Ucraniana Fire Point consegue contornar limitações da Starlink para manter ataques à Rússia

A fabricante ucraniana de armamento Fire Point desenvolveu sistemas capazes de concluir missões de ataque de longo alcance sem depender de uma ligação à Starlink, procurando reduzir a vulnerabilidade das operações militares às restrições impostas pela empresa de Elon Musk. A empresa está também a desenvolver capacidades próprias de ataque com mísseis balísticos.
“Os sistemas da Fire Point foram concebidos para terminar uma missão sem ligação por satélite”, afirmou a presidente executiva da empresa, Iryna Terekh, em entrevista à Reuters, explicando que a navegação sem recurso a sinais externos é uma prioridade para a empresa.
Apesar de ter conseguido ultrapassar tecnologicamente o problema, Terekh admite que a capacidade alternativa ainda é limitada. “Encontrámos uma forma de superar este desafio tecnologicamente, mas isto representa provavelmente apenas 15% a 20% daquilo que poderíamos fazer se a Starlink estivesse a funcionar sobre a Rússia”, esclareceu a responsável, à agência de notícias.
A questão da ligação por satélite ganhou relevância depois de a Ucrânia ter enfrentado limitações na utilização dos serviços da SpaceX. As forças ucranianas dependem fortemente da rede Starlink para assegurar comunicações por satélite no território do país, tendo Kiev pedido à empresa que alargasse a cobertura sobre a Rússia.
O presidente executivo da SpaceX, Elon Musk, acusou as forças ucranianas de violarem os termos de utilização da rede civil Starlink, ao recorrerem ao serviço para operações militares ofensivas. Kiev rejeitou essa acusação, afirmando que utiliza apenas a versão militarizada Starshield nessas missões.
Para a CEO da empresa ucraniana, o problema vai além da capacidade tecnológica e coloca em causa a previsibilidade do apoio norte-americano. “O que queremos é uma aliança com os Estados Unidos em que as regras sejam conhecidas antecipadamente, para que a questão de saber se temos autorização para nos defendermos não seja reaberta de poucas em poucas semanas, dependendo do estado de espírito de alguém”, afirmou.
Novo míssil balístico pode reforçar defesa
A Fire Point está também a desenvolver capacidades próprias de ataque com mísseis balísticos. A empresa anunciou este mês a primeira utilização em combate do FP-7, um míssil tático com um alcance de aproximadamente 300 quilómetros, que poderá ser utilizado contra lançadores russos de mísseis balísticos Iskander.
“O nosso novo míssil FP-7 poderá, entre outras coisas, ser um complemento valioso ao arsenal de armas que ajudam a proteger as nossas cidades”, afirmou Iryna Terekh à Reuters, considerando que a utilização deste armamento poderá ser mais económica do que recorrer a intercetores norte-americanos Patriot para determinadas missões.
A responsável sublinhou ainda a importância de a Ucrânia desenvolver os seus próprios sistemas de armamento, sem depender de autorizações externas para os utilizar. Com o FP-7, Kiev passa a integrar um grupo restrito de nações com capacidade para desenvolver mísseis balísticos próprios, sem que um país estrangeiro disponha de um mecanismo para os desativar remotamente.
A Fire Point está igualmente a trabalhar no FP-9, um míssil balístico com um alcance previsto de 800 quilómetros. Segundo a presidente executiva da empresa, o desenvolvimento e os testes são mais complexos devido à maior distância que o sistema terá de percorrer, mas o armamento está “muito perto” de ficar pronto para utilização em combate, ainda durante este ano.






