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Escavadeiras ganham tecnologia para reduzir custos nas obras

Os investimentos em infraestrutura no Brasil atingiram R$ 280,4 bilhões em 2025, o maior valor da série histórica iniciada em 2010, segundo levantamento da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (ABDIB), em parceria com a EY-Parthenon. O montante inclui recursos destinados a diferentes segmentos, como transportes, energia e saneamento, que exigem planejamento, controle de despesas e equipamentos adequados à execução dos projetos.

Nos canteiros de obras, escavar um terreno na profundidade correta, carregar caminhões com a quantidade adequada de material e controlar o consumo de combustível são tarefas que exigem atenção constante. Erros de medição e interrupções frequentes comprometem o rendimento das máquinas e elevam os custos operacionais.

A John Deere, fabricante de máquinas e equipamentos para os setores agrícola, de construção e florestal, apresenta as novas escavadeiras DEX, desenvolvidas integralmente por suas equipes de design e engenharia. A linha incorpora sistemas inteligentes de pesagem e nivelamento, além de recursos de monitoramento remoto, com comandos acessíveis diretamente na cabine.

 

Pesagem durante o carregamento

Uma carga inferior à capacidade prevista exige viagens adicionais dos caminhões. Já o excesso de peso compromete o transporte e exige correções antes da saída do veículo. Por isso, a quantidade de terra, areia ou outros materiais movimentados precisa ser acompanhada durante a operação.

Nas escavadeiras DEX, o SmartWeigh™, sistema inteligente de pesagem, informa o peso do material durante o carregamento. O operador configura previamente os parâmetros necessários, como o tipo de carga e a referência de pesagem.

O peso é atualizado no display da cabine, sem necessidade de interromper o serviço para novas verificações. O sistema também oferece ajustes de unidade de medida, densidade do material e calibração do equipamento.

 

Escavações na profundidade prevista

A abertura de valas para redes de água, esgoto e drenagem exige o cumprimento das medidas estabelecidas no projeto. Retirar terra além do necessário aumenta o volume de material movimentado e, em determinadas situações, exige correções antes da continuidade do serviço.

Para essas atividades, as escavadeiras DEX contam com o SmartGrade™ Ready 2D, sistema inteligente de nivelamento que acompanha a posição da caçamba em relação à profundidade estabelecida.

O operador define a referência no display e acompanha a posição da caçamba durante a escavação. As informações exibidas na tela reduzem as interrupções para conferência de medidas e o risco de executar trabalhos fora do nível previsto.

 

Acesso remoto às informações das máquinas

Em empresas com obras simultâneas, gestores de frota e equipes de suporte técnico precisam acompanhar equipamentos distribuídos por diferentes localidades. A distância dificulta a verificação de informações e a realização de determinados ajustes.

As novas escavadeiras incorporam dois recursos para essas situações. O RDA, acesso remoto ao display, permite que profissionais autorizados visualizem as informações exibidas na tela da máquina. Já o RDC, controle remoto das configurações, possibilita realizar ajustes à distância, mediante autorização concedida pelo operador na cabine.

As funcionalidades reduzem a necessidade de deslocamentos para determinadas intervenções e facilitam o atendimento técnico durante a operação.

 

Consumo de combustível e custos operacionais

Nas escavadeiras DEX, a John Deere também destaca o consumo competitivo de combustível e oferece o Programa Litros de Vantagens, que estabelece uma garantia relacionada ao gasto de combustível dos equipamentos.

A iniciativa acrescenta uma condição específica à oferta comercial da nova linha, permitindo que o consumo seja considerado na avaliação dos custos de operação.

“A CNN Brasil não se responsabiliza pelo conteúdo deste publieditorial e pelas informações sobre os produtos/serviços promovidos nesta publicação”
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Para VLI segregar produtos do agro é desafio da logística ferroviária

Da lavoura aos portos, o agronegócio brasileiro busca novos caminhos sobre os trilhos para enfrentar um dos mais complexos desafios do setor: o escoamento da produção.

A empresa brasileira de transporte multimodal VLI prevê movimentar mais de 800 mil toneladas de sorgo neste ano, com rotas de exportação pelos portos de Santos, Vitória e São Luís, no Maranhão.

Em entrevista ao CNN Agro News a diretora executiva comercial da VLI, Carolina Hernandez Táscon, destacou que na empresa, multimodal e de multissegmento, o agro se torna cada vez mais relevante em sua operação.

“O agro virou muito relevante em função do crescimento desses mercados nos últimos anos”, afirmou. Segundo ela, o Brasil avançou nos investimentos em infraestrutura portuária, ferrovias e hidrovias, mas ainda enfrenta um obstáculo central.

O grande desafio identificado por Carolina não é exatamente a capacidade dos sistemas, mas sim a segregação.

Carolina ressaltou que a matriz de exportações do agro brasileiro está se diversificando, incorporando novos produtos como DDG, farelo de soja e sorgo, além dos tradicionais soja, milho, açúcar e fertilizantes. Com diferentes variedades ou especificações a estrutura de transporte exige que as cargas nunca se misturem ao longo da cadeia movimentada pelos trilhos.

O desafio, portanto, é capacitar os sistemas logísticos para movimentar produtos diferentes – simultaneamente – sem perder eficiência e produtividade.

“Estamos hoje formatados para fazer a movimentação em pool, com um ou dois produtos ao mesmo tempo dentro dos sistemas. Mais do que isso, os sistemas começam a perder capacidade”, explicou.

Sorgo: a nova demanda na pauta de exportação brasileira

Carolina destacou o sorgo como uma das grandes novidades recentes.

“O sorgo foi uma grande surpresa. É a primeira vez que o Brasil exporta sorgo para mercados especialmente como China e Norte da África”, disse.

Há cinco anos, o Brasil produzia apenas 2,5 milhões de toneladas do grão. Neste ano, a produção deve chegar a cerca de 9 milhões de toneladas, com entre 2,5 milhões e 3 milhões destinadas à exportação.

A VLI é a primeira ferrovia a transportar o produto, aproveitando o fato de que 55% do plantio de sorgo é convergente à malha FCA (Ferrovia Centro-Atlântica), e 20% à malha FNS (Ferrovia Norte-Sul), ou corredor norte.

Diversificação e perspectivas para os próximos anos

Além do sorgo, Carolina apontou que os derivados do esmagamento de soja e milho, como farelo de soja e DDG, devem ganhar cada vez mais espaço na pauta de exportações, impulsionados pelo crescimento da indústria de biocombustíveis.

“Esses produtos vêm cada vez mais fortes para o mercado de exportação”, afirmou.

