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Caso Porsche azul: Júri de Fernando Sastre começa nesta quarta-feira (28)

28 October 2026 at 09:44

Fernando Sastre Filho, condutor do Porsche azul que causou a morte do motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana em 2024, na zona Leste de São Paulo, vai a júri popular na manhã desta quarta-feira (28).

O julgamento ocorre a partir das 10h, no Fórum Criminal da Barra Funda, na zona Oeste da capital, e tem prazo de encerramento até quinta-feira (29). A sessão será presidida pela juíza Melanie Liesenberg.

O caso que leva o empresário ao júri ocorreu na madrugada do domingo de Páscoa, no dia 31 de março de 2024, na avenida Salim Farah Maluf, no Tatuapé, na zona Leste de São Paulo.

Fernando Sastre Filho dirigia o Porsche que bateu a cerca de 156 km/h na traseira do Sandero do motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana, de 52 anos. O limite para a via é de 50 km/h. Ele está preso preventivamente há pelo menos dois anos.

O empresário responde por homicídio qualificado por “perigo comum” com dolo eventual e lesão corporal grave. A última se refere ao fato de que o estudante Marcus Vinicius Machado também ficou ferido na ocorrência. O jovem era amigo de Sastre e estava no bando de trás do carro de luxo.

Se Fernando Sastre for condenado, a pena somada pode passar de 30 anos de prisão.

Em contato com a CNN Brasil, a defesa de Sastre afirma que a expectativa “é de um julgamento justo, com a desclassificação para uma conduta culposa, na modalidade da imprudência”.

PM viraram réus no caso

Os policiais militares que liberaram Fernado Sastre tornaram-se réus na Justiça Militar do Estado de São Paulo. Daisy Aparecida Cardoso Romão e Thiago Silva Batista foram denunciados por liberarem Fernando Sastre sem a realização do teste de bafômetro.

Segundo a denúncia, a dupla cometeu crimes de inobservância de lei, regulamento ou instrução, na modalidade de tolerância

“Quanto aos próximos atos processuais, estes serão praticados de acordo com o rito legal aplicável e com o regular andamento da ação penal”, se manifestou o Tribunal, por meio de nota.

De acordo com as últimas movimentações do processo de Sastre, Daisy pediu para não comparecer ao julgamento desta manhã. No entanto, o pedido foi indeferido.

“A requerente atuou diretamente no atendimento inicial da ocorrência e esteve no local dos fatos logo após a colisão, de modo que seu relato é relevante para a formação da convicção dos jurados”, destaca a decisão.

Relembre caso

O empresário Fernando Sastre de Andrade Filho, de 24 anos, estava em uma festa “Open Bar”, na Zona Leste de São Paulo, antes de causar o acidente, em 31 de março de 2024, que matou o motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana.

Na época, a CNN Brasil apurou que Fernando negou durante o depoimento ter ingerido bebidas alcoólicas ou ter usado drogas. Sastre disse que perdeu a consciência após a colisão do carro e quando retomou, estava deitado na rua.

Uma das testemunhas ouvidas pela polícia informou que logo após o acidente parou o veículo para socorrer as vítimas. Ela relatou aos policiais que Fernando aparentava sinais de embriaguez e cambaleava, além de apresentar uma voz “pastosa” sem saber o que estava acontecendo.

A testemunha também contou que os momentos que sucederam o acidente foram marcados por discussões e pela tentativa de tirar os ocupantes do Porsche do local.

Justiça condena caseiro por morte de idosa achada em poço no interior de SP

27 October 2026 at 18:42

A Justiça de São Paulo condenou o caseiro Paulo Henrique Vieira, acusado pelo latrocínio e ocultação de cadáver da idosa Dagmar Grimm Streger, de 76 anos, a 26 anos de reclusão em regime inicial fechado. A sentença foi proferida na última sexta-feira (23), pela 3ª Vara Criminal da Comarca de Bauru.

O corpo da vítima foi encontrado em um poço desativado dentro de uma propriedade na Estrada Municipal Murilo Vilaça Maringoni, em Bauru, no interior do estado.

Segundo a decisão, obtida pela CNN Brasil, Paulo aproveitou a proximidade com Dagmar –– que lhe oferecia trabalho, moradia e ajuda financeira ––, para roubar os bens da vítima, incluindo uma caminhonete, televisor e um botijão de gás.

A investigação aponta que, após a morte, o réu escondeu o corpo em um poço com profundidade estimada entre 25 e 30 metros e fugiu do local com a caminhonete roubada. O cadáver só foi localizado após mais de 20 dias de escavações, em janeiro deste ano.

Condenação

Ao longo do processo, o caseiro confessou ter matado Dagmar e jogado o corpo no poço. De acordo com o réu, ele matou a vítima após um suposto tapa desferido por ela em seu rosto.

