Enem 2026: veja cinco conectivos para melhorar a coesão da redação
Na preparação para a redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), conhecer conectivos pode ajudar os estudantes a organizar os argumentos e estabelecer relações entre as ideias. Expressões como “além disso”, “ademais” e “portanto” são frequentes em textos dissertativo-argumentativos, mas seu uso exige atenção ao sentido que se deseja transmitir.
Apesar de serem tratados por estudantes como palavras “coringas”, os conectivos não funcionam de maneira indiscriminada. Segundo Fernanda Nascimento, professora de Linguagens e Redação do Colégio Saber Viver, a escolha desses elementos deve considerar a relação que o autor pretende estabelecer entre as informações.
“Os conectivos sempre dependerão do sentido que se pretende expor. Eles não têm relação com o tema, mas com a superfície linguística”, explica a professora.
Cinco conectivos e quando utilizá-los
Os conectivos são palavras ou expressões que ajudam a estabelecer relações entre orações, períodos e parágrafos. Para utilizá-los adequadamente, o estudante precisa compreender a função de cada termo no desenvolvimento da argumentação.
Confira cinco exemplos que podem ser empregados na redação, desde que estejam de acordo com o sentido pretendido:
1. Além disso — adição
A expressão é utilizada para acrescentar uma informação ou um argumento ao que já foi apresentado. É útil, por exemplo, quando o estudante deseja desenvolver um segundo aspecto de um problema.
Exemplo: “A falta de acesso à internet dificulta o acompanhamento das atividades escolares. Além disso, a ausência de equipamentos adequados compromete a realização de pesquisas.”
2. Ademais — adição
Assim como “além disso”, o termo introduz uma informação adicional. Tem um registro mais formal e pode ser utilizado para ampliar uma argumentação, desde que soe natural no contexto.
Exemplo: “A leitura contribui para o desenvolvimento do vocabulário dos estudantes. Ademais, amplia o contato com diferentes perspectivas sociais e culturais.”
3. Outrossim — adição
Também empregado para acrescentar informações, “outrossim” pode funcionar como alternativa a outros conectivos de adição. Entretanto, por ser uma palavra menos comum na linguagem cotidiana, deve ser utilizada apenas quando o estudante tiver segurança sobre seu significado e sua adequação ao texto.
Exemplo: “A escola desempenha um papel importante na formação cidadã. Outrossim, pode contribuir para a conscientização dos jovens sobre seus direitos.”
4. Portanto — conclusão ou consequência
O conectivo indica uma conclusão ou uma consequência decorrente de informações apresentadas anteriormente. É especialmente útil quando o estudante deseja sintetizar um raciocínio ou explicitar o resultado de uma argumentação.
Exemplo: “A evasão escolar limita as oportunidades profissionais de muitos jovens e amplia desigualdades sociais. Portanto, combater esse problema deve ser uma prioridade.”
5. Desse modo — conclusão ou resultado
A expressão estabelece uma relação de consequência ou apresenta uma conclusão construída a partir do raciocínio anterior. Também pode ser utilizada para introduzir uma proposta que decorra dos problemas discutidos.
Exemplo: “O investimento na formação de professores e na infraestrutura escolar favorece o processo de aprendizagem. Desse modo, ampliar esses investimentos pode contribuir para reduzir desigualdades educacionais.”
Embora os cinco exemplos sejam úteis em diferentes situações, eles não devem ser utilizados apenas para tornar o texto aparentemente mais sofisticado. A escolha precisa refletir a relação lógica entre as ideias.
Repetição e uso inadequado podem prejudicar a redação
Um dos erros mais comuns é repetir excessivamente o mesmo conectivo ao longo do texto. Outro problema é empregar uma expressão sem considerar o sentido que ela estabelece, criando relações inadequadas entre os argumentos.
“Os erros mais comuns estão centrados na repetição excessiva e no uso com sentido inadequado”, afirma Fernanda Nascimento.
A professora também alerta que utilizar palavras consideradas rebuscadas não garante uma nota maior. Pelo contrário, quando o estudante não domina o significado ou a aplicação de determinado termo, a escolha pode prejudicar a coerência textual.
Por isso, variar os conectivos não significa simplesmente substituir uma palavra por outra mais formal. É necessário observar se as expressões utilizadas cumprem a mesma função e se fazem sentido naquele trecho.
Como os conectivos influenciam a nota do Enem?
O emprego adequado dos elementos de coesão é avaliado na competência 4 da redação do Enem, que verifica a capacidade do participante de demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários à construção da argumentação.
A competência considera o uso dos recursos responsáveis por articular as partes do texto, incluindo os chamados operadores argumentativos, que ajudam a estabelecer relações como adição, oposição, explicação e conclusão.
De acordo com Fernanda Nascimento, essa competência representa 20% da nota total da redação. Por isso, compreender a função dos conectivos é importante para construir um texto articulado, em vez de apenas reunir informações e argumentos.
A professora ressalta que o domínio desses recursos deve ser demonstrado de maneira produtiva, com escolhas adequadas ao sentido pretendido e sem repetições excessivas.
Como aprender a usar conectivos com naturalidade?
Para desenvolver essa habilidade, a recomendação é ler redações que alcançaram a nota máxima no Enem e observar como os conectivos são empregados ao longo dos textos. Mais do que memorizar listas, o estudante deve identificar as relações estabelecidas entre os argumentos e os motivos pelos quais determinadas expressões aparecem em partes específicas da redação.
“Ler textos nota 1000 e observar os sentidos expressos pelos conectivos presentes nesses textos e a recorrência deles”, recomenda Fernanda.
A professora cita o termo “portanto” como exemplo de conectivo tradicionalmente utilizado na conclusão. A observação mostra a importância de analisar não apenas o significado isolado de cada expressão, mas também sua função na estrutura argumentativa.
Na prática, o estudante pode revisar os próprios textos e verificar se cada conectivo corresponde à relação que deseja estabelecer. Se a intenção for acrescentar um argumento, deve escolher uma expressão de adição; se quiser apresentar uma conclusão, precisa recorrer a um elemento que expresse esse sentido.
Assim, o objetivo não é decorar palavras para encaixá-las em qualquer tema, mas aprender a utilizá-las com precisão para tornar a argumentação mais clara, coesa e bem organizada.
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