Para o futuro, a diretora destacou que a matriz multimodal brasileira ainda é ineficiente, com trajetos longos entre os polos de produção e os portos, e que adequações serão necessárias. No entanto, ressaltou que ganhos de produtividade nos ativos existentes podem representar avanços significativos mesmo antes que grandes projetos de infraestrutura sejam concluídos.

“Às vezes não se trata de grandíssimos investimentos, às vezes se trata de adequações para você tirar o mais produtivo desse sistema”, concluiu.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.
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Ovos brancos e vermelhos têm menor diferença de preço desde 2022; entenda

A diferença de preço entre ovos brancos e vermelhos atingiu, em outubro, o menor patamar real desde fevereiro de 2022 em Bastos (SP), um dos principais polos de produção de ovos do país e conhecida como “Capital do Ovo”. 

O movimento ocorre em meio ao enfraquecimento da demanda, que tem pressionado as cotações das duas variedades e reduzido o espaço entre os valores praticados no mercado, segundo levantamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).

Na parcial de outubro, até o dia 28, os preços médios dos ovos brancos e vermelhos recuaram em relação a setembro na praça paulista. As duas categorias registraram as menores médias desde fevereiro de 2026 e, considerando apenas os meses de outubro, os valores mais baixos desde 2019, em termos reais, descontada a inflação pelo IGP-DI de setembro.

De acordo com agentes consultados pelo centro de pesquisas, o mercado apresenta menor fluxo de vendas na ponta final e aguarda uma possível recuperação do consumo com a virada do mês.

A aproximação das cotações, no entanto, não significa que os dois produtos tenham custos ou características de produção idênticos. Historicamente, os ovos vermelhos costumam ser comercializados a preços superiores aos dos brancos, principalmente em razão das diferenças entre as linhagens de galinhas utilizadas na produção.

Por que o ovo vermelho é mais caro que o branco?

A principal diferença entre os ovos brancos e vermelhos está na genética das galinhas que os produzem. A coloração da casca é determinada pela linhagem ou raça da ave, e não pela alimentação.

Em geral, galinhas de penas brancas, como as da linhagem Leghorn, produzem ovos de casca branca. Já aves de plumagem avermelhada ou castanha, como as Rhode Island Red e New Hampshire, costumam produzir ovos de casca avermelhada.

As diferenças entre as linhagens também influenciam os custos de produção. Galinhas que produzem ovos vermelhos tendem a ser maiores e consumir mais ração do que as aves que põem ovos brancos. Com isso, o custo de alimentação por ave pode ser mais elevado, o que ajuda a explicar a diferença de preços entre as duas variedades.

A formação dos preços também depende das condições de mercado. A disponibilidade de cada variedade e a preferência dos consumidores podem ampliar ou reduzir a diferença nas cotações. Parte dos compradores associa os ovos vermelhos a produtos caipiras ou a sistemas de criação diferenciados, embora a cor da casca, isoladamente, não indique o tipo de manejo adotado na granja.

A associação dos ovos vermelhos a produtos caipiras também contribui para a percepção de que são mais caros ou de qualidade superior. Essa relação, porém, não é necessariamente verdadeira. A cor da casca não indica o sistema de criação das galinhas: aves criadas em sistemas convencionais, com acesso restrito ao ambiente externo, também podem produzir ovos vermelhos. Da mesma forma, galinhas criadas soltas podem botar ovos brancos. Para identificar se o produto é caipira, é necessário observar as informações sobre o sistema de produção na embalagem, e não apenas a cor da casca. 

Ovo branco e vermelho têm diferença nutricional?

Apesar da diferença de preço, os ovos brancos e vermelhos apresentam composição nutricional semelhante. Ambos são fontes de proteínas, vitaminas e minerais, e a cor da casca não determina que um deles seja mais nutritivo que o outro.

Segundo informações divulgadas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, a principal distinção entre as variedades convencionais está relacionada à linhagem das galinhas. A cor da casca, por si só, não representa diferença nutricional.

O tamanho do ovo pode influenciar a quantidade total de nutrientes consumida, mas essa característica não é determinada exclusivamente pela cor. Outros fatores, como a idade da ave e as condições de produção, também podem interferir nas características do produto.

Outra distinção importante é a cor da gema, que está relacionada principalmente à alimentação das galinhas. Ingredientes com maior concentração de pigmentos naturais, como carotenoides, podem deixar a gema mais amarela ou alaranjada. Essa tonalidade, assim como a cor da casca, não garante, isoladamente, maior valor nutricional.

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Escavadeiras ganham tecnologia para reduzir custos nas obras

Os investimentos em infraestrutura no Brasil atingiram R$ 280,4 bilhões em 2025, o maior valor da série histórica iniciada em 2010, segundo levantamento da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (ABDIB), em parceria com a EY-Parthenon. O montante inclui recursos destinados a diferentes segmentos, como transportes, energia e saneamento, que exigem planejamento, controle de despesas e equipamentos adequados à execução dos projetos.

Nos canteiros de obras, escavar um terreno na profundidade correta, carregar caminhões com a quantidade adequada de material e controlar o consumo de combustível são tarefas que exigem atenção constante. Erros de medição e interrupções frequentes comprometem o rendimento das máquinas e elevam os custos operacionais.

A John Deere, fabricante de máquinas e equipamentos para os setores agrícola, de construção e florestal, apresenta as novas escavadeiras DEX, desenvolvidas integralmente por suas equipes de design e engenharia. A linha incorpora sistemas inteligentes de pesagem e nivelamento, além de recursos de monitoramento remoto, com comandos acessíveis diretamente na cabine.

 

Pesagem durante o carregamento

Uma carga inferior à capacidade prevista exige viagens adicionais dos caminhões. Já o excesso de peso compromete o transporte e exige correções antes da saída do veículo. Por isso, a quantidade de terra, areia ou outros materiais movimentados precisa ser acompanhada durante a operação.

Nas escavadeiras DEX, o SmartWeigh™, sistema inteligente de pesagem, informa o peso do material durante o carregamento. O operador configura previamente os parâmetros necessários, como o tipo de carga e a referência de pesagem.

O peso é atualizado no display da cabine, sem necessidade de interromper o serviço para novas verificações. O sistema também oferece ajustes de unidade de medida, densidade do material e calibração do equipamento.

 

Escavações na profundidade prevista

A abertura de valas para redes de água, esgoto e drenagem exige o cumprimento das medidas estabelecidas no projeto. Retirar terra além do necessário aumenta o volume de material movimentado e, em determinadas situações, exige correções antes da continuidade do serviço.

Para essas atividades, as escavadeiras DEX contam com o SmartGrade™ Ready 2D, sistema inteligente de nivelamento que acompanha a posição da caçamba em relação à profundidade estabelecida.

