Previsiones deportivas semanales de Prensa Latina
Prensa Latina anuncia sus previsiones deportivas de la semana del 1 al 7 de noviembre de 2026.
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Moscú, 31 oct (Prensa Latina) El luchador ruso de estilo libre, Ibragim Ibragimov ganó la medalla de oro en el Campeonato Mundial de la especialidad que se celebra en la ciudad kazaja de Astaná, informó hoy el rotativo digital Vzgliad.
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El filme Dao, del francosenegalés Alain Gomis, una apuesta arriesgada entre documental y ficción, con una duración de tres horas, ha ganado este sábado la 71ª edición de la Seminci. Gomis no recibirá la Espiga de Oro en una gala de clausura como estaba programado, ya que la organización ha cancelado el evento tras el accidente ferroviario de Urda “en señal de respeto y solidaridad con las víctimas”, y la entrega de premios se ha realizado al mismo tiempo que la habitual lectura matinal de los ganadores. Esta edición ha celebrado más de 120 coloquios en sus sedes y ha alcanzado los 100.000 espectadores en las salas de Valladolid.

© NACHO GALLEGO (EFE)
Dez lances antes do fim da partida, Valentina Magalhães Meira, de 13 anos, encontrou o caminho para vencer. Sem mover as peças, analisou mentalmente a sequência de um ataque e apresentou a solução ao treinador. A posição era complexa, mas ela calculou cada etapa com precisão.
“Fiquei bastante surpreso porque não era uma posição simples e ela calculou com perfeição”, conta André Kemper Baptista, mestre nacional de xadrez e treinador da enxadrista.
Natural de Vitória da Conquista, na Bahia, onde mora até hoje, Valentina começou a jogar aos cinco anos e já reúne títulos brasileiros. Em 2026, conquistou o Campeonato Brasileiro nas modalidades clássica, rápida e blitz da categoria sub-13. Por trás das medalhas, há uma rotina de estudo, curiosidade e desafios que exigem mais do que conhecer os movimentos do tabuleiro.
O primeiro encontro com o xadrez aconteceu nas férias de 2019, na casa da madrinha. Valentina já pedia um tabuleiro à mãe, Ana Paula Magalhães Fernandes Meira, que considerava o jogo difícil para uma criança daquela idade.
A tia apresentou os movimentos básicos. Valentina aprendeu, venceu e quis continuar. Meses depois, ganhou um jogo para praticar em casa. Nas aulas da escola, passou a conhecer novas jogadas e, ainda naquele ano, começou a participar de torneios.
Em uma das primeiras competições escolares, aos seis anos, enfrentou alunos de até 11 e venceu todos os adversários, segundo a mãe.
O interesse por desafios já aparecia em outras situações. Aos quatro anos, Valentina desenhava contas e raízes quadradas no vidro do box para a mãe resolver. Também começou a ler nessa idade e demonstrava persistência com quebra-cabeças e atividades de lógica.
“Enquanto não terminasse de montar um quebra-cabeça ou de aprender algo novo, ela não desistia”, lembra Ana Paula.
Em 2022, a família buscou uma avaliação após orientações de uma neuropsicóloga e da psicóloga da escola. Naquele ano, foram identificadas as altas habilidades.
Foi também em 2022 que o xadrez ganhou outra dimensão. No Brasileiro sub-10 feminino, Valentina disputou 23 partidas entre os três ritmos e, de acordo com a mãe, terminou invicta e campeã em todos eles.
Pensar antes de agir
O treinamento inclui duas aulas semanais, uma individual e outra em grupo, além de exercícios diários de tática, partidas e análise dos próprios jogos. Perto dos campeonatos, a preparação se intensifica.
Baptista descreve uma jogadora de estilo controlado e lógico, capaz de enfrentar posições mais arriscadas quando a partida exige. Nas aulas, trabalha principalmente com situações dos jogos recentes e temas que precisam de aprofundamento.
Mas o treinador ressalta que o desempenho também depende da maneira como o atleta administra as emoções.
“Dominar o ímpeto de fazer o primeiro lance que vem à mente é o passo inicial para extrair o melhor resultado quando o assunto é o pensamento no xadrez”, afirma.
Para Valentina, aprender a perder faz parte desse processo. A mãe conta que ela sempre foi competitiva e, desde pequena, queria uma nova partida quando o resultado não saía como esperava.
Na avaliação da família, essa relação mudou ao longo do tempo. A frustração ainda aparece nos torneios mais importantes, mas os erros e as derrotas em outras situações passaram a ser recebidos com mais tranquilidade.
Desde março de 2025, Valentina frequenta aulas de estimulação cognitiva no Supera, onde utiliza jogos e o ábaco, um instrumento de cálculo com peças que deslizam em hastes para representar números e realizar operações matemáticas. Quando começou, já acumulava títulos nacionais e tinha o título de mestre nacional feminina.
A família procurou a atividade pelo interesse da menina nos desafios propostos. Ana Paula relata que, desde então, percebe avanços na paciência com outras pessoas e na maneira de enfrentar dificuldades. Também cita uma situação em que a filha reconheceu, em uma olimpíada de matemática, uma estratégia que havia aprendido com o sudoku.
Essas observações fazem parte do relato familiar. A trajetória reúne, ao mesmo tempo, prática de xadrez, estudo, amadurecimento e outras atividades, sem permitir atribuir os resultados nas competições a um único fator.
A neuropsicopedagoga Patrícia Lessa explica quais habilidades entram em ação nesses desafios.
“Jogos de tabuleiro, de uma forma geral, são excelentes para fortalecer as habilidades que nos permitem interagir com o meio de forma eficiente, como planejamento, organização, controle inibitório e até regulação emocional para alcançar uma meta, como a vitória numa competição”, afirma.
No xadrez, essas exigências aparecem a cada decisão: observar a posição, avaliar alternativas, antecipar consequências e conter a vontade de jogar antes de concluir a análise.
Fora das competições, Valentina também ocupa o outro lado do tabuleiro. Uma vez por semana, dá aulas de xadrez para crianças como voluntária em um projeto social.
A agenda inclui vôlei, inglês, debates competitivos, olimpíadas científicas e atividades da Mensa, associação que reúne pessoas com alto quociente de inteligência (QI). Na música, toca flauta transversal no coral da igreja e ensina piano em casa.
O próximo objetivo é disputar mais torneios internacionais e avançar em busca de um título da Federação Internacional de Xadrez. O principal obstáculo, segundo a mãe, está no custo das viagens e dos treinamentos. A família precisa arcar com deslocamentos de Vitória da Conquista para os campeonatos e buscar orientação técnica fora da cidade.
No segundo semestre de 2026, Valentina conquistou o Bolsa Esporte na categoria nacional, conforme o relato de Ana Paula. A busca por patrocínio continua.
Hoje, além de calcular os próprios lances, Valentina ensina outras crianças a descobrir os caminhos do tabuleiro. Naquelas aulas voluntárias, compartilha o que aprendeu desde a primeira partida na casa da madrinha: observar, pensar antes de agir e, sempre, tentar outra vez.