O juiz, no entanto, afastou a alegação da defesa de que a reação decorreu de uma suposta agressão ou lesão corporal acidental, destacando a ausência de provas para essa versão e a clara motivação de subtração e busca de impunidade.

A esposa de Paulo, Daniela Aparecida dos Santos, também ré no processo, foi absolvida das acusações de latrocínio e ocultação de cadáver.

Para o magistrado, não havia provas de que ela tivesse participado do ataque à vítima ou combinado previamente com o marido a prática do crime.

A sentença considerou que a participação de Daniela nas trocas de veículos ocorreu depois da morte e não demonstrou envolvimento no roubo seguido de morte.

Relembre o caso

O corpo da idosa Dagmar Grimm Streger, de 76 anos, foi encontrado em 21 de janeiro, dentro de um poço desativado localizado em uma propriedade na Estrada Municipal Murilo Vilaça Maringoni, em Bauru, no interior de São Paulo. Ela estava desaparecida desde dezembro de 2025.

No local, os investigadores apreenderam um documento de identificação e um cartão bancário em nome da vítima.

Local onde Corpo de idosa desaparecida desde dezembro foi encontrado • Cássia Peres

O laudo necrocoscópico apontou que a morte foi provocada por traumatismo cranioencefálico decorrente de trauma no polo cefálico, produzido por agente contundente. A perícia constatou ainda uma lesão na cabeça, possívelmente ocasionada por um forte golpe no crânio.

Foram identificadas diversas fraturas na costela, o que indica que a vítima ainda se encontrava viva quando sofreu o segundo trauma.

Por fim, o perito médico-legal registrou expressamente no laudo a constatação do emprego de meio cruel.

Justiça nega habeas corpus de tenente-coronel preso por feminicídio em SP

26 October 2026 at 20:26

A Justiça de São Paulo negou, na última sexta-feira (23), um novo pedido de habeas corpus apresentado pela defesa do tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, réu pelo feminicídio da esposa, a soldado Gisele Alves Santana.

A CNN Brasil teve acesso à íntegra da decisão, relatada pelo desembargador César Augusto Andrade de Castro, da 9ª Câmara de Direito Criminal do TJSP (Tribunal de Justiça de São Paulo).

No pedido, a defesa solicitou a revogação da prisão preventiva ou a substituição por medidas cautelares, além da expedição de um alvará de soltura. Os advogados alegaram que a prisão não tem fundamentação adequada e representa constrangimento ilegal ao réu.

A defesa também argumentou que Neto tem endereço fixo, ocupação lícita e não representa risco à ordem pública ou à instrução processual. Segundo o requerimento, o tenente-coronel colaborou com as investigações, inclusive ao “participar espontaneamente da reprodução simulada dos fatos”.

Ao analisar o pedido liminar, o Tribunal não identificou ilegalidade evidente que justificasse a soltura imediata do réu. Na decisão, o desembargador afirmou que os argumentos apresentados pela defesa se confundem com o mérito do habeas corpus e, portanto, exigem uma análise mais aprofundada, que não cabe nos limites da apreciação liminar.

“Não sou assassino”

Durante interrogatório de mais de oito horas, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, réu pelo feminicídio da esposa, a soldado Gisele Alves Santana, declarou à Justiça que não é assassino e que segue preso injustamente há mais de 200 dias por um crime que não cometeu.

A CNN Brasil obteve acesso a íntegra do depoimento, prestado na última segunda-feira (5), no Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo.

Ao longo do relato, Neto relembra o relacionamento com Gisele e afirma que, após o ocorrido, foi criada uma narrativa de que ele era um homem agressivo e violento com ela.

“Porque até o dia 18 de fevereiro de 2026 [dia da morte da soldado], se eu colocasse o meu nome no Google, tinha tantas coisas boas de mim, tantas ocorrências boas, 35 anos de serviço […] Eu não sou um assassino”, afirma.

Leia também: Em depoimento, tenente-coronel fala em armação da perícia para incriminá-lo

Réu por feminicídio e fraude processual

Geraldo Leite Rosa Neto responde pelos crimes de feminicídio e fraude processual. Segundo a investigação, o tenente-coronel interferiu na cena do crime e no curso do caso.

Para o Ministério Público, o homicídio foi praticado por motivo torpe, relacionado ao sentimento de posse e à recusa do acusado em aceitar o fim do relacionamento. A denúncia também afirma que Gisele foi surpreendida, sem possibilidade de defesa, circunstância que qualifica o crime.

Após o interrogatório de Neto, ocorrido no dia 5 de outubro, o oficial e a defesa da família de Gisele devem apresentar as alegações finais do caso. Finalizado esse processo, a juíza do caso avaliará os autos e decidirá se o caso será submetido ou não a júri popular.

 

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