O operador define a referência no display e acompanha a posição da caçamba durante a escavação. As informações exibidas na tela reduzem as interrupções para conferência de medidas e o risco de executar trabalhos fora do nível previsto.

 

Acesso remoto às informações das máquinas

Em empresas com obras simultâneas, gestores de frota e equipes de suporte técnico precisam acompanhar equipamentos distribuídos por diferentes localidades. A distância dificulta a verificação de informações e a realização de determinados ajustes.

As novas escavadeiras incorporam dois recursos para essas situações. O RDA, acesso remoto ao display, permite que profissionais autorizados visualizem as informações exibidas na tela da máquina. Já o RDC, controle remoto das configurações, possibilita realizar ajustes à distância, mediante autorização concedida pelo operador na cabine.

As funcionalidades reduzem a necessidade de deslocamentos para determinadas intervenções e facilitam o atendimento técnico durante a operação.

 

Consumo de combustível e custos operacionais

Nas escavadeiras DEX, a John Deere também destaca o consumo competitivo de combustível e oferece o Programa Litros de Vantagens, que estabelece uma garantia relacionada ao gasto de combustível dos equipamentos.

A iniciativa acrescenta uma condição específica à oferta comercial da nova linha, permitindo que o consumo seja considerado na avaliação dos custos de operação.

ue o consumo seja considerado na avaliação dos custos de operação.

“A CNN Brasil não se responsabiliza pelo conteúdo deste publieditorial e pelas informações sobre os produtos/serviços promovidos nesta publicação”
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Newcastle pressiona MBRF e exportações, mas não ameaça oferta no Natal

A confirmação de três focos da doença de Newcastle em granjas comerciais de perus no Oeste de Santa Catarina colocou a avicultura brasileira novamente diante de um desafio sanitário e comercial. Em menos de dez dias, o Ministério da Agricultura e Pecuária confirmou ocorrências em Nova Itaberaba, Coronel Freitas e Nova Erechim, municípios próximos e que concentram uma importante parcela da produção avícola catarinense.

A sequência de casos ampliou a preocupação com a circulação do vírus na região, levou ao sacrifício sanitário de milhares de aves e provocou restrições comerciais de países importadores de produtos avícolas brasileiros.

Apesar da evolução das ocorrências, o cenário não aponta, até o momento, para risco de desabastecimento de carne de frango, peru e outras aves especiais no mercado brasileiro, especialmente durante o Natal, período de maior procura por esses produtos. A avaliação é de Rodrigo Dutra, analista da Pasto & Consultoria, e Fernando Henrique Iglesias, analista da Safras & Mercado. Segundo eles, a produção destinada às festas de fim de ano é planejada com antecedência, e boa parte dos produtos natalinos já passou pelo abate e está armazenada para atender à demanda de dezembro.

O impacto mais imediato está concentrado na cadeia produtiva de Santa Catarina, na operação da MBRF e no comércio internacional. A companhia tem forte presença na região e ocupa posição de destaque no mercado brasileiro de aves especiais e perus. Os focos identificados em propriedades fornecedoras da empresa exigiram medidas sanitárias, reorganização dos fluxos de produção e redirecionamento de pedidos destinados ao exterior.

O primeiro caso foi confirmado pelo Ministério da Agricultura em 18 de outubro, em uma propriedade comercial de criação de perus de corte em Nova Itaberaba. A ocorrência foi identificada durante ações de vigilância epidemiológica, após a coleta de amostras na propriedade no final de setembro. Um segundo foco foi confirmado em 24 de outubro, em Coronel Freitas. Já em 27 de outubro, o ministério anunciou a terceira ocorrência, em Nova Erechim, também dentro da área de emergência sanitária estabelecida pelas autoridades.

Com a identificação do terceiro estabelecimento infectado, o número de aves envolvidas nas propriedades atingidas ultrapassou 48 mil, segundo informações divulgadas pela defesa agropecuária catarinense. As granjas de Nova Itaberaba e Coronel Freitas, com aproximadamente 6 mil e mais de 33 mil perus, respectivamente, foram identificadas como fornecedoras da MBRF. A propriedade de Nova Erechim tinha cerca de 9,6 mil aves, mas não havia confirmação pública sobre a empresa à qual fornecia.

O avanço dos registros chama atenção não apenas pela proximidade geográfica entre as propriedades, mas também pelo intervalo relativamente curto entre as confirmações. A sequência levou à ampliação das medidas de vigilância e ao reforço da fiscalização sobre outras granjas localizadas no entorno.

O Ministério da Agricultura declarou emergência zoossanitária por 60 dias em Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim. As medidas incluem investigação epidemiológica, controle do trânsito de animais e materiais, despovoamento sanitário das propriedades atingidas, limpeza e desinfecção das instalações e monitoramento intensificado dos estabelecimentos próximos.

Em Nova Itaberaba, as medidas sanitárias foram concluídas e a propriedade entrou em vazio sanitário. Em Coronel Freitas, o despovoamento das aves foi finalizado, enquanto os procedimentos de limpeza e desinfecção estavam em andamento. No terceiro estabelecimento, em Nova Erechim, as autoridades iniciaram os protocolos de contenção e investigação.

O que está por trás da sequência de casos?

A principal questão para o setor é entender como o vírus chegou às propriedades comerciais e se existe uma circulação mais ampla entre as populações de aves da região. Embora a proximidade entre os três estabelecimentos seja um elemento importante para a investigação, ainda não há uma conclusão oficial sobre a origem da contaminação ou sobre o caminho percorrido pelo agente infeccioso.

A doença de Newcastle é provocada por um vírus do paramixovírus aviário tipo 1 (APMV-1), que pode infectar diferentes espécies de aves. A transmissão ocorre principalmente pelo contato com secreções e excreções de animais infectados, por partículas dispersas no ambiente e por materiais contaminados. Equipamentos, instalações, água, alimentos, roupas e calçados também podem funcionar como veículos de disseminação. Roedores, insetos e outros vetores podem contribuir para o transporte do agente entre ambientes.

Por esse motivo, a biosseguridade é considerada uma das principais barreiras de proteção da produção comercial. O controle do acesso às granjas, a higienização de veículos e equipamentos, a separação entre aves domésticas e silvestres e a vigilância permanente dos plantéis são medidas fundamentais para reduzir o risco de introdução e circulação do vírus.

Um elemento adicional de preocupação surgiu com a identificação do paramixovírus aviário tipo 1 em pombos de vida livre fora da área de emergência sanitária. A detecção chamou a atenção dos especialistas porque evidencia a presença do agente em aves que circulam livremente pelo ambiente e que podem representar um desafio adicional para a vigilância sanitária.

