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Não há “Santos” sem farturas

VTM

“Dizemos que cheira a Santos e o que é? É o cheiro das farturas”, diz Nuno Vaz, presidente da Câmara de Chaves sobre a presença assídua dos vários espaços de confeção e venda de farturas. O doce tradicional em todas as feiras e festas de Portugal está espalhado pela cidade flaviense, permanecendo algumas semanas.

Entre jornadas de muitas horas, custos crescentes e clientes mais cautelosos nas compras, as vendedoras com quem falámos esperam que os dias de maior afluência compensem o investimento e o trabalho de várias semanas.

Feira dos Santos Comercio Ana Silva PAm“As pessoas, devido à crise económica que estamos a passar, ressentem-se um bocadinho”
ANA SILVA
VENDERORA
 

Fernanda Dias vende farturas há 46 anos, participa na Feira dos Santos há 35 anos e reconhece que o início desta edição ficou aquém das expectativas. “Está muito fraco”, resume, apontando o calor dos primeiros dias como um dos fatores que prejudicaram o negócio.

A subida dos custos também pesa nas contas. “Tudo aumentou, o material, tudo”, lamenta, referindo que o preço de venda se mantém há cerca de três anos, apesar de as despesas com matérias-primas e combustível continuarem a aumentar. Para quem se desloca de longe e permanece em Chaves desde o início do mês, os três dias principais da feira nem sempre chegam para compensar o investimento.

CUSTOS

Ana Silva, que está presente em Chaves há 11 anos, numa atividade com mais de quatro décadas, também sente os efeitos do aumento dos custos. Além da matéria-prima, destaca as despesas de transporte e de ocupação do espaço, que nem sempre são consideradas pelos consumidores. “As pessoas olham para nós e acham que é água e farinha. Isto tem outros custos por trás e nós também comemos”, observa.

Feira dos Santos Comercio Tradicional PAM

A vendedora reconhece que a perceção dos preços é influenciada pelas dificuldades económicas das famílias. “As pessoas, devido à crise económica que estamos a passar, ressentem-se um bocadinho e acham que tudo é caro”, afirma. Ainda assim, considera que a afluência nos “Santos” depende também do calendário. Quando o feriado de 1 de novembro permite juntar mais dias de feira, o período de trabalho pode prolongar-se.
Feira dos Santos Ana Alves PAM“Não podemos deixar acabar as tradições”
ANA ALVES
VENDEDORA
 

Rosa Ribeiro, que vem de Paços de Ferreira e acompanha a cunhada, presente na Feira dos Santos há mais de 17 anos, destaca a diferença entre as primeiras semanas e os dias de maior movimento. “Ultimamente não tem sido muito bom, porque as pessoas têm que comer. Não há muito poder de compra”, refere, explicando que a atividade ganha normalmente outro ritmo a partir dos últimos dias de outubro.

VISITANTES

Já Ana Alves, que trabalha na área há 18 anos, numa casa com quase meio século de presença na feira, olha para o evento como uma oportunidade de negócio, mas também como uma celebração coletiva. A Feira dos Santos “é muito alegre, porque há muitos visitantes”, afirma, apesar das jornadas que podem chegar às 14 horas.

A vendedora nota que o poder de compra já não é o mesmo, mas observa também a chegada de novos visitantes e a crescente divulgação da feira. “Não podemos deixar acabar as tradições”, defende, considerando que as farturas, os cachorros e outras ofertas de comida de rua fazem parte da diversidade que dá vida à cidade durante o certame.

Apesar das dificuldades, a mensagem é comum às vendedoras. A Feira dos Santos continua a ser um ponto de encontro entre gerações e uma oportunidade para manter negócios familiares. Porque não há “Santos” sem farturas.

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Feira dos Santos é “um momento de celebração da família”

VTM

A Feira dos Santos é um dos momentos mais marcantes do calendário de Chaves, pela dimensão comercial, pela preservação das tradições e pela capacidade de reunir famílias que regressam à cidade nesta altura do ano. Nuno Vaz, presidente da câmara municipal, considera que o certame mantém uma identidade própria, apesar das transformações que sofreu ao longo do tempo.

