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Polícia investiga 25 casos em clínica de SC onde mulher morreu após exame

O número de pacientes que precisaram de atendimento médico após realizar exames de endoscopia e colonoscopia em uma clínica particular de Ibirama, em Santa Catarina, subiu para 25. Uma mulher de 38 anos que realizou exame no local no dia 22 deste mês morreu após sofrer uma parada cardiorrespiratória. 

Segundo a SES (Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina), os 25 pacientes apresentaram sintomas semelhantes, como dores abdominais, calafrios e vômitos após os procedimentos realizados na WS Centro Clínico & Diagnósticos. A maioria passou por avaliação médica e não precisou de internação, mas dois permanecem internados em estado estável.

A clínica foi interditada cautelarmente pela Vigilância Sanitária Municipal na sexta-feira (23). A Secretaria de Estado da Saúde acompanha as ocorrências e aguarda os resultados dos exames realizados no hospital e das amostras encaminhadas ao Lacen SC (Laboratório Central de Saúde Pública de Santa Catarina). As análises devem contribuir para esclarecer as possíveis causas das complicações.

Em nota, a WS Centro Clínico & Diagnósticos lamentou o ocorrido e manifestou solidariedade aos pacientes e familiares. O estabelecimento afirmou que realiza os procedimentos há três anos e que a situação é inédita em sua trajetória. A clínica também informou que está colaborando com as autoridades competentes para esclarecer os fatos.

A Polícia Civil de Santa Catarina informou que segue realizando diligências para investigar os casos. Segundo a corporação, familiares dos pacientes já foram ouvidos e documentos médicos relacionados às ocorrências estão sendo analisados.

A investigação também conta com o acompanhamento dos órgãos de Vigilância Sanitária e Epidemiológica, responsáveis pelas análises técnicas. Os resultados serão encaminhados à autoridade policial assim que concluídos, para dar continuidade à apuração.

Nota da clínica via Instagram:

Entenda o caso

A paciente que morreu foi identificada como Daiane Deucher dos Santos, de 38 anos. Ela era atleta de futsal e integrava a equipe Amigas da Bola, de Ibirama.

Daiane realizou uma colonoscopia na clínica na quinta-feira (22). Após o procedimento, passou mal e procurou atendimento no Hospital Doutor Waldomiro Colautti, onde foi medicada e liberada.

A paciente voltou ao hospital na sexta-feira (23), após apresentar piora no quadro de saúde. Ela chegou a sofrer uma convulsão e permaneceu internada. Na segunda-feira (26), Daiane morreu após uma parada cardiorrespiratória.

Uma amiga da vítima, que não quis se identificar, relatou à CNN Brasil que Daiane teria contraído uma bactéria após o exame. No entanto, essa informação ainda não foi confirmada pelas autoridades, e as circunstâncias da morte seguem sob investigação.

A Secretaria Municipal de Saúde orientou que pessoas que realizaram exames na clínica e apresentem sintomas procurem atendimento médico, mesmo que os sinais sejam leves.

A clínica também afirmou, em publicação nas redes sociais, que os pacientes foram liberados somente após acordarem da sedação e apresentarem condições consideradas adequadas. O responsável técnico informou que a equipe tenta identificar o que pode ter provocado os casos, mencionando possibilidades como bactéria, vírus, medicamento ou algum fator externo.

Como a IA é usada no dia a dia do paciente? Entenda

*Sob supervisão de Carolina Figueiredo

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Cada vez mais alunos têm positiva nas provas do 9.º ano após um percurso sem chumbos

Terminar o 3.º ciclo (do 7.º ao 9.º) sem percalços é um desafio para a maioria, mas há cada vez mais alunos com notas positivas nas provas do 9.º ano que assim concluem aquela fase sem chumbar nos anos anteriores.

Em 2024, ainda antes da implementação do formato digital, os alunos do 9.º realizaram perto de 200 mil provas, com resultados médios positivos a Português, mas não a Matemática.

Naquele ano, a média nacional melhorou face a 2022/2023 e os dados mais recentes disponibilizados pelo Ministério da Educação confirmam uma melhoria global do desempenho no 3.º ciclo, além das provas finais.

Entre os mais de 91 mil alunos do 9.º ano que foram a exame em 2024, cerca de 39 mil tiveram notas positivas na avaliação externa após um percurso sem retenções nos 7.º e 8.º anos.

Ainda que representem 43%, há cada vez mais jovens a concluir o 3.º ciclo sem percalços, tanto na avaliação contínua, como na avaliação externa.

No ano letivo anterior, apenas 36% dos alunos conseguiram esse feito e em 2022/2023 (ano em que foram retomadas as provas do 9.º ano obrigatórias após a pandemia da covid-19) foram ainda menos: 34%.

Numa lista de mais de mil escolas públicas e privadas, a percentagem de percursos diretos de sucesso ultrapassou os 50% em apenas 326 estabelecimentos.

Desses, 28 destacam-se por conseguir que 90% fossem aprovados nas provas finais depois de um percurso de três anos sem retenções, apenas uma das quais pública.

Na Escola Artística do Conservatório de Música Calouste Gulbenkian, em Braga, 45 dos 48 alunos que realizaram as provas de Português e Matemática em 2024 tiveram percursos diretos de sucesso, muito acima da média comparável (63%), que inclui apenas o universo de escolas com um perfil socioeconómico semelhante.