Entretanto, existe uma distinção importante já que o Ministério da Agricultura esclareceu que a identificação do vírus nesses pombos não configura um novo foco comercial de Newcastle e que a ocorrência não apresenta relação epidemiológica estabelecida com os casos registrados nas granjas de produção.

O sequenciamento genético realizado pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de São Paulo identificou, no foco de 2026, 97,35% de identidade com uma sequência do Pigeon paramyxovirus 1 (PPMV-1). Trata-se de uma variante virulenta do mesmo grupo viral. O dado é relevante para a investigação, mas não permite, isoladamente, afirmar que os pombos identificados tenham sido a origem da infecção nas granjas.

A hipótese de uma pressão ambiental maior sobre os estabelecimentos, portanto, merece atenção, mas a origem efetiva da circulação viral ainda depende da investigação epidemiológica.

Outro ponto que precisa ser considerado é que a identificação do vírus não significa necessariamente que tenha ocorrido uma falha de manejo nas propriedades. A ocorrência de um agente infeccioso pode envolver diferentes vias de exposição, e a determinação de eventuais falhas depende da análise das condições sanitárias de cada estabelecimento, dos protocolos adotados e da investigação conduzida pelas autoridades.

O que está confirmado é que o primeiro foco foi identificado durante uma ação de vigilância ativa, mesmo sem sinais clínicos nas aves. Isso demonstra a importância do monitoramento laboratorial, inclusive em plantéis que não apresentam manifestações aparentes da doença.

O Brasil havia registrado o último foco comercial de Newcastle em

, em uma granja de frangos de corte no Rio Grande do Sul. Antes disso, a enfermidade era considerada erradicada da avicultura comercial brasileira desde 2006. A nova ocorrência em Santa Catarina, portanto, representa mais um episódio que exige resposta coordenada do serviço veterinário oficial e do setor privado.

Por que os casos atingem diretamente a MBRF?

A concentração dos registros em granjas de perus ajuda a explicar por que a MBRF está no centro das preocupações do setor. A empresa tem uma presença expressiva na produção avícola catarinense e opera uma unidade de abate de perus em Chapecó, no Oeste do estado.

De acordo com Rodrigo Dutra, da Pasto & Consultoria, a estrutura de produção de perus em Santa Catarina apresenta uma concentração importante em torno da companhia. Como a unidade de Chapecó é a única planta de abate de perus no estado, as granjas comerciais da região que trabalham com essa proteína estão diretamente vinculadas à operação da empresa.

Na avaliação do analista, esse modelo ajuda a explicar por que os focos identificados em propriedades da região tiveram repercussão tão direta sobre a MBRF. As granjas atingidas estão inseridas em uma cadeia de fornecimento concentrada, na qual a companhia possui participação relevante.

Dutra destaca que a presença da MBRF no segmento de aves em Santa Catarina é superior à de sua principal concorrente, a JBS. Segundo as estimativas apresentadas pelo analista, a empresa detém aproximadamente 75% do mercado brasileiro de peru e 60% do segmento de aves especiais.

Essa participação aumenta a exposição operacional da companhia quando há uma ocorrência sanitária em sua região de atuação. Ao mesmo tempo, a dimensão nacional da empresa funciona como um fator de proteção, já que a produção não está concentrada exclusivamente em Santa Catarina.

A avaliação de Dutra é que os três estabelecimentos atingidos representam um elo relativamente pequeno diante da escala total da MBRF. As propriedades envolvidas somam aproximadamente 46 mil aves na estimativa inicial do analista, volume que não compromete, por si só, a capacidade de abastecimento da companhia.

O primeiro estabelecimento atingido, em Nova Itaberaba, também teve uma particularidade importante que segundo Dutra as aves não deixaram a propriedade nem foram encaminhadas para o abate. Isso significa que não houve entrada daquele lote na cadeia de comercialização de produtos destinados ao consumidor.

Ainda segundo Dutra, a companhia, por sua vez, precisou reorganizar parte de sua operação para atender aos compromissos comerciais e reduzir os efeitos das restrições impostas pelos países importadores.

Como a MBRF está reorganizando a produção?

De acordo com Rodrigo Dutra, a resposta operacional da companhia deve ficar estruturada em três frentes. A primeira envolve o sacrifício sanitário das aves das propriedades atingidas, seguido pelos procedimentos de limpeza, desinfecção e vazio sanitário. A medida busca eliminar o agente infeccioso dos estabelecimentos e reduzir o risco de disseminação para outras granjas.

A segunda frente é o redirecionamento dos pedidos internacionais para unidades industriais localizadas no Paraná e no Rio Grande do Sul, que permanecem habilitadas a exportar para determinados mercados. A estratégia permite que a empresa preserve parte dos contratos e mantenha o atendimento aos compradores internacionais sem depender exclusivamente da produção catarinense.

A terceira envolve a estocagem de produtos que já foram industrializados em Santa Catarina, mas que ficaram sem destino comercial em razão das restrições sanitárias. Em vez de direcionar imediatamente esse volume ao mercado brasileiro, a companhia mantém os produtos armazenados, aguardando a retomada das autorizações de exportação.

“Essa estratégia é importante porque evita que uma quantidade adicional de carne seja direcionada de uma só vez ao mercado doméstico. Caso o produto impedido de seguir para o exterior fosse imediatamente colocado à venda no Brasil, poderia haver pressão sobre os preços e sobre a comercialização de outras aves”, informou à CNN Brasil.

Fernando Henrique Iglesias, da Safras & Mercado, também chama atenção para o efeito da estocagem. Segundo ele, a preocupação não está concentrada na disponibilidade de peru para o Natal, mas no destino da produção que continuará sendo abatida ao longo das próximas semanas.

O problema é que os frigoríficos precisam administrar o volume que deixa de seguir para os mercados internacionais enquanto os embargos permanecem em vigor. Isso pode aumentar a necessidade de armazenagem e elevar os custos operacionais, especialmente se as restrições demorarem a ser retiradas.

O impacto, portanto, não se resume às aves sacrificadas. Há também uma questão logística e comercial relacionada ao armazenamento, à reorganização dos embarques, à utilização das plantas industriais e à preservação dos contratos com clientes internacionais.

Procuradas pela CNN, a MBRF e a ABPA, associação que representa as indústrias de abate de aves, ainda não se manifestaram sobre o assunto.

Exportações têm impacto, mas regionalização reduz perdas

Santa Catarina ocupa uma posição estratégica no comércio internacional de proteínas avícolas. Em 2025, o estado exportou aproximadamente 29,5 mil toneladas de carne de peru, o equivalente a 44,8% de todo o volume embarcado pelo Brasil, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior e compilados pela CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil).

