Transporte por moto: Internações de vítimas chegam a 178 mil e gasto público passa de R$ 281 milhões no Brasil
As internações anuais por sinistros de trânsito com motocicletas saltaram de 107 mil para quase 178 mil em 2025. Com isso, o gasto público com saúde subiu de R$ 155 milhões para mais de R$ 281 milhões no período, uma elevação superior a 80%. Os números são do DataSUS (o banco de dados público do Sistema Único de Saúde do Ministério da Saúde) e do Atlas da Violência 2026, e mostram o peso crescente das duas rodas sobre os hospitais brasileiros.
Em seis anos, o volume de hospitalizações causadas por esses sinistros cresceu 65%, segundo os dados. O ritmo não desacelerou: só nos cinco primeiros meses deste ano, o País registrou mais de 72 mil internações, que custaram quase R$ 120 milhões aos cofres públicos. Especialistas ouvidos já tratam o cenário como uma epidemia de saúde pública.
No Rio de Janeiro, o Corpo de Bombeiros realizou mais de 43 mil atendimentos a ocorrências desse tipo no ano, média superior a 150 chamados por dia. De acordo com o tenente-coronel Fábio Contreiras, as motocicletas já respondem por 75% de todos os sinistros de trânsito atendidos pelas equipes de resgate. No estado, sete em cada dez atendimentos por trauma têm origem em sinistros com motos.

Os dados do DataSUS foram analisados pela plataforma Valor Saúde Brasil (DRG Brasil), desenvolvida pelo Grupo IAG Saúde.
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FROTA CRESCE E MORTES ACOMPANHAM

A pressão sobre as emergências acompanha a mudança no perfil da mobilidade urbana. Em cinco anos, números da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) apontam que o licenciamento de automóveis cresceu 11%, enquanto a frota de motos avançou 27%, impulsionada pela consolidação dos serviços de entrega e de transporte por aplicativo, como Uber e 99 Moto. A frota brasileira de motocicletas ultrapassa hoje 30,9 milhões de veículos.
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O reflexo mais grave aparece nas estatísticas de mortalidade, que passaram a integrar as análises do Atlas da Violência em 2025. Nos últimos três anos, 19.491 brasileiros morreram em sinistros de trânsito com motos: 5.857 em 2023, 6.946 em 2024 e 6.688 em 2025. O documento já alertava desde a primeira edição em que a segurança viária teve espaço, que o total de mortos no trânsito já se aproxima do número de homicídios no País, e que condutores e passageiros de motocicletas respondem por cerca de 40% de todas as fatalidades.
O quadro é agravado pela falta de habilitação: dados divulgados pela Senatran estimam que metade dos proprietários de motos não têm Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Por trás de cada internação há uma pessoa, uma família e um sistema de saúde que precisa absorver o custo, o que recoloca a segurança viária no centro do debate sobre a expansão das motos nas cidades.


© JAILTON JR./JC IMAGEM