evitar que os atuais os abandonem. No entanto, apenas 19 destes 270 bancos as oferecem diretamente. A maioria dos bancos não está preparada. A situação económica é mais difícil para as instituições mais pequenas. A Suíça perdeu quase metade dos seus bancos privados desde 2010 e esperamos que a consolidação continue. Todos os conselhos de administração enfrentam a mesma questão: seremos compradores, vendedores ou parceiros?”, disse o CEO da Anglo-Suisse Capital, Charles Hancock.

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