No mercado de carne de frango, a importância também é expressiva já que Santa Catarina exportou cerca de 1,2 milhão de toneladas em 2025, correspondente a 23,3% do total nacional. A receita com as exportações de carne de aves do estado alcançou aproximadamente US$ 2,1 bilhões naquele ano.

Com esse peso no comércio exterior, qualquer restrição sanitária envolvendo a produção catarinense tem potencial para afetar o desempenho das exportações brasileiras.

Até a atualização divulgada pelo Ministério da Agricultura em 27 de outubro, as suspensões estavam distribuídas de maneira diferente entre os países compradores.

México e Malásia haviam suspendido importações de determinados produtos avícolas provenientes de todo o Brasil. Já Arábia Saudita, China e Chile restringiram produtos originários de Santa Catarina, com diferenças entre os itens abrangidos por cada medida.

A regionalização é um ponto fundamental para evitar que a ocorrência em uma região comprometa toda a produção nacional. No caso da China, por exemplo, a negociação conduzida pelo governo brasileiro permitiu limitar a restrição a Santa Catarina, evitando a suspensão das compras provenientes dos demais estados.

Para Rodrigo Dutra, os mercados e produtos atingidos representam aproximadamente 46 mil toneladas mensais, volume próximo de 10% dos embarques brasileiros de produtos avícolas. O analista avalia, contudo, que parte significativa dessa quantidade poderá ser absorvida por unidades industriais localizadas em outros estados, desde que estejam habilitadas a atender aos requisitos sanitários de cada destino.

Essa possibilidade reduz o impacto sobre o comércio exterior, mas não elimina as dificuldades. O redirecionamento depende da capacidade disponível nas plantas, da logística de transporte, da adequação dos produtos e das exigências específicas de cada mercado.

Iglesias avalia que o efeito das restrições tende a permanecer administrável enquanto os focos estiverem concentrados na região e as autoridades conseguirem demonstrar que as medidas de contenção foram eficazes. A retomada dos embarques dependerá da evolução epidemiológica e do cumprimento dos protocolos sanitários exigidos pelos importadores.

O analista ressalta que o setor precisa acompanhar especialmente o avanço da vigilância nas propriedades próximas, porque novos registros podem prolongar o período de restrições e dificultar a normalização do fluxo comercial.

Na avaliação dos analistas é que o Natal está protegido, mas estoque e preços exigem atenção. A proximidade das festas de fim de ano é uma das principais preocupações do mercado, já que o consumo de peru, chester e outras aves especiais costuma crescer em dezembro. A questão é se a perda de parte dos plantéis e as dificuldades operacionais da MBRF poderiam reduzir a oferta justamente no período de maior demanda.

Ainda segundo Dutra, os focos atingiram uma parcela pequena de uma operação industrial muito maior e que o volume de aves envolvido não representa uma ameaça ao abastecimento nacional. Além disso, o analista destaca que a companhia possui estrutura produtiva em diferentes estados e pode reorganizar parte dos pedidos e da distribuição.

Fernando Henrique Iglesias reforça que existe uma característica importante na produção de aves natalinas, que é o planejamento industrial começa muito antes das festas. O abate de perus e outras aves especiais acontece ao longo do ano e se estende até aproximadamente meados de novembro. Com isso, uma parcela significativa dos produtos destinados ao Natal já está pronta e armazenada.

Na prática, a perda de aproximadamente 46 mil aves, na estimativa inicial de Dutra, ou o volume superior a 48 mil envolvido nas três propriedades não representa uma redução relevante diante da escala nacional de produção.

O momento em que os focos foram identificados também é determinante. Como boa parte da produção natalina já passou pelo abate e está estocada, a ocorrência sanitária não compromete diretamente o volume que foi planejado para atender à demanda de dezembro.

Iglesias avalia que o efeito sobre a oferta de aves natalinas será limitado. A preocupação maior está relacionada à produção corrente, principalmente frangos e outras aves que continuarão sendo abatidos enquanto as restrições comerciais estiverem em vigor.

Se os embargos forem prolongados, os frigoríficos poderão enfrentar um aumento dos estoques e custos adicionais de armazenagem. Dependendo da duração das restrições e da capacidade de redirecionamento da produção, esse cenário poderá afetar a estratégia comercial das empresas e a formação de preços no mercado interno.

Por outro lado, a liberação dos mercados internacionais tende a permitir que os produtos armazenados voltem a seguir para seus destinos originais, reduzindo a pressão sobre a cadeia doméstica.

O Ministério da Agricultura também reforçou que o consumo de produtos avícolas submetidos à inspeção oficial permanece seguro, sem contraindicações. A doença exige medidas rigorosas de controle sanitário, mas os produtos que chegam regularmente ao comércio, sob fiscalização oficial, não representam risco ao consumidor.

O que pode acontecer daqui para frente?

O desdobramento dos casos dependerá de dois fatores principais, sendo eles a capacidade de conter a circulação do vírus no Oeste Catarinense e a velocidade das negociações com os parceiros comerciais.

No campo sanitário, a prioridade é impedir que novas propriedades comerciais sejam atingidas. A ampliação da vigilância, a investigação epidemiológica e o controle do trânsito de animais e materiais são fundamentais para identificar possíveis vias de disseminação e evitar que a ocorrência se espalhe para outras regiões produtoras.

No campo comercial, o desafio será demonstrar aos países importadores que os focos estão controlados e que as regiões não afetadas continuam aptas a fornecer produtos avícolas. A regionalização das restrições é um instrumento importante nesse processo, mas a retomada não ocorre automaticamente após o encerramento das medidas dentro das propriedades.

A MBRF, por sua vez, terá de administrar a produção das unidades afetadas, preservar a capacidade de atendimento dos mercados internacionais e equilibrar os custos de armazenagem com a necessidade de manter o fluxo de comercialização.

A avaliação dos analistas é que, com o controle dos focos e o cumprimento do vazio sanitário, a tendência é de normalização gradual das operações. Entretanto, a identificação de novos casos poderá prolongar as restrições e ampliar os custos para a indústria.

Foie gras: como a iguaria é produzida e por que gera polêmica

 

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Preços dos alimentos vão subir 18% em dois anos, diz Banco Mundial

Após um período de retração nos preços, 21% registrados entre 2022 e 2025, os mercados agrícolas devem enfrentar dois anos de alta nos preços internacionais.

A combinação de conflitos geopolíticos, custos elevados da energia com alta do barril de petróleo, restrições logísticas além dos riscos climáticos com a previsão do El Niño forte deve reduzir a oferta de alguns produtos e sustentar as cotações em 2026 e 2027 e impactar os preços.

