Carlos Marques estreia “de Sal a Marte” em Montemor-o-Novo
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Concerto dançado sobre o trabalho invisível dos migrantes “de Sal a Marte”, nova criação da Trimagisto estreia a 21 e 22 de novembro no Cineteatro Curvo Semedo
Um espetáculo que cruza teatro, música, dança, palavra e multimédia, “de Sal a Marte” reflete sobre a imigração, a identidade, a memória e o trabalho invisível que sustenta o quotidiano das sociedades contemporâneas.
Partindo do universo das salinas e dos gestos ancestrais da produção do sal – elemento primordial que dá sabor à vida e símbolo do trabalho humano, o espetáculo constrói uma narrativa sobre quem chega, e quem, tantas vezes, permanece sem ser verdadeiramente visto.
“São eles o verdadeiro sal da nossa vida – indispensáveis, mas tantas vezes empurrados para longe. Precisamos deles, mas insistimos em mandá-los ir para Marte, um planeta aparentemente vazio, apresentado como destino possível para aqueles que a sociedade considera incómodos”, explica Carlos Marques
“Afinal, somos todos Homo sapiens, animais que contam histórias e que, através delas, constroem mundos comuns – mas também inventam diferenças entre nós e os outros”.
Carlos Marques apresenta um concerto dançado que cruza a imigração, o trabalho e as fronteiras que criamos para nos separar enquanto seres humanos. Em palco, um músico, um coro comunitário e quatro intérpretes – bailarinos, cantores e atores – entrelaçam música, dança e palavra numa reflexão poética e política sobre o trabalho invisível dos imigrantes, cujo esforço, sustenta grande parte do conforto do quotidiano europeu.
Abalar, música e criação
No centro de “de Sal a Marte” está Abalar, músico e alter ego de Carlos Marques. É através desta persona que Carlos Marques desenvolve uma linguagem onde a música, a palavra e a presença cénica se cruzam para dar corpo às questões levantadas pelo espetáculo.
O espetáculo nasce de um processo colaborativo que cruza diferentes linguagens artísticas e contributos criativos.
Cláudia Dias e Beatriz Rodrigues acompanham a criação ao nível do movimento e do apoio dramatúrgico, enquanto Ricardo Almeida é responsável pelos arranjos e pela produção musical, dando forma à dimensão sonora do espetáculo.
A direção coral está a cargo de Mara, que orienta o trabalho do Coro do Sal, coro comunitário de Montemor-o-Novo que integra esta criação, trazendo para o palco as vozes da comunidade e reforçando a dimensão coletiva do projeto. A participação do Coro do Sal, coro comunitário de Montemor-o-Novo, alarga a reflexão de “de Sal a Marte” para além do palco, envolvendo a comunidade num processo de criação e participação coletiva.
Através desta experiência artística partilhada, Carlos Marques convida os participantes a questionar preconceitos, e a pensar coletivamente sobre a sociedade que construímos. A estreia de “de Sal a Marte” acontece a 21 de novembro, às 21h30, no Cineteatro Curvo Semedo, em Montemor-o-Novo, numa sessão que assinala também a apresentação e o lançamento do livro “de Sal a Marte”.