“É um evento absolutamente singular e excecional”, afirma o autarca, lembrando que a origem da feira se perde no tempo. Sem uma data conhecida da sua primeira realização, a iniciativa terá surgido como resposta às necessidades das comunidades rurais, num período em que os produtores procuravam vender os excedentes agrícolas e os animais para assegurar o aprovisionamento durante o inverno.

Hoje, a feira mantém essa ligação à agricultura e à pecuária, mas ganhou também uma dimensão festiva e familiar. “É um momento de celebração da família”, sublinha Nuno Vaz, referindo os reencontros de pessoas que vivem noutras cidades ou no estrangeiro e que aproveitam os Santos para regressar a Chaves.

Matriz

Inserida num “conjunto muito significativo de iniciativas”, considera o autarca que, apesar de atualmente ter “uma matriz diferente”, a Feira dos Santos “continua a estar muito ligada à pecuária, à agricultura, às tradições e àquilo que são os momentos marcantes das nossas comunidades”. E por isso, tem uma “dimensão de feira, mas também de festa”.

O facto de acontecer no Dia de Todos os Santos leva as comunidades a visitarem os cemitérios e recordarem os seus entes queridos. A feira tem, por isso, a capacidade de ser um “momento de encontro de famílias”.

“É, de facto, uma feira de uma expressão muito grande”, assume Nuno Vaz, acrescentando que “dizemos que é das maiores feiras de rua do país. Este ano, teremos cerca de 550 expositores, trata-se de uma feira com uma exposição muito grande. Prevemos que cerca de 5 quilómetros de vias, de arruamentos urbanos fiquem perfeitamente preenchidos”.

O presidente da câmara destaca ainda o contributo do evento para a economia local, através da dinamização do comércio, da restauração, da hotelaria e dos produtores. A afluência de visitantes, muitos provenientes da Galiza, cria oportunidades para os agentes económicos da cidade e da região.

“Também queremos que essa dinâmica possa ser aproveitada pelos nossos agentes económicos, seja a restauração, a hotelaria, o artesanato ou os produtos locais”, sublinha o autarca flaviense. “Acreditamos muito que, e sobretudo em concelhos do interior, que é com uma relação colaborativa que podemos garantir a sustentabilidade dos micro e pequenos negócios. Porque é nessa multiplicidade de atividades que podemos garantir a sustentabilidade e por esta via, a manutenção das famílias”, acrescenta.

A vertente rural continua a ocupar um lugar central no programa, com a Feira do Gado e os concursos de diferentes raças pecuárias, agendados para 31 de outubro, junto ao Forte de São Neutel. A iniciativa pretende dar visibilidade ao trabalho dos produtores e à importância da atividade agropecuária na preservação da paisagem e das comunidades do interior.

Nuno Vazdestaca, em particular, a valorização da raça Bísara, associada à produção de fumeiro, presuntos e enchidos tradicionais. Os concursos de bovinos, ovinos e do Cão de Gado Transmontano completam o programa dedicado ao património rural. “Queremos continuar a preservar esta nossa herança”, afirma.

Famílias

A programação inclui ainda artesanato, exposições, animação musical e arruadas, além do Festival Gastronómico do Polvo, que reforça os laços históricos e culturais entre Chaves e a Galiza.

O autarca reconhece que a dimensão do evento implica condicionamentos no trânsito e na circulação, mas considera que estes são temporários e devem ser enquadrados no interesse coletivo. “São três dias vividos de forma mais intensa”, refere, apelando à compreensão dos moradores.

Para o município, a Feira dos Santos deve continuar a conjugar comércio, tradição e diversão, mantendo viva uma herança que atravessa gerações e reforça a atratividade de Chaves. “O que nós queremos é que esta feira seja também uma festa da família”, conclui.

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