A avaliação é do Banco Mundial e está no relatório “Commodity Markets Outlook” divulgado em outubro.

As projeções do banco indicam que os preços dos alimentos devem acumular alta de aproximadamente 18% no período. Sendo 10% em 2026 e mais 7% em 2027.

No mercado de grãos o impacto deve ser maior. A estimativa apresentada no relatório é de valorização de 14% neste ano e mais 9% no próximo. Ou 23% em dois anos.

Caso haja uma intensificação dos conflitos geopolíticos e perdas de safra ficarem acima do esperado, por cauda do El Niño, esses indices poderão ser ainda mais altos. Com os preços dos alimentos disparando 12% a mais e as cotações dos grãos 20% acima dessa referência.

O trigo está entre os produtos com maior impacto na alta dos grãos

O Banco Mundial projeta avanço de 28% em 2026 e mais 14% em 2027 para o trigo por causa da redução da produção mundial e dificuldades de exportação de importantes fornecedores.

A produção global deve ser 3% menor na safra 2026/2027. No Estados Unidos a redução projetada é de 23%; no Canadá queda de 12%, na Austrália queda de 25% na produção.

A oferta mundial também sofre influência das dificuldades logísticas por causa das tensões no Mar Negro. A região é estratégica para o comércio internacional de grãos, especialmente o trigo.

Para o milho o relatório projeta um aumento de 10% nos preços em 2026 e de mais 5% em 2027; e redução de aproximadamente 3% na produção mundial.

Para a soja, o cenário combina valorização das cotações e demanda crescente por matérias-primas destinadas à produção de biocombustíveis. Mesmo com a perspectiva de uma safra global recorde, os preços da oleaginosa devem subir 18% em 2026 e mais 5% em 2027.

O movimento tende a ser mais intenso nos derivados. Para o farelo, as estimativas são de valorização de 18% e 10%, respectivamente.

E para o óleo de soja tem alta projetada de 39% neste ano e de 11% em 2027. O desempenho dos preços dos óleos vegetais está diretamente relacionado à demanda por biocombustíveis. Com os preços da energia, e do petróleo, mais elevados aumenta a competitividade de matérias-primas agrícolas utilizadas na produção dos combustíveis renováveis.

O óleo de palma também deve acompanhar esse movimento, com aumentos projetados de 14% em 2026 e 10% em 2027.

O Banco Mundial destaca que a disponibilidade global de grãos na safra 2026/27 deve ser a segunda maior já registrada. E essa oferta pode limitar a intensidade das altas.

Bebidas: Café e Cacau

Em contraponto à alta generalizada dos grãos para o setor de bebidas o Banco Mundial aponta o recuo de 24% nos preços das soft commodities este ano e leve alta de 3% em 2027.

A acomodação dos preços se deve a recuperação das safras, da maior oferta global de café e cacau, após um ciclo de preços historicamente elevados provocados pela redução da oferta da matéria-prima no mercado internacional.

As incertezas com o El Niño

Além dos conflitos e das restrições comerciais, o clima aparece como um dos principais fatores de risco para o mercado agrícola.

O Banco Mundial alerta para a possibilidade de um El Niño muito intenso, com potencial para comprometer a produção de diferentes commodities agrícolas. A combinação entre eventos climáticos adversos e dificuldades de transporte pode ampliar a pressão sobre a oferta mundial.

O relatório trabalha com um cenário-base que não considera uma intensificação significativa dos conflitos que afetam o abastecimento global. Entretanto, caso ocorram simultaneamente uma escalada das tensões no Oriente Médio, novas interrupções no comércio de grãos pelo Mar Negro e um El Niño mais severo, os preços dos alimentos poderão ficar 12% acima do projetado no cenário de referência em 2027.

Nesse cenário adverso, o petróleo do tipo Brent, pode se manter na média de US$ 105 o barril no próximo ano.

Energia e fertilizantes ampliam a pressão sobre os custos

Para o produtor rural, o cenário exige atenção não apenas às cotações das commodities, mas também à evolução dos custos de produção.

O relatório projeta aumento médio de 14% nos preços dos fertilizantes em 2026. A valorização reflete, principalmente, a alta registrada pela ureia no início do ano. Para 2027, a expectativa é de retorno dos preços aos níveis de 2025, com a redução dos custos de energia e a melhora da disponibilidade de amônia e enxofre.

A energia é outro componente relevante dessa equação. O Banco Mundial estima alta de 32% nos preços do segmento energético em 2026, revertendo três anos consecutivos de queda. O petróleo Brent deve alcançar média de US$ 91 por barril, ante US$ 69 em 2025. Para 2027, a projeção é de recuo para US$ 79.

A elevação dos combustíveis tem efeito sobre toda a cadeia agropecuária, do transporte de insumos e produtos agrícolas às operações de máquinas e equipamentos. Quando persistente, também pressiona os custos de produção e a logística de comercialização.

A conclusão do Banco Mundial é que a trajetória das commodities agrícolas não depende exclusivamente do volume produzido nas safras. Custos com energia, fertilizantes, logística, transporte internacional e condições climáticas terão influência direta sobre a formação dos preços.

Estimativas para o Brasil

Para o Brasil, que é um importante produtor e exportador de alimentos, o banco destaca que a valorização internacional nos preços das commodities pode representar oportunidades de aumento nas receitas. Porém, o efeito sobre a rentabilidade dependerá da relação entre preços de venda, custos de produção, câmbio e disponibilidade de insumos.

A perspectiva de uma oferta global ainda elevada de grãos também merece atenção. Mesmo com a valorização projetada para soja, milho e trigo, a existência de estoques e a capacidade de produção de grandes fornecedores podem limitar movimentos mais intensos.

O cenário, portanto, combina perspectiva de preços internacionais mais altos com riscos relevantes para a produção e a comercialização.

Para o agronegócio, acompanhar a evolução dos custos e das condições de oferta será tão importante quanto observar as cotações nas bolsas internacionais.

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Irani tem lucro líquido de R$ 56,5 mi no terceiro trimestre, alta de 34,3%

A Irani Papel e Embalagem registrou lucro líquido de R$ 56,51 milhões no terceiro trimestre de 2026, alta de 34,3% em relação ao mesmo período de 2025. Segundo a companhia, o resultado foi influenciado pela maior variação do valor justo dos ativos biológicos.

A receita líquida somou R$ 456,58 milhões no período, crescimento de 5,3% na comparação anual. Já o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado alcançou R$ 151,99 milhões, avanço de 3,9% em relação ao terceiro trimestre do ano passado.