Pelo contrário, houve 44 escolas onde a percentagem de percursos diretos de sucesso não ultrapassou os 10%, a esmagadora maioria da rede pública e dois centros educativos de desenvolvimento.

Entre os 44 estabelecimentos – todos com resultados aquém das expectativas – mais de metade são em conselhos da Área Metropolitana de Lisboa e na Península de Setúbal, as zonas mais afetadas pela falta estrutural de professores.

A Península de Setúbal, em particular, regista a média mais baixa de percursos diretos de sucesso no 3.º ciclo (34%), sendo também a região que mais diverge da média nacional comparável, em 7,7 pontos percentuais.

Além do indicador dos percursos diretos de sucesso, que se refere apenas ao 3.º ciclo, os dados mais recentes disponibilizados pelo Ministério da Educação revelam também uma ligeira melhoria na percentagem de alunos que concluiu o respetivo ciclo de ensino no tempo esperado.

A única exceção foi no 2.º ciclo, que 95% dos alunos concluiu nos dois anos esperados, menos um ponto percentual em relação ao ano anterior.

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Litoral domina melhores notas no 9.º ano e escolas públicas ficam para trás

As notas nas provas finais de 9.º ano de Português e Matemática pioraram no ano passado, havendo muito mais negativas entre os estudantes das escolas públicas e melhores resultados nas escolas das grandes cidades do litoral.

Houve um ligeiro agravamento do desempenho dos alunos nas provas finais de 3.º ciclo, segundo uma análise da agência Lusa às mais de 180 mil provas realizadas em 2025 e em 2024: a média global desceu de 2,91 valores para 2,87 valores (numa escala de zero a cinco).

Num universo de 1.043 escolas, apenas 25,2% obtêm média positiva, segundo dados do Ministério da Educação, que mostram que no ano anterior 32,5% das escolas tinha “positiva”.

Os alunos das escolas públicas tiveram mais dificuldades: enquanto 83% das escolas públicas teve média negativa, 82% das privadas teve média positiva.

No ‘ranking’ da Lusa, os colégios voltam a ocupar os primeiros lugares da tabela, agora liderada pelo Colégio de Nossa Senhora do Alto, em Faro, com uma média de 4,26 valores.

Nas posições seguintes surgem o Colégio de Nossa Senhora da Conceição, em Guimarães, Externato das Escravas do Sagrado Coração de Jesus, no Porto, Colégio Moderno, em Lisboa, e Grande Colégio Universal, no Porto.

Os dados mostram uma forte concentração no litoral e nos principais centros urbanos do país: Dos 10 estabelecimentos com melhores médias, quatro localizam-se no distrito do Porto, dois em Lisboa e dois em Braga.

Os primeiros lugares da tabela pertencem a colégios privados localizados em áreas metropolitanas e concelhos mais povoados do litoral.

A Escola Artística do Conservatório de Música Calouste Gulbenkian, em Braga, é a primeira escola pública da lista e surge em 17.º lugar.

As escolas públicas com melhores resultados médios também se encontram nos grandes centros urbanos do litoral, capitais de distrito e cidades universitárias. Lisboa, Porto e Braga concentram sete dos 10 primeiros estabelecimentos públicos do ‘ranking’, aos quais se juntam Coimbra e Aveiro.

Fazendo um ‘zoom’, percebe-se que estão localizados em bairros habitados maioritariamente por pessoas com elevada escolaridade e onde os preços da habitação estão entre os mais elevados do país, como o Parque das Nações, Telheiras ou Alvalade, em Lisboa, ou a Foz, no Porto.

Neste ‘ranking’ destacam-se também as escolas artísticas, já que três dos primeiros cinco lugares são Conservatórios de Música: além do Conservatório em Braga, está também o Conservatório do Porto e o Conservatório Nacional, em Lisboa.

Já as 10 escolas públicas com piores resultados concentram-se sobretudo na Área Metropolitana de Lisboa e na Península de Setúbal, regiões conhecidas pela falta de professores.

Olhando para os bairros onde estão localizadas, percebe-se que são escolas que servem populações maioritariamente mais pobres, corroborando os estudos que indicam que os alunos de famílias mais desfavorecidas têm mais dificuldades em atingir o sucesso académico.

Muitas destas escolas estão abrangidas pelo Programa TEIP (Territórios Educativos de Intervenção Prioritária), destinado a estabelecimentos situados em zonas com muitas crianças e jovens em risco de vulnerabilidade social, que tem como objetivo melhorar a qualidade das aprendizagens e combater o abandono escolar.

No Monte da Caparica, os alunos do 9.º ano da Escola Básica do Miradouro de Alfazina tiveram a média mais baixa do país: 1,95 valores. A escola integra o programa TEIP e é frequentemente referido como um território com grandes desafios sociais.

Outros casos bastante conhecidos que voltam a surgir no fim da tabela são a Escola Básica Integrada de Rabo de Peixe, nos Açores, marcada pelos problemas de pobreza e exclusão social.

O impacto do estatuto socioeconómico nos resultados, em especial a Matemática, com os alunos de famílias mais pobres a terem notas muito mais baixas do que as crianças não beneficiárias já tinha sido apontado no relatório da Direção-Geral de Estatísticas de Educação e Ciência (DGEEC).

Apesar de terem piores notas nas provas finais, há muito mais casos de alunos que fazem o 3.º ciclo sem chumbar, segundo o indicador dos “percursos diretos de sucesso”, que mostra a percentagem de alunos sem retenções ao longo do 3.º ciclo e com positiva nas provas finais do 9.º ano.

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