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Quais aliados de Flávio Bolsonaro compartilharam a carta golpista? Veja

29 October 2026 at 20:14

Apenas um aliado do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), entre os que estavam ao lado dele no discurso após a derrota nas urnas, compartilhou a carta golpista na qual se autodeclarou "presidente eleito do Brasil". Nenhum aliado compartilhou a segunda versão do texto, na qual Flávio se disse o "líder" do País.

Apenas José Medeiros (PL), senador eleito no Mato Grosso, postou a carta, ainda na primeira versão divulgada por Flávio. Nela, o candidato derrotado na eleição presidencial escreveu: "dirijo-me a ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil'.

Medeiros não publicou a segunda carta, na qual Flávio Bolsonaro se definiu como "líder". O senador eleito estava perto de Flávio durante a sua primeira declaração depois da derrota no último domingo, 25.

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL), não fez uma postagem com a carta, mas comentou o tema: "Esquerda zuando o Flávio porque ele "se autodeclarou" presidente… então tá liberado zuar quem se autodeclara alguma coisa? Bom saber", disse no X.

Em uma entrevista que reproduziu em seu próprio Instagram, Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, comentou a segunda versão do texto, e disse que aquela era a forma "definitiva da carta".

"Flávio, pelo número de votos que teve, pelo papel que desempenhou nas últimas eleições, é hoje a maior expressão da direita no Brasil. O fato é que o que está em seu Twitter, que é a sua manifestação oficial, ele se autodenomina como líder e é um fato, ele é um líder no Brasil", disse, sem também compartilhar o documento.

O presidente nacional do Partido Liberal, Valdemar da Costa Neto, disse na manhã desta quinta que não gostou da carta divulgada no dia anterior, que não a aprovou e que também não sabia previamente da fuga aos Estados Unidos.

Outros aliados do candidato derrotado, como Lucas Pavanato (PL), Guilherme Derrite (PP), Alfredo Gaspar (PL), Deltan Dallagnol (Novo), Douglas Ruas (PL) e Pablo Marçal (PRTB), não postaram a carta golpista.

Nenhum dos candidatos à Presidência derrotados no primeiro turno que apoiaram Flávio contra Lula - Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante) - fez menção à carta.

Flávio foi para os Estados Unidos após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinar, a pedido da Polícia Federal, que ele entregasse seus passaportes às autoridades.

A PF citou 'risco concreto de evasão" e justificou a medida pelo "precedente concreto" de Willer Tomaz, advogado e amigo do senador, que está nos Estados Unidos enquanto é investigado. A determinação foi no âmbito do inquérito no qual Flávio e Willer são investigados por lavagem de dinheiro.

© Joédson Alves/Agência Brasil

O candidato à Presidência da República, senador Flávio Bolsonaro (PL), fala com jornalistas após ser derrotado no segundo turno das eleições pelo candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

Lula diz que Flávio sair do Brasil é vergonhoso; 'Quando pediram meu passaporte, entreguei'

28 October 2026 at 00:15

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chamou de "vergonhoso" o fato de o senador Flávio Bolsonaro (PL) ter fugido do Brasil logo após a derrota na disputa presidencial e depois de o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ter mandado ele entregar seu passaporte.

"Esse ato de sair do Brasil é vergonhoso (...) Quando pediram para eu entregar meu passaporte, eu entreguei. A Polícia Federal tinha suspeita de que ele ia sair do Brasil. Lamentavelmente, a família Bolsonaro é isso. O Brasil é a segunda pátria dele. A primeira é lamber bota dos Estados Unidos", declarou diante de militantes petistas no Palácio da Alvorada, na comemoração de seus 81 anos.

Lula se referiu a uma decisão da Justiça Federal em 2018, que mandou entregar seu passaporte logo antes de ele viajar à Etiópia para um evento da Organização das Nações Unidas (ONU). Na oportunidade, ele e seu então advogado, Cristiano Zanin, cumpriram a decisão da Justiça. Lula permaneceu no Brasil e acabou preso no âmbito da operação Lava Jato.

"Tive muitos convites para sair do Brasil, ir para embaixadas, mas resolvi ficar e me entregar na Polícia Federal, porque queria desmascarar meus acusadores e provar minha inocência. E estou aqui sendo reeleito para mais um mandato por conta de vocês", disse.

Lula falou que o processo democrático estabelece que "a gente vota em quem quiser e tem que acatar o resultado". "Já participei de muitas eleições, mas o que vimos nesse 2º turno, é uma coisa que nunca tinha visto na minha vida (...) Estou sabendo agora que meu adversário foi embora. Não tenho informações. Perdi eleição para o [Fernando] Collor, para o Fernando Henrique [Cardoso], duas vezes, e fiquei no Brasil. [Geraldo] Alckmin perdeu para mim e ficou no Brasil. Serra perdeu e ficou. Fico imaginando a culpa [de Flávio]", afirmou.

"Quem não deve não teme. Um cidadão que sai escondido de seu País é porque deve alguma coisa", declarou.

Lula criticou Flávio por não ter entregado à Justiça Eleitoral os dados fiscais, bancários e telefônicos seus e de sua família. O presidente reeleito desafiou seu adversário a fazer isso. Lula entregou à Justiça Eleitoral seus dados, os da primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, e seus filhos.

"Lamento que ele tenha saído do Brasil. Ele poderia ficar e provar que as acusações que estão na imprensa não são verdadeiras. Tentei fazer com que ele provasse que é honesto entregando minha papelada toda na Justiça Eleitoral. Ele não entregou, em uma demonstração de que esse cidadão, que foi a figura mais mentirosa que já vi no planeta Terra, não tem nenhum compromisso com a verdade. É impressionante a desfaçatez dele", afirmou.

"Não vá dizer lá fora que Brasil não tem democracia. Se não tivesse, miliciano não seria candidato", disse.

© WILTON JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDO/ESTADÃO CONTEÚDO

Opresidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comemorou seus 81 anos de idade ao lado de apoiadores, nesta terça-feira (27)
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