De acordo com a empresa, o desempenho operacional foi impulsionado pelo maior volume de vendas no segmento de embalagens sustentáveis, que inclui papelão ondulado. O volume comercializado nesse segmento apresentou crescimento de 11,5% na comparação interanual.

Apesar do aumento nas vendas, os preços médios recuaram 1,2% no trimestre. A companhia atribuiu o movimento à dinâmica do mercado, caracterizada pelo equilíbrio entre oferta e demanda.

No encerramento do terceiro trimestre de 2026, a alavancagem da Irani ficou em 1,89 vez.

Do total da dívida, 67% correspondia a obrigações de longo prazo, enquanto os 33% restantes tinham vencimento no curto prazo. Em relação à composição por moeda, 99% do endividamento estava denominado em moeda nacional.

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Produção de soja no Paraná deve crescer 4% em 2026/27

A safra 2026/27 de soja do Paraná deve alcançar 22,75 milhões de toneladas, alta de 4% com relação ao período anterior, enquanto o trigo caminha na direção oposta, com produção estimada em 1,9 milhão de toneladas, queda de 34%. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira pelo Deral (Departamento de Economia Rural), da Seab (Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento).

Na soja, a área prevista é de 5,74 milhões de hectares, com 62% do plantio já concluído. Entre as lavouras implantadas, 88% estão em boas condições, 11% em situação média e 1% em condição ruim.

O cenário, porém, ainda pode mudar conforme a evolução do clima ao longo dos próximos meses.

Segundo Larissa Nahirny, coordenadora da Divisão de Estatísticas do Deral, os efeitos climáticos foram mais severos sobre as culturas de inverno. “Essa safra ficou cerca de 30% menor do que a safra anterior. O principal impacto ocorreu no trigo. A produção atual ela está em torno de 1.9 milhões toneladas e esse valor representa um uma diminuição de 28% da produção desse cereal”, explicou Larissa.

A produção total de grãos de inverno está estimada em 2,84 milhões de toneladas. Excesso de chuvas durante o desenvolvimento e a colheita reduziu a produtividade e comprometeu a qualidade dos grãos.

No milho, o plantio da primeira safra 2026/27 chegou a 94% dos pouco mais de 372 mil hectares previstos. A produção é estimada em 4,08 milhões de toneladas, com 78% das lavouras em boas condições.

No trigo, além da queda de 12% na área cultivada, a produtividade recuou para 44 sacas por hectare, ante 54 sacas no ciclo anterior. As chuvas frequentes também afetaram a qualidade do cereal, o que pode limitar a oferta de trigo adequado à indústria de panificação.

Para Larissa o cenário é de bastante dificuldade para o produtor rural pois nos próximos meses é previsto que continue o volume de chuva.

No sentido oposto, a canola ganhou espaço e deve dobrar a produção em relação à safra passada, impulsionada pela expansão da área cultivada no Estado.

Entre as hortaliças, o plantio segue abaixo do esperado em algumas culturas. A batata alcançou 77% da área prevista, ante 90% esperados para outubro, enquanto o tomate chegou a 66%, diante de uma referência de 77%.

Já a produção de cebola é estimada em 96,5 mil toneladas, redução de 23,3% em relação a 2018.

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Monsanto vence julgamento sobre glifosato após decisão da Suprema Corte

Um júri do Tribunal de Circuito do Missouri, nos Estados Unidos, decidiu por unanimidade a favor da Monsanto em um processo envolvendo o herbicida Roundup, um glifosato. O julgamento, realizado nesta quinta-feira (29), foi o primeiro relacionado ao produto desde que a Suprema Corte dos Estados Unidos proferiu, em junho de 2026, uma decisão que restringiu parte das ações judiciais contra a empresa.

O processo envolvia três autores, que apresentaram acusações de defeito de projeto, fraude e negligência. Segundo comunicado divulgado pela Bayer, controladora da Monsanto, o júri rejeitou as três alegações.

A decisão ocorre após o julgamento da Suprema Corte no caso Monsanto v. Durnell. Na ocasião, a Corte entendeu que a legislação federal norte-americana sobre pesticidas, a Lei Federal de Inseticidas, Fungicidas e Rodenticidas, prevalece sobre determinadas ações baseadas em leis estaduais que alegam falha na advertência sobre riscos de produtos, quando a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos já tiver estabelecido uma posição definitiva sobre sua segurança.

Esse entendimento afastou as chamadas alegações de falha na advertência, uma das principais linhas de argumentação utilizadas nos processos contra a Monsanto envolvendo o Roundup. Com isso, os autores do caso no Missouri seguiram com as acusações de defeito de projeto e negligência, além da alegação de fraude.

De acordo com a Bayer, o julgamento no Missouri foi o primeiro a avaliar, após a decisão da Suprema Corte, se as provas apresentadas seriam suficientes para sustentar acusações de defeito de projeto e negligência.

Em declaração divulgada pela empresa, Bill Dodero, diretor jurídico da Monsanto nos Estados Unidos e chefe global de litígios, afirmou que o resultado reforça a posição da companhia de que não há evidências suficientes para comprovar as acusações apresentadas nos processos envolvendo o herbicida.

A Bayer também argumentou que a decisão poderá dificultar novas ações judiciais contra a Monsanto, tanto pela necessidade de demonstrar a viabilidade jurídica das acusações quanto pela exigência de apresentar provas que as sustentem em tribunal.

Nos últimos anos, a empresa enfrentou milhares de processos estaduais que alegam que a empresa não alertou sobre possíveis riscos de câncer associados ao produto, que contém glifosato. Até o momento, a companhia já desembolsou bilhões de dólares em indenizações. 

Em fevereiro, a Monsanto anunciou um acordo de até US$ 7,25 bilhões proposto para uma ação coletiva nacional nos Estados Unidos, destinado a resolver atuais e futuras reivindicações relacionadas ao herbicida, incluindo casos de câncer. 

Posição da empresa

No comunicado, a Bayer voltou a defender a segurança do glifosato, princípio ativo do Roundup. A empresa afirma que o produto é amplamente estudado e que o conjunto das evidências científicas e as avaliações de órgãos reguladores de diferentes países respaldam sua segurança quando utilizado conforme as instruções.

A companhia também destacou que a Agência de Proteção Ambiental americana considera que o glifosato “provavelmente não é carcinogênico” e que os rótulos do Roundup aprovados pela agência não incluem advertências sobre câncer.

Ao final do comunicado, a Bayer informou que continuará defendendo seus produtos nos processos judiciais ainda em andamento.

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Copacol prevê R$ 1 bilhão em investimentos até 2028

A Copacol (Cooperativa Agroindustrial Consolata), primeira cooperativa do Oeste do Paraná, prevê investir R$ 1 bilhão até 2028 em projetos voltados à ampliação da capacidade produtiva, à modernização da estrutura e ao fortalecimento das atividades agroindustriais.

Entre os principais investimentos está a construção de um novo incubatório em Rancho Alegre.

O projeto deve receber R$ 165 milhões e terá capacidade para produzir até 80 milhões de ovos por ano.

A iniciativa faz parte do plano de expansão da avicultura, que inclui também novos matrizeiros para aumentar a produção de aves.

De acordo com Valter Pitol, diretor-presidente da cooperativa, os resultados refletem a integração entre produção, tecnologia, industrialização e mercado.

Outro projeto considerado estratégico é a Unidade de Produção de Leitões, na Central Santa Cruz.

Ao mesmo tempo, a cooperativa avança na ampliação da capacidade de recebimento de grãos, com novas estruturas voltadas ao crescimento da produção agrícola e ao atendimento dos cooperados.

O conjunto de investimentos busca acompanhar a expansão das atividades no campo, melhorar a eficiência operacional e ampliar a infraestrutura disponível aos produtores.

Produção em alta

A Copacol celebrou mais um aniversário e alcançou 63 anos com números expressivos em diferentes áreas de atuação. Em 2026, a cooperativa alcançou 2,5 milhões de toneladas de soja e milho, volume que reforça a importância da produção de grãos dentro do negócio.

Atualmente, a rede de atendimento conta com 47 unidades de recebimento de grãos, insumos e sementes. Essa estrutura teve sua capacidade ampliada nos últimos cinco anos.

Na avicultura, as duas unidades industriais processam juntas cerca de 800 mil aves por dia. Na piscicultura, o processamento chega a 210 mil peixes por dia, enquanto a produção anual alcança 100 milhões de alevinos.

A cadeia leiteira responde pela entrega de 13 milhões de litros à Frimesa. Já na suinocultura, a produção chega a aproximadamente 660 mil leitões por ano.

 

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FMC amplia prejuízo para US$ 2 bi no 3º trimestre e revisa projeções anuais

A FMC Corporation, uma das maiores empresas globais de ciências para a agricultura, registrou um prejuízo líquido de US$ 2,07 bilhões. O resultado representa um aumento do prejuízo quando comparado ao mesmo trimestre do ano anterior, quando a baixa foi de US$ 586,6 milhões.

Também no terceiro trimestre, a receita da companhia totalizou US$ 105,9 milhões, um recuo de US$ 436 milhões em relação aos US$ 542,2 milhões registrados no mesmo recorte em 2025.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) ajustado foi negativo em US$ 559 milhões. O montante caiu US$ 795 milhões na comparação anual.

Em comunicado, o presidente do conselho e diretor-executivo da FMC, Pierre Brondeau, afirmou que os resultados refletiram os esforços da companhia para reduzir os elevados estoques nos canais de distribuição, além de uma demanda abaixo das expectativas.

Segundo o executivo, a empresa está adotando medidas comerciais para melhorar o fluxo de produtos até os produtores. A prioridade, neste momento, é garantir a execução dessas iniciativas em conjunto com os clientes e avançar nas prioridades operacionais.

Brondeau avalia que a conclusão do processo de ajuste dos estoques, somada aos avanços operacionais, poderá contribuir para uma recuperação do desempenho da companhia a partir de 2027. A expectativa é alcançar um perfil mais forte de crescimento e rentabilidade em 2028.

Projeções para 2026

Diante dos resultados do terceiro trimestre e das perspectivas revisadas para os últimos três meses do ano, a FMC atualizou suas projeções financeiras para 2026, incorporando também os efeitos das ações comerciais em andamento.

A companhia estima que a receita anual, excluindo as operações na Índia, fique entre US$ 2,75 bilhões e US$ 2,85 bilhões. No ponto médio da faixa, a projeção representa uma queda de 28% em relação ao resultado de 2025, considerando a mesma base de comparação.

Para o Ebitda ajustado, a expectativa é de um resultado negativo entre US$ 124 milhões e US$ 104 milhões. O ponto médio da estimativa indica uma retração de 114% na comparação com o ano anterior.

Já o lucro ajustado por ação diluída deverá apresentar resultado negativo entre US$ 3,66 e US$ 3,50, o que representa uma queda de 221% no ponto médio em relação a 2025.

As novas estimativas reforçam o cenário de dificuldades enfrentado pela companhia em 2026, em meio à demanda mais fraca e ao processo de ajuste dos estoques nos canais de distribuição. A administração, porém, projeta que as medidas em andamento contribuam para a retomada gradual dos resultados nos próximos anos.

Em meio à restrição global de fertilizantes, China prioriza mercado interno

 

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Preço do café no Vietnã cai para menor nível desde junho

Os preços do ​café no Vietnã continuaram a ​cair antes do pico da colheita, em meio à queda das cotações globais, enquanto os prêmios subiram na Indonésia, informaram os comerciantes nesta quinta-feira.

Os produtores das Terras Altas Centrais, o cinturão cafeeiro do Vietnã, venderam os grãos a preços entre 88.000 e ⁠89.000 dongs (US$ 3,40 ​a US$ 3,44) por kg, abaixo dos 91.000 a ​92.500 dongs da semana passada, marcando o menor nível desde ⁠meados de junho, de acordo ⁠com dados da LSEG.

Os contratos futuros de café ​robusta ‌para janeiro fecharam em queda de US$ 21, ou 1%, ⁠a US$3.199 por tonelada métrica na quarta-feira.

“Os agricultores já começaram a colheita, mas os volumes continuam limitados. É provável que a ‌oferta se ⁠torne mais ‌abundante no próximo mês”, disse um corretor das Terras Altas Centrais.

“Alguns agricultores disseram que as condições climáticas adversas no início ⁠do ano fizeram com que uma ⁠pequena parte de sua safra produzisse grãos menores e mais escuros”, acrescentou ‌o corretor.

O corretor ofereceu 83.000 dongs por kg para entrega em dezembro.

Os corretores ofereceram robusta grau 2, com 5% de grãos pretos e quebrados, com um prêmio de US$150 a ‌US$200 por tonelada em relação ao contrato de janeiro da bolsa em Londres.

Na Indonésia, os grãos de café robusta ⁠de Sumatra foram oferecidos com um prêmio de US$220 em relação ao contrato de novembro, acima do prêmio de US$165 a ​US$200 da semana passada, disse um corretor.

Outro corretor citou um prêmio ​de US$300 em relação ao contrato de janeiro, superior ao prêmio de US$230 da semana passada.

(Reportagem de Phuong Nguyen, em Hanói, e Mas Alina Arifin, ‌em Bandar